sexta-feira, outubro 16, 2009

Parábolas "estatísticas" - 3 (se calhar não é...)

Esta série de (deixem-me chamar-lhes) parábolas saiu em fase de descontracção… muito séria.
Mexia em números como quem joga – e nada melhor para descontrair que jogar com números – sendo números muito sérios, e encontrei coisas que me alertaram, mais uma vez, para aspectos que acho indispensável ter em consideração. Com alguma prioridade. Coisas que é preciso saber. Hoje.
Talvez o que tenha despoletado esta minha parabolice foi ter verificado que haverá quem, tendo responsabilidades cívicas, como cidadã/ão que fez os estudos ditos obrigatórios e é participante activo/a na vida política, nalguns casos até responsável, não sabe ver quem foi eleito, usar o método de Hondt (que é o que está adoptado). Se calhar não é grave, mas incapaz de deixar de considerar essa incapacidade de outros como um uma espécie de analfabetismo para quem “anda na política”. Em que, ao fim e ao cabo, todos andamos.
(Se quiserem eu explico, até faço um desenho)
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Por outro lado, encontrei erros onde não os queria encontrar, e alguns reincidentes.
Errar não é criticável. Reincidir no erro já o é. Aliás, lembro sempre Bento de Jesus Caraça, que no busto à porta da sua Escola (e “minha”...), do ISEG, nos diz que não temia o erro porque estava sempre pronto a corrigi-lo, e Marx e Engels, que dão verdadeiras lições de humildade, ao encontrarem erros seus, ao dizerem que erros eram, ao corrigi-los.
E, já que estou – parabolicamente – em onda de referências, termino com Lenine que nos aconselhava a “aprender, aprender, aprender sempre”.

Parábolas (ou nem tanto) "estatísticas" - 2...

Os números, e as estatísticas que deles se alimentam, são traiçoeiros. Mais que as palavras. E há quem os/as manipule sem pudor.
Outra coisa é o rigor. Ou a falta deste.
A recuperação, pela CDU, da autarquia de Alpiarça tem o maior significado. Para além do grande simbolismo desta recuperação, ela também é quantificável.
Dizer que a votação na CDU passou de 36,4% para 49,7% é muito, o que se pode reforçar com o acrescento de tal representar um aumento de 36,5% de percentagem de votação (e de 13,3 pontos percentuais – 49,7 – 36,4 = 13,3) em relação às anteriores eleições, de 2005.
Para ajudar a perceber a importância de não confundir percentagem com pontos percentuais, deixo o seguinte exemplo, com duas situações:
Um concelho que tivesse tido 10% da votação e passe a ter 12% subiu 20% na percentagem votação e cresceu 2 p.p.; um concelho que tivesse tido 20% da votação e passe a ter 22% subiu 10% na percentagem de votação e cresceu os mesmos 2 p.p.
Mas terá (ainda) maior significado político a evolução da massa eleitoral.
Alpiarça cresceu quase 40% de massa eleitoral, isto é, o número de votos na CDU em relação aos que tivera em 2005 cresceu 39,9%.
Aplicando, quase por analogia, a “parábola” anterior, do pequeno comerciante, gerente de uma… tasca, se calculássemos essa evolução dividindo o acréscimo de eleitores na CDU pelos que agora votaram na coligação e não pelo “ponto de partida” (os que votaram em 2005), o acréscimo seria de 28,5% e não de 39,9%. Faz a sua diferença!

Reflexões (...) - 7 - 6.a.ii

1. Há partidos que são do Poder e partidos que o não são?
2. Não é o PCP um partido do poder?
.....a. Este PCP (O Partido com paredes de vidro)… e não outro
3. O Poder aparente e o real Poder
4. A governabilidade como Poder aparente ao serviço do Poder real
5. Ser Poder no Poder Local não conota como poder?
6. Partido e Poder – lutar contra a promiscuidade
.....a. Os maus exemplos
..........i. Dos outros – hoje, aqui: PS no Poder Central/PSD no Local

..........ii. Dos "nossos" – o mau exemplo dos últimos anos da URSS

7. O XIII Congresso (Extraordinário) 1990 – a lição que mais retive
.....a. A coragem e a lucidez
.....b. Uma das causas – Partido/Poder.



Quando “programei” estas reflexões, o ponto 6.a.ii. foi pensado para, curta e lentamente, fazer de “ponte” para a seguinte e última reflexão, esta talvez o motivo de que as outras seriam apenas intróito.
No entanto, sinto necessidade de começar por dizer que o exemplo de Ourém, com PS/Poder Central-PSD/Poder Local em promiscuidade Partido-Poder, também poderia ser ilustrado com caso, em que, estando o PCP no exercício do Poder Local, assim aconteceu, ser Poder e não estar no Poder, condicionado por outros poderes, ao serviço das populações e instrumento de outra luta.
Isto é, também tivemos casos – e temos, e teremos – em que se confunde Partido com Poder na autarquia, fazendo da gestão desta como que extensão do partido e não a instância em que o Partido, estando no Poder, não é o Poder.
Casos muito mais raros, e alguns que deixaram de ser “nossos” porque “nossos” deixaram de ser os seus intérpretes. Mas que houve!, e que estamos sempre em risco de voltar a ter se e onde não houver auto(e altero)-vigilância (revolucionária) bastante. Como em deputâncias e outras tarefas em que poder se julga ser. É que o exercício do Poder (ou a sua aparência) é erosivo.
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E estou no título tal como o programei, com URSS à espreita.
As últimas décadas da União Soviética foram anos que o Partido se confundiu com o Estado, ou seja, foi deixando de ser Partido para ser só Poder.
A mais bela revolução da História, o empolgante começo de um tempo novo, a resistência dir-se-ia impossível ao cerco e ao bloqueio, a vitória heróica na 2ª guerra mundial, que também foi – e sobretudo foi – episódio da luta de classes, tudo foi perdendo força quando se privilegiou uma competição entre Estados, e o Partido e o Estado se amalgamaram numa luta entre super-potências enquanto a ideologia insistia na coerência com o marxismo-leninismo, na luta de classes, negava a concepção de super-potências, mas o Poder-Partido a adoptava e o Partido-Poder a praticava, esquecido de ser classe, Povo, futuro.
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Reflexão atrevida, “arrumada” em meia dúzia de linhas? Decerto que sim. Mas que o seja. É tão-só uma pista. De reflexão.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Parábolas "estatísticas" - 1...

- Olá vizinho, bom dia... Tem água-pé nova?
- Bom dia, amigo... e da boa!
- Sabe? É que vou ter amigos lá em casa, de surpresa, e queria dar-lhes a provar da nossa pinga... Pode ceder-me um garrafão?
- Por ser para si...
- Obrigado. E quanto é?
- Olhe, atão comprei a 100, pus-lhe em cima 20%, estou a vender a 120... mas, por ser para si, fico só com metade do lucro, fico só com 10%...
- Obrigado. Então diga lá.
- Não lhe vendo a 120, vendo-lhe a 108... diz aqui a minha maquineta... faço-lhe 10% e fico só com metade do lucro.
- Ó amigo!, olhe que se enganou. Isso são 10% do preço de venda, e o seu lucro (ou lá o que lhe chama) é calculado com base no custo, e passou a ser só de 8% na venda que me fez. Vá... eu pago-lhe a 110 porque não o quero enganar... mas veja bem essas contas.
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O meu vizinho da tasca ficou a olha para a "maquineta" e a coçar na cabeça. Com esta "formação", e na "selva" dos manipuladores de números e estatísticas, os pequenos comerciantes terão pouca capacidade de sobreviver. Há que pensar nisto.

Os "dias seguintes" às eleições

Os "dias seguintes" às eleições são bem diferentes dos momentos seguintes ao conhecimento dos resultados.
Nos momentos seguintes, há alegria e há tristeza. É a altura em que se fala de vitórias e de derrotas, particularmente nesta conjuntura histórica em que se querem dividir os homens (e as mulheres, claro) em vencedores e vencidos, em que o individualismo e o egoismo imperam. Como ideologia.
Por mim, procuro descolar dessas "avaliações", e fundar a avaliação dos resultados num confronto com os objectivos, ver se estes se foram alcançados ou não, avaliar se foram realistas. No entanto, sei que não o consigo totalmente. Como o desejaria.
Mas... nos "dias seguintes" tem de haver reflexão e responsabilidade. Sobretudo - isto acho eu... - por parte de quem "ganhou".
E agora, José? Disseram Carlos Drumond de Andrade e José Cardoso Pires, este com toda a propriedade porque José se chama, mas podem colocar-se outros nomes próprios antes do ponto de interrogação.
Nas eleições autárquicas, há situações muito interessantes. Talvez se pudesse dizer que todas o são, mas há umas que são mais que outras. Suponhamos maiorias cruzadas, em que um partido consegue maioria absoluta no executivo, na Câmara, e outro partido tem maioria relativa no orgão deliberativo, na Assembleia Municipal, e o executivo até pode ficar dependente da posição dos "pequenos", ou até só de um (lembram-se "queijo limiano), para fazer passar documentos essenciais da gestão, como o orçamento, e posições essenciais para a adopção de políticas. O que isto pode dar de negociação, explícita ou implícita, de... diálogo!
Dois testes se colocam de imediato
Primeiro, talvez..., a eleição da mesa de presidência da Assembleia Municipal, que não resulta da eleição (como alguns, e entre os mais informados, podem pensar) mas da escolha entre-pares, isto é, entre os membros eleitos directos e por inerência (presidentes de Junta), através da votação das propostas que apareçam em listas para esses lugares, que são de presidente e dois secretários. Pode ser interessante. Pelo menos como teste.
Segundo, que até pode ser primeiro porque a ordem (ou hierarquia) é arbitrária..., a de, no plano do executivo, se distribuirem ou não pelouros pela oposição, o que antes não teria sido feito e teria sido considerado, pelos actuais "vencedores", como muito negativo, e tão negativo pode ser considerado que até pode ser dito ser pouco ou nada democrático.
Isto sou eu a pensar alto.

segunda-feira, outubro 12, 2009

Reflexões lentas e curtas - 6 - Partido e Poder - lutar contra a promiscuidade a.i.

1. Há partidos que são do Poder e partidos que o não são?
2. Não é o PCP um partido do poder?
.....a. Este PCP (O Partido com paredes de vidro)… e não outro
3. O Poder aparente e o real Poder
4. A governabilidade como Poder aparente ao serviço do Poder real
5. Ser Poder no Poder Local não conota como poder?

6. Partido e Poder – lutar contra a promiscuidade
.....a. Os maus exemplos
..........i. Dos outros – hoje, aqui: PS no Poder Central/PSD no Local
..........ii. Dos "nossos" – o mau exemplo dos últimos anos da URSS

7. O XIII Congresso (Extraordinário) 1990 – a lição que mais retive
.....a. A coragem e a lucidez
.....b. Uma das causas – Partido/Poder.

Este "programa" de reflexões, que vem de há muitas semanas, está quase cumprido. E num ponto crucial da (minhas) reflexões. Crucial e talvez muito oportuno.
Ao longo do tempo, sempre me foi surgindo a questão do(s) partidos serem ou não poder ou de, quando no poder, se comportarem não como mandatados, como parte do poder, partidos, mas... como Poder.
É evidente que tudo tem a ver com as relações sociais que definem o modo de produção e a formação social em que o partido é (ou chega ao) poder. Numa democracia burguesa, é para mim evidente que o partido que, através do uso da democracia representativa (desvirtuado uso em relação ao que é dito ser, porque exclusivista e formatado nos moldes que servem a classe dominante), o partido que chega ao poder executivo tem toda a vocação para se julgar Poder. E daí uma prática promíscua. sobretudo quando apoiada por uma maioria absoluta no poder... parlamentar. Daí, também, o aparecimento de sinais, por vezes preocupantes, de comportamentos e posturas com base na fundamentação "deram-nos (ao partido, ao leader) o poder, temos o direito e o dever de ser poder... até às próximas eleições" .
Ora, estar no Poder (mormente no executivo) será, ou deverá ser - mesmo em democracia burguesa -, o resultado de um equilíbrio de forças que, equilibradamente, deve reflectir-se na prática governativa, na definição de políticas, na gestão dos negócios públicos, não traduzindo os interesses e vontades de uma clientela desse partido, mas os da compósita sociedade que deu mandato para representação.
  • a.i. Um mau exemplo (ou dois)

O PS, como partido com maioria absoluta no Poder Central em Portugal, e enquanto a teve, fez uso desse poder de que foi mandato como se ele tivesse passado a ser seu, e não quis saber de equilíbrios, de negociações e, com arrogância, afirmou-se como somos o poder! Por outro lado, por cá, o PSD, como partido com maioria absoluta no Poder Local em Ourém há décadas, fez uso desse poder de que foi mandato, como se ele tivesse passado a ser seu, e não quis saber de equilíbrios, de distribuição de pelouros, de negociações e, com arrogância, afirmou-se como somos o Poder!

Neste exemplo, aliás caso concreto, verificou-se uma inevitável fricção entre os partidos que se arrogavam ser poder, em níveis diferentes e já de si conflituais. Uma fricção mais aparente que real porque as políticas, os desígnios, a classe dominante e ao serviço de que se colocaram, tudo era o mesmo, mas fricção que existiu na realidade (a dialéctica do aparente/real) porque actuavam, os dois partidos, como se poder fossem e não estivessem em representação, apenas mandatados para exercerem o(s) poder(es).
E agora?
Mas também há maus exemplos, digamos, nossos. Sobre eles, reflectirei mais logo. Quando... puder.

Para que não haja dúvidas!

Confirmei resultados, corrigi um erro que tinha no "post" (é um velho "acto falhado", o de trocar Aljustrel com Arraiolos), li e ouvi a intervenção do camarada Jerónimo de Sousa. Estou de acordo com o que disse, e como disse. Amanhã, di-lo-ei de viva voz, e serão debatidos, colectiva e seriamente, a campanha, os resultados, a situação.

Na manhã do dia seguinte!

Na manhã do dia seguinte. De ressaca. Com a boca a saber a "papeis de música". Com um amargo desagradável que não há dentífrico que lave.
Sinto-me incapaz de começar de novo - e com a vontade de sempre, desde há 50 anos anos - sem verter para aqui um pouco deste sentir.
Não vou insistir nos objectivos alcançados, e aqui ultrapassados, não vou ironizar com o silêncio da comunicação social que ouVi, noite adentro sobre o PCP/CDU ser a 3ª força, quando o ter deixado de o ser nas europeias e nas legislativas foi tema rebarbativo, não vou animar-me - e quanto! - com a reconquista de Alpiarça e resultados positivos de outros lugares.
Na lufa-lufa de receber dados, de os trabalhar, de fazer cálculos apressados e imprecisos, nem ouvi o camarada Jerónimo, e hoje, antes de aqui me sentar a deixar o "balanço" trazido do sono curto e mau, não o li. Só vou lê-lo, e confirmar resultados, depois de clicar publique-se.
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Antes de tudo, do beijo na companheira, do pequeno almoço, antes de tudo tenho de dizer de Beja, de Aljustrel, de novo da Marinha Grande, da Horta, de perda de vereadores e de freguesias. E do amargo de boca que sinto.
Sei dos preconceitos, sei do rolo compressor (pesado e caríssimo... com o nosso dinheiro), sei da falta de escrúpulos, das batotas e até de bem pior, que o ambiente que vivemos aceita como... normal, sei que alguns destes casos têm razões e números que os explicam quase os tornando inexplicáveis, sei disso tudo. E é sabendo disso tudo, e sabendo isso tudo, que aqui estou a escrever estas últimas linhas, antes de retomar a luta, de começar o(s) dia(s) seguinte(s).
Com uma saudação fraterna, que aqui fica e fecha este texto, para quem, onde quer que tenha sido, nas condições que sabemos, lutou, deu tudo o que tinha (e às vezes mais...) e está exausto e, pior, abatido com os resultados. Não há que o negar. Há que levantar a cabeça, procurar razões que são nossas e onde estão e, nas novas condições, continuar a luta para conseguir o que sempre soubemos não ser fácil mas que é nosso!
Às vezes, apanhamos como que um chapada de sol ou ou bátega de chuva, a dizer-nos o tempo que faz e como é a vida.
Força, camaradas.

Chegou ao fim!

Chegou ao fim um ciclo eleitoral. Ficaram definidas as condições institucionais em que vai prosseguir, pelo tempo que for, a vida... colectiva. Que não se esgota, bem pelo contrário, no plano institucional.
Amanhã, tudo continua! Sobretudo a luta.
Só três "notas". Por razões pessoais e de proximidade (também afectivas).
(e por ordem alfabética):
  1. Alpiarça - Esta vitória esperava-se, e por ela se lutava depois de três mandatos em que a Câmara Municipal desta terra, verdadeiro símbolo da resistência ao fascismo, não foi maioritariamente da CDU. De 2005 para 2009, a CDU passou de 1.562 votos e 36,35% para 2.185 votos e 49,67%. É obra!
  2. Marinha Grande - Receava-se, com o final que teve a campanha, o que aconteceu. Receava-se... mas esperava-se que não, e menos ainda depois de ter estado na bela festa de encerramento, de 6ª feira. Mas, repare-se, perdeu-se a Câmara, também simbólica, passando de 6.480 votos e 38,74% para 6.467 votos e 36,09%, quando nestas eleições apareceu um novo grupo de "independentes", com apoio "estranho" e muito "oportuno" e que obteve 1.039 votos e 5,8%.
  3. Ourém - Que dizer? Na "minha terra", a CDU consolidou eleitorado no quadro de uma disputa bi-polar quase demencial, em gastos e outros esforços, com procurada "secagem" do que não fosse PSD e PS, e conseguiu-se (subindo 44 votos embora perdendo 0,38 pontos percentuais) o objectivo de manter o mandato numa Assembleia Municipal que terá uma importância e intervenção bem diferente por ser de maioria PSD em executivo PS, que conseguiu desalojar o PSD do "poleiro" em que este parecia instalado, e ainda conseguiu a "surpresa" e "novidade" de um mandato numa freguesia, verdadeira "lança na Ribeira do Fárrio", resultado de querer e de confiança. Um exemplo!

sábado, outubro 10, 2009

Amanhã...

... é domingo.
Depois de votar, vou dar uma volta! À noite, cá estarei.
Passem um bom dia.

Pazcatrapaz

Ao princípio ainda pensei que estivessem a gozar cá com a malta. Mas não. Aquela do Prémio Nobel da Paz para o Presidente dos Estados Unidos é mesmo a sério.
Então, se é mesmo a sério, trate-se do caso a sério.


Não tenho nada contra o sr. Obama. Se calhar até terei alguma simpatia pelo senhor e família, mas ele está em funções de Presidente dos Estados Unidos, e nada fez (ou conseguiu fazer) que mostre que vai usar esse cargo para que o País que se diz presidir deixe de ser presidido pelo complexo industrial-militar, com tudo o que se sabe (mais o que não se sabe...) por todo o mundo. Alguns muito bem intencionados bem procuram sinais, e tanto procuram que encontram - como os da GNR-Trânsito quando querem multar um camionista e encontram, sempre, um motivo... - e já engalanaram em arco. É lá com eles.

O que posso dizer, muito objectivamente, é que tal distinção é, pelo menos, temporã! E acrescento que se é para estimular o premiado a vir a merecer aquilo com que é premiado, é como dar um 5 em literatura a um aluno que nunca leu um livro para que ele comece a ler uns livritos.

Aliás, e sem sair da matéria da Paz, clamo contra a enorme a enorme injustiça relativa.

Ao bater das teclas, aponto dois casos que, assim de repente, mereceriam o Prémio Nobel que foi atribuido ao sr. Obama.
  1. Lembro-me do socialista português Carlos Candal, recentemente falecido, que decerto com alguns problemas no seu partido, se manteve a colaborar no CPPC, na convicção de que, sendo esta uma estrutura unitária, é em unidade e sem preconceitos a única forma de lutar pela Paz;

  2. e lembro-me de dois vizinhos aqui da aldeia que resolveram a bem uma querela que vinha d longe, por causa de umas estremas.
Agora ao senhor Obama, Presidente dos EUA!...

sexta-feira, outubro 09, 2009

Esgotados os leitões, os mercados, a paciência e as forças...

... comecei mais cedo a dita reflexão (talvez não ganhe três ou quatro votos indecisos, e por isso me auto-critico!)

quinta-feira, outubro 08, 2009

Sabia disto?

Acabadinho de receber, e transcrito, de um e-mail do Gabinete do Parlamento Europeu em Lisboa:
"O Parlamento Europeu (PE) elegeu a 8 de Outubro os membros titulares da Comissão Especial do PE sobre a crise financeira e económica. Durante um ano, Regina Bastos, Vital Moreira e Miguel Portas vão integrar o grupo do qual esperam “medidas práticas” para resolver a crise e prevenir situações similares no futuro."
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Esta noite, e falo por mim, vou dormir muito mais descansado... E cheio de auto-estima patriótica!
Só tenho pena de não ficar a dormir até Outubro do próximo ano!

PDM - aqui

Na campanha das autárquicas, decerto em quase todos os concelhos se falou muito de PDM (Plano Director Municipal). Foram três letras que estiveram em todos (ou em quase todos) os programas e debates.
Porque se está em plena 2ª geração, em fase já adiantada, ou atrasada, de revisão dos PDM de 1ª geração, porque é tema para debate entre as forças concorrentes. Ou que deveria ser... porque muitas vezes se fica pela citação, sem consequência, da sigla identificadora.
De acordo com o Decreto de Lei 380/99 de 22 de Setembro, o PDM é um instrumento de ordenamento do teritório de natureza regulamentar, e a sua elaboração é obrigatória e da responsabilidade dos mnicípios.
Segundo essa legislação, visando a tal 2ª geração, o PDM tem como finalidade estabelecer o modelo de estrutura espacial, assente na classificação do solo, consubstanciando-se numa síntese da estratégia de desenvolvimento e de ordenamento local, integrando as opções e outros ditames de âmbito nacional e regional. A revisão do Plano Director deveria fundamentar-se na avaliação do anterior (de 1ª geração), nas suas várias áreas e na necessidade de se definirem e/ou reverem estratégias e políticas de ordenamento.
Dois aspectos se querem sublinhar:
  • o ordenamento do terrritório, a nível municipal, tem grande dificuldade em se definir e concretizar quando falta o ordenamento do território a nível do espaço nacional;
  • apesar desse importante condicionalismo, é possível e imprescindível que seja elaborado (participadamente), aprovado e adoptado, para que a ocupação do solo - urbano e rural - seja regulamentado e respeite regras e reservas, entre estas as de "reserva ambiental" e de "reserva agrícola".

quarta-feira, outubro 07, 2009

As palavras não têm dono mas...

As palavras não têm dono!
Mas quando, em campanha eleitoral, uma força política usa palavras e frases como seu lema, deveria haver o pudor da parte de outras forças políticas de não as utilizar como se suas fossem, fazer delas seus emblemas. Que contra elas, palavras e frases, se argumente, é natural e desejável, que as adoptem e repitam, esvaziando-as ou desvirtuando-lhes o sentido, é inaceitável. Eticamente, claro.
A CDU não reivindica muita coisa em termos de campanha política. As palavras e frases que mais utiliza como suas não são vazias. Têm um conteúdo, um sentido, uma intenção. Não dizemos mudança, dizemos ruptura porque não queremos o tipo de mudança para que tudo continue com as mesmas políticas, denunciamos a alternância que nos governa há 33 anos, a nível central e local (PS, PSD e, às vezes, CDS), e apresentamo-nos como alternativa, lutamos em campanha eleitoral com os meios que temos mas a nossa luta não se esgota na "caça ao voto" e, por isso, afirmamos que a luta continua no quotidiano, e até acrescentamos que é contínua.
Pois somos surpreendidos com discursos de outros afirmando-se... alternativa, com papeis de outros que terminam... a luta continua!
Não somos donos de palavras nem de frases... mas isto é muito feio! São exemplos da postura "em política vale tudo" que se denuncia e veementemente se rejeita.
Dignificar a democracia, credibilizar a política. É urgente!
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terça-feira, outubro 06, 2009

Indíce de desenvolvimento humano (IDH) - 2009

Na verdade, veio perturbar a minha ocupação de tempo. Estando este quase totalmente absortvido pela campanha eleitoral (que começou quando?...), a publicação do IDH no relatório do PNUD de 2009, obrigou-me a abrir clareiras na ocupação do tempo.

O IDH é um índice criado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento) e venho-o acompanhado pela sua virtude de procurar introduzir nos indicadores normalmente usados para confronto de países e suas evoluções, ponderações relativas à esperança de vida ao nascer, a dados relativos à saúde e à educação. É muito pouco, será manipulado e manipulável, mas é alguma coisa de positivo numa área em que quase nada (estou tolerante hoje) o é.

Na pausa a que me obriguei, ou fui obrigado, actualizei o acompanhamento que venho fazendo, particularmente numa série de 5 em 5 anos, e já um pouquinho aqui posso trazer, traduzido neste gráfico, em que coloco a evolução de três países. A Noruega, por ser o que está à cabeça desse indicador (apesar de ter dois referendo com NÃO às CE e União Europeia...), a nossa vizinha Espanha e, claro Portugal.

Claro que virei a comentar este gráfico (espero...). Entretanto, se interessar a algum visitante, pode ir-se avançando estudo, reflexão, comentários.

Vou à vida... autárquica.

segunda-feira, outubro 05, 2009

E Honduras?

Em lume brando... para esquecer? É impossível! Não se resolve por si...

Indice de Desenvolvimento Humano - PNUD2009

Foi publicado o número do PNUD de 2009, relativo aos indices de desenvolvimento humano (IDH), com valores de 2007. Dou grande acompanhamento à evolução deste indicador que pondera o crescimento económico, medido pelo PIB, com valores referidos à esperança de vid ao nascer, à saúde e à educação.
De 2006 para 2007 Portugal desceu um lugar, de 33º para 34º, e Angola subiu 14 lugares, a subida mais significativa de todas, de 157º para 143º.
É só o que digo, por agora...

sábado, outubro 03, 2009

Dois episódios na campanha eleitoral - 2º

Acabo de ouvir a entrevista, à ABC Portugal, do candidato CDU à Câmara de Alvaiázere. Estou impressionado e/ou chocado e/ou, talvez, enternecido...
Este candidato não terá mais de 30 anos, e é independente proposto pelos Verdes.
O seu "discurso" é muito fundamentado cientificamente, embora com escorregadelas para discutível terminologia, e é de uma impressionante genuidade.
Depois, chega a chocar o pêso que revelam os preconceitos arreigados. Diz-se "não político", que não tem nada a ver com partidos e, claro, muito menos com o Comunista. E, no entanto, muito do que disse - decerto sem o saber... mas não é por acaso que é candidato CDU! - ajusta-se perfeitamente a conceitos e ideologia marxistas.
Por último, enternece a convicção com que fala das gentes simples, das pessoas idosas e com saberes de trabalho e vida feitos, da vontade de ser útil por via da actividade política.

Está no sítio certo e em bom caminho. Isto digo eu...

Dois episódios na campanha eleitoral - o 1º

Numa paróquia aqui das vizinhanças, o "senhor prior", na missa de 27 de Setembro, dia de eleições legislativas, disse, do altar abaixo, que sabia que muita gente se iria zangar com ele, mas tinha de dizer que quem votasse na esquerda não era cristão ou católico porque esta defendia o aborto e o casamento entre homosexuais. Depois, acrescentou, "mas quem sou eu para vos dizer em quem ireis votar?, votai segundo a vossa consciência".
Um verdadeiro exercício de hipocrisia!