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terça-feira, fevereiro 02, 2021

Presidenciais 2021 - sobre os resultados e o futuro próximo - 3

Ainda apresentaria (as eleições já vão longe) um 3º quadro, sobre os três distritos do Alentejo, pelo que sobre essas votações se disse e procurou alarmar 

Sendo certo que João Ferreira baixou perto de 4 mil votos nos três distritos, quase 20% (com a maior descida percentual em Évora), é errado (e por ser propositado erro, é mentira… e há tantos que nisso são pródigos) que o PCP tenha perdido a hegemonia, ou o primeiro lugar, porque nunca o PCP teve nem uma coisa nem outra.

Apesar das quedas na votação, bem inferiores às de Marisa (73,0%) e de Vitorino (30,7%), João Ferreira ficou em 3º lugar nos três distritos, bem à frente de Ana Gomes, enquanto Sampaio da Nóvoa fora 2º em toda a região, em 2016 – e é facto merecedor de relevo, até para as eventuais considerações sobre transferências de votos.

A manutenção do  3º lugar, a queda de votação de Marisa na soma dos 3 distritos (menos mais de 14 mil votos… mais ou menos) quase 4 vezes superior à de João Ferreira, e a baixa votação de Ana Gomes – com cerca de ¼ da votação de Sampaio da Nóvoa e de Maria de Belém em 2016 –, poderão ajudar a descortinar de onde se transferiram votos para a subida do Chega a 2º no Alentejo, e a comprovar como se manipula a informação, tornando quedas reais em catástrofes irrecuperáveis e amaciando ou desvalorizando verdadeiros trambolhões. 

Em resumo: o terrível PCP não foi esmagado no Alentejo, bem longe disso! Outros parecem tê-lo sido.



segunda-feira, fevereiro 01, 2021

Presidenciais 2021 - sobre os resultados e o futuro próximo - 2

 ...

Num quadro 2, pode ver-se qual seria a comparação das votações de 2016 e 2021, retirada a votação na região da Madeira, situação real mas desequilibradora dado que o nosso candidato de 2016 foi Edgar Silva, natural da e vivendo na Madeira, o que fez com que a nossa votação nessa região tivesse ali aparecido empolada. Sem os números dessa região autónoma, João Ferreira teria subido 18 mil votos relativamente à anterior eleição (mais 11%), pelo que é um aspecto objectivamente muito relevante. Trate-se de um aspecto que se deve ser considerado nas análises, pela sua excepcionalidade (lembraria que, em diferentes eleições e a outra escala, nas “europeias” em que fui candidato – nunca como cabeça de lista – os votos na CDU subiram em Ourém).

...


e continuará...


Presidenciais de 2021 -sobre os resultados e o futuro próximo - 1

 A partilha no meu FB de uma muito esclarecedora entrevista com Jerónimo de Sousa sobre as presidenciais de 2021, levou-me a editar uma reflexão e um quadro, que trago a este blog num caminho inverso do habitual. Assim, partilho do meu FB (corrigindo erros...):


Estou a pensar em como é importante "ouver" a entrevista de Jerónimo de Sousa. Vem totalmente ao encontro de resultados que, desde 3ª feira, estou trabalhar (para informação própria e, se possível, fazer chegar a outros), com uma precisão e convicção que encoraja. Coragem que a alguns poderá ter momentaneamente faltado...



este trabalho a que me meti
não ficou, evidentemente,
por este quadro...
terá até muito mais longe
e aqui virão outros quadros e comentários. 


terça-feira, janeiro 26, 2021

Fantasias... mas não só



Parem com a fantasia



A segunda
manobra da noite

A segunda manobra da noite eleitoral foi protagonizada por numerosos jornalistas. comentadores e políticos (aqui com destaque para Rui Rio que quase subia às nuvens de satisfação) procurando inculcar a ideia de que no Alentejo teria havido uma grande transferência de votos do PCP para André Ventura só porque este ficou em 2º lugar em Portalegre, Évora e Beja.

A manobra não tem o mais pequeno fundamento pela simples razão de que presidenciais só comparam com presidenciais. E esta comparação o que revela é que João Ferreira teve nesses distritos sensivelmente os mesmos votos e percentagem que o candidato do PCP em 2016 quando não houve André Ventura na corrida,não se detectando por isso qualquer relevante transferência de votos para André Ventura.

Melhor seria Rui Rio reparar no seguinte: em Bragança André Ventura teve 17,59% ( mais do que nos 3 distritos alentejanos)e não foi certamente à custa de transferências de votos do PCP mas sim do PSD e CDS 

domingo, janeiro 24, 2021

LUTA e voto

 A alegria de quem lutou e luta










e tem em quem votar



sexta-feira, janeiro 22, 2021

Reflexões lentas - a reflexão antecipada

INTRODUÇÃO À MANHÃ – V


Parece terem antecipado a reflexão de uns dias. Ela, a reflexão, estava agendada para logo à meia-noite (como o recolher obrigatório, não é?), mas já a começaram. Aflitos.

 Baseadas ou não em sondagens, encomendadas ou não, as pré-campanha e campanha eleitorais começaram em “lume brando”, de que não se esperava que levantasse muita fervura. Em ambiente de surto epidérmico, de que também não se esperava a dimensão e a gravidade que está a ter.

Para melhor localizar, até se pode dizer que houve uma pré pré-campanha eleitoral numa “histórica” (para a pequena história) declaração do Primeiro Ministro em surpreendente apoio-empurrão ao Presidente da República em exercício, numa visita à Auto-Europa. Mas deixe-se esse episódio para outras reflexões igualmente a procurarem desatar nós em novelo emaranhado.

Bem… era para ser apenas o cumprimento de um ritual, que a Constituição imporia com os seus prazos de mandatos, irrevogáveis sem revisão que teriam prazos para que não se fique fora de lei.

Um mero ritual, baseado ou não em sondagens, encomendadas ou não.

Marcelo seria afectuosamente reeleito. Calmamente (apesar de, ou até porque, teria de dar apoio ao executivo a ter de encarar um teimoso vírus, de que os dois eram a frente visível de combate) percorreria a passadeira cor-de-rosa avermelhada com tons de laranja, até à entronização. Calcorrearia o tempo destinado a campanha, ladeado por damas (e damos) de honor a lançarem pétalas (algumas com inofensivos espinhos) para abrilhantarem a suave e leve caminhada de predestinado para ser, e voltar a ser, presidente.

 Assim se foi ajustando o episódio necessário mas que quase se diria dispensável e, com o agravamento pandemónico, com incomodidade crescente mas sem alterar as previsões e sondagens (claro!).

É verdade que apareceu, com inusitada e excessiva exuberância, um animador nem de todo inesperado, a afirmar-se gritadamente e em atitude provocadora de estraga-festas, fazendo parte do elenco mais conservador. Parte do sistema, a berrar contra o sistema, para ter apoio dos condenados pelo sistema.

 

Também é verdade, mas esta é verdade para ser varrida para debaixo do tapete que, no cortejo, havia quem, insistentemente pusesse em causa o sistema, baseando-se na Constituição que fundamenta o cargo a que se candidatava o “em exercício” e os acompanhantes da campanha (acampanhante…). Era de esperar, não seria novidade essa presença.

No entanto, a campanha como que se desdobrou. Teimosa, persistente, conhecedoramente, esse candidato fez – efectivamente – a diferença. Que já era, mas fê-lo repetindo até à exaustão, sem ser exaustivo, ao que se candidatava: defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição.

Sendo esse o mote, porque era esse o mote!, soube glosá-lo, dominando-o com inteligência e (até) elegância. Nada deixou sem resposta, nunca deu uma resposta esteriotipada, sempre utilizou a expressão-mote em defesa do que ela(expressão)-ele(mote) contém de virtualidades em favor dos desfavorecidos, do trabalho, dos trabalhadores, dos mais pobres, do povo.

Fecho o parênteses, com confessada dificuldade por, ao encerrá-lo, pouco ter escrito sobre o enorme respeito e a merecida homenagem a João Ferreira.


Mas afinal, por aquilo e por isto, pela incerteza do tempo que vivemos, pela imprevisibilidade que é sempre a manhã de amanhã, as certezas de ontem, o inabalável (e quantificado, que há lá algo de mais certo que o número certo às unidades em milhões, que as centésimas em percentagens…) parece abalado ou a abanar.

O temor da abstenção fez nascer a mobilização geral, o apelo aos mais informados e conscientes a votarem útil (ainda que contra a sua consciência!) para evitar que o mais perigoso do sistema que todos defendem, o que se conclama em berraria atacá-lo fique em 2º, a requisição dos meios que se hesita requisitar para travar a pandemia: o VOTO! Dos lares, dos asilos, dos frades e confrades, das irmãs e primas, das donas e serviçais.

 Aux votes! (ont-ils dit), cidadãos… por um dia.

Não importa saber porquê,

para quê,

em quem é

                                e o que defende. 

No dia 24 do mês 1, há apenas 1 (a eleger PdaR); há só 1 (que justificou ao que vem )

João Ferreira

(o 7º de quem desce, o 2º de quem sobe)  

segunda-feira, janeiro 18, 2021

REFLEXÃO LENTA - e muito curtinha... quanto baste.

Poderia parecer estranho que por aqui não se tenham feito muitas referências a um partido e seu dito líder. Não se trata de acaso ou desvalorização da sua importância política neste momento. Mas entende-se que, quanto mais se fala dele, mais perigoso ele se torna, politicamente, porque tudo o que faz é para que dele se fale. 

De provocação em provocação até ao insulto e à agressão. Pois estamos nesse estádio. E é altura de dizer que o caso, se começou por ser político, passou a ser de polícia e de tribunais (como desde o princípio foi... do Tribunal Constitucional).

-

Política

Jornalistas insultados e ameaçados em jantar-comício de Ventura (sem distanciamento)

(Notícias ZAP)



 

sexta-feira, janeiro 15, 2021

Inocentes? Não!... indecentes!


 




O Público resolveu, na sua cobertura das presidenciais 2021, fazer uma secção Sete temas, Sete candidatos. Nenhuma objecção, antes pelo contrário. No entanto, bem mais que objecção!, há abjecção face ao critério de "arrumação" dos candidatos. 
Na paginação, poderia ter sido escolhida a ordem alfabética, separar o recandidato (em funções) dos outros, qualquer outro critério... Mas a escolha, o critério, foi, escandalosamente, o de adoptar pressupostos que  agridem a deontologia! 
Sub-liminarmente, no bem aprendido em técnicas de marketing, fez-se i) uma separação que pressupõe a hipótese de uma 2ª volta, e colocaram-se num outro plano (e página) Marcelo e Ana Gomes; ii) colocaram-se os "outros" por uma ordem que obedece aos resultados de umas sondagens. 
Técnicas de manipulação da informação que em nada são inocentes, mas que são indecentes!
  


quinta-feira, janeiro 14, 2021

O candidato a Presidente da República


O que cada eventual votante deveria ouvir 
antes de se decidir!
(isto digo eu... todo orgulhoso (:-)!)

 

terça-feira, janeiro 12, 2021

Apoio muito significativo

 11 de Janeiro 2021

jf1.JPG

Um grupo de cidadãos, que integra vários socialistas, assumiram, hoje, “com e em liberdade”, o apoio ao candidato João Ferreira (PCP) ao cargo de Presidente da República.

Entre os signatários do manifesto contam-se Mário Ruivo, Luís Santarino e Linhares de Castro, socialistas de Coimbra, entre outras personalidades da Figueira da Foz, Mira, Montemor-o-Velho, Góis e Pombal.

“São muitas as razões que nos levam a tal propósito, destacando as que abaixo enunciamos:

É um jovem qualificado, que assume a sua acção política com grande tranquilidade. Domina bem o pensamento político global, sem dogmas, o que lhe permitirá assumir o diálogo entre todas as forças políticas”, referem no manifesto de apoio.

Os subscritores consideram, também, que “apesar da visão diferente que têm da presença do nosso país na União Europeia”, reconhecem que João Ferreira “é um conhecedor da Europa e percebe as suas próprias contradições”. “Por tal, potencia a sua capacidade de entender a forma como a Europa deverá assumir a liderança do mundo, numa relação diferente entre nações e povos”, justificam.

Segundo os autores do manifesto, o candidato comunista “tem uma visão global do mundo, assumindo as suas raízes políticas, sempre no respeito pelas liberdades individuais; domina na perfeição a Constituição da República Portuguesa, agindo sempre em sua defesa, e é um exemplo de coerência”.

“É um fiel depositário de memórias de um conjunto de cidadãos que fizeram da luta pela liberdade um desígnio de vida, e que muito respeitamos – Manuel Louzã Henriques, Gildásio Cabrita, Manuel Melo, Carlos Viana, entre outros”, acrescentam.

Os subscritores consideram, ainda, que como eles próprios, João Ferreira “é um defensor do Serviço Nacional de Saúde, da Escola Pública, da Justiça que não segregue, do valor do trabalho como dinâmica determinante na valorização da pessoa e da dignidade individual, e por fim, mas não menos importante, é um candidato que ajuda e contribui para a unir a esquerda”.

Assinam o manifesto:

Mário Ruivo – Coimbra

Luís Santarino- Coimbra

Aires dos Santos -Figueira Foz

Albertina Rodrigues – Coimbra

Alexandre Nunes – Coimbra

Aníbal Gomes – Coimbra

Antônio josé Roque -Pombal

Carlos José Duarte Ribeiro, – Coimbra

Carlos Mendes – Mira

David Coutinho – Montemor o Velho

Dulcinio Carvalho – Figueira Foz

Emília Gil – Coimbra

Esperança Ferreira – Coimbra

João Chicória – Coimbra

Joaquim Almeida – Montemor o Velho

Joaquim Mateus – Góis

José Mesquita – Coimbra

José Pinto Ângelo – Coimbra

Linhares Castro – Coimbra

Marlene Matias – Pombal

Ricardo Figueiredo – Oliveira Hospital

Roberto Silva – Viseu

Rui Manuel Castro – Portalegre

Tania Gabriel – Coimbra

Teresa Borges – Arganil

Vitor Goncalves -Coimbra

segunda-feira, janeiro 11, 2021

REFLEXÕES LENTAS - ainda os debates

 Acompanhámos, nos limites do possível e da capacidade de resistência do sistema neuro-vegetativo, muitos dos debates. Não tanto para avaliar os candidatos e as suas prestações mas para confrontar o serviço público de informação ao cidadão eleitor.

Acabados os 21 debates, tínhamos resolvido encerrar esta etapa da nossa postura cidadã, com as reflexões lentas em que fomos publicando os nossos reflectidos desabafos.

Ao começar esta semana de campanha, a nossa disponibilidade nesta área (temos mais que nos ocupe) era outra, mas não resistimos a olhar para os balanços que foram feitos, em particular nos meios Observador e Expresso, que levaram o seu “serviço” até à constituição de júris de avaliação dos 7 candidatos.

É de arrepiar. Não há um pingo de seriedade. Não tem limites o despudor da manipulação.

Anotam-se apenas exemplos chocantes, e não se diz mais sobre “moderadores”…

O Expresso, na página Jornal Expresso de hoje, da responsabilidade de um director-adjunto:

«(…) Porque é essencial estar de boa saúde, mas também é essencial dar vida à nossa democracia.

Pelo mesmo motivo decidimos desta vez seguir todos os debates das presidenciais (os 27), e dar notas aos principais - recorrendo a 17 comentadores do Expresso e da SIC, que têm dado notas a cada um. Na quinta-feira, o balanço era este: Marcelo lidera, Ana Gomes segue-se, Mayan surpreende, Marisa desilude. (No link encontrará cada um dos textos para os debates, incluindo o quente e muito seguido Marcelo-Ventura).(…)»

 Logo há que anotar o erro crasso de se referirem 27 debates quando continhas primárias ensinam que 7 a debater 2 a 2 dá 21 e não 27 debates! Depois, decidiram “dar notas aos principais”… mas quem se arrogou dividir os debates em principais e não principais, com que critério?, e onde incluíram os 6 inventados por ausência de conhecimentos elementares?

E, nesta 2ª feira, com os 21 debates concluídos na 6ª, o que continua a contar o sr. director-adjunto? Que

«… cumpridos os primeiros 9 debates de 15 debates entre os principais candidatos, Marcelo Rebelo de Sousa é o que recolhe melhores avaliações do painel de comentadores formado pelo Expresso e SIC…»

 e ele a dar-lhe com “os principais”, os candidatos e os debates!... um balanço de 9 em 21?, haja seriedade!... E não se viu mais porque seria reservado a assinantes e, francamente, achámos que chegava!

O outro veículo de informação, o Observador, também constituiu o seu júri privativo e fez o seu balanço. Sem cometer os erros e os erros expressos, sem ter eleito os principais entre os candidatos e os debates, publica as notas e quem venceu cada um dos debates, a que tivemos acesso depois de ter de ultrapassar invasiva publicidade (mercado oblige…)

As notas são merecedoras de quem as deu, De quem achou que o debate entre João Ferreira e Ventura foi ganho por Ventura, como se este pudesse ser vencedor numa “cena” daquelas; de um júri que num outro debate, que se coloca nos antípodas do primeiro referido, por ter sido… civilizado, João Ferreira teria empatado com Tiago Mayan, quando (para nós, claro) houve esmagadora vitória ideológica (e não só).

No caso do Observador, o que diríamos pecado original está na constituição de um júri de 6 elementos e na sua selecção (e aceitação).

Haja seriedade! Um pingo que seja.

domingo, janeiro 10, 2021

REFLEXÕES LENTAS - as presidenciais e a contrafacção da democracia - 5

 Acabáramos (os que) de assistir a um debate diferente, em que os dois interlocutores afirmavam o que pode ter passado de moda mas, com clareza e sem ambiguidade, se chama soberania e patriotismo.

Cada um o fez à sua maneira. Um, evocando datas, como 1383 e Abril de 1974, que foram de afirmação dessa soberania, pela sua especificidade histórica, cultural, de tradições nossas; outro, muito simplesmente e com tocante sinceridade, respondia à pergunta porque não emigrara, dizendo que nascera português, queria viver português, queria morrer português.

 

Saboreava esse e outros pormenores (?) do debate, quando o roteiro do programa passou aos comentadores… Ainda ouvi o princípio da fala do primeiro.

Apresentado como politólogo (!?), ainda ouvi o escolhido “politólogo” (por quem?, por que valha-me deus?) afirmar, com ar soturno, que aquele debate revelava a importância de um outro candidato – e foi o único nome que referiu (!) – que viera, nesta campanha, “marcar a agenda política” (é de politólogo…), não acrescentando nem que tal acontecia por haver um perigo latente mas presente, assinalado mas não esclarecido com verdade e sentido de responsabilidade, antes servindo-o, ao dar-lhe uma publicidade e estatuto quando, constitucionalmente, há sérias dúvidas se deveria existir em País e povo que viveu 48 anos sob “modelo” que adopta, e que se procurou fazer sobreviver usando armas e acções que só têm um nome: terrorismo.

Por uma questão (egoísta?) de sanidade mental, pus de lado a reflexão que tal comentário me suscitou, saboreei o que ouvira antes, e vivi momentos de bem-aventurança, reservando para mais tarde as reflexões que aqui ficam, e com que tenho a intenção de encerrar esta série.


Esta sequência de debates, no quadro das eleições presidenciais 2021, no ambiente condicionador de uma epidemia que não desarma e que não estará a ter todo (e como) o combate à sua medida, foi (ou poderia ter sido… se ajudado por moderadores e comentadores, o que só se refere por quiçá incurável ingenuidade…), estes debates mereceriam mais reflexões… que não só estas. E que teve bem outras pseudo-reflexões, eivadas de pré-juizos, pré-conceitos, pré-concebidas conclusões, especulações com bases em sondagens não in-suspeitas, objectivos in-confessáveis, corpos redondos de gatos com rabos compridos e denunciadores.

 

Vivemos em economia de mercado, pronto, está bem… chame-se-lhe isso, mas  podem estar certos que, por grande que seja o animal, por rotunda e in-satisfeita a sua barrigona, há quem não tenha medo das suas garras e que, em herança de lutas anteriores (boa!, João Ferreira que nasceste depois de 1974), as continuam. E que aqui estão, centenárias… e jovens. 

REFLEXÕES LENTAS - as presidenciais e a contrafacção da democracia - 4

Estas últimas reflexões lentas foram-me provocadas, em muito, por reacção à campanha eleitoral em curso, em que a modalidade dos debates a dois me prendeu a atenção.

É evidente que o ambiente em que se está viver, esta situação sanitária, é muito determinante do que nos faz pensar, sobre a vida e a morte, a saúde e a economia, nós e os outros, e que este ambiente nos condiciona e se reflecte também no modo como correram os sucessivos debates. Logo, e indirectamente (ou não…) influenciaram as reflexões que têm saltado para as teclas e, destas, para a comunicação a outros (os que há, sempre muito menos do que o que desejaria porque não “estou a falar sozinho”).

A “ouver” três protagonistas (dois candidatos e um moderador) de cada vez, mais dois comentadores, passei por vários escalas de humores entre a satisfação plena (“era isto mesmo que tinha de ser dito, agora e nestas condições”) e a irritação desabrida e vernaculizada (“mas como é possível haver gajos destes!; … é preciso não ter vergonha nenhuma!”; “#$%&»!=?” e etc.).

 

Hoje, no final da série, houve o debate entre João Ferreira e Vitorino da Silva, moderado por Carlos Daniel, e fez-me saltar para o teclado com a imediata necessidade de fixar as reflexões que provocou.

Antes de mais, porque quase esqueci que estava perante um debate eleitoral, apesar da intromissão da questão sobre adiar ou não, como fazer as eleições neste estado (de coisas…) sanitário, de que apenas se pode esperar, a curto e médio prazo, de agravamento,.

Eram dois homens diferentes em tanta coisa, mas sinceros, coerentes, respeitando-se, a trocarem impressões sobre os problemas nacionais e a inserção do País no mundo, com um moderador felizmente bem diferente de outros que nos calharam na rifa, a todos nós que os tivemos de aturar (não obstante algumas observações e críticas quanto a algumas questões postas… há questões que parece que são obrigatórias e que não há nada a fazer). Confesso mesmo que tive momentos (raros, e lamentando algum atabalhoamento motivado pelo contra-relógio) em que esqueci que estava em campanha eleitoral. E gostei!

 

Diria muito mais (ou de outra maneira) mas senti que o que escrevi, no auge de uma das irritações, tinha agora inteiro cabimento para ilustrar este debate. E que seria de ficar pela transcrição do que então soltei para o facebook, a 3 de Janeiro.   

À pergunta calista, provocadora, facebookiana, sobre o que estava a pensar quando vinha de um daqueles debates de fazer “perder a cabeça”, respondi:

 

"Com justificada indignação, estou a pensar nos caminhos que está a tomar a mais nobre actividade dos humanos, a política enquanto disponibilidade para estar ao serviço da contínua transformação da sociedade em proveito de todos, por todos e contra os poucos que dela querem usufruir à custa do sacrifício de muitos."

 

Foi o que saltou para a reflexão após aquele debate. Que foi de política como a concebo, e que foi pena que não tivesse servido mesmo para campanha eleitoral, que está perfeitamente inquinada pelas contrafacções do mercado que substitui a democracia.

Dos “comenta dores” não digo nada… Não deixo que me estraguem, hoje!, o fecho destas reflexões lentas. E curtas.


quinta-feira, janeiro 07, 2021

REFLEXÕES LENTAS - as presidenciais e a contrafacção da democracia - 3

Na manhã, ao fazer-se o balanço da véspera, com intenção de reflectir sobre o que se está a viver, há larga escolha de temas. O dia de ontem foi perturbado – e perturbador – no que respeita à informação a que há acesso generalizado e, de certo modo, imposto pelos que dominam os canais que a veiculam.

O que aconteceu em Washington foi informativamente avassalador, no processo em que a democracia tem tratos de polé. Não há dúvida que a análise serena (se possível quanto desejável…) do que se passa nos Estados Unidos revela situações gravíssimas para quem obedeça a critérios de avaliação políticos e sociais. A cabeça de um sistema, de uma forma de organização da sociedade que se apresenta a si própria como exemplo, e actua como se, enquanto exemplo e guia, tivesse o direito de impor a outros lugares, essa cabeçorra revela-se verdadeiramente atrasada, recuada civilizacionalmente. Que se diria, a partir do controle comunicacional que o poder domina, se este calvário da democracia nos Estados Unidos, que enche as manchetes da informação, tivesse semelhanças em alguns desses países, Estados, em que se quer impor, à força, o modelo e o exemplo dos Estados Unidos?

Se os Estados Unidos tanto ocuparam (como sempre) o espaço informativo, muito deste teve de se dedicar ao surto epidérmico, que não cede, antes se agrava, apesar da sucessão de estados de excepção, que importa não banalizar e apressa a tomada de outras medidas.

A aplicação de vacinas – mantendo debaixo do tapete a escandalosa concorrência e negociatazonas nesta parte do mundo –, se rodeada de auréolas mitificadoras – e mistificadoras –, não pode cumprir a tarefa que lhes pretendem emprestar, isto sem negar a enorme gravidade da situação, mas função preventiva e não salvática ou redentora.

Finalmente, mas não por último, estas reflexões decorrem da campanha eleitoral para as presidenciais. Na presente situação, têm sido reveladoras. Face a uma recandidatura que tem o seu quê de cumprimento de uma predestinação que vem do berço, as outras candidaturas são, embora nem todas como tal se assumam, de marcação de um espaço político/ideológico, e uma única parece interessada em definir, esclarecer, dizer claramente ao que se candidata no quadro político, constitucional, em que nos situamos. São reveladores moderações e comentários aos debates desvalorizando o acto, a importância de escolher, democraticamente, um Presidente da República, tal como o quadro constitucional o define, preferindo saber que posições têm os candidatos na avaliação oportunística da actualidade. Chega a ser confrangedora a ignorância da Constituição, e comentador de debates atingiu o ridículo de lembrar que ela foi revista, ao candidato que diz candidatar-se para a cumprir, defender e fazer cumprir, e que, com essas revisões tinha deixado de ser a “dele”-candidato, e ter feito tal comentário após debate em que esse candidato referira e citara a Constituição demonstrando um conhecimento que, lamentavelmente, o comentador não tem e, mais, nunca a tomando como sua mas como a que, sendo nossa, defenderia na função a que se candidata.                                                                                                                                                          Aliás, para terminar a reflexão, que vai longa, estes moderadores/comentadores ilustram, em relação a esse mesmo candidato a posição que Lenine tão bem denunciou: fazem do outro uma caricatura, a traço grosso e falsificador, e atacam não o que ele é e defende mas a caricatura, irreconhecível, que dele fizeram.       

quarta-feira, janeiro 06, 2021

REFLEXÕES LENTAS - as presidenciais e a contrafacção da democracia - 2

Ao vir sentar-me à escrita, de certo modo para desabafar sobre os debates que vou ouvindo, trazia comigo a vontade de me “atirar” a essa espécie de peça-chave a que, por comodidade ou preguiça, se deu o nome de moderadores. No caminho, e em “exercícios de aquecimentos” de passar os olhos pelo que o visor me dá, fui moderando os meus ímpetos, quase compreendendo (o que é bem diferente de aceitar!) aqueles e aquelas que estão a desempenhar tais tarefas. Coitados/as, não são mais que “paus mandados”, peças menores, embora bem salientes, de toda uma engrenagem que, sob a capa da informação, tem uma tarefa-chave na formatação de uma opinião pública bem nos antípodas do que seria informar, esclarecer, fazer, enfim, didactismo democrático. 
Não que, ao escrever didactismo, esteja a pensar numa informação neutral, asséptica, bacteriologicamente pura. Estou a pensar no que exijo a mim próprio e, veja-se lá…, exijo aos outros: seriedade, respeito… moderação. 

Estamos em economia de mercado, eufemismo para dizer que vivemos numa correlação de forças sociais que, noutro léxico, se chama capitalismo e que se define pelo predomínio de uma relação social mercantil (capital é relação social em que o direito à propriedade de uns faz com que a esmagadora maioria tenha de vender horas da sua vida sob a forma de mercadoria força de trabalho). Mas isso não quer dizer que tudo seja mercadoria, que não haja regras para a convivência social, que não haja… moderação imposta por essa convivência. Há, até, expressões lapidares (em inglês, como se fosse língua universal) fair trade a moderar o free trade. De tudo e em tudo, sobretudo no exercício da democracia! 

Um pouco apaziguada a zanga que me trazia à escrita, reflicto sobre os debates a que tenho assistido. Não para escolher o candidato que entendo melhor corresponder à função para que há tantos candidatos, pois tenho-o escolhido não sectariamente (isto é, por fazer parte da minha “seita”), mas por o conhecer sabedor e capaz de interpretar, na tarefa a que se candidata, o que entendo dever ela ser. 
Assisto aos debates como exercícios de cidadania, para ver como se pretende ajudar os cidadãos distraídos ou desencantados daquilo a que se chama política (e que, para mim, é a política às avessas[1], ou em posição ginástica de pino, a chamada queda facial invertida). E é assustador o que se vê. Culpa dos candidatos? Também de alguns, mormente de um. Culpa dos moderadores? Muita e de quase todos. Culpa de a referida engrenagem querer fazer de tudo mercadoria e contrafacções, contrabando? Sem dúvida! 
Na televisão, qualquer o canal, o critério dos debates para, na aparência, esclarecimento de qual a função do lugar a que, na estrutura política que existe, há candidatos e porquê e como o desempenhariam, qualquer o canal é como se fosse um concurso em que há UM prémio para UM vencedor, o que melhor (se) vendeu… e, neste concurso, até já se decidiu qual será. 

No entanto, pior que as moderações é a decisão de formar uma espécie de júri que vai dando notas imoderadas sobre as prestações tal como foram “encomendadas” aos moderadores. O que (e quem) é que “isto” lembra?! 

Reflexões lentas? Mais divagações para descarregar bílis e denunciar contrafacções no “mercado da política” em alcunhada economia de mercado. 




[1] - como o mundo, diria Eduardo Galeano

REFLEXÕES LENTAS - as presidenciais e a contrafacção da democracia - 1

 REFLEXÕES LENTAS – as presidenciais e a contrafacção da democracia

Comentar as eleições presidenciais, onde quer que seja, é como que um auto/altero-teste ao conceito de democracia.

Vivendo-se no planeta Terra – e não noutro lugar etéreo –, onde na grande parte do globo já foram ultrapassadas formas de organização social de tipo piramidal, em que o lugar cimeiro do poder político era ocupado ou reservado por natureza genético-hereditária e/ou por delegação divina[1], mas por escolha da comunidade, a eleição de um cidadão para esse lugar é objecto de escolha do povo em condições de escolher, dando expressão real ao conceito que encerra a etimologia de democracia. E cada um, ao comentar, expressa o seu conceito… ou o de quem serve, para o caso de não ter nenhum.

Em resultado do passado de cada comunidade, da sua história, das tradições que foram criando, também (e muito) do clima e condições naturais, do modo como se relacionou com comunidades vizinhas ou longínquas que até ela foram ou onde parte dela se deslocou, verificam-se diferentes formas de cada comunidade se organizar socialmente, com aspectos comuns e diferenças evidentes.

Os aspectos comuns levam a agrupamentos em que as importâncias relativas das partes componentes se exprimem em correlações de força, quer entre-comunidades, quer reflectindo a importância, em cada parcela, das relações sociais de base que as leva à associação.

 

Passando à realidade do lugar e tempo que estamos a viver, os países coexistem em condições nem sempre (ou poucas vezes, ou durante pouco tempo) pacíficas e o nosso País, com a sua História e tradições, está associado a outros países em que predominam relações sociais a que se etiquetou de países desenvolvidos em sistema económico (que a se auto-denomina de economia de mercado e sistema político super-estrutural democrático, assente em liberdades individuais e direitos humanos definidos à margem e estreitamente condicionados pelos direitos laborais.

Daqui derivam diferentes modalidades e órgãos, de uma maneira geral com um corpo parlamentar de carácter representativo, um membro executivo e uma instituição individual superior de representação e controle do executivo, havendo toda uma estrutura paralela de natureza jurídica com o sentido de acompanhar, verificar e determinar que toda a actividade da comunidade se concretize de acordo com as regras superiormente estabelecidas, no quadro de uma Constituição ou instância que a substitua. A articulação entre os diferentes órgãos e instâncias do poder não é uniforme podendo, por exemplo, ser maior ou menor a capacidade de intervenção do Chefe do Estado ou Presidente da República relativamente ao executivo, vulgo Governo, definindo regimes como presidencialista ou semi-presidencialista.  

No caso de Portugal, predominando a economia de mercado, a Constituição tem claramente um cariz moderador da preponderância das relações laborais sobre os direitos humanos em geral, protegendo as parcelas da população à partida mais desfavorecidas por diversas razões – históricas, de tradição, nas relações laborais –, e o papel do Presidente da República, sendo muito importante, não configura um sistema presidencialista, e tem papel decisivo na formação do executivo mas não no seu funcionamento corrente, devendo defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição como jura ao tomar posse.

É o que está em causa no processo que decorre.

 

Este não é um pronunciamento abalizado, de especialista, é, apenas, a interpretação de um cidadão, por vezes perturbado ao ver, ouvir e ler, candidatos em debate, moderadores (?) e comentadores. E preocupado com as evidentes contrafacções da democracia de que tanta gente e gentinha dá provas.  



[1] - Embora se mantenham resquícios dessas formas de organização, com carácter simbólico e expressão da singularidade e unidade nacional(ais)

terça-feira, janeiro 05, 2021

Breve comentário a um debate

O debate entre os candidatos João Ferreira e Marcelo Rebelo de Sousa (por ordem alfabética) foi esclarecedor (para quem procure esclarecimento...) por se terem confrontado, civilizadamente, duas concepções do que é ser político em 2021 e a que lugar se candidatam. Para Marcelo, o lugar a que se candidata (e para que teria sido predestinado desde o berço, qualquer a situação) é o de ser equilibrista, quase circense, entre afectos e manipulação de influência, isto é, na correlação de forças existente sobreviver no cargo sem esquecer de modo nenhum as suas procedências; para João Ferreira, a candidatura é ao lugar e às funções que a Constituição da República Portuguesa estipula, o que parece fácil para ele, que conhece bem a CRP e melhor a quer defender, com uma experiência e actuação no Parlamento Europeu e na autarquia de Lisboa que lhe fortalece o objectivo.

Para os comentadores oficiais e oficiosos, o debate foi Marcelo, o presidente e o folclore político... e a falta de pretexto para juntar umas "bicadas" no candidato João Ferreira.  

quarta-feira, dezembro 16, 2020

As entrevistas na RTP-1 (serviço público?)

Notas de um diário: 

16.12.2020

Como me tinha preparado (!), ouvi, ao longe e sem grande atenção ao que diziam, a entrevista na RTP1 com o André Ventura, para “tirar o retrato” ao tipo de entrevista, para concluir a avaliação da entrevista na véspera com o João Ferreira.

 

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O Adelino Faria tomou igual postura à da véspera, o que me leva a crer que foi a adoptada para esta série de entrevistas, isto é, não serem entrevistas em que o candidato é confrontado com a sua candidatura, esclarece (ou não) as causas e os objectivos por que se candidata.

 

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O que AF fez, com o João Ferreira e com o (por)Ventura, foi provocar (é o verbo!) uma discussão em alta berraria sobre tudo o que poderia estar a justificar “peixeiradas” na actualidade.

 

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Pseudo-entrevistas em que entrevistador não pergunta, e ouve a resposta antes de passar à pergunta seguinte, mas em que o entrevistador afirma, interrompe, contradiz, julga e condena sem direito a recurso do entrevistado-réu.  

 

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O que pode ser útil a candidatos como o (por)Ventura e a Ana Gomes, mas não o é para quem tem desta candidatura a ideia de uma oportunidade de falar seriamente de qual o papel a representar pelo órgão institucional a que se candidata.

 

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Não obstante a maior dificuldade para o João Ferreira, a sua firmeza e presença de espírito têm conseguido ultrapassar as rasteiras e armadilhas com muito nível e decorrentes vantagens para todos… se tivesse ouvintes atentos e não telespectadores cansados e pouco disponíveis para o que seja “show-off”, isto é, exibicionismo (ou que só o esteja para o que seja apenas isso)…