sexta-feira, outubro 22, 2010

As eleições no Brasil

Porque há outras posições e testemunhos, aqui deixo, a título estritamente pessoal, estes testemunhos de três homens que muito admiro:

Já chega!

Basta!

Terei chegado ao meu ponto de saturação (embora me pareça que estamos TODOS muito cansados) com a entrevista de ontem do ministro das finanças a Judite de Sousa.
E havia quem nos acusasse a nós de “cassete”! Este episódio (em sucessivos episódios) dos “mercados”, do FMI & Cia.,Lª., do OE-rapa-tira-põe-e-deixa, do voto-nãovoto-viabilizo-nãoviabilizo-responsávelsoueu-irresponsáveléstu, é muito mais que uma "cassete", é um DVD ou uma "pen" ou algo mais moderno com uma capacidade aparentemente inesgotável tantas as mega-gigas (ou lá o que é) que contém.
Ontem à noite deu-me a fartura. Mas, antes, ainda fiz umas contas, embora já um tanto perturbado:
  • Se o objectivo absolutamente inquestionável é o de 4,6% de défice orçamental,
  • como o défice orçamental é um cociente saldo do orçamento/PIB,
  • como na previsão orçamental o crescimento do PIB é de 0,2% (em que ninguém acredita),
  • se em vez de 0,2% for -2%, e tudo o resto mantiver igual, quais as consequências?
    Em vez do défice ser de 4,6% passará a ser de 4,703%, e lá se vai o inquestionável objectivo!

Mas se, em vez do crescimento do PIB ser o que se diz previsível neste rumo das políticas, aumentasse 2% por efeito de se Pôr Portugal a Produzir, o défice – com tudo o resto igual –, em vez de ser 4,6% do PIB seria de 4,519%... e os “mercados” ficariam mais tranquilos (como “eles” dizem)

Isto é apenas num exercício com fracções, por mera alteração do denominador. Mas elucidativo, acho eu ... enquanto acho coisas.

Informação

Debate :

ver... e ouvir

quinta-feira, outubro 21, 2010

Agressões aqui para ganhar votos ali

Tive de ver na televisão. Muitas vezes...
É uma manobra conhecida.
Aqui, em Portugal, também se praticou essa modalidade.
Assim, à distância, a agressão a Serra, durante a campanha presidencial brasileira, no Rio de Janeiro, parece mesmo que é para ganhar votos em S. Paulo!

Querem falar da Venezuela?

Então falemos:

A FAO, Organização (das Nações Unidas) para a Alimentação e Agricultura, diz que a Venezuela «Se continuar assim, vai poder anunciar ao mundo, no ano de 2015, que superou amplamente um dos "Objectivos do Milénio", estabelecidos pela ONU, (um) direito fundamental, de algo inerente à condição humana e ao bem-estar, de uma necessidade fundamental».

«... quase 5 milhões de pessoas comem gratuitamente» e, desde a revolução bolivariana, a taxa de pobreza foi reduzida de 17,1%, em 1998, para 7,9% em 2008.

E, a propósito, fale-se também das centenas de milhões dos chineses que estão a sair dos níveis de miséria, de fome, de pobreza.

Mas, a propósito ou não, do que se vai falar é do Prémio Sakarov para um dissidente cubano, não porque é disidente, não porque fez greve da fome, não porque se trata de direitos humanos... mas porque é cubano.

Opções! De classe.

Da leitura durante o almoço...

Cada um lê (deveria ler...) o avante! "à sua maneira".
Eu, às vezes, começo a lê-lo enquanto almoço. Foi o caso de hoje. Comecei pela última página, pelo a talhe de foice, a cargo, neste número, da Anabela Fino. Hesito: o que Soares escreve é patético ou pateta? Ou melhor: quer fazer de nós patetas paradigmáticos?

Passo para a página 4, para o actual.

Los 33, da Margarida Botelho, sobre os mineiros chilenos, é aquilo tudo!... ou quase tudo porque não tem a referência (não podia ter tudo) à falta de segurança prevista e prevenida que pôs em risco aquelas vidas. Isto chega a ser assustador!
Linha do frete, do João Frazão: grande título e acertada (porque bem no alvo) denúncia relativa a essa capciosa argumentação do desemprego voluntário e por culpa dos subsídios.
Ele há crise... e "crises", do Aurélio Santos: sobre "o poder oculto do capital financeiro internacional" e com um "grand final", «Vem depois o 1º ministro dizer que "não há alternativa"! Ele sabe que há.» Nós também! A questão é como fazer sabê-lo aos que não o sabem e a têm nas suas mãos!

Bom dia! há-de ser melhor que o de ontem...

No final do dia de ontem, tomei umas notas… e um sedativo forte. Foi um dia de(s)masiado!
Enquanto procurava trabalhar noutras coisas, pensar noutras vidas, até porque nada (ou pouco) me obrigava a sair desta secretária, fui apanhando, ali no canto da pequena televisão, com o Passos de Coelho a dar sempre a ideia que o passo é maior que a perna, o debate sobre o salário mínimo (ai! as barbaridades que lá se disseram… e sem lá estar alguém do governo), a Dona Alçada e seus secretários de Estado (porque será que os S.E. da Educação são sempre aqueles cromos inenarráveis?), o Silva Pereira com aquele ar insuportável a dizer que não-é-assim-que-se-faz, os comentadores muitos…
Há mesmo dias em que não se pode ficar em casa! Ainda bem que, hoje, vou sair já (para a Universidade Sénior…)
.
Consulto as notas que tomei a acompanhar o sedativo:

Estou a ouvir dois… economistas (na Sic-notícias, às 23 e qualquer coisa)!
Não sei se recuperarei!
Tomo umas notas, vou tomar um sedativo forte, vou ler um bocado… amanhã verei.
“Em Portugal não há manifestações!”, diz um… e eu fico parvo a olhar para ele. E, bi-polar, tem todo um discurso rasteiro a alimentar aquela ideia de que a vinda do FMI até seria boa porque e porque... o que as pessoas que ouvem e traduzem – acolhendo bem – com o aspecto positivo de que, ao menos, já que é preciso cortar, cortavam a direito, nos automóveis, e seria uma razia nos motoristas (esta foi da dra. Paula do PSD em salão com a arq. Helena Roseta) e os “boys” iam à vida... Oh! que ilusões...
O outro, o convidado – que apenas analisava a situação como técnico - parecia uma enguia a esquivar-se ao ético, ao moral, ao social, mas era peremptório na idiossincrasia que afirmava ser a dos portuguesinhos sempre todos virados para a fatalidade (é o fado!).
Depois, o “economista convidado”, o da idiossincrasia e que sabe muito da horta ignorando que há outros quintais, ou tendo decidido que deixou de poder haver quando caiu um certo muro, foi substituído por um “partner” da Delloite, e parece que o destino profissional destes está assegurado com tanta confusão, diria caos, que se está instalando a exigir estudos, pareceres, “portas de saída” para quem as puder pagar agravando a situação de quem não tiver recursos para isso.
Como é que se aguenta isto? “Onde é que isto vai parar, senhor primeiro ministro”, perguntava, há dias, Jerónimo de Sousa.
Para já, uma Greve Geral!

quarta-feira, outubro 20, 2010

Ex-citações

  • Adriano Moreira, num debate – ou foi num artigo de opinião? –, disse, há uns tempos, que vivemos numa verdadeira teologia do mercado.

E eu que até sou ateu!

  • Rimbaud falou do pobre turista ingénuo que, indiferente aos horrores económicos, tremia à passagem de cavalgadas e hordas.

Turista não sou, ingénuo já deixei de ser, em nada me são indiferentes os horrores económicos.

  • Viviane Forrester, que deu a um livro seu o título de O Horror Económico, perguntava se deixará de ser útil a vida do que não dá lucro aos lucros.
Não se pode aceitar que não haja critérios diferentes para o que é diferente e, por vezes antagónico: o interesse público e o interesse privado.

O salário mínimo

Era um acordo assinado para 2011? Era! Então?
Então... assim se vê o que valem os compromissos quando são a favor dos trabalhadores:
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Lisboa, 20 out (Lusa)
-- A Assembleia da República aprovou hoje um projeto de resolução apresentado pelo PCP, recomendando ao Governo para que o salário mínimo nacional (SMN) seja fixado em 500 euros em 2011.
A recomendação (sem valor de lei) foi aprovada,
num debate em que o Governo esteve ausente, com a abstenção do PS, PSD e CDS-PP e os votos favoráveis do PCP, BE e PEV.
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ISSO DE SER anti-comunista...

Isso de ser anti-comunista tem gradações.
Há quem o seja sem o saber e que, até, se soubesse que o era, deixava de o ser. Há os viscerais, isto é, anti-comunistas com as vísceras, espumando e cheirando mal de tanto o serem, como um tal Alberto João do jardim da Madeira e um deputado espanhol do PP de lá. Entre estes graus, muitos há.
Este é o lado subjectivo.
No que respeita à objectividade (e perigosidade) do anti-comunismo, e o que leva a que ele seja promovido por todas as formas forjando subjectividades através de enormes campanhas de desinformação e deformação, bastaria escrever luta de classes. É que os comunistas, esses cidadãos iguais aos outros, não podem ser vistos como iguais aos outros, não deveriam ter os mesmos direitos, e não podem ou não deveriam porque lutam, coerentemente com a sua base teórica-ideológica, por uma outra sociedade, e para isso fazem a luta de classes – que existe porque há classes e antagónicas – do lado da classe de que querem ser vanguarda e que a outra explora.

Eis o helicoidal:


“Se a minha avó não tivesse morrido…” (provisório)

Ando há tempos à procura de uma frase que, melhor que esta, traduza a ideia do género se não tivesse sido como foi, como é que seria hoje…
Como não encontrei melhor (ainda!), vou recorrendo, com frequência, a esta “se a minha avó não tivesse morrido, ainda estaria viva!”
Melhor diria que é a frase que mais se aproxima do que traduz a reacção de alguns interlocutores quando lhes falo de tempos idos e de decisões então tomadas.
Quando, por exemplo, conto do Plano de Médio Prazo 1976-80 que jaz numa das mais fundas gavetas das secretárias do gabinete do 1º Ministro do 1º Governo Constitucional, secretáriasa onde se escreveram e bateram à máquina, depois, cartas de intenções ao FMI para este vir “sanear as finanças”. Há três décadas!
Quando, por exemplo, conto da criação do €uro (e da instalação de um Banco Central Europeu) e nos foi dito que ele abrir caminhos de estabilidade e de prosperidade,
Pela nossa parte, afirmámos que não seria assim, que não era fatal, que havia alternativas (políticas e mesmo técnicas dentro da mesma política contra a qual continuaríamos a lutar), mas o rolo compressor do capital financeiro avançou, apesar de toda a resistência. E o que é facto é hoje não é como foi dito que iria ser... Bem longe disso!
Mas quando, hoje, se quer falar disso, lembrar as previsões e as prevenções – e as alternativas de então –, traz-se logo, ensurdecedoramente, a lembrança da avó que já morreu. Quando não é da Coreia do Norte, de Cuba ou (timidamente, cá por coisas…) da China e do Prémio Nobel da Paz.
Por agora, só digo que tenho mesmo pena que a(s) minha(s) avó(s) não esteja(m) ainda viva(s)!

Só truques!

Isto é um cenário (ou uma cena!):
O PS apresenta PECs e OEs à medida dos mandantes do capital financeiro, querendo mostrar que resiste quanto pode e que só os apresenta assim, com estas medidas, porque é inevitável e que o faz com um aperto no coração e perda de sono;
o PSD (com a alcunha de “partido da oposição”), depois de mostrar que deseja e sabe dançar o tango (ou que dança for), afirma-se da oposição, faz imenso barulho - as discussões aparentemente azedam-se, e tanto que é notório que houve excessos, ofensas, ameaças, ultimatos -; como “oposição”, o PSD ameaça não viabilizar o que acabará por viabilizar, mas vangloriando-se de qualquer euro a menos que, na discussão da AR, os impostos propostos pelo PS possam vir a baixar… graças à sua "firme posição"!

terça-feira, outubro 19, 2010

ISTO DE SER comunista...

Isto de ser comunista é lixado.
E a atitude em relação aos comunistas, ou aos que é suposto serem-no, é muito interessante (quer-se dezer…). Aquele ou aquela que outros etiquetam de comunista, com acerto ou não, deixou de ser outra coisa ou passou a ser outra coisa porque.
Se lhe descobrem (ou inventam) defeitos, e pior que defeitos, logo se diz pois, é comunista!
Mas se se lhe não podem negar qualidades – ser bom profissional, ser bom chefe de família, ser bom rapaz (ou boa senhora) –, o reconhecimento incalável dessas qualidades tem de ser acompanhado de um de dois, ou dos dois, indispensáveis complementos: … apesar de ser comunista ou … apesar de eu estar em desacordo com as suas ideias (e com a Coreia do Norte, ou China, ou Cuba).

Traduções "à maneira" - 1

(…) Não se está longe de pensar que há uma religião da moeda, só acessível a iniciados. Daí a acreditar-se que a economia é assunto apenas para “expertos” vai um pequeno passo. Um passo tecnocrático que também tem adeptos entre alguns que se reclamam de esquerda. E a versão mais divulgada, e que melhor desarma o auditor inocente, é a de afirmar que a gestão da economia é apenas uma questão de crédito e de moeda.

- Se há experiência que contradiz tais ilusões ela é bem a "experiência Wilson" (Wilson foi o primeiro-ministro de governo trabalhista no Reino Unido que protagonizou a desvalorização da libra em Novembro de 1967). Seja dito, aqui entre nós, que o que não faltava ao governo Wilson eram técnicos da moeda e do crédito... e Wilson falhou. Porque uma “política de esquerda” não é só assunto para “técnicos astuciosos”, é - antes de tudo! - uma questão de escolhas económicas e sociais. De escolhas de esquerda, de que o governo trabalhista se evadiu quando era tempo de as tomar!



(de Pour comprendre les crises monétaires,

Jacques Kahn,

éditions sociales, 1969)

3 notas - esta é a 3ª

2. No seu percurso histórico, o capitalismo, depois de um arranque de crescimento e dinamismo, como é próprio da vida, qual ela seja, em que se desenvolveram as forças produtivas e a classe operária, começaram as surgir problemas, houve tropeços nas contradições, tiveram de ser dados passos atrás.
Tudo passou a ser muito mais complicado quando, a cada passo atrás que o capitalismo teve de dar por suas dificuldades ou por imposição da luta de classes, fincou o pé no chão, e o passo atrás ficou assente e apenas com a “saída” de andar… para trás. Ou de marcha atrás, ou virando as costas ao futuro.
Não se está a pretender fazer História, nem nada parecido com isso!, estão apenas a passar-se apontamentos a limpo, em que se detectam sentidos de movimentos muito complexos mas com vectores identificáveis. Aliás, há que insistir que, nos avanços e recuos da História, podem os sistemas – modos de produção e formações sociais – parar, recuar, retomar caminhos mas nada se repete e o movimento da História no seu todo é, para arranjar uma imagem, helicoidal.
Dando um salto para a frente, ou para dentro do nosso tempo tão limitado e que está a ser intensamente vivido agora e aqui, este Orçamento de Estado é um passo atrás, como o foi o PEC III, e o PEC II, e o PEC I. E agora o dilema que se quer impor é este: ou o orçamento ou o caos!
A actuação dos mandantes do poder, as suas pressões, com excursões de poder financeiro fardado de banqueiros, se despudorada, tem a virtude de ser reveladora de quem manda em quem. Os mercados, essa entidade esotérica ou eso(his)térica dá ordens aos executores que estes, cheios das suas manigâncias e cont(h)abilidades a que… eleitor oblige, executam.

3 notas - esta é a 2ª

1. Que estamos em crise, é dispensável dizê-lo. Aliás, há quem diga (e incluo-me!) que vivemos em crise porque vivemos em capitalismo e, historicamente, o capitalismo vive engendrando crise, está-lhe nos genes, como modo de produção, e como formação social porque tem uma super-estrutura correspondente. Embora todas as correspondências sejam como nos antigos selos (ainda se usam): pegadas com cuspo.
Nestes seus poucos anos de vida – é tão jovem o capitalismo!... só dois séculozinhos mais uns trocos em lustros ou décadas –, tem conseguido disfarçar razoavelmente e, às vezes, bem. Um tombo aqui, um Keynes ali, umas guerras por além, ou também locais - e por isso chamadas mundiais -, uma “guerra (que se serviu) fria” e em que mostrou artes de sobrevivência face ao perigo que chegou a espreitar.
O que, nesta hora, é de relevar é a dimensão da crise, a sua intensidade e gravidade. O excesso de monetarização da economia virou esta de pantanas. A exploração do trabalho, maneira natural de acumular dinheiro, foi-se arredondando com outras maneiras de o acumular sem se ter de produzir, repartindo e ampliando artificialmente o resultado da exploração. Está a “dar bota” porque a mais-valia criada e acaparada não dá para tudo. E a "bota" é cada vez mais difícil de descalçar porque o circuito monetário, as finanças, começaram a funcionar autonomamente, não ao serviço da economia que resulta do trabalho (vivo e cristalizado) e do que este produz, mas colocando-a, progressivamente, ao serviço da concentração e centralização do dinheiro, até a dispensando cada vez mais dessa função porque encontrou artifícios de acumular sem produzir nem trocar.
O que só adia, não tem saída, e a desorientação é enorme. Difícil de esconder!

segunda-feira, outubro 18, 2010

Lembrando declaração de voto sobre (e contra!) o €uro

Actas do Parlamento Europeu:
«SESSÃO DE SÁBADO, 2 DE MAIO DE 1998
4. Moeda única
Declarações de voto
Ribeiro (GUE/NGL). – Senhora Presidente, os deputados do Partido Comunista Português, com a solenidade que a ocasião exigiria, mas que a euforia para impressionar a opinião pública não permite, declaram que:
- o seu voto é a expressão coerente de uma posição contra este projecto, o modo como foi conduzido e os interesses que serve. Não é um voto contra a estabilidade de preços, o equilíbrio orçamental, ou o controlo de dívidas, mecanismos e instrumentos. É, sim, um voto contra a sua utilização para impor estratégias que concentram riqueza, agravam desemprego, agudizam assimetrias e desigualdades, criam maior e nova pobreza e exclusão social, diminuem a soberania nacional e aumentam défices democráticos;
- é também um voto contra a formação do núcleo duro para a Comissão Executiva do BCE, privilegiando zonas geográfico-monetárias e partilhando influência entre grandes famílias partidárias, numa evidente polarização do poder na instituição que condicionará todas as políticas dos Estados-Membros;
- após este passo, continuarão a combater os já reais e os previsíveis malefícios do projecto que integram os mecanismos e instrumentos criados. Procurarão, do mesmo modo, contribuir para que sejam potenciadas as suas virtualidades;
- lamentam, por último, que o Parlamento tenha perdido a oportunidade para se credibilizar como instituição democrática, por ter cedido à pompa e circunstância de um ritual de homologação ou de confirmação do que lhe foi apresentado.»*
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*- Em confronto, por me parecer muito significativa a vários títulos, transcrevo, também das actas, a declaração de voto dos deputados do Partido Socialista:
«Marinho, Torres Couto, Apolinário, Barros Moura, Campos, Candal, Correia, Torres Marques, Lage, Moniz (PSE), por escrito. – O euro entrará em vigor em 1 de Janeiro de 1999. É uma certeza que desmente categoricamente os vaticínios negativos que muitos faziam.
Portugal, contrariamente às previsões daqueles que não apostavam um cêntimo nas suas possibilidades, venceu, brilhantemente, todos os exames e está na primeira fila dos países fundadores, participando com orgulho neste momento, verdadeiramente crucial da história da Europa, que assim dá sinais de não querer envelhecer e declinar. Ao contrário também daqueles que arrogantemente garantiam a pés juntos que para atingir o euro seria necessário sacrificar os interesses imediatos dos cidadãos e, ao mesmo tempo, previam uma crise da produção nacional. Portugal desmentiu, nesta recta final do euro, todas as teorias académicas e ideias adquiridas: o crescimento económico do país acelerou, o nível de vida dos portugueses melhorou e a capacidade de exportar aumentou.
Tudo isto foi conseguido porque a grande maioria dos portugueses se sentem identificados com este grande projecto, porque trabalhadores e empresários souberam aproveitar a conjuntura favorável e porque, é justo dizê-lo, o Governo socialista soube combinar habilmente a expansão da procura interna com o investimento público e apostou na iniciativa privada, dinamizada pela baixa da taxa de juro. Tudo isto realizado num clima de tranquilidade social e de solidariedade de que a introdução do rendimento mínimo garantido foi o símbolo maior.
Não se pode dizer que não haverá problemas ou dificuldades. Todavia, tal como o país mostrou ser capaz de realizar as «performances» inesperadas que realizou, também será capaz de, com o mesmo espírito e dinamismo, aproveitar as oportunidades que tem à sua frente e aproximar-se mais depressa dos níveis médios de riqueza e das exigências de competitividade dos nossos parceiros do euro, com os quais encetamos esta caminhada inédita na história contemporânea. Caminho esse que não dispensa, antes exige, uma intensificação da dimensão política e social da integração europeia. A Europa política tem agora a palavra, o funcionamento democrático da União Europeia e o envolvimento dos cidadãos têm a prioridade.
Nós, que desde sempre nos batemos e sonhámos com este momento, temendo quantas vezes em silêncio que não nos pertencesse a alegria da chegada, sabemos reconhecer quem nos indicou o caminho e quem o tornou possível. Vivemos um acontecimento singular da história da Europa, um princípio e não um fim, e estamos conscientes que nesta nova etapa do projecto europeu, esta instituição, será chamada a uma maior intervenção nos destinos da Europa.»

3 notas - esta é a 1ª (as outras serão maiores...)

A. O que nos está a acontecer é verdadeiramente patético.
Quem aparentemente detém o poder por via das eleições – vivemos em democracia, porra! – avança com medidas fatais como o destino, empacotadas em programas sucessivos e orçamentos, e nem mesmo esse aparente poder (porque pode avançar com medidas) esconde o que toda a gente sabe: que elas não vão dar o resultado que é anunciado e que justifica a sua fatalidade!

Discutir o €uro?!!!!

... já que não discutiram a entrada!
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Mas jamais, evidentemente, com quem a discutiu e, fundamentadamente, a partir de critérios marxistas, mas - também! - no que se poderiam considerar meras previsões (claro que decorrentes dos referidos critérios).

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... e vou procurar a declaração de voto
dos deputados do Partido Comunista Português
no Parlamento Europeu,
no dia 2 de Maio de 1998,
para colocar numa outra mensagem.
Talvez ainda hoje...