terça-feira, outubro 20, 2020

MAS - Bolívia!





Perante os resultados já conhecidos das eleições de 18 de Outubro na Bolivia, o PCP enviou ao Movimento ao Socialismo (MAS), assim como ao Partido Comunista da Bolívia, as calorosas felicitações pela eleição de Luis Arce como Presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, assim como pela vitória do MAS e das forças populares nas eleições legislativas, com a conquista da maioria em ambas as câmaras da Assembleia Legislativa Plurinacional.

Na sua mensagem, o PCP considerou que o expressivo triunfo agora alcançado nas urnas pelo MAS e os seus aliados confirma a natureza profundamente anti-democrática e anti-popular do violento golpe de Estado, de Novembro de 2019, levado a cabo pelas forças reaccionárias, com o apoio do imperialismo, contra o legítimo Governo de Evo Morales. Uma vitória que, para o PCP, reafirma a vontade do povo boliviano em prosseguir o processo de afirmação soberana e de progresso social na Bolívia, e que dá confiança à luta dos povos da América Latina e Caraíbas e do mundo.

Reafirmando a solidariedade com o MAS e o Partido Comunista da Bolívia, o PCP insta ao respeito da vontade popular expressa nas urnas pelo povo boliviano.

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MAS...

 além desta mensagem,

que silêncio ensurdecedor!

Que estarão a preparar,

qual será a versão bolivariana de Guaidó

ou como será a tentativa de 2º golpe de Estado?!


segunda-feira, outubro 19, 2020

A talhe de foice

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Pergunto(-me) (ninguém me perguntou…) a razão porque transcrevo com frequência artigos de opinião publicados no avante! no meu blog.

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Respondo(-me) que o faço (e não só artigos de opinião) quase em catarse, evidentemente para divulgar, para informar através de mais uma via (insignificante que é, é mais uma…), porque me custa sentir que a avassaladora desinformação ter muita expressão… mesmo entre “os nossos” que, naturalmente, pela ela são invadidos.  

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EstarMOS na luta é também, e deverá ser!, informarmo-NOS e informar os outros.

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Lutar contra a mentira tem de ter a outra face, a que mostra a face da verdade, mesmo que a verdade não seja um absoluto objectivo.

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Em rigor (democrático, de teoria) chegaria dizer(-me)… para mostrar a nossa versão do que é informado em outras versões.

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Mas é muito mais que isso, é informar a nossa versão contrapondo-a à manipulação, à mentira que é a “informação” veiculada insistente e invasivamente como se fosse a única, a verdadeira.

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Este artigo do Gustavo Carneiro vem a talhe de foice, com a enorme virtude 
de até reconstituir muito do desconstruído (quando não destruído):


 


 - Edição Nº2446  -  15-10-2020

 

O argumento

defesa do mundo livre enquadrou ideologicamente a chamada Guerra Fria, designação pela qual passou à história a autêntica cruzada lançada pelo imperialismo norte-americano contra o impetuoso movimento de libertação nacional e emancipação social que se seguiu ao segundo conflito mundial. A narrativa, tão simplista quanto mistificadora, revelou-se particularmente eficaz: de um lado estaria o mundo livre, liderado (e defendido) pelos Estados Unidos da América; do outro, a tirania, protagonizada pela União Soviética e, em geral, pelas forças do progresso, da paz e do socialismo.

Segundo esta fórmula, a criação da NATO e a participação, na sua fundação, da ditadura fascista portuguesa (com o Campo de Concentração do Tarrafal em pleno funcionamento)    enquadravam-se na defesa do mundo livre, assim como as guerras de extermínio movidas contra os povos da Coreia e do Vietname. Na versão do imperialismo, sempre amplificada e justificada pelos média dominantes, os golpes de Estado promovidos no Irão, na Guatemala, no Brasil, na Indonésia ou no Chile, todos eles acompanhados por banhos de sangue e a instauração de ditaduras reaccionárias ou fascistas, pretendiam defender o tal mundo livre. Segundo esta narrativa, Pinochet, Suharto, Savimbi, Banzer, Salazar, os coronéis gregos, os generais brasileiros e o próprio apartheid encontravam-se do lado do mundo livre. E, no campo contrário, estiveram Lumumba, Cabral, Mandela, Ho Chi Minh, Ché Guevara, Allende...

Já no século XXI, e contando uma vez mais com o prestimoso auxílio das grandes cadeias mediáticas, foi a guerra ao terrorismo o pretexto encontrado para justificar a defesa do mundo livre – ou seja, a expansão do domínio imperialista a novas regiões do globo e a garantia de avultados ganhos para a indústria do armamento. As vítimas, tratadas como danos colaterais, contaram-se uma vez mais aos milhões. No Iraque, no Afeganistão, no Paquistão, na Líbia, na Síria, na Somália...

Esse é, uma vez mais, um dos argumentos a que o imperialismo norte-americano recorre para encobrir a verdadeira natureza da sua acção predadora e exploradora com que pretende responder à grave crise em que se encontra enredado (que é a do próprio sistema capitalista). A República Popular da China e o seu extraordinário desenvolvimento económico e social são, mais do que o alvo preferencial, o pretexto ideal – replicado com dedicado esmero pelos líderes políticos, comentadores e analistas que monopolizam os principais jornais, rádios e televisões um pouco de todo o mundo.

Os métodos para a defesa do mundo livre, já se sabe, serão os de sempre: militarização, agressão, desestabilização, ingerência. Quanto à resposta, terá de ser de luta!

Gustavo Carneiro

 

domingo, outubro 18, 2020

Para este domingo (um dia depois de 17.10.2020)

 Lembrando, hoje, o amigo que ouvia esta canção, silencioso, à janela da nossa casa de cooperantes, na "Mesopotâmia" da Praia em Cabo Verde, a fumar um cigarro em que escondia a emoção com que ouvia o que impunha silêncio a toda a sala, ao outro pai que eu era, seu amigo anos mais tarde por ele promovido a mano-novo. 

Há 40 anos! Perdoa-me, mano-velho, ter-te falhado como "Entidade Reguladora de Exéquias", a que, entretanto, me promoveras. 

Este domingo, para este domingo, lembrei isto...

  https://youtu.be/Lp__DsVTZPs?t=10

Aos Nossos Filhos

Ivan Lins

Nos Dias de Hoje

 

Perdoem a cara amarrada,
Perdoem a falta de abraço,
Perdoem a falta de espaço,
Os dias eram assim...

Perdoem por tantos perigos,
Perdoem a falta de abrigo,
Perdoem a falta de amigos,
Os dias eram assim...

Perdoem a falta de folhas,
Perdoem a falta de ar
Perdoem a falta de escolha,
Os dias eram assim...

E quando passarem a limpo,
E quando cortarem os laços,
E quando soltarem os cintos,
Façam a festa por mim...



E quando lavarem a mágoa,
E quando lavarem a alma
E quando lavarem a água,
Lavem os olhos por mim...

Quando brotarem as flores,
Quando crescerem as matas,
Quando colherem os frutos,
Digam o gosto pra mim...

Digam o gosto pra mim...

Os iscos com que o peixe grosso se regala(rá)

Um oportuno e excelente esclarecimento (com acrescento de nota): 


 - Edição Nº2446  -  15-10-2020

 

Impasse negocial

Os fundos da UE, para o próximo período de programação (2021-2027), continuam a marcar o noticiário nacional. Sem que tenha esfriado o entusiasmo com a propalada pipa de massa, prometida no Conselho Europeu de Julho, eis que surge a notícia de um impasse nas negociações entre o Parlamento Europeu e o Conselho, para aprovação do Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027 e do denominado Fundo de Recuperação. Ainda que tal impasse seja provavelmente passageiro, vale a pena perscrutar as suas causas.

À medida que se desvanece a cortina de fumo erguida em torno do acordo de Julho, vai sendo mais percetível a sua verdadeira natureza.

As negociações em torno do orçamento da UE para os próximos sete anos arrastam-se desde 2018. A proposta inicial implicava, à partida, cortes em áreas importantes como a «coesão económica e social»(*) e a «agricultura». Alguns dos principais beneficiários do mercado único e da moeda única recusaram-na, pois queriam cortes ainda mais substanciais. São países que querem manter e, se possível, aumentar os enormes ganhos que obtêm da integração (à custa do prejuízo de outros), querendo, ao mesmo tempo, reduzir as suas contribuições para o orçamento.

Em Julho, estes países, os (mal) chamados frugais, obtiveram vencimento de causa. A proposta de Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027 aprovada no Conselho Europeu, já em plena pandemia, levou mais longe os cortes propostos em 2018. Para acomodar esses cortes, defendendo tanto quanto possível os «envelopes nacionais», ou seja, as verbas que cada país recebe de fundos estruturais e da política agrícola comum, encontrou-se uma solução: a variável de ajustamento seriam os programas existentes em áreas como a investigação, a saúde, o ambiente, a mobilidade de estudantes (Erasmus), entre outros. Manta curta, tapa de um lado, destapa do outro. Caía por terra a propaganda feita em torno de alguns destes programas. O Parlamento Europeu, que sempre os defendeu, não quer perder a face e exige, pelo menos, a mitigação dos cortes. Eis, em parte, a razão do impasse. Tendo em conta que países mais ricos estão entre os principais beneficiários de alguns destes programas, talvez não seja difícil encontrar novo ponto de equilíbrio entre as posições do Conselho e do Parlamento.

Entretanto, em tempo de crise, precipitada pela COVID-19, o Fundo de Recuperação foi a cortina de fumo que serviu para esconder os cortes no orçamento. Sucede que este fundo tem uma natureza especial. O dinheiro-extra que os países receberem nos próximos quatro anos, ao abrigo deste instrumento, será pago mais tarde, com redução das verbas a receber via orçamento. Para evitar este corte futuro, que, na prática, transforma as «subvenções» em empréstimos, alguns defendem a criação de «impostos europeus», como nova fonte de receita da UE. A receita arrecadada com estes impostos substituiria aquilo que os países mais ricos deviam (mas não querem) pagar para o orçamento. Opção não isenta de contradições, que está igualmente na origem do impasse criado.

Os miríficos fundos da UE são, cada vez mais, mero papel de embrulho de uma integração intrinsecamente geradora de desigualdades e assimetrias.

João Ferreira

 

(*)     Além de todo o apoio a este esclarecido esclarecimento, a referência à coesão económica e social justifica que se lembre que a expressão nasce após a adesão de Portugal e Espanha às Comunidades Europeias. As CE emendaram o Tratado de Roma com o Acto Único e preparava-se o Tratado de Maastrich, enquanto se preparava a criação do mercado interno, em que avultava a livre circulação de capitais (desde então libertina). No contexto da correlação de forças na luta de classes, foi possível adoptar como objectivo a dita coesão económica e social a partir da previsão inquestionável de que o mercado interno iria agravar as desigualdades sociais e as assimetrias regionais (nestas se incluindo entre-nações). Adoptava-se, com essa expressão, o princípio de futuras transferências para os Estados-membros que iriam ser prejudicados pelo mercado interno e as livres circulações (sobretudo de capitais), com inclusão em Maastrich de um fundo de coesão, “alimentado” pelos Estados-membros que iriam beneficiar.


sábado, outubro 17, 2020

Comenta dor - breves notas em quase-diáro

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Ainda sobra matéria que acho necessário comentar, para que tenho o mote e vou tentar arranjar espaço. 

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Aquilo que me desafia a comentar é a peregrina medida da obrigatoriedade do app-stayaway covid.

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É tão absurda como tão inoportuna foi a outra ideia da substituição do presidente do Tribunal de Contas, e foi tão inoportuna uma e tão absurda outra que me fizeram desconfiar…

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Tenho de António Costa a ideia de um imaginativo político, possuidor de genes muito positivos e de intenções e práticas nem tanto assim, tal a vontade de subir, de carreira, de poder ser poder…

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A sua imaginação ainda se alimentaria de reminiscentes palavras de ordem como a de imaginação ao poder do Maio de 1968 no centro de Paris 

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E a primeira vez que pensei nisso foi já há alguns anos, quando atravessou a política autárquica portuguesa com estranhas (foi o mínimo a dizer) campanhas com mergulhos nas águas do Tejo e corridas na histórica (no ciclismo português) subida da Calçada de Carriche entre um candidato a autarca de Lisboa montado num burro e um Ferrari. 

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E, curiosamente (?) os dois candidatos a autarcas em 1989 e em 1993 (há tantos anos) chamavam-se Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa...

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Será que, de vez em quando, género golpe de asa para chamar a atenção para “outras coisas”, novas, novidades, estranhas, ou para dramatizar, ou para desdramatizar, ou para dramatizar de outras maneiras, se abusa da imaginação para manobras de diversão que pouco divertidas são, particularmente em momentos em que é mais essencial que nunca a informação consciencializadora?

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Neste tempo de informação manipulada e manipuladora já nada me admira!

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No entanto, se nada me admira, muito me indigna esta prática de democracia que, baseando-se no poder ao povo, tudo faz para que o povo seja mal informado, deturpadamente iludido, emprenhado de fé (ou de fés, e nenhuma inocente), menorizado, mero avalizador (pelo voto e abstenção)do que o convencem ser melhor para ele, desarmado de consciência cidadã, isto é,de ser capaz de escolher como seres humanos inFormados.  

 

sexta-feira, outubro 16, 2020

É preciso ler!





Precisam-se observadores


LUSA








Não adianta continuar a ligar para a linha de apoio às eleições internacionais: todos os observadores encontram-se ocupados com as legislativas na Venezuela. E logo agora que há tanto para observar a Norte! Logo agora, que Trump pede às milícias fascistas que «se mantenham por perto» e intimidem os eleitores. Agora, que o presidente ameaça publicamente não reconhecer os resultados caso perca. Agora, que a Comissão Judicial do Senado dos EUA deu o tiro de partida para confirmar Amy Coney Barrett como a nova juíza do Supremo Tribunal. Logo agora, que o golpe de Estado acabou de ganhar forragem judicial.

Logo para mais teriam a vida tão facilitada que nem precisariam de deixar Caracas para observar Washington, se é que também observam com os ouvidos. Bastaria observarem, a título de exemplo, Trump na televisão a anunciar Barrett como a substituição-relâmpago de Ruth Bader Ginsburg, falecida oito dias antes, explicando em directo que «isto [as eleições] vai acabar no Supremo Tribunal. Precisamos de nove juízes».

Se não tiverem mesmo tempo, eu resumo: no dia 3 de Novembro Trump vai entornar caos, medo e violência sobre as urnas de voto. Depois, vai contestar os resultados e pedirá ao Supremo Tribunal, agora controlado por uma confortável maioria de juízes ultra-conservadores, que decida quem venceu.

Confrontada pelo Senado, esta terça-feira, com a possibilidade de ter de decidir sobre o resultado das eleições, Barrett recusou qualquer tipo de promessas ou compromissos, negando-se mesmo a tomar posição sobre a presença de vigilantes de extrema-direita nas secções de voto. «Tudo está em aberto e não me pronuncio sobre situações hipotéticas», respondeu.

Conhecida pelas suas posições ultra-reaccionárias sobre o aborto, a pena de morte, os direitos das pessoas LGBT e a religião, Barrett contribuiu judicialmente para o roubo das eleições de 2000 através da ordem para parar a contagem dos votos na Florida.

E se o Senado, controlado pelos republicanos, nada poderá fazer para impedir a confirmação de Barrett, o Partido Democrata, que teria interesse e os meios para enfrentar o golpe nas ruas e na câmara baixa, rendeu-se a um silêncio suspeito, pelo que, na ausência dos titulares observadores internacionais de eleições, o povo estado-unidense só poderá contar consigo próprio para observar, vigiar e lutar.

António Santos

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quem está tão democraticamente preocupado 
com as eleições na Bielorrússia,
anda distraído com as que se aproximam nos Estados Unidos?
que sanções se preparam para o que se prevê
(mais: para o que se anuncia)? 

quinta-feira, outubro 15, 2020

Medidas para o estado de calamidade

Declaração de JOÃO OLIVEIRA 

Sobre a Proposta de Lei que determina a obrigatoriedade do uso de máscara para o acesso ou permanência nos espaços e vias públicas 

e a obrigatoriedade da utilização da aplicação STAYAWAY COVID

A Proposta de Lei apresentada pelo Governo acentua uma linha de responsabilização individual que não pode, de forma nenhuma, aceitar-se como substituição das medidas que se impõem face à evolução da Covid19 e que são, antes de mais, o reforço dos serviços públicos, em especial do SNS, com os meios necessários a uma intervenção eficaz na prevenção e no combate à epidemia, designadamente com o reforço dos meios de saúde pública de forma a que possam com eficácia interromper as cadeias de transmissão.

Podendo considerar-se adequada a determinação de uso de máscara nas situações em que não seja possível cumprir o distanciamento físico recomendado pela DGS, sublinha-se a necessidade de definir com clareza as condições para a verificação dessa utilização. Se essas condições não forem definidas na lei com clareza, a fiscalização da aplicação da lei ficará remetida para um espaço de discricionariedade que será certamente fonte de múltiplas situações de discrepâncias, conflitos indesejáveis e potenciais abusos de poder.

Relativamente à obrigatoriedade de utilização da aplicação StayAway Covid, o PCP considera que se trata de uma proposta desadequada, inclusivamente quanto à definição de competências para a fiscalização do cumprimento dessa obrigatoriedade.

A proposta de utilização obrigatória da aplicação apresentada pelo Governo é duvidosa quanto ao respeito por Direitos, Liberdades e Garantias previstos na Constituição, de duvidosa determinação e eficácia quanto aos universos que pretende abranger e potencialmente geradora de uma falsa sensação de segurança entre as pessoas a quem seria aplicada.

Incompreensível na proposta do Governo é a ideia de que a fiscalização da utilização obrigatória da referida aplicação em contexto laboral, educativo ou académico fosse feita pela GNR, PSP, Polícia Marítima e polícias municipais. Não se compreende como poderiam aquelas entidades dar resposta às missões que já hoje têm de cumprir, acrescentando ainda deslocações aos espaços de escolas, universidades, serviços públicos, locais de trabalho das mais variadas áreas e sectores para procederem à fiscalização da utilização da aplicação por quem ali desenvolve a sua actividade laboral, educativa ou académica, eventualmente excluindo quem acede aos mesmos espaços fora dessas circunstâncias.



 

Comenta dor - ainda o País, orçamento e ideologia

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Tinha a intenção de comentar o Mundo. Este Mundo em que estamos a viver neste tempo, e que se comprova que está bem a precisar de ser transformado. Acabei o comentário anterior escrevendo que não faltam pontas por onde lhe pegar tão bicudo está, apesar da sua forma arredondada.

Mas acontece que o tema orçamento não se esgota e o regresso da situação de calamidade ao País, me impede de sair de aqui nestes meus comentários. Que, sendo um imperativo pessoal sem qualquer pretensão de chegar a muitos, se me impõe no meio de tudo o que vejo, ouço e leio. Aliás, são comentários sobre comentários de comentadores, daqueles que têm a tarefa de dizer “como vão as coisas”, e que a cumprem com maior ou menor divulgação, segundo é estimulada ou frenada pelaa correlação de forças.

Aliás, começaria por colocar essa questão. Ainda ontem, um comentador (dos encartados) chamava a atenção para a importância de um livro, que a mim me interessa, e que ele apresenta com entusiasmo que não comungo, logo a partir do título e da obra anterior de autor. Trata-se de Piketti, o autor de O Capital no século XXI, que agora publicou Capital e Ideologia. Despertará – já despertou – apologetas, mas em contrapartida suscita(-me) imediatas reservas.

Tudo tem a sua ideologia (até a desideologia!), e quando se avança com o título Capital e Ideologia logo se auto-denuncia a ambígua ideologia de apresentar dois conceitos como se fossem separáveis por uma copulativa. De toda a ideologia, qualquer ideologia, decorrem preconceitos e, na ideologia que assumo, capital é, antes de tudo, uma relação social. Qual o preconceito resultante da ideologia de quem escreve Capital e Ideologia? É para mim claro que se pressupõe um conceito (ideológico) de capital que não é o meu e que leva a considerar capital como se não fosse conceito, isto é, ideológico mas facto.

Tem isto alguma coisa a ver com o OE 2021 para o Estado português que o governo PS acaba de apresentar, e sobre o qual a instância parlamentar, na sua diversidade (ideológica), se vai pronunciar? Tem tudo!

Vejamos alguns exemplos: como instrumento de um executivo, depois do dilema saúde pública ou economia, em que se afirmou a prioridade absoluta para a saúde pública, acentua-se a necessidade da recuperação do estado a que caiu a economia, mas como essa recuperação, em que condições; há quem clame pelo apoio às empresas, no sub-entendimento que se pretende consensual, que economia são empresas e que estas são quem as possui, mas há quem considere que a economia é o que o trabalho for (enquanto trabalho vivo, ou cristalizado em meios de produção e de distribuição possuído por alguns), nas condições/relações sociais em que concretiza.

Noutro exemplo mais terra-a-terra: deverá o orçamento ser instrumento para, ao serviço de uma classe, aguentar o que tem prevalecido, ocorrendo a desastres económicos em bancos e serviços que foram públicos e se privatizaram, como bombeiro ou nadador-salvador, ou deverá contribuir para, pelo menos, corrigir o evidentemente desastroso fazendo o Estado tomar as rédeas do que desencabrestou, não tem emenda e é (para usar terminologia oportunista) contagioso.

Ainda mais (procurando ser) claro: a questão dos salários tem de ser encarados contra a corrente de serem custos para as empresas, para estas vencerem ondas alterosas, tem de ser encarada como rendimentos dos trabalhadores e, sublinho, procura interna, consumo, a contrabalançar as apostas em turismo e atracção ao capital como expressão material de uma relação social. Idêntica abordagem para as pensões.

Neste quadro tão complexo (que ontem dizia aparentemente simples) incomodam, irritam, quase exasperam, as argumentações e as públicas (e gritadas), controversas negociações que serão, no fundo, “jogos de poder”, como se numa mesa de pano verde “dando cartas” para jogo eleitoral.

Eu sei que esta é confusa caracterização de uma situação intrincada, caracterização assumidamente ideológica… mas que se não quer calar porque, ao ser expressa (ou espremida), se procura clarificar. E ser útil.     

quarta-feira, outubro 14, 2020

Comenta dor - orçamento e regiões (e mais)

 Procuro apanhar o importante do que se está a passar em mim, em minha casa, no País e no Mundo e tenho dificuldades).

Talvez as menores das dificuldades sejam as de agarrar o que se passa em mim. São os dias, as semanas, os meses, os anos que passam e são muitos.

Também em minha casa não há grandes dificuldades. Somos, sem a menor dúvida, uns privilegiados. A gestão do que é preciso estar na arca e no frigorífico articula-se com o menor número de “idas às compras”, teve de se ligar o aquecimento porque está a ficar frescote, e etc..

E lembro outros (que eu sou) sem arca nem frigorífico, sem aquecimento, sem casa, sem País, emigrantes sem condição humana… de ser humanos. E muitos outros.

 

No nosso País e no Mundo, isto está complicado. Porque está, e mais!... porque a alguns convém que esteja, e estes alguns são vários e com diferentes intenções.

Até se faz da palavra crise ameaça e arma negocial. Quando crise não é uma palavra, é situação, e está intrínseca ao funcionamento do sistema capitalista. Latente quando não presente em explosões periódicas. Agora cavalgada por um inesperado (ou esperado mas não prevenido) surto epidémico.

E há forças que caem nessa armadilha.

Um orçamento é um instrumento. Que se torna, nalgumas circunstância, decisivo para a continuidade da política. Um governo de maioria parlamentar tem o seu orçamento. Um governo sem maioria parlamentar terá o seu orçamento condicionado pela forma como conseguir que passe na Assembleia da República; será, no entanto e sempre, o seu orçamento porque é o instrumento do seu governo.

Na prática, o partido que é governo sem maioria parlamentar elabora um documento tendo de ter em consideração a composição da AdaR, e sabendo que precisa de votos de outros grupos ou deputados, que não só os do seu partido, para ter o seu orçamento aprovado. Com negociação ou não, é este o processo. Um partido pode afirmar quais são as medidas e políticas que quereria incluídas no orçamento que nunca será (também) seu; outro, pode levar mais longe os seus objectivos e pretender partilhar o orçamento fazendo-o também seu, isto é, um orçamento que o governo terá para executar sem ser exclusivamente seu, com corpos estranhos que, ao longo dos anos, cumprirá ou não (e que, se existisse um governo de coligação, cumpriria sob pena de se esboroar se o não fizesse).

Para o acompanhante destas “grandes manobras”, o PCP já disse o que queria, o que defende, foi claro, agora terá de estudar o documento que foi elaborado pelo governo e, face ao orçamento proposto e das alternativas, decidirá a votação geral, votará e passará à discussão na especialidade. É (parece!) simples.

 

Mas não só de orçamento vive a politica. E pouca importância terá sido dada a um passo que acompanhou esta “período orçamental”: o da criação das pseudo (ou falsas) regiões.

Desde o IV Plano de Fomento (1969-74) se afirma a necessidade de regiões, como escalão entre as autarquias municipais e o poder central. É meio século de estaleiro.

Com o 25 de Abril e a Constituição de 1976 essas necessárias regiões, para substituírem o caos do nosso ordenamento territorial, ganharam peso como instâncias descentralizadoras e democráticas. Estiveram perto de ser criadas por referendo mas os partidos do centro (PS e PSD), fazendo as suas contas de votos previsíveis, e outras forças, por meças e contas, obviaram à sua criação.

E o caos continuou e agravou-se, extinguindo-se umas coisas os distritos) para umas coisas mas continuando com outras coisas (os votos), e atamancaram-se sucedâneos. Agora, decidiu-se, quais às escondidas… transformar as CCR (comissões de coordenação regional) em regiões através de escolhas eleitorais (única forma democrática) mas excessivamente indirecta, por via dos já eleitos para as autarquias de base, os municípios, e depois de acertos entre… Costa e Rio. Assim se desvirtua a democracia. E é curioso que essa escolha e eleição indirecta se faça, na aparência apressadamente (depois de tanta delonga e adiamento), antes das eleições autárquicas do próximo ano em que, por exemplo (?!), a CDU pode recuperar algumas das 10 Câmaras que perdeu em 2017, depois de ter ganho 8 entre 2013 e 2017. Coisas!

 
As complicações no Mundo, além do universal surto epidérmico, das migrações, das contradições agudizadas no lado que predomina na correlação de forças, de uma agressividade assustadora, de protagonistas como Trump e Bolsonaro (que não são mais que protagonistas excessivos, ridículos), têm muitas pontas para lhes pegar.

Fica para próximos comentários.

sábado, outubro 10, 2020


 - Edição Nº2445  -  8-10-2020

Isto é a «América»

Sobre o primeiro «debate» pré-eleitoral entre os candidatos dos dois partidos que monopolizam o poder nos EUA, as opiniões são quase unânimes: «caótico», «grotesco», recheado de «interrupções, insultos e ataques pessoais», uma «vergonha e um circo»… Mesmo os mais ferozes apologistas da «democracia americana» foram forçados a reconhecê-lo, embora para ver nele um simples entorse no «exemplar» funcionamento das instituições e não o produto de um sistema em decadência e das disputas na classe dominante sobre caminhos para deter o declínio do poder mundial do imperialismo norte-americano.

A propósito do «debate» um artigo de opinião, desgostoso e temeroso pela «menor capacidade de [os EUA] servir de exemplo», titulava Isto não pode ser a América (Público, 1.10.20). A verdade porém é que pode e é. Na realidade, estamos perante a imagem de uma sociedade onde o domínio sem freio do grande capital alimenta as maiores iniquidades: uma insultuosa concentração do capital e da riqueza; exércitos de desempregados, pobres e sem abrigo; milhões e milhões sem qualquer proteção na Saúde, na base do recorde mundial de 209 mil mortos pela pandemia; cadeias superlotadas com mais de dois milhões de presos e pena de morte ainda em vigor; a insegurança e o medo generalizados, alimentando poderosos negociantes de armamento; o racismo, o supremacismo branco e o fascismo organizados, tolerados, actuando à luz do dia; um avassalador domínio dos média e das grandes empresas de comunicação digital, que semeiam a confusão, banalizam a mentira, manipulam descaradamente a opinião pública...

Mais do que aquele grotesco espectáculo, é a própria realidade do capitalismo norte-americano que não pode «servir de exemplo» e, muito menos, legitimar a arrogância dos EUA para dar lições ao mundo. No que respeita a Portugal, é inquietante que as descaradas ingerências dos EUA nos assuntos internos do nosso país não só não tenham sido firmemente repudiadas pelo Governo e Presidente da República, como tenham sido seguidas de reafirmações de «fidelidade» a alianças que comprometem a soberania de Portugal, passando rapidamente uma esponja sobre as insultuosas declarações do embaixador norte-americano e mesmo disponibilizando a Base das Lages aos EUA, como fez o Ministro dos Negócios Estrangeiros Santos Silva na sua entrevista ao Público de 1.10.20.

Mas o mais significativo no «debate», mais que no seu carácter grotesco, consistiu na ausência de um real confronto político que permitisse identificar diferenças de fundo entre as duas candidaturas. Claro que seria errado subestimar episódios como a recusa de Trump em condenar os fascistas supremacistas brancos ou a ameaça de não reconhecer os resultados eleitorais. São episódios que confirmam o real perigo de fascismo apontado pelo Partido Comunista dos EUA. Mas quanto às candentes questões da vida internacional, praticamente nada a não ser a concordância quanto à luta pela hegemonia mundial dos EUA.

Foi assim o «debate» a que muitos, procurando semear ilusões que só podem servir para tentar desmobilizar a luta anti-imperialista, chamaram o «combate que pode mudar o mundo».

Albano Nunes 

terça-feira, outubro 06, 2020

Comenta dor - Marcelo dixit!

 O PESO DAS PALAVRAS

Corrupção, ética, ditadura são palavras pesadas que saltaram para a praça pública.

A corrupção, acompanhada de compadrio e clientelismo, e a ética, complementada com a adjectivação de republicana (que bem dispensaria), enchem a informação com que nos querem ir formatando. Curiosamente, a palavra ditadura, que ouvi, e como que me sobressaltou ao ouvir o discurso do Presidente da República, ficou a modos que suspensa sobre a dita praça pública, e não a encontro nos títulos e citações sublinhadas.

Pois ela aqui se sublinha e se comenta:

“(…) Temos de continuar a agir em liberdade e vamos continuar a agir em liberdade, porque não queremos ditaduras em Portugal e sabemos que ditaduras, por esse mundo fora, não resolveram esta crise e, porventura , nem sequer a assumiram a tempo e com transparência(…)”.

É na verdade curioso, ou melhor: significativo, que os exegetas de tanto que Marcelo Rebelo de Sousa diz, não se tenham detido nesta afirmação. Em que, aliás, Marcelo não se queda pelas fronteiras em que se costuma movimentar, e entra por territórios alheios e controversos.

Depois de deixar claro que, para ele, ditadura e liberdade são antónimos como palavras, e antagónicos como regimes políticos – o que exigiria (para outra oportunidade) elucidação sobre significados e conceitos –, Marcelo Rebelo de Sousa é afirmativo: não quer(emos) ditadura em Portugal, o que é de sobremodo interessante vindo de quem vem, que bem se lembrará dos “cantos da casa” de quando Portugal vivia em inquestionável ditadura.

Também é interessante que o PdaR não se tenha ficado por cá e por aqui, e tenha assegurado (“como sabemos”!) que ditaduras, por esse mundo fora, não resolveram esta crise e nem sequer a teriam assumido a tempo e com transparência. A quem estaria Marcelo a referir-se? Por mais curta que fosse a lista dos países que tivesse no pensamento – e não explicitou, nomeando-os –, decerto incluiria o Brasil e os Estados Unidos, e respectivos responsáveis máximos por via de uma pretensa democracia que, por hábito e pregação, se diz ser contrária às ditaduras, segundo conceitos partilhados… que não discutidos.

 Tudo muito curioso, interessante, e que me deixaria um pouco perplexo se não me ajudassem os provérbios populares que dizem que quem muito fala pouco acerta, mas também o contrário: quem muito fala às vezes acerta.

segunda-feira, outubro 05, 2020

Comenta dor: esta comunicação sucia l !!

Hoje acordei com esta disposição e disponibilidade...

 Le Monde:

Commerce : Valdis Dombrovskis entend parer aux intimidations des États-Unis et de la Chine

[Commerce international] Valdis Dombrovskis, le vice-président exécutif de la Commission européenne, a annoncé aux eurodéputés qu'il allait proposer un nouveau mécanisme pour protéger l'UE des manœuvres coercitives de partenaires commerciaux tels que les États-Unis et la Chine.

... "intimidations" des Estados Unidas e da China?!

Por favor, apontem-me uma (uminha que seja...) intimidação, ou ameaça, ou insinuação, ou calúnia, ou vergonhosa mentira da parte da China?

Comenta dor: É a isto que se chama democracia?!

 Por vezes, o caricato director do Público excede-se. Ontem, tropeçou em si mesmo. Na costumeira promoção do Bloco de Esquerda, de que é um dos muitos paladinos, começou logo por afirmar, peremptório, que “O Bloco de Esquerda está a um pequeno passo de vencer as negociações em torno do Orçamento de 2021”. E destila, duro e fero, o seu veneno sobre o inimigo de predilecção: “Com o PCP de regresso às sua muralhas de aço que o colocam mais perto dos delírios soviéticos do que das democracias europeias” como, abusiva e delirantemente, interpreta ter sido assinalado no editorial do dia anterior, que não foi de sua autoria. Depois, enumera o que o seu protegido teria conseguido: um rol de travões e exigências de um caminho que teria levado o BE ao “pequeno passo” de ser o "Grande (e vitorioso) Negociador". Só que, como qualquer analista ou comentador com o mínimo seriedade descobre é que, em muitos casos, o BE vai atrás, ou até copia ou transcreve, o que PCP reivindica, quer em negociações em gabinetes e hemiciclo, quer à frente/com as gentes, as pessoas, os trabalhadores, nas ruas e nos locais de trabalho. Mas adiante... porque a prosa de manuel.carvalho@público.pt não justifica mais comentário. O que já o justificará é o seu “grand finale”. Escreveu ele: “Chama-se a isto democracia.” Assim. Ponto final... sem ponto de exclamação ou de interrogação. 

É caso para perguntar, lembrando a sua tirada inicial, inclemente e definitiva, sobre o PCP e o seu afastamento das democracias europeias: 

É a isto que se chama democracia?




domingo, outubro 04, 2020

Para este domingo

... é o que faz andar por bons caminhos e ter excelentes companhias (obrigado, Samuel):

NEGRA SOMBRA

Tinha tudo para dar certo. Um poema da poeta da Galiza, Rosalia de Castro… sim essa do “Cantar de emigração” composto pelo José Niza para a voz do Adriano.
“Negra sombra” tem música de José Montes, flautas e produção musical do “mágico” Carlos Nuñes, o contrabaixo do Javier Colina, os fantásticos cenários sonoros que o californiano e produtor musical do "Buena Vista Social Club", Ry Cooder, cria na guitarra acústica.
Ah… e claro, tem a voz pungente de Luz Casal....

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Provided to YouTube by Parlophone Spain Negra Sombra · Luz Casal Sencilla Alegria ℗ 1996 The Copyright in this sound recording is owned by BMG Ariola SA Flut...