sábado, novembro 13, 2021

É isto mesmo

  - Nº 2502 (2021/11/11)

O pudim


Os conceitos, quaisquer que eles sejam, só são úteis quando é claro (pelo menos para a maioria) aquilo que representam. Caso contrário, corre-se o risco de se achar que nos referimos todos ao mesmo quando, afinal, falam uns de alhos e outros de bugalhos.


O conceito de esquerda não constitui, a este respeito, qualquer excepção. Nas últimas semanas, tem-se falado muito da convergência da esquerda, das divergências à esquerda, do Orçamento também ele muito de esquerda. Mas o que é, então, isso de esquerda? Uma atitude? Uma proclamação? Uma tradição? Um posicionamento mais ou menos efémero que se afere apenas e só em relação com o de outros? Ou será algo mais?

Estaremos realmente todos a falar do mesmo?

Será possível colocar numa mesma categoria genérica de esquerda aqueles que assumem a valorização dos salários e o trabalho com direitos como factores de crescimento económico e progresso social e os que, curvando-se perante o poder económico, generalizam a precariedade e dão cobertura a despedimentos colectivos?

Podem ser de algum modo equiparados os que pretendem repor os prazos, montantes e condições de atribuição do subsídio de desemprego praticados antes da troika e aqueles que querem deixar tudo como está?

É aceitável amalgamar sob um mesmo conceito quem se bate por fixar médicos e outros profissionais de saúde no SNS e aqueles que por acção ou inacção promovem a sangria de milhares de médicos, enfermeiros e técnicos para o estrangeiro ou para o sector privado? Os que defendem um real investimento nos hospitais e centros de saúde e simultaneamente os que alimentam com avultados fundos públicos o sinistro negócio da doença? Pode ser de esquerda tanto o que defende o direito à habitação como o que facilita despejos, favorece a especulação e reserva centros históricos para o turismo e para os condomínios de luxo?

Ajudará ao esclarecimento público designar da mesma forma quem pretende controlar os preços dos combustíveis, no momento em que se encontram em máximos históricos, e quem observa passivamente o mercado a funcionar, não estando disposto a beliscar em um cêntimo que seja os interesses das petrolíferas? São semelhantes os que se batem pela criação de um serviço público de cultura e quem pretendia consagrar apenas 0,25% do Orçamento do Estado a este sector fundamental?

Fosse esclarecer e informar a intenção da generalidade da comunicação social e dos comentadores e politólogos e conceitos desta natureza seriam utilizados com maior prudência. No fundo, era importante que se passasse a falar mais de conteúdos e menos de rótulos sem correspondência com a realidade, pois no fim é isso que importa. Como diziam os clássicos, a prova do pudim passa por comê-lo.

Gustavo Carneiro

Resumindo

 RESUMO...

                do SUMO (da mensagem pulítica 

da direita da esquerda,

da esquerda do centro, 

do centro,

da esquerda do centro,

do centro do centro

da direita do centro

da direita da direita

dos descentrados):


em suma

quarta-feira, novembro 10, 2021

Informe-SE - eleições na Nicarágua - 6

NOTÍCIA DA TELE-SUR:

A Frente Sandinista venceu as eleições na Nicarágua com mais de 75% dos votos expressos

Em segundo lugar, vem o Partido Liberal Constitucionalista (PLC), com 14,2% dos votos, seguido do Camino Cristiano Nicaragüense (CCN), com 3,3%, da Alianza Liberal Nicaragüense (ALN), com 3,2%, da Alianza por la República (APRE), com 1,8%, e do Partido Liberal Independiente (PLI), com 1,7%.

A participação foi superior a 65% dos cidadãos inscritos e o processo eleitoral foi seguido por 232 observadores internacionais, vindos de 27 países, e por 600 jornalistas acreditados para o processo eleitoral.

esta é outra informação!

Informe-SE! o chumbo do OE2022 e uma opinião - 5

Não faltam assuntos, temas, a merecerem a atenção de quem se queira informado. E a informação oferece-se em doses substanciais, embora muito repetitivas, dir-se-ia gaguejantes (hoje e amanhã, as mesmas fotos de ontem e anteontem se não de antes, daqui como se fossem dali, dali como se fossem dacolá). 

O OE2022, o ambiente em cimeira espectacular, a web-sumit em espectacular cimeira, os trânsfugas em fuga e os quadros mal guardados, os militares em missão que se transviaram e traficaram, os PSD e CDS em directas muito retorcidas, o futebol sempre no centro das notícias com muitos ou poucos golos, com bola ou sem bola, com os gémeos de um e a homossexualidade de outro, a data das eleições (em Portugal) para já ou para mais logo mas, já já, as sondagens com a pontaria em maiorias absolutas, ou nem por isso... E os comentadores e os debates, as entrevistas armadilhadas, as directas e as indirectas. Um fartote! Com direcções definidas, linhas de manipulação bem assestadas. Que até seriam fáceis de descortinar, isto é, de ver, por detrás da cortina, quem mexe os cordelinhos,

E o que não se diz, e do que não se fala. Que tanto é!

Aqui, não nos calaremos, não nos cansaremos.

Por exemplo, com quase uma semana de atraso, mas como que tendo ganho actualidade, reproduz-se uma das opiniões que se pretende que não se conheçam, que se conheçam pouco, que se conheçam mal ou às avessas:   

 


Os dez euros das pensões

Vasco Cardoso
Era pre­vi­sível que, face à re­jeição da pro­posta de Or­ça­mento do Es­tado, não só se in­ten­si­fi­casse a cam­panha contra o Par­tido como se re­for­çassem as li­nhas de dra­ma­ti­zação fa­vo­rá­veis ao PS que vai dis­far­çando cada vez pior o ob­jec­tivo da mai­oria ab­so­luta.

Parte dessa cam­panha visa res­pon­sa­bi­lizar o PCP – des­con­si­de­rando sempre a au­sência de uma res­posta global aos pro­blemas do País - pela não con­cre­ti­zação de me­didas po­si­tivas ins­critas na pro­posta, ou mesmo, por me­didas que che­garam a ser ad­mi­tidas. Esse mesmo en­saio, que co­meçou ainda antes da dis­cussão na ge­ne­ra­li­dade, pro­longa-se até hoje com ele­mentos cons­truídos à me­dida desta ideia: a culpa é do PCP.

O caso das pen­sões de re­forma é talvez o exemplo onde este tipo de cam­panha terá ido mais longe, pas­sando junto dos re­for­mados a ideia de que por causa do PCP já não terão o au­mento dos 10 euros no pró­ximo ano.

Mas vamos aos factos. Ao longo destes anos, nin­guém mais que o PCP se bateu pelo au­mento ex­tra­or­di­nário de pen­sões. Se du­rante os úl­timos cinco anos as pen­sões de valor mais baixo foram au­men­tadas em 50 euros isso é obra do PCP. Sempre com a re­sis­tência do PS. Im­pe­dindo que se alar­gasse o au­mento a todas as ou­tras pen­sões in­cluindo dos que mais des­con­taram. For­çando que o au­mento co­me­çasse em Ja­neiro e não em Agosto como o PS in­sistia. Lu­tando para que fosse por pensão e não por pen­si­o­nista. Foi este o filme a que as­sis­timos ao longo destes anos com cada au­mento a ser ar­ran­cado a ferros. Aliás, se o au­mento das pen­sões de­pen­desse do PS e da Lei que é da sua au­toria não te­riam ha­vido estes au­mentos desde 2016, grande parte das pen­sões teria fi­cado con­ge­lada, ou com au­mentos que não re­ver­te­riam a perda de poder de compra.

Im­porta ainda cla­ri­ficar que, para 2022, o que o go­verno tinha na pro­posta de OE era o au­mento de 10 euros a partir de Agosto, exi­bindo uma vez mais as suas re­sis­tên­cias.

Mas dei­xemos de lado a cam­panha contra o PCP e con­centre-mo-nos nas as­pi­ra­ções dos re­for­mados. É que, tal como temos dito, nada im­pede o go­verno de – mesmo nas ac­tuais cir­cuns­tân­cias – dar res­postas a as­pi­ra­ções exis­tentes. Pode e deve fazê-lo. É o caso do au­mento do Sa­lário Mí­nimo Na­ci­onal, dos au­mentos para a ad­mi­nis­tração pú­blica ou para as pen­sões. Na ver­dade, não há ne­nhum im­pe­di­mento, nem legal, nem or­ça­mental. Um au­mento que é um di­reito dos re­for­mados e não uma moeda de troca ou peça de chan­tagem.

Informe-SE! - Solidariedade com Cuba - 4

Fim ao bloqueio dos EUA!
Cuba vencerá!


O bloqueio económico, comercial e financeiro imposto a Cuba pelos Estados Unidos da América é criminoso, ilegal e ilegítimo.

Imposto há mais de 60 anos e por diversas vezes agravado, o bloqueio procura atingir diretamente as condições de vida do povo cubano e direitos tão fundamentais como a saúde, a alimentação ou o desenvolvimento.

Só entre abril e dezembro de 2020, o bloqueio provocou à economia cubana prejuízos superiores a 3,5 mil milhões de dólares e, em plena pandemia, dificultou o acesso do povo cubano a medicamentos e equipamentos médicos e obrigou Cuba a comprar equipamentos e reagentes para a produção das suas próprias vacinas contra a COVID-19 a preços muito superiores aos praticados internacionalmente.

O bloqueio é uma forma particularmente cruel de agressão a que urge pôr cobro. É essa justa exigência que tem vindo a ser afirmada desde há três décadas pela grande maioria dos países do mundo, em sucessivas votações na Assembleia-geral das Nações Unidas: na última, este ano, 184 países votaram favoravelmente pelo levantamento do bloqueio, EUA e Israel votaram contra e apenas três países se abstiveram.

O bloqueio é um instrumento que os EUA utilizam na sua política de imposição de uma “mudança de regime” em Cuba, que derrote a Revolução cubana. Um política ilegal à luz do direito internacional, que passa também por uma sistemática ingerência e campanha de desinformação, por tentativas de desestabilização, de impedir a ação das brigadas médicas internacionais cubanas ou de limitar a solidariedade internacional a Cuba.

No dia 15 de novembro, às 18 horas, terá lugar um ato público de solidariedade com Cuba e o seu povo junto à Embaixada de Cuba em Portugal (Rua Pero da Covilhã, em Lisboa), onde se reafirmará a exigência do fim do bloqueio, se reclamará das autoridades portuguesas uma ação determinada em defesa da soberania e do direito do povo cubano ao desenvolvimento e se demonstrará uma vez mais que Cuba e o seu povo não estão sós.

Cuba, sempre solidária, necessita da nossa solidariedade. Não faltaremos!

As organizações promotoras

 

segunda-feira, novembro 08, 2021

Informe-SE!... porque não O informam senão do que e como lhes serve...- 3

de ACR (As Conquistas da Revolução) - No centenário de Vasco Gonçalves 

A Ignorância dos perigos que desconhecemos 

e que corremos

 Marques Pinto

Vogal da Direcção

Penso que muitos de nós vivendo neste pequeno cantinho da Europa, vamos ignorando muitos dos riscos que a nossa espécie corre, de um modo muito mais perigoso do que a grande maioria pensa.

Claro que de um modo geral e porque se têm acumulado nos últimos anos um enorme arsenal atómico na Europa Ocidental - fruto sobretudo das tensões criadas pelos que habitam na outra margem do Oceano Atlantico - que segundo os especialistas em conflitos atómicos bastaria a deflagração de 3 a 5% desse armamento para que grande parte do território mais populoso da Europa Central ficasse um deserto de seres vivos.
Contudo o que me levou a colocar esta chamada de atenção foi um facto muito pouco divulgado ou mesmo quase escondido pelos grandes meios de comunicação e que aconteceu há poucos dias no Mar da China.
O submarino nuclear USS “Connecticut” SSN ( da classe Seawolf ) bateu em imersão num objecto ou relevo desconhecido e terá vindo á superfície perto das Ilhas Paracel - 150 milhas duma base de submarinos Chinesa na provincia de Hainan.
Claro que alem do risco de poluição atómica, com todas as possíveis consequências para a fauna marinha e o próprio ambiente foram denunciadas não só pela China como pelas Filipinas.
Nada se sabe ou pelo menos nada tem transparecido nos meios de comunicação e o que levanta mais suspeitas sobre a gravidade do incidente é que a própria Marinha Americana proibiu a divulgação e toda a guarnição durante uma semana ficou totalmente incomunicável.
Apesar da ocorrência em aguas territoriais de outro país a Marinha Americana não autorizou qualquer investigação ou inspecção.
Evidentemente que só através dos Governos das Filipinas e da China se conseguiu detectar e publicitar tal incidente pois até agora a “ignorância” dos grandes meios de comunicação se tem mantido fiel ao encobrimento de tal incidente.
Penso que este incidente independentemente da causa e dos efeitos mais ou menos graves que tenha provocado ou venha ainda a provocar, demonstra e deve-nos fazer pensar seriamente no que poderia acontecer com uma ocorrência semelhante aquando duma das eventuais “visitas amigas” de tal tipo de navios nucleares aos nossos portos ou mesmo em secretas patrulhas submarinas tão frequentes junto ás nossas costas dado que são rotas de inúmera navegação civil e sobretudo militar de tantos países.

(*) O artigo completo, em inglês, encontra-se neste link

https://www.informationclearinghouse.info/56840.htm

domingo, novembro 07, 2021

Informar-SE, como? (intervalo que não o é, que é "ponte") - 2

 Páginas de um diário que não está em dia

 

Ontem foi um dia de “acontecer coisas”. Um daqueles dias que mexem na vida de um cidadão.

Interrompendo a concretização de uma sequência de reflexões sobre o Estado das cousas e a informação que delas se dá, o escriba comunicante  que sou viveu o acontecimento do encontro de vizinhos que são ou que foram na sua juventude nesta terra onde habito e convivo.

Trata-se de uma iniciativa simpática, tipo realização informal de periodicidade anual (que, ao que soube, só não se realizou em 2020 por motivos conhecidos e com a etiqueta bastante de confinamento) de que há muito tenho conhecimento, mas em que nunca participei por os seus fundadores informais e organizadores serem de um estrato etário, diga-se geração, afastado do meu mais de uma década.

Este ano, ano de recuperação de muita coisa, “o poço” calhou-me vir a ter participação no encontro por os organizadores terem incluído no programa um acto – a que chamaram recepção escolar – para que me convidaram, tendo por motivo a visita ao Centro de Documentação Joaquim Ribeiro-Zambujal, local escolhido para o… pequeno-almoço.

Essa escolha deu-me grande satisfação pois o CDJR-Z, inaugurado a 27 de Setembro de 2020, não deu ainda sequer os primeiros passos, ou melhor, este de ontem foi o seu 4º passinho de um caminho que muito desejo seja feito. E os caminhos fazem-se al andar, não é, António Machado?  

No entanto.

Ou… no entretanto – deixando para outros lugares e ocasiões a tão agradável evento e almoço –, na passagem de olhos pela informação que procuro à sexta-feira, trazida pelo correio, encontrei a notícia de que a filha de José da Silva Lopes doara ao Município de Ourém o acervo bibliográfico de seu pai, nascido no concelho e que morreu em 2015.

Essa notícia, se me serviu como uma das referências a fazer no encontro de ontem, foi também “ponte” para o tema a que, neste momento, estou a dar prioridade.

A vida de Silva Lopes, o que dela se conta, é informado, pode ser uma ilustração do que pretendo sublinhar em duas direcções:

i)                por um lado, a excessiva fulanização dos actos e factos políticos e,

ii)               por outro lado , como essa “fulanização” pode ser manipuladora ao empolar uns e diminuir outros, ao reflectir a importância do ambiente ou “pano de fundo” criado pela “grande informação” (os ditos órgãos de referência), e como isso se expressa na informação corrente.

 

De José da Silva Lopes, nascido em Seiça (ou foi em Caxarias?, depende da oscilação do contorno das freguesias), escolheria dizer que chefiou a delegação que, em 1972, negociou as negociações do acordo comercial de Portugal com a CEE, no quadro do alargamento desta e quase desaparecimento da EFTA, negociações em que interesses nacionais, como dos têxteis e das conservas, foram defendidos, pertenceu aos 5 primeiros governos depois do 25 de Abril – o 1º e os 4 com Vasco Gonçalves como primeiro ministro  -  e ao IIIº governo constitucional, de iniciativa presidencial.

Muitas outras coisas foi, como deputado como deputado na AdaR, pelo Partido Renovador Democrático, de 1985 a 1987. Não se pediria que se fizesse uma biografia exaustiva, mas… mas o que dela foi dado é bem o reflexo do que se informa e do que não se informa. Dizer-se que foi “Economista reputado, antigo governador do Banco de Portugal (que foi de 1975 a 1980) e cabeça de lista, pelo PS, à Assembleia Municipal de Ourém em 2009 (lugar que não ocupou)”é pouco e mau, por ser manipulador ainda que de forma indirecta.

 

Assim se faz a informação. Mas este é um exemplo tão-só local, e como simples reflexo do ambiente informativo criado. Que, num exemplo simples e aparentemente inócuo, exclui das informações as que possam ser valorizadoras (ou contrárias a “ideias feitas”) de actividades  e factos que ilustrariam a luta pela liberdade e a democracia em Portugal.

sexta-feira, novembro 05, 2021

Informar-SE!, como? - 1

Com uma relativa frequência, fala-se do Estado da Nação, e também do Estado do mundo. Suscitam-se então reflexões que, sendo sempre oportunas para a reflexão, o posicionamento e a intervenção sobre o estado em que estamos e como se chegou a este estado, se baseiam na informação que se tem. E ela abunda.

No entanto, o facto de haver tanta informação, e tanta inter-comunicação informativa que as chamadas redes sociais vieram provocar, coloca em primeiro lugar das preocupações a orientação e a qualidade da informação e inter-comunicação que há, tanto - ou mais - que a quantidade. E é assustador o  estado em que se está nesse domínio. E se domínio se escreve como maneira de dizer área, também serve para se dizer quem domina, com o significado de manipular.

É justo perguntar-se como e onde informar-se, que jornal ler, que rádio ouvir, que televisão ver. Quais os meios a escolher para que a informação... informe. Mas a preocupação acresce se, e porque, há jornais, rádios, televisões que, sem que haja escolha, se impõem, entram em casa do cidadão, nos seus 5 sentidos e (in)formatam a sua informação.

Não há solução? 

Claro que há, mas é muito difícil a alternativa. Têm de se  vencer barreiras, inércias, cansaços. Se se reparar bem, tem de combater uma poderosa máquina de informação padronizada, que se repete com diferenças muito mais (ou tão-só) aparentes que reais. Independentemente dos veículos ou meios veiculadores.

No actual momento da "política portuguesa" detectam-se - ou podem detectar-se se se estiver atento ao fenómeno relevantíssimo da informação - factos, imagens, linhas de interpretação da realidade viva e vivida, que se repetem, por vezes até à exaustão. Vencendo pela repetição que cansa e convida à resignada aceitação de posições, de interpretações e "leituras", como únicas, sem alternativa, e que de nenhum modo são únicas nem incontroversas. Enquanto outros factos, imagens, linhas de interpretação da realidade viva e vivida são ignorados, escondidos ou... mascarados e confinados.

Não havia alternativa para que de um "chumbo" ao OE apresentado à votação da AdaR resultasse a dissolução do parlamento e eleições legislativas? Ou, de outra maneira, pelo facto do PdaR ter afirmado o que seriam as suas intenções, de acordo com as suas competências, essa sua ingerência (pressão, ameaça... o que lhe queiram chamar) em dois dos outros orgãos políticos do País além do seu (com mais os Tribunais os quatro orgãos de soberania), tornavam inevitável essa solução. 

Não! 

Porque não seria a primeira vez que aquele orgão institucional, e aquele seu titular, não faria o que antes afirmara ou insinuara, ou ameaçara que iria fazer... E a prova disso é que Marcelo deu todo o espectáculo de audições e de reuniões e de aConselhamentos de Estado, como se todo esse ritual viesse homologar a decisão pré-tomada se acontecesse o que aconteceu... E que NUNCA aconteceria tal e qual como previsto e prevenido, ao tomar a decisão sobre a decisão que iria  tomar (e já tomou... uff!).

Este é um exemplo.   

O tratamento dado pela informação veiculada de forma massiva e impressiva, como se fosse a isenta e desideológica, foi de cristalina transparência. A outra informação, por vezes referida ou apresentada na informação massiva e impressiva como nota de pé de página em tipo 6, existiu (e existe) para quem a procurou (e pode procurar). Para quem, além de informado, quis informar-se! E o tenha conseguido. Sim, porque não é fácil.


continuarei  

terça-feira, novembro 02, 2021

Ora pensemos em voz(es ao) alto - 1

 

A VER SE NOS ENTENDEMOS 

Pedro Tadeu - in DN

Quando em 2019 o governo de António Costa aprovou alterações ao Código do Trabalho e passou o período experimental de 90 para 180 dias (mas em que planeta é preciso seis meses para verificar se um trabalhador é competente?!...) deu um tiro de pistola na geringonça.

Quando, nesse mesmo Código do Trabalho, reforçou as possibilidades do patronato ficar livre das regras da contratação coletiva, ao ampliar os motivos para a caducidade dos acordos feitos entre sindicatos e patrões, prejudicando a capacidade de negociação dos trabalhadores, deu um tiro de espingarda na geringonça.

Quando em todos estes seis anos o ministério das Finanças usou, de forma sistemática, excessiva e arbitrária, a cativações de verbas e eliminou na prática o financiamento atempado de muitas medidas que tinham sido acordadas com os partidos que viabilizavam o governo de minoria, deu rajadas de metralhadora na geringonça.

Quando António Costa, ao longo de seis anos, permitiu que o financiamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) resultasse numa constante subcontratação de serviços ao sector privado, social e farmácias, que ronda já os 2 mil e 800 milhões de euros por ano, em vez de contratar mais pessoal e mais equipamento, lançou uma granada sobre a geringonça.

Quando em plena pandemia por Covid-19 o governo começou a contratar mais enfermeiros a prazo, dispensando-os logo a seguir, deu um disparo de morteiro na geringonça.

Quando na campanha eleitoral para as autárquicas António Costa acusou a GALP de "irresponsabilidade social" pelo fecho da refinaria em Matosinhos, que atirou diretamente 400 pessoas para o desemprego, depois de meses e meses de complacência do seu governo com esse processo desencadeado pela empresa, fez explodir uma mina terrestre no caminho da geringonça.

Quando na discussão do orçamento para 2020 António Costa não aceitou comprometer-se claramente em pagar mais 50% de salário aos médicos que desejem ficar em exclusivo no Serviço Nacional de Saúde, detonou um explosivo na geringonça.

Quando na discussão deste Orçamento do Estado o governo apresenta um documento que nem PCP nem Bloco de Esquerda têm condições de aceitar, por não garantir a aplicação imediata de inúmeras propostas em discussão, como as creches gratuitas para todas as crianças, o aumento extraordinário e abrangente de pensões, o baixar o IVA da electricidade, entre muitas outras, liquidou a negociação. Este foi o tiro de bazuca que matou, de vez, a geringonça.

Quando o secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Tiago Antunes, mente na televisão ao dizer que o PCP exigiu, sem cedências, a subida do salário mínimo para 850 euros já em janeiro, quando na verdade aceitou 705 euros no início do ano e apenas 800 euros no final de 2022, fez de coveiro da então já falecida geringonça.

A geringonça morreu porque António Costa fez por isso, desde há bastante tempo, provavelmente porque acha que vai ganhar com eleições antecipadas.

Significa esta morte que a esquerda não vai ser capaz de voltar a fazer um acordo que viabilize um governo? Não.

Na verdade, o tempo político que vivemos, com a pandemia aparentemente numa fase de controlo e com um reforço do financiamento europeu garantido, convida a repensar profundamente a forma como se elaboram orçamentos e como estes se articulam com outras medidas exteriores a esse documento. É uma oportunidade que não se repetirá tão cedo. Foi isso que o PCP pôs em cima da mesa.

Seja na discussão deste documento, seja com outra solução encontrada ainda neste parlamento, seja após eleições antecipadas, a esquerda acabaria por concluir que tinha mesmo de matar a geringonça, pois com ela o PS já só geria a contabilidade do Estado com a calculadora do receio nacional de eleições antecipadas. A esquerda terá de pensar se vale a pena avançar para outro patamar de relação.

A direita, se precisar, não hesitará em aliar-se toda ao Chega, sejam quem forem os líderes dos outros partidos e, por isso, já tem implícita uma proposta política para os portugueses apreciarem numas eventuais eleições antecipadas: tirar o PS do governo.

Morta a geringonça, a esquerda ou vai para a separação de águas entre os seus partidos ou para o aprofundamento da relação. O medo da direita é a segunda hipótese. O medo da esquerda é, também, a segunda hipótese.

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(já venho ...)

Ora pensemos em voz(es ao) alto - II

Foi com verdadeira satisfação que li o artigo de Pedro Tadeu no Diário de Notícias, um dos muitos orgãos da comunicação social onde deixei alguma colaboração (bem escassa no DN). Li, quase com alegria, e reproduzi porque inForma, com enorme oportunidade, nestes tempos e lugares de avassaladora desinformação.

Vem tal artigo como que encher o meu saco de criança a pedir ó tia, dá bolinho!, a acompanhar netos e com a alegria de ver tradições não arrasadas (traídas) por estrangeiradas de bruxas e abóboras. E obriga-me, com urgência e muito gosto, a ultrapassar um incidente em que inadvertidamente caí, ao fazer comentário numa mensagem de facebook.

Trata-se da utilização, a meu ver excessiva e perigosa, das designações de esquerda e de direita. A torto e direito (o que não é o caso de António Tadeu)!

Direita e esquerda não são  conceitos científicos, são posições num hemiciclo parlamentar. Já classes sociais e correlação de forças entre classes sociais têm um fundo conceptual. Mas (aqui) não quero entrar por esses caminhos. Oportuno me parece ser a génese das forças sociais em confronto neste momento.

Em 25 de Abril (de 1974, claro) havia dois partidos. Um na clandestinidade, cá dentro e a lutar, marxista-leninista; outro, recém formado lá fora, social-democrata de raíz marxista mas não leninista, com militantes cá dentro. Havia, também, movimentos e projectos de partidos com diferentes formas e expressões.

Com o 25 de Abril, na esteira do que foi o borbulhar do final do fascismo e da guerra colonial, muito na base do catolicismo progressista, formaram dois partidos que, desde então, têm vindo a ser protagonistas na acção político-partidária.

Pode (posso?) dizer-se que o PPD (note-se o nome: Partido Popular Democrático) agrupou, predominantemente, os cidadãos que, aceitando a democracia social se predisporiam para uma organização da sociedade de cariz socialista por contrária à exploração do trabalho/trabalhadores, com sérias reservas a qualquer beliscar do que seria, a seu conceito, a "democracia política".

O CDS (note-se o nome: Centro Democrata-Social) teria uma matriz cristão-democrata, aliciando e agregando os extractos populacionais de confissão e obediência religiosa, opondo-se à concepção socialista e/ou social-democrata, mas sem recusar a co-habitação numa estrutura social com valores e objectivos anti-fascistas e de democracia na sua vertente política.

Como logo se teria visto (quem quisesse ver), as forças e dinâmicas que caracterizavam o que se alcunhava de Estado Novo, antigo regime e outras alcunhas, não foram reprimidas, e a essas novas condições (democráticas em alguns sentidos, que não equilibradamente em todas as vertentes da democracia) se adaptaram capciosamente, procurando infiltrar-se onde vissem brechas, aproveitando não serem violentamente reprimidos para se manifestarem, por vezes com violência.

Dir-se-ia, simplificando ou retro-activando linguagem de hoje, que a esquerda se constitucionalizou num ambiente de precária estabilização.

Poucos anos passaram, ou muitos anos passaram (depende da escala). O mundo, no seu todo, mudou mais que os anos que passaram (muitos ou poucos).

A actual situação faz pensar. Como todas deveriam, mas algumas mais do que outras. Entender-nos ter-se-á tornado mais difícil, porque a informação ganhou transcendência, porque os dicionários deixaram de ter utilidade, porque se simplificaram frases, palavras, se desmiolaram expressões.

Hoje reescrevo, estimulado pelo que li, que o PS é tão de esquerda, tão de esquerda que prefere ser a esquerda da direita que a direita da esquerda. Depois de se vangloriar ter aberto a porta da governação (a quem estava à sua esquerda e por confessada necessidade) a forças à sua esquerda, não as deixou assomar à janela.

E fico-me, por agora satisfeito. Porque (julgo) ter minimamente clarificado o que penso.


sábado, outubro 30, 2021

Contrariando certas cont(h)abilidades... à direita e à esquerda

 Texto do deputado do PCP, António Filipe.

(eleito no distrito de Santarém, vice-presidente da AdaR)

 

PARA QUEM A VERDADE NÃO METE MEDO

 

Sabia que?

A propósito de convergências e divergências ao longo desta XIV Legislatura, no que se refere concretamente ao posicionamento do PS em relação a projetos de lei do PCP, não há como fazer as contas. Vejamos então:

Foram submetidos a votação 134 projetos de lei do PCP.

O PS votou contra 114 (85%). Absteve-se em 5 e votou a favor em 15.

E com quem juntou o PS os seus votos para rejeitar os projetos do PCP?

• Com o PSD, 83 vezes;

• Com o CDS, 76 vezes;

• Com a IL, 62 vezes;

• Com o Chega, 31 vezes;

• Com o PAN, 14 vezes;

• Com o BE, uma vez.

13 projetos foram rejeitados só com os votos contra do PS, havendo abstenções dos partidos de direita.

8 projetos foram aprovados apesar dos votos contra do PS.

As abstenções do PS em projetos do PCP foram 5. Destes, 2 foram aprovados e 3 não chegaram a votação final.

Dos 15 votos a favor, 9 foram sobre projetos aprovados por unanimidade;       2 não chegaram a votação final, 1 só teve o voto contra do PAN e 1 só teve votos contra do PAN e da IL.

Só 2 projetos de lei do PCP foram aprovados pelo PS, contra a direita. Tratou-se da lei da nacionalidade e da lei sobre a procriação medicamente assistida e, em ambos os casos, estiveram conjuntamente em apreciação projetos de lei do PS que o PCP votou favoravelmente.

 

Estes são os factos. 

As conclusões serão vossas

EM 30 de Outubro de há 2 anos (confira-se!)

NESTE BLOG HÁ 2 anos!: 

INTERVENÇÃO DE JERÓNIMO DE SOUSA NA ASSEMBLEIA DE REPÚBLICA

«Estamos perante um programa vago e abrangente elaborado para não se comprometer em concreto com as opções políticas que nas diversas áreas se impõem»


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Senhor Presidente
Senhores deputados
Senhor Primeiro Ministro
Estamos perante o programa que o país precisa?
Um programa que responde à necessidade de aumentar a produção nacional e o investimento público? Que dá valor ao trabalho e aos trabalhadores? Que dá resposta urgente a problemas urgentes que ameaçam o Serviço Nacional de Saúde (onde basta não fazer nada daquilo que é urgente fazer para o destruir)?
Estamos perante um programa que dá centralidade ao direito à habitação e valoriza a cultura?
Não, não estamos.
Estamos perante um programa vago e abrangente elaborado para não se comprometer em concreto com as opções políticas que nas diversas áreas se impõem.
Com formulações que indiciam soluções de sentido negativo ou mesmo de retrocesso na Administração Pública, transportes, ambiente, deficiência, forças de segurança e forças armadas, poder local, a par de omissões em matérias relevantes.
Onde o programa é claro é nas opções de política macro económica. Rígido na prioridade ao défice em detrimento do investimento, à economia (na óptica dos interesses do capital em detrimento do trabalho), na prioridade à dívida em detrimento da capacitação da Administração Pública, na prioridade a visões assistencialistas em prejuízo das opções de justiça na distribuição da riqueza produzida e do verdadeiro combate à pobreza.
Passemos a cinco questões concretas, começando pelo aumento geral de salários que é uma emergência nacional.
Para garantir o aumento geral de salários para todos os trabalhadores é necessário um conjunto de medidas em que se inclui a defesa e dinamização da contratação colectiva mas também a fixação do Salário Mínimo Nacional em 850 euros, ambas as propostas já apresentadas pelo PCP.
Que opção vai o Governo fazer? Vai convergir com o PCP nestas propostas e objectivos?
E em relação à precariedade?
O PCP já apresentou um conjunto de propostas para o combate à precariedade e em defesa de vínculos efectivos para quem desempenha funções permanentes. Insistimos na necessidade de conclusão do PREVPAP, garantindo o vínculo efectivo a todos os trabalhadores da Administração Pública que desempenham funções permanentes.
Vai o Governo convergir com essas propostas do PCP, assumindo o combate à precariedade laboral como questão decisiva para todos os trabalhadores, em particular para as jovens gerações?
Terceira questão, sobre a falta de trabalhadores nos serviços públicos.
Vai ou não o Governo convergir com as propostas do PCP para a contratação urgente de profissionais de saúde, de auxiliares de acção educativa, de funcionários judiciais e de profissionais das forças de segurança e de tantos outros trabalhadores que fazem falta aos serviços públicos?
São os direitos dos portugueses que estão postos em causa. As propostas do PCP correspondem a medidas urgentes, como a situação da pediatria do Hospital Garcia de Orta demonstra de forma dramática, e é necessário saber que opção fará o Governo nesta matéria.
Quarta questão, sobre os transportes públicos.
O PCP já apresentou propostas para que as medidas tomadas na anterior legislatura sejam definitivamente fixadas na lei e reforçadas na sua abrangência e impacto, com o reforço das medidas de redução do preço dos passes, de alargamento da oferta de transporte público e da sua aplicação global em todo o território nacional de forma idêntica.
Vai o Governo convergir com essas propostas do PCP?
Por fim, senhor Primeiro-Ministro, a questão da demografia e da natalidade.
Nós sabemos que muitas jovens famílias gostariam de ter filhos ou mais do que um filho e não tomam essa decisão porque as suas condições de trabalho as impedem disso ou porque não encontram da parte do Estado medidas de apoio adequadas às suas necessidades.
Garantir horários de trabalho dignos e compatíveis com a vida pessoal e familiar e garantir às famílias a segurança e a certeza de terem gratuitamente vagas em creches para as crianças até aos 3 anos são duas propostas do PCP que correspondem aos anseios dessas jovens famílias.
Vai ou não o Governo convergir com as propostas do PCP na resposta a essa questão da qual depende também o nosso futuro colectivo?

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há dois anos!

antes da pandemia

sem se conhecerem, ainda, números do censo da população

quinta-feira, outubro 28, 2021

De regresso - OE - O muito que É e O tudo que não É

 Desde 7 de Setembro que não "posto" nada. 

Porquê?

Tive a oportunidade, e a satisfação..., de tranquilizar alguns amigos preocupados com o meu estado de saúde, pois não foi esse estado que me impediu de ter estado aqui.

Tudo terá a ver com outras e absorventes prioridades (pessoais no colectivo em que vivemos) no Estado em que estamos. Que não me impediriam de aqui vir, mas que não ajudaram nada à disposição (também de tempo) para aqui comunicar como há tantos anos faço, tendo já ultrapassado largamente o milhão de "visitas".

Ora este número veio auto-responsabilizar-me e acirrar o gosto (e o dever) de comunicar. De desostracizar (!), também por esta via.

Bem... não vou regressar enrolando-me em auto e altero-explicações.

Chegámos, ontem, a este estado... em que só leio e ouço glosas sobre o futuro nosso, e quem o tem nas suas mãos. Se é Marcelo ou não (neste País que já outros Marcelos teve). Paupérrima leitura, pois nunca, por mais influente que seja a função e mais individual o personagem que a desempenha, ou o actor e o papel que representa, nunca o futuro de um Estado, de uma nação, de um  povo, está nas mãos de um só personagem ou de um só actor.  

Um Orçamento de Estado é documento político muito importante, mas também ele (o documento) não pode ser isolado da política que serve. Depois, chega a ser confrangedora a penúria dos argumentos e interpretações, sobretudo dos que, enroupados de sapiência, revelam ou ignorância ou querer mostrar apenaso que querem que seja visto. lido ou ouvido por quem lhe dá atenção (por vezes forçada, e à má fé). Como poeira ou espuma...

Neste regresso tempestivo, apenas duas observações:

O governo não se demitiu e a AdaR não aprovou uma moção de censura, embora abusadamente tal tenha sido dito. Pelo que, o executivo continua em funções e poderia apresentar outro orçamento. Da não aprovação do OE não resulta a necessária e decorrente dissolução da AdaR pelo PdaR. Que o pode fazer, mas tendo de tomar tal responsabilidade para si.

Segunda observação. O simplismo de dividir os governos, os partidos, as políticas, em direita e esquerda é por demais redutor, tal como a utilização desse simplismo como se fossem palavras-chave e bastante para abrir portas, quando é evidente que o que faz coincidir votações podem ser razões totalmente opostas que o mesmo voto em nada aproximam (aliás, para uns, foi moção de censura e fim, para outros, foi exigência de mais e melhor). De resto, esse simplismo acasala com um outro que é o de reduzir toda a política a votos e eleições, excisando da democracia a sua vertente essencial da participação cidadã. 

O País não parou, para curto ou largo intervalo (a duração depende de diferentes objectivos dos actores, de todos, sobretudo dos que não recolheram aos camarins ,ou foram ao bar de S. Bento ou à sala de jantar de Belém), e a luta* continua!

* - que, para que fique claro, entendo ser de classes!