Lido no Correio da Manhã de hoje:
Salve-se quem puder
Por: Manuel Catarino,
Subdirector
Ninguém está inocente: desde 1985, uns e outros, cada um à sua maneira, contribuíram para o Portugal de hoje – um País pobre e endividado.
Como se não nos bastasse a miséria, perdemos o último pingo de dignidade que ainda nos permitia decidir o nosso destino: a Alemanha, agora, passa a dizer como é. E o que aí vem, pelo que se adivinha, não augura nada de bom – a começar pelas funções do Estado. Esta espécie de ‘nova ordem’ vai acabar por transformar a nossa sociedade numa selva: salvam-se os mais fortes, quer tenham dinheiro ou poder; não resistem os outros. A saúde, a educação, a protecção na velhice são privilégios de alguns. Foi a isto que chegámos – caminho alegremente iniciado há 25 anos.
Revisto:
Vamos lá a ver...
Todos? Ninguém está inocente deste estado a que foi conduzido o País? Nem os que, por muitas culpas que possam ter noutras coisas, previram, preveniram, apresentaram alternativas, lutaram? (Ah!,... e não se endividaram, apesar de, agora, lhes dizerem que têm de pagar coisas como BPNs e parecidas negociatas).
Foi só há 25 anos? Não teria sido uns anitos antes, quando se abandonou um caminho duro, espinhoso, mas de democracia a avançar, de cumprimento da Constituição, de economia que - apesar de tudo contra - estava (como disseram da OCDE) "surpreendentemente saudável", para se chamar os FMIs e a "Europa connosco"?
E agora? Salve-se quem puder? Que cada um tente escapar aos pingos da chuva quando o que vem é enxurrada?
NÃO!
Há alternativas.
E HÁ LUTA! Contra a resignação e os lamentos semelhando dignidade ofendida.