sábado, setembro 13, 2014

Dias de agora - estórias de a-bemdezer e malfazer (ou de malfeitores)-1

12.09.2014

Lá fui à Soeiro – onde gosto sempre de ir e estar – falar como F.L., e relatar-lhe malfeitorias da Caixa Nacional de Pensões que, sendo bem pequenas relativamente a outras que outros (tantos!) sofrem, têm grande gravidade pessoal que se repercute no Partido.

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Quanto aos netos, falhou o Pedro o que me deixou com muita pena mas foi muito bom estar com a Oriana e com o Diogo.

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Ainda vim jantar com a Zé (e relatar as andanças) e…não abri o computador!

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Fiquei-me na adoração ao deus-televisão, a ver umas coisas e a ouver outras.

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Passo sobre aquele “tête-à-tête” entre o António Filipe e uma dama governamentalizada em que, a propósito da dita “reforma da justiça” contentorizada, cheguei a ver o controladíssimo António Filipe quase a “passar-se”.

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É que, na verdade há limites.

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E é caricato ouvir o Passos Coelho aceitar  falhas e erros, com ar humilde dizer que ele e a ministra (da justiça) são responsáveis… e recusar daí tirar consequências.

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Mas adiante que o que para aqui quero trazer é uma outra estória de a-bemdezer e malfazer, em que é protagonista essa figurinha de ficção chamada Maria Luís e o que ela diz.

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Ficcionemos:
Um país P mais um país I mais um país G (poderia ser outra a ordem mas esta dá PIG, poderiam ser outros ou mais países, poderia até a estória ser com famílias L. A, R, ou com empresas E, D, P, T ou outras), pois esses países caíram na ratoeira da armadilha da dívida, muito bem montada por umas instâncias de malfeitores. Endividaram-se, claro, os países e como não podiam pagar e, pior (é como quem diz…), como não podiam endividar-se mais para pagar dívidas a quem não lhes emprestava mais ou só a jros altíssimos, os ditos países (podiam ser as famílias e as empresas) pediram auxílio a “amigos” que estavam de tocaia, auxílio que lhes logo dado ou, melhor se diria, antes-imposto. Mas não se pense que a “ajuda” desses “amigos” era graciosa,… amiga! Impuseram condições que puseram em causa as soberanias dos ditos países e, claro, foi usurária porque eles usurários são. Fizeram-se largamente pagar nas deslocações e conselhos e, sobre o que o que iam emprestando, passaram a cobrar juros, cujos se prolongariam bem para além da missão e da vigilância sobre as condições impostas, que também se prolongariam. Mas eis que se descobre que os juros no mercado estão a ficar mais baixos que os juros que os “amigos” levam pelos empréstimos concedidos. E então não é que um dos países – o I – decidiu antecipar o pagamento aos “amigos”?, decerto com empréstimos a juros mais baixos que o que os “amigos” lhe estavam a cobrar! Parece que a Luís, ministra do país P, tem a intenção de fazer o mesmo, isto segundo disse o ministro de I. Deixá-la-ão?    

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Assim vai a nossa economia.

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Com contas de merceeiro (sem ofensa para estes!), sujeitas a autorização do hipermercado financeiro…

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Mas há outra estória de a-bemdezer e malfazer.

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Sobre um dito Novo Banco e sua equipa nova e de saída ou mal entrada.

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Fica para amanhã.

quinta-feira, setembro 11, 2014

O melhor conselho!







obrigado, Jorge!

"...O AVANTE! CONTOU..." é importante lê-lo!

- Edição Nº2128  -  11-9-2014

Alucinações bélicas


O Estado-Maior da guerra imperialista, a NATO, realizou uma Cimeira há poucos dias. O extenso comunicado final da Cimeira é alucinante. O ataque à Rússia foi o tema forte nesta Cimeira do Delírio. Mais uma vez, a guerra e a mentira andam de mãos dadas, ao serviço do imperialismo.

O chefe político da NATO é o dinamarquês Rasmussen, que deve o seu actual cargo (tal como o presidente cessante da Comissão Europeia, Durão Barroso) ao facto de, enquanto primeiro-ministro da Dinamarca em 2003, ter apoiado o eixo Bush-Blair-Aznar, na tão mentirosa quanto criminosa invasão do Iraque. Rasmussen não perdeu o hábito de mentir. Em Junho disse que os ambientalistas que se opõem às perigosas técnicas de injectar água com produtos tóxicos (fracking) para extrair gás natural preso em rochas sedimentares (o «gás de xisto») estavam a soldo de Putin. O jornal do grande capital anglo-saxónico, Financial Times, volta à carga, alimentando a patranha: «Muitos nas comunidades dos serviços secretos europeus levam a sério o comentário do Sr. Rasmussen» (FT, 28.8.14). Tal como «levavam a sério» as mentiras sobre as armas de destruição em massa de Saddam Hussein. 

Não é demais lembrar que os países da NATO são responsáveis por todas as grandes guerras das últimas décadas e por mais de 75% das despesas militares do globo. Quando não podem vergar a ONU aos seus planos de guerra, atacam na mesma (Jugoslávia, Iraque). Financiam, treinam e armam os mais bárbaros bandos terroristas para servir como tropa de choque (como na Líbia, Síria, Ucrânia). Destruídos os países e chacinada a população, culpam as vítimas. A declaração da Cimeira tem o desplante de dizer (ponto 37) que «o regime de Assad contribuiu para o surgimento do ISIS [o “Estado Islâmico”]», entidade que é apenas a mais recente reciclagem das hordas fundamentalistas usadas pelo imperialismo para destruir os países laicos surgidos do movimento de libertação nacional árabe. Pouco importa que a própria imprensa inglesa diga que a Turquia, membro destacado da NATO, «tem mantido a sua fronteira aberta aos jihadistas que se opõem [a Assad], incluindo aos combatentes do ISIS» (Guardian, 24.8.14). A declaração alucinante da NATO também culpa (ponto 17) a «Rússia e os separatistas apoiados pela Rússia» pela «cada vez pior situação humanitária e destruição material no Leste da Ucrânia». Como se não fossem as tropas do governo golpista de Kiev e os batalhões de nazis – financiados pelos oligarcas ucranianos e armados pelas potências da NATO que também orquestraram o golpe de Estado de Fevereiro – que têm bombardeado, dia após dia, pequenas vilas e grandes cidades como Donetsk ou Lugansk, semeando a morte (como em Gaza) e chegando mesmo a usar fósforo branco e até mísseis balísticos. Pouco importa que até a imperialista BBC (2.9.14) titule: «Conflito ucraniano: a ONU diz que um milhão de pessoas já fugiram», para depois informar que mais de 80% desses refugiados fugiram … para a Rússia! A declaração da Cimeira tem o desplante de falar (ponto 91) na grande preocupação da NATO pelas crianças. Mas nem 113 pontos de Declaração chegaram para alguma vez condenar Israel, que passou os dois meses que antecederam a Cimeira a chacinar a população de Gaza, incluindo quase 600 crianças.

A natureza criminosa das potências imperialistas que comandam a NATO é tão chocante, que até um ex-embaixador inglês (Craig Murray) fala do seu país nestes termos: «é um Estado patológico que representa uma ameaça para o mundo, um Estado marginal e um Estado disposto a fazer a guerra para tornar ricas algumas pessoas […]. Matámos 15 000 pessoas quando a NATO bombardeou Sirte [na Líbia], algo que a BBC nunca vos contou» (Ria Novosti, 28.8.14). Mas o Avante! contou (9.2.12).

Jorge Cadima
(obrigado, Jorge)

5ª feira depois da Festa... que foi luta


Um Partido que se afirma 

e reforça em todas as frentes


«Nestes tempos difíceis, exigentes, perigosos o PCP intervém decididamente, enfrenta dificuldades e obstáculos, dinamiza a resistência e promove a ruptura, é a grande força da oposição à política de direita, a grande força dinamizadora da luta de massas, a grande força da alternativa, é o partido com que os trabalhadores e o povo contam e podem conta Um Partido que se afirma e reforça em todas as frentes, no plano social, político e eleitoral e da organização partidária.(…) É também por isso do maior significado que 25 anos passados sobre o dia em que a Festa do Avante! passou a ter o seu terreno, este magnífico espaço, se possa afirmar neste nosso comício que, no futuro, à Quinta da Atalaia se vai juntar o espaço da Quinta do Cabo, criando condições para a expansão da Festa, para a reorganização dos seus espaços, para mais e melhor Festa do Avante!» – Jerónimo de Sousa.

A FESTA (e a LUTA!)
não cabem neste blog...

quarta-feira, setembro 10, 2014

Não resisti... que cena gira!



... não resisti!
nem sei de onde, e de quem, estou a copiar isto...
foi automático, irresistível!

Que tristíssimo espectáculo!

... a que mais tristeza e repulsa vieram juntar-se baterias de comentadores!
Qual o "espectáculo"?
Vale a pena dizer?
Parece que continua hoje...

terça-feira, setembro 09, 2014

A FESTA em (quase) diário, nos dias de agora

(com muitos saltos, porque um diário... é um diário)

08.09.2014
(resto de 05, 06 e 07)

(...)
A viagem até à Atalaia foi fácil, sem nada para contar, apesar de tanto ter dado para pensar, e que inevitavelmente se reflectirá nas notas futuras.

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Dificuldade em estacionar, com os parques que costumo usar já cheios, e atirado para o parque de recurso do Lidl… a encher,

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Entrei a tempo de passar por Coimbra, recepcionado pela Né e pelo João, de ir “assinar o ponto” a Santarém, e de irmos os três “de Soure” até ao comício de abertura.

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Que esteve bem à altura da Festa de sempre, e a deixar marca para os 40 anos de Abril, os 38 de Festa e os 25 da Atalaia.

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Para este ano, o anúncio pelo Jerónimo da compra de mais terreno para mais Festa, foi uma cartada grande política.

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Para fora (pegue-lhe ou não a comunicação social) e para dentro.

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Pela força que mostra, pela confiança que nos dá, a juntar a muitos outros sinais do nosso “estado de saúde”.
(...)
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Ser de esquerda é não ter pressa, mas é - também - não perder uma opotunidade

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Ouvi o concerto com um lado de mim enquanto me “ambientava”.

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(...)
Sábado começou com um almoço de sopa de peixe em Santarém, interrompido por dezenas de abraços e saudações, e pequena volta antes das 3 horas para o espectáculo do Samuel no 1º de Maio, que tinha sido reservado para “encontro especial”.

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(...)
Depois, foi o melhor da Festa (quere-se dezer…), com a espera que o Gonçalo me fez à saída da caixa da Festa do Livro, com terreiro guardado para uma espécie de pic-nic, a começar com o "trio Oriana", depois alargado ao "quarteto João, Patrícia, Diogo e Pedro" – com a Zé (ainda deu para uns passos de mão-dada) e a Bela – e também aos Santas.

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Foi um bom momento, de onde partiram vários grupos para os seus programas e caminhos.

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Eu ainda consegui uma pequena pausa antes do “à conversa com…”, com o Eugénio Rosa e moderado pelo Capucho.

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E começou a chover!

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(…) 
E chovia!

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Houve alguma debandada, comigo preocupado com os netos, e a resistir.


(...)
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E sai uma estórinha de viva, camarada, estás bom?, num cruzamento e abraço chapinado, debaixo da chuva que caía impiedosa:
- Viva camarada, estás bom?!
Resposta dele:
- Para pinto… não podia estar melhor.
E via-se, camarada Pinto, que logo correste à procura de tecto e nem  deste tempo para me ver rir da tua graça encharcada.

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Tanta foi a chuva e tão grande a molha, com quase mergulho num inesperado riacho à porta da Maria Fernanda, lá para as duas da manhã, que me deitei, mal enxuto e com dores por todo o corpo, cheguei a duvidar se me levantaria para voltar à Atalaia – até se teria roupa para o fazer – ou para regressar ao Zambujal.

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Afinal, a manhã acordou ensolarada, reanimou-me, tinha roupa que chegasse... e à Festa voltei.

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Voltei para a Atalaia, com a enorme alegria (e reconhecimento) pelo trabalho, dedicação, militância dos camaradas que, na madrugada, repararam todos os muitos estragos da chuva e inundações, e fizeram o sol sorrir para o último dia de Festa.

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(...) ouvi (o comício), deitado no espaço em frente do palco, do palco que pisei durante 12 anos consecutivos.

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É bom ouvir, de frente, as posições do Partido e estas pareceram-me muito interessantes, em particular uma referente à Conferencia Inter-Governamental, não porque algo se possa esperar destes governos mas porque a proposta nossa da sua convocatória pode reflectir e estimular alguma mudança na correlação de forças,

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Ou levar a outros nomes, que não o que recuperámos – C.I.G. – para uma mesma fórmula.

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Então o Cavaco, dótôr em dívida pública, não fala de renegociação… desde que o nome não seja esse?… porque esse foi o nome que adiantámos no início deste calvário em que o País está desde que caiu na armadilha da dívida externa.

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(...)
 Acabado o discurso, quando me afastava para ver a cenografia da Carvalhesa mais ao longe (coisa linda!) cruzei-me com um camarada.

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2ª estórinha de viva, camarada, estás bom?:
pergunta-me o camarada:
- Viva, camarada… estás bom?!
respondi-lhe eu:
- … se não estivesse agora quando é que havia de estar...?!...
E seguimos, cada um para seu lado. Em Festa.

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(...)
Depois foi a recta final, com a volta habitual, com um grupo a actuar no café concerto, cheio de ritmo e animação, uma paragem no espaço da Madeira, em grande e efusiva alegria, e uma última passagem pela esplanada, onde aceitei mais um copo… for the road, e uns dedos de conversa num grupo.

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E fiz-me à estrada – 00:40-02:45.

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A ouvir noticiários de “um outro mundo”.

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Hoje, 8, pus os dias de agora em dia. 

E fiquei repeso por não ter podido ir ao jantar com o companheiro cubano (dos 5 de Miami).

Contra factos!

 (Expresso de sábado)
Há uma comprida década, em reacção a uma campanha  na comunicação social contra o PCP, "alimentada" de dentro, em que o menos que nos chamavam era "velhos, cinzentos, tristes",, reproduzi uma expressão vernácula que, nas vésperas, uma camarada soltara em desabafo telefónico, e dei o seu exemplo de vida, alegre, colorida, jovem. Que fui eu fazer! Durante alguns dias que somaram meses essa expressão usada por mim serviu, de forma deturpada, perversa, de mais "alimento" para a campanha, e deu-me protagonismo nunca desejado. 
Passou essa campanha. E o título do filme do Ettore Scola não pode inspirar as novas e permanentes campanhas. Feios, porcos e maus? Bonitos/as (alguns/mas), limpinhos (do que tanto suja outros), com dúvidas e muita confiança e determinação! JOVENS! 

segunda-feira, setembro 08, 2014

FESTA - destaques - 2

No comício de encerramento da Festa de 2014, no domingo, Jerónimo de Sousa fez outros anúncios, de diferente mas igual importância:


«(...)
O PCP assume as suas responsabilidades de grande Partido da Soberania e Independência Nacional, anunciando um programa integrado de acção política para renegociar a dívida, preparar o País para a saída do Euro, retomar o controlo público do sector financeiro, aspectos que constituem um imperativo nacional e uma exigência patriótica.
Um programa que se desenvolverá de imediato com:
A realização da iniciativa de abertura da acção “A força do Povo por um Portugal com futuro” no próximo dia 28 de Setembro centrada na Dívida, no Euro e nos interesses nacionais onde se afirmarão e apresentarão elementos essenciais que conduzam à libertação de Portugal dos constrangimentos a que está sujeito e recupere para o País alavancas essenciais para o seu desenvolvimento;
A apresentação na AR no início da sessão legislativa de um projecto de resolução que estabeleça um programa para resgatar o País da dependência e do declínio que vise fixar os calendários, condições e opções da política nacional com vista: a renegociar a dívida compatibilizando-a com o direito ao desenvolvimento; à criação de estruturas nos órgãos de soberania que estudem e preparem o País para a saída do Euro conduzida para a salvaguarda dos interesses e condições de vida dos trabalhadores e do povo; adoptar as decisões que conduzam a um efectivo controlo público do sector financeiro colocando-o ao serviço do interesse do País e dos portugueses e não da especulação.
O desenvolvimento pelo Estado Português de propostas fundamentadas para a realização de uma Conferência Intergovernamental para a revogação e suspensão imediata do Tratado Orçamental, a revogação da União Bancária, medidas visando o papel do BCE, a abordagem do processo de dissolução da União Económica e Monetária e a extinção do Pacto de Estabilidade e a criação de um programa de apoio aos países cuja permanência no Euro se tenha revelado insustentável bem como a rejeição do Tratado Transatlântico de Comércio e Investimentos UE/EUA, acções já anunciadas pelos deputados do PCP no Parlamento Europeu.
O PCP anuncia assim a acção em todas as frentes na defesa da soberania e da independência, na defesa dos interesses nacionais.
Uma acção que se articula com o lançamento e apresentação de outro conjunto de propostas dirigidas à imediata elevação do poder de compra dos trabalhadores, dos reformados, dos desempregados e de reposição dos rendimentos e direitos roubados. Propostas de valorização dos salários e pensões, nomeadamente a do inadiável aumento do salário mínimo nacional que deveria ter sido já actualizado, em Junho, para 515 Euros, bem como o estabelecimento de um calendário que garanta no curto prazo a sua elevação para 600 Euros!
O PCP apela à convergência de todos os democratas, patriotas e homens e mulheres, que sentem que a sua unidade para um programa claro de ruptura com a política de direita e uma política alternativa, patriótica e de esquerda, é um caminho em construção. Um caminho que não resultará de exibidos protagonismos, inventadas dificuldades de diálogo, oportunistas apelos à unidade, mas da convergência sem preconceitos ou marginalizações, de forças sociais e políticas, de cidadãos independentes, de patriotas, dinamizada e suportada pelo decisivo desenvolvimento da luta dos trabalhadores e do nosso povo.
Ampliar o debate sobre a política alternativa, alargar à contribuição de muitos outros democratas e patriotas o debate sobre os eixos essenciais dessa política, elevar a consciência em muitos milhares de portugueses não apenas sobre as razões e consequências da política de direita, mas sobretudo com a demonstração de que há alternativa – são estes os mais importantes e decisivos objectivos desta acção.
Uma proposta e um projecto de política alternativa que retire Portugal do atoleiro imposto pelo rotativismo de PS e PSD, sempre na promessa de novas caras, sempre recolocando o conta quilómetros a zero, sempre procurando cobrar na desilusão que alternadamente vão alimentando a reprodução de novas desilusões, desistência e descrença tão do interesse da política de direita e dos seus objectivos.
Não, o País não precisa de mais pactos de regime sejam para uma década ou para um ano, o País não precisa de leituras mais ou menos inteligentes do Pacto de Agressão ou do Tratado Orçamental, o País não precisa de operações de engenharia das leis eleitorais para favorecer artificialmente os partidos de turno à política de direita.
O que o País precisa é de romper com a política ao serviço dos grupos económicos e da especulação financeira, de se pôr de pé e rejeitar as ordens da União Europeia e da senhora Merkel, de ver devolvidos aos trabalhadores e aos reformados os rendimentos e direitos roubados, de repor na vida política nacional o respeito pela Constituição da República e pelos valores de Abril.
O que o País precisa é de uma política alternativa, patriótica e de esquerda que dê expressão à aspiração dos trabalhadores e do povo, dos democratas e patriotas genuinamente empenhados em assegurar para Portugal uma vida digna num País desenvolvido e soberano.

Nestes tempos difíceis, exigentes, perigosos o PCP intervém decididamente, enfrenta dificuldades e obstáculos, dinamiza a resistência e promove a ruptura, é a grande força da oposição à política de direita, a grande força dinamizadora da luta de massas, a grande força da alternativa, é o partido com que os trabalhadores e o povo contam e podem contar.

FESTA - destaques - 1

Na abertura da Festa deste ano, na 6ª feira, Jerónimo de Sousa deu a grande notícia, importante para nós e para quem, em Portugal, se interesse por política, por cultura, por arte, pelo País que somos, em suma:
«(...)
Mas permitam-me que vos anuncie uma importante decisão que tomámos.
Há 25 anos, na abertura da décima terceira edição da Festa do «Avante!», em Loures, o camarada Álvaro Cunhal anunciou a aquisição da Quinta da Atalaia e dizia que terminava assim «o jogo indigno de Governos e outras entidades de cederem temporariamente terrenos abandonados, cheios de mato e pedras com a esperança de nos verem afundar-nos neles».
Uma outra aspiração se alimentou desde a primeira hora: o alargamento do terreno da Festa. Prosseguiram-se esforços com esse objectivo ao longo de 25 anos mas sem resultados. Surgiu finalmente a oportunidade, que não podíamos desperdiçar, de concretizar essa aspiração. Adquirir a «Quinta do Cabo da Marinha» um terreno contíguo à Quinta da Atalaia com um enquadramento paisagístico de grande qualidade, arvoredo, espaço aberto, que permitirá aumentar em mais um terço o espaço disponível da Festa e alargar significativamente a sua ligação à Baía do Seixal. A Quinta do Cabo permitirá uma ainda maior valorização da Festa, o seu alargamento, o encontrar de melhores soluções para a reformulação dos seus espaços e enriquecimento dos seus conteúdos, para a melhoria da sua preparação, funcionamento e acolhimento dos visitantes.
É uma decisão que corresponde a uma grande aspiração, do colectivo partidário, dos visitantes da Festa, de todos os que a reconhecem como a maior realização político-cultural do País.
É uma decisão audaciosa porque se afirmamos a nossa independência e autonomia em relação ao Estado e ao poder económico não será uma aquisição por cedência, dádiva ou favor do Estado, por favor da banca ou de qualquer grupo económico. É um empreendimento e um compromisso nosso. Lançaremos uma campanha de fundos porque é preciso assegurar o seu pagamento completo, dirigindo-nos aos militantes e amigos do Partido, aos amigos da Festa do «Avante!», aos democratas e patriotas, apelando para criar as condições para uma Festa do «Avante!» ainda maior e melhor.
Há 25 anos, na situação difícil que então se vivia, numa fase de grande brutalidade da política de direita, quando decorriam as derrotas do socialismo, quando os inimigos do PCP, os desistentes, os que perderam a esperança e a confiança, os comentadores da época, anunciavam o declínio irreversível e até a morte do PCP, o Partido ciente das dificuldades mas com aquela determinação, convicção e confiança em si próprio, nos trabalhadores e no povo, lançou a campanha por um chão nosso para aqui na Atalaia fazer a Festa do «Avante!».
Inspirados nessa confiança e determinação, não subestimando nenhuma das dificuldades actuais do Partido, dos trabalhadores, da juventude, do nosso povo, havemos de alcançar um chão maior para uma festa maior e melhor.

E somos assim, temos esta confiança, porque temos um ideal, um projecto que tem o objectivo transformador e avançado de uma sociedade mais justas onde o ser humano seja livre da exploração por outro homem, o ideal comunista, a luta pelo socialismo.»

sexta-feira, setembro 05, 2014

quinta-feira, setembro 04, 2014

A Ucrânia, a Rússia e mais arredores nossos - 3


(continuação)


IV - Assegurando a segurança nacional da Federação Russa

(...) A política estrangeira da  Federação Russa pode designar-se por (...)

  • conseguir progressos no controle de armas nucleares e manter estabilidade estratégica no mundo através do cumprimento das suas obrigações internacionais nesta área;
  • cumprir obrigações mútuas para reduzir e eliminar armas de destruição massiva e armas convencionais, e aumentar as medidas para a construção da confiança e estabilidade, e assegurar a supervisão internacional de exportação de bens e tecnologias e a provisão de serviços militares e de dupla finalidade;
  • adaptar os acordos existentes de controle de armas de o desarmamento ao novo clima de relações internacionais, e desenvolver novos acordos se necessário, para aumentar a confiança e a construção da segurança;
  • dar apoio ao estabelecimento de zonas livres de armas de destruição massiva;
  • desenvolver a cooperação internacional na luta contra o crime transnacional e o terrorismo.
É um aspecto crucial da actividade estatal assegurar a segurança militar da Federação Russa. O principal objectivo neste aspecto é assegurar, através de gastos racionais, na defesa, uma resposta adequada a ameaças que possam surgir no século xxi. A Federação Russa prefere meios políticos, diplomáticos, económicos, e outros não militares, para evitar guerras e conflitos armados. Contudo, os interesses nacionais da Federação exigem a posse de poder militar. As forças armadas da Federação têm como principal fim assegurar a segurança militar da Rússia.
O papel vital da Federação Russa é evitar agresões contra a Rússia e os seus aliados em qualquer escala, nuclear ou outra. A Federação deve possuir forças nucleares que lhe garantam poder infligir o desejado grau de destruição em qualquer estado ou cligação de estados agressores, em qualquer circunstância.
Em tempo de Paz, as forças armadas da Federação Russa devem ser capazes de garantir protecção e fectiva contra ataques aéreos; levar a cabo missões de repelir agressões numa guerra local (conflico armado), juntamente com outras tropas, unidades militares e entidades; e de levar a cabo deslocações estratégicas de missões em guerras de larga escala. As forças armadas da Federação devem também assegurar a capacidade  russa para cumprir os seus deveres de manutenção da Paz.
A efectiva colaboração e cooperação com membros da União de Estados Independentes é um componente vital para manter a segurança militar da Federação Russa. A segurança nacionalrussa exige, em circunstâncias apropriadas, a sua presença militar em certas regiões do mundo estrategicamente importantes. Manter contingentes militares limitados (bases militares, unidades navais) nestes locais, num contexto de acordos, deve assegurar a possibilidade da Rússia cumprir as suas obrigações, e de ajudar a constituir um equilíbrio de forças  estratégicas militares estáveis nas regiões, e deve permitir a Federação Russa a reagir  a uma situação de crise nas suas fases iniciais, e atingir as suas metas na política externa.
A Federação Russa considera possível o emprego de força militar para assegurar a sua segurança nacional, baseado em (...):

  • uso de todas as forças disponíveis e meios ao seu dispor, incluindo armas nucleares, no caso de necessidade para conter uma agressão armada, se todas as outras medidas para resolver a crise tiverem sido esgotadas ou comprovem ser ineficazes (...)


quarta-feira, setembro 03, 2014

A Ucrânia e os seus arredores (isto é, o mundo) e conceitos estratégicos de segurança - 2

CONCEITO RUSSO DE SEGURANÇA NACIONAL
A 10 de Janeiro de 2000, o presidente em exercício Vladimiro Putin assinou um novo conceito russo de segurança nacional. Foi publicado na imprensa russa alguns dias depois. Estes pequenos extractos evidenciam de novo que a guerra  da NATO contra a Iugoslávia foi uma ponte demasiado longa para o equilíbrio internacional do poder, cada vez mais frágil. Particularmente o patamar para o uso de armas nucleares está a baixar em todo o lado. Antes de mais os americanos não ratificaram a proibição total dos testes, enquanto continuavam as suas investigações na "Guerra das Estrelas Mark2". e agora os russos fizeram sair esta declaração que necessita de um escrutínio cuidadoso, inclusive pelos movimentos da Paz. Os activistas da Paz registaram a sua preocupação acerca da guerra na Chechenya, que teve uma ampla coobertura no Ocidente. Em contrapartida, esta importante declaração foi pouco divulgada, embora o que nela está escrito seja de interesse crucial para todos nós.  

I - Rússia no mundo

(...) Os interesses comuns partilhados pela Rússia com outros estados estão implícitos em muitos problemas de segurança internacional. Estes incluem a proliferação de armas de destruição massiva, o estabelecimento e prevenção de conflitos regionais, luta contra o terrorismo internacional e comércio de drogas, e a resolução de problemas graves provocados por radiações e segurança nucleares.
Ao mesmo tempo, alguns estados estão a aumentar os esforços para enfraquecer a Rússia sob o ponto de vista político, económico, militar e outros. Tentativas de ignorar os interesses russos quando se trata de resolver graves problemas de relações internacionais, a estabilidade e as mudanças positivas que têm sido conseguidas em assuntos internacionais.(...)

II - Os interesses nacionais da Rússia

(...) Os interesses nacionais da Rússia na esfera internacional consistem em defender a sua soberania, fortalecendo as suas posições como grande potência e um dos centros de influência num mundo multi-polar, desenvolvendo relações iguais e equidistantes com todos os países e associações de países, em particular com os membros da Comunidade de Estados Independentes e tradicionais parceiros da Rússia, na observância universal dos direitos humanos e liberdades, não permitindo padrões duplos a este respeito (...) Os interesses nacionais. na esfera militar baseia-se na defesa da sua independência, soberania, integridade estatal e territorial, evitando agressões militares contra os seus aliados e assegurando condições  para um pacífico e democrático desenvolvimento do estado (...). 

III - Ameaças à segurança nacional na Federação Russa

(...) As ameaças fundamentais na esfera internacional são causadas por:
  • o desejo de alguns estados e associações internacionais de diminuírem o papel dos mecanismos existentes para manterem a segurança internacional, principalmente as Nações Unidas e a Organização para a Segurança e a Cooperação Europeias;
  • o perigo de um enfraquecimento da influência política, económica e militar russa no mundo;
  • o fortalecimento dos blocos e alianças político-militares, especialmente a expansão da NATO a Leste;
  • a possível emergência de bases militares perto das fronteiras russas;
  • a proliferação de armas de destruição massiva e os seus meios de distribuição;
  • o enfraquecimento do processo de integração dentro da União dos Estados Independentes;
  • o surgimento de conflitos e o seu desenvolvimento perto das fronteiras da Federação Russa e das fronteiras externas dos estados membros a União dos Estados Independentes;
  • reclamações territoriais na Rússia.
Na esfera internacional, as ameaças à segurança nacional da Federação Russa podem ser vistas nas tentativas de outros estados se oporem ao fortalecimento da Rússia como um dos centros de influência de um mundo multi-polar, dificultando o exercício dos seus interesses nacionais e enfraquecendo a sua posição na Europa, no Médio-Oriente, na Transcaucásia, Ásia Central e Ásia Pacífico.
(...) O nível e a extensão da ameaça militar estão a crescer. Agora elevada ao nível de uma doutrina estratégica, a transição da NATO para o uso da força militar fora da sua zona de responsabilidade, e sem a sanção do Conselho de Segurança das NU, pode desestabilizar toda a situação estratégica global. A crescente vantagem técnica de vários poderes de liderança, e a sua maior capacidade para desenvolverem novas armas e equipamento militar, pode provocar uma nova geração de tipos de armas, e alterar radicalmente as formas e métodos de fazer guerra (...)

(continua)

A Ucrânia (e seus arredores...) nos dias de agora - 1

(...)

Está a ser uma exigência! Tenho de colocar “isto” fora dos tinteiros da impressora.

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No meu “vasculhar” entre desarrumados livros, e notas neles deixados, em intenção de um trabalho em que tanto me empenhei (um texto para o volume do Boletim de Ciências Económicas da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra de homenagem ao Avelãs Nunes), encontrei o que considero uma preciosidade.

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Pela oportunidade.

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Trata-se de uma publicação, editada pelo querido companheiro Ken Coates, trabalhista inglês (dos antigos, dos “de classe”), militante da Paz, deputado europeu no nosso Grupo do Parlamento, que tive o enorme gosto de convidar, em nome do Partido, e acompanhar numa Festa do ávante! de há década e meia.



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Nesta publicação, do ano 2000, inclue-se uma série de artigos do maior interesse,

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Entre eles, destaco o de Putin sobre o conceito estratégico de segurança nacional russo, que a evolução recente dos acontecimentos na Ucrânia veio dar enorme oportunidade.

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Nunca tive particular simpatia pelo governante russo, nem aqui (ou noutro lugar) farei o seu panegírico, mas isso não impede que traga este esclarecedor artigo, de 2000!, como fonte indispensável de informação séria para o que está a acontecer nos “dias de agora”.

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E nos que se seguirem.Vou repartir o artigo, relativamente longo, por alguns “posts” do anónimo, neste intervalo de Festa.

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E de luta!