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sábado, março 16, 2019

... a força determinada para dar corpo à luta por uma outra Europa

INTERVENÇÃO DE JOÃO FERREIRA, 1.º CANDIDATO DA LISTA DA CDU ÀS ELEIÇÕES DO PARLAMENTO EUROPEU 2019, APRESENTAÇÃO DOS CANDIDATOS DA CDU ÀS ELEIÇÕES DO PARLAMENTO EUROPEU 2019

«Prosseguiremos a luta por um Portugal desenvolvido, livre e soberano»

Camaradas e amigos,
Está apresentada a lista de candidatos da CDU às eleições para o Parlamento Europeu, de 26 de Maio.
Mulheres e homens comprometidos com as causas do progresso e da justiça social, da liberdade e da democracia, da soberania e da independência nacionais, da defesa da natureza, da cultura, da paz e da cooperação. Gente que assume, enriquece e projecta na sua acção o património de valores, de intervenção e luta da CDU, em defesa do povo e do país.
Militantes do Partido Comunista Português, do Partido Ecologista «Os Verdes», membros da Associação Intervenção Democrática, independentes, candidatos com um percurso de intervenção cívica e política reconhecido e relevante.
Candidatos que dão garantia de ligação à vida, à realidade do país, de Norte a Sul, do Interior ao Litoral, das regiões autónomas dos Açores e da Madeira às comunidades emigrantes. Gente que conhece o país, que conhece os seus problemas e dificuldades, que conhece como ninguém as suas potencialidades. Que protagoniza um projecto para um Portugal com futuro.
Gente que luta. E que não vira a cara à luta perante as adversidades. Gente que não se resigna, que não desiste.
Na lista que hoje aqui apresentamos encontramos o mundo do trabalho, onde se dão os mais decisivos combates do nosso tempo. Encontramos a agricultura e o mundo rural, as pescas, a indústria, a realidade das micro e pequenas empresas. Encontramos construtores e defensores dos serviços públicos, da saúde, da educação, da cultura e da ciência. Encontramos uma ligação profunda aos elementos estruturantes da comunidade que somos. Encontramos a vontade de transformar o país que temos. E a força determinada para dar corpo à luta por uma outra Europa.
Os candidatos que darão rosto e voz à candidatura da CDU estiveram nas lutas que marcaram os últimos anos da vida nacional. Lutas que demonstraram que é possível avançar. E que é preciso, não andar para trás, mas avançar mais, na melhoria das condições de vida do nosso povo e na resposta aos problemas do país.
A Ana Margarida de Carvalho dá-nos a honra de ser mandatária desta candidatura. Com o seu notável percurso profissional e literário, a Ana Margarida prestigia a candidatura da CDU. Mas, sobretudo, associa-lhe simbolicamente o extraordinário impulso criador que anima uma obra reconhecida e premiada, a par da convicção que temos de que, nos livros como na nossa luta, as melhores páginas ainda estão por escrever.
Esta é uma lista em que as mulheres e os jovens não cumprem função de adorno, nem servem para compor a estatística, pelo contrário, assumem responsabilidades cimeiras. Nesta lista, como na luta e na vida. Nada menos do que isso.
Com a apresentação que hoje aqui fazemos, assumimos um compromisso solene: o de levar mais longe o trabalho realizado, ao longo dos últimos anos, no Parlamento Europeu pelos deputados eleitos pela CDU. Levar mais longe o nosso projecto e a nossa luta por um Portugal soberano e desenvolvido, numa Europa dos povos, da solidariedade, da cooperação e da paz.
Este é um compromisso firmado sobre o terreno firme e confiável de uma intervenção singular no quadro das forças que se apresentam a estas eleições.
No mandato que agora finda, os deputados eleitos pela CDU fizeram mais de 500 intervenções em plenário, mais de 1.200 perguntas à Comissão Europeia e ao Conselho, foram responsáveis pelo acompanhamento de mais de 200 relatórios e pareceres, sendo 24 da sua autoria.
Uma intervenção que se destaca não apenas do ponto de vista quantitativo, mas também e sobretudo do ponto de vista qualitativo. Pela estreita ligação que evidencia à realidade do país, e pelo conhecimento do que dessa realidade se relaciona com as decisões tomadas ao nível do Parlamento Europeu e das demais instituições da União Europeia.
Uma intervenção que deu resposta política quer a novos desafios que surgiram, quer aos problemas que se mantiveram ou agravaram. A crise económica e social; as assimetrias de desenvolvimento e a estagnação económica; os insustentáveis níveis da pobreza, o desemprego, a precariedade, as desigualdades e a exploração; a crise humanitária dos refugiados; a propagação de ideologias reaccionárias; a escalada securitária, cerceadora de direitos, liberdades e garantias; a deriva militarista; os problemas ambientais.
Se outros – como o PS, o PSD e o CDS – contribuíram, com os seus votos no Parlamento Europeu, para edificar um quadro legislativo que institui a chantagem, a ameaça e as sanções contra Estados soberanos, que institui os vistos prévios aos orçamentos nacionais e a intromissão permanente da União Europeia na vida nacional, quadro este que se virou contra Portugal no momento em que o país, com o contributo decisivo do PCP e do PEV, iniciou um caminho de recuperação, defesa e conquista de direitos e de rendimentos, os deputados eleitos pela CDU assumiram no Parlamento Europeu, como nenhuma outra força, a defesa do direito de Portugal e do povo português decidirem livremente o seu destino, sem intromissões nem chantagens.
Propusemos o fim da existência de sanções. PS, PSD e CDS votaram contra. Serviram para isto os votos que lhes foram confiados nas últimas eleições.
Se outros – como o PS, o PSD, o CDS e o BE – aceitaram uma distribuição de mandatos no Parlamento Europeu que beneficia os maiores países e vários países médios mas prejudica Portugal, os deputados eleitos pela CDU propuseram uma solução que permitiria ao país recuperar os deputados perdidos em anteriores alargamentos e assim aumentar a sua representação, atenuando as desigualdades de poder que hoje existem entre os Estados. A CDU propôs. PS, PSD, CDS e BE não apoiaram. Utilizaram assim os votos que lhes foram confiados nas últimas eleições.
Se outros – como o PS, o PSD e o CDS –, ainda esta semana, certamente saudosos da troika que trouxeram ao país, aprovaram, com os seus votos, a proposta de criação de um Fundo Monetário Europeu, uma espécie de troika versão 2.0, que a todos deve desde já deixar de sobreaviso sobre o que por aí pode vir, os deputados eleitos pela CDU propuseram no Parlamento Europeu o fim das intervenções da troika e a criação de um programa de apoio aos países intervencionados, prevendo a mobilização dos recursos financeiros necessários, incluindo ao nível dos fundos estruturais, para compensar os prejuízos económicos e sociais causados.
Propusemos a revogação do Tratado Orçamental. Propusemos – e conseguimos – que o Tratado Orçamental não fosse integrado no ordenamento jurídico da União Europeia. Falta agora que o governo português, aproveitando o embalo da derrota sofrida pelo tratado que Alemanha impôs, desvincule Portugal deste tratado. Não chega criticá-lo, por razões de mero oportunismo e tacticismo eleitoral. É necessário desvincular Portugal de um tratado, que limita a resposta aos problemas do país. Não há desculpa para não o fazer.
Bem podem anunciar “um novo contrato social”, proposta requentada de cada vez que há eleições. Um “contrato social” dentro dos muros do Tratado Orçamental e do Euro não é avanço, é recuo. Querem um “contrato social”? Olhem para aquele que há 43 anos está vertido nas páginas da Constituição da República e que é desrespeitado. É esse o nosso mais relevante “pilar social” e não aquele que a União Europeia quer usar para nivelar por baixo as condições de vida e de trabalho.
Camaradas e amigos,
Temos um trabalho ímpar no Parlamento Europeu. Que ninguém duvide que este trabalho será prosseguido e aprofundado nos próximos anos pelos deputados que a CDU vier a eleger de entre os candidatos agora apresentados. Serão tantos quantos o povo português nos queira confiar. Com a certeza de que essa confiança não será traída. Os votos na CDU não serão usados contra os interesses dos que os confiam.
Prosseguiremos, pois, a luta por um Portugal desenvolvido, livre e soberano, numa Europa dos trabalhadores e dos povos, de progresso, de paz e de cooperação.
Uma luta que une os actos eleitorais que se avizinham. Eles são momentos distintos de uma mesma batalha.
Se temos um trabalho ímpar no Parlamento Europeu, temos, no plano nacional, a responsabilidade primeira pelo caminho aberto a uma solução política que interrompeu planos concretos para prosseguir e intensificar a política de exploração e de empobrecimento do governo PSD-CDS. Os últimos anos deixaram à vista o papel destacado do PCP e do PEV na vida nacional. Cada conquista, cada avanço na melhoria dos rendimentos e dos direitos, não teria sido possível sem a nossa iniciativa, sem a nossa intervenção, e sem a luta dos trabalhadores e das populações.
Luta que alguns bem se esforçaram por apagar e esconder.
Luta que é o motor decisivo para os avanços por concretizar. Mas faz falta levar esta luta até ao voto, dando mais força à CDU! Muitos dos problemas que persistem sem resposta, muitos dos bloqueios ao desenvolvimento do país, resultam do facto de PS, PSD e CDS, na hora h, continuarem a juntar os trapinhos em questões essenciais e estruturantes da política de direita. Juntam-se para submeter o país às imposições da União Europeia. Juntaram-se para impedir a reversão dos aspectos mais negativos da legislação laboral, e até para a agravar, indo ao encontro das pretensões do grande patronato. Juntaram-se para impedir a fixação do salário mínimo em valores mais elevados, para impedir a resposta a justas pretensões dos trabalhadores do sector público. Juntaram-se para despejar mais uns milhares de milhões de euros nos buracos da banca privada. Juntaram-se para impedir a recuperação para o país das suas empresas e sectores estratégicos – na banca e restante sector financeiro, na energia (electricidade e combustíveis), nos correios e telecomunicações.
Aqui chegados, a solução não é andar para trás. A solução é avançar. E para avançar há que dar mais força à CDU. Avançar, em Portugal, na concretização de uma política alternativa, patriótica e de esquerda, e avançar na Europa, na construção de uma outra Europa.
Uma Europa de cooperação entre Estados soberanos e iguais em direitos, que respeite a democracia e a participação democrática, onde não haja lugar a imposições que firam o direito de cada povo a decidir as políticas (económicas e outras) que melhor lhe servem.
Uma Europa dos direitos sociais, que promova o emprego com direitos e salários dignos; que defenda e promova os serviços públicos; que garanta a igualdade entre homens e mulheres.
Uma Europa de progresso económico e social, ecologicamente sustentável, que promova uma convergência no progresso entre os diferentes países; que valorize e não bloqueie o investimento público; que promova o potencial produtivo de cada país, combatendo défices e dependências, designadamente no plano agro-alimentar; que respeite a Natureza e cuide dos seus recursos, assegurando a sua fruição por todos e não a sua mercantilização; que enfrente as alterações climáticas sem recurso a expedientes como o mercado do carbono, que não resolvem, antes pioram o problema.
Uma Europa de paz e cooperação com todos os povos do mundo, que respeite a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional, incluindo os princípios da auto-determinação dos povos e a soberania e a integridade territorial dos Estados; que rejeite a corrida armamentista em curso, a militarização das relações internacionais, as ingerências e agressões externas.
Uma Europa que defenda as liberdades democráticas, os direitos cívicos e sociais, a diversidade cultural e o direito à criação e fruição culturais; que rejeite mecanismos repressivos, de controlo e vigilância (incluindo no mundo digital); que combata as discriminações com base na cor da pele, na religião, na identidade sexual ou na deficiência.
Uma Europa em que o poder económico se subordina ao poder político e em que os Estados se afirmam como estrutura determinante e referencial na economia.
Não estamos sozinhos nesta luta. Por iniciativa do PCP, foi dinamizado um apelo comum para as eleições para o Parlamento Europeu que junta até ao momento 24 partidos comunistas, progressistas, de esquerda e ecologistas, de países como a Alemanha, a Áustria, a Bélgica, Chipre, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta e o Reino Unido.
Dar mais força à CDU é contribuir também para reforçar a solidariedade internacionalista, a articulação fraterna com a luta dos trabalhadores e dos povos de outros países por uma outra Europa. Uma solidariedade que demonstra que os povos não estão condenados a escolher entre os nacionalismos, a extrema-direita e a União Europeia que lhes está a abrir o caminho.
Camaradas e amigos,
Temos uma campanha pela frente. Vamos construí-la com confiança, coragem, audácia e determinação. Vamos construí-la com a razão e a autoridade singulares de quem pode apresentar-se aos olhos do povo português com a coerência de posições a que a vida deu e dá inteira razão. Vamos construí-la com a serenidade de quem honra os compromissos e respeita a palavra dada. Com a segurança de quem tem um trabalho sério e empenhado para apresentar, em defesa dos trabalhadores, do povo e do país.
Sabemos, um saber de experiência feito, das dificuldades que iremos enfrentar.
À demagogia, oporemos a seriedade e a coerência. À desinformação, oporemos a informação e o rigor. À desmobilização, oporemos a mobilização assente no esclarecimento e no debate sobre as razões para o voto na CDU.
O voto que afirma a soberania e a independência nacionais como parte integrante de um projecto de desenvolvimento para Portugal.
O voto que afirma Portugal como país aberto à Europa e ao Mundo mas que não deixa nas mãos de outros o poder de decidir o nosso destino.
Esta é uma tarefa que os candidatos hoje apresentados têm pela frente. Sem dúvida.
Mas daqui lançamos um desafio a todos os que reconhecem na CDU o percurso e projecto distintivos.
Avançar é preciso. Mas só será possível avançar com a acção e a luta dos trabalhadores e do povo. Levem esta luta até ao voto, convirjam no voto na CDU – esta é a forma mais consequente de afirmar e construir novos rumos, para Portugal e para a Europa.
Sejam também candidatos! Sejamos todos candidatos!
Ao trabalho camaradas e amigos!

sábado, fevereiro 02, 2019

Dando a palavra a quem tem coisas para dizer - João Ferreira

Entrevista à agência LUSA:


Este Governo nem sequer é de esquerda,
diz João Ferreira
2 fev 2019 09:23
O cabeça-de-lista da CDU às europeias sublinha que os quatro últimos Orçamentos do Estado foram do PS,
apesar dos votos de PCP, PEV e BE, até porque este nem é "sequer um Governo de esquerda",
mas minoritário dos socialistas.

“A questão dos Orçamentos do Estado, não foram orçamentos do PCP, foram orçamentos do Governo do PS porque este é um Governo PS, não é um Governo das esquerdas, nem sequer um Governo de esquerda. É um Governo do PS, que não se libertou em aspetos essenciais e estruturantes das políticas de direita que levou à prática no passado”, afirmou João Ferreira, em entrevista à agência Lusa.
Porém, o dirigente comunista realçou a ação preponderante de PCP e “Os Verdes” em alguns avanços de rendimentos e direitos das pessoas, pois “algumas das medidas que foram tomadas nestes três anos nunca foram tomadas antes nem seriam nunca tomadas por um Governo do PS com maioria absoluta”, referindo-se às negociações orçamentais bilaterais.
“A relação de forças é a que é. O que tivemos nestes três anos foi determinado por um quadro em que o PS tem um Governo minoritário, o PSD e o CDS, juntos, também não têm maioria, mas em que a relação ainda é a que é. Os três partidos juntos têm uma proporção muito significativa dos lugares na Assembleia da República e, várias vezes, os três se juntaram para inviabilizar propostas positivas feitas pelo PCP”, lamentou.
Sobre o dilema de as forças à esquerda do PS reclamarem algumas “bandeiras” para si, mas renegarem o respeito pela disciplina financeira imposta por Bruxelas e o eventual ganho eleitoral dos socialistas, nomeadamente nas últimas autárquicas, João Ferreira atribui essa noção a uma “deficiente perceção” do público, dada a menor presença no espaço mediático de PCP e PEV, por discriminação e silenciamento da comunicação social ou sobrevalorização de iniciativas de outros partidos.
“O que a situação demonstra é que o que é necessário não é andar para trás do ponto de vista do que foi esta alteração positiva na relação de forças. O facto de o PCP e a CDU terem crescido nas eleições ajudou ao que temos hoje e para irmos além do que temos hoje – é uma lição que estes três anos nos dão – o caminho passa pelo reforço da CDU necessariamente”, garantiu.
João Ferreira reconheceu que o principal móbil da denominada ‘geringonça’ de esquerda – o PS com acordos com bloquistas, comunistas e ecologistas – foi desalojar a direita do poder, terminando o seu projeto de “subversão constitucional” e de “cortes” para dar lugar à reversão de tais medidas.
O também vereador da Câmara Municipal de Lisboa vincou que foi a CDU “a primeira força política” a dizer na noite eleitoral de outubro de 2015 que “eles perderam” (PSD/CDS-PP) quando outros partidos “baixavam os braços”.
João Ferreira exclui subida a secretário-geral do PCP em 2020
O cabeça-de-lista da CDU às europeias rejeita a hipótese de suceder a Jerónimo de Sousa, mesmo que só dentro de dois anos, como secretário-geral do PCP, no Congresso Nacional ordinário dos comunistas, previsivelmente em dezembro de 2020.
O dirigente comunista elevou antes os cargos de vereador na autarquia lisboeta e parlamentar em Bruxelas e Estrasburgo em detrimento da eventual liderança do partido, frisando a diferença face a outras forças políticas do PCP, com a sua tradição e prática de cariz coletivista.
"As responsabilidades que admito são as de vereador na Câmara Municipal de Lisboa, pelo menos até 2021, e de deputado no Parlamento Europeu nos próximos cinco anos. São as responsabilidades que me motivam, neste momento. Está a falar com um atual membro do Comité Central, que continuará com essa condição, pelo menos, até ao próximo congresso do partido", disse.
O biólogo de 40 anos é pela segunda vez o primeiro nome da coligação que congrega PCP e "Os Verdes" na lista para o Parlamento Europeu, depois de já ter encabeçado o rol de candidatos autárquicos a Lisboa também por duas ocasiões, além da presença semanal em comentário televisivo, sendo assim um dos militantes comunistas com maior visibilidade a seguir ao atual secretário-geral, o antigo operário Jerónimo de Sousa, com 71 anos e há mais de 14 à frente do partido.
"De certeza que não. Certamente que não", respondeu rindo-se sobre a possibilidade de vir a tornar-se líder comunista, a partir de 2020.
Relativamente à sua contínua presença mediática, o eurodeputado e recandidato nas eleições europeias de 26 de maio relativizou, pois "há muitos militantes do PCP com visibilidade em função das tarefas que desenvolvem".
"Houve outros que as tiveram antes de mim e tiveram igual visibilidade. É sinal de uma intervenção destacada que o PCP e a CDU têm em muitas frentes, mas é fruto, sobretudo, não de rasgos individuais, mas de um coletivo. Nós somos um partido diferente em várias coisas, também desse ponto de vista. Nós temos uma liderança que é, sobretudo, uma liderança coletiva", afiançou.
"Pode perguntar mais uma vez e as vezes todas que quiser. Esse é um cenário que não está colocado. O que está colocado é desempenhar as tarefas que tenho neste momento e é isso que me motiva também", garantiu, perante a insistência sobre disponibilidade para o posto de secretário-geral do PCP, caso os seus "camaradas" o viessem a escolher.
João Ferreira acusa UE de funcionar com "recorte neocolonial"
O cabeça de lista da CDU às eleições europeias acusa a União Europeia (UE)de funcionar com um "recorte neocolonial" em muitos aspetos, criando uma "subordinação política intolerável" dos Estados-membros, como quando põe burocratas a apreciar orçamentos nacionais.
"Termos um conjunto de burocratas a dizer o que é que esse Orçamento do Estado deve conter, e a dizer que linhas é que ele não pode passar, e a dizer que medidas é que ele tem obrigatoriamente que prever, isto é uma situação de subordinação política intolerável”, argumenta João Ferreira, em entrevista à agência Lusa.
Para o eurodeputado e recandidato nas eleições de 26 de maio, “a União Europeia tem hoje um funcionamento que assume o recorte neocolonial em certos aspetos”, considerando e é essa dependência económica e uma subordinação política que tem que ser combatida.
O candidato comunista sustenta que o euro foi "um instrumento central na criação deste quadro", mas "não foi o único".
"É importante ter presente que o euro não é o único constrangimento que hoje pesa sobre Portugal, há outros. As políticas comuns, a Política Agrícola Comum, a Política Comum das Pescas e a política comercial comum tiveram impactos negativos. [O euro] não é o único constrangimento, mas é um constrangimento que se destaca face aos demais...E é um constrangimento que tem que ser removido", acentua.
João Ferreira admite um referendo para decidir se Portugal deve continuar no euro, apesar de preferir "uma solução no quadro da União Europeia, organizada, que permita a reconstituição de moedas nacionais".
O candidato defendeu que, para decidir a permanência de Portugal na União Económica e Monetária, "o ideal será um processo negociado no quadro da União Europeia", justificando assim as propostas dos eurodeputados do PCP de "um programa de apoio aos países que entendam sair do euro".
"Preferencialmente, devemos procurar uma solução no quadro da União Europeia, organizada, que permita a reconstituição de moedas nacionais não sendo isso possível. Não sendo possível, [Portugal] deve rejeitar soluções que sejam prejudiciais aos seus interesses", sustentou o eurodeputado.
Caso a UE continue a rejeitar uma solução negociada, o referendo é "uma hipótese".
Para justificar a saída da moeda única, João Ferreira recordou que, nos 20 anos anteriores à entrada no euro, Portugal cresceu "sempre acima da média da União Europeia" e "acima da média mundial". Mas inverteu a situação após a entrada na moeda única: "são 20 anos a crescer abaixo da média da União Europeia e da média mundial", ou seja, "duas décadas perdidas".
"Há poucos países no mundo, se virmos as bases de dados do Banco Mundial e do FMI, há poucos países no mundo com uma taxa de crescimento inferior à portuguesa, e os que existem são países que foram devastados por guerras e por conflitos civis", salientou.

terça-feira, dezembro 11, 2018

desCOESÂO ECONÒMICA E SOCIAL na U.E.

INTERVENÇÃO DE JOÃO FERREIRA NO PARLAMENTO EUROPEU

Preparação da reunião do Conselho Europeu de 13 e 14 de Dezembro de 2018

Ver vídeo
01:06
Relativamente ao orçamento da União Europeia pós-2020, nenhuma das posições em confronto no Conselho Europeu é aceitável para os interesses dos povos da Europa e particularmente para os países, como Portugal, mais prejudicados pela natureza assimétrica e divergente da integração.
Nestes países, as verbas da coesão – que agora querem cortar, e para isso não falta consenso – nunca compensaram os impactos negativos das políticas comuns, do mercado único e especialmente do Euro.
Que na mesma reunião do Conselho Europeu em que discutem o aprofundamento do mercado único – cujos benefícios e prejuízos caem, uns e outros, sempre para os mesmos lados – se discuta também um orçamento que corta as verbas da coesão, é elucidativo e diz muito da natureza da União Europeia.
Se o ascenso da extrema-direita nos mostra que o perigo do fascismo existe – e existe, de facto – é de elementar lucidez reconhecer que é a União Europeia quem lhe vem abrindo o caminho.
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... de classe!

quinta-feira, novembro 16, 2017

segunda-feira, dezembro 26, 2016

É assim mesmo!

Do JornalEconómico:


terça-feira, março 22, 2011

segunda-feira, março 14, 2011

A luta contínua...

... também nesta frente de luta!
desculpem lá a nota pessoal mas...
como eu fico contente a "ouver" o camarada João Ferreira!
(e, confesso, com uma certa nostalgia)