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domingo, novembro 15, 2020

Comenta dor: a "economia" a precisar do incentivo vacina - 2

 quase-diário:

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Já lá vou…

 

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Se comecei pela Banca foi porque é assunto que particularmente me preocupa, dado o facto da economia – como eu a aprendi – se ter financeirizado e, dentro das finanças tudo se condicionar – tecnicamente… se o posso dizer – às moedas (em processo fantasmagórico de desmaterialização) e ao crédito, remetendo-se a banca para outras funções que não as consignadas pela tal-outra-minha (ouso dizer) ECONOMIA.

 

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Mas tudo isto é matéria para reflexão e opinião.

 


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E, em opinião, encontra-se a curiosa (e significativa) de que a “vacina é o grande estímulo económico”.

 

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O artigo é curioso, não incomoda lê-lo embora traduza uma ideia que há muito me assalta: a de que cada vez mais a economia (tal como a querem) lembra a velha história da carroça, do burro e da cenoura.

 

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Traduzindo: a carroça só se move (para diante) se se lhe acenar, a quem a puxa, com a cenoura-lucro.

 

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Nessa perversa versão da economia, o que fará com que a economia tão severamente atingida pelo surto epidémico, matando ou paralisando produtores, desequilibrando precários equilíbrios financeiros na conquistada (à custa de muita luta) segurança social, é o resultado que possa vir a ser apropriado pela descoberta de um produto-mercadoria que ataque ou previna a doença que o virus provoca.

 

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Desta situação pademónica vamos sair, como esperam os proprietários da carroça, com a exterminação dos mais idosos e frágeis (e não se pode exterminá-lo? – Karl Valentin), também com a exterminação de toda a pequena e excedentária actividade absorvida pelos maiores, pelos grandes, pelos super, pelos trans, com uma retoma para um "novo normal" (?), com a legislação laboral ao rés do chão, com verbas piramidais transferidas dos Estados-contribuintes para os que off-shoram impostos, por via do mercado vacinador, com uma seleccionada aplicação da mercadoria vacinadora.   

 

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Noutros termos: com uma “limpeza à séria”, com os mais ricos mais ricos – e todos vacinados por causa dos retrovirus (é assim que se diz?) –, com mais pobres ainda mais pobres – vacinados aqueles que necessários forem.

 

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Mas, calma aí!, não será fácil!... em todo o lugar do planeta há onde se procure a vacinas e outras coisas contra o lucro como cenoura, contra a burrice de puxar carroças com repimpados passageiros ou turistas, contra a exploração de muitos por uns poucos.

 

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Neste cantinho minúsculo, a economia é a actividade dos humanos, socialmente organizados, para tirarem da natureza – transformando-a e respeitando-a – os recursos com que se satisfazem necessidades dos humanos, como animais que são, e outras que vão sendo criadas pelo humano devir.

 

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… mas há mais…


Comenta dor: ECONOMIA?... em quase-diário - 1


... e vamos lá ao suplemento Economia do Expresso, que de vez em quando me abalanço a folhear, nem sei se por reconhecimento subliminar por não ter mudado para o cabeçalho Negócios como tantos seus confrades fizeram.

 

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E o facto é que, se o sentimento poderia ser inicialmente de reconhecimento, logo me reconheço defraudado, porque aquele suplemento deixou há muito de ter a página 5 que se podia e devia ler (onde escreves, oh!, Nicolau?), substituída por uma página a que um colaborador convidado bota palavra ao seu jeito que me não atrai, os colaboradores “de fora” que eram keyneseanos convictos com quem se aprendia alguma coisa na penúltima página desapareceram, e me afoga com informação e comentários sobre os negócios e a conjuntura “à Beça”, que bem dispenso.                                                                                                                                                                                                                 

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Mas esta semana, talvez por ter saído um dia mais cedo e eu estar obrigatoriamente recolhido, atirei-me ao Expresso-Economia.

 

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Está a ser difícil de me libertar, assim como quando nos queremos ver livres de qualquer coisa pegajosa que se nos agarra.

 

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Vamos por partes. Comecemos pela ilustração da 1ª página sobre a banca portuguesa.



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Lê-se, com olhos que querem ver economia e encontram, apenas, negócio, números sobre trocas e baldrocas de bancos como se fosse de um detergente, de uns enchidos, de uma qualquer coisa e não elementos fundamentais de uma economia… mas que deixou de ser economia para ser coisa de mercado de compra e venda, e que tanto justifica o adjectivo de portuguesa como a Coca-cola ou o Toyota Yaris Hybrid.

 

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Assim se cumprem os desígnios e as ordens de uma U.E. de haver poucos e grandes bancos transnacionais, depois de um percurso português que passou por uma banca nacionalizada que poderia ser elemento essencial de economia portuguesa logo abortada, que criou a rede notável de MB (sim!, foi a banca nacionalizada), que foi substituída pela verdadeira loucura de uma agência de qualquer banco em cada esquina com a devolução aos privados… que tão grandes proveitos deles tiraram que rebentaram com tudo isto como se fossem donos disto tudo.   

 

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E a Caixa Geral de Depósitos não aparece como um corpo estranho mas a entranhar no sistema de compra e venda ao desbarato que sai caro aos que menos podem?

 

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Esta “economia” que exulta, eufórica, com o negócio das vacinas… merece as aspas que a ornamentem?!

 

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Já lá vou… 

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quinta-feira, outubro 15, 2020

Comenta dor - ainda o País, orçamento e ideologia

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Tinha a intenção de comentar o Mundo. Este Mundo em que estamos a viver neste tempo, e que se comprova que está bem a precisar de ser transformado. Acabei o comentário anterior escrevendo que não faltam pontas por onde lhe pegar tão bicudo está, apesar da sua forma arredondada.

Mas acontece que o tema orçamento não se esgota e o regresso da situação de calamidade ao País, me impede de sair de aqui nestes meus comentários. Que, sendo um imperativo pessoal sem qualquer pretensão de chegar a muitos, se me impõe no meio de tudo o que vejo, ouço e leio. Aliás, são comentários sobre comentários de comentadores, daqueles que têm a tarefa de dizer “como vão as coisas”, e que a cumprem com maior ou menor divulgação, segundo é estimulada ou frenada pelaa correlação de forças.

Aliás, começaria por colocar essa questão. Ainda ontem, um comentador (dos encartados) chamava a atenção para a importância de um livro, que a mim me interessa, e que ele apresenta com entusiasmo que não comungo, logo a partir do título e da obra anterior de autor. Trata-se de Piketti, o autor de O Capital no século XXI, que agora publicou Capital e Ideologia. Despertará – já despertou – apologetas, mas em contrapartida suscita(-me) imediatas reservas.

Tudo tem a sua ideologia (até a desideologia!), e quando se avança com o título Capital e Ideologia logo se auto-denuncia a ambígua ideologia de apresentar dois conceitos como se fossem separáveis por uma copulativa. De toda a ideologia, qualquer ideologia, decorrem preconceitos e, na ideologia que assumo, capital é, antes de tudo, uma relação social. Qual o preconceito resultante da ideologia de quem escreve Capital e Ideologia? É para mim claro que se pressupõe um conceito (ideológico) de capital que não é o meu e que leva a considerar capital como se não fosse conceito, isto é, ideológico mas facto.

Tem isto alguma coisa a ver com o OE 2021 para o Estado português que o governo PS acaba de apresentar, e sobre o qual a instância parlamentar, na sua diversidade (ideológica), se vai pronunciar? Tem tudo!

Vejamos alguns exemplos: como instrumento de um executivo, depois do dilema saúde pública ou economia, em que se afirmou a prioridade absoluta para a saúde pública, acentua-se a necessidade da recuperação do estado a que caiu a economia, mas como essa recuperação, em que condições; há quem clame pelo apoio às empresas, no sub-entendimento que se pretende consensual, que economia são empresas e que estas são quem as possui, mas há quem considere que a economia é o que o trabalho for (enquanto trabalho vivo, ou cristalizado em meios de produção e de distribuição possuído por alguns), nas condições/relações sociais em que concretiza.

Noutro exemplo mais terra-a-terra: deverá o orçamento ser instrumento para, ao serviço de uma classe, aguentar o que tem prevalecido, ocorrendo a desastres económicos em bancos e serviços que foram públicos e se privatizaram, como bombeiro ou nadador-salvador, ou deverá contribuir para, pelo menos, corrigir o evidentemente desastroso fazendo o Estado tomar as rédeas do que desencabrestou, não tem emenda e é (para usar terminologia oportunista) contagioso.

Ainda mais (procurando ser) claro: a questão dos salários tem de ser encarados contra a corrente de serem custos para as empresas, para estas vencerem ondas alterosas, tem de ser encarada como rendimentos dos trabalhadores e, sublinho, procura interna, consumo, a contrabalançar as apostas em turismo e atracção ao capital como expressão material de uma relação social. Idêntica abordagem para as pensões.

Neste quadro tão complexo (que ontem dizia aparentemente simples) incomodam, irritam, quase exasperam, as argumentações e as públicas (e gritadas), controversas negociações que serão, no fundo, “jogos de poder”, como se numa mesa de pano verde “dando cartas” para jogo eleitoral.

Eu sei que esta é confusa caracterização de uma situação intrincada, caracterização assumidamente ideológica… mas que se não quer calar porque, ao ser expressa (ou espremida), se procura clarificar. E ser útil.     

quarta-feira, outubro 14, 2020

Comenta dor - orçamento e regiões (e mais)

 Procuro apanhar o importante do que se está a passar em mim, em minha casa, no País e no Mundo e tenho dificuldades).

Talvez as menores das dificuldades sejam as de agarrar o que se passa em mim. São os dias, as semanas, os meses, os anos que passam e são muitos.

Também em minha casa não há grandes dificuldades. Somos, sem a menor dúvida, uns privilegiados. A gestão do que é preciso estar na arca e no frigorífico articula-se com o menor número de “idas às compras”, teve de se ligar o aquecimento porque está a ficar frescote, e etc..

E lembro outros (que eu sou) sem arca nem frigorífico, sem aquecimento, sem casa, sem País, emigrantes sem condição humana… de ser humanos. E muitos outros.

 

No nosso País e no Mundo, isto está complicado. Porque está, e mais!... porque a alguns convém que esteja, e estes alguns são vários e com diferentes intenções.

Até se faz da palavra crise ameaça e arma negocial. Quando crise não é uma palavra, é situação, e está intrínseca ao funcionamento do sistema capitalista. Latente quando não presente em explosões periódicas. Agora cavalgada por um inesperado (ou esperado mas não prevenido) surto epidémico.

E há forças que caem nessa armadilha.

Um orçamento é um instrumento. Que se torna, nalgumas circunstância, decisivo para a continuidade da política. Um governo de maioria parlamentar tem o seu orçamento. Um governo sem maioria parlamentar terá o seu orçamento condicionado pela forma como conseguir que passe na Assembleia da República; será, no entanto e sempre, o seu orçamento porque é o instrumento do seu governo.

Na prática, o partido que é governo sem maioria parlamentar elabora um documento tendo de ter em consideração a composição da AdaR, e sabendo que precisa de votos de outros grupos ou deputados, que não só os do seu partido, para ter o seu orçamento aprovado. Com negociação ou não, é este o processo. Um partido pode afirmar quais são as medidas e políticas que quereria incluídas no orçamento que nunca será (também) seu; outro, pode levar mais longe os seus objectivos e pretender partilhar o orçamento fazendo-o também seu, isto é, um orçamento que o governo terá para executar sem ser exclusivamente seu, com corpos estranhos que, ao longo dos anos, cumprirá ou não (e que, se existisse um governo de coligação, cumpriria sob pena de se esboroar se o não fizesse).

Para o acompanhante destas “grandes manobras”, o PCP já disse o que queria, o que defende, foi claro, agora terá de estudar o documento que foi elaborado pelo governo e, face ao orçamento proposto e das alternativas, decidirá a votação geral, votará e passará à discussão na especialidade. É (parece!) simples.

 

Mas não só de orçamento vive a politica. E pouca importância terá sido dada a um passo que acompanhou esta “período orçamental”: o da criação das pseudo (ou falsas) regiões.

Desde o IV Plano de Fomento (1969-74) se afirma a necessidade de regiões, como escalão entre as autarquias municipais e o poder central. É meio século de estaleiro.

Com o 25 de Abril e a Constituição de 1976 essas necessárias regiões, para substituírem o caos do nosso ordenamento territorial, ganharam peso como instâncias descentralizadoras e democráticas. Estiveram perto de ser criadas por referendo mas os partidos do centro (PS e PSD), fazendo as suas contas de votos previsíveis, e outras forças, por meças e contas, obviaram à sua criação.

E o caos continuou e agravou-se, extinguindo-se umas coisas os distritos) para umas coisas mas continuando com outras coisas (os votos), e atamancaram-se sucedâneos. Agora, decidiu-se, quais às escondidas… transformar as CCR (comissões de coordenação regional) em regiões através de escolhas eleitorais (única forma democrática) mas excessivamente indirecta, por via dos já eleitos para as autarquias de base, os municípios, e depois de acertos entre… Costa e Rio. Assim se desvirtua a democracia. E é curioso que essa escolha e eleição indirecta se faça, na aparência apressadamente (depois de tanta delonga e adiamento), antes das eleições autárquicas do próximo ano em que, por exemplo (?!), a CDU pode recuperar algumas das 10 Câmaras que perdeu em 2017, depois de ter ganho 8 entre 2013 e 2017. Coisas!

 
As complicações no Mundo, além do universal surto epidérmico, das migrações, das contradições agudizadas no lado que predomina na correlação de forças, de uma agressividade assustadora, de protagonistas como Trump e Bolsonaro (que não são mais que protagonistas excessivos, ridículos), têm muitas pontas para lhes pegar.

Fica para próximos comentários.

segunda-feira, outubro 05, 2020

Comenta dor: É a isto que se chama democracia?!

 Por vezes, o caricato director do Público excede-se. Ontem, tropeçou em si mesmo. Na costumeira promoção do Bloco de Esquerda, de que é um dos muitos paladinos, começou logo por afirmar, peremptório, que “O Bloco de Esquerda está a um pequeno passo de vencer as negociações em torno do Orçamento de 2021”. E destila, duro e fero, o seu veneno sobre o inimigo de predilecção: “Com o PCP de regresso às sua muralhas de aço que o colocam mais perto dos delírios soviéticos do que das democracias europeias” como, abusiva e delirantemente, interpreta ter sido assinalado no editorial do dia anterior, que não foi de sua autoria. Depois, enumera o que o seu protegido teria conseguido: um rol de travões e exigências de um caminho que teria levado o BE ao “pequeno passo” de ser o "Grande (e vitorioso) Negociador". Só que, como qualquer analista ou comentador com o mínimo seriedade descobre é que, em muitos casos, o BE vai atrás, ou até copia ou transcreve, o que PCP reivindica, quer em negociações em gabinetes e hemiciclo, quer à frente/com as gentes, as pessoas, os trabalhadores, nas ruas e nos locais de trabalho. Mas adiante... porque a prosa de manuel.carvalho@público.pt não justifica mais comentário. O que já o justificará é o seu “grand finale”. Escreveu ele: “Chama-se a isto democracia.” Assim. Ponto final... sem ponto de exclamação ou de interrogação. 

É caso para perguntar, lembrando a sua tirada inicial, inclemente e definitiva, sobre o PCP e o seu afastamento das democracias europeias: 

É a isto que se chama democracia?




terça-feira, setembro 24, 2019

E o PEV? O CAPITALISMO NÃO É VERDE!


(O debate a 6, ouvisto ontem, na madrugada de hoje) 

Merece largo comentário, que não tenho disponibilidade para fazer mas fica a borbulhar, e quero apenas deixar (com ligação ao blog e ao FB), uns aponta mentes.

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O debate era a 6, com os candidatos de partidos que têm assento parlamentar actual, ao que me pareceu ser explicitado como critério.

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Então faltou um: o Partido Ecologista os Verdes!

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Falta particularmente relevante porque o tema mais actual, tornado O TEMA universal, planetário, das Nações Unidas (!), e à volta de uma encenação infantil, quase caricata, é o do AMBIENTE.

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Faltou sublinhar que há décadas existe em Portugal um partido que, não só no nome, foi criado por e para esse tema; faltou dizer que tem estado presente em todas as escolhas que se apresentam aos cidadãos como candidaturas a seus representantes em democracia… representativa

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Na FEPU, na APU, e agora na CDU.

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E se o critério era o dos partidos com assento parlamentar o PEV tem dois deputados lá (as)sentados e intervenientes!

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Faltou, na participação do Jerónimo de Sousa (aliás excelente por tão diferente, tão séria naquele “circo”), essa questão prévia, e repetir a sua oportunísima (e muito feliz) palavra de ordem O CAPITALISMO NÃO É VERDE (c.q.d.).

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E não se argumente com o pretexto coligação porque, então, perguntar-se-ia porque estava lá o CDS (ou o PSD), que têm o tal assento a partir de uma coligação que concorreu em 2015 e só por isso presente (o que nos teria poupado aquela triste "exibição" enCristada...).



... do resto se falará...

segunda-feira, setembro 02, 2019

COMENTA DOR(es)-3 - entrevista de Jerónimo de Sousa


COMENTA DOR(es)-3

no Expresso de 31 de Agosto
(a entrevista de Jerónimo de Sousa
e mais uns trocos)
  
A entrevista de Jerónimo de Sousa é… de ver e ler (uma, duas, três vezes?... as que forem precisas!). É um exemplo de seriedade, de humildade revolucionária, de sentido de Estado.
Contra o habitual (para com ele e outros seus camaradas), a paginação, as fotos, merecem ser vistas e – a meu ver – merecem o entrevistado.
Uma cara marcada pela idade, pela vida dura e de entrega, um homem cansado, que por vezes parece no limite das capacidades humanas mas que continua, firme e lúcido, na luta de sempre. Que se sente magoado… porque é boa gente e nem a tudo pode ficar indiferente quem boa gente é!

Para os entrevistadores, apetece-me o comentário de que, na sua postura, talvez apesar do encargo que tinham, para além da leitura que terão da vida e da sociedade, foram… correctos, profissionais, respeitadores.
Não foram usados truques, manhosices, não mostraram a cretina auto-suficiência que por aí abunda na comunicação social de dito topo.

Jerónimo, na minha leitura, esteve excelente no relativo a este mandato da AR, de que nunca será demais lembrar a sua frase histórica (não exagero!) que interrompeu as felicitações de António Costa a Passos Coelho pela “vitória” deste nas eleições de 2015 (como se as legislativas fossem o que não são!), de cuja autoria, aliás, Jerónimo não reclama autoria, na sua coerente e natural modéstia. Frase que abriu um caminho que, para poder ser começo do que veio a ser, tinha de confrontar um PR politicamente reaccionário até dizer basta e medíocre culturalmente até dizer chega!
E, na sua sequência dessa frase e da “angústia” e desespero de Cavaco perante a alternativa, Jerónimo sublinhou a necessidade de um… papel, de um “acordo” que nada teve de pré-nupcial, mas sim de compromisso que só exigem os que precisam de provas escritas para acreditar que se cumprirá palavra dada ou intenção afirmada.

Tudo isto dito de forma que ajuda a reflectir (quem o queira fazer, esteja onde estiver) e se confirma nas posições sobre o futuro, sobre o que vem aí.
Em tudo está um fundo e fundamento de classe, da classe que Jerónimo quer e sabe representar, apenas me parecendo um pouco peado na afirmação explícita de que há classes de que há luta de classes. Não falta a permanente preocupação com a correlação de forças, mas este leitor/comenta dor gostaria de maior clareza (marxista-leninista) na definição da fronteira de clivagem.
Por outro lado, a entrevista, se muito me diz, e com ela reflicto e aprendo[1], não  atenua (bem pelo contrário) as preocupações pela ausência de alerta para o que pode estar para vir, para o que me esfalfo, por outras paragens e comentários, a fazer contas que desejava úteis.
E, se é certíssima a assumpção da centralidade da AR na legislatura que acaba, esta centralidade pode ficar inquinada com resultados que exijam o reforço de outras centralidades.

A propósito, nesta edição do Expresso, calhou-me (é o caso… desafiado pelo título) ler texto de Ricardo Costa de onde retiro parágrafo que será oportuno (ou não) comentar :

“O raciocínio de Boris Johnson é simples e, na origem, correto: a democracia representativa decidiu dar a palavra à democracia direta num referendo em 2016; agora tem de consumar a vontade popular” (Lenine chegou a St. Pancras, pg. 40 do Expresso).

As mangas para que daria este pano…:
·       “a democracia representativa decidiu…
o   … mas a democracia (para ser democracia…) não tem de ser representativa E PARTICIPATIVA?;
·       “(dar a palavra) à democracia direta num referendo…”
o   … mas a democracia directa é o mesmo que democracia participativa?, e o referendo é única forma (e redutora) da democracia que não é a representativa?
·       “agora tem de consumar a vontade popular.”
o   … e quantas vezes a democracia representativa, depois de decidir (!) dar a palavra (!) à democracia participativa, só assume o que esta decide (!) desde que seja o que ela já antes assumiu… antes de dar a palavra.
O que  se chama a isto? Democracia? SEM ASPAS?


[1] - e começam, hoje, os debates entre as figuras cimeiras dos partidos e coligações candidatas, fazendo esquecer que se elegem deputados por 22 círculos eleitorais, debates em que muito menos se aprende e menos se encontra matéria para reflectir (sobre o que importa, é urgente!, reflectir e aprender).

segunda-feira, agosto 26, 2019

COMENTA DOR(es) de trazer por casa


O facto político mais relevante – e mais revelado – nestes dias de agora é a entrevista de António Costa, ou as suas declarações nessa entrevista.
Por acaso, embora nada seja por acaso particularmente na dita política, todos os comentários (se não todos, a esmagadora maioria) se centram nas apreciações que o Presidente da Comissão Política do Partido Socialista (e 1º ministro) faz do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista Português. Desde a mediática distinção entre um partido mass média (BE) e um partido de massas (PCP), que António Costa habilidosamente atribuiu a “um amigo” (o que os comentadores, capciosamente, ignoraram, e a que bloquistas reagiram humilhados e ofendidos), até ao resumo simplório  de que António Costa gostava mais de um do que do outro, como se o calejadíssimo e hábil “político” tivesse gostos e preferências afectivas a condicionarem as suas declarações… político-partidárias.
O caso, e não o acaso!..., é que, feitas as análises (e as contas), António Costa terá sentido que o seu projecto e programa (não o apresentado publicamente) estão muito mais dificultados ou em risco de inviabilidade por excesso de BE, que foi criado e alimentado para conter e combater o PCP, e por excessiva fragilidade do PCP do que por combate da "direita".
A tal chamada geringonça só por canhestrice (ou outras características…) dos analistas políticas pode ser desligada da sua raiz (a declaração histórica de Jerónimo de Sousa de há 4 anos, coincidente com os cumprimentos de António Costa a Passos Coelho) e da presença de um PCP que, quando foi o momento, resistiu – como partido comunista –, e não foi na “onda” de orfandade e desesperança de outros por Franças e Araganças.
Pelo que todas as analogias com situações onde não haja um partido comunista como é, e tem sido, o PCP também são reveladoras da superficialidade e carência de qualidade das análises e comentários, ou da recusa a ver a História como a luta de classes nas correlação de forças imanente (ou sempre emergente, o que não é a mesma coisa porque esta inclui a dimensão dinâmica).

O facto é que, e não por acaso, é que o momento é particularmente interessante, e por diversas circunstâncias e espaços.