segunda-feira, janeiro 17, 2011

Um retrato

Em Ponte de Lima, na "memorável" jornada minhota, Cavaco em resposta a uma mulher que o interpelava, respeitosa para não dizer submissamente, queixando-se da sua magrérrima reforma, Cavaco, apontando para a sua/dele mulher ("a minha senhora") e, naturalmente, com todo o desprezo por quem lhe queria falar da sua situação, interrompeu-a e disse o que foi gravado pela TSF:
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«Esta é a minha senhora. Esta senhora trabalhou praticamente a vida toda. Sabe qual é a reforma dela? Não chega a 800 euros por mês. Foi professora em Moçambique, em Portugal nunca descobriram a reforma dela. Portanto, depende de mim, tenho de trabalhar para ela. Mas como ela está sempre ao meu lado e não atrás, merece a minha ajuda».
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No meio de toda a campanha, este foi, para mim, o momento mais excitante e esclarecedor.
Qual dívida, qual FMI, quais muitas centenas de milhar de desempregados, qual salário mínimo que só pode aumentar às pinguinhas até chegar aos 500 euros, quais diminuições de salários injustas porque não são para todos, qual mar e heróis dele que já fomos e entregámos à gestão comunitária e aos arrastões de fundo, qual Alqueva à espera da reforma agrária e do regadio, qual aproveitamento do sub-solo, quais indústrias de fileira produtiva, qual tecido económico com micro, pequenas e médias empresas!
Para a minha sensibilidade, este episódio dos 800 euros é mais chocante que as traficâncias e especulações ao nível das centenas de milhar e milhões.
Este é o retrato de uma mentalidade que me/nos envergonha, e que está por detrás, responsável, do estado em que estamos, ou é a sua insuportável face superstrutural, resquício medievo.
Este homem, a dizer isto no século xxi, nunca será o Presidente da República de todos os portugueses, a eleger em 23 de Janeiro de 2011!

domingo, janeiro 16, 2011

Sobre o FMI

A questão, no fundo, é a do estádio da relação de forças. E pode a evolução das condições objectivas ter criado a inevitabilidade de uma mudança de rumo e esta não se fazer porque quem a pode fazer, as únicas forças que a podem concretizar efectivamente não se encontrarem, ainda, em condições subjectivas de a provocar. Mas estádio não é estagnação.
Em 1944, ainda não terminara a guerra de 1939-45, realizou-se, em Bretton Woods, uma Conferência Monetária… ocidental. De onde resultou a criação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD).
A guerra encaminhava-se para o fim. Para a vitória dos “aliados”. Mas essa vitória seria, também, claramente, a derrota do "ocidente” numa outra e mais longa e funda “guerra”, por não ter sido derrotada a União Soviética, bem pelo contrário!, e toda uma dinâmica social estar em marcha. Vitoriosa. Alterando a relação de forças. Nalguns lugares provocando rupturas.
Os mecanismos e organismos criados em Bretton Woods, antecipando-se pouco mais de um ano, ao criminoso lançamento das bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaqui, de Agosto de 1945, foram, de certo modo, uma "bomba atómica de AP (acção prolongada)" para terapia do funcionamento da economia (e das finanças) cada vez mais internacional.
Para me actualizar, reli uma notável conferência de A. Ramos Pereira, de 1954, Organismos Económicos Internacionais – de Bretton Woods à U.E.P. (União Europeia de Pagamentos), no Sindicato Nacioal dos Comercialistas.
A que, obviamente, voltarei. Como é tão oportuno, passados 57 anos.

Do mundo do(s) outro(s) e do mundo nosso

Do mundo do(s) outro(s) e do mundo nosso

E eu, que medito um livro (um texto) que exacerbe,
Quisera que o real e a análise mo dessem
Cesário Verde
O sentimento dum Ocidental


Cada homem é um mundo, cada mulher é um mundo. O mundo é o que dele fazem as mulheres e os homens. É o que o fizeram os que viveram antes, o que o fazem os que hoje vivem, será o que o fizerem os que viverem com o mundo que lhes deixarmos, os de antes e os de hoje.
Uma palavra e um gesto de cada um de nós, na aparência – e na realidade mundivivida –, não vale nada, se dita a palavra no cerco do silêncio, se feito o gesto no meio do vazio, se numa mundivivência isolada, solitária (se as há…). Chame-se esse homem ou essa mulher Carlos Marques ou Eva Curie, Maria Sem Mais ou Zé Ninguém. Mas, mesmo nesses casos, extremos e irreais, esse gesto e essa palavra é insubstituível. Porque só aquela Eva Curie, aquele Carlos Marques, aquele Zé Ninguém, aquela Maria Sem Mais, poderia ter feito o gesto que cada um deles fez, poderia ter dito a palavra que cada um disse.
E todas as vidas de cada um/uma são paralelas, no tempo em que tenham sido vividas. Por mais separados os tempos e os espaços, por mais se que se prolonguem, estão sempre a encontrar-se, a cruzar-se. Algumas, evidentemente mostrando como há o mundo de uns e como há o mundo de outros. E como esses mundos são o mesmo mundo.
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O bebé a que deram o nome de Aníbal nasceu lá para o Sul, ainda nos anos 30 do século passado. De família que, como então se dizia, seria remediada, ou, noutra terminologia, em meio pequeno-burguês.
“Fez os estudos” que essa condição social lhe permitiam e habilitou-se para a vida com a profissão de economista, segundo carta de curso e licenciatura tirada no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, o ISCEF, completado com doutoramento.
Por sua natureza (cromossomas?) e por força das circunstâncias que suas foram, “integrou-se” no “regime político” vigente, isto é, aceitou-o como bom e nele decidiu fazer a sua vid(inh)a, nem que fosse preciso ir “patrioticamente” para guerra colonial, cheio de cautelas com o seu “cabedal”, e nem que fosse indispensável preencher formulários em que tal afirmasse, e em que mais aproveitasse para dizer, desnecessário mas que, eventualmente, pudesse ajudar a mostrar a sua fidelidade aos valores e procedimentos do referido “regime político”, que fascista era, mesmo que tantos lhe escondam o nome apesar do comprimento da cauda.
Depois, dadas as mudanças… “integrou-se” no novo “regime político” pós-fascista, porque havia que fazer pela vid(inh)a, e ter-se-ia "integrado", embora a contra-gosto, se a evolução das coisas tivesse sido outra e não aquela que mais lhe convinha.
Nem ambições parecia ter, a não ser fazer cuidadosamente a rodagem da sua viatura, então e por enquanto, relativamente modesta.
Foram as circunstâncias que o atiraram para um palco e para um discurso que teria sido o seu 13 de Maio ou de Outubro. Discurso que nem vale o sacrifício de ser lido.
No momento certo, com a postura ajustada, mostrou ser o homem que servia. E dez anos de 1º ministro serviu. Fazendo o que era preciso ser feito. Enchendo-se de si, e apetece acrescentar… de coisa nenhuma. Porque daquilo a que se chama cultura, um zero. À esquerda. Porque, entretanto, ia amealhando outros zeros. À direita.
Esgotado esse magistério, a outro voltou, ao propriamente dito, ou pelo menos assim o afirma, agora, quando se declara “um mísero professor”. Não sem que antes tenha tentado o que só dez anos depois conseguiu, ser Presidente da República, com uma derrota cuidadosamente apagada da biografia que convém mostrar de grande talento político, sempre vencedor.
Nesse interregno, ter-se-á dedicado a acções mais rentáveis. Acções de aplicação e multiplicação do amealhado. É uma zona de sombra, até porque a sua memória tem uma selectividade que o faz esquecer muitas coisas. Coisas que, como é de bom tom dizer, se não devem vasculhar porque são da vida privada de cada um, a que todos têm direito. E não tenho – eu, que não ele… – nada mais a dizer.
O que se conhece, mau grado desejos e vontades, sãos resultados. Alguns. E os resultados que se conhecem são por demais elucidativos. De carteira de títulos, de acções, obrigações e fundos de investimentos, sabe-se e publica-se um total de mais de 200 mil euros. De “bens ao luar”, há a amostra de uma vivenda avaliável para as centenas de milhar (quantas centenas não é possível dizer por causa dos... esquecimentos selectivos). E não adiciono mais, que uma investigaçãozinha fina facultaria, porque não me quero meter na vida do meu colega, nem nas suas amizades, frequentações, vizinhanças. (lembro, irresistivelmente, o livro de de Laclos e o filme francês (com o Gérard Philippe) e o dos EUA, Ligações Perigosas...)
Aqui, faço a "ponte" para uma outra vida. Que é a minha. Que apenas serve de contraponto. De um mundo outro. De uma vida outra. E por ser evidentemente paralela.
Também nasci nos anos 30; também em “família remediada”; também fiz estudos com sacrifício de meus pais; também me licenciei no ISCEF; também me doutorei; também tenho uma pensão de reforma que soma anos de trabalho em empresas, em função pública, de professor universitário; também tenho vida política activa, com cargos e encargos.
Chega para o paralelismo? Acho que até é demais…
Agora, as diferenças:
Por minha natureza (cromossomas?) e circunstâncias que minhas foram, ainda na Universidade “desintegrei-me” do “regime político" vigente, entendi ser meu dever de cidadão, e para com os meus concidadãos, lutar contra o fascismo e, ao longo dos anos, sofri-lhe as consequências; terei nascido segunda vez (mas já era honesto!…) em 25 de Abril de 1974, até porque só depois dessa data me foi possível ser muita coisa que sou e sempre fui – livre, disponível para representar os outros, professor.
Como profissional, fui sempre bem remunerado, particularmente em missões em organismos internacionais das Nações Unidas, sempre vivi com alguma folga em relação às minhas necessidades, e sempre apliquei o que sobrava (por vezes, pisando riscos) em acções outras que não as de benefício próprio, procurando ajudar a luta contra o fascismo e o colonialismo, promover a informação e a comunicação, incentivar cultura, sobretudo através da edição e divulgação.
Vivo numa casa que é onde meu pai nasceu, em 21 de Janeiro de 1898, em que apliquei algum pecúlio para tornar habitável no século xxi, de acordo com o meu nível de necessidades, tenho um automóvel com 14 anos que vai servindo para o que o dele quero, viajo o mais que posso (que podemos… porque a dois o fazemos e com contas "a meias") para conhecer terras e gentes, tenho um depósito bancário à ordem que me serve de almofada, ou de segurança, e que me faz ter de recusar frequentes propostas de “gestores de conta” que não escolhi e a quem nunca dei instruções ou aceitei conselhos, decerto bem intencionados.
Sinto-me realizado. É o meu mundo. O mundo nosso. De antes e de depois de nós.
Há o outro mundo. O do(s) outro(s). Em que alguns se comprazem. Ignorando ou esquecendo o que lhes aconterá a médio prazo, como Keynes lembrou aos economistas.
E há um mundo. Este em que vivemos, em que os dois mundos coexistem. Um mundo que temos de fazer sobreviver, e que seja melhor. Que seja humano!
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(notas "passadas a limpo",
num domingo de manhã,
depois de ter lido, ao adormecer,
umas informações sobre vidas...)

O comício de Lisboa da candidatura de Francisco Lopes


Mais de 6000
encheram o pequeno Campo Pequeno:
a maior iniciativa da campanha eleitoral
domingo, 16 de Janeiro de 2011

Depois do Porto, e do Palácio de Cristal, um outro "mar de gente" encheu o Campo Pequeno, em Lisboa, que foi pequeno para a maior iniciativa de qualquer das candidaturas nestas eleições para a Presidência da República.
Mais de 6 mil participantes animaram, com entusiasmo, alegria e determinação, o comício deste domingo em Lisboa, manifestando assim o seu apoio à candidatura de Francisco Lopes.
Na sua intervenção, o candidato fez um forte apelo à mobilização para o voto na sua (e nossa!) candidatura.

sábado, janeiro 15, 2011

Finalmente... uma ideia!

Finalmente, Cavaco Silva teve uma ideia. E disse-a.
Já se sabia que ele andava a meter a água na sua cabeça, e resolveu, agora, propor a criação do Ministério do Mar. Aliás, logo acrescentou que foi ideia que ele já tivera quando fora 1º ministro. Logo, uma ideia não era nova. Nem original, pois esqueceu-se de dizer que, em 1991, quando no seu (des)governo dos nossos recursos marítimos acelerou o desaproveitamento do que gosto de chamar (também tenho ideias...) a nossa vantagem comparativa relativamente à negociação contínua que o processo de integração europeia, já tinha havido em ministérios do Mar na década de 80 e, agora, há uma Secretaria de Estado do Mar, embora significativamente ligada à... Defesa Nacional.
Mas Francisco Lopes é que - surpresa!!!... - lhe deu a resposta acertada, mesmo na "mouche", ao afirmar, sobre tal escavacada proposta, que o que importaria saber era se tal ideia estava "ao serviço do aproveitamento dos recursos ou da sua liquidação"; e Francisco Lopes recordou que "nas décadas de 80 e 90 já houve ministério do Mar" afirmando que, na altura "grande parte da nossa frota pesqueira" foi destruída.
Para Francisco Lopes, aproveitar os recursos marítimos não pode ser sinónimo de "um género do loteamento dos recursos da nossa área marítima, e de a vender a patacos, como alguns fizeram no passado".
"Alguns, quando falam do mar, hoje, não é para o seu aproveitamento ao serviço dos interesses nacionais, é porque vêm nele mais uma área de negócios", acrescentou.
E eu acrescento, abusando da "qualidade" de mandatário: ou ligado à... Defesa Nacional, que não é nem defesa nem nacional!

Ex-citação... por memória para o futuro

Acabadinho de ler, num daqueles intervalos em que viajo pelo que outros dizem. Desta vez, como tantas faço, por memorialdobúfalo, que me faz agradavelmente recuar umas décadas, mas hoje me levou ao futuro:
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«Cada vez mais apreciado
É altura de voltarmos a nossa atenção para o candidato presidencial Francisco Lopes. Tem toda a razão: o problema de crescimento do país só se resolverá se voltarmos à produção de bens e serviços que os comilões da UE nos forçaram a abandonar. Lá se diz: com subsídios e bolos se enganam os tolos. O país precisa de uma agricultura que satisfaça o déficit alimentar, precisa de uma boa frota de pescas e explorar o mar.
O único candidato que pretende romper com a subserviência a esta Europa da desgraça é Francisco Lopes. Foi uma surpresa. Para ele, esta magnífica canção do TRIO enquanto dura a pausa do fim de
semana.
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E vai a canção do TRIO:

Ainda por Viseu

Uma sessão - depois de um jantar de excelente convívio e comida - que correu bem, pelo ambiente, pela comunicação, pela disposição de luta, pelas canções que tanto nos diz que gostamos de ouvir, atardamo-nos na despedida da casa tão hospitaleira, do estar entre camaradas e amigos.
Alguns já andam, desde manhã cedo (sobretudo para quem se deitou tão tarde) em tarefas de contactos e distribuição de propaganda porque a luta é contínua. Nós regressamos a casa, ao nosso canto-trampolim.
Há tanto trabalho a fazer para que "isto" mude de rumo, para a vida seja como nós - muitos de nós - a vivemos entre nós, amiga e solidariamente!
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Já com vontade de voltar aonde ainda não saímos...

sexta-feira, janeiro 14, 2011

África - a segunda vaga

No avante! de ontem, a crónica internacional, assinada por Ângelo Alves, trata de um tema a que sou particularmente sensível. A evolução de África e a sua situação actual.
A crónica de Ângelo Alves, que pode ser lida aqui (e vale bem a pena), fala de uma segunda vaga de libertação, mais de meio século depois da primeira vaga (as independências do final dos anos 50 começo dos anos 60 do século passado, a começar pela de Guiné-Conakri, em 1957, com o "episódio" Patrice Lumumba a ter uma transcedente importância e significado em todo o seu dramatismo e horror assassino, com as guerras coloniais a que o fascismo português obrigou o povo português e povos africanos).
Não me vou alargar. Apenas deixaria o apontamento da intervenção imperialista, sempre com o "dedo económico" do FMI e das suas estratégias de "ajustamento estrutural", mantendo a dependência colonial ou neo-colonial na inevitável interdependência que o materialismo histórico explica.
A subversão, a castração de caminhos de verdadeira independência, nesse quadro de crescente interdedependência, é o retrato deste mais de meio século, durante algumas das suas décadas com a batalha e a manutenção de esperança combativa pela existência e acção de países socialistas - no contexto do GATT, por exemplo, antes da Oeganização Mundial do Comércio.
Hoje, é possível fazer alguns balanços/balancetes, e é de sublinhar como as estratégias para África, esses "ajustamentos estratégicos" do FMI, se aplicavam noutras noutras zonas do mundo onde para isso havia quem criasse condições, como foi caso de Portugal em acção contra-revolucionária, não por estar à vista o socialismo mas por estar aberta uma via de não submissão aos grandes grupos financeiros, por querer avançar o País com uma democracia real em que o político controlasse o económico.
Como reflectir sobre tudo isso, nesta tão necessária "segunda vaga de libertação de África", parece oportuno!

Indo nós a caminho de Viseu

Os camaradas de Viseu "convocaram-me" para ir participar numa sessão integrada na campanha. Como sempre, "até que voz me doa" (tanto que me impeça de falar), até que o corpo se recuse, foi só acertar agendas. "Com uma imensa alegria" (como dizia o Joaquim Pires Jorge, e é o título do livro sobre um bocadinho da sua vida e que, mesmo assim, vale bem a pena ler...), com o prémio de se ter arranjado forma de "meter o Samuel na festa", talvez repetindo experiências para mim inesquecíveis (sou um frustrado homem de teatro...), em Alpiarça (em que "actuámos a duo") e na Póvoa de Sta. Iria (com a Maria Ermelinda a compor um trio).
Mas o que acontece é que os camaradas de Viseu querem saber coisas sobre coisas muito complicadas. E arranjaram um programa em que terei de responder a duas perguntas nada fáceis:

Com que então "A quem serviu a nacionalização do BPN" e "Porque defendem os grandes grupos económicos a intervenção do FMI em Portugal"?

Isto é cá um caderno de encargos! A primeira questão poderá "arrumar-se" com alguma "economia" de tempo, mas já a segunda é muito mais exigente e, para começar, seria preciso explicar o que é o FMI, como, quando e para quê foi criado, ao que tem servido desde a conferência económica realizada em Bretton Woods em 1944, ainda não tinha terminado a guerra. Bom... não sei quanto tempo estarão os camaradas de Viseu dispostos a aturar-me mas, pelo meu lado, também não poderei ficar por lá muitos dias porque a agenda está carregada...

E tem de sobrar tempo para ouvirmos o Samuel, o que é um grande estímulo, juntando o útil ao agradável!

Vamos ver o que se pode fazer.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Porque é bom lembrar!

No dia 11, no cravodebril, Fernando Samuel "postava" uma mensagem-comentário, com o título é bom lembrar, a partir da habitual crónica de Mário Soares no DN.
É um excelente texto (que pode ser lido integralmente aqui), e dele retiro este parágrafo da transcrição da despudorada "confissão" de Mário Soares:

«Depois do caso República - e no período mais agudo do PREC - conspirei activamente, em nome do PS, com o chamado Grupo dos Nove, no restaurante Bordalo, onde me encontrava praticamente todas as semanas com Victor Alves, Vasco Lourenço, Melo Antunes, Victor Crespo, Costa Brás e com o saudoso comandante Gomes Mota, entre outros. E mais tarde em casa do Jorge Campinos, contra o golpe que os comunistas e os esquerdistas preparavam para impor o "poder popular". Foram vencidos em 25 de Novembro de 1975, do qual resultou a normalização democrática da Revolução».
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Sem pretender acrescentar algo ao que Fernando Samuel escreveu, a não ser o asco que a prosa soarina me provoca, só duas observações:
  • antes do "caso República", já Soares conspirava contra o que ele chama PREC, e que são as iniciais de processo revolucionário em curso, talvez não o fazendo "activamente, em nome do PS" mas subversivamente em seu nome pessoal e dos interesses que servia com a sua conspiração, evidentemente contra-revolucionária. Aliás, a montagem do "caso República", aquela encenação burlesca ou soaresca, foi um exemplo de conspiração contra-revolucionária;
  • como muito bem esclarece Fernando Samuel, «Já em relação ao aludido "golpe dos comunistas", Soares continua a fugir com a bochecha à seringa, assim escondendo, com um golpe inventado, a série ininterrupta de golpes a que ele e os seus correligionários e afins, a mando dos seus patrões, estiveram ligados.
    Designadamente o 25 de Novembro, do qual resultou esta «normalização democrática» em que vivemos hoje: com a independência do País nas patas dos grandes da Europa e do mundo, com a aparelho produtivo destruído... com o desemprego, a precariedade, os salários em atraso, os cortes nos salários, o congelamento das pensões e reformas... com os PEC's todos, o OE, a pobreza, a miséria, a fome... e com o FMI a preparar-se para invadir e ocupar Portugal.»

Esta chamada (por Mário Soares) «normalização democrática da Revolução"», NÃO!, nem obrigados.

É 3 em 1 porque não é normalização, não é democrática, é contra-revolucionária.

Mas é bom lembrar os conspiradores que estão na sua origem! E quando são eles a fazê-lo, melhor.

"balanços" - 2

Um pormenor de uma campanha eleitoral, e de uma candidatura, protagonizada por Francisco Lopes e feita de militância:
No sapo-on line organizaram-se:

«Debates em Directo
Nos dias 10 e 11 de Janeiro, os mandatários dos candidatos à Presidência da República vão estar aqui para responder em directo às perguntas mais votadas pelos utilizadores do SAPO. Participe!
»

Coube-me, por decisão do colectivo, participar nesses debates, pelo que me desloquei a Lisboa. Faço o balanço, quantitativo!, das prestações, durante a cerca de hora e meia em que os candidatos ou os seus representantese estiveram à disposição de quem lhes colocasse perguntas:
  • candidato Manuel Alegre (mandatário Jacinto Lucas Pires) - resposta a 13 perguntas e questões;
  • candidatura de Francisco Lopes (mandatário Sérgio Ribeiro) resposta a 27 das 81 perguntas e questões que lhe foram colocadas (é o único número do total de perguntas e questões colocadas a quem tinha a tarefa de responder que conheço)... porque não houve tempo para mais;
  • candidato Defensor de Moura - resposta a 10 perguntas e questões;
  • candidato Cavaco Silva (mandatário Diogo de Vasconcelos) - resposta a 17 perguntas e questões;
  • candidato Fernando Nobre - na manhã de hoje, 13, continuava afixado:
  • Próximos Debates
    Fernando Nobre - brevemente

Veja as diferenças!

Não fomos nós que o dissemos...

Depois da notícia, e de muitas notas que tomei para, hoje, "passar a limpo", começo a manhã de informação a ler isto. Transcrevo. Não como "argumento de autoridade", que a ninguém reconheço, mas... por não sermos nós a dizê-lo!



Nobel
Krugman: Juro do leilão de OT de Portugal é “ruinoso”
Económico com Lusa
13/01/11 07:00

Krugman alerta para a destruição dos países periféricos da zona euro caso os juros continuem elevados.
O Nobel da Economia alerta que mais sucessos como o do leilão português de ontem e a periferia europeia será “destruída".

Na apreciação que Paul Krugman faz no seu blogue, o economista considera a taxa de juro do leilão da dívida pública portuguesa "pouco menos que ruinosa".
Portugal colocou hoje no mercado 1.249 milhões de euros em obrigações do Tesouro com maturidades a 10 e a 4 anos. Nos títulos a 10 anos, a taxa média ponderada baixou para 6,716% face aos 6,806% observados no leilão anterior. Nessa maturidade foram emitidos 599 milhões de euros, tendo a procura superado em mais de três vezes a oferta. Já nos títulos a 4 anos, os juros dispararam para 5,396% face aos 4,041% do leilão anterior comparável. Nesta maturidade foram dadas ordens que superaram em 2,6 vezes o montante da oferta, tendo sido emitidos 650 milhões de euros.
Em reacção, o primeiro-ministro considerou a colocação da dívida "um sucesso, qualquer que seja o parâmetro pelo qual se analise".O leilão foi "um sucesso na procura e um sucesso no preço, e isso é a melhor demonstração de confiança na economia portuguesa por parte dos mercados", sublinhou José Sócrates, à entrada para a Heimtextil, em Frankfurt.
No seu comentário, Krugman afirma que "considerar um sucesso a capacidade de Portugal colocar obrigações a dez anos a uma taxa de juro de 'apenas' 6,7% diz alguma coisa do profundo desespero da situação europeia".
O Nobel argumenta que, "se se pensar sobre a dinâmica da dívida, uma taxa de juro tão alta é pouco menos que ruinosa". Adianta, porém, que "não é, de facto, tão má como as pessoas estavam à espera na semana passada, daí o sucesso". Mas alerta: "Mais alguns sucessos e a periferia europeia será destruída."
No início do dia de quarta-feira, antes do leilão que se realizou durante a manhã, a Bloomberg citava o Financial Times alemão para divulgar que a Comissão Europeia e o fundo de resgate europeu estavam a preparar uma ajuda a Portugal que poderia chegar aos 100 mil milhões de euros se fosse necessária. Pormenorizava-se que a ajuda poderia ser disponibilizada muito brevemente, se o leilão da dívida registasse juros considerados insustentáveis.»
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E não se nos acuse que o transcrevemos com satisfação! Bem pelo contrário.
Há que mudar de rumo!

"balanços" - 1

Ontem foi, como previsto foi, um dia em cheio.
Cumpriram-se os horários. Com o trabalho militante de muitas dezenas.
Enquanto Francisco Lopes percorria o Algarve, incluindo Boliqueime, Jerónimo de Sousa andou por aqui, por terras do Ribatejo.
Não sou o cronista do que vou acompanhando e de onde vou participando, mas há apontamentos de campanha que se me impõem.
No final do dia, um jantar no Couço, com uma sala da Casa do Povo cheia de povo. A deitar por fora (expressão que não é figura de retórica!).
Numa iniciativa, integrada na campanha, com presença e intervenção do secretário-geral do PCP (e uma de abertura do mandatário distrital), numa sala tão cheia que se tiveram de improvisar mesas em espaço ao ar livre (como sempre foi o ar do Couço mesmo quando o ar em Portugal nada tinha de liberdade), nem um representante da comunicação social. Local, regional ou nacional. Jornal, rádio ou televisão.
É verdadeiramente escandaloso!
Fica o que sairá no avante!, esta (ou outra foto) de uma grande acção de uma grande campanha eleitoral, episódio de uma enorme luta

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Previsões BP e comentário - continuação 2

O aparecimento, neste momento de campanha eleitoral, do Boletim de Inverno do Banco de Portugal seria uma boa oportunidade, pelos elementos que fornece, para se discutirem, seriamente, os gravíssimos problemas que a economia e a sociedade portuguesa enfrentam. Mas é evidente que essa discussão séria, não para ganhar votos aqui e ali, à custa da desinformação, mas para que o povo português tome consciência do beco em que os representantes eleitos nos colocaram, só interessa a quem tem a intenção de lutar, em todas as frents, para que se mude de rumo. E é possível, necessário, urgente (numa escala de tempo que não se mede em dias ou semanas.
Na anterior mensagem sobre este tema, deixei algumas reflexões, e tive a satisfação de receceber um comentário com contributos interessantes (obrigado, Ricardo!).
Vou transcrever o comentário e aditar mais umas observações.
Escreveu o Ricardo:
«Alguns contributos:
1.º O BP projecta que o emprego diminua 1% em 2011 e 0,2% em 2012.
2.º O BP estima que ainda em 2012 o PIB se situe abaixo do de 2007, calculado a preços de 2007 (portanto, comparáveis).
3.º O BP estima que, independentemente da metodologia utilizada, a taxa de crescimento potencial do PIB português se situa claramente abaixo do 1% ao ano.
4.º O BP calcula uma probabilidade que representa o risco do cenário macroeconómico nacional se agravar:

Conclusão, o risco para as projecções do PIB serem inferiores é de 60% em 2011 e de 63% em 2012; as relativas ao consumo privado são de 59% e 64%, respectivamente... Revelando que o cenário poderá ser muito mais grave que o entretanto projectado.
Vê o gráfico 5.1. da página 20 do Boletim de Inverno do BP... Palavras para quê?»


Na verdade, o gráfico 5.1 e respectivo quadro (completado pelas notas do estimado comentador retiradas do quadro 5.2) dispensa palavras.


Acresce que toda a estratégia assenta em factores de risco determinados por projecções de uma variável externa claramente irrealista e numa opção interna que só se pode considerar suicida (não para os interesses ao serviço de que se elaborou a estratégia e no cumprimento de ordens exteriores, mas para a economia e a sociedade portuguesa).
Repare-se que o Banco de Portugal, reduzido à sua expressão mais simples, de gabinete de estudos e de entidade reguladora que nada regula, aponta no quadro 3.3 para a evolução de duas componentes do produto que o demonstram gritantemente.
Prevê-se uma inflexão na curva das exportações que qualquer leigo com um mínimo de bom senso (nem se trata de leituras) acharia irrealista, pois passa de uma queda desde 2007 para, por obra e graça de não se adivinha o quê ou quam para uma subida espectacular de mais de 15 pontos em 2011 e de 22 pontos em 2012 relativamente ao índice 100 em 2009, em contrapartida com uma queda continuada na FBCF, isto é, no investimento, a ser projectado para 95, 88,5 e 82, respectivamente para os anos de 2010, 2011 e 2012 relativamente ao mesmo índice 100 para 2009.


Mas não me fiquei pelo gráfico 3.3, e usando modestas "ferramentas", com base no Boletim de Inverno, elaborei este gráfico em que se pode observar o que nos esperaria ... se não mudarmos de rumo, entretanto.
E o rumo terá de mudar porque menos investimento - há um problema de financiamento da economia que tem de ser resolvido, e não é pelo endividamento externo! -, confiando em exportações em que não se confia, a situação da procura interna, nas suas componentes consumo público e, sobretudo, consumo privado, configura perspectivas de gravíssima situação social. Sem que Portugal tenha, como outros países terão, "almofadas", ou seja, situações sociais de relativo desafogo e muito menor desigualdade social.

pequeno CURSO DE ECONOMIA (continuação)

2.

«(...) Enquanto isto, o trabalho da nossa pequena equipa, no quadro de tarefas militantes no PCP, avançou, sem hiatos. Não se concretizou através da constituição de um grupo de trabalho formal, com reuniões e discussões periódicas. Encontrámo-nos, conversámos, dividimos tarefas. A esta distância, ficou-me a memória de que foi muito fácil. Não retive a recordação do mínimo atrito, da menor fricção, do mais pequeno azedume entre nós.
Encontrámo-nos, conversámos, dividimos tarefas. Mais (e melhor?) que um plano ou um guião, partimos de uma lista de temas, ou assuntos que nos pareciam dever ser tratados, com a pré-disposição unânime de que seria uma iniciativa aberta, susceptível de se alterar de acordo com a evolução do que fosse acontecendo, até de sugestões ou pedidos que nos fossem chegando e a que, desde o início, nos afirmámos abertos e solicitadores.
Nessa divisão de tarefas, o camarada Gorjão Duarte assumiu o papel de coordenação e de ligação com O Militante, de motor e de consolidação ou “cimento” de todos os nossos contributos.
Ainda a esta distância, é com alguma admiração – e orgulho pelo trabalho colectivo, partidário, que em muito transcendeu a nossa pequena equipa – que avalio o que foi, naquele tempo e naquelas condições, a publicação desses 19 cadernos.
Mas não se ficou por aí. Ou, ao ir-se mais longe, só se reforça esta avaliação. De hoje.
Foi decidido, pelas edições avante!, fazer uma publicação desses cadernos em livro, que veio a acabar de ser impresso em Maio de 1993, sempre com o acompanhamento gráfico do camarada José Araújo.
Essa publicação poderia servir para continuidade do trabalho de intenção formativa ideológica que era o das separatas de O Militante. E tê-lo-á sido, nos seus 2.000 exemplares de tiragem que não demoraram muito tempo a esgotar-se.
Algum trabalho foi feito para a passagem dos cadernos a livro. Não, necessariamente, todo o que seria exigido. Mas o livro não envergonha. Bem pelo contrário. Por outro lado, como está no prefácio que Fernando Sequeira e eu assinámos, Gorjão Henriques fez enorme falta nesse trabalho.
"(…) Quando se reviam os fascículos para se transformarem neste pequeno livro, quem o fez parou muitas vezes a lembrar, emocionado, a troca de impressões sobre o tratamento de um tema, a discussão amiga e camarada por detrás de uma frase. E muita falta fez o Gorjão para que o trabalho em que participou até ao limite das suas forças ainda tivesse beneficiado do seu contributo, sempre procurando melhorar o que a outros já satisfazia."
Entretanto, nas acções de formação de quadros (e de militantes) do Partido, quem tinha a tarefa da área da “economia” frequentes vezes lamentou não poder apoiar-se no pequeno Curso de Economia, como documento de trabalho para essas acções, ou recomendando-o para acompanhamento posterior, por ele se ter esgotado.
Até que foi decidido encarar fazer-se uma reedição. Que, naturalmente, deveria ser revista, actualizada, sempre mais quanto mais o tempo ia passando. Alguns esforços e tentativas foram feitos mas sem se conseguir avançar. (...)»

Ela aí está! A 2ª edição:

Em campanha - Jerónimo de Sousa no distrito

Acordai!
...
vinde, no clamor
das almas viris,
acordar a flor
que dorme na raíz!
...
José Gomes Ferreira
Vai ser um dia em cheio!
A vinda ao distrito de Santarém do secretário-geral do PCP, em plena campanha eleitoral, implica uma agenda carregada.
Que terá um "aperitivo" de uma ida a Alcanena, para depois nos juntarmos a Jerónimo de Sousa na Chamusca, para visita e almoço, seguida de ida às instalações da Robert Bosh em Abrantes, e terminará com um jantar no Couço.
Há que lutar muito pelo "voto certo para a mudança necessária" (gosto desta... e de outras!)

terça-feira, janeiro 11, 2011

pequeno CURSO DE ECONOMIA

Com uma grande satisfação (que tem vindo a ser adiada), acabo de receber este livro:
É a 2ª edição de um trabalho que foi tarefa em que participei com enorme gosto e vontade de acertar. Do prefácio a esta 2ª edição, de minha responsabilidade, reproduzo trechos, em dois "posts" separados.
1.
«Em 1989, por iniciativa ou aceitação de proposta, os organismos executivos do Comité Central do PCP decidiram colectivamente, como é de norma, que O Militante – PCP – Reflexão e Prática incluísse, em seus próximos números, cadernos destacáveis configurando um pequeno Curso de Economia marxista.
Sob a orientação do camarada Fernando Blanqui Teixeira, foram encarregados da tarefa de cumprir essa decisão os camaradas Fernando Sequeira, Joaquim Gorjão Duarte e eu próprio.
O primeiro caderno saiu com o número de Fevereiro de 1990 e, número a número, os cadernos sucederam-se até ao número, então já bimestral, de Novembro/Dezembro de 1991.
Foram 19 cadernos que podem ser balizados entre a mitificada (e mistificadora!) queda do Muro de Berlim, a 9 de Novembro de 1989, e a extinção da União Soviética em 31 de Dezembro de 1991, “decretada” a 21 de Dezembro.
Muito significativo me parece este facto. Que é, indesmentivelmente, um facto!
Estes cadernos foram sendo elaborados e publicados, com a intenção de serem instrumentos de formação teórica marxista-leninista enquanto pelo mundo, e muito particularmente na Europa, a luta de classes tomava a expressão de uma derrota de certo modo inesperada, apesar dos sinais que se vinham acumulando de erosão económica, política e, sobretudo, ideológica, nos países socialistas, e da incapacidade e/ou traição dos dirigentes dos partidos comunistas desses países.
Também no dito Ocidente, nos partidos comunistas dos países capitalistas, se fez sentir muito profundamente essa erosão e a fragilidade ideológica. Verificaram-se verdadeiras deserções da luta de classes e, pior que isso, deram-se passagens de “armas e bagagens” para o outro lado da luta, com trânsito por limbos de hesitação e procura de caminhos vários, outras mais rápidas e explícitas; uns aberta e publicamente em campanha contra a direcção ou contra quem respeitava os valores e os estatutos da organização, alguns procurando, por dentro, mudar os princípios e a organização.
Houve quem (individual ou colectivamente) não tivesse conseguido interpretar e resistir a uma derrota histórica por estarem a ser dados passos atrás na História da Humanidade, houve quem (individual ou colectivamente) tivesse passado de algum sectarismo partidário e ideológico, consciente ou inconsciente, para a negação da existência da luta de classes (e das classes), para a recusa do marxismo-leninismo como base teórica, do centralismo democrático como forma de organização e funcionamento.
Enquanto isto, o trabalho da nossa pequena equipa, no quadro de tarefas militantes no PCP, avançou, sem hiatos. Não se concretizou através da constituição de um grupo de trabalho formal, com reuniões e discussões periódicas. Encontrámo-nos, conversámos, dividimos tarefas. A esta distância, ficou-me a memória de que foi muito fácil. Não retive a recordação do mínimo atrito, da menor fricção, do mais pequeno azedume entre nós.
(...)»
continua

Previsões BP e comentário


em Económico:



Previsões
Portugal contrai 1,3% este ano
Eudora Ribeiro
11/01/11 11:33



O Banco de Portugal espera que a economia portuguesa sofra uma quebra de 1,3% este ano, contra a anterior estimativa de estagnação.

No Boletim Económico de Inverno, o Banco de Portugal adianta que 2011 será um ano de "queda substancial da procura interna" e continuação das
dificuldades de financiamento dos bancos portugueses.

Avança a instituição liderada por Carlos Costa que as projecções para a economia portuguesa apontam para uma contracção de 1,3% em 2011 e um "crescimento limitado em 2012", de 0,6%. Uma evolução que "será marcada pelo reforço do processo de ajustamento dos desequilíbrios macroeconómicos acumulados ao longo de mais de uma década", explica o Banco de Portugal.

Continua o documento que "as actuais projecções caracterizam-se pela ligeira diminuição das necessidades de financiamento das famílias e das empresas e supõem, em particular, uma significativa consolidação orçamental, num quadro de queda substancial da procura interna".

O Banco de Portugal nota ainda que "esta projecção assume que o recurso ao financiamento pelo Eurosistema permanecerá significativo até final do horizonte", num contexto de persistência de dificuldades de acesso dos bancos portugueses aos mercados de financiamento.

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Comentário (além dos sublinhados... ou re-sublinhando):
queda substancial da procura interna - inevitável quando se diminuem a capacidade de poder de compra dos estratos populacionais com maior propensão (por necessidades por satisfazer) ao consumo;
dificuldades de financiamento da economia (dos bancos é outra face da mesma moeda... falsa!) - evidentemente quando o financiamento é para pagar juros de empréstimos para pagar juros de empréstimos, sem haver amortização de dívida e, sobretudo, produção material de riqueza.
produção material - apenas possível com o aproveitamento de recursos naturais (que existem!, desaproveitados ou desempregados), através da única forma de o fazer, pelo trabalho produtivo, de que decorreria aumento substancial da procura interna e um outro rumo para a economia e a sociedade.
.
Vem nos livros... e não no de Thomas Morus (que o padecente de iliteracia que é o actual PR desconhece, como é seu apanágio!)

Sobre honestidade (corrigido e ilustrado)

Ele há conceitos e conceitos.
Ouvi aquele homem na entrevista na RTP1, e não consigo fechar o computador (e apagar a luz...) sem escrever qualquer coisa.
Ele há conceitos e conceitos!
Cavaco Silva será, como tanto apregoa que até faz desconfiar, o mais honesto dos seres vivos alguma vez nascidos (uma vez...). Mas sê-lo-á de acordo com o seu conceito de honestidade. Que não pode impor como único, absoluto, e que não tem nada a ver com o de muito boa gente. Com o de gente que não entra em negócios com as suas poupanças, que não entrega multiplicadas "economias de casal" nas mãos de especuladores "de confiança", que não reduz o conceito de honestidade a um âmbito legal-contabilístico.
Ao que se vê, o conceito de honestidade de CS não é beliscado por ter sido, em cenário apropriado, o último candidato a ser entrevistado no canal de serviço público (foi sorteio?), e o único a ser entrevistado já em período de campanha eleitoral (teria sido por acaso?); como coexiste perfeitamente com o facto recente da utilização da mensagem de ano novo enquanto dupla personalidade de PR e de candidato a PR.
O seu conceito de honestidade sente-se fortemente atingido quando outros são, segundo ele, deshonestos a ponto de referirem as aplicaçãos que ele fez de poupanças com gordos proveitos (e com gritantes suspeitas de favorecimento), e não referirem os desaires que ele e a sua esposa terão tido em outras aplicações espalhadas ou confiadas a outros bancos, em dimensão que (pelo que ele disse...), feitas as contas, levaria a números exorbitantes
Aquele redutor conceito de honestidade que alardeia não se aflige com a coexistência do seu largo desafogo financeiro, pelo menos também em grande parte devido a actividades especulativas, com um crescente nível de desemprego, de que nem sabe aproximadamente o número, e um salário mínimo que, com toda a evidência, não dá para poupar um cêntimo, e dificilmente aplicará centenas de milhar e milhões de euros na especulação financeira que cav(ac)ou buracos por onde este País se enterraria ou afogaria, se isso fosse possível.
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Aquele homem diz-se presidente de todos os portugueses, e quer continuar a sê-lo.
Meu, que português sou, não é, e não o será, não obstante respeitar os resultados do voto dos meus compatriotas.
O conceito de honestidade que partilho com tantos (mesmo com alguns, talvez muitos..., que nele votarão) não cohabita com o dele. E, como não emigrarei, continuarei a lutar pelo esse nosso outro conceito de honestidade. Muito mais largo e exigente. Um conceito de honestidade... honesto, para dizer tudo.


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manhã do dia seguinte, hoje: com a desculpa (?) das horas e condições em que a escrevi, esta "mensagem" saiu com muitos erros, pelo que a corrigi e lhe juntei uma foto para ilustrar e para servir de... bom dia!

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Debate directo

De regresso. No "expresso". Depois de quase duas horas, nas instalações da PT-sapo, a responder a perguntas directas, via net. Na tarefa de "mandatário regional" de Francisco Lopes.
Ia - digamos... - receoso. O que tenho ouvido em "antenas abertas" e "praças públicas" não fazia prever tarefa nem fácil, nem agradável. Ou, então, desinteresse.
Venho satisfeito. Dezenas de perguntas, a muitas não foi possível responder por falta de tempo, questões interessadas e interessantes. Quase todas...
Valeu a pena.
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Voltarei a esta viagem.