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segunda-feira, junho 24, 2013

"Desinconomias" - 2

repete-se a pequena dedicatória
aos companheiros do curso
introdução à economia política,
da Universidade Popular do Porto,
e os que estiveram na última sessão saberão porquê.

Aliás, ou a propósito, passamos à página 6… permitindo-nos a recomendação (a quem tiver pachorra para acompanhar as nossas reflexões e comentários) de lerem primeiro a mensagem anterior.
Pois, aliás, logo na página seguinte à página 5, isto é, na página 6, está uma entrevista com Miguel Cadilhe em que há coisas interessantes.
 


Este é um sujeito que procura pensar como economista, dir-se-ia mesmo que pensa... O que de modo algum quer dizer que se concorde com o que escreve ou diz, mas que o que escreve ou diz ajuda a pensar (e não esquecemos o curto período em que, na AR, discutíamos o OE quando o governo era “Miguel Cavaco”/”Aníbal Cadilhe”, e sempre se conseguia discutir alguma coisa com o Cadilhe, sendo o Cavaco um verdadeiro muro, uma pedra com olhos…).
No caso desta entrevista, e a propósito da irracionalidade (e do crime por anti-social) que é a financeirização da economia, sublinha-se a referência ao caso dos submarinos em que, como ele diz, “o país deveria saber quem decidiu, porque decidiu” e lembra que foi “matéria até para um processo na Alemanha”; assim como se anota a afirmação de que “quando as instituições falham e não fazem parar desvarios a tempo, ficam afectadas nas suas atribuições nas suas atribuições e no exercício de vigilância das finanças públicas”… só faltando “pôr o guizo ao gato” que se chama BPN, e que Cadilhe conhece bem.
Ainda considero de fazer pensar, apesar das posições serem antagónicas ideologicamente, o que Cadilhe diz sobre o euro, a entrada e a saída. Vale a pena ler  as opiniões de quem diz ter estado contra a entrada, que a dívida deve ser negociada, que a saída "sózinhos e por nossa iniciativa" não é recomendável, e que, "no limite, o pais pode ser empurrado para fora da zona euro num processo descontrolado". Há ali (no conjunto) matéria para fazer pensar.
Por fim, porque não queremos estender-nos, uma última observação que ilustra a “subtileza” da informação que nos pretende manipular. 
Dá-se, em "caixa" destaque ao facto de, em 1974, o stock de ouro do BdP ser 866 de toneladas e estar, em 2011, em 382,5, ficando a subliminar interpretação de que foi o 25 de Abril que veio, também aí, dar cabo de equilíbrios existentes. Ora o que Cadilhe disse, em discurso directo, foi que “desde o 25 de Abril vendemos 56% do ouro”, mas acrescenta imediatamente que “uma parte aconteceu entre 2003 e 2006, à média de 52 toneladas por ano”, sem que ele conheça as razões de tal venda mas com a afirmação de que essa venda de mais de 200 toneladas “não serviu para financiar a reformado Estado”.
209 toneladas de ouro vendidos peloBanco de Portugal entre 2003 e 2006 (governos de Durão Barroso, Santana Lopes e Sócrates, e com Vitor Constâncio como governador) de que não se sabe o destino, isto é, 24% das que existiam em 1974 e 55% das que existiam em 2011!

"Desinconomias" - 1

com uma pequena dedicatória
aos companheiros do curso
introdução à economia política,
da Universidade Popular do Porto

Depois de algum (largo) tempo de admiração, quando não de espanto, pelos escritos de Nicolau Santos na página Cem por Cento do caderno Economia do Expresso, estamos a passar por uma fase de crescente irritação face à leitura do que ele escreve.
É verdade que essa admiração (ou espanto…) se explicou a si mesma com a sua confissão explícita de keyneseano (e "graças a deus!"…) e que a nascente irritação também por aí se explica.




Nesta última edição, NS faz perguntas muito pertinentes sobre a opção de, em situação de dramática queda de investimento, se irem enterrar (ou afogar…) 600 milhões de euros num terminal para contentores na Trafaria quando existe Sines com posição estratégica, condições e dinâmica que irão sofrer espúria e inexplicável concorrência com a concretização desse projecto (se de projecto passar).
O que nos irrita, neste caso, é que NS sabe as respostas, ou deveria saber..., e as ignora ou até escamoteia. 
É que esse, como qualquer outro investimento que se faça, nas actuais condições e correlação de forças sociais, é apenas um negócio, apenas mede o acréscimo que traz ao capital-dinheiro investido (seja ele fictício ou creditício: D - D'), indiferente à sua utilidade social, à sua racionalidade económica. O que é contraditório, irracional, criminoso. Como o sistema.


Aliás, ou a propósito, passando à página 6…