sexta-feira, julho 17, 2009

Reflexões lentas... interrompendo a série museus

Não digo, isso não digo, que num andar de um arranha-céus novaiorquino ou num apartamento de avenidas novas de Lisboa ou do Porto, exista – com ou sem tabuleta indicativa e denunciadora –, e funcione, um departamento encarregado de “estratégia e acções de luta de classes”, num caso à escala global, noutro à dimensão caseira. Mas estou convicto, e confirmo-o amiúde, que há clubes e reuniões periódicas que tratam disso (dessa matéria…) e, também, que há uns “faz-tudo” ou uns “espontâneos” que, sem cumprirem ordens explícitas ou cadernos de encargos, tomam iniciativas que desencadeiam oportunas acções de luta de classes que se integram na estratégia e dinâmica sempre presente, larvar, nesta história que de luta de classes é, e de que estamos a ser contemporâneos. Acidentais. E intervenientes por acção ou omissão.
O dr. Alberto João Jardim será um desses “faz-tudo” , "palhaço pobre" de circo ambulante ou “espontâneo” que salta para o meio do redondel e, animado ou não pelo etílico, frequentemente faz uma das suas “partes gagas” que, também com frequência, são muito bem aproveitadas para criarem ambiente, para provocarem ondas de intoxicação ideológica. A fingir que não o são, mas tão-só as decorrências (e escorrências) de um “fait-divers”. No entanto, o fait não é divers, ou passou a não o ser. Passou a ser um facto que serve para. Que serve para alimentar a luta de classes. Contra o espectro. Contra o espectro que (como foi escrito em 1848 a abrir o Manifesto do Partido Comunista) assusta, atemoriza, uma classe social. A classe social que decretou que as classes deixaram de existir mas que faz, permanentemente, a luta de classes. Luta que “nós”, que da outra classe somos ou queremos ser ou que com ela queremos estar, por vezes esquecemos que existe ou nos deixamos levar na onda de que talvez já tenha deixado de existir.
Mas… atenção: “eles” nunca o esquecem e, nos “momentos de crise”, quando amaciam a voz e com falas mansas nos embalam com o fado-cançoneta “estamos todos no mesmo barco”, estão a praticar, com toda a intenção e pretendida eficácia, a sua estratégia. Não perdendo uma oportunidade de aproveitar os “faz-tudo” ou “espontâneos”.
Como acaba de ser provado!

quinta-feira, julho 16, 2009

Mais uma...

Se isto não fosse tão grave, até como sinal..., aconselharia que fosse imposta a regra (constitucional, talvez...) de que, antes de falar, o "Presidente do Governo Regional da Região Autónoma da Madeira" fosse obrigado a soprar no balão, aquela coisa para os automobilistas...
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[Mas esta minha reacção de pretender coarctar o direito de falar a quem faz e vê publicadas (com este relevo!) afirmações tão evidentemente democráticas é, confesso, uma reacção de quem tem a ditadura nos genes]

Reflexões lentas... sem compromisso mas cumprindo-os

novaiorquinas17 (museus3):
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O MoMA (Museum of Modern Art) foi fundado em 1929. E, desde logo, salta a reflexão sobre a quantidade de coisas que se encontram, em Nova Iorque, com a referência deste ano. 1929!

Tínhamos feito uma rápida passagem pelo átrio, amplo e cheio de gente, com entrada por duas ruas (a 53ª e a 54ª), ou entrada por uma e saída por outra.
Mas não havia tempo, nessa vez, para sequer entrar no "miolo". Apesar do impacto de uma relativa desilusão por, ao contrário de outros museus, o exterior do "objecto"-museu pouco dizer, logo o MoMA nos atirou à cara, nesse átrio, com um écran enorme onde passavam cenas de uma caótica sessão da bolsa de NYC, em que sucediam planos de caras e corpos lassos, esgotados, de homens e mulheres, correctores, absolutamente siderados, misturados com papeis e computadores e casacos-fardas atirados ao abandono. Planos impressionantes, retratando uma das recentes sessões bolsistas da "crise", não de 1929 mas de agora. E ali passavam aquelas impressionantes imagens de caos, desorientação, desespero, perante a indiferença de quase todos os passantes, a caminho dos balcões de informações e bilheteira ou, simplesmenete, repousando da cansativa visita..
Dessa vez, só apalpámos o ambiente, apenas nos apercebemos do corropio.

Voltámos, depois, no último dia, para entrar e ver, andar, subir e descer, fotografar. E almoçar num dos locais em que é possível fazê-lo. "Aquilo", por dentro, é um mundo em apenas 6 andares e duas caves.
Fomos lá, na manhã do último dia, depois de uma passagem pela célebre livraria Barnes & Noble e de termos confrontado o regresso de Keynes, acompanhado por Adam Smith e... Marx.
E de novo encontrámos as mesmas imagens da sessão de Wall Street a passarem no enorme écran do átrio. São mesmo impressionantes.
E entrámos.

Por agora, deixo só uma "graça": como a fotografia - no MoMA pode fotografar-se... - fazem de uma escultura num museu um quadro num museu. É a passagem das 3 para as 2 dimensões!

quarta-feira, julho 15, 2009

Os museus nas reflexões lentas... e sem compromisso

novaiorquinas16 (museus2):
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Não vou (vou tentar não ir) fixar-me muito tempo nestas reflexões sobre museus. Em Nova Iorque. Não porque não haja matéria... mas tenho tanta coisa que quero fazer!
Assim, programo (o que não quer dizer que cumpra) uma referência ao Museu da Cidade e duas ou três (ou quatro...)(*) ao MOMA, ao museu dos museus, deixando para trás, ou para quando for, o Metropolitan (e Francis Bacon), o das Artes e Design (MAD e suas "dondocas") e outros sei lá que mais.
Num deles, não sei em qual, na recepção, a Zé fez uma observação sobre os preços dos ingressos (ela... adulta, eu... senior) e teve uma resposta curiosa: aqueles preços eram de pagamento voluntário pois o museu era "sponsorizado" por privados e os pagamentos das entradas eram facultativos e funcionavam como reforços a esses mecenas. Maneira curiosa e que, ao que parece, deveria ser do conhecimento de todos porque em lado nenhum tal está escrito ou é dito. Por isso, lá deixámos o nosso patrocínio para, naquele museu, ajudar os Guggenheim de todos os tempos. Ademais, como recebi a prenda de uma t-shirt no Museu da Cidade de Nova Iorque e logo a vesti, passei a ser um visível e ambulante "sponsor" daquele museu.
Achei o museu simpático, sóbrio. com três exposições muito interessantes, em que a ascendência e influência de Amsterdam e dos holandeses na fundação da cidade e na sua evolução é muito sublinhada.
Da visita, para as reflexões, guardei duas frases em que tropecei.
Uma, que foi a única que encontrei ao 11 de Setembro e às "torres gémeas", e em que, como legenda de uma fotografia da cidade, se diz, como procuro traduzir de memória e fielmente: os terroristas destruiram as torres em 2001, agora há que reconstruir e que essa reconstrução promova a passagem do negócio à abertura ao porto e ao lazer (leisure).
A outra frase é de Lincoln (e desta tive todo o tempo para traduzir, sentado num banco, a repousar as cansadas pernas, e vendo-a inscrita, gravada, no arco da escadaria em frente): "Gosto de ver um homem orgulhoso do lugar em que vive. Gosto de ver um homem viver de maneira a que o lugar onde vive tenha orgulho dele".
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(*) - isto é que é programação...

terça-feira, julho 14, 2009

Reflexões lentas... e sem compromisso mas obrigadas a tema

novaiorquinas15 (museus1):

E os museus?, perguntava eu.
Se Nova Iorque é cidade de tudo, é-o também de museus. Sei lá se sobretudo...
Nestes curtos dias (só de 24 horas cada um!) visitámos, ou estivémos, em 9 museus (2 não têm o nome mas a tal os assimilei).
Ora, de acordo com o dicionariozito à mão, museu é "s.m. Galeria onde estão expostos objectos de arte, da Natureza, etc. Colecção de coisas várias." (*).
Mas, para a reflexão, não é isso que me interessa.
Por um lado, é o facto do museu-sítio, edifício, espaço, poder ser um "objecto de arte", algo que, além de ser repositório de exposições, merece também ser exposto, é exposição!; por outro lado, ser evidente, em Nova Iorque talvez mais que em qualquer outro lugar, o papel do dito mecenato, o serem os museus fruto de filantropia, tantas vezes possível à custa de vidas... bem pouco filantrópicas.
Gugenhheim ilustra estas duas reflexões. A busca do nome dá-nos a Fundação e os vários museus e só com dificuldade se chega ao homem de negócios - de importação de bordados da Suiça, da insdústria de minas e de coisas mais - que viveu entre 1861 e 1949.

Gugenheim são os museus. Porque depois de retirado Solomon Gugenheim dos negócios, o dinheiro que neles ganhou foi mais que suficiente para coleccionar arte, para formar uma Fundação e para esta escolher arquitectos como Frank Lloyd Wright (Nova Iorque), de Frank Gehry (Bilbao) e Rem Koolhaas (Las Vegas) para construirem "objectos de arte", onde centenas, milhares de pessoas percorrem cultura a correr mas só por correrem aqueles espaços já está a ganhar (ou a poder ganhar) cultura, dimensão histórica, humana. E a reflectir.
Como é o caso, a meu leigo critério, do de Nova Iorque, e loja anexa.






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(*) ... eu sei, eu sei... tenho de mudar de dicionário de apoio!

segunda-feira, julho 13, 2009

Com urgência

VER ... porque a luta continua!

Reflexões lentas... e sem compromisso (de continuidade ou outro)

novaiorquinas14:
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Cada novo dia traz, deve trazer..., reflexões. Cada dia vivido em Nova Iorque, e como foi vivido, foi um verdadeiro desafio a reflectir. As notas novaiorquinas nasceram como resposta a esses desafios sentidos em cada dia.
Reflexões nascidas em cada dia, em cada passeio, em cada fachada que por ali acima subia até arranhar os céu e que outras fachadas reflectia.


Quis anotar algumas. Umas aqui trouxe, muitas outras estão perdidas (estarão?) por papéis ou nem isso.
Se resumo pretendesse (tivesse a pretensão de) fazer, iria buscar uma frase que me saltou para o caderno das notas: afinal… os gajos do cinema, até o Woody Allen, e os da literatura, são uns incompetentes; Nova Iorque é muito mais do que as amostras que nos deram - e que darão - e que tanto nos impressionaram.
O que foi o capitalismo dos anos 20, a explosão arquitectónica e tanta outra, os tempos da guerra, o aproveitamento desta para uma nova fase do imperialismo sedeada naquela cidade, a imigração, a mistura, a miscigenação, os espaços verdes centrais e todos os surpreendentemente espalhados nos sopés de tanta e tão alta construção, a periferia norte, se assim se pode dizer, do centro de Manhattan, as ilhas e a terra que rodeiam a ilha, também este momento (histórico), nada pode ser visto e reflectido com simplismo e maniqueísmo.
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E os museus? A ver vamos…

sexta-feira, julho 10, 2009

Sinais...

Num momento (histórico) como este que vivemos, a reunião do G8 passa estranhamente desapercebida . O que é um sinal...

Os "8 grandes" (é daí que vem o G?, ou é de Grupo?) - Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Rússia, Japão - reuniram-se mais uma vez, em plena "crise económica" e nada se esperava e espera. Embora, com tudo que está por detrás, nos bastidores, muito se tenha jogado na reunião, e antes dela. Desde a vida privada (?) de Berlusconi até outros pormenores que fazem parte do baralho, em que os dois únicos "ases" que estão estáveis (ou são mesmo os "chefes" dos respectivos Estados) são Obama e Sarkosy.

O que achei significativo foi ter visto, na 1ª página do Le Monde de ontem, a grande evidência dada a Lula da Silva - em França e em reuniões com Sarkosy antes do G8 -, a afirmar - como a entrevista no interior confirma - que o G8 deixou de ter razão de ser no que respeita à economia.
É a força dos "emergentes", dos tais BRIC, sendo de recordar que um deles, a Rússia, está no G8, embora na posição de valer mais pelo que deixou de ser do que pelo que é, e está aquele país que já foi o emblemático "emergente", o Japão, que deveria servir de exemplo para o que dão as emergência na periferia do sistema capitalista. Embora, ou até porque..., hoje a situação seja bem diferente...

quinta-feira, julho 09, 2009

Posições, pressões e sinais

(no avião, com os jornais a que tive acesso... apesar de ser 5ª feira, não distribuiram o avante! ou então já tinham ficado todos os exemplares nas filas antes da minha... )


Bento XVI publicou a sua terceira encíclica. E esta – Caritas in veritate – suscita preocupantes recordações. De outras de outros papas – Rerum novarum, de 1890, e Quadragesimo anno, de 1930 – também ditas sociais, que não se podem desligar de tempos de crise e de ascenso de fascismos.

Segundo grandes títulos de “jornais de referência”, esta encíclica vem apregoar valores e moral. O que estaria faltando ao capitalismo (ou à globalização) e seria urgente remediar.

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Há um texto de Marx, nos Manuscritos, que precisamente trata de moral e economia política.

Depois de uma introdução muito interessante, mas longa para esta forma de comunicação, pergunta Marx “(…) em quem devo acreditar, quem devo seguir: a economia politica ou a moral?”. E logo responde que “a economia política tem uma moral“ A sua. E a moral da economia política é a do lucro, e para os trabalhadores a de trabalhar e poupar, e da contenção e sobriedade a quem promete satisfazer as necessidades, no futuro. Mas, acrescenta, “Por outro lado, a moral da economia política é a de acumular riqueza em boa consciência, em virtude, etc., etc., etc.”. E continua, perguntando “como posso eu ser virtuoso se não existo, como posso ter uma boa consciência se (por outro lado) nada sei, e se não tenho tudo o que nunca é bastante?”

Parece muito oportuno este texto. Como oportuno será sublinhar que, além de “questões de moral e de valores”, a encíclica coloca todo o seu peso de pressão num governo (ou numa governança) mundial. Acumulando riqueza nas mãos de cada vez menos... mas esperando destes a virtude, a moral, e etc., etc., etc..

Para quem tenha estudado e se lembre dos efeitos para que as anteriormente referidas encíclicas contribuíram, esta é um sinal. Preocupante. Entre muitos. E logo nas vésperas da reunião do G-8. Sobre que há uma entrevista de Lula da Silva no Le Monde, com destaque e chamada na 1ª página.

quarta-feira, julho 08, 2009

Reflexões lentas... sem compromisso e reflectidas

novaiorquinas13:

Malas feitas (com dificuldade, com dificuldade...), apenas esperamos o avião. Ou o avião espera por nós. Foram uns dias de férias. E de continuada reflexões. Algumas vieram para aqui. Outras virão. Talvez.
Num dia destes, ao passarmos por a vivenda na 5ª avenida (Chelsea), que é um "clube" chamado Salmagundi, vimos que havia uma exposição de pintura e escultura para não-membros. Entrámos... até para ver a vivenda por dentro. A exposição era interessante, e dos 125 quadros (25 premiados) prendeu-me a atenção, pelo tema e título. De Mike Walsh, Reflections:

















E inspirou-me!... Fui buscar uma foto, que tiráramos dias antes, para ilustrar estas reflexões que aqui ficam e, eventualmente, continuarão, a propósito de Nova Iorque:
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É o edifício das Nações Unidas onde se reflecte um recanto de Nova Iorque, a Tudor City Green, que é um espaço impressionante de "qualidade de vida"... e de verde.
Haverá melhor tema para reflexões que as Nações Unidas em Nova Iorque?

terça-feira, julho 07, 2009

Reflexão lenta... e intempestiva

novaiorquinas12:
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Já não há pobres! Pelo menos, nestas partes do mundo. Ditas desenvolvidas.

O que passou a haver é gente endividada. Sobretudo trabalhadores. Com emprego mas sem direitos e desempregados, que são muito necessários para que, na relação de forças (de classe), mais se desequilibre em desfavor das classes trabalhadoras para que a força de trabalho seja mercadoria e não mais.

O que passou a haver é excluídos. Os que não fazem falta nenhuma. Ou, talvez, ainda falta façam às "boas almas" para fazerem as suas "boas acções" e, assim, mais próximas do céu ficarem.
Muito mais fotografias poderíamos ter tirado mas algum pudor nos travou, e só a esta não resistimos. À beira do Central Park.

Reflexões lentas... e sem compromisso mas um pouco apressadas

novaiorquinas11:

No Washington Park. Um ambiente agradável, com a miudagem (e não só) a tomar banho no pequeno lago com repuchos. Em alegre algazarra.
Ao lado, umas filmagens que atraiam mirones.
E nós a descansar da(s) caminhada(s) novaiorquinas.
A bonomia foi-nos perturbada com a descoberta, em todos os acessos ao parque - até aos pés da estátua de Garibaldi -, de um aviso da produtora do que estava a ser filmado prevenindo para eventuais pedidos de indemnização por pessoas filmadas sem autorização. Chocou-nos.















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E lembrou-nos o que nos tinha sido contado na véspera para explicar obras nas fachadas de muitos hóteis. Resume-se em episódios:

  1. Houve quem (e alguns foram), em desespero de causa - e de dividas -, tivesse alugado um quarto em hotel e, deixando carta para a família, se tivesse atirado da janela no quarto para a rua;
  2. as famílias, ao que parece seguindo instruções do suicida, moveram acções contra os hoteis por terem janelas que permitiam que potenciais suicidas consumassem o acto;
  3. bem apoiadas por advogados especializados em acções deste tipo, as famílias ganharam as acções e receberam chorudas indemnizações;
  4. alguns hoteis começaram a cobrir as fachadas de paredes de vidro inquebrável (e esteticamente irrepreensível) para impedir que alguém se possa atirar das suas janelas à rua.

Em que mundo vivemos?

segunda-feira, julho 06, 2009

As Honduras são aqui!

Quero saber o que se passa. Como cidadão interessado pelo que vai no mundo. Mas só com muita dificuldade consigo alguma informação. As nossas habituais fontes de informação (nomeadamente as portuguesas) estão muito parcas, dando a perceber que quem domina a informação quer é que tudo se resolva com a aceitação do statu quo. Sem muitas ondas...
E nos meus ouvidos ressoa Caetano Veloso com o seu impressionante O Haiti é aqui. As Honduras também!

Reflexões lentas... sem compromisso mas teimosas

novaiorquinas10:
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Um tempo excelente, um dia de aniversário, um cruzeiro de quase três horas ao redor de Manhattan, com vistas impressionantes e belas (umas belas, outras impressionantes, outras ainda ambas as coisas), um almoço amigo, familiar, festivo, um bom pedaço da tarde no Central Park no meio de gente vivendo despreocupadamente o seu domingo com passeio, música, pic-nics, convívio... dá para reflectir? Aí, dá, dá!
Tudo dá para reflectir quando tudo dá para reflectir. E dá inevitavelmente se se passam essas quase três horas do cruzeiro a ouvir um óptimo profissional a acompanhar o que se ia vendo com informações, comentários, ditos e graças.


É verdade que o "meu inglês" é fraco, muito fraquinho, o "inglês dele" é "americano" - apesar de uma boa colocação e clareza de voz -, e que eu não estava muito predisposto, para não dizer nada predisposto, a fazer grandes esforços de atenção (e tradução). Mas o que ouvi e percebi chegou.


O homem era mesmo um bom profissional. Estava informado sobre o que falava, sabia dizê-lo com convicção. Do tal pouco que ouvi e percebi, uma repetição começou a arranhar-me os ouvidos: a do vocábulo "biggest" - pontes, prédios, negócios, quilómetros, dólares, tempos,, esforços para a paz, jogadores de basebol e de basquete, sei lá... tudo - inevitavelmente seguido de "in the world".


Retive a informação sobre uma das "biggest" fortunas feitas por um jovem que começou, aos 16 anos, a transportar pessoas - um tal Van der Bilt - e, depois, a construir e a fazer fábricas e a criar universidades... acho eu. Tempos que lá vão em que se faziam fortunas - das "biggest in the world" - a fazer coisas com alguma utilidade como transportar, investir em fábricas e em construção. Agora fazem-se (e desfazem-se, concentrando-se) in "casinos da finança" e off qualquer coisa.


Claro que não me estragou o dia. Nada. Nem me surpreendeu, a não ser pela qualidade de algumas informações históricas, neutras (se as há...), mas para aqui só trago reflexões. Lentas. Como a que me assaltou sobre a megalomania sem limites e a irresistível vontade que provocam de lhes fazer "baixar a crista".


Além da mensagem que daria para rir, se não fosse matraqueada para se tornar indiscutível, consensual, que se pode traduzir no significado da Estátua da Liberdade se confundir com o símbolo de Democracia, na sua única forma. Esta, como se democracia fosse...

domingo, julho 05, 2009

Outras reflexões lentas... sem compromisso

novaiorquinas9:

Um dia em cheio. Talvez por ser o 4 de Julho.
De manhã, fomos a uma "feira da ladra". No extremo oeste da ilha, para lá de mid-town (começo a usar termos destes...). Nada de especial, mas uma experiência curiosa, por ser em Nova Iorque, na NY que até hoje viemos percorrendo. E muitas recordações que nos fizeram sorrir: Playboys de há 40 anos, muito púdicos, Capitão América e Bucha e Estica. E compras em que se poupou imenso dinheiro...


À tarde, Harlem. Outra cidade. Melhor: outro mundo a que se chega sem sair de Nova Iorque num autocarro, indo da rua 46 para a 165, do sul para o Norte pela 2ª avenida.
Uma impressão fortíssima. Imigração instalada. Uma outra Nova Iorque mas uma Nova Iorque de que também temos muitas referências. Não turística, não financeira, hispânica, africana (almoçámos - excelentemente - num restaurante senagalês...) Igrejas, igrejas, igrejas, com as mais variadas designações e como que fazendo parte da paisagem.
Mas procurávamos o célebre Teatro Apollo, e caímos no Harlem profundo, no âmago, num dos seus âmagos. Mesmo a sério. Onde, diz-se..., há alguns anos se não podia ir.
Um boicote a uma loja que se atreveu a não fechar no dia da comemoração do 84º aniversário de Malcolm X, a 19 de Maio!
E ninguém entra naquela loja!

Um grupo de militantes do Revolutionary Communist Party, com uma banca de livros, a distribuir o seu jornal, a fazer um comício e a promover uma sessão-debate para 14 de Julho sobre "The Ascendancy de Obama... and the Continued Need for Resistance and Liberation".

E muito gente por ali a passar, tudo à volta do Teatro Apollo, com muitas bancas e uma parede com uma enorme faixa a receber mensagens dirigidas a Michael Jackson. E flores.


Muito para fazer reflectir.
Nas bancas, Michael Jackson a ser objecto de muitas homenagens (com o comércio a imperar), mas também a presença, não emocional até à quase histeria que se criou à volta da morte de rei do pop, de Luther King, MalcolmX e... Obama, os três juntos em t-shirts, sacos e outros objectos.
Faz pensar! A importância da cor da pele, ali vivida, numa outra e diferente experiência. Em mudança e, em muitos aspectos, de esperança.
À noite, espectacular fogo de artifício do rio para os arranha-céus, patrocionado por uns grandes armazéns com apoio de marcas conhecidas, e - parece... - festa nas ruas. Sobretudo em Times Square

sábado, julho 04, 2009

Reflexões lentas... sem compromisso, lembrando

novaiorquinas8:

Hoje, é o dia da independência. O 4 de Julho. Vivê-lo aqui reforça o respeito pela História. Pela História de um Povo, independentemente de rumos e desvios que a nação possa ter tomado - e esteja seguindo - nas mãos de uma administração que serve interesses contra o próprio Povo, contra o caminho dos povos.

Ontem, passei um dia... diferente. Fiquei quase todo o dia nesta casa amiga em que até espaço me foi arranjado para poder trabalhar, arrumando coisas que estavam por arrumar, como o relatório sobre o seminário de São Paulo. Uma etapa vencida...
E, ao fim da tarde, no passeio que fomos dar, virámos a Leste e fomos até uma zona ainda não descoberta, a do edifício das Nações Unidas. Ou ainda não redescoberta porque muito me lembrei da minha primeira vinda a Nova Iorque, no final de 1990, integrado na delegação do PE, como vice-presidente - "herança" do Carlos Carvalhas...-, e em que muito tive a oportunidade de falar (até com Perez de Cuellar, então secretário-geral) sobre Timor e a ocupação pela Indonénia. Boas recordações. De luta!

sexta-feira, julho 03, 2009

Reflexões lentas... sem compromisso, sempre comprometidas

novaiorquinas7:
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"A crise" está aí. Umas vezes escondida, outras confessada... mas, logo se acrescenta, em fase de recuperação da confiança perdida (perdão, abalada).
Os sinais não entram pelos olhos dentro - que distraídos andam... -, nem eles seriam tão evidentes como alguns que registaram aspectos do quotidiano de 1929-30.
No entanto, quem menos distraído anda, de vez em quando, nas caminhadas pelas ruas e avenidas de Nova Iorque, tropeça com letreiros como este:
Pequenas lojas a fechar, em liquidação de existência(s). Numa delas, não fotografada, a informação de que, ao fim de 22 anos de existência e de "pagamento de licenças", se via obrigada a fechar.
Entretanto, os números publicados do desemprego nos Estados Unidos informam da supressão, durante o mês de Junho, de 467 mil postos de trabalho, elevando o desemprego para 9,5% da população activa, o mais elevado da década.
Esta informação, e outras quaisquer, estão absolutamente submergidas pelo "caso Michael Jackson", numa verdadeira histeria informativa.

quinta-feira, julho 02, 2009

Garfo "à Pinho"

novaiorquinas6:
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A Melina Mercouri canta "où me portent mes voyages, la Grèce me blèsse..."
... a mim é mais Portugal!
Calculem que estava eu em Times Square a captar imagens curiosas como esta enquanto em Portugal, e na Assembleia da República, se passavam coisas também curiosas e parecidas. Talvez uma sugestão para um novo logotipo dedicado a este (des)governo:

Nova(iorquina)s reflexões lentas... sem compromisso

novaiorquinas5:

Férias & Turismo! Só? Procurámos uma "boa onda". Seguindo bons conselhos. Rockfeller. Ir até ao topo.
Começámos por encontrar uma bem montada máquina promocional à volta da praça. E fizemos como os outros (centenas de outros...). Com uma espécie de apresentação cá em baixo, ao rés do chãozinho. A subida até ao cimo (top on the rock) muito bem organizada por um pessoal simpático e competente. As viagnes de elevador até ao 67º feitas com disciplina indispensável mas com bonomia e aparente tolerância. Depois, entre 0 67º e 0 70º, pudemos passear-nos como se estivéssemos livres como os passarinhos. Olhando e vendo para longe e para baixo, Fotografando. Comentando que, afinal o Central Park nem é tão grande como isso (visto lá de cima...). Brincando à "fotografia artística"...
Uma parte da manhã muito bem passada.
Sem esquecer uns pormaiores, para lentas reflexões:
1. que no "top on the rock" estão os operários, sem os quais não havia torres... nem Rockfellers.





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2. Que tudo aquilo "cresceu" em plena crise de 29-30, como o mostra uma foto da exposição que abre a visita.
Só turismo e férias? Não há!

quarta-feira, julho 01, 2009

Reflexões lentas... sem compromisso, sempre comprometidas

novaiorquinas4: Foi logo da primeiras vistas e visitas: a New York Public Library. E será, decerto, das repetidas.
O anúncio da exposição central - 1969-The year of Gay Liberation -, e a gente que esta exposição atrai e por ali anda, quase apagam o cinzento do pano de anúncio da Entre Colaboração e Resistência, mas foi a esta que me dirigi, e que visitei. E a que voltarei.
É uma grande exposição em salões do rés-do-chão, que começou a 3 de Abril e ali estará até 25 de Julho. Em espaços muito amplos, bem organizada, permite um percurso desde 1. 1918-49-Da Vitória à Derrota até ao pós-guerra (8. Aftermath).
Não a percorri com o cuidado e a atenção que merecerá, mas saí do edifício com as reflexões que, lentamente, me vão acompanhando: mais uma acção - e esta com escolhida e elaborada documentação - de um "contar da História", branqueando o nazi-fascismo e criminalizando o comunismo, ainda que não o explicitando, ou até parecendo o contrário.
As seduções da ocupação nazi, apesar, por exemplo das levas de operários forçados para a Alemanha, mas onde se deslocavam artistas franceses para amenizar a inhumana deportação, o charme (nem sempre) discreto do colaboracionismo que a resistência veio perturbar com actos isolados e de "assassinato" de oficiais alemães, talvez bons rapazes, o mal-estar de alguns escritores e intelectuais - Esprit, Lettres Françaises -, inevitáveis referências ao PCF e ao l'Humanité, mas raras e sempre distorcidas.
E leio, no jornal que se distribui com a exposição, coisas que não me permitem deixar de pensar na luta de classes, quotidana, agressiva, apesar de... estar em férias. Como, por exemplo, "listas negras" de artistas colaboracionistas, manuscritas e com ar de coisa de gente vingativa, e a referência ao termo da unidade que foi a Resistência sempre com os comunistas como os responsáveis.
Desconfio que voltarei ao tema...

terça-feira, junho 30, 2009

Reflexões lentas... sem compromisso, embora comprometidas

novaiorquinas3:

Madoff, o autor da dita "uma das maiores escroqueries financeiras da História", apanhado neste vendaval em que é difícil estabelecer fronteiras entre o que é e o que não é banditismo bancário-financeiro, e respectivas responsabilidades individuais, "apanhou" 150 anos de prisão!
A comunicação social ocupa-se largamente do assunto. Não tanto como do Michael Jackson, mas bastante. Muitos comentadores e comentários superficiais, muitos testemunhos na televisão. Ouve-se a mulher do homem, chorosa, ouvem-se vítimas do homem, algumas com o ar destroçado de quem tudo perdeu... do muito que lhes sobra para viver. Bem. Adiante...
Sem desvalorizar a presteza com que funcionou a justiça - pelo contrário - e a exemplaridade da pena (apesar dos 150 anos se poderem reduzir, na prática, a 6 anos), sublinha-se o tratamento:
"o caso", o escândalo, a fulanização, a ausência da (outra) exemplaridade da situação. Como se o "passarão" fosse o único e não - apenas! - um num sistema!

Mais reflexões lentas muito comprometidas... mas sem compromisso

nnovaiorquinas2
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O fascismo (sobre)vivia à custa da ausência de informação do povo.
O capitalismo, na sua actual fase, (sobre)vive com base na excessiva informação desinformadora ou perversamente informativa.
Aqui, onde estou, vejo-me e desejo-me para saber notícias sobre as Honduras. Depois de ter estado no Brasil, se já estava sensibilizado para a situação e evolução na América Latina, mais o fiquei. E quero notícias sobre o golpe militar nas Honduras, sobre o que se passa, quais as reacções, e pouco, muito pouco, quase nada, nada. Aqui, em casa desta amiga, a televisão tem dezenas (?) de canais mas não tem o TeleSur ou CubaVision.
Das Honduras nada, ou quase nada, ou muito pouco, ou pouco... ah!, mas do Michael Jackson e das suas autópsias se enchem primeiras páginas e preenchem horas de emissão.

segunda-feira, junho 29, 2009

Reflexões lentas... sem compromisso

novaiorquinas1:

A OCDE anunciou a "saída da crise" à vista (menos - ainda! - para a "zona euro")! Tudo se prepara para, nesta campanha de recuperação da confiança perdida (mas o que é que se passa com a "zona euro"?...), se utilizarem os indicadores económico-financeiros e as instituições ligadas às injecções de dinheiro e ao crédito para se virem dar "boas notícias", e para continuarem subalternizados os indicadores económico-sociais (desemprego - e que desemprego! -, dispersão, divergência, assimetrias regionais... pauperização) e as instituições não financeiras (FAO, UNESCO, OIT, e etc.).

sexta-feira, junho 26, 2009

Mais reflexões lentas... e sem compromisso

Outra das expressões com talvez maior significado nas eleições para o Parlamento Europeu está na(s) abstenção(ões) verificada(s) e nos votos nulos.
Nos números destas votações (ou ausências de votações) se pode encontrar a forma como largas massas de votantes manifestaram a sua desilusão… por se terem iludido com a fachada representativa da democracia burguesa, com uso e abuso da demagogia e da manipulação, assim descredibilizando a democracia por diminuição até ao zero, ao nada, da vertente participativa.
Em reforço desta interpretação, ela parece particularmente curial se se centrar a análise nos países que do final da guerra até aos anos 80 procuraram vias de socialismo e que, depois de várias quedas (e trambolhões) e da adesão à União Europeia – com o “entusiasmo” da chegada
do voto igual a "democracia"… –, observam taxas de abstenção acima de 70% - República Checa e Eslovénia, 72%, Roménia, 73%, Polónia, 76%, Lituânia, 79%, Eslováquia, 80%!
Faz pensar, não faz? A mim faz, mas deve ser defeito meu...

Enquanto preparo "relatório de tarefa"

Entre Iole Ilíada, directora da Fundação Perseu Abramo (do PT-Lula), que presidiu a esta mesa, e Nelson Barbosa, Secretário de Política Económica do Ministério da Fazenda do governo brasileiro
.

quinta-feira, junho 25, 2009

Reflexões lentas... e sem compromisso

Um dos mais expressivos reflexos da derrota social-democracia nestas eleições para o Parlamento Europeu estaria na perda de muitos deputados no grupo que se instituiu em Partido Socialista Europeu (à conta dos portugueses foram menos 5 em 12!), mas essa queda foi relativamente compensada por algumas “transferências” para o que até teria sido necessária mudança de nome, passando a chamar-se, o grupo, Aliança Progressista de Socialistas e Democratas, cujo é curioso…
Em contrapartida, no mesmo momento em que confrontamos os resultados, o outro grande grupo – o Partido Popular Europeu – não tinha tido subida correspondente, o que, se não permite, ainda!, concluir que também a bi-polarização foi penalizada pela política de direita em alternância partidária, que caracterizou o neo-liberalismo, pode ter essa “leitura”, até porque os conservadores britânicos estarão na origem de um grupo fora do PPE, o Grupo Conservador e Reformista, isto é, a direita a não "fazer grupo" com quem tem sido mais responsável pela política de direita!
Em complemento numérico, é significativo que o grupo que mais teria aumentado nestas eleições, tenha sido o dos Verdes que teria passado de 5,6% para 7,2% (1,6 pontos percentuais, isto é, quase 30%). Também neste reforço dos Verdes “europeus” se pode encontrar o voto de protesto – quando expresso – relativamente à política de direita praticada pelos partidos do “centrão”, devendo sublinhar-se a heterogeneidade entre as diferentes componentes nacionais e mesmo dentro destas, e também para o que pode servir esse voto, para canalizar descontentamento e desilusão de quem vota (ou não vota).

quarta-feira, junho 24, 2009

Uma consensualidade forjada

Vai passando o tempo sobre as eleições para o Parlamento Europeu e, contra dados e factos, vai-se instalando uma consensualidade: derrota da esquerda, vitória da direita e, até, da direita mais racista e xenófoba.
Ao nível da... Europa.Esta “leitura”, para além do menosprezo pelo rigor que os números lhe poderiam emprestar, assenta em pressupostos, de que, neste breve comentário, se intenta denunciar um deles. Por agora.
É ele o de que a social-democracia é de esquerda ou, até, que é a esquerda….
Podem os PSs se etiquetarem como partidos de esquerda, fazerem disso bandeira quando conveniente e, nas últimas horas, virem distanciar-se do neo-liberalismo, pisando com espectáculo (e berraria) o rabo do do gato do capitalismo que escondem, mas a sua derrota, a sua queda em várias formas e com expressões diversas, é o castigo da sua política, da sua inescamoteável responsabilidade no neo-liberalismo, na política de direita.

domingo, junho 21, 2009

Num intervalo

Num intervalo, li... e transcrevo:
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Em paz com a economia
por Mertheg Cachum (num jornal de S. Paulo, no suplemento negócios)

"Na América Latina e no Caribe, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), há 360 milhões de pessoas, cerca de 70% de sua população. com renda inferior a 300 dólares mensais.
Mais grave é o fato de 125 milhões de seus habitantes viverem com menos de dois dólares diários.
(...)
Ante tais estatísticas são preocupantes e paradoxais os dados do mais novo estudo do Instituto Internacional de Psquisas para a Paz de Estocolmo (Sipri), publicado em 8 de Maio: jamais, em toda a história, o mundo gastou tanto em armas como no ano passado. Foi US$ 1,4 trilhão (quase o PIB total do Brasil), um aumento de 45% em relação aos últimos dez anos. As nações destinaram 2,4% de toda a riqueza do Planeta na chamada ndústria de guerra. O montante é equivalente a 217 dólares por habitante.
(...)"

sábado, junho 20, 2009

Para informação

De:

PCdoB, PT e fundações debatem crise mundial dias 20 e 21


A Fundação Maurício Grabois, a Fundação Perseu Abramo, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o Partido dos Trabalhadores (PT) e Rede IPES/Corint, da França, promoverão dias 20 e 21 junho, Seminário Internacional sobre a crise mundial. O evento será em São Paulo. O cientista político e professor da Uerj, Emir Sader, fará uma palestra inicial sobre o tema do seminário, a partir das 9h30.

Programação

Dia 20 de junho (sábado)
9h30 - Apresentação da programação: PT, PCdoB, FPA, FMG e Corint.
10h – Crise e alternativas da esquerda, com Emir Sader, cientista político, professor da UERJ.
14h - Diagnóstico da crise internacional: natureza, profundidade e extensão.
Coordenação da mesa: José Reinaldo, secretário de Relações Internacionais do PCdoB.
História e dimensões da crise: financeira, econômica, energética, alimentar, ambiental e estrutural: Jorge Benstein, economista, professor na Universidade de Buenos Aires
A crise e as interpretações marxistas do capitalismo: Sitaram Yeshuri, deputado, secretário de Relações Internacionais do PC da Índia-Marxista (PCI-M).
16h30 – Reações frente à crise: EUA, Europa e instituições internacionais
Coordenação da mesa: Iole Ilíada, diretora da FPA
Tema: A política dos Estados Unidos, Obama — qual mudança?: Luís Fernandes, cientista político, professor da PUC-RJ.
Os impactos da crise na União Européia e a reação dos governos: Sérgio Ribeiro, economista, membro do Partido Comunista Português (PCP).
Os organismos internacionais frente à crise: Nelson Barbosa, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (Brasil).
19h30 - Reações frente à crise: Rússia, Índia, China e África do Sul
Coordenação da mesa: Patrick Theuret, diretor da Corint
A Rússia frente à crise: Gyula Thürmer, cientista político, diretor da Fundação Hungria Neutra, de Budapeste.
A Índia frente à crise: Paulo Vizentini, professor do curso de Relações Internacionais UFRGS – Brasil.
A emergência da China no mundo contemporâneo: Wladimir Pomar, jornalista e escritor (Brasil), e representante do Partido Comunista da China (a confirmar)
A África do Sul e o continente africano frente a crise: Blade Nzimande, secretário Geral do Partido Comunista da África do Sul.

Dia 21 de junho (domingo)
9h – América Latina: lutas populares e governos progressistas frente à crise
Coordenação da mesa: Valter Pomar, secretário de Relações Internacionais do PT
A crise e a Integração latino-americana: Samuel Pinheiro Guimarães, secretário-geral do Ministério de Relações Exteriores (Brasil).
Mesa-redonda “A reação de governos, partidos de esquerda e movimentos sociais frente à crise”.
Participantes: Marco Aurélio Garcia, vice-presidente do PT (a confirmar), Artur Henrique, presidente da CUT, Nivaldo Santana, vice-presidente da CTB, representantes do PT e do PCdoB (Brasil) e representantes da Argentina, de Cuba, da Bolívia, do Equador, da Nicarágua, do Paraguai, do Uruguai, da Venezuela e de El Salvador
14h - Crise e alternativas socialistas, com Theotônio dos Santos, economista, professor da UFF
Coordenação da mesa: Adalberto Monteiro, presidente da Fundação Maurício Grabois
Intervenções de Carlos Lupi, presidente (licenciado) do PDT e ministro do Trabalho do Brasil (a confirmar); Roberto Amaral, vice-presidente nacional do PSB; Renato Rabelo, presidente nacional do PCdoB e Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT.
Às 17h45 - sessão de encerramento
(Haverá debate com o público após o encerramento de cada tema)



Atualizado às 19h do dia 9 de junho

domingo, junho 14, 2009

Com licença...

Em o cravodeabril, de 10 de Junho, Fernando Samuel publicou uma mensagem que merece ser lida e relida. Assim o fiz, e para compensar o pouco tempo que tenho dedicado a outras coisas que não seja trabalhar números sobre as eleições para o PE, e dada a gravidade do tema que reputo enorme, reproduzo essa mensagem:

«PR QUER ACABAR COM FESTA DO AVANTE!

Nem mais: o Presidente da República quer acabar com a Festa do Avante!.Vinda de quem vem, tal intenção não surpreende:basta pensar na governação antidemocrática e antipatriótica de Cavaco nos dez anos em que foi primeiro-ministro.
O «argumento» utilizado por Cavaco para acabar com a Festa do Avante! tem raízes numa questão a que o Cravo de Abril já fez várias referências: o conceito de lucro.
Como estamos lembrados, aqui há tempos a Entidade das Contas e Financiamentos dos Partidos considerou a Festa do Avante! ilegal e enviou o seu parecer para o Tribunal Constitucional (TC).
A «ilegalidade» decorria do facto de o PCP considerar - vejam bem! - que o lucro da Festa é a diferença entre as receitas e as despesas, enquanto que a Entidade considerava - vejam bem! - que o lucro é as receitas...
O TC, sensatamente, não apenas não declarou a Festa ilegal, como considerou correcto o conceito de lucro do PCP e errado o conceito que a Entidade queria impor.
Recentemente, nas alterações à Lei do Financiamento dos Partidos aprovadas pela Assembleia da República, esse critério foi especificamente adoptado - daí o voto favorável do PCP.
Recorde-se, entretanto, a intensa campanha de mistificação posta em andamento nos média do grande capital. A campanha girava em torno de duas questões centrais dessas alterações: o aumento das subvenções do Estado aos partidos e o aumento dos limites para a angariação de fundos por parte dos partidos.
Recorde-se, ainda, que essa campanha de mistificação tinha como alvo preferencial o PCP, de tal forma que lendo os textos produzidos pelos comentadores de serviço, só podia concluir-se que o PCP vivia, e queria viver, à custa das subvenções do Estado - quando, como a verdade mostra, o PCP sempre esteve, e votou, contra o aumento das subvenções do Estado aos partidos.
Enfim a habitual chafurdice em que os média dominantes se sentem como peixes na água.
Agora foi, então, a vez de o Presidente da República dar a sua opinião.
E fê-lo vetando as alterações à Lei aprovada na Assembleia da República.
E entre as razões para o veto invocadas por Cavaco, lá está, uma vez mais o celebérrimo conceito de lucro.
Com efeito, Cavaco veta, entre outras razões, porque, nas alterações, «o limite da angariação de fundos passa a ter por referencial, não as receitas, mas a diferença entre receitas e despesas».Ou seja: para Cavaco, o lucro da Festa do Avante! é a totalidade das receitas da Festa e não a diferença entre as receitas e as despesas.
Este Cavaco já deu abundantes provas de que não gosta da Democracia, abomina Abril e não tolera o PCP.
Juntando a Festa do Avante! aos seus ódios de estimação, Cavaco está apenas a ser igual a si próprio...
(Fernando Samuel, 10.06.2009)»
.
Acabar com a Festa do Avante!? Não seremos apenas nós, os do PCP, a não o consentir! Nem à cavacada o conseguirão.
A Festa está muito para além de nós. É... A FESTA!

Abstenção, brancos e nulos

Tem-se referido a crescente importância da abstenção, dos votos brancos e nulos nestas “europeias”. Trata-se, na verdade, de motivo de reflexão. Deixo apenas breves comentários sobre cada uma destas expressões de voto, da democracia representativa.
A abstenção traduz a ausência de pedagogia política (ou só cívica), ou denuncia, até, deliberada prática anti-pedagógica, reflecte uma demissão do poder instalado de trazer os cidadãos ao gesto mínimo de participação que é escolher os seus representantes, por via de uma desinformação e informação viciada, perversa. E não é nova esta tendência para a abstenção e tanto mais quanto a escolha tem a ver com representantes para longínquas instâncias de poder, onde mais se comprova a falta que faz a informação, a carência da indispensável pedagogia cidadã. Informação e pedagogia cidadã que não serve o poder e os poderosos, poder e poderosos que, por isso, as desvirtuam e manipulam já que à comunicação não podem fugir e dela se servem desmesurada e despudoradamente.
O voto em branco atingiu valores impressionantes nestas eleições. Daria para eleger um deputado! Os eleitores, perante a lista de voto, deliberada e conscientemente, protestaram contra a situação que estão a viver – e também, inconscientemente, contra a informação que têm – e entregaram-na em branco. Quase 165 mil eleitores e de 5% dos votos expressos são um libelo contra a democracia representativa tal como o poder financeiro a utiliza ao seu serviço, e são, também, uma confissão de falta de informação. Informem-SE!
O voto nulo, que também vai crescendo votação a votação, pode ter várias causas. Algumas próximas das da abstenção e do voto nulo, outras derivadas de erros motivados por iliteracia ou falta de informação estritamente politica. A propósito, em ficções de cordel, conto mais uma história de exemplo... que, como toda a ficção, tem uma base real, vivida.

sábado, junho 13, 2009

Pormenores...

No fim de uma semana, ainda há muitas contas a fazer…
Aliás, considero que as contas têm sempre de ser feitas e refeitas. Se da luta viemos ao voto, agora as contas dos votos devem servir para reforçar a luta. E ele há tanto número e pormenor!
A CDU não elegeu 3 deputados por uma diferença de 2287 votos, isto é, 0,064% dos votantes e 0,023% dos inscritos.
Curiosamente (?), foram expressos 43.135 votos numa lista chamada PCTP/MRPP que usa como sigla, inscrita nos boletins de voto, a foice e o martelo. Contra o que, em devido tempo e reiteradamente, o Partido Comunista Português protestou. Sem êxito.
De 2004 para 2009 foram mais 6841 os eleitores que votaram nessa lista e símbolo, muito mais que os 2287 votos que faltaram à coligação PCP-PEV para ter mais um deputado, o seu 3º!
Supondo que foram 5,3% (1 em cada 18) do total de votantes nessa lista e símbolo que o fizeram querendo votar no outro símbolo da foice e do martelo que está associado ao girassol do Partido Ecologista dos Verdes, esse 3º deputado teria sido eleito.

A propósito, convido-vos a ler umas "ficções do cordel", umas ditas histórias de exemplo.

quinta-feira, junho 11, 2009

Talvez masoquismo...

Por (de)formação profisssional e alguma (anterior) vocação para números, gosto de ir coleccionando e de jogar com estes.
Agora, na ressaca das "europeias", registei os números de domingo (ainda não definitivos), para aplicar o método de Hondt e para os juntar a uns quadros que tenho desde 1987 (as 1ª. eleições para o PE), e deu-me:
Quer dizer, o 23º eleito (lembre-se que havia 24!) seria o 3º (a 3ª) da CDU, e só não o foi porque o 22º, do BE, teve 3,58 e o nosso 3º (a nossa 3ª) teve 3,55! Um "azar dos Cabrais"...

Mas não se ficou por aí o pendor masoquista! A CDU em 1999 teve também o primeiro não eleito, então o 26º pois eram 25 os deputados portugeses, e reproduzo o quadro que tinha guardado: Quer dizer, o 3º da CDU teve, segundo o método de Hondt, 3,43 e o 9º do PSD teve 3,46, pelo que foi o 25º deputado português. Nos dois casos, por 3 centésimas se perdeu um deputado!
Pelo que o tal "azar dos Cabrais" (e a sorte dos... outros) não é original. Repetiu-se.
Que fique como remorso para alguém que se tenha "esquecido" de votar, ou que, por alguma razão pessoal, decidiu não ir votar, ou por considerar que um voto a mais ou a menos não faz falta nenhuma...
E mais não digo.


terça-feira, junho 09, 2009

Com grande satisfação

“Em causa nas eleições de 7 de Junho estará a possibilidade de dar expressão política e eleitoral à necessidade urgente de ruptura com a política de direita que tem presidido à actuação do Governo PS e à intervenção de PS, PSD e CDS no Parlamento Europeu”
(da Declaração Programática do PCP para as Eleições Europeias de 2009)

Resultado:
PS, PSD e CDS passaram de 83,0% dos votos em 2004 para 66,7% dos votos em 2009 e de 21 deputados para 17 deputados. Sobretudo o PS, protagonista maior da política de direita na actualidade, perdeu 566 mil votos, 18,8 pontos percentuais e 5 deputados, independentemente de menos dois deputados portugueses pois o 23º seria da CDU e o 24º seria do PSD, pelo que, a não ter havido a redução, haveria 9 deputados do PSD, 7 do PS, 3 do BE, 3 da CDU e 2 do CDS.

Observações:
1. A questão do lugar no leque partidário tem grande impacto psicológico. O 4º lugar da CDU tem de ser encarado com toda a frontalidade. Em nada pode diminuir a satisfação (e a alegria) justificada pelos resultados muito positivos da coligação em todas as outras considerações. O PCP, e as coligações que este anima, já foi 4ª força partidária em vários momentos, desde 1976, ou com o CDS ou o PRD como 3ªs. forças.
2. Analisando as votações no espaço nacional importa sublinhar que, em relação a 2004, a subida da CDU foi de 22,7%, em todos os distritos e regiões autónomas, quando em 2004, em relação a 1999, apenas a R.A. da Madeira crescera. Os 5 distritos (e R.A) de maior crescimento, acima dos 60%, são Viseu (82,9%), Vila Real (75,7%), Guarda (66,4%), Bragança (62,8%) e Açores (62,7%); entre os 5 distritos com menos crescimento, ainda assim relevante – Beja (17,2), Lisboa (12,9%), Évora (12,1%), Portalegre (11,7%) e Setúbal (7,1%) – estão os três distritos em que a CDU tem o 1º lugar (Beja, Évora e Setúbal) o que pode reflectir uma estabilidade de eleitorado CDU.
3. Não se devendo extrapolar resultados eleitorais para eleições diferentes, um mero exercício com estes números levaria a que, em legislativas, a CDU elegeria 23 deputados – 7 em Lisboa, 5 em Setúbal, 3 no Porto, 2 em Beja e 1 em Aveiro, Braga, Coimbra, Évora, Faro e Santarém, enquanto o BE teria menos 5 deputados.
4. Numa Assembleia da República a partir desta votação, haveria 41 deputados (23 CDU e 18 BE) que não seriam deputados dos três partidos identificados como responsáveis pela política de direita desde 1976, o que não tem nada a ver com política de alianças mas as condições concretas em que a luta continua no contexto das decisões programáticas.

segunda-feira, junho 08, 2009

Inesgotável!

Quando se julgava já tudo se ter lido, ouvido e visto (ou nada "lidouvisto")... surpreendem-nos.



O DN decidiu arredondar 10,73% para 10,8%!



E por muito contentes nos devemos dar por não se ter arredondado, de acordo com estas novas (des)regras, o resultado da CDU de 10,66% para 10,6%!

Números sem comentários....

(por agora).


Faltando ainda 37 consulados,
CDU: + 70377 votos, + 1,6 pontos percentuais que em 2004

sábado, junho 06, 2009

Preparando trabalho...


A reflectir...

... como sempre.


Ao fazer uma revisão de coisas ouvidas na campanha, e pondo de parte algumas por uma questão de higiene mental, venho lembrar que o economista que disse que "a longo prazo estamos todos mortos" não era "americano", mas sim o agora tão oportuno Lord Keynes, subdito de Sua Magestade britânica, e sempre muito citado quando se trata de tentar salvar o capitalismo.

O homem foi lúcido e deu excelentes contributos para se perceber o capitalismo, os seus limites e contradições, e lá vai ajudando a adiar...
.
Continuem a reflectir.

sexta-feira, junho 05, 2009

Pelo "trabalho decente"!

Esta é a melhor tradução que se encontra para "travail décent", que é expressão que está na versão francesa a que tivémos acesso de um relatório da "reunião tripartida de alto nível sobre a crise financeira e económica mundial actual", realizada em Genève a 23 de Março de 2009, no âmbito da actividade da Organização Internacional do Trabalho.
Este documento tem o maior interesse, e deve ser estudado e reflectido pelo contributo que representa no actual momento (histórico) que se vive. Enquanto se reunia um mediático G-20 e se reforçavam as políticas causadoras da "crise" e das situações e perspectivas sociais, este relatório colocava as questões de uma outra maneira, apesar de partir de uma agência das Nações Unidas. Por isso, o quase total silêncio...
Trata-se de documento para reflectir, com forte inspiração keyneana, corrente do pensamento económico que nunca quis outra coisa que não fosse tentar salvar o capitalismo, pelo que se reproduz, sem aplologia, o resumo... do resumo analítico, através dos títulos que se encadeiam:
  • A crise mundial agrava-se...
  • ... e arrasta um risco de recessão prolongada no mercado do trabalho...
  • ... o que constitui uma ameaça para a estabilidade social.
  • Os países tentaram contrariar a crise adoptando medidas radicais para reanimar o sector financeiro e anunciando planos de relançamento orçamental...
  • ... mas até agora os planos nõ tiveram os efeitos esperados...
  • ... porque o sistema de crédito não foi redinamizado...
  • ... os planos de relançamento orçamental não coolocaram suficientemente o acento no trabalho decente e,na falta de coordenação, não conseguiram dar um novo impulso à economia...
  • ... soluções individualistas, desvalorizações concorrenciais e deflação salarial são outros tantos riscos para os mercados mundiais...
  • ... pouca atenção foi dada à questão do desenvolvimento...
  • ... e não se atacaram as causas estruturais da crise.
  • Uma medida necessária: a instauração de um pacto mundial para o emprego.
  • Políticas mundiais coerentes ao serviço de uma prosperidade e de um desenvolvimento partilhados.

terça-feira, junho 02, 2009

Entre a crise e as "europeias"

Saltitando entre tarefas ligadas à "crise" e tarefas ligadas às "europeias" (com outras pelo meio... mas estando tudo ligado!), a arrumar papeis sempre desarrumados, encontrei um O Militante de Novembro/Dezembro de 2004, e nele descobri um artigo já esquecido que pareceu vir mesmo "a calhar", a começar pelo título - Crise do capitalismo e União Europeia - e li-o com alguma curiosidade e, posso agora dizê-lo, proveito.

Desde logo me serviu para provar uma coisa que não tem que ser provada mas que é sempre bom provar, que "a crise não é de agora", como foi o feliz título da iniciativa da Pluricoop em Grândola, para que me convidaram, e também para que, a partir desse artigo, não tivesse de fazer grande esforço para ligar a abordagem da crise (que não é de agora, mas que está sempre no bojo do capitalismo) com as "europeias" sendo a "integração europeia", desde sempre e como está em destaque, resposta de classe a uma necessidade objectiva de concertação de espaços nacionais.
E transcrevo uma reflexão de há quase 5 anos, que a releitura do artigo me veio lembrar e avivar para as eleições que se aproximam:

"(...) A tal vai obrigando a democracia representativa, burguesa, para que a ratificação, na mão de 25 povos e/ou dos seus eleitos, não sofra qualquer revés como seria provável com uma informação isenta e objectiva do que está em causa.
Sobre a representatividade desta democracia representativa muito haveria a dizer e a exemplificar. Bastará, talvez, até pelo seu fundo significado, deixar a referência ao facto dos 54 deputados da Polónia tendo sido eleitos por menos de 20% dos recenseados, não terem havido lista de comunistas. Em contrapartida, na República Checa, em que concorreu uma lista Partido Comunista, a abstenção foi inferior à da Polónia em 20 pp e esse partido elegeu 6 dos 24 deputadois checos. Fica para reflexão.(...)"
.
Fica para reflexão!

segunda-feira, junho 01, 2009

domingo, maio 31, 2009

Surpreendidos? Talvez...

Depois da Marcha de 23 de Maio (da CDU), a manifestação de ontem (dos professores)!
Durante a semana, a campanha eleitoral, nalguns partidos e, sobretudo, na coligação, com forte mobilização e formas diversas de intervenção de massas. Também em sessões em salas cheias a ouvir e a participar, animadas por quem não justifica a atenção da comunicação social, e que passam como se não existissem
Haverá quem esteja surpreendido com tanta gente na rua e onde for. A participar. Antes do voto. Para o voto. Além do voto. À margem da democracia representativa, marginalizando-a porque ela se marginalizou. E a democracia participativa existe e marcha, e manifesta-se, e debate. Viva!
Esta forma de se estar a fazer política, na rua, fora dos holofotes, dos locais de representaçã, é um sinal. Fortíssimo. Que talvez o voto não venha a traduzir. Que tudo ainda devemos fazer para que seja levada ao voto, com a certeza de que continuará depois de 7 de Junho .

segunda-feira, maio 25, 2009

Sondagem anónimotest xxi

Nós também as podemos fazermos. E até temos alguma preparação escolar para essa coisa de universos estatísticos e amostras. Por isso, fartos de ouver e ler sobre empates técnicos PS/PSD (é estimulante, sim senhor)) e sobre o BE como 3ª força (são de força!...), a tal nos abalançámos no último sábado. Com o apoio da literatura de cordel e do som da tinta, nossos congéneres.... para a coisa ficar mais credível.
Saímos cedo para o mercado da cidade e, numa amostra de 20 inquiridos, perguntado aos que feiravam em que partido ou coligação votariam, tive:
................................7 votos no PSD (aqui é assim... ou tem sido)
............................... 6 votos no PS
............................... 3 votos no CDS (CDSs da "velha guarda" não faltam no mercado)
............................... 1 voto na CDU (foi por ser eu a perguntar...)
............................... 1 voto no BE (este foi para me chatear... eu topei-o)
............................... 2 não responderam - NR (ou melhor: não digo o que me responderam!)
Depois, pelo meio-dia, meti-me num autocarro da Rodoviária para ir a Lisboa. Não sei porquê foi dar uma volta por Tomar, Paialvo e Entroncamento e só depois é que o motorista encontrou a entrada na A1. Fui perguntando ao universo da camioneta (50 passageiros!) em que partido ou coligação votaria no dia 7 de Junho, e registei:
............................... 44 votos na CDU
............................... 4 não responderam - NR (vinham mal dispostos...)
................................ 1 voto no BE (todo contente... mas julgo que não voltou ao autocarro quando foi pedida paragem para chi-chi)
................................ 1 disse que se iria abster (e piscou-me o olho e riu)
Quando dei por mim, ao fim de 3 horas no trajecto que está contado para hora e meia, estava no meio de um mar de gente, tão mar que até pensei que tinha ir dar ao Cais das Colunas. Olhem, meti-me na onda - e que onda! -, e fui perguntando onde iam (iam ouvir umas senhoras e uns senhores cantar e falar, todos entusiasmados, num palco munta grande lá muntao fundo, antes do Marquês), e em quem iam votar no dia 7 de Junho. Foi difícil ouvir as respostas. Tudo a cantar, e bombos e gaitinhas, e coisas a que chamam palavras de ordem, uma animação e uma barulheira que me prejudicou o trabalho. Mas lá consegui colher 50 respostas (embora pouco satisfatória pois o universo era de mais de 85 mil confirmados... e para esuqecer):
............................... 45 votos na CDU
............................... 4 não responderam- NR (ou não ouvi a resposta, ou mandaram-me andar que estava a prejudicar a marcha... deles)
............................... 1 disse que se iria abster (porque não gostou daquilo do lei de financiamento dos partidos e mais isto e mais aquilo, que tem por nós - tomou-me por marchante, foi isso ... - muito respeito mas que mais isto e mais aquilo.... queria conversa, pronto!)
Resumo:
................................ 90 votos CDU
................................ 7 votos PSD
................................. 6 votos PS
................................. 3 votos CDS
................................. 2 votos BE
................................. 2 abstenções
................................. 10 NR
Usando o método de Hondt, a CDU, segundo esta sondagem, vai ter 83% dos votos e vai ficar com 18 a 20 deputados, o PSD terá 6,5% dos votos e 1 a 2 deputados, o PS com 5,6 dos votos terá 1 deputado (esse... o Vital) a 2, e o CDS, terá 2,8% dos votos e 0 a 1 deputado, tal como o BE. Tudo dependendo dos que não responderam se arrependerem, e da margem de erro. E da margem de confiança (que é enorme... na CDU!)

A marcha continua...

... até ao dia 7 de Junho. Depois do dia 7 de Junho.

Por mais que fechem os olhos e tapem os ouvidos. Por mais que a atirem para os cantos inferiores direito de páginas pares e se vangloriem de cumprir a sua missão informativa. Por mais que façam da informação a ridícula mascarada ao serviço dos "patrões",

a marcha continua!

Eles fazem de cegos, de surdos e de mudos, eles enterram a cabeça na areia, porque estão com medo. E, com medo, a besta é perigosa.

domingo, maio 24, 2009

Com dedicatória...

Para ontem, havia prenúncios meteorológicos desfavoráveis, confirmados pelas chuvas da manhã. Havia núvens no céu. Mas fomos mais de 85 mil! Estivemos nas ruas de Lisboa. Dizendo basta, dizendo é preciso mudar, dizendo é preciso romper para o futuro. Dizendo é possível! Porque somos tantos. E estamos na rua. E... porque queremos não, queremos sim!
Tanta gente! E esta manhã, a retomar rotinas, a navegar por sítios nossos e por sítios amigos, uma pergunta: porquê não mais ainda? porquê tanta mais gente que sente que basta, que é preciso mudar, que é preciso romper para o futuro, parece viver num outro País, num outro mundo em que não houve o dia de ontem em Lisboa? Porquê?

Porque a comunicação é o que é, porque são mais importantes as ressacas de um senhor com estatuto de pensador que a luta de centenas de milhar que pensam, de 85 mil que vêm à rua com a sua luta, com a luta que na rua se faz? Sim! Mas não só... É tarefa de cada um dos 85 mil vir dizer aos que connosco (ainda) não estiveram, e que são gente que pensa e sente, vir dizer-lhes que fomos, que estivemos, que voltámos com mais força, com mais confiança. E que precisamos deles. Como todos precisamos de todos. Para sermos o que é possível sermos.

Um abraço.

sábado, maio 23, 2009

terça-feira, maio 19, 2009

Com indignação!

De Roma, do Vaticano, a (intencional) má memória e os sinais fascizantes.
Ver aqui.