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sábado, março 18, 2023

Pelos quotidianos de cada um/a; pelo futuro da Humanidade

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  - Nº 2572 (2023/03/16)


Máquina de guerra

Opinião

A guerra na Ucrânia continua a não ter fim à vista, com os EUA, a NATO e a UE a aumentarem as suas despesas militares para alimentarem o conflito com a entrega de mais armamento à Ucrânia, para esta, em seu nome, combater e enfraquecer o que dizem ser a «ameaça imediata» que representa a Rússia. No entretanto, somam-se as baixas militares, as vítimas civis, a destruição de localidades em ambos os lados, uma tragédia, particularmente para os povos ucraniano e russo.

Com a máquina bem oleada, geram-se lucros astronómicos da indústria militar, em especial para o complexo militar-industrial dos EUA, que nos últimos quatro anos representaram cerca de 40% das exportações globais de armas (dados do Instituto Internacional de Pesquisa sobre a Paz de Estocolmo – SIPRI). Percebe-se, neste sentido, a falta de interesse na paz, quando para os senhores da guerra valores mais altos que as vidas humanas se levantam. A guerra é um negócio e não há nada mais rentável que criar a insegurança e a desestabilização para alimentar a corrida aos armamentos. A devastação e horror da guerra não contam na lógica da imposição a todo o custo do domínio do imperialismo norte-americano.

Como não lhes chega a guerra na Ucrânia, a contínua desestabilização do Médio Oriente ou os conflitos em África, o imperialismo está apostado na provocação e instigação da tensão e do conflito na região Ásia-Pacifico, apontando à China, arregimentando os seus aliados na região, com destaque para a Austrália e o Japão.

Os acontecimentos atropelam-se. Taiwan tem sido utilizada como instrumento da estratégia de confrontação crescente do imperialismo contra a República Popular da China. A intensificação da cooperação militar entre EUA e Taiwan e a aprovação, no início deste mês, por parte do Departamento de Estado da administração norte-americana, de uma venda de armas e equipamentos no valor de 619 milhões de dólares, são a mais recente afronta à soberania e integridade territorial da China, que tem reiterado o «princípio de uma só China», a não aceitação da interferência de forças externas e de actividades separatistas.

O AUKUS – bloco político-militar entre EUA, Reino Unido e Austrália, criado contra a China – realizou, esta semana, a sua cimeira anunciando que a Austrália vai adquirir submarinos nucleares. A China acusa os EUA e o Reino Unido, duas potências nucleares, de não respeitarem o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e de, ao transferirem tecnologia e materiais nucleares, ferirem a paz e a estabilidade na região.

Também esta semana, o Reino Unido lança o documento de Revisão da sua política externa onde rotula a China como «desafio sistémico e definidor de uma era» e referindo por mais do que uma vez a questão de Taiwan.

A aposta na desestabilização da região Ásia-Pacífico tem-se claramente intensificado. A linha do imperialismo norte-americano em estabelecer uma «nova ordem com regras» e garantir o seu domínio hegemónico passa pelo confronto, planeado e preparado, com aquele que aponta como seu «adversário estratégico», a República Popular da China. Um perigoso caminho belicista que os EUA estão a trilhar, que passa também pela guerra na Ucrânia e que ameaça a paz global e todos os povos do mundo.

 

Cristina Cardoso

domingo, fevereiro 05, 2023

ENTRE VISTAS

  - Nº 2566 (2023/02/2)


Entrevistas

Opinião

O General alemão Harald Kujat deteve o mais alto cargo militar das Forças Armadas alemãs e, mais tarde, da NATO (presidente do Comité Militar até 2005). O que diz sobre a escalada imparável de armamento da NATO para a Ucrânia e os riscos associados é relevante, tal como é relevante que a entrevista tenha aparecido num pouco conhecido órgão de imprensa suiço (zeitgeschehen-im-fokus.ch, 18.1.23, republicada em espanhol em ctxt.es, n.º 292). Afirma Kujat que «esta guerra devia ter sido impedida e podia ter sido impedida [...] Talvez um dia se faça a pergunta de quem quis esta guerra, quem não a quis impedir e quem não a pôde impedir». Adianta que «não, esta guerra não é sobre a nossa liberdade. Os problemas de fundo que conduziram à guerra e que fazem com que ainda decorra, embora pudesse ter acabado há muito, são bem diferentes». Adianta: «o objectivo [dos EUA] é enfraquecer a Rússia do ponto de vista político, económico e militar, a tal grau que depois se possa virar para o seu rival geopolítico, o único capaz de ameaçar a sua supremacia como potência mundial: a China». Kujat lembra que «de acordo com informações fidedignas, o então primeiro-ministro britânico Boris Johnson interveio em Kiev, a 9 de Abril [2022], para impedir a assinatura [do acordo Ucrânia-Rússia, alcançado nas negociações em Istambul]». Pergunta: «quem fez explodir o Nord Stream 2?». E lembra as declarações «claras» de Angela Merkel que afirmou «só ter negociado os Acordos Minsk II [2015] para dar tempo à Ucrânia. E a Ucrânia usou esse tempo para construir as suas Forças Armadas. O ex-presidente francês Hollande confirmou isso mesmo».

Os Acordos de Minsk previam que o Donbass agredido pelos golpistas de Kiev continuasse território ucraniano, com estatuto de autonomia. Os acordos não tinham apenas a chancela da França e Alemanha. Foram transformados (por unanimidade) em Resolução 2202 do Conselho de Segurança da ONU. Agora Merkel e Hollande dizem que não eram para cumprir. Estão a dizer que o eternamente dúplice imperialismo nunca quis a paz e a defesa da integridade territorial da Ucrânia. Falou de paz para melhor preparar a guerra. Diz o General Kujat: «Sim, é claro que foi uma violação do direito internacional [...]. Afinal somos nós que violamos os acordos internacionais». É sempre assim. Quando os acordos já não convêm, são rasgados. Como o acordo sobre o nuclear iraniano, país que está hoje a ser alvo de ataques militares. Como as resoluções e acordos sobre a Palestina, cujo povo está a ser massacrado todos os dias.

O imperialismo não muda a sua natureza, quer se vista de liberal, de «social-democrata», de «ecologista» ou de fascista. Só recua quando é obrigado. Diz Merkel: «A verdade é que a Guerra Fria nunca acabou realmente, porque em última análise a Rússia nunca foi pacificada» (Corriere della Sera, 27.12.22). Espantoso. Mas a «guerra fria» não era culpa «do comunismo» e da «ameaça soviética»? Afinal, a Rússia capitalista, saqueada e quase destruída pelo imperialismo após o fim da URSS, também precisa de «pacificação». Que é a expressão de todos os colonizadores quando falam da subjugação dos povos pela força. Mouzinho de Albuquerque também «pacificava» o império colonial português. A soberania dos povos é para eles intolerável, ontem como hoje.

Jorge Cadima

quarta-feira, março 23, 2022

"Relativismo moral" ou...

 No Públlco de ontem:



sexta-feira, fevereiro 25, 2022

A escalada

 - Nº 2517 (2022/02/24)

A Santa Aliança Americana

Internacional

O reconhecimento, por parte da Rússia, da independência das Repúblicas Populares do Donbass, foi o pretexto invocado por Biden para elevar ainda mais o risco de uma guerra, disparando um pesado pacote de sanções económicas cuja crítica uniu a chamada «esquerda progressista» do Partido Democrata à direita mais reaccionária do Partido Republicano. De Bernie Sanders a Donald Trump, todos acham que Joe Biden não está a fazer soar os tambores de guerra tão alto quanto devia.

Ted Cruz, do Partido Republicano, acusou Biden de «ser, em larga medida, culpado por esta crise» por ter uma «estratégia sem credibilidade baseada em fazer o que tem de ser feito». Já o congressista democrata Jim Jones, agoirava que «Putin está a invadir a Ucrânia, ponto final, parágrafo. Já o fez uma vez e vai fazê-lo novamente se não impusermos sanções absolutas». Também o democrata Bob Menendez pedia a Biden para «parar de se equivocar sobre se isto é ou não é uma invasão», acrescentando que «os EUA têm de tornar claro que as consequências começam já». Na mesma linha, a democrata Elissa Slotkin, da CIA, sintetizava: «Este é o momento de lhes mostrarmos [à Rússia e à China] quem vai escrever o próximo século.»

Acabados de regressar aos EUA, a delegação bipartidária de 21 quadros Republicanos e Democratas à Conferência de Segurança de Munique, subscreveu o mesmo texto em que se reclama que «o ditador Putin e os seus oligarcas corruptos paguem um preço devastador». Betty McCollum, em nome da delegação, resumiu a verve: «somos ambas as câmaras do Congresso, somos ambos os partidos, estamos unidos. A NATO está unida, a UE está unida e estamos dispostos a fazer tudo o que for preciso.»

Este consenso já se começou a traduzir em iniciativas legislativas nas duas câmaras do Congresso: na Câmara dos Representantes, os dois partidos uniram-se para aprovar o Support, um novo pacote de doação de armamento de guerra à Ucrânia; no Senado, 80% dos democratas aprovou outro pacote semelhante.

Nesta santa aliança contra a Rússia couberam os chamados «democratas progressistas» como Bernie Sanders. Conhecido por já ter apoiado as guerras na Jugoslávia e no Afeganistão, Sanders exige agora «sanções sérias» contra a Rússia. Também Jamaal Bowman, dos «Socialistas Democráticos da América», comparou Putin a Hitler e exigiu «agir agora, imediatamente».

Na verdade, a beligerante «Unidade Nacional» dos EUA é um consenso de classe que, para além de objectivos imperialistas comuns, permite esconder as suas profundas divisões e silenciar os graves problemas que o país atravessa.

António Santos 

quarta-feira, dezembro 08, 2021

 

Ucrânia, o rastilho da Europa

José Goulão 07.Dez.21 
Entre 2013 e 2021 a Ucrânia transformou-se, como um todo, numa das maiores bases militares da NATO. Os armamentos e as capacidades militares presentes no país são absolutamente desproporcionadas e constituem um insulto à esmagadora maioria da população, cada vez mais desprovida de condições essenciais de vida e até de sobrevivência. O sistema autocrático e castrense de recorte nazi instituído em Kiev pela administração colonial de Washington e Bruxelas é um regime de autêntica miséria, com estratos sociais reduzidos a uma penúria degradante. A «libertação» consumada a partir da «revolução colorida» de Maidan não visou senão aquilo que é cada vez mais evidente, e alarmante: multiplicar as provocações contra a Rússia, abrir caminho a uma catastrófica confrontação militar.