quarta-feira, outubro 06, 2010

Para quem sabe ler...

Um pequeno excerto de A revolução de 1910 em Portugal:


No seu trabalho O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, Lenine, ao analisar a luta dos grandes Estados imperialistas pela divisão do mundo, indicava que «lado a lado com os países metropolitanos e as colónias existem formas variadas de países dependentes, países que, de um ponto de vista formal, político, gozam de independência, mas que, na realidade, se encontram envolvidos nas malhas da dependência financeira e diplomática”. Ao desenvolver essa tese política aplicada a Portugal, Lenine escrevia mais adiante: «Portugal é um Estado independente soberano, mas na realidade há mais de duzentos anos, desde a Guerra da Sucessão de Espanha (1701-1714), que está sob o protectorado da Inglaterra. A Inglaterra defendeu-o, e defendeu as possessões coloniais portuguesas, para reforçar as suas próprias posições na luta contra os seus adversários, a Espanha e a França. A Inglaterra obteve em troca vantagens comerciais para a exportação de mercadorias e, sobretudo, para a exportação de capitais para Portugal e suas colónias, pôde utilizar os portos e as ilhas de Portugal, os seus cabos telegráficos, etc., etc. Este género de relações entre grandes e pequenos Estados sempre existiu, mas na época do imperialismo capitalista tornam-se sistema geral, entram como um elemento, entre tantos outros, na formação do conjunto de relações que regem “a partilha do mundo”, passam a ser elos da cadeia de operações do capitalismo financeiro mundial
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Qimonda, as "ajudas" da União Europeia (Comissão e Parlamento) e a falta de pudor informativo

Ponto prévio – não tenho nada de pessoal contra qualquer “protagonista” da política. Tenho tudo contra (ou a favor) das políticas que eles protagonizam. Por isso, não especulo com algumas notícias, como a da nomeação da mãe de Louçã para assessora do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, por despacho, de 1 de Fevereiro de 2010, da Secretária-Geral da AR. Aliás, a senhora mãe de Louçã, de 79 anos, até vai desempenhar aquelas funções “sem qualquer remuneração”. Adiante…
1. Mas fico seriamente irritado com outras evidentes ausências de ética, ou directamente desses “protagonistas” ou de quem os apoia. Que, nalguns casos, teriam a obrigação profissional de ser minimamente neutrais porque informativos (ver, quem estiver para isso, claro..., a minha mensagem de 1 de Outubro sobre neutralidade e para onde ela remete).
O caso é que, ontem, li – em Económico – a "notícia" de que os trabalhadores da Qimonda iam receber 2,4 milhões de euros, e sugerido que por obra e graça do deputado Miguel Portas; hoje, repete-se a "novidade", em actualidades,
6 Outubro, 2010 - 08:51
UE aprova mobilização de 2,4 milhões de euros
para trabalhadores da Qimonda
Os trabalhadores da Qimonda vão receber um apoio de 2,4 milhões de euros da União Europeia (UE), para os ajudar a regressar ao mercado de trabalho.
O Comité Orçamental do Parlamento Europeu aprovou esta terça-feira uma verba de 2 405 671 euros, que provém do Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização (FEG), para ajudar os 839 trabalhadores despedidos da Qimonda a ingressar novamente no mercado de trabalho.
A informação do Parlamento Europeu dá conta que, ao todo, foram mobilizados 14 489 399 euros do FEG para apoiar 3 731trabalhadores despedidos em Portugal, Holanda, Espanha e Dinamarca. A candidatura portuguesa à mobilização do FEG foi pedida em Dezembro de 2009. Recentemente o eurodeputado do Bloco de Esquerda, Miguel Portas, informou à Lusa que este apoio deve chegar a Portugal em Dezembro.
2. O facto – mas facto mesmo, e de 2 de Setembro! – é que:

Nota de imprensa dos deputados do PCP
no Parlamento Europeu

A Comissão Europeia
e o triste exemplo da Qimonda

A Comissão Europeia acaba de anunciar, tarde e a más horas, que aprovou a mobilização do Fundo Europeu de Ajustamento à Globalização para os trabalhadores despedidos da Qimonda, na sequência do pedido de 2,4 milhões de euros entregue pelo Governo Português em 17 de Dezembro de 2009. É uma escassa verba que apenas serve para apoiar alguma formação profissional dos mais de 1500 trabalhadores que foram lançados no desemprego pela estratégia de uma multinacional que não foi contrariada pela Comissão e Conselho da União Europeia.
Lamentavelmente, a Comissão Europeia não mobilizou as forças e os meios necessários para impedir o despedimento dos trabalhadores, nem teve em conta as inúmeras solicitações que foram feitas no Parlamento Europeu, por iniciativa dos deputados do PCP no PE.
Por isso, continuaremos a insistir no PE no apoio à produção e ao emprego com direitos e a exigir medidas que proíbam as multinacionais de continuarem a sua estratégia de deslocalização e desemprego, apenas para obterem maiores lucros, sobretudo quando receberam apoios comunitários como foi o caso da Qimonda.
Bruxelas, 2 de Setembro de 2010
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Um pingo de pudor não ficaria mal aos propagandistas da UE e do BE.

Esperar acontecer?

Há períodos em que os acontecimentos se sucedem, cavalgam uns nos outros. PEC III, intentona no Equador, Jerónimo de Sousa em Ourém, eleições no Brasil, Centenário da República. Muito se vê, lê e ouve, muito aqui se comenta... mas fica tanto por comentar!
Algumas coisas que ficam por dizer não nos deixam retomar o curso normal da vida (há disso?...) e impõem-se.
Tinha pensado aproveitar o que li sobre o 5 de Outubro na revista Ciências Sociais de 1978, da Academia das Ciências da URSS, e não encontro espaço, nem no meu tempo nem neste blog. Mas não deixarei de voltar ao assunto.
Entretanto, não sou capaz de passar adiante, neste dia 6 de Outubro, sem recuar 24 horas e sem lembrar (a partir de cerca altura da vida muito vivemos do que foi vivido...) que na nossa formação política, melhor diria cívica, as comemorações do 5 de Outubro tiveram uma importância enorme. Desde os tempos de estudante, começos dos anos 50, era dia de ir ao cemitério do Alto de S. João homenagear "os republicanos", alguns ainda vivos, e depositar uma coroa de flores no monumento a António José de Almeida.
No caminho éramos acompanhados pela polícia. Ou melhor: éramos sempre acompanhados pelas polícias, desde a PIDE sempre presente às outras, até pela montada a cavalo que, às vezes, se lembrava de nos espadeirar. Era "dia de levar porrada". As nódoas negas curavam-se em casa - quando não eram mais graves - e iam-se transformando em calo. Para melhor se aguentar no ano seguinte e no que viesse a acontecer no intervalo. E havia sempre coisas a acontecer. Porque é o acontecer que faz a hora. E porque quem sabe não espera acontecer.
Assim me fui aproximando, sem o ter premeditado, de



... isto pra não dizerem que não falei das flores

(de Geraldo Vandré, cantado por Zé Ramalho)

terça-feira, outubro 05, 2010

No final deste 5 de Outubro de centenário


Numa declaração sobre o centenário da República, Francisco Lopes afirmou que após mais de trinta anos de política de sucessivos governos contrária aos valores de Abril e à Constituição, coloca-se a necessidade de promover a ruptura com este rumo e assegurar um caminho de desenvolvimento, democracia, soberania nacional, justiça e progresso social.

Reflexões lentas - Coerência a todas as horas, precisa-se

Estávamos à mesa, e a nossa amiga saiu-se com esta: «Sabes? O que mais admiro em ti é a tua coerência quotidiana…»
Soube-me bem. Mas fiquei a pensar. E quando um homem se põe a pensar…
Primeiro, por vezes a admiração pela nossa coerência (e não falo, evidentemente, por mim e poe este caso) tem qualquer coisa de comiseração perante uma… teimosia.
Segundo, nunca aceitei a postura de alguns camaradas (também é certo que o deixaram de ser… quase todos) relativamente ao que chamo “horário de trabalho”, que são muito marxistas entre as 9 e as 5 e, por exemplo, passam de marxistas a machistas ao entrar em casa.
Terceiro, o respeito pelo outro/a que nos caracteriza não é apenas para consumo externo, tópico, e não aceito que se use para com os que são “nossos” (este sentido da propriedade…).
Quarto, tenho alguma alergia a teóricos que citam Engels e são desenfreados femeeiros, “coleccionadores de escalpes” (traduza quem quiser).
Quinto, houve tempos em que ouvia com alguma bonomia aquele dito crítico que então corria “aquele é tão do Partido que até vai com o Partido para a cama”, mas agora – porque a vida me tem posto a pensar... – até acho que um comunista não deixa de o ser quando ama (e não necessariamente uma camarada…), quando se despe e… se mete na cama.
Sexto (e último… mas haveria mais…), soube-me bem o que de mim disse a amiga, mas fiquei a pensar (!) que me soube a pouco: tenho é de ser coerente não só todos os dias mas todas as horas. E nem sempre o fui, nem tenho a certeza de sempre o vir a ser. Mas esforçar-me-ei!

Vivendo este dia!

Vivendo este dia.
Em que responsáveis pelas malfeitorias (ao povo, aos trabalhadores) apelam a co-responsáveis pelas malfeitorias para que se chegue a consensos... para continuarem na mesma senda de malfeitorias.
Lá, na cidade grande, e aqui, na cidade pequena. Enquanto ignoram quem está sempre - porque sempre esteve - disponível para se procurarem novos rumos. Por que lutam!
O resto é folclore, é papel colorido em que se embrulham rebuçados minguados.

No tempo português que passa

Ouvir historiadores falar da República, do 5 de Outubro de 1910, causa-me algum sobressalto. Ligo, inevitavelmente, a data ao 25 de Abril de 1974 e ao tempo - actualíssimo, hoje - que vivemos.
Sempre que me convidam para, em escolas das vizinhanças (ou não), falar do 25 de Abril, e dos seus antecedentes, aos meninos, faço um esforço de preparação: o de me lembrar de como, quando na idade dos meus pequenos interlocutores, eu via/sentia o 5 de Outubro.
E vai havendo uma quase justaposição temporal. Quem tem, hoje, 10 anos, nasceu 26 anos depois do 25 de Abril; eu nasci 25 anos depois do 5 de Outubro, e recordo sem grandes dificuldades como, na escola e começo do liceu, era longínqua, nebulosa, a implantação da República. Tenho de ter isso em atenção por respeito por quem me ouve, e de ter a perfeita consciência de que, ao falar do que vivi intensamente, esse tempo que vivi e de que lhes falo é, para eles passado, morto... pré-histórico e, tantas vezes - quando dele falado - falseado, vilipendiado. Como para mim era o começo do século.
Quem viveu os últimos anos da Monarquia, a crise económica, as sucessivas ditaduras, a violência que caracterizou essa mudança histórica, as esperanças que abriu, revolucionariamente, toda a resistência à mudança, a enorme força conservadora, contra-revolucionária, a guerra de 14-18, não podia esperar que o miúdo da segunda metade dos anos 40 entendesse e sentisse o ambiente vivido, através de uma conversa de uma horita, para mais empolgada, comprometida com o vivido (só muito tarde li O Milagre segundo Salomé, do José Rodrigues Miguéis, que nos "dá" todo esse ambiente); e, daí, procuro aproveitar a lição para que o que conto sobre o 25 de Abril (e o antes) seja minimamente interessante, ajude a levantar dúvidas próprias da idade de quem está a conversar comigo, deixe neles algum rasto.
É indispensável metermo-nos no fluir da História, não a ver como seccionável e, ao mesmo tempo, é indispensável - como em tudo - olhar para o outro, na sua idade, nesta idade histórica que, sendo a mesma que a nossa, contemporâneos que somos, não é igual para quem nasceu na mudança de milénio e para quem nasceu no começo do segundo terço do século passado.
Depois, na assinalação destes 100 anos, com particular ênfase para o que antecedeu o 5 de Outubro, há um caminho percorrido, há um Portugal que passou por etapas, com situações que se repetem, sempre diferentes!, sendo tão estulto ignorar as semelhanças como menosprezar as diferenças. Somos portugueses porque com um passado comum e um futuro para que temos que encontrar a alternativa de um destino nosso. Para que o 5 de Outubro de há 100 anos e o 25 de Abril de há 36 anos contribuiram.

5 de Outubro de 1910


Notícias daquele dia

“Lisboa amanheceu hoje ao som do troar da artilharia. Proclamada por importantes forças do exército, por toda a armada e auxiliada pelo concurso popular, a República tem hoje o seu primeiro dia de História. A marcha dos acontecimentos, até à hora em que escrevemos, permite alimentar toda a esperança de um definido triunfo [...] não se faz ideia do entusiasmo que corre na cidade. O povo está verdadeiramente louco de satisfação. Pode dizer-se que toda a população de Lisboa está na rua vitoriando a república.”


Jornal O Mundo, 5 de Outubro de 1910

segunda-feira, outubro 04, 2010

Cont(H)abilidades!

Entre as medidas do PEC III, a questão da integração do fundo de pensões da PT terá ficado como a mais nebulosa e a menos controvertida.
Não se trata do IVA "normal", com mais 2 pontos percentuais, da redução de salários acima dos 1.500 euros, e de outras manigâncias que se descodificam com alguma facilidade, embora com toda a poeira que as acompanha - revisão da estrutura do imposto, escalonamento acima dos tais 1.500 euros, temporalidade das medidas, etc. e tal -, e que nem se deixa pousar, hoje diz-se uma coisa, amanhã diz-se outra, este que é ministro diz que sim, aquele que é primeiro diz que não.
No entanto, tudo isso é cristalino face à cont(h)abilidade com o fundo de pensões da PT que passaria para o Estado e viria dar uma ajuda muito cont(h)abilidosa para pagar não sei quantos submarinos, para se cumprir metas do défice... para acalmar os mercados. Afinal, em "económico", hoje, temos mais um balde de água fria:

«Défice seria de 8,8%
sem o fundo de pensões da PT
Pedro Latoeiro
04/10/10 16:29
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A S&P não conta com a integração do fundo de pensões da PT no Estado.
A agência de ‘rating’ não conta com a integração do fundo de pensões no Estado e estima por isso que o défice português será de 8,8% este ano.

"A transferência do fundo de pensões da Portugal Telecom (PT) para o Estado não será contabilizada no nosso método. Como tal, esperamos que o défice de 2010 se aproxime de 8,8% do PIB, bem abaixo do objectivo de 7,3%", lê-se numa nota da agência Standard & Poor's.

De recordar que a incorporação do fundo de pensões da PT no Estado é uma medida extraordinária que integra o último pacote de austeridade do Governo português. Teixeira dos Santos explicou esta receita extraordinária com a necessidade de cobrir a despesa com a aquisição de um submarino.

Sobre as outras medidas, a S&P considera que o corte de salários da Função Pública, juntamente com a subida do IVA para 23%, deve compensar largamente a fraca consolidação orçamental conseguida em 2010.

Ainda assim, a agência não descarta medidas adicionais em 2011, até porque Portugal tem nesse ano o maior desafio orçamental de toda a zona euro. "Este Governo tomará medidas adicionais para cortar o défice se acreditar que tal venha a ser necessário", refere no mesmo documento.»
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O quê? O PEC IV? Isto é pior que uma telenovela de horror!

As eleições no Brasil

Tudo o que se passa no Brasil tem cada vez mais importância no mundo!
Estas eleições merecem a nossa maior atenção.
Por enquanto, apenas algumas informações.
1. Da Lusa:

«Brasil/Eleições: Dilma Rousseff promete "muita garra" para segunda volta


Brasília, 04 out (Lusa) - A candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma Rousseff, prometeu hoje "muita garra e muita energia" para a segunda volta das eleições presidenciais.
"Vou aproveitar esta oportunidade para detalhar mais as minhas propostas", afirmou Dilma Rousseff, que recebeu 46,7 por cento dos votos válidos e disputará a segunda volta com José Serra, candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que obteve 32,7 por cento dos votos válidos.
A afilhada política do Presidente Lula da Silva disse que vai focar na segunda volta as propostas da sua coligação para a erradicação da miséria e para o desenvolvimento do país.»

2. De Vermelho:

«Renato Rabelo avalia resultados do PCdoB


O PCdoB fecha as eleições deste ano com o saldo de uma senadora, 15 deputados federais e 19 deputados estaduais. “É um resultado bastante positivo, ainda que não tenhamos alcançado nosso objetivo pleno”, diz o presidente do PCdoB, Renato Rabelo.

A avaliação de Renato Rabelo parte da comparação com os dados de 2006, mas também com o cenário absoluto de 2010. Naquele ano, o partido elegeu 13 deputados federais e 12 estaduais; agora são, respectivamente, 15 e 19. Ao Senado, o partido havia elegido Inácio Arruda (CE) e agora, consagrou Vanessa Grazziotin a primeira senadora do Amazonas, desbancando o conservador Artur Virgílio (PSDB).

A avaliação de Renato Rabelo parte da comparação com os dados de 2006, mas também com o cenário absoluto de 2010. Naquele ano, o partido elegeu 13 deputados federais e 12 estaduais; agora são, respectivamente, 15 e 19. Ao Senado, o partido havia elegido Inácio Arruda (CE) e agora, consagrou Vanessa Grazziotin a primeira senadora do Amazonas, desbancando o conservador Artur Virgílio (PSDB).»

No dia seguinte

Tendo o sr. Fernando Pessoa tantos imitadores da sua mania heterónima e quase-heterónima, não escondo - como nunca escondi, em anonimatos e disfarces assim - ser um deles. Por isso, em nome de um Zambujal, que sou eu não o sendo, deixei este comentário numa mensagem de um tal Samuel-cantigueiro (daquelas que ele tão bem faz...):
Coincidências que o materialismo histórico ajuda a perceber...
Por esse convívio profano - mas não profanador -, iconoclasta - mas de bezerros de ouro em templos bancários -, um grato abraço do Zambujal ali tão perto.


domingo, outubro 03, 2010

Coisas que deveriam ser ouvidas


A intervenção de Jerónimo de Sousa no almoço-convívio em Ourém foi... clarificadora!
Pode ouvi-la aqui

Foi mesmo bom!

Com uma dedicatória especial para a Maria, e a GR, e a Graciete, e a Campaniça (lê o que eu disse no poraqui-porourém) e o e a... De quantas e quantos me lembrei neste dia tão igual e tão especial, igual porque de luta, especial porque aqui. Com o Jerónimo de Sousa a trazer-nos força e alento. E todos os que ajudaram a fazer, deste dia, o que este dia foi.

Só faltou o sol, só sobrou a chuva. Mas a chuva não teve importância, mas o sol não fez falta.
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É isto que quero escrever. Agora. Aqui!

Portugal a Produzir

Em tempos, lia Miguel Sousa Tavares. Não porque concordasse com as suas análises (ah! se só lessemos aquelas opiniões com que concordamos...), mas porque me parecia que valia a pena. Depois, desisti de ler aquela prosa petulante e pesporrenta.
Hoje, ao pequeno-almoço, chamaram-me, companheiramente, a atenção para dois períodos da página que MST preenche, semana a semana.
No começo da segunda coluna, escreve ele
«Porém, isso não desculpa José Sócrates. No espectáculo quase indecoroso do debate parlamentar de quinta-feira (excepção: Francisco Louçã, o único preparado e assertivo)...»
e quase no final da terceira coluna (com gravura a preencher duas colunas) escreve ele
«Eu gostei de ouvir Jerónimo de Sousa dizer que o Governo tinha cedido à chantagem dos mercados internacionais (...) Gostei de o ouvir dizer que a alternativa era aumentar a produção e a riqueza: também acho, mas, excluindo a hipótese de querer aumentar os horários de trabalho, e excluindo o aumento da produção dos nossos poços de petróleo e das nossas minas de ouro, não vejo como é que isso se consegue fazer rapidamente, num país onde toda a riqueza produzida é ultrapassada sistematicamente pelos gastos do Estado.»
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1. Não me detenho no sublinhar da contraditória avaliação do que é preparação e do que é assertivo. É problema de falta de revisão do que se escreveu...
2. Aumentar horários de trabalho aumentaria a produção? E outra organização do trabalho? e menor ou nenhum desemprego?
3. Se MST ouvisse alguém ou alguma coisa além de MST e do que MST gosta de ouvir, dir-lhe-ia (mas não é para ele que escrevo!) que a questão deve ser exactamente colocada ao contrário: é porque o Estado gasta pouco - e cada vez menos bem -, que a nossa produção é sistematicamente ultrapassada por aquilo em que o Estado gasta muito - e cada vez mais pior. E é isso que tem de ser invertido. E é essa a alternativa.
4. E é por isso que o PCP - muito preparada e assertivamente - lançou a sua campanha Portugal a Produzir (não a explorar poços de petróleos ou voltando ao "ouro do Brasil", hoje na fórmula dos dinheiros fictícios do BCE de Frankfurt).

Album - 14

Foi na campanha autárquica do ano passado, em Alpiarça.

Amanhã (daqui a pouco...) será ali, em S.Sebastião, mesmo ao pé desta casa, na freguesia da Atouguia, no concelho de Ourém.

Bem-vindo, Jerónimo!

sábado, outubro 02, 2010

Haverá, decerto, quem esteja... mas a esmagadora maioria não!


Tive de ir ali abaixo e, pelo caminho, caminhando, fui lendo o Cem por Cento do Nicolau Santos e o seu "E no final estaremos melhor?.

Então este título não tem de ter uma resposta, e o pedaço que segue não deve ser transcrito?
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«Não tenhamos dúvidas: este é um orçamento do Fundo Monetário Internacional sem o Fundo Monetário Internacional. É a receita tradicional do FMI, penalizando sobretudo o fator trabalho, a classe média e o funcionalismo público. E, como referiu o ministro das Finanças, não se trata de uma aspirina mas de um tratamento prolongado. Os cortes salariais e nos direitos sociais vieram para ficar e vão-se prolongar até 2013.
Do ponto de vista dos motores da economia, o consumo privado e o investimento público são violentamente abalroados por este pacote. (...)»

E muito mais! Mas tenho de me moderar! Não comento. Só sublinho.

Este contar e comentar a vida que passa

Conto e comento demais? Aqueles a que quero chegar com as mensagens não "dão vazão"... A começar pela que está mais perto, e que isso me diz.
E eu tento moderar-me. Fechar a torneira, de vez em quando. Mas o vulcão está vivo. Demasiado vivo?!
Leio um texto. Olho uma foto. Ouvejo uma notícia ou um comentador.
Logo, logo: vou citar este, vou mostrar isto, vou comentar aquilo e aquele.
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E tanto fica por transcrever, por mostrar, por comentar!
Este tempo é que está demais! E excessivamente contraditório, com tanto mentir como regra despudorada e impressa e radiodifundida e teledifundida.
Moderem-se. Não eu...

Hoje vai haver Sócrates na televisão!

É o anúncio parangonado.
...para explicar!?
Para mais confundir... digo eu!
Para dizer, hoje, o contrário do que disse ontem, que foi o contrário do que disse ante-ontem, que não terá sido o mesmo que dirá hoje, e menos ainda será igual ao que dirá amanhã. Tudo depende... De quê? Dos mercados...
Há sempre que fazer ajustes. Justos? Que é isso?
O quê? O salário mínimo acordado? Ah!, com certeza... vai ser negociado (não percebi... é acordo firmado e vai ser negociado?!).
É tudo para se recuperar a credibilidade perdida no exterior, nos mercados. Mas quem é que a perdeu, essa coisa da credibilidade? Fui eu, foste tu, fomos nós? Ou foi ele, fostes vossas...indecências, foram eles, aqueles que estão empenhados (num outro sentido da palavra, empenhados estamos nós!) em prosseguir nas políticas que criaram a falta de credibilidade?!
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É o privilégio da imagem sobre a mensagem, sobre o sentido são das palavras.

São números, Senhor(es)!

De o avante! :
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• Manuel Gouveia

Venezuela:
Uma vitória da Revolução!
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Em 2006, o candidato da oligarquia venezuelana, Manuel Rosales, obteve 4,3 milhões de votos. Com essa votação, teria ganho qualquer eleição presidencial realizada na Venezuela até à altura (para dar uma ideia, Caldera foi eleito presidente em 93 com 1,7 milhões votos, e Lusinchi (83), Andreas Perez (88) e Chavez (98 e 2001), foram-no com menos de 4 milhões de votos). E no entanto, Rosales sofreu a maior derrota de sempre, já que Chavez reuniu o voto de 7,3 milhões de venezuelanos, obtendo uma votação que superava mesmo o total de votantes em qualquer eleição anterior na Venezuela.
No passado domingo, realizaram-se eleições parlamentares na Venezuela. As forças que estão com a Revolução (a coligação PSUV/PCV) venceram porque reuniram o apoio de 5,25 milhões de venezuelanos. Para termos uma ideia, nas anteriores eleições parlamentares já no marco da Constituição Bolivariana, em 2000 e 2005, o então MVR de Chavez vencera-as, mas com um resultado próximo dos 2 milhões de votos. A própria Constituição, aprovada por mais de 80% dos votos expressos, reuniu algo como 3,3 milhões de votos favoráveis. E isto sem comparar com as paupérrimas participações no regime bipartidarista imposto até 1998, onde a AD (o PS lá do sítio) venceu as eleições parlamentares de 1995 com apenas 1,5 milhões de votos. Como em 2006, as forças da oligarquia obtiveram agora um número de votos suficiente para vencer por maioria absoluta qualquer eleição anteriormente realizada no país – mas foram derrotadas!
Estes números ilustram que o avanço da Revolução na Venezuela não se tem realizado por efeito do silenciamento, afastamento ou repressão dos seus opositores - caricatura sempre repetida ou insinuada pela comunicação social dominada, enquanto esconde a realidade da Venezuela, onde a oligarquia vai sofrendo derrotas sucessivas, apesar de manter ainda um assinalável e anti-democrático poder económico, cultural e até político.
E dão-nos confiança de que a crescente capacidade de mobilização popular e de transformação das jornadas eleitorais em luta de massas, permita às forças revolucionárias, no quadro da acesa luta de classe que se trava, levar o combate até ao completo desmantelamento do sistema oligárquico, rumo ao socialismo!
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Não são rosas, Senhor(es)... são números! E há-de ser pão!

sexta-feira, outubro 01, 2010

Sejamos claros!

Estamos a falar de quê? Embrulham-nos em palavras... E, em contrapartida, parece tudo tão claro.
Na sua intervenção de hoje, num comício em Montelavar, Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP, afirmou:
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É urgente pôr Portugal a produzir!
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No começo da sua intervenção disse:
«Os portugueses têm razão para estarem indignados e profundamente preocupados com o futuro das suas vidas e do país. As novas e brutais medidas de austeridade anunciadas pelo governo esta semana vão reflectir-se de forma muita séria nas condições de vida dos reformados, dos trabalhadores e do nosso povo.»
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E mais adiante afirmou
«(...) com particular urgência é preciso pôr Portugal a Produzir!
Está na hora de decisivamente adoptar uma política de Estado em defesa e promoção da produção nacional, nomeadamente e com urgência conceber e concretizar um programa nacional de desenvolvimento industrial. Com mais investimento público, com o reforço e ampliação do sector empresarial do estado, com apoio às pequenas e médias empresas, com planeamento económico cumprindo também aqui a própria Constituição da República.
Uma política de Estado que contribua para concretizar um modelo de substituição de importações por produção nacional, que tenha como objectivo combater os nosso défices estruturais em todos os domínios e promover o pleno emprego e o emprego com direitos. Que aposte na dinamização do mercado interno, sem desguarnecer as exportações.
Uma política de Estado que é inseparável da melhoria das condições de vida da população, do aumento dos rendimentos do trabalho, do alargamento dos direitos dos trabalhadores, do combate à precariedade.
Existem políticas e existem soluções!»
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Estamos a falar de quê?... Falemos DISTO, de pôr o País a Produzir!

1 de Outubro: há 40 anos... a INTER!

Com a luta dos trabalhadores!

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Sempre!

A propósito... Honduras

Depois de uma noitada a acompanhar a situação no Equador, e a lembrar-me das Honduras (e do Haiti, e de, e de... do "quintal das traseiras"), a leitura do avante! de ontem traz-me este Actual do José Casanova, de uma tremenda e não desejada oportunidade:

Equador - Foi o povo!

Segundo as informações que fui recolhendo, no acompanhamento desta intentona, foi o povo que, sem armas mas com muita determinação, e apoiando Correa, impediu que o golpe vencesse!

O golpe frustrado (?) no Equador

De teleSURtv.net:

Correa afirma que policías sublevados eran infiltrados de Lucio Gutiérrez
El presidente de Ecuador, Rafael Correa, aseguró que los policías que se sublevaron este jueves contra su Gobierno y lo mantuvieron secuestrado por más de 10 horas, eran infiltrados al servicio del ex presidente, Lucio Gutiérrez

  • Presidente de Asamblea Nacional de Ecuador dice que parlamento "no se dejará intimidar por presiones"

  • Ex abogado de Lucio Gutiérrez lideró ataque contra televisión pública de Ecuador

  • Correa ratifica que no negociará bajo presión

  • Fidel Castro afirma que EE.UU. tendrá que condenar intento de golpe en Ecuador, que ya está perdido

  • Daniel Ortega exige a Obama que condene intento de golpe en Ecuador

  • Parlamento Amazónico denuncia conexión de EE.UU. en intento de golpe de Estado en Ecuador

  • Un muerto y varios heridos ha dejado represión de policías sublevados en Ecuador

  • OEA respalda Gobierno de Ecuador y repudia intento de Golpe de Estado

  • Aeropuerto de Quito reanuda sus operaciones tras toma militar

  • Fuerzas Armadas ecuatorianas anuncian restablecimiento paulatino del orden en el país

  • Alto mando militar de Ecuador expresa lealtad a Gobierno de Correa


Neutralidade e ... "por mais que estejamos habituados"

Por mais que estejamos habituados... não contem com a nossa falta de reacção. De luta!
Sobre neutralidade da internet, é importante informar-se e ler esta elucidativa mensagem em autoridadenacional.

Equador depois das Honduras?

Depois da Honduras, onde a resistência continua apesar da violência da repressão e de todo o silêncio que se faz à volta dela, a tentativa no Equador parece ter sido abortada. Mas intentou-se e, segundo o Parlamento Amazónico, com os mesmos instigadores.
Ler aqui

quinta-feira, setembro 30, 2010

Tinha de ser

Do Jornal de NOTÍCIAS:

CGTP aprova greve geral para 24 de Novembro
19h39m
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O Conselho Nacional da CGTP aprovou hoje, quinta-feira, por unanimidade a realização de uma greve geral a 24 de Novembro.

Fonte sindical citada pela Agência Lusa afirmou que, depois de uma intensa discussão, a data de 24 de Novembro acabou por ser aprovada por unanimidade.

A moção para a greve geral vai ser levada à discussão amanhã, sexta-feira a uma assembleia de dirigentes e activistas sindicais, embora o Conselho Nacional tenha poder deliberativo.

O Conselho Nacional aprovou, também por unanimidade, uma resolução em que é exigido o cumprimento do acordo tripartido que prevê que o Salário Minímo Nacional seja fixado nos 500 euros em Janeiro de 2011.

O debate de hoje na AR... depois de ontem

Ouvi parte do debate. Do debate de hoje depois do anúncio das medidas de ontem. Transcrevo perguntas de Jerónimo de Sousa:
E retenho, porque retive, a curiosa analogia, feita por um 1º ministro socialista (embora só à europeia... o que, traduzido em estado-unidense, quereria dizer, como o próprio esclareceu, liberal-democrata!), entre o desejo de queda e subsituição do capitalismo e a construção de muros, em resposta à deputada do Partido Ecologista os Verdes. A que muros se referiria?, é que não houve só um, e há outros que se mantém de pé sem que o incomodem.

Atenção! IVA a 23%

Ainda não vi em lado nenhum que o aumento do IVA vai ser de 2 pontos percentuais como aconteceu há três meses com um ponto percentual para os très escalões...
Apenas vi que a "taxa normal" passa de 21% para 23%, o que, sendo muito gravoso, mais ainda o será se passarem as taxas de 6% para 8% e de 13% para 15%. Com este governo, e a sua falta de rigor há que esperar tudo...
Atirar com 21% para 23% e nós protestarmos não só por isso mas também por aquilo que eles ainda não fizeram, neste esticar de corda, para ver o que dá, é possível e não espanta.
Por mim, mantenho-me estudando, e denunciando!, a anunciada passagem de 21% para 23%!

Última hora

Última hora
(tirado de Económico com Lusa):
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(se clicar sobre as fotos, poderá ler melhor)

Revendo coisas ditas muito recentemente

Este blog não é um local de estudo. Mas também o é (como tudo). Mas é uma espécie de arquivo.
Hoje, sentei-me aqui e antes de começar com coisas novas, e a trabalhar noutras coisas, resolvi passar os olhos por mensagens anteriores sobre IVA, como, aliás, já ontem começara a fazer, cansada e rapidamente, no regresso da manifestação (que excedeu o que esperava, e foi um sinal muito importante!).
Pois as "visitas ao IVA" foram uma relativa surpresa.
Neste dois anos, o IVA visitou-nos mais vezes que eu me lembrava, pois não recordava mensagens que aqui deixei, primeiro aquando da descida de um ponto percentual, em 2008 (demagógica e para-eleições), depois com a subida, em recuperação relativamente à descida anterior, de pontos pencentuais a partir de Julho deste ano (!) como "medida para combater o défice" e comandada do exterior.
Como então disse, o IVA é um imposto indirecto, "cego", que atige todos independentemente dos seus rendimentos, penalizando mais os que têm níveis de consumo mais baixos. Ainda fica por saber o que quer dizer a enigmática frase da sua estruturação (que é necessária, mas não se pode prever que seja no bom sentido, e mais parece uma ameaça que os técnicos se encarregarão de concretizar) e que, decerto, atingirá a distribuição por escalões de taxação. E ainda nada se sabe ao certo (eu ainda não sei, nesta brumosa manhã) sobre os actuais 6% e 13%.
Por agora, porque com certeza que a isto-IVA terei de voltar, apenas o sublinhado da incoerência e instabilidade de uma política "nacional" ao sabor (rançoso...) das imposições do exterior, com um partido da oposição (não "o partido da oposição"... e também porque não é de oposição à política!) a fazer o papel do palhaço pobre (porque não está no poder) neste circo par(a)lamentar.
E, também sublinho, quando falo dos partidos desta política (PS, PSD e CDS) refiro-me aos seus dirigentes, aos que botam faladura em nome deles, porque me sinto solidário com muitos dos seus apoiantes (e eleitores) que somam, às condições objectivas que todos os trabalhadores e população estão a penar, perplexidade e desorientação perante aquilo que quereriam apoiar como posições dos "seus" partidos, e de que, tantas vezes, se fazem defensores na base de uma inevitabilidade que eles poderiam ajudar a negar.
Como algumas cabeças devem andar... em parafuso!

quarta-feira, setembro 29, 2010

29 de Setembro de 2010

Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010



«O PCP considera que o reforço de sanções designadamente no âmbito do PEC e dos mecanismos para a sua aplicação, configuram uma autêntica cruzada contra a soberania dos povos e os Estados-Membros da União Europeia com economias mais frágeis e com situações económicas e sociais que decorrem do impacto catastrófico das políticas neoliberais.»



«Dezenas de milhares de trabalhadores, do sector público e privado, marcaram presença nas ruas de Lisboa e do Porto, na manifestação convocada pela CGTP-IN, reafirmando as suas justas razões de protesto - contra as injustiças e desigualdades, por emprego com direitos e salários dignos, exigindo um rumo diferente na política nacional.»
(regressados de aqui!)

E agora... já chega?

(foto aqui publicada em 20 de Maio!,
com o presidente do Eurogrupo num "gesto carinhoso"
para com o ministro das finanças português)
Ou ainda é preciso mais?

E nós?

Haja um!

Descubra as diferenças!... em relação aos outros jornais.

Bom dia!







Eu marco encontro para a de Lisboa (o Porto fica mais longe, mas daqui vai um abraço para tantos amigos e camaradas), do Marquês do Pombal para a Assembleia da República.

"Retoma" e desemprego

De sapo-notícias:
Crise internacional
Director do FMI teme retoma económica sem emprego (TSF)
O director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI) admitiu, esta terça-feira, que a retoma da economia mundial poderá não ser suficiente para reduzir o desemprego.
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E que preocupados que eles estão! O director do FMI é o que ri mais, é o da direita

terça-feira, setembro 28, 2010

Instantâneos do quotidiano

Hoje, à hora do almoço.
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trimmm, trimmm... atendo:
- É o senhor Sérgio?
- O próprio.
- Eu sou "Fulano de tal" e venho, em nome da "Empresa X", oferecer-lhe um pacote para que o senhor acabe com a sua assinatura de ... que ...
- 'Pere aí! Eu até gosto de assinaturas e não gramo pacotes... Passe bem. Com licença."
pim... ba!
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E fui almoçar. Incomodado. Também com remorsos. Estúpidos... mas o pobre do moço, que nem era uma brasileira-daquelas-que-até-irritam-coitadas, se calhar é um arquitecto ou um jovem biólogo ou coisa assim que não arranjou emprego como caixa numa grande superfície... Mas que culpa é que eu tenho?

As eleições na Venezuela

Esperamos ter disponibilidade para ter outras iformações mais actuais e mais locais.
Mas, entretanto, leiam-se as muito oportunas e petinentes mensagens de obloguedocastelo aqui e aqui

Heróis do mar, nobre povo...

A nossa vocação marítima...
Enquanto alguns passam a vida (os anos de luta) a clamar contra o falso dilema Atlântico ou Europa (até porque são dialécticos...), e valorizam o que é desprezado, a nossa evidente "vantagem comparativa"; outros, os que apenas defendem os seus interesses (ou os de alheios que deles fazem seus servidores), alternam períodos de patrioteira empáfia de descoberta de caminhos marítimos com períodos tudo para a Europa e em força, abatendo barcos, fechando estaleiros, desaproveitando condições únicas no mundo das comunicações e transportes marítimos, entregando gestão dos recursos da maior ZEE a competência exclusiva de uma Comissão Europeia.
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No final de terem metido tanta água, estão na fase de gritar que a salvação está no mar... senão afogamo-nos.
Seria ridículo se não fosse muito sério e não tivesse a ver com o viver dos portugueses!

Manifestação da CGTP-in amanhã, 29 de Setembro

Faço nossas as palavras (que) são armas de Cid Simões:


Quarta-feira dia 29, dia em que decorre um encontro dos ministros das Finanças europeus, são esperados em Bruxelas 100 mil sindicalistas europeus.

Em Portugal a CGTP já anunciou que está a preparar greves sectoriais e concentrações em Lisboa e Porto.

Também na Letónia, Lituânia, República Checa, Chipre, Sérvia, Roménia, Polónia e Irlanda os trabalhadores fazem sentir a sua revolta contra as medidas de austeridade de que são vitimas.

Em Espanha, as duas maiores centrais sindicais convocaram uma greve geral.

"Não podem ser apenas os trabalhadores a pagar a crise, enquanto aqueles que a provocaram estão de novo a enriquecer".
Na UE há 23 milhões de desempregados e milhões de pessoas em situação precária.

Só há um caminho:

A LUTA!

O ponto (e as pontas) da situação – na noite de 27-09-2010

Trata-se de um verdadeiro massacre!
A poderosa, a tremenda máquina de manipulação da informação definiu dois ou três temas – não mais – e não titubeiam. É verdadeiramente o afunilamento das questões.
Contra a democracia, contra a política. O capital financeiro manobra todo o jogo.
Aumentar os impostos explícita ou implicitamente; diminuir as despesas, no que respeita à massa salarial e às despesas sociais.
Aceitam-se as pressões que do exterior nos obrigam a ouvir, como se fossem conselhos do bom senso de que careceríamos; penaliza-se, como se fosse consensual, o consumo privado, defendendo-se cegamente a exportação, e pode perguntar-se de quê se não se estimula o aproveitamento dos recursos e a produção.
O ambiente criado é verdadeiramente insuportável. A forma como se fez a promoção das “receitas” velhas e revelhas da OCDE como se fossem novidades, descobertas, foi espectacular, ao nível circense com aquela maneira ridícula de falar português (?) do porta-voz da organização recebido como "guru".
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Recusemos este colete de forças!
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Peguemos no nó da questão. Porque as finanças prevalecem até à saturação.
Como o sublinha, em título, um estudo de Eugénio Rosa, a banca financia-se a 1% junto do Banco Central Europeu, e cobra ao Governo (e aos portugueses) taxa de juro 6 vezes superior; ao mesmo tempo, os juros da dívida pública acabam de superar pela primeira vez, os 6,4%, por “ordens” da finança transnacional como forma de pressão política contra a soberania portuguesa, colimando neste momento político.
Estas pressões têm de ser denunciadas e recusadas.
Enquanto se juntam a estas pressões, as notícias sobre os aumentos dos preços de bens essenciais como inevitáveis, assim fragilizando a resistência colectiva, convidando ao "salve-se quem puder", ao "cada um para si", o nosso dever é reforçar essa resistência, mobilizando e esclarecendo.
Mas não só atacando os efeitos, e pouco aprofundando as causas. Essa resistência, mobilizada e mobilizadora, esclarecida e esclarecedora, tem de ter fundamento ideológico, base teórica. O justo protesto é inevitável face às condições objectivas que se vivem e se prevêem, mas é indispensável a tomada de consciência. Para o que é exigido estudo, reflexão, muito trabalho.
Continuar Marx!
A comprovação de leis que resultam da análise do funcionamento do capitalismo, para que Marx contribuiu decisivamente, e as novas condições objectivas levaram ao recurso à financeirização desmesurada, ao demencial empolamento do circuito monetário e creditício, ao capital-dinheiro fictício, simbólico, à procura de passar de D a D’, de dinheiro a mais dinheiro sem passar pela esfera produtiva.

segunda-feira, setembro 27, 2010

Poemas cucos (e outras coisas cucas) - 26

Para "cucar" Camões é preciso atrevimento. E coragem.
Como para servir Jacob por causa de Lia, como para abrir uma livraria como espaço de cultura. Só com alguns (muitos) grãos de loucura numa terra que eu cá sei.


Aproveitando


Luiz de Camões


Sete anos de comerciante aqui eu servi
a vender livros, via para cultura, tarefa bela;
mas não servi ao comércio, servi a ela,
que ela só por prémio pretendi.

Os dias, na esperança de um só dia,
passaram, contentando-me em promovê-la;
mas o negócio e o preconceito, à cautela,
em lugar de dar apoios só me dava arrelia.

Vi-me pobre comerciante cheio de enganos,
e que me era negada a boa intenção,
como se a não tivera merecida.

Começaria a servir outros sete anos,
dizendo: — e mais serviria, se não fora
para tão longo esforço tão maior a dívida!

Leituras de fim de fim-de-semana - 3º de 3 comentários

Na coluna da direita, Nicolau Santos, com o título O Presidente aponta o mar, vem dar ênfase, em termos elogioso-encomiásticos, a nova paixão de Cavaco Silva, o MAR, e releva a importância deste para o futuro do País. (Re)cita o que Cavaco Silva citou em recente Congresso dos Portos e Transportes Marítimos que foi "um indiscutível sucesso em termos de assistência, quer por todas as associações patronais terem apoiado o evento"!
Assim, sem sublinhar que Portugal é o País da União Europeia com maior ZEE (Zona Económica Exclusiva), (re)lembrou que "nos sectores marítimos tradicionais (transportes, portos e construção naval), Portugal gera um valor que é mais de três vezes inferir ao gerado pela Bélgica, que tem apenas 98 km de costa. Geramos igualmente três vezes menos emprego que a Bélgica. A Espanha gera sete vezes mais valor que nós. E a Dinamarca produz seis vezes mais valor e três vezes mais empregos nos sectoes marítimos que Portugal." E por aí fora, sempre no que respeita a portos e transportes marítimos, não se falando de pesca que, se me não engano é um sector tradicional ligado ao mar...
Curiosa ou estranhamente, não houve maneira de, ao fazer-se o confronto entre os custos de frete e despesas de despacho, isto é, eficiência, que nos é muito desfavorável, culpabilizar os trabalhadores.
Por outro lado, não se pode aceitar que o actual Presidente da República fale desta situação de não aproveitamento do que não me canso de chamar a nossa "vantagem comparativa" mais evidente, sem antes fazer um mea culpa (já não digo auto-crítica...) relativamente à política que protagonizou como primeiro ministro e que está na origem e agravamento do que hoje estigmatiza e tanta preocupação lhe parece causar. Como não se percebe como esta serôdia paixão é compatível com a indiferença manifestada perante o artigo da Constituição Europeia (e depois Tratado de Lisboa) que atribui competência exclusiva sobre os recursos biológicos do mar à Comissão Europeia.
Continuadamente, houve um partido - o PCP - a denunciar as consequências que hoje se lamentam, sem pudor, pelos responsáveis das causas! Sempre para orelhas moucas... como se fossem palavras loucas.

Leituras de fim de fim-de-semana - 2º de 3 comentários

No artigo do meio, o central - O Governo, o PSD e o país -, Nicolau Santos pormenoriza o que teriam discutidos, em números, Sócrates e Passos Coelho na sua conversa-a-dois (ou nas suas... se tangaram mais do que uma vez), sem testemunhas nem gravador.
Tantos porcento para mim, tantos porcento para ti (6,9% ou 7,3% de défice orçamental) milhões a mais, milhões a menos em relação ao que antes tinham acertado, o grave foi a descoincidência das versões tornadas pública e que levaram a ofensas mútuas (pisadelas...) que, numa tasca da esquina, teriam acabado na esquadra do bairro.
Mais uma vez o im portante é a conclusão: "Mas esperemos que ainda seja possível um acordo ou que se encontre uma solução alternativa na Assembleia da República. de outro modo, vamos penar todos mais do que o necessário - e que já não será pouco."
Há encontram, com certeza! O que está em causa, para o governo (com maiúscula), para "partido da oposição (em maiúsculas) não é o interesse do País (em minúsculas), não é o interesse (dos) nacional(is), mas o modo como partilhar a responsabilidade pública do que já acordaram fazer, segundo o que o FMI impõe, no quadro da estratégia do capitalismo financeiro, como é que essas medidas se reflectem nas respectivas clientelas eleitorais.
O comentário pode ainda tomar a forma de perguntas simples e directas, não dirigidas a N.S. mas a cada um de nós:
  • "Esperemos"... quem?
  • "Solução alternativa na Assembleia da República"... e fora da AR, não conta?
  • "Todos penar mais"... todos?, há quem não esteja a penar nada, bem pelo contrário!

Leituras de fim de fim-de-semana - 1º de 3 comentários

É-(me) sempre útil ler a página Cem por Cento, de Nicolau Santos, no Expresso.
O homem está muito informado, como é sua obrigação profissional, resume bem e mescla o que informa com opiniões que reflectem um determinado ambiente que é bom conhecer.
Pego no primeiro título, na coluna da esquerda, "O Estado Social à lupa". Com um olímpico distanciamento da situação das pessoas, N.S. confronta o estado social dos portugueses no quadro dos indicadores económicos europeus, e conclui:
"Conclusão: somos um país pobre com um apoio aos desempregados de rico. E como é óbvio, isto não é sustentável."

A lupa está claramente desfocada!
Neste mesmo fim-de-semana um outro jornal, o Diário de Notícias, informa em parangonas que mais de um terço dos desempregados - 208 mil! - não recebe subsídio e que, só em Agosto, 12 mil desempregados perderam o acesso a esse apoio. "De ricos"!Poderia dizer-se, em contrapartida, que, num País com uns tantos cada vez mais ricos, os nossos pobres vão crescendo e estão entre os mais pobres e desapoiados.

O que não é suportável!


domingo, setembro 26, 2010

Agora são precisos 19 "queijos limianos"!

Estava a "levantar a mesa" do almoço e - zás - prendem-se-me os olhos à embalagem do queijo que ia arrumar.
Não tinha reparado... e achei que era perseguição! Pelo que saltei para o "scanner" e para esta "gracinha".
Todos juntos genuinamente (quais?, o PS e o PSD?, ou também o CDS?, e porque não o BE?)
50% (mais um)?
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Ainda há pouco, em mensagem que por aí ficou, referia o "queijo limiano", referência política-parlamentar que ficou da legislatura (encurtada) de 1999-2002, em que o PS, com 115 deputados,precisou de um deputado eleito pelo CDS para conseguir fazer passar os orçamentos de 2001 e 2002, tendo-me ficado sempre a dúvida se não se encontraria outra forma de continuar a mesma política se esse deputado do sobredito queijo não se tivesse disposto ao "sacrifício" de se juntar aos 115 do PS, com largas (re)compensações para a autarquia de que era presidente.
Agora, para o OE para 2011... talvez a abstenção de 19, venham eles de onde vierem!, para que se cumpram os "serviços mínimos": 97 a favor, 19 abstenções, 114 contra, e passou! Porque outra situação nem passa pela cabeça do senhor PdaR...

O imbróglio de uma democracia parlamentar

Na democracia (burguesa) em que vivemos, importante e dura conquista do povo português apesar de todas as suas por vezes ridículas situações, vive-se um momento de imbróglio. Imbróglio que toma, aqui e ali, configurações de farsa burlesca, nalguns episódios interpretados por colectivos (particularmente, o PS e o PSD), noutras facécias com protagonistas individuais (nomeadamente, e por ordem hierárquica, Cavaco, Sócrates, Passos Coelho).
Farsa burlesca de bonecreiros manipulados pelo capital financeiro e em que o “ser (ou estar no) poder” obnubila e leva a palavras e a actos que, sem essa cegueira, até os próprios envergonharia… no pressuposto que alguma vergonha lhes sobre.
Detenhamo-nos num simples exemplo deste ping-pong “és um mentiroso/só falo contigo perante testemunhas" (gravador não serve?).
Diz o segundo que quer ser primeiro, embora não saiba bem quando: “o que tu queres sei eu… é que eu fique com o odioso das medidas que vamos ter de tomar porque a isso nos obrigam os patrões, mas és tu, como primeiro, que tens de as aguentar… e não venhas com essa de que se não for eu não o podes fazer porque não é só comigo que tens a possibilidade de partilhar a responsabilidade... também o podes fazer com aqueles com quem chegaste a acordo para o candidato a Presidente da República…”
Errado! O segundo precipitou-se nos seus passos (de Coelho) e só mostrou que lhe dói o cotovelo. Os 97 deputados socialistas (salvo seja) mais os 16 bloquistas (de esquerda) somam 113, o que não chega aos 115 que são metade de 230. E, nisto, a aritmética é infalível. Ainda precisaria, o PS, de dois “queijos limianos o que é o dobro de um, e um já seria difícil... ou de três porque só com dois seria empate técnico!
Isto tudo é confrangedor.
Mas – atenção! – é apenas uma vertente da nossa democracia. Há uma outra vertente. E ela é a participativa, a da intervenção democrática dos trabalhadores, das populações organizados para além das instituições formalmente representativas no nosso quadro constitucional.
A vertente da democracia que se expressará – e tem de o fazer com toda a força da democracia conquistada – no dia 29 de Setembro.
Se as pressões do capital financeiro transnacional sobre os seus títeres com adereços de poder político são tão fortes, a pressão dos portugueses que estão a sofrer a situação por eles criada também tem de o ser, e eles sabem – oh! se sabem... – que esses adereços não são seus, estão-lhes emprestados pelas populações, pelos trabalhadores.

sábado, setembro 25, 2010

Reflexão lenta, curta... e sempre urgente - 60

A imagem subliminar que se inculca é a de que tudo acontece por culpa "do outro", de uma poderosa e inflexível entidade abstracta, imaterial, a que se vão dando nomes adequados ao momento da campanha, e em que prevalece o mercado (ou os mercados). Completada pela ideia de que, se não se obedece a esse fantasmagórico "papão", será o desastre, o caos, ou então, para que não venha o desastre, o caos, haverá quem venha de fora "pôr ordem na casa", fazendo o que os incompetentes dos nativos se mostram incapazes de fazer, e nem nestas situações-limite se conseguem entender.
Estaríamos - Portugal que somos - num beco, a exemplo de outros momentos da nossa História próxima, quando se escreveram cartas ao FMI e ele veio cá distribuir uns açoites, pôr sindicatos e trabalhadores em sentido a partir do ambiente criado, e carregando mais nos que não têm qualquer responsabilidade na situação criada.
Por isso, ainda estamos a tempo, dizem-nos. Ainda teriamos a saída de fazer o que o tal FMI viria cá fazer. Mas, para o fazer, tem de haver quem fique com o odioso... porque vivemos em "democracia", há que não perder eleitorado e o espectáculo do "jogo do empurra" é absolutamente miserável. O governo a atirar com a responsabilidade para a "oposição" (que é apenas a que, institucionalmente, lhe pode servir), esta oposição a exigir que o governo assuma os compromissos de executivo para que teria criado condições. Com atitudes e linguagem ao nível da peixeirada, com as devidas desculpas para as senhoras que "ganham a vida" a vender peixe!
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E há alternativa! Não estamos num beco sem saída! Antes de mais, antes de tudo, voltar a dar prioridade ao aproveitamento dos recursos, à produção, ao trabalho!

Rio, choro ou só me envergonho?

(o cantigueiro já tratou - e bem! - deste "episódio"... mas não resisto a trazer umas "versões" minhas):

1. Fizeram uma pergunta ao primeiro-ministro português sobre a crescente tensão entre os Estados Unidos e o Irão. Resposta (?) deste: "Portugal e os Estados Unidos têm a mesma política internacional : o respeito pelo direito internacional. Penso que este é um desafio que coloca a todas as lideranças do mundo". É de lider!
2. Os dois devem estar a contar ao "amaricano" aquele episódio dos dedinhos em hastes, na Assembleia da República, que o colocou no desemprego de ministro com imediata colocação naquela Universidade. E os dois portugas riram-se "à (festa) brava"!
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Eu, palavra que sinto vergonha. Sou incuravelmente português...

Alexandria 11 – CAMINHO ANDADO, TANTOS POR CAMINHAR

Se teológicas foram pouco as conversas, sobre política e economia foram menos ainda.
Aproveito para marcar a diferença entre fazer turismo e viajar e visitar. É verdade que esta viagem, talvez mais que qualquer outra, tinha um cunho intelectual, todas as referências motivadoras eram, de certo modo, elitistas porque culturais daquela cultura livresca. O que é escrito sem qualquer sentido depreciativo ou de superioridade "em pino" (a tecnicamente chamada queda facial invertida…).
No entanto, escorregando-me o pé para a chinela, procuro sempre o contacto e o sentir dos viveres mais simples. Ainda que muito valorize as referências e reflexões e as visitas de outro tipo. Diria, como diz quem reduz as coisas a expressões simples, que “sou um político”. Procuro sempre, mesmo quando inadvertidamente, levar a conversa para essas áreas do viver quotidiano e como ele se organiza. Mas, olhado como turista, e não como cidadão viajante/visitante, raro tenho interlocutores. Aliás,desconfio que se não fosse assim também não melhoraria grande coisa...
Salário mínimo, regras laborais, organização sindical, estrutura política? Nada. Ou muito pouco de respostas, e as poucas com algum adivinhado mal-estar. Mesmo depois de um certo à vontade e mútua confiança.
Bem, o mais que consegui “arrancar” foi a ideia de que a sucessão (eleitoral!) de Mubarak pai por Mubarak filho não era bem vista, que incomodava. E alguma (ou muita) reserva quanto a Mubarak, o protagonista da política egípcia há 30 anos.
O facto é que, no avião, consegui – finalmente! – um jornal egípcio em inglês, The Egyptian Gazette, e li coisas interessantes que talvez estejam escritas noutros jornais com outros carecteres. Um artigo de “especialistas” prevê (em título) que “novo parlamento (a eleger, talvez…, em Novembro) não servirá os interesses do povo” porque se manterá a maioria do NPD (Partido Democrático Nacional), e não se tornará mais democrático, e os 88 lugares que eram ocupados pelos “Irmãos Muçulmanos” serão distribuídos por outros partidos sem nada alterar.
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Cairo protesta:
Activistas políticos egípcios protestam

no Cairo, terça-feira,
contra os rumores de que Gamal,
filho do Presidente Mubarak,
lhe sucederia.

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No entanto, o que mais procurava não eram estas informações mas as do sentimento da escassíssima amostra com que contactei, e da pouca que observei. E aí o obstáculo da língua foi enorme, juntamente com o que me faz crer que o inquérito posto no jornal sobre opinião relativamente à posição a tomar pela “oposição egípcia” - i) participar nas eleições; ii) boicotá-las, iii) não me interessa – terá grande maioria com a 3ª resposta.
Este é o problema que mais me (pre)ocupa: o esclarecimento, a tomada de consciência, a posição das populações/massas perante a organização social/económica/política em que vivem. Muito mais em Portugal, evidentemente, mas também no Egipto… ali a multiplicar por 8 como número… mais as ponderáveis ponderações qualitativas.
De qualquer modo, ainda encontrei coisas a que achei piada:
"Então você quer beber água,
quer tomar duche
e ainda quer regar a sua terra?
Que ridículo desperdício de água!"

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Pois é! Falta falar dos gatos. E se todas as cidades têm gatos (e se não havia antes de "ela" chegar, "ela" descobre-os), e o Egipto é o país em que o gato é sagrado, Alexandria é a cidade dos gatos. Mas deixo-lhe esse encargo, ou melhor: para quê falar do que vai ser falado?

sexta-feira, setembro 24, 2010

Entre ameaças e chantagens...

... todas falsas e para "enganar o pagode"!
Era preciso - era indispensável! - um PEC; era preciso - era indispensável! - um PEC2; são precisas - são indispensáveis! - "medidas adicionais" (ainda mais?). Sim!, porque, dizem "eles", há que que remediar "isto" que "eles" criaram, e há que tranquilizar os mercados, o BCE, a UE, as agências de rating, o HCBS, o FMI, e outros fdp.
O PS e o PSD lá se vão entendendo, entre ameaças e chantagens para "iludir a malta" e arranjinhos por debaixo da mesa.
Só tenho uma palavra (aliás, duas... fora as muito mais que estão a pedir!):

aldrabões
pantomineiros


A resposta:
«... Arménio Carlos fez questão de afirmar "para nós está claro que é melhor não haver Orçamento para 2011, do que ter um que siga o caminho que vemos traçado"...»

Conversas em que se aprende (como em todas!)

Foi a Lésya que, hoje de manhã, ao chegar, me falou das manifestações em França e dos tumultos na Grécia.
A Lésya é uma senhora ucraniana que nos ajuda, três manhãs por semana, a manter "a mansão" habitável. Gosta de conversar comigo. Começou por ser um pouco complicado porque os sinais espalhados pela casa colidiam com o que julgava eu (e ela...) que era anti-comunismo. Mas lá fomos conversando, ficando a dificuldade para o seu diminuto domínio do português.
Vim descobrindo (eu!) que o que ela é é anti-russa, como em Pinhel se é anti-Atouguia, ou em Galiza, ou na Catalunha, ou no País Basco, anti-Andaluzia.
E lá nos vamos entendendo, politicamente, apesar da sua religiosidade. Que, no entanto, não apaga uma cultura política de fundo que tem a ver com uma outra formação cultural (e democrática!), ou restos dela. Revelando todas as virtualidades de ter crescido ainda numa sociedade diferentemente organizada.
Hoje, vinha indignada com todas as mentiras (dos políticos, Sarkosy e outros), com a política anti-social (as reformas, os salários, sempre o ataque aos que trabalham... e isso), com a desilusão com os actuais dirigentes ucranianos que a chegaram a iludir.
De permeio, lá disse uma ou duas coisitas, a tentar fazer-me entender...
Mas ela, embalada, mostrava a sua indignação pelo recuo social, pela repressão, sobretudo pela mentira de que se apercebe, ao mesmo tempo que valorizava a tranquilidade que sente em Portugal, apesar das suas/dela dificuldades crescentes.
Lá ripostei, falei dos nossos "brandos costumes", mas sublinhei, e com toda a força, a luta em que estamos, o 29 de Setembro, a violência que foi a do fascismo. E terminei, dizendo-lhe "é o capitalismo, Lésya!", nas suas variadas maneiras mas uma só forma de exploração, a dos trabalhadores.
Já não reagiu como aqui há uns meses, e deixou-me trabalhar...
E ela também foi trabalhar... que é para isso que lhe pagamos (como Marx falava do exemplo do alfaiate não explorado nem explorador), e não para discutir política comigo!

Nós é que te agradecemos,


compañera
.
Alícia Alonso!

Duas notícias em destaque

1. A que colhi, como quem colhe uma flor, no cravo de Abril, do convite de Alícia Alonso a Obama... desde que acompanhado pelos 5 de Miami. Ler aqui !
.
2. O rodapé, no noticiário televisivo, de 2,9 milhões de franceses nas ruas em manifestação contra as leis anti-sociais. Para muitos de nós, o que se passa em França continua a ser uma referência importante!