domingo, novembro 21, 2021

Informe-SE - 8.7 e último da série

Depois dos Argumentos, o jornal que se publica desde 1931, e até 1974 (25 de Abril) na clandestinidade, traz três páginas de Lazer (com 2 sudoku's e palavras cruzadas, e com uma sugestão que se releva: dia 25, no Forum Musical Luisa Todi, em Setubal, um concerto no dia internacional para a eliminação da violência contra a mulher,  com a apresentação de um álbum do músico Renato Júnior. Uma mulher não chora, e muitoas convidadosas) e Agenda, uma notícia sobre a luta na Lisnave Yards, dois anúncios - um, sobre a Exposição PCP-100 anos de vida e luta, na Fortaleza de Peniche; outro, sobre a compra antecipada da EP é ajudar a Festa. Na 1ªcoluna, a secção de todos os números, a talhe de foice, com um texto de Anabela Fino 


 - Nº 2503 (2021/11/18)

Raridades

Dois meses passaram desde o anúncio do pacto militar entre os EUA, Reino Unido e Austrália para a região do Indo-Pacífico, conhecido por AUKUS, feito à revelia da UE e a que curiosamente não se juntaram nem a Nova Zelândia nem o Canadá. Nesse interim, enquanto a França remoía a traição de ser posta de lado no negócio, especulou-se sobre uma hipotética reacção militar chinesa visando Taiwan; os EUA acusaram a China de ter testado armas hipersónicas, por acaso (?) o tipo de armas que eles próprios querem instalar na Europa, para o que já reactivaram o 56.º Comando de Artilharia na Alemanha, segundo informava a semana passada o portal The Drive; e subiram de tom as acusações ao «Império do Meio» por alegado empenho na corrida armamentista e falta dele no combate às alterações climáticas, ao melhor estilo dos velhos tempos da Guerra Fria.

Foi com este pano de fundo que teve lugar a cimeira virtual entre o presidente norte-americano, Joe Biden, e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, no início da semana, com o primeiro armado em pacifista e a bater na tecla dos «direitos humanos», sem deixar transparecer o que está verdadeiramente em causa.

Ora acontece que tal como o Médio Oriente tem o desplante de estar instalado em cima do «nosso» petróleo, também a China tem o descaramento de ser o maior produtor mundial de terras raras, conjunto de elementos químicos existentes na crosta terrestre, fonte de derivados essenciais para o fabrico dos componentes electrónicos indispensáveis à economia digital. Sabendo-se que Pequim controla mais de metade da produção global de metais de terras raras e mais de 85% da respectiva refinação, incluindo o que é extraído nos próprios EUA e segue depois para processamento final nas empresas chinesas, percebe-se que os gigantes do mundo dos negócios tenham tremido com a decisão chinesa, na sequência dos impactos da pandemia, de impor um controlo às exportações neste âmbito.

Biden, que conhece bem a expressão «é a economia, estúpido», estará agora a (re)aprender que na milenar paciência chinesa também funciona «é a política, estúpido». Isso mesmo ficou patente quando, à provocação do AUKUS, Pequim respondeu com o pedido de adesão ao Acordo de Livre Comércio da Ásia-Pacífico, o mesmo implementado por Obama com exclusão da China e posteriormente abandonado por Trump em 2017. O pedido, bem acolhido pela Nova Zelândia, reforça a liderança chinesa no comércio global e deixa os EUA mais isolados, escreveu na altura o «Global Times».

É pouco provável que se ouça falar nestas áridas questões, sem a capacidade mobilizadora dos tão rentáveis «direitos humanos» ou as alegadas intenções bélicas a ver se a provocação pega. Não é de estranhar. A transparência ainda é mais rara do que metais raros.

Informe-SE - 8.6

 As páginas 26 a 28 são de Argumentos

Dos Argumentos deste número destaca-se o Actual - Onde fica a Constituição?, de Ângelo Alves
 (como poderia ser outro ... à escolha do leitor):

 - Nº 2503 (2021/11/18)

Onde fica a Constituição?

A «operação miríade», que envolve a alegada participação de militares portugueses em missão da ONU na República Centro Africana em tráficos ilegais e branqueamento de capitais é grave e deve ser esclarecida cabalmente. Está em causa a imagem, autoridade e prestígio das forças armadas portuguesas.

Este está longe de ser o primeiro caso em que forças armadas de diversos países, em missões externas da ONU ou de outras entidades, se envolvem em actividades criminosas. Ao longo de décadas, são inúmeros os exemplos de casos semelhantes, e isso não pode ser dissociado do enquadramento de várias destas missões, determinadas na maioria dos casos por objectivos de domínio imperialista, e muitas vezes de natureza neocolonialista.

Um País como Portugal, com a dimensão, história e enquadramento constitucional que conhecemos, deveria rejeitar e combater as políticas neocolonialistas do imperialismo. Por aquilo que representam de negação de direitos ao desenvolvimento e soberania, e pelo perigo de Portugal ficar amarrado a interesses e políticas que não beneficiam o interesse do País.

E sobre esta questão surgem-nos duas reflexões: a primeira é que uma das questões mais graves relacionadas com a «operação miríade» passou quase despercebida – o facto de, na prioridade de informação, os órgãos de soberania nacional serem preteridos em favor de uma entidade estrangeira, neste caso a ONU, sob a justificação de que as nossas forças integravam uma missão integrada dessa Organização. Estranhamente, as «razões jurídicas» que impediram os órgãos de soberania de conhecer a existência de uma investigação desta gravidade não se aplicaram no caso da informação à ONU. A segunda é que a serenidade com que o Presidente da República parece aceitar este facto, suscita muitas dúvidas e perguntas. A resposta pode estar numa frase do Presidente proferida na partida de mais um Batalhão para a República Centro Africana. Referindo-se à missão dos militares portugueses, e abordando a questão das migrações, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que «as fronteiras de Portugal começam em África». Como a História já nos demonstrou e demonstra, o facto de Portugal se associar a políticas que visam a soberania de outros países tem sempre um reverso. O caso da «operação miríade» comprova-o mais uma vez, e isso é grave, pois está em causa a soberania nacional e a Constituição da República.


Informe-SE - 8.5

Feito o entre-acto de "postar" o avante!, mais importante que os actos, aqui ´se está a completar a assumida tarefa de percorrer o número desta semana que termina hoje, domingo, que começa a próxima, com o fito de contribuir para o Informe-SE.

Tinha-se ficado na página 24, com o artigo de António Santos sobre a Justiça nos Estados Unidos, de uma oportunidade verdadeiramente gritante, em que, como outra informação, tratava de julgamento a decorrer nos Estados Unidos e terminava "... Se o sistema judicial dos EUA deixar Rittenhouse sair do tribunal em liberdade, estará a segredar uma mensagem sinistra ao ouvido de todos os fascistas dos EUA: podem agarrar em armas e matar manifestantes porque a propriedade privada vale mais do que a vida humana." Pois o julgamento terminou, e a informação que nos entra em casa é a de que, com toda a naturalidade, Rittenhouse foi absolvido do crime de ter assassinado dois manifestantes anti-racistas! 

Avante!, é preciso avançar.

Estava-se, já em internacional, na página 24, mas na anterior - a meias com o artigo de Sandra Pereira sobre a União Europeia (o embuste da "adequação" dos salários mínimos) - tinham ficado dois títulos 

PC DA BIELORRÚSSIA REJEITA PROVOCAÇÕES (desmascarando a campanha que atinge o paroxismo da manipulação da informação) e

REGIÃO EUROPA DO CONSELHO MUNDIAL DA PAZ REUNIU-SE EM VILA NOVA DE GAIA (a Paz, e a luta pela Paz, serem notícia?... era o que faltava!)

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Mais atrás ainda, tinham ficado as páginas centrais (16 e 17) com o anúncio do Espectáculo comemorativo do Centenário do PCP, no Teatro Rivoli no Porto, dia 28 de Novembro



sábado, novembro 20, 2021

Pausa para ir a Lisboa

 



Não teriam convergido

as lutas todas, 

mas as nossas, 

que são as lutas por todos,

 convergiram nesta tarde, em Lisboa!

Quantas saudades, quantos abraços! 

É tão bom, é tão revigorante, 

encontrarmo-nos (tantos!) 

na Avenida da LIBERDADE.


as fotos ficarão para mais tarde

não se quer fazer concorrência à televisão (:-)! 

sexta-feira, novembro 19, 2021

Informe-SE - 8.4

As páginas 24 e 25 são dedicadas  Internacional, com notícias de que se destacam os títulos:

ELEITORES VÃO ÀS URNAS NA VENEZUELA E NO CHILE

ANC CONTINUA A SER A PRINCIPAL FORÇA POLÍTICA DA ÁFRICA DO SUL

CUBA NORMALIZA ANO E REACTIVA ACTIVIDADE ECONÓMICA

«PREPOTÊNCIA IMPERIAL» DOS EUA CONTRA A NICARÁGUA

com um artigo de António Santos:   

 - Nº 2503 (2021/11/18)

O óbvio é relativo à classe


O julgamento de Kyle Rittenhouse capturou a atenção da América. Do seu veredicto depende, mais do que a liberdade do jovem fascista de 18 anos, a liberdade de protestar. Nos dois pratos da balança pendem o valor da vida humana e o da propriedade.

Há um ano, Rittenhouse, armado com uma metralhadora AR-15, deslocou-se do seu Estado natal do Illinois até Kenosha, no Wisconsin, com o intuito declarado de proteger as lojas locais dos manifestantes anti-racistas. Acabou por matar duas pessoas e ferir uma terceira.

Outro julgamento acabava de começar: Rusten Sheskey, um polícia da cidade, era acusado de alvejar um homem negro, desarmado, com sete tiros, deixando-o tetraplégico e a lutar pela vida. No mês passado, Sheskey foi absolvido de todas as acusações e está de volta ao serviço. Teme-se agora que o mesmo sistema de justiça absolva também o assassino.

Ao ouvido do fascismo

Na terça-feira, o júri inaugurou as deliberações num contexto favorável à absolvição do fascista. O juiz, Bruce Schroeder, que já deixou cair a acusação de posse de arma ilegal, foi capaz de transformar o julgamento num violento espectáculo televisivo em que a acusação é a principal acusada.

Mas o mais surpreendente é a complexidade jurídica e processual que o capitalismo escolhe dar àquilo que parece por demais evidente. Ninguém, nem o próprio assassino fascista, nega a autoria dos dois homicídios. Ninguém põe em causa que o arguido já tinha ameaçado matar manifestantes anti-racistas. É também consensual que a razão dos homicídios foi a alegada vontade dos vigilantes voluntários de proteger as lojas. O que já não sabe com tanta certeza o mesmo sistema judicial que declarou Sheskey inocente é se Rittenhouse cometeu algum crime.

Se o sistema judicial dos EUA deixar Rittenhouse sair do tribunal em liberdade, estará a segredar uma mensagem sinistra ao ouvido de todos os fascistas dos EUA: podem agarrar em armas e matar manifestantes porque a propriedade privada vale mais do que a vida humana.

Informe-SE - 8.3

As páginas 4 a 15 e 18 a 23, são preenchidas com notícia de actividades do PCP, no cumprimento do seu compromisso com os trabalhadores e o povo, nas empresas, nos serviços públicos, nas autarquias, na Assembleia da República e no Parlamento Europeu, de onde se pode destacar um artigo da deputada Sandra Pereira:

 - Nº 2503 (2021/11/18)

O embuste da «adequação» dos salários mínimos

Na semana passada, votou-se na Comissão do Emprego e Assuntos Sociais do Parlamento Europeu (PE) as alterações à proposta da Comissão Europeia para a criação de uma directiva «relativa a salários mínimos adequados na União Europeia».

Tanto a proposta da Comissão Europeia como o sentido geral das alterações aprovadas por esta comissão parlamentar não respondem às necessidades e aos interesses dos trabalhadores que, em países como Portugal, mensalmente, se confrontam com dias a mais para o salário auferido.

Os critérios apontados por esta Directiva para a fixação do salário mínimo (como a «produtividade» ou a «competitividade») limitam, ou bloqueiam mesmo, a sua valorização, condicionando o seu aumento a um conjunto de parâmetros que, ou nunca se verificam ou, a verificarem-se, admitem apenas aumentos insuficientes – não tocando, por exemplo, na questão da injusta distribuição da riqueza.

De igual modo, as alterações apresentadas pelo PE mantêm insatisfatórios os critérios que definem a «adequação» do valor do salário mínimo, particularmente em países como Portugal.

Não podemos aceitar que essa «adequação» esteja limitada aos referenciais de 60% da remuneração bruta mediana e de 50% da remuneração bruta média, já que, na realidade concreta do nosso País, significaria admitir e aceitar que trabalhadores que aufiram o Salário Mínimo Nacional (SMN), a ser fixado de acordo com tais critérios, sejam condenados a uma situação de pobreza. Por outro lado, condiciona-se a futura evolução ascendente do SMN à evolução da restante massa salarial, podendo contribuir, a médio e longo prazo, para uma situação de quase estagnação da evolução dos salários e, simultaneamente, para a perpetuação dos modelos de baixos salários. Razões mais do que suficientes para rejeitarmos esta proposta de directiva! Além disso, imiscui-se numa matéria de competência nacional, como é a questão da política salarial.

Os deputados do PCP no PE apresentaram, além de uma proposta de rejeição global desta Directiva, dezenas de propostas de alteração no sentido de respeitar a competência exclusiva dos Estados-Membros nesta matéria, de elevar os salários, incluindo o SMN, como forma de corrigir as crescentes injustiças e desigualdades na repartição da riqueza, de promover a negociação e contratação colectivas, salvaguardando o cumprimento e o reforço dos direitos dos trabalhadores, designadamente, através do reforço dos meios financeiros e humanos das autoridades nacionais de inspecção.

Esta proposta de directiva, que ainda carece de uma aprovação final, não serve os interesses dos trabalhadores portugueses e não contribuirá para o necessário aumento do SMN em Portugal e, por conseguinte, de todos os salários. Lamentamos que a Comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais do PE tenha ainda votado para que as negociações prossigam sem a proposta passar pelo plenário, impossibilitando que todos os deputados se pronunciem sobre esta proposta que terá impactos no estabelecimento dos salários nos diferentes Estados-Membros.

Continuaremos a intervir pela valorização do trabalho e dos trabalhadores, pelo aumento geral e efectivo dos salários, incluindo o SMN, e a rejeitar e denunciar todas as políticas e medidas da UE que apontem num sentido oposto.

Informe-SE- 8.2

Na página 2, tem-se o Resumo e o Aconteceu, e logo na primeira coluna da página 3 a Crónica Internacional, neste número com artigo de Jorge Cadima, de quem muita vez aqui se transcrevem as opiniões: 

 - Nº 2503 (2021/11/18)

Hipocrisia sem limites

Vagas de refugiados é coisa que não falta. No Mediterrâneo, nas fronteiras EUA/México, Turquia/Grécia e até França/Inglaterra. Milhões de refugiados nem chegam aos centros imperiais-mediáticos. Ficam nos países vizinhos das tragédias humanitárias causadas pelas guerras EUA/NATO/UE, como sejam o Irão, Líbano, Turquia ou Paquistão. Mas quem ouvir a comunicação social pensará que se passa algo diferente na fronteira Polónia/Bielorússia.

«Ataque brutal contra a Polónia», proclama o presidente do Conselho Europeu Charles Michel (Morning Star, 14.11.21). «Ameaça híbrida» com que «Lukachenko usa as pessoas, com o apoio do Presidente russo Putin, para desestabilizar o Ocidente», vocifera o ministro do Interior alemão Seehofer (Guardian, 9.11.21). Segundo a CNN (15.11.21), «a Polónia, a Lituânia e a Letónia ponderam invocar o art.º 4.º da NATO […] que apela a consultas sempre que a ‘integridade territorial, independência política ou segurança de qualquer das partes seja ameaçada’».

Quem se lembra que há poucos dias havia uma grave crise entre a UE e a Polónia, por o Tribunal Constitucional polaco afirmar a primazia do Direito nacional sobre o Direito comunitário? O MNE luxemburguês acusava a Polónia de «brincar com o fogo» (Reuters, 8.10.21). A Presidente da Comissão Europeia, von der Leyen, ameaçava com uma «resposta célere». O Ministro francês para a Europa falava no «risco duma saída de facto da Polónia da UE». Havia apelos para que «todos os fluxos financeiros da UE para Varsóvia fossem congelados» (Guardian, 8.10.21). Num ápice, a Polónia passou de besta a bestial. Bastou que «desde Outubro, a polícia polaca tenha sido autorizada a expulsar sumariamente migrantes e ignorar pedidos de asilo» (Guardian, 9.11.21), apesar do «Alto Comissário para os Refugiados da ONU [o lugar que já foi de Guterres] ter declarado que a Polónia estava em violação do Direito Internacional ao forçar os migrantes a regressar à Bielorússia em vez de lhes oferecer asilo» (express.co.uk, 5.11.21).

A UE, cuja presidente da Comissão von der Leyen excluíra terminantemente «o financiamento de arame farpado ou muros» entre fronteiras (Guardian, 22.10.21) vem agora, pela boca do Presidente do Conselho Europeu Michel considerar que esse financiamento «é legalmente possível» (politico.eu, 14.11.21).

Trump foi muito criticado pelo seu muro na fronteira com o México (seria para se defender da «guerra híbrida» das Honduras?). Devia ser «pago pelo México» mas acabou por ser (em parte) pago com 601 milhões de dólares que os EUA saquearam à Venezuela Bolivariana (thegrayzone.com, 29.6.20). A UE não fica atrás das «melhores práticas» dos EUA. A Turquia construiu um muro na sua fronteira com a Síria «com a ajuda de financiamento da União Europeia» e «em Março de 2016 a UE e Ancara fecharam um acordo ao abrigo do qual os europeus pagariam 3 mil milhões de euros à Turquia se o país retivesse os refugiados no interior das suas fronteiras» (www.spiegel.de, 29.3.18). Já a Bielorússia leva com mais sanções.

Mas o assunto é sério. Multiplicam-se as provocações contra a Rússia. O CEMFA inglês, General Carter diz que «o perigo de guerra com a Rússia é hoje maior do que em qualquer momento da sua carreira» e «alerta os políticos que a beligerância dalgumas das suas políticas pode conduzir a uma situação onde a escalada conduza a um erro de cálculo» (RT, 13.11.21).
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ainda nessa página 3, é publicado o editorial, 

em jornal partidário endereçado aos militantes


Informe-SE! - um pequenino contributo - 8.1

 Às 5ªas... feira! 

Faz no ano que se aproxima 50 anos. Foi em 1972 que me vi a colaborar no jornal Record, Não era a primeira vez que colaborava num jornal desportivo. Mais de 10 anos antes, no Mundo Desportivo, pela mão de José Esteves, colaborara numa série de artigos sobre a evidente emergência do fenómeno social do desporto - mal se poderia prever a actual futebolite comunicacional -, e tive o juvenil atrevimento de afirmar que os clubes desportivos estariam a deixar de ser associações de praticantes para se virem a tornar cooperativas de espectadores - tão longe estavam de ser empresas traficantes.

O Record nascera entretanto, e uma nova direcção Artur Agostinho-Mário Zambujal resolvera abrir-se a colaboradores de outras áreas, e convidou-me para uma colaboração semanal. Às 5ªs feiras. E foi esse o título genérico da colaboração, Às 5ªs... feira!, sempre com a lembrança na importância das 5ªs feiras como dis do mercado de Vila Nova de Ourém Como as coisas todas se ligam... ~

O certo é que, o menos mal que podia (e o melhor que sabia), em tempo de censura crismada de aviso prévio, também no Récord procurava publicar outra informação (tenho de ir ver o que então publiquei... se era alguma coisa que prestasse).

Agora, todas as 5ªs feiras, sempre com o mercado de Ourém em referência quase subliminar, tenho as minhas 5ªs feiras de outra informação. É o dia em que sai o avante!. E decidi, esta semana, pegar no jornal que todas as 5ªs feiras publica outra informação e experimentar trazê-lo para aqui, mais do que aproveitar, como muitas vezes faço,  opiniões que me ajudam e transcrevê-las. São poucos os que aqui passam? Um que fosse, valia a pena

Ontem - 5ª feira, 18 - era esta a primeira página:


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terça-feira, novembro 16, 2021

DIA NACIONAL DO MAR

 Hoje é o dia nacional do mar.

Ouvir-se-ão hosanas ao MAR (oh! mar salgado/quanto do teu sal/são lágrimas de Portugal...), particularmente oportunas neste momento em que a informação nos inunda de preocupações ambiento/ecológicas.

Não resisto a duas observações

1. toda a informação que nos invade, submerge, afoga, passa ao largo, ou diminui a que poderia ir às razões das justas preocupações com o futuro do Planeta Terra, ataca-se tudo, e o mesmo é dizer que nada se ataca se se esquece que as desigualdades que tornam as vítimas da situação que se vive em travões a propostas de remendos, são provocadas por um sistema social baseado nessas desigualdades e no aproveitamento ferozmente egoísta e criminosamente predador do ambiente. "O capitalismo não é verde".

2. Com risco de parecer pretensioso auto-citador, não resisto a trazer para aqui (a esta "folhinha de couve") a lembrança da minha última intervenção no Parlamento Europeu. 

Em 2004, beneficiando de alguma experiência naquela tarefa, "ganhei" um relatório sobre a protecção dos recifes de coral. Com ajudas preciosas - de especialistas, como Cadima e Valdez , e da Universidade dos Açores-Faial -, elaborei um relatório em que se comprovava a necessidade de defender esses recifes como viveiros de peixes, e indispensáveis para uma equilibrada pesca costeira contra a verdadeiramente devastadora pesca de arrasto, em que grandes embarcações destroem viveiros. 

Na discussão do meu relatório tive forte oposição de deputados de países e interesses que defendiam a pesca industrial de arrasto, mas o relatório foi aprovado em Janeiro de 2005. Teve, para mim, tanta importância que considerei cumprida a condição com que aceitara renovar a tarefa, a condição de sentir cumprido o mandato para que fora eleito, Nesses idos tempos, onde me foi possível (e tive, pela única vez, acesso ao Expresso) muitas vezes referi o interesse de Portugal nessa questão, sublinhando o facto de Portugal  ser, senão o maior um dos maiores países da dita União Europeia, desde que se contasse, como deveria, a parte submersa do território.

Ao referir este episódio, passados 16 anos, apenas pretendo dar um testemunho-contributo para o dia nacional do mar.     

domingo, novembro 14, 2021

Informe-SE - a Bielorrússia?, o que´?, onde fica? - 7

De tanto ouver Bielorrússia nos noticiários dos vários canais da televisão, em que até se incluiu o apelo à intervenção da NATO, como benfeitora instituição para preservar ou instaurar direitos humanos, despertou-se-nos a curiosidade, mãe de tanta coisa…, de saber outras coisas sobre a tal de Bielorrússia. Fiz como o Rómulo de Carvalho com a lágrima de preta, fui ao que os curiosos de hoje têm à disposição (bem mais que os antepassados).

 A Bielorrússia (Belarus) é um país sem saída para o mar localizado na Europa Oriental, que faz fronteira com a Rússia a nordeste, com a Ucrânia, ao sul, com a Polónia a oeste, e com a Lituânia e Letónia a noroeste. A sua capital é Minsk.

Cerca de 40% da sua área total de 207 Km2 é coberta por florestas. Tem uma população à volta de 10 milhões de habitantes.

Como consequência da Revolução Russa, a Bielorrússia  tornou-se uma das repúblicas constituintes da União Soviética desde sua formação, e passou a chamar-se República Socialista Soviética Bielorrussa (RSSB). 

O país foi devastado durante a Segunda Guerra Mundial, durante a qual perdeu cerca de um terço de sua população e mais da metade de seus recursos económicos; a república foi reestruturada nos anos do pós-guerra e foi um dos membros fundadores da Organização das Nações Unidas.

Logo após o fim da União Soviética, em 27 de Julho de 1990 o parlamento da república declarou a soberania da Bielorrússia, e em 25 de Agosto de 1991 foi declarada a independência do país.

 De acordo com informações credíveis, a Bielorrússia tem um sistema de saúde eficiente, tem uma taxa de mortalidade infantil muito baixa (de 2,9, na Rússia de 6,6, no Reino Unido de 3,7); a taxa de médicos por 10 000 habitantes é de 40,7 (26,7 na Roménia, 32 na Finlândia, 41,9 na Suécia) e a taxa de alfabetização é estimada em 99%. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o coeficiente de Gini (indicador de desigualdade) é um dos mais baixos da Europa (25,3 em 2019, 30,2 na Polónia e 33,5 em Portugal em 2018, segundo o  Banco Mundial, em lista mundial em que a Bielorrussia tem o indicador mais baixo).

 

Com estes dados, e outros, fica a conhecer-se um pouco melhor um país de que tanto se fala, mas em nada ajudam a perceber como é que esse país, rodeado de outros países europeus por todos os lados, tem tantos migrantes a quererem entrar na Europa, perdão na União Europeia, na sua maioria vindos de países e continentes onde “primaveras” puseram péssimo o que era mau ou muito mau.

Parece evidente que há “passadores”, tráficos, negócios e estratégias humanamente insuportáveis que fazem desembarcar em Minsk, aeroporto da Bielorrússia, e/ou por outras vias, seres humanos que deram o que tinham e o que não tinham para chegar à Europa (como se ela fosse a União Europeia), apresentada mirificamente, para serem a arma mais suja, mais desumana, que podem ter as guerras.