Ontem, foi um dia... esquisito. Se difícil é falar de rotina nos meus quotidianos, ontem o dia saíu de todas as eventuais ou possíveis rotinas...
Tinha de ir a Lisboa. Fui de carro até Fátima e apanhei logo um noticiário matinal com a "caixa" absolutamente sensacional de que o 1º ministro fumara na viagem aérea para Caracas! Finalmente se saia, neste País, do marasmo informativo. Finalmente, em vias de esgotamento do inesgotável "apito" que me põe de todas as cores por mais que o façam dourado, não havia que encontrar outras maneiras enviezadas para não falar do Código do Trabalho, do aumento do preço dos alimentos e dos combustíveis, do fecho das empresas (das pequenas, claro), dos lucros dos bancos, dessas minudências chatas. Ali estava... a notícia, o que deita abaixo qualquer 1º ministro, ou que executa qualquer executivo, qualquer que seja a política que execute!
A viagem de "expresso" durou a hora e meia programada. Em que li o jornal (as graúdas), reli e revi os tópicos da intervenção que ia fazer ao fim do dia, fiz um sudoku (fácil!). Desci no aeroporto, fui a pé até à editora que é na Gago Coutinho, encontrei amigos, conversámos, trabalhámos levemente, decidimos a capa, recebi as primeiras provas do meu original e um texto para dar opinião. Saí com a pasta a abarrotar, meti-me num táxi e fui almoçar num daqueles restaurantes de "matar saudades", i.e., dos de antigamente, de há décadas.
Escolhido "a dedo" para ir ao cinema (há quantos meses? indecente...), para estar às 14.30 no Nimas para não perder Caramel como "ela" vivamente me recomendara/ordenara. Abençoada recomendação/ordem (fica para registo no docordel)!
Fiquei com tempo livre. Estranho! Mas é por isso que os homens lutam (ou deveriam lutar!), como iria dizer para terminar a minha apelidada conferência do fim da tarde na SPA, a convite da Associação Iuri Gagarine. Deu para entrar numa "pastelaria", também das de "matar saudades", para me sentar frente a uma meia torrada e um galão (claro... e morno), e rever, carinhosamente, umas páginas das provas. Que revi. Todo o primeiro capítulo dedicado (como dedicatória que é) ao José Dias Coelho e ao seu assassinato.
E enquanto "fazia tempo", aproveitando-o, fui - também ali - invadido pela televisão, que me disse, por cima da minha cabeça, mais umas tantas coisas sobre o cigarro fumado pelo sr. Sócrates, e as desculpas deste, e mais que a dra. Ferreira Leite acha que o tal que fuma faz o que ela fez e fará (se puder), mas ela com mais humanidade executiva e menos tecnocrática execução. Não chegou para perturbar a minha tarefa de entrementes.

Respeitando o horário, fui participar na iniciativa da Iuri Gagarine, com a parceria de Dulce Rebelo (que me convidara para falar de questões económicas e sociais do "século soviético" e nos apresentou) e de Maria José Maurício (que falou sobre a mulher na revolução e na URSS, e nos mostrou coisas bonitas e significativas). Gostei de o ter feito!
Depois, jantámos no chinês em frente, com amigos, e regressámos a casa, aqui à aldeia. Com "ela" ao volante e ouvindo os noticiários das horas e meias horas, exasperados com a exploração do pecaminoso cigarrito do eng. Pinto de Sousa - dos tais "apitos" nem ouço, nem falo... - e fugindo a meio para o refúgio da antena 2. Conversando sobre amigos e amizades.
Foi um dia em cheio!
























