sexta-feira, março 10, 2006

Do dia de ontem

Extracto de um quase-diário, daquelas coisas que se vão escrevendo para uso pessoal e intransmissível mas que, por vezes, extravasam.

09.03.06

À hora de procurar as notícias primeiras do dia, encontro o ritual. O ricto. O rictus.
O relato da cerimónia, do cerimonial, do protocolo.
O relato feito à lamentada distância a que ficam os relatores, que ao largo foram mantidos. Por questões de segurança. É que, com estas personalidades convidadas, todo o cuidado é pouco… Mas dá para relatar que estão todas, as personalidades, muito bem dispostas e que conversam umas com as outras. O Aníbal com o Jorge, o Jorge com o José, o José com o Jaime. Todos uns com os outros. Em circuito fechado.
Depois, todos sentados, calados, tudo composto (presumo que todos…), que é como diz a voz a quem cabe relatar.
Ah! um pequeno pormenor (há pormenores que não sejam pequenos?):
apesar do ambiente óptimo, dos risos e sorrisos, dos calorosos apertos de mãos, dos beija-mãos às primeiras damas, a que vai deixar de ser e a que vai ser, a mesma voz (ou outra?) sublinha que não houve abraços entre eles e elas. Pelo menos por agora.

Distraio-me. Logo me chama à pedra a voz da senhora secretária da Assembleia da República que, a mando do respectivo Presidente, lê a acta.
Lida a acta, o Aníbal de Boliqueime jura a Constituição.
É o clímax da (sem-)cerimónia. E toca-se o hino.
Só falta assinar para que o Jorge troque de cadeira com o Aníbal e, na tribuna de honra, a Maria José Rito troque de cadeira(ão) com a simplesmente Maria.
Assim se fez, assim foi feito e dito.
Quero lá saber!
Bardamerda!

E das horas de noticiários apenas se ouviram os apitos dizendo que passaram.
Quantas teriam sido, hoje, as mortes em Bagdad?

1 comentário:

GR disse...

Oportunismo
Talvez não seja politicamente correcto.
Mas o Carlos Pinhão tinha sempre razão!

O camaleão

tem a cor da ocasião.
Usa-se muito em política
é prática muito vista
– a situação pode mudar
ele não
é sempre situacionista.

Carlos Pinhão