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sexta-feira, janeiro 15, 2016
domingo, janeiro 10, 2016
sábado, janeiro 09, 2016
Se alguém mentiu, quem mentiu?
Notas de um/para um diário:
(...)
O
outro mail, do ..., chamando-me a atenção para um “post” Porque mentes
tu, Edgar?, num blog r/c esquerdo, que é… nauseabundo.
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Porque
pega num episódio uma sem importância de maior, e faz dele um caso… “pulítico”.
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Reconstitua-se: num debate mais ou menos equilibrado
– embora com alguma latente tensão –, Marisa Matias começou por ilustrar
diferenças em relação à candidatura do Edgar, habilidosamente (ardilosamente…)
colando-o à aprovação do orçamento rectificativo, o que levou Edgar a, com
urbanidade mas com contida irritação, a esclarecer a sua posição.
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À
luz da Constituição, Edgar explicou que, com a maioria concreta (PS/PSD,
evidentemente casuística) da AdaR que aprovara o documento, o que PdaR teria a fazer
seria devolver o documento – o que corresponderia a uma rejeição política – e,
no caso da mesma maioria se manter apesar dessa sua rejeição, ao PdaR só lhe
restaria 1) rejeitá-lo, o que implicaria 1.i) a dissolução da
Assembleia da República ou 1.ii) a sua própria demissão, ou 2) aprová-lo
institucionalmente, apesar da sua posição política negativa e declaração, e apenas por se
tratar de uma emergência.
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Tudo
estudado, no caso presente do orçamento rectificativo optaria pela aceitação "à segunda", o que seria discutível… mas
justificado.
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Passado
o primeiro incidente, este, em que se confrontou uma posição demagógica e sem
base na Constituição e aplicação concreta enquanto putativa/o PdaR e uma posição de
um outro candidato a cumprir e a fazer cumprir a CdaRP, o debate continuou sem que a
tensão tivesse naturalmente diminuído, mas mantendo-se cordato.
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Até
que o moderador pôs a questão (daquele dia…) dos ensaios nucleares na Coreia do
Norte… ao Edgar, claro, a que ele respondeu, claramente, dizendo que, sempre no
respeito da Constituição, o PdaR deveria defender a paz e o desarmamento e condenar o seu contrário – como ensaios nucleares – viesse de onde viesse e, embora
esta seja a minha “crónica”, referiu os E.U.A., o Irão, a Coreia do Norte.
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Resposta dada? Qual o quê, como canta (tão bem, e
sempre oportuno) o Xico!
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O
que, inopinadamente (?!), para o que o moderador queria uma resposta, era se o Edgar achava se a
Coreia do Norte era uma democracia ou uma ditadura, e perguntou-o sic.
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Ao
que o Edgar respondeu que o PdaR – lugar a que se candidata – tem, enquanto tal,
de se relacionar com todos os Estados, independentemente da sua opinião pessoal
sobre a forma de organização de cada um deles, mas não deixou de dizer, de
passagem, que não achava que a Coreia do Norte privilegiasse a democracia.
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Marisa
Matias aproveitou a oportunidade para afirmar a sua opinião sobre a Coreia do
Norte, definitiva e decerto bem informada, à margem da questão inicial do
moderador (?), embora incluísse Israel entre os fautores de ensaios e amamento
nucleares, referência que Edgar não fizera e… veio por bem.
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Interveio
Edgar, sobre o tema, marcando a diferença sobre um voto de Marisa no Parlamento
Europeu, em que teria sido incoerente ao votar a favor uma resolução que abriria espaço, segundo legítimas interpretações, à ingerência e invasão da Líbia em
2011, a coberto da defesa dos direitos humanos.
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Que
foi ele fazer? Com alguma crispação, Marisa Matias disse que era mentira e mandou que se lessem as
actas, o que veio a desencadear um recrudescimento de campanha contra Edgar, que atingiu
raias do insulto (Porque mentes tu, Edgar?, por exemplo).
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Gostaria de ser capaz de acalmar as hostes: vistos
os actos e as actas,
- havia, numa proposta de resolução, um ponto 10 que, pela sua gravidade – por abrir as vias para a agressão militar –, alguns deputados, entre eles Marisa, pediram votação separada e votaram contra;
- não tendo sido rejeitado tal ponto, e ficando incluído no conjunto da resolução. Marisa votou-o positivamente,
- isto é, votou sim (+) o que, antes e em separado, votara não (–);
- terá tido as suas razões, como houve quem tivesse, por razões suas, considerado dever votar não (–) o conjunto em que se incluía o que antes votara não (–).
&-----&-----&
Se
alguém mentiu, quem mentiu?
(...)
quinta-feira, janeiro 07, 2016
Nem me atrevo a chamar-lhe o que me apetece
O sr. Henrique Monteiro ultrapassou-se. E conseguiu, até, ultrapassar - como é que é possível?! - um cavalheiro que s'assina Vasco Pulido Valente.
Na sua última krónica, de hoje, que acabo de ler, HM excedeu-se. O título dela é, logo, convidativo: O pior dos candidatos - Edgar Silva. Depois, o texto abaixo de título é abaixo de tudo. Um vómito.
Seria natural que Edgar destoasse neste painel de candidatos. Que dele se discordasse, se estivesse do outro lado das suas opções de vida e luta, que fosse agredido ou mesmo ignorado... agora aquilo! É uma vergonha. Inaceitável! De que estatuto se arroga um ser humano para atacar - assim! - um outro que, no mínimo dos mínimos, merece respeito.
Com pretexto no que poderia um debate sério sobre conceitos como o de democracia, sobre realidades insuficientemente conhecidas e largamente usadas com tanta leviandade. Sobre a Coreia do Norte que se tornou na instituída personificação do Mal, da medieval ou nazi estrela amarela que se impõe na lapela do OUTRO!
Ainda com a mesma arrogante a arte e a manha de se conceder autoridade para, por contraste, atribuir distinção e louvor a Marisa Matias, que, nesse mesmo debate, teria nota bem negativa por ter dito ter votado uma decisão do PE ao contrário do que votou.
Mas... que estou eu a fazer? A escrever, indignado, sobre o que escreveu o sr. Henrique Monteiro? Paro já!
têm aí o mail...
Esclarecimento sobre questão no debate Edgar-Marisa
Recebemos este mail, que esclarece uma questão delicada, e se reproduz:
«No
debate de Marisa Matias com Edgar Silva levantou-se o problema do sentido de
voto daquela eurodeputada na resolução que abriu caminho à intervenção na
Líbia.
A
eurodeputada pôs termo ao diferendo com a recomendação de consulta da acta.
Consultando a acta,
afinal, vê-se que «Matias» votou a favor.
No Parlamento Europeu, em
março de 2011, foi votada uma resolução imediatamente entendida como o abrir
caminho para uma intervenção militar na Líbia (Resolução RC-B7-0169/2011,
de 10/03/2011).
Essa resolução, além do seu
evidente caráter geral de ingerência, continha um parágrafo decisivo (§ 10), aí
incluido para justificar, legitimar e promover a intervenção militar, inseparável,
como no Iraque, do objetivo do controlo do petróleo líbio.
O respetivo parágrafo, ao
solicitar aos Estados-membros e à Alta Representante da União
para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança a disponibilidade para
a consideração da imposição de uma zona de exclusão aérea (com a justificação
demagógica de impedir o regime de atacar a população civil), incentivou e
desencadeou a posterior intervenção militar, e a sua cobertura pelo
Conselho de Segurança das Nações Unidas, visto que, como todos perceberam, não
se poderia impor uma zona de exclusão aérea sem o intermédio de meios
militares.
Na verdade, a "zona de exclusão aérea" foi o
pretexto para a agressão militar, para os mísseis, a aviação e o
bloqueio naval dos EUA, França, Reino Unido, Canadá e da NATO, para o
bombardeamento de populações inocentes, o apoio às forças revoltosas, a
deposição do regime e a precipitação do país num caos infernal de que nunca
mais saíu, de guerra de facções armadas, fundamentalismos religiosos e
conflitos tribais, terrorismo e tráficos ilegais, perseguições e
generalizada violação dos direitos humanos, repressão dos direitos cívicos e
sociais, destruição da economia nacional e vagas massivas de refugiados que,
para sobreviver, fogem do país e da guerra, aportando nomeadamente à Europa.
O fatídico parágrafo foi tão polémico que foi previamente
votado à parte. A Marisa Matias, tal como os eurodeputados do PCP, votaram
contra. Mas a posição foi muito minoritária e o parágrafo não foi retirado da
resolução.
A resolução, com a inclusão do parágrafo crucial,
foi então submetida a votação final e aprovada com o voto favorável da Marisa
Matias, que nem sequer se absteve, e o coerente voto contra dos
eurodeputados do PCP.
A resolução final aprovada, com o parágrafo aí disposto para
abrir caminho à intervenção militar, contou inequivocamente com o voto
favorável (nem sequer a abstenção) da Marisa Matias. Ao contrário do que esta
afirmou e reiterou no debate televisivo com Edgar Silva, que tinha razão.
(cf. Resolução
RC-B7-0169/2011, de 10/03/2011, § 10:
resultado da votação na p. 6:
Obrigado, amigo
segunda-feira, janeiro 04, 2016
sábado, janeiro 02, 2016
«Precisamos agora de Marcelo Rebelo de Sousa...» AJJ, em 1997
Ao transcrever o capítulo do livro de Ribeiro Cardoso no "post" anterior, tropeçámos neste pedaço das páginas 425-6, que relemos e também nos parece muito oportuno:
Marcelo,
madeirense também (1997)
Pelo
segundo ano consecutivo, Jardim teve a companhia do líder nacional do partido,
Marcelo Rebelo de Sousa, que levou consigo Manuela Ferreira Leite, Nuno Morais
Sarmento, José Luís Arnaut e Carlos Horta e Costa. Todos se misturaram
alegremente com os dirigentes regionais do PSD, como Jaime Ramos e Carlos
Machadinho. Escreveu Mário Ramires:
«Na
hora das intervenções políticas, “e o Marco Paulo é logo a seguir aos discursos”
– como não se cansava de repetir o animador de serviço –, “autonomia total foi
a palavra de ordem do 1º orador, João Ramos (claro!). O homem prometia voltar a
reclamar “um país, dois sistemas” para Portugal e a Madeira, qual China com
Hong-Kong e Macau,
[…]
Jardim subiu ao palco. […] Botou discurso: contra o “poder socialista de Lisboa”,
contra o “regime corporativista tal como era no tempo de Salazar”, contra
aqueles que “têm rótulos de socialistas e estão feitos com os grandes
capitalistas”.
[…]
Precisamos agora de Marcelo Rebelo de Sousa para acabar com essa pouca vergonha.
[…] Marcelo retribuiu-lhe o mimo: “Alberto João Jardim conta com o meu apoio político
e pessoal agora e sempre.”
Marcelo
falou de autonomia e da “vitória” na revisão constitucional, com o fim de “todos
os poderes políticos importantes” dos ministros da República, e quebrou os
últimos “muros” quando qual Kennedy berlinense, disse: “Na vossa companhia,
sinto-me um madeirense também.” Seguiu-se Marco Paulo.» («Jardim
nas nuvens», Mário Ramires, Expresso, 02-08-97)
Leitura recomendável para o fim de semana
O “crime” do padre Edgar
(páginas 185 a 192 na 2ª ediçao)
No seio da Igreja da Madeira muitas vozes se têm levantado contra a subordinação/colagem dos bispos pós-Abril ao poder político em vigor -para profunda irritação das hierarquias eclesiástica e do partido no poder. Mas o caso do padre Edgar dá que pensar.
O pároco de Porto Santo, Bonifácio Santos, em entrevista ao DN-M em 6 de Setembro de 94, a propósito das acusações de que a Igreja está muito subordinada ao poder político, diz que a coisa é mais profunda:
“Não se trata de estar ligado ou não ao poder político. Há um problema, talvez maior, que é o domínio do poder político-partidário em relação a toda a vida da sociedade. Em termos desportivos, culturais e até económicos”.
Em 11 de Julho do mesmo ano, no mesmo jornal podia ler-se uma conversa com o padre José Pascoal, que afirmou sem hesitar que nas paróquias da Calheta, onde na altura exercia a sua actividade, havia “verdadeiramente sinais de miséria”. Falou da existência de alcoolismo e focos de analfabetismo. Sublinhou que os pobres eram esquecidos, que denunciar não é uma atitude partidária e defendeu que um padre não se deve meter em partidos mas pode, sim, ter uma atitude política.
E quando a jornalista – Teresa Florença – lhe perguntou como é que via o ‘rótulo’ de marxista atribuído a quem levanta a voz para falar dos problemas da população, respondeu
“Talvez seja mais fácil rotular as pessoas e ignorar os verdadeiros problemas. É mais fácil encontrar um bode expiatório, uma desculpa”.
Já em 2006, o padre José Luís Rodrigues, a exercer no Funchal, numa longa entrevista concedida ao semanário Tribuna da Madeira, intitulada “Ninguém pode atirar pedras à Igreja por estar ligada ao poder político”, criticou frontalmente o facto dos subsídios à Igreja a terem “atirado para um canto”. Mas, sublinhou, não é só à Igreja que parece acontecer situações destas: “A mais pequena associação e tasca desta terra estão aprisionadas porque senão perdem o subsídio ou existem represálias”.
Obrigado, padre Edgar. Tomadas de posição semelhantes – umas inidividuais, outras colectivas - têm-se verificado com regularidade ao longo dos últimos anos no seio da Igreja madeirense.
Voltemos a 1994. Nesse ano, em 20 de Outubro, o “DN-M” publicava uma desenvolvida notícia intitulada: “Oito padres escrevem em defesa de Edgar”.
O texto, assinado por H.C., contava a seguinte história :
“O padre Edgar Silva, num artigo publicado neste jornal, criticou recentemente a orientação da Igreja madeirense. Disse que a instituição, na Madeira, estava hipotecada, financeira e politicamente. O Gabinete de Informação da Diocese do Funchal respondeu que os escritos e as atitudes do padre Edgar devem ser vistos à luz de alguém que afirma ter pouca fé, o que o leva a perder o sentido religioso e sacerdotal."
As divergências, já antes observadas no meio eclesiástico da Região, não ficaram por aqui. Um grupo de oito padres, descontente com a posição do Paço Episcopal, fez chegar ao padre Edgar uma carta de agradecimento e apoio pelas atitudes assumidas.
Na missiva, os sacerdotes dizem: “Obrigado Padre Edgar por seres cristão. Por seres, antes de tudo, cristão. Por nos lembrares que a Fé não é um cortejo de devoções ou um ritualismo intimista. Por nos lembrares que a Fé não suporta o conformismo dos temerosos e a boa paz dos que se demitem”.
Trata-se de um documento indirectamente pouco brando para com as directrizes de D. Teodoro. As palavras de incentivo ao padre Edgar revelam claramente a aceitação de todas as observações do artigo assinado por aquele membro da Igreja madeirense.
A carta considera a exposição de Edgar como um forte apelo ético. Com considerações como esta: “Acreditamos que as tuas iniciativas e propostas de reflexão têm sido, ao longo destes anos, uma provocação cívica estimuladora e uma contribuição notável para a consciência daqueles direitos fundamentais da Pessoa Humana, tantas vezes ameaçados, na vida dos mais pobres”.
A solidariedade evidenciada pelos oito padres é ainda expressa por uma citação da Carta de S. Tiago - “Tu acreditas que o caminho para Deus é a Pessoa Humana e que ninguém pode amar o Deus que não se vê se não ama o Irmão que vê” (...)
Maior frescura eclesial. O padre Edgar já há muito andava nos jornais, dada a perseguição de que era alvo por parte dos poderes político e religioso. Um verdadeiro study case, o do padre Edgar - e uma das chaves para se perceber, conhecendo a sua história, a natureza ditatorial e persecutória do regime jardinista.
Vejamos, pois, o caso do padre Edgar - à luz do que foi sendo publicado na imprensa periódica da Madeira e do Continente.
Comecemos pela edição do DN-M do dia 8 de Julho de 1990, que dedicava um dossiê aos novos ventos que sopravam no seminário do Funchal.
Entre várias histórias, aparecia a do padre Edgar, que tinha sido ordenado um ano antes. Começava assim:
«Presentemente faz parte da equipa coordenadora do Seminário Diocesano do Funchal, é assistente de movimentos de acção católica, dirige um centro de reflexão cristã - ARCO – e trabalha com os miúdos da pedincha que vagueiam nas ruas desta cidade.
Não é um beato de sacristia e muito menos traja o colarinho e uma vestimenta a identificar a sua formação e missão eclesiásticas. É mais um dos tantos jovens que preferem os jeans, as práticas t-shirts, dando razão ao aforismo de que ‘o hábito não faz o monge’.
Deambula frequentemente pela cidade, promove conferências sobre temas de actualidade e, neste momento, está apostado em ajudar as crianças que pedem esmolas nas ruas do Funchal.
Entrou no Seminário com 16 anos e despertou para tal pela “via das questões sociais”, pois afirma ter sentido sempre “uma enorme inquietação perante o escândalo da pobreza e das desigualdades”..
Concluído o curso de Teologia, confessa que chegou a hesitar se deveria ou não ser padre. A dúvida residia em torno da questão ‘até que ponto tomar essa opção tão radical poderia constituir uma opção solidária contra a pobreza e as injustiças” (...).»
Uma história exemplar. Com estas ideias e este posicionamento, a hierarquia eclesiástica e o governo olharam de soslaio o novo padre que, ainda antes de ter sido ordenado, já leccionava desde 1987 no Seminário do Funchal, onde dera nas vistas pelos métodos seguidos e o arejamento provocado.
Assim, não causou grande surpresa que logo em 1991, o hoje desaparecido semanário O Jornal tivesse publicado uma matéria intitulada “O crime do padre Edgar”, com a seguinte chamada:
“Pressões cruzadas da hierarquia da Igreja e do poder político regional afastaram da Região o ‘amigo dos putos da pedincha’”.
O resto do texto explicava tudo: as ideias e as práticas do padre Edgar estavam a incomodar e assustar muita gente, quer dentro da Igreja, quer no próprio Governo. A energia do jovem padre e o sucesso das suas iniciativas – quer no ARCO - Espaço de Reflexão Cristã, quer no Seminário junto dos seminaristas, quer ainda na Escola Aberta frequentada pelos putos da pedincha que estavam a ser alfabetizados para transformar – podiam pôr em perigo o status quo.
Era preciso, pois, afastar o padre e dar ouvidos às pressões que grupos organizados de sacerdotes tradicionais faziam junto da hierarquia da Igreja, sem esquecer os recados que vinham do lado do Governo.
Por isso D. Teodoro convidou o padre Edgar a abandonar a Madeira para ir tirar um mestrado ao estrangeiro. O convite não foi aceite – mas pouco depois foi nomeado pela Conferência Episcopal Portuguesa para o cargo de Assistente Nacional do MCE -Movimento Católico de Estudantes, o que o levou para Lisboa.
Aí, durante um ano, por opção pessoal, viveu numa barraca no Bairro da Curraleira, “ao lado de dealers da coca e de heroína”, como escreveu Lilia Bernardes no DN de Lisboa .
Em 93, contudo, regressou à sua Madeira, agora como objector de consciência: recusou-se a fazer serviço militar, para cumprir o serviço cívico no trabalho com crianças de rua. Isto é, arranjou forma de voltar ao Movimento que ajudara a criar e que, inicialmente até teve o apoio do governo e da hierarquia da Igreja.
O seu regresso não foi bem visto por quem tinha o poder político e religioso. Mas o padre Edgar não era homem para desistir. Por exemplo: uma vez, ao fim do dia, viu um casal com duas crianças nas arcadas do Tribunal do Funchal preparando-se para se deitar e passar ali a noite a dormir ao relento. Abordou-os e o casal respondeu que não tinham para onde ir. Disse-lhes: sou padre católico e o meu dever é estar aqui convosco até o problema ser resolvido. E perguntou importam-se que vá buscar o meu saco-cama? Foi, voltou e ali dormiu com eles. Tolentino de Nóbrega, correspondente do Público, contou esta história – que teve grande destaque na imprensa e incomodou o poder.
Noutra vez, estava sentado numa esplanada a tomar café com os miúdos da pedincha. Tinham dinheiro para pagar – mas o dono daquele espaço, não gostando da presença daqueles putos que podiam afastar turistas, quis expulsá-los. O padre opôs-se e explicou que os miúdos tinham todo o direito a estar ali como qualquer outro cidadão. A polícia foi chamada e a cena repetiu-se. Com uma diferença: o padre foi preso e levado para a esquadra. Quando pediram a identificação a Edgar e perceberam que era padre, ficaram aflitos. Mas Edgar Silva não aceitou ir embora: quis saber qual tinha sido o seu crime.
Em Outubro de 93, regressado de Lisboa, foi preso novamente, agora na própria Sé. Mais uma vez, a pergunta sacramental: qual o crime? A resposta não tinha nada que saber: a polícia estava de novo a enxotar os putos das caixinhas (esmolas) que se encontravam no adro da Sé, local muito visitado por turistas. O padre Edgar interveio, questionando a legitimidade dos cívicos. “A observação foi tomada como interferência na missão dos agentes que, de imediato, detiveram o padre para identificação na esquadra e abertura do respectivo processo”- escreveu Tolentino de Nóbrega.
Por sua vez, a jornalista Isabel Stilwell, do DN de Lisboa, abordou a questão do seguinte modo:
“É assim na Madeira quando começa o dia. Varrem-se da rua padres edgares, pobres e outras poeiras que se podem introduzir nos olhos do turista. Mas não se julgue que isto de prender padres que falam aos pobres é uma ilegalidade ou um atentado aos princípios básicos do ser humano. Na Região Autónoma há um decreto-lei que proíbe mendigos e indigentes de frequentar certas ruas. Lá, já se imagina um sinal redondo com um maltrapilho pintado a encarnado à entrada de certas ruas (...)”
Escola fechada por ‘razões de Estado’. Regressemos ao texto “Igreja madeirense depende de Jardim” que, na sequência da prisão do padre Edgar no adro da Sé, Tolentino de Nóbrega escreveu no Público.
«Querem acabar com esta imagem que dizem ser prejudicial ao turismo, mas não tomam medidas de fundo para acabar com a pobreza. Estão contra estes miúdos pobres porque eles são diferentes, não dependem da caridade laica ou da caridade da Igreja, são ousados e atrevem-se a vir para as esplanadas onde estão os turistas e as outras pessoas a consumir. É por isso que a polícia os persegue” – diz Edgar, para quem o problema não se resolve com o seu internamento, pois a pobreza advém de “questões estruturais da sociedade, não é apenas o resultado de problemas individuais”».
«(...) Edgar assistiu desgostoso ao encerramento da Escola Aberta, frequentada pelos miúdos da rua. A decisão partiu do governo madeirense e vem na sequência da denúncia feita pelo MAC – Movimento do Apostolado das Crianças sobre alegados maus tratos infringidos pelos agentes da PSP às “crianças das caixinhas”».
O secretário regional da Educação invocou “razões de Estado” para, retirando os apoios atribuídos há três anos, encerrar a escola.
«“Razões de Estado? Não pomos em causa a segurança do país, não somos uma rede bombista. Somos um movimento da Igreja!”», responde Edgar Silva.
“(...) O sacerdote madeirense critica ainda Jardim por transformar a Madeira numa sociedade totalmente subsidiada, procurando subsidiar tudo e todos para criar uma multiplicação de dependências”.
Por isso, Edgar defende: “A Igreja deveria manifestar a sua total independência em relação ao poder político e até deveria recusar todos os apoios financeiros, como forma de evitar dependências. O próprio Concílio Vaticano II, na “Gaudiam et Spes” (documento sobre a Igreja no mundo actual) recomenda que a Igreja, quando essa independência não está suficientemente clarificada, deve recusar os apoios financeiros, mesmo aqueles a que legitimamente tem direito. Essa é uma das situações que se aplica nitidamente à Madeira, onde a Igreja está subsidiada e, portanto, dependente do poder político”.
Fidelidade aos mais pobres. Pois bem: passado este tempo todo, a Escola Aberta continua fechada. Os putos da pedincha, que todos os anos se renovam, continuam na rua. A pobreza de tanta gente naMadeira mantém-se. O silêncio de muita gente, também.
Edgar Silva já não é padre. Em 1997 comunicou ao Bispo do Funchal a sua desvinculação em relação ao exercício do ministério sacerdotal. Porém, não mudou uma vírgula aos seus princípios e convicções. Como escreveu Mónica Bello numa belíssima entrevista publicada em 1994 pela revista Grande Reportagem, mantém “uma fidelidade inabalável aos mais pobres”.
Em 1998 inscreveu-se no PCP, foi eleito sucessivamente para a Assembleia Legislativa e actualmente lidera localmente o partido.
Edgar Silva, com quem conversei longamente no Funchal, impressionou-me fortemente. Pelo carisma, serenidade, determinação, convicções sérias e consequentes. Conhece a realidade madeirense como poucos e não diz uma palavra a mais do que é preciso dizer - aos jornalistas como aos seus colegas deputados da Assembleia Regional.
Assisti a várias sessões do orgão legislativo da Madeira e vê-se, nele, a diferença: extremamente educado e seguro, não entra nunca na chicana. Não responde a provocações. Mantém o rumo, denuncia, propõe. Coloca o dedo na ferida, imperturbável, tantas vezes sob comentários alarves e arruaceiros dos representantes da maioria. Não será, seguramente, o único deputado a exibir tal dignidade – mas é, sem sombra de dúvida, aquele que o faz de forma mais segura e impressiva. Todos o respeitam - e mesmo aqueles que aparentemente não o fazem, olham-no de baixo para cima.
Uma (pequena) amostra do que é escondido
Confiança em Leiria e em Beja
Candidatura aberta a todos
os democratas
os democratas
Na segunda-feira, 28, Edgar Silva regressou ao
distrito de Leiria, tendo visitado os concelhos de Caldas da Rainha, Bombarral e
Alcobaça. No dia anterior, participou num almoço em Aljustrel e num encontro em
Castro Verde, no distrito de Beja.
Edgar Silva, candidato às Presidência da República
deslocou-se, na segunda-feira à tarde, à Associação Humanitária dos Bombeiros
Voluntários de Caldas da Rainha, à porta de cujas instalações
era aguardado por um grupo de apoiantes da candidatura e alguns dirigentes da
associação.
No auditório, o candidato reuniu-se com o presidente e
vice-presidente da associação, e com o comandante da corporação, tendo exaltado
o papel dos Bombeiros Voluntários pelo «serviço determinante que prestam às
populações» e pelo seu «inestimável impacto social». Em simultâneo, denunciou o
facto de a protecção das vidas, a prestação de socorro e cuidados de saúde
passarem para segundo plano, quando cerca de 4 mil milhões de euros são postos
ao serviço dos interesses do grande capital.
Para uma candidatura que
privilegia o contacto com as populações, o encontro serviu para aprofundar o
conhecimento da realidade nacional, tendo sido abordadas questões relacionadas
com os apoios, equipamentos, valências e investimentos da instituição. O
encontro culminou com uma visita às instalações e com o candidato a reafirmar o
compromisso de, «em todos os espaços, intervir no sentido de salvaguardar o
interesse público, consagrado na Constituição da República Portuguesa» (CRP),
acrescentando que «já chega de agir contra o povo, à revelia da
CRP».
Valores de
Abril
No Bombarral, Edgar Silva foi recebido
com entusiasmo por cerca de uma centena de apoiantes, reunidos no Sport Clube
Bombarralense. Ao Cozido à Portuguesa seguiu-se o momento de intervenção
política, com o candidato a afirmar que esta é «uma candidatura assente nos
valores de Abril, assente na CRP – ela é a nossa base programática». Esta é «uma
candidatura ao lado do povo e dos trabalhadores do nosso País», disse, antes de
rematar: «Esta é a candidatura apoiada pelo Partido Comunista Português, mas
aberta a todos os democratas, homens e mulheres com sede de
justiça».
A Constituição e o papel do
PR
Edgar Silva foi recebido no auditório do Cine-Teatro de
Alcobaça ao som da dupla Carlos Vicente e Tozé Oliveira. Ali,
teve lugar um debate sobre a CRP e o papel do Presidente da República (PR), que
se prolongou pela noite dentro e no decorrer do qual o candidato destacou que «o
PR deve assumir-se como o mais fiel opositor a qualquer medida que ponha em
causa os interesses do povo e os valores da CRP».
Para além de responder ao
conjunto de questões levantadas pela plateia, Edgar Silva partilhou com os
presentes algumas das experiências dos últimos dois meses no terreno, aquilo que
definiu como «uma reflexão conjunta». Neste contexto, afirmou: «temos percorrido
o País de lés a lés e não nos cruzámos com vivalma», numa referência clara às
restantes candidaturas à Presidência da República. E prosseguiu tecendo críticas
ao candidato da direita: «Marcelo Rebelo de Sousa parece querer desvincular-se
do facto de ser o candidato da direita, como se não tivesse sido presidente do
PSD, deputado e autarca daquele partido. Tenta fazer crer aos portugueses que é
o mais crítico dos críticos a Cavaco Silva, quando, na verdade, sempre foi o seu
fiel escudeiro», disse.
Houve ainda espaço para uma breve caracterização das
restantes candidaturas e para levar o público atento ao mais caloroso aplauso,
quando afirmou: «a minha candidatura é despudoradamente patriótica e de
esquerda».
Banif: um crime
contra Portugal
A questão do Banif centrou as acções de campanha de
Edgar Silva, este domingo, 27, no distrito de Beja. «Estamos perante um crime
económico que está a lesar o Estado português, e que está a lesar as mulheres e
os homens de Portugal que vivem da força do seu trabalho. Trata-se de um crime
económico que tem responsáveis», afirmou o candidato apoiado pelo PCP, que
acrescentou que «só através de um controlo público da banca e das regras de
funcionamento se consegue garantir que, em primeiro lugar, os interesses
económicos sirvam o interesse nacional».
Em Aljustrel, perante cerca de 200
pessoas, num almoço que teve lugar no salão dos Bombeiros, o candidato comentou
as decisões do actual Governo sobre a questão do Banif, referindo que a sua
candidatura à Presidência da República, «vinculada aos valores de Abril,
vinculada à CRP, foi a única a demarcar-se destas políticas». «Nós, na defesa do
povo e dos trabalhadores de Portugal, dissemos claramente: estamos perante um
crime económico. Um crime contra Portugal. Um crime que atenta contra os
interesses soberanos da independência e contra os direitos do povo e dos
trabalhadores, um crime que atenta contra o superior interesse nacional, contra
o interesse público e contra o bem público».
Em Castro Verde, no Café Sétima Arte,
onde decorreu um encontro mais informal com apoiantes da candidatura, Edgar
Silva referiu que «em relação a este desregrado funcionamento da banca, a CRP é
clara: é o poder político que controla o poder económico e não o contrário.
Portugal não tem de estar ao sabor dos agiotas, Portugal não tem de estar nas
mãos dos especuladores ao serviço dos interesses dos grandes banqueiros,
enquanto lhes serve a ganância. Portugal tem de ser um País independente e
soberano, e não subjugado aos grandes especuladores».
quinta-feira, dezembro 31, 2015
Declaração formal
Eu, ortodoxo confesso,
militante com o nº 88058 (já tive outros...) do PCP,
declaro que,
em toda a independência (de espírito, económica ou outra),
propus, apoio e apoiarei até às urnas (e as vezes necessárias)
o candidato a Presidente da República Portuguesa
e que, pelo que conheço dele como cidadão e camarada,
lamento que o verdadeiro boicote feito à sua candidatura
impeça que todos possam ser devidamente informados
de quem é este homem que aceitou ser candidato a PdaR
militante com o nº 88058 (já tive outros...) do PCP,
declaro que,
em toda a independência (de espírito, económica ou outra),
propus, apoio e apoiarei até às urnas (e as vezes necessárias)
o candidato a Presidente da República Portuguesa
e que, pelo que conheço dele como cidadão e camarada,
lamento que o verdadeiro boicote feito à sua candidatura
impeça que todos possam ser devidamente informados
de quem é este homem que aceitou ser candidato a PdaR
AGENDA
O que será desvalorizado ou até vergonhosamente ignorado:
Presidenciais 2016
Edgar Silva
Edgar Silva
Terça-feira, 5
Almada
Arsenal do Alfeite
11h30
Visita e contacto com trabalhadores
Quarta-feira, 6
Lisboa
TAP
11h00
Visita e contacto com trabalhadores
Quinta-feira, 7
Elvas
11h00
Contacto com comerciantes do Centro Histórico
(início Praça 25 de Abril)
Grândola
17h00
Contacto com a população
(início Praça D. Jorge)
Santiago do Cacém
21h00
Comício
Auditório António Chainho
domingo, dezembro 27, 2015
Ex-citações
São coisas que muito gostaria de ter sido eu a fazer (e de sei que não foi apenas por ter chegado tarde... e já estarem feitas, que não as fiz).
Etiquetas:
Edgar,
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presidenciais
sexta-feira, dezembro 25, 2015
domingo, dezembro 20, 2015
O homem justo e certo
Como seria bom, para todos nós, que este vídeo entrasse nas casas de todos os portugueses, assim como todos os vídeos com o idêntico objectivo de nos apresentar os/as candidatas/os para uma escolha informada e não manipulada de quem eleger como Presidente da República.
Como seria bom, para todos nós, que vivessemos um tempo em que a liberdade e a democracia não fossem condicionadas pelo poder dos cifrões de alguns!
Para isso temos de lutar, seguindo o exemplo deste homem justo, igual a todos porque tem, dentro de si, o mesmo de cada um, e porque tem, também, o que o faz diferente é único, pelo caminho percorrido até ser este o homem certo para a tarefa de ser Presidente da República Portuguesa, que tem uma Constituição para cumprir os valores de Abril.
quarta-feira, dezembro 09, 2015
terça-feira, dezembro 08, 2015
Presidenciais
Começam a mexer as presidenciais. Ontem, Edgar Silva foi o segundo (depois de Paulo Morais) a formalizar a candidatura.
Ou seja, hoje há 2-candidatos-2, embora para a comunicação pareça que tudo isto é tempo perdido porque trata um candidato como se fosse o único e os outros meros acessórios para emprestarem democraticidade ao acto de 24 de Janeiro.
Depois, entre as candidaturas acessórias, há uma que é, como de costume (vinda de onde vem), mais acessória que as outras. Veja-se um exemplo, no Público de hoje:
Isto na página 8, transbordando foto e matéria deste candidato que ainda não formalizou a candidatura para a página 9, onde há também notícias sobre outras candidaturas (as "acessórias de primeira" e fotos para as do sexo feminino).
Pois vamos recuperar a notícia (ou o que o deveria ser) sobre o candidato Edgar Silva, que formalizou a sua candidatura entregando 15 mil assinaturas de proponentes (o máximo!) no Tribunal Constitucional, notícia que foi remetida para o canto inferior direito da página par.
sábado, novembro 28, 2015
A entrevista de Edgar Silva à TVI24 horas
Vale mesmo a pena "ouver", clique sobre
#edgarsilva
#presidenciais2016
desça dois ou três "degraus"
e "ouverá" toda a entrevista!
#edgarsilva
#presidenciais2016
desça dois ou três "degraus"
e "ouverá" toda a entrevista!
quinta-feira, novembro 26, 2015
Todo o voto em Edgar Silva será útil!
Extractos de uma espécie de diário:
26.11.2015
Comece então com o dia de ontem, que tendo lembranças negras
teve momentos a merecerem registo, e alguns muito positivos.
&-----&-----&
(...)
A
ida a Torres Novas foi… interessante.
&-----&-----&
(...)
A
intervenção inicial do Edgar Silva foi muito boa, pedagógica sob o tema/lema AFIRMAR
OS VALORES DE ABRIL-Cumprir a Constituição, mas sobretudo me agradou
a segunda, em que esclareceu uma questão que lhe foi colocada no meio das
participações no debate (algumas no habitual, e por vezes irritante, desfile de
intervenções preparadas ou meramente tarefeiras, e que nada têm a ver com debate).
&-----&-----&
Edgar
esclareceu que não houve nenhum clique que o tivesse levado a mudar de “padre
católico a comunista e democrata” (sic na proposição da questão), mas sim
que tinha sido uma evolução de um ser humano nas suas características inatas e
nas suas circunstâncias.
&-----&-----&
E
fê-lo de uma forma exemplar, nada auto-biográfica embora sendo a sua
evolução pessoal, dos inícios do seu olhar à volta e da sua nascente vontade de ajudar os
pobres, a sua primeira vocação missionária, a descoberta dos limites da ajuda dos “de
bom coração” que têm o seu pobrezinho privativo, porque os pobres se mantém na pobreza enquanto os bondosos vão aumentado a sua
riqueza, a passagem pela tomada de consciência social e, depois, ao patamar da
consciência política, que leva a procurar a luta colectiva, a tomar partido, o combate contra as causas da pobreza.
&-----&-----&
Não com roturas, não como percurso que nega ou recusa convicções
e passos anteriores mas, sim, como percurso que nessas convicções e passos nasce e continuam acompanhando o caminho a fazer.
&-----&-----&
Foi muito reconfortante, pessoalmente, o abraço que nos demos, e
as palavras que Edgar me disse (...)
&-----&-----&
No curtíssimo tempo de encontro, apenas acrescentei, talvez emocionado…,
que me parecia de sublinhar, na campanha, que o passo já dado e a situação a que
chegámos se deve ao que responde a uma reserva tão ouvida “vocês têm razão… mas
não chegam lá… o voto no PCP é inútil” e que provou como esse voto foi útil.
&-----&-----&
Já no abraço de despedida (porque outros abraços estavam na fila,
à espera): “todo o voto em Edgar Silva é útil!”
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