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terça-feira, abril 24, 2018

SÍRIA - Opinião inoformada\


Abrilabril:
«Estou enojado e cansado de ver activistas e rebeldes usar cadáveres de crianças para forjar cenas emotivas para consumo ocidental. E depois interrogam-se sobre as razões pelas quais jornalistas põem em causa partes da narrativa» – escreveu ele no Twitter, acompanhando as palavras com imagens ilustrativas do conteúdo da mensagem.
O tweet esteve pouco tempo exposto, antes de se sumir nos subterrâneos censórios da rede, o que não impediu a reprodução da mensagem à velocidade da luz, através da internet. É certo que não chegou aos consumidores da informação digna e com chancela de qualidade que a põe a salvo de qualquer risco de contaminação pela «propaganda russa», mas despertou milhões para uma realidade cada vez mais difícil de esconder.
«Estou enojado e cansado de ver activistas e rebeldes usar cadáveres de crianças para forjar cenas emotivas para consumo ocidental. E depois interrogam-se sobre as razões pelas quais jornalistas põem em causa partes da narrativa»
RIAM DALATI, PRODUTOR DE INFORMAÇÃO INTERNACIONAL DA BBC (11/04/2018)
Em tweet anterior, Riam Dalati já mostrara o seu inconformismo perante as versões oficiais postas a circular sobre o que acontecera em Duma, desmontando então a foto do «último abraço», a chocante imagem com que os «Capacetes Brancos», destacamento dos serviços secretos britânicos, agitaram a opinião pública mundial. Os cadáveres de duas crianças mortas em andares separados de um prédio que desabou em Duma – como testemunham fotos captadas imediatamente a seguir à tragédia – foram depois colocados lado-a-lado, em posição de dramático abraço, para as fotos captadas no local de recolha e identificação das vítimas. É difícil qualificar adequadamente os seres humanos capazes de tais práticas necrófilas.
Os frequentadores do jornalismo sério, profissional e independente já tinham posto os olhos numa extraordinária reportagem do enviado da BBC, dada a conhecer em 13 de Novembro passado, na qual expôs minuciosamente, sem margem para dúvidas nem espaço para teses conspirativas, abundantes provas de que as potências da NATO, tão expeditas em bombardear arsenais químicos sem libertar um átomo de veneno para a atmosfera, estavam a mobilizar os próprios meios militares para dar fuga e encaminhar para novas regiões de acolhimento os terroristas do Estado Islâmico derrotados em Raqqa, o seu quartel-general na Síria ocupada. «O segredo sujo de Raqqa» é o título dado por Dalati ao seu trabalho.
Outro profissional da comunicação, o norte-americano Tucker Carlson daFox News, por sinal uma das estações de televisão mais favoráveis a Donald Trump, levou a peito a frase de Orwell segundo a qual «a liberdade é também a capacidade de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir» e foi incapaz de se conter ao cabo de tantas certezas oficiais e académicas sobre Duma. Desabafou em directo:
«Todos os génios que dizem que Assad matou essas crianças saberão o que estão a dizer? Claro que não sabem. Estão a inventar. Não fazem ideia nenhuma do que aconteceu».
Também de nacionalidade norte-americana, o enviado especial da One America News Network  (OAN) ao «massacre de Duma», Pearson Sharp, expôs frontalmente, perante as câmeras, os resultados da sua investigação no terreno: vagueou pelas ruas, entrevistou mais de 40 pessoas escolhidas ao acaso, visitou residências, hospitais, variados locais públicos e não viu nem ouviu nada que indiciasse a existência de um ataque químico. Vale a pena vê-lo e ouvi-lo:
Poderia continuar esta caminhada, de caso em caso, de profissional em profissional. Citar os vídeos e as fotos testemunhando que, nas zonas sírias controladas por terroristas, «moderados» ou não, há lugares onde as crianças são treinadas a simular os efeitos de ataques químicos, numa espécie de concursos em que são distinguidas as que melhor interpretam, por exemplo, os espasmos da agonia; ou então dar voz às declarações de pessoas que participaram nessas encenações, identificando-se a elas próprias nos vídeos em que foram figurantes.
Para muitos, através do mundo, a verdade destas mentiras montadas para não deixar esmorecer a guerra tornou-se um facto admissível, ou mesmo inquestionável.
Para muitos outros subsiste o natural cepticismo. Os efeitos da tese da teoria da conspiração são fortes e duradouros. Além disso, a guerra de propagandas é inerente aos conflitos militares, muito mais em situações, como a da Síria, onde se enfrentam, agora directamente, as mais poderosas potências mundiais.
A posição cúmplice de Portugal: lamentável, confrangedora e ultrajante
Há que distinguir, porém, entre o cidadão comum, certamente mais dependente da comunicação social que lhe chega sem fazer qualquer esforço, daqueles que têm outros níveis de responsabilidade política e social, como os deputados, os ministros, o primeiro-ministro, o Chefe de Estado.
É lamentável que a maioria dos eleitos da Assembleia da República tenham dado como confirmada a história do suposto ataque químico de Duma, apenas com base na versão dos «Capacetes Brancos», e não se informassem mais pluralmente antes de votar – assumindo como dogma as posições belicistas da NATO e da União Europeia, como seu braço civil.
«Marcelo Rebelo de Sousa [...] envolveu o país num acto de guerra»
É confrangedor que o primeiro-ministro António Costa tenha permitido que o Chefe de Estado envolvesse o governo na sua grotesca e submissa declaração de cumplicidade com uma agressão militar ilegal; e que, não contente com isso, tenha adoptado o mesmo tom subserviente na sua própria declaração. Como se estivesse a penitenciar-se aceitando humildemente, e como merecidos, os puxões de orelhas que, pelos vistos, recebeu por não ter expulsado diplomatas russos na sequência da história de venenos e espiões que cheira a aldrabice de uma ponta à outra.
É ultrajante e abusivo para os portugueses que o Presidente da República, também renomado professor de Direito, tenha associado Portugal ao mais descaradamente ilegal acto de guerra praticado por aqueles a quem qualificou como «amigos e aliados», corresponsabilizando-se, deste modo, por um acto criminoso contra um país e um povo soberanos que viola o direito internacional da forma mais grosseira possível.
Maioria de deputados, governo e Presidente da República assumiram-se assim como cúmplices de um acto fora-de-lei na cena internacional; acataram, sem reticências, pretextos e alegações que ou já se revelaram inquestionáveis mentiras ou carecem de investigação por organismos credíveis.
À hora a que o Chefe de Estado proferiu a profissão de fé validando as razões da agressão contra a Síria já tinha obrigação de saber que os agressores mentiram deliberadamente: os locais alvejados não guardavam armas químicas, ao contrário do invocado, porque não consta que deles tenha brotado sequer um átomo de veneno para as imediações.
A irresponsabilidade de Marcelo Rebelo de Sousa ao abusar da palavra em nome dos seus concidadãos foi mais longe: envolveu o país num acto de guerra que, se tivesse corrido de acordo com os fins e segundo as circunstâncias descritas pelos autores, provocaria, então sim, um autêntico ataque químico susceptível de arrasar todas as formas de vida em redor.
Um parênteses: a guerra humanitária de Theresa May
Tratou-se, portanto, de um atentado de terrorismo de Estado praticado contra a Síria, hipocritamente em nome dos direitos humanitários do povo sírio, através de uma cruzada para atenuar «o seu sofrimento», como beatificamente sentenciou Theresa May, a primeira-ministra britânica. Que tem como marido e conselheiro um gestor de topo do Capital Group, fundo de investimento que possui cerca de dez por cento da Lockheed Martin, gigante da indústria da morte e fabricante dos mísseis de cruzeiro JASSM, que se estrearam neste acto piedoso contra território sírio, assim gerando um merecido reforço de lucros a quem os fabrica e financia. Cada unidade desses mísseis custa a modesta quantia de milhão e meio de euros. E cada acção da Lockheed Martin valorizou-se 2,3% na primeira sessão de bolsa a seguir ao dia do bombardeamento.
Da Cimeira das Lajes à actualidade, vamos de mal a pior
Para a História, e para que se interpretem objectivamente eventuais acontecimentos vindouros que poderão não ocorrer por «azar» ou ser «obra do acaso», fica o facto de as autoridades portuguesas em funções terem conseguido ultrapassar, em cota de desprezo pelo direito internacional, o comportamento das que, há 15 anos, arrastaram o país para a conivência com a invasão terrorista do Iraque. Nesse caso, a guerra assentou em mentiras, mas foi suportada por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU; nos dias que correm, a guerra baseia-se em mentiras, trava-se sem mandato das Nações Unidas e mesmo contra a Carta das Nações Unidas. Dentro das atitudes condenáveis, o país foi levado de mal a pior.
A escassos dias das celebrações do 44º aniversário da Revolução de Abril, Portugal surge enrodilhado numa teia vergonhosa e perigosa de ilegalidade internacional, com expressões terroristas; uma teia tecida pela NATO e pela União Europeia, assente na habitual invocação cínica dos direitos humanos, da liberdade e da democracia. Valores reduzidos um pouco mais a pó, dia após dia, mercê de tão vigorosos como permanentes espezinhamentos.
«Para a História [...] fica o facto de as autoridades portuguesas em funções terem conseguido ultrapassar, em cota de desprezo pelo direito internacional, o comportamento das que, há 15 anos, arrastaram o país para a conivência com a invasão terrorista do Iraque»
Esqueçam tudo quanto eventualmente ouviram dizer de mal a Macron, May, Juncker, Merckel, Marcelo, Costa e muitos outros parceiros garbosamente «atlantistas» e «europeístas», a propósito de Donald Trump; e que possam soar como condenações, discordâncias, até reparos irónicos, manifestações de dissidência, acusações contundentes sobre a pessoa e a conduta do presidente norte-americano em exercício. Não passam de exercícios políticos inconsequentes, palavras ditadas pelo oportunismo do politicamente correcto, afinal sem conteúdo nem verdadeira acrimónia.
A partir de agora, porém, quaisquer reparos críticos ao presidente norte-americano dirigidos pelos seus «amigos e aliados» terão, logo que proferidos, tanta consistência como as verdades oficiais em torno do ataque químico em Duma, das tentativas de liquidação dos Skripal, ou dos arsenais químicos aniquilados pelos mísseis que consumaram a agressão de 14 de Abril contra a Síria, provavelmente o prólogo de algo mais substancial e catastrófico que paira agora um pouco mais ameaçador sobre o planeta. O grupo naval do porta-aviões norte-americano «Harry S. Truman» saiu há poucos dias de Norfolk, provavelmente em direcção às imediações da Síria, pelo que ainda são necessárias algumas semanas antes de estar operacional para a nova missão. Qual será?
Coisa pacífica e pacificadora não será, por certo. Porém, digníssimos dirigentes como Macron, May, Merckel, Rajoy, Tusk, Orban, Costa e Marcelo não precisam de se preocupar nem de se desviar das ocupações diárias, por exemplo cortar décimas do défice, salários de quem trabalha, direitos de cidadania.
Todos sabem, de cor e salteado, o que fazer quando a altura chegar: tal como agora, basta-lhes seguir o chefe, ainda que o chefe de turno se chame Donald Trump.

quinta-feira, abril 13, 2017

quarta-feira, abril 12, 2017

A História não se repete... mas imita-se! Um testemunho relevante (de um Jornalista!)

Verdades alternativas









Carlos Santos Pereira




Mover a Montanha in              Abril 11, 2017 365 Words

Quarenta e oito horas e uns quantos Tomahawk disparados de um navio americano no Mediterrâneo, foi quanto bastou.
Calaram-se todas as dúvidas. Recolheram-se quaisquer reticências. Apagaram-se de vez os últimos “alegados”. Sub-repticiamente, a narrativa dos media passara a assumir o ataque sírio com armas químicas contra Idlib como um facto comprovado e inquestionável.
De mera suspeita, de hipótese entre outras, o “crime de guerra” passou a verdade assente e definitiva. Os Tomahawk tinham a bênção do concerto das nações. Trump pôde enfim dar uma de “duro” e sacudir a pressão doméstica. Os “falcões” do Pentágono e do Senado marcavam mais uns pontos na sanha de confrontar Putin a qualquer preço
A técnica está mais do que rodada. 

Lembram-se do célebre massacre de Sarajevo de 28 de Agosto de 1995?
No mesmo momento em que elementos da Forpronu e observadores militare s apelavam à prudência, chamando a atenção para factos que desmentiam a hipótese de um morteiro sérvio, o general Rupert Smith, comandante da força de paz na Bósnia, concluía sem pestanejar: foram os sérvios, “beyond any reasonable doubt”. Foram os sérvios, foram os sérvios e pronto! – repetiram prontamente os media.
Os caças da NATO tinham enfim via livre para bombardear os sérvios intervir de forma ainda mais aberta no conflito – e alterar definitivamente o curso da guerra na Bósnia. Dizia Hiran Jameson em 1919 que a verdade é sempre a “primeira vítima” da guerra. 

A manipulação fez sempre parte da arte da guerra. A propaganda sempre procurou porém disfarçar-se minimamente de verdade.
Tudo isso se alteraria neste nosso “glamoroso” mundo novo. A mentira passou a dispensar qualquer disfarce para se transformar em verdade. E nem precisa de ser repetida mil  vezes. Basta vir no telejornal.

A manobra resultou uma vez mais em cheio na Síria. Os apelos a uma investigação rigorosa dos acontecimentos de Idlib calaram-se. Os media – repórteres, pivots, editores, comentadores, analistas, opinion makers, patrões e quejandos – cumpriram plenamente o seu papel.

Adenda a transcrição anterior (sem comentário!)



«(...) Sean Spicer afirmou que “mesmo alguém tão desprezível como Hitler não desceu ao nível de usar armas químicas”. Hitler usou câmaras de gás nos campos de concentração nazis durante a Segunda Guerra Mundial.
“É fácil imensos idiotas formarem a opinião pública”, afirma Eric Frattini em entrevista ao Expresso Diário, sobre o fenómeno das “fake news”, notícias falsas, demagogia e desinformação. O espanhol especialista em serviços secretos é autor de “Manipulação da Verdade” (Bertrand).(...)»

Pedro Santos Guerreiro, em Expresso Curto




segunda-feira, abril 10, 2017

Uma voz indignada (e assustada...)

A voz do representante da Bolívia nas Nações Unidas é a nossa voz! De quem tem dignidade e por isso se indigna.



Obrigado, blog as palavras são armas!

Curto curso de manipulação - aulas práticas

No meio do vulcão assustador da violência bárbara, a comunicação social está a representar o seu papel. Que não é de independência e inocuidade, Longe disso! 
O "Expresso" vangloria-se de ter "descoberto" a expressão "linha vermelha da GUERRA". Ao mesmo tempo que participa, cumplicemente!, na sua ultrapassagem.
Explícita ou subliminarmente, o "regime de Assad" e os seus aliados são os "maus da fita", as fotografias de crianças violentamente destruídas ou agredidas são elemento emocional a utilizar 

(e a servirem de justificação para o injustificável, a servir de pretexto, a coberto das "informações").
Mas de que "informação"? Daquela que leva o director do semanário a descair-se na frase do seu editorial (na página 3 e em letra miudinha) "... Sim, supõe-se, porque toda a informação é esparsa e incredível. A própria autoria do inominável ataque químico não está confirmada." Não está confirmada!... mas o semanário de que é director do que assim confessa entra na onda comunicacional e manipuladora da condenação que justifica a ultrapassagem da "linha vermelha da GUERRA" e manda, para a coluna dos Altos E Baixos (entre um condenado por corrupção e um acusado de ser responsável por violência em campos de futebol), o "líder do grupo parlamentar" que teve a coragem de não aprovar a condenação do que não está confirmado e veio a servir para justificar (e provocar apoio a) um acto isolado de retaliação de extrema perigosidade para a debilitadíssima paz a nível mundial.

sábado, dezembro 17, 2016

Alepo, Asma Assad e a "informação" que nos formata

páginas de um (quase-)diário:

17.12.2016

Queria escrever sobre mim e outras coisas, mas sinto-me tão escandalizado que, momentaneamente, estou incapaz de fazer outras coisas que não seja… desabafar.

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Por escrito, sucintamente.

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Aqui… que é onde estou.

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Acompanhando (ou querendo acompanhar, cidadamente) tudo, interessei-me pela Síria e, agora, Alepo.

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Entre outras fontes de informação, consulto tudo o que o Expresso, esse ícone da informação bem burguesmente informada (!), edita.

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Vi, de raspão, algumas referências insinuantes e insidiosas, à “Asma de Assad” (Expresso diário, de 15.12.2016 – Três presos políticos portugueses na Venezuela. Football Leaks, num caso ainda mais singular. As matrioscas de Temer e a Asma de Assad).

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Com a reincidência de hoje, passei do raspão ao tropeço na referência, e cito:
“(sobre a Síria pode ler ainda o Arquivo Expresso que publicámos esta quinta-feira, um artigo da Margarida Mota publicado originalmente na Revista no qual a autora nos apresentava quem é e que vida (faustosa) tem a primeira-dama, Asma Assad)”
(em As escolhas do editor, de 17.12.2016)

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E do tropeção fui até à leitura de que “…vida (faustosa) tem a primeira-dama, Asma Assad” (meu sublinhado), hoje, de que, ao mesmo tempo, se dá o quadro mais catastrófico do que se estará a viver em Alepo.

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Pois o re-citado artigo da colaboradora do Expresso é de 24 de Março de 2012!

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Fiquei escandalizado.

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Dir-me-ão que casos destes não faltam, e eu sei que não… mas fiquei impressionado/escandalizado com a subtileza, a insidiosa insinuação, a filha-de-putice que já não deveria escandalizar.

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Fiquei… e respiro fundo o ar lavado que me vem do quintal, aliviado por me ter indignado e desabafado.

terça-feira, maio 28, 2013

OUTRA INFORMAÇÃO - sinais dúbios para a situação na Síria

28 de Maio de 2013 

Sinais dúbios na política internacional 

sustentam crise na Síria

Enquanto o secretário de Estado dos EUA John Kerry e o chanceler russo Serguei Lavrov planejam uma conferência internacional para abordar o conflito na Síria de maneira política, a União Europeia anuncia, nesta segunda-feira (27), o fim do embargo de armas à oposição no país. A decisão é um sinal gravemente negativo em um contexto já de crise, em que atores envolvidos direta e indiretamente vêm enviando mensagens confusas para uma solução política.

Por Moara Crivelente, da redação do Vermelho
Reuters
Chanceleres russo e dos EUA Chanceler russo Serguei Lavrov e o secretário de Estado dos EUA 
debatem conferência internacional sobre a Síria em Paris


De forma quase cínica, o anúncio foi feito pela União Europeia (UE) no mesmo momento em que se reuniam em Paris Kerry e Lavrov para definir os últimos contornos da conferência internacional, que deverá acontecer em junho e contar com a participação de todos os envolvidos no conflito interno da Síria, além dos vizinhos e atores de peso. 
A proposta da conferência retoma a disposição do governo sírio para um diálogo político e o plano definido pelo Compromisso de Genebra, documento assinado ainda em junho de 2012 que afirmava a necessidade de uma solução política dialogada para o conflito. Lavrov também já havia ressaltado a importância da declaração em uma reunião com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, em encontro há poucas semanas. 
Tivesse sido acatada a tempo, a declaração poderia ter salvado milhares de vítimas da escalada da violência, que ocorre sobretudo através da ingerência externa em âmbito político e também bélico, já que os grupos armados que atuam no interior do país, muitos compostos por mercenários estrangeiros, já vinham sendo apoiados com fundos e armas desde a intensificação do conflito.
O chanceler britânico William Hague, que já deu declarações problemáticas antes, foi o portador da notícia sobre a suspensão do embargo de armas: “É uma boa decisão e envia uma mensagem muito forte da Europa ao regime do [presidente Bashar] Al-Assad”, apesar de a Grã Bretanha não prever enviar armas à oposição de imediato.
A menos que a mensagem que Hague pretende passar ao presidente Assad seja a da ingerência criminosa na política e na estabilidade da Síria, a suspensão do embargo não pode ser considerada “uma boa decisão”, principalmente se os esforços por um diálogo político internacional forem sérios, e não mais uma retórica infrutífera. A ambiguidade e a falta de confiança que ela gera só fazem os atores envolvidos afastarem-se ainda mais, o que resultará em um maior prolongamento da violência.
Os diplomatas europeus envolvidos na votação para a suspensão do embargo de armas citaram a crescente “suspeita” sobre o uso de armas químicas em regiões específicas da Síria, mas a menção à autoria desse uso fica sempre encoberta. Observadores independentes já declararam não haver indícios de que o governo sírio emprega esses recursos, mas ao contrário, há indícios do uso deles por parte dos grupos armados, cuja brutalidade já tem sido evidenciada.

Solução política contra instabilidade regional

O presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Exterior da Assembleia Consultiva Islâmica do Irã (Mayles), Alaedin Bruyerdi, assinalou nesta segunda que a Conferência dos “Amigos da Síria” em Teerão, capital iraniana, será uma reunião dos amigos ou de quem se esforça por uma solução política para a crise síria. 
De acordo com o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores persa, Sayed Abas Araqchi, chanceleres, autoridades, personalidades de alto nível e representantes de organizações internacionais estarão presentes na conferência, que será celebrará nesta quarta-feira (29), com o lema: “Solução política, estabilidade regional”. 
Araqchi lamentou a decisão dos chanceleres da UE sobre a suspensão do envio de armas aos grupos armados, dizendo que “o posicionamento duplo dos países ocidentais que alegam lutar contra o terrorismo é o maior obstáculo ante a eliminação deste fenómeno nefasto”, e que a decisão é “perigosa e incorreta”.
Além disso, ataques aéreos sem condenação e a retórica agressiva do vizinho Israel levam os oficiais sírios a acreditarem que o país busca uma guerra de grande escala com a Síria, principalmente no caso de os grupos armados conseguirem derrubar o governo de Assad, o que reflete a profundidade do risco de desestabilização da região.
O Irão já se mostrou interessado também em participar na conferência internacional de junho, que ficou denominada Genebra 2, e Araqchi afirmou esperar que todas as partes influentes trabalhem por resultados exitosos durante o evento.
Já no Líbano, tem sido frequente a denúncia sobre ataques desde o território sírio contra regiões com grande influência do partido islâmico Hezbollah, que forma parte do governo e exige o respeito pela soberania síria para a solução da crise interna. 
Os ataques têm sido ligados aos grupos armados atuantes dentro da Síria, e nesta segunda fez uma vítima no subúrbio da capital libanesa, Beirute. Já nesta terça-feira (28), dois foguetes atingiram a cidade do noroeste, Hermel. O governo libanês condenou decisões da Liga Árabe que excluem o governo de Assad e favorecem a Coalizão Nacional Síria, que diz representar a oposição, mas comprometeu-se a não interferir no conflito, principalmente para preservar a sua própria estabilidade interna.
Além do Líbano, também o Iraque, no contexto da Liga Árabe, levantou preocupações sobre a crise interna na Síria, o seu alastramento pela região e o respeito pela soberania daquele país. O governo do presidente Bashar Al-Assad já reiterou diversas vezes a disposição e os esforços efetivos em prol de um diálogo político nacional, e também afirmou estar disposto a participar da conferência Genebra 2.
A Rússia demonstrou conternação com a decisão da UE sobre a suspensão do embargo, mas o porta-voz da chancelaria russa Alexander Lukashevich declarou, na sexta-feira (24): “afirmamos com satisfação que recebemos, a princípio, o acordo de Damasco para comparecer à conferência internacional”
Isso demonstra uma vez mais o comprometimento do governo sírio com a resolução do conflito de forma dialogada, ainda que tenha sido alvo, de diversas formas, de uma ingerência externa inaceitável em seus assuntos políticos e na sua segurança nacional, o que prolongou e intensificou um conflito que já dura dois anos.

segunda-feira, maio 06, 2013

A PAZ, a as agressões, a Síria



Conselho Português para a Paz e Cooperação
Rua Rodrigo da Fonseca, 56 – 2º 1250 -193 Lisboa, Portugal

Tel. 21 386 33 75 / Fax 21 386 32 21 e-mail: conselhopaz@cppc.pt


Ataque de Israel à Síria

A verdadeira face da agressão 

contra o povo sírio

 O Conselho Português para a Paz e Cooperação condena veementemente os ataques do exército israelita à Síria, que constituem uma inaceitável agressão à soberania e ao povo sírio, uma flagrante violação do direito internacional e o mais completo desrespeito pelos princípios da Carta da Nações Unidas.
Esta nova agressão de Israel à Síria vem mostrar que o que está efectivamente a acontecer na Síria é uma guerra de agressão instigada, fomentada e apoiada do exterior, nomeadamente pelos EUA, a França, a Grã-Bretanha ou a Alemanha, e os seus aliados na região, como Israel, a Turquia, a Jordânia e as ditaduras do Golfo Pérsico, como a Arábia Saudita ou o Qatar.
Estes ataques vêm ainda mostrar o desespero daqueles que, confrontados com o facto da táctica de desestabilização da Síria – fomentando a dissensão interna e armando os grupos terroristas que atacam este país – não estar a atingir o objectivo de derrubar o Governo sírio, procuram, agora, através da provocadora agressão militar directa, escalar o conflito para justificar uma intervenção militar estrangeira de grande escala.
O ataque de Israel contra a Síria confirma que Israel é um foco permanente de guerra, agressão e ocupação contra todos os povos da região. Israel comporta-se como o instrumento e principal aliado da estratégia de tensão e guerra dos EUA no Médio Oriente. Israel viola da forma mais ostensiva os direitos dos povos do Médio Oriente, com a ilegal ocupação da Palestina, de territórios da Síria (os Montes Golã) e do Líbano (as Quintas de Shebaa) e as sucessivas agressões contra os países, como o Líbano, o Iraque e agora a Síria.
O apoio que a Administração Obama deu a estes ataques de Israel à Síria desmascara a farsa que é a política externa dos EUA, quando afirma defender o direito internacional e os direitos humanos.
A grave evolução da situação no Médio Oriente tem demonstrado ter nos EUA a sua principal força desestabilizadora, que tem o plano de reconfigurar e recolonizar toda uma região – que denomina por "Grande Médio Oriente" – a fim de explorar os seus recursos. Todos os países que resistem às intenções de domínio dos EUA na região são alvo de agressões que visam a debilitação ou, mesmo, a fragmentação dos seus Estados, como aconteceu com o Iraque e a Líbia ou acontece, agora, com a Síria, sem esquecer as sanções e ameaças contra o Irão.
Tendo presente o sofrimento já infligido aos povos do Médio Oriente e alertando para os riscos imprevisíveis de uma escalada do conflito na Síria, o Conselho Português para a Paz e Cooperação:
- Exige o fim da agressão externa à Síria;
- Exige o fim das acções de ingerência, da militarização do conflito e do boicote a qualquer esforço e tentativa de solução negociada e política do conflito na Síria, pelas potências ocidentais e seus aliados na região;
- Exige o fim das sanções contra a Síria, cujas primeiras vítimas são a sua população;
- Exige do Governo português, em consonância com a Constituição da República Portuguesa, a clara condenação dos ataques de Israel à Síria;
- Apela, no espírito e respeito da Carta das Nações Unidas, ao diálogo, à negociação e à diplomacia para a resolução pacífica dos conflitos na região;
- Considera que todos os povos, incluindo o da Síria, têm o direito a viver em paz e em democracia e a determinar o seu presente e futuro, livre de quaisquer ingerências e de acordo com as suas decisões soberanas.

sábado, julho 21, 2012

"A batalha de Damasco"

Recebido de um amigo:







Começou a batalha de Damasco

Thierry Meissan*
– 19 de julho de 2012

Os poderes ocidentais e do Golfo lançaram a mais importante operação de guerra secreta desde os “Contras”, na Nicarágua. A batalha de Damasco não visa derrubar o presidente Bashar Al-Assad, mas fraturar o Exército Sírio para assegurar o domínio de Israel e Estados Unidos sobre o Oriente Próximo. Enquanto a cidade se prepara para um novo assalto dos mercenários estrangeiros Thierry Meissan realiza um balanço da situação.

Há cinco dias, Washington e Paris lançaram a operação “Erupção em Damasco, terremoto na Síria”. Não é nova campanha de bombardeio aéreo, mas operação militar secreta, similar à usada no tempo de Reagan na América Central.
De 40 a 60 mil “Contras”, na sua maioria líbios, entraram em poucos dias no país, quase sempre pela fronteira jordaniana. A maioria destes está ligada ao “Exército Síria Livre” (Free Syrian Army), estrutura de fachada para as operações secretas da OTAN, atualmente sob comando turco. Alguns são filiados a grupos de fanáticos, inclusive a Al-Qaeda, estão sob o comando do Qatar ou de uma facção da família real saudita, os Sudeiris.
De passagem, tomaram alguns postos de fronteira, e então se mudaram para a capital, onde semeiam a confusão, atacando alvos aleatórios que eles encontram: grupos de policiais ou militares isolados.
Quarta de manhã, uma explosão destruiu a sede da Segurança Nacional, onde se reuniam alguns membros do Conselho de Segurança Nacional. O ataque tirou a vida do general Daoud Rajha (Ministro da Defesa), do general Assef Shawkat (Vice-Ministro) e do general Hassan Turkmani (assistente do vice-presidente da República). Os termos da operação permanecem incertos: pode ter sido tanto um ataque suicida quanto o disparo de um drone (avião não-tripulado) furtivo.
Washington esperava que a decapitação parcial do aparelho militar levaria alguns oficiais superiores a desertar com suas unidades, ou até mesmo a se voltar contra o governo civil. Isso não aconteceu. O presidente Bashar al-Assad imediatamente assinou os decretos designando seus sucessores e a continuidade do Estado foi assegurada.
Em Paris, Berlim e Washington, os patrocinadores da operação se sentem livres para jogar o jogo indigno que consiste em condenar a ação terrorista, reafirmando o seu apoio político, logístico e militar aos terroristas. Sem pudor algum, eles concluíram que a responsabilidade por esses assassinatos não cabe aos culpados, mas às vítimas, na medida em que haviam se recusado a renunciar sob pressão e entregar sua terra natal aos apetites ocidentais.
Caracas e Teerã enviaram suas condolências a Síria, sublinhando que o ataque foi encomendado e financiado pelas potências ocidentais e do Golfo. Moscou, igualmente, expressou suas condolências e disse que as sanções levadas ao Conselho de Segurança contra a Síria equivalem a um apoio político aos terroristas que realizaram o ataque.
Os canais de TV estatais sírios passaram a transmitir clipes militares e canções patrióticas. Interrompendo a programação, o ministro da Informação, al-Omran Zou'bi apelou à mobilização de todos: o tempo já não é mais de disputas políticas entre governo e oposição, é a nação que está sendo atacada. Lembrando o artigo do Komsomolskaya Pravda em que descrevi a operação midiática de desmoralização preparada pelos canais ocidentais e do Golfo, ele advertia seus compatriotas sobre o desastre iminente. Aproveitou para negar os boatos tóxicos dos canais de TV do Golfo segundo os quais um motim eclodira na quarta divisão e explosões haviam devastado seu quartel principal.
Os canais estatais levaram ao ar várias vezes anúncios que mostravam como capturar seu sinal pelo satélite Atlantic Bird, em caso de interrupção dos satélites Arabsat e Nilesat.
No Líbano, Sayyed Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, lembrou a fraternidade de armas que une o Hezbollah à Síria contra o expansionismo sionista, e garantiu ao Exército Sírio seu apoio.
O ataque foi um sinal para o início da segunda parte da operação. Os comandos infiltrados na capital passaram então a atacar vários alvos, mais ou menos premeditados. Assim, um grupo de cem “Contras” atacou a casa adjacente ao meu apartamento aos gritos de “Allah Akbar!” (Deus é maior). Um militar de alta patente reside lá. Foram dez horas de combate ininterrupto.
No início da noite, o Exército respondeu com medidas. Mais tarde a ordem foi para usar a força sem restrições. Já não era o caso de lutar contra os terroristas que tentavam desestabilizar a Síria, mas enfrentar uma invasão estrangeira que não diz seu nome, e salvar o país em perigo.
A aviação síria entrou em ação para destruir as colunas de mercenários que se dirigiam à capital.
No final da manhã, a calma retornou gradualmente a cidade. Os “Contras” e seus colaboradores em todos os lugares foram forçados a se retirar. O tráfego foi restaurado nas principais estradas e postos de controle foram instalados no centro da cidade. A vida recomeçou. No entanto, ainda ouvimos tiros dispersos aqui e ali. A maioria das empresas está fechada, e há longas filas em frente às padarias.
Todos esperam que o assalto final seja lançado na noite de quinta para sexta, e por toda sexta-feira. Há pouca dúvida de que o exército sírio vai sair vitorioso novamente, a correlação de forças é favorável, o exército é apoiado pela população, inclusive pela oposição política interna.
Como era esperado, os satélites Arabsat e Nilesat desligaram o sinal de televisão Ad-Dounia no meio da tarde. A conta de Twitter do Ad-Dounia foi pirateada pela CIA para a divulgação de falsas mensagens que anunciam uma retirada do Exército sírio.
Os canais de TV do Golfo anunciaram o colapso da moeda do país como um prelúdio para a queda do Estado. O governador do Banco Central, Adib Mayaleh, falou em rede nacional de televisão para negar a desinformação e confirmar a taxa de câmbio de 68,30 libras sírias por dólar dos EUA.
Reforços foram mobilizados em torno da praça dos Omíadas para proteger os estúdios da televisão estatal que são considerados um alvo prioritário para todos os inimigos da liberdade. Estúdios de substituição foram instalados no hotel Rose de Damas, onde estão hospedados os observadores das Nações Unidas. A presença destes, que deixaram que se perpetra-se o ataque na capital sem que se interrompesse a sua ociosidade, é a proteção de facto para os jornalistas sírios que tentam informar os seus compatriotas sobre o perigo que ameaça suas vidas.
No Conselho de Segurança, Rússia e China vetaram pela terceira vez um projeto de resolução dos países do Ocidente e do Golfo para tornar possível uma intervenção militar internacional. Seus representantes têm denunciado incansavelmente a propaganda destinada a transformar o ataque estrangeiro contra a Síria como uma revolta reprimida com derramamento de sangue.
A Batalha de Damasco deve retomar hoje à noite.

*Professor of International Relations at the Centre for Strategic Studies in Damascus.
His columns specializing in international relations feature
in daily newspapers and weekly magazines in Arabic, Spanish and Russian.

sábado, junho 02, 2012

Humilhante subserviência


Partilha-se e transcreve-se:

A propósito do corte de relações diplomáticas com a Síria
- Acto de subserviência

.por Conselho Português para a Paz e Cooperação ·.

O Conselho Português para a Paz e Cooperação condena veementemente o bárbaro massacre ocorrido em Houla, na Síria, e exige uma completa investigação do sucedido e a punição dos responsáveis. Ao mesmo tempo, o CPPC denuncia a intensa guerra mediática movida contra a soberania daquele país do Médio Oriente e rejeita com firmeza todas as operações subversivas ou diplomáticas em curso, tendentes a justificar uma agressão militar contra a Síria, à semelhança do que sucedeu na Líbia, no Iraque, no Afeganistão ou na Jugoslávia.
A confirmar-se a decisão do Governo português de cortar relações com a Síria e considerar o embaixador desse país acreditado em Portugal como persona non grata, dada ontem como certa pela imprensa, o CPPC considera que ela representa não só um golpe na procura de uma solução negociada para a situação actual na Síria como se inscreve na tentativa de aí instigar e alimentar uma guerra civil. Trata-se, sem dúvida, de um novo e perigoso passo da subserviência do Governo português aos interesses daqueles que não hesitam em recorrer à ingerência e à guerra para impor os seus interesses económicos e políticos.
Esta decisão nada tem a ver com a defesa da liberdade, da democracia ou dos direitos humanos, mas com a opção clara de isolar a Síria e prosseguir com as continuadas ameaças de uma agressão militar aberta por parte das grandes potências ocidentais.
A decisão do Governo surge num momento em que estão ainda em curso as investigações acerca do que realmente ocorreu em Houla – apresentado como a «gota de água» para o Governo português bem como para outros governos da NATO, que já expulsaram diplomatas sírios – e em que o enviado do secretário-geral das Nações Unidas e da Liga Árabe, Kofi Annan, procura esclarecer o sucedido, com a colaboração do governo da Síria.
Para além das autoridades sírias já terem rejeitado toda e qualquer responsabilidade no sucedido, a realidade mostra que os acontecimentos não se passaram como foi inicialmente propalado, o que as investigações em curso estão também a demonstrar.
Na sequência da visita de um seu dirigente à Síria integrado numa missão conjunta do Conselho Mundial da Paz e da Federação Mundial da Juventude Democrática, o CPPC lembra a existência de grupos terroristas armados nesse país, infiltrados e equipados através e por outros países da região, que têm levado a cabo vários atentados e ataques contra elementos das forças de segurança e sobretudo contra civis. Um dos últimos ataques, a 10 de Maio, vitimou em Damasco pelo menos 55 pessoas e feriu mais de 370, tendo o próprio secretário-geral da ONU atribuído a sua autoria à Al-Qaeda.
O CPPC lembra que Portugal está obrigado pela sua Constituição a bater-se pelos valores da paz e do respeito pela soberania dos povos e pelo direito internacional – precisamente o contrário do que está a fazer com mais este intolerável acto de subserviência e sujeição a inconfessados interesses económicos e políticos. A imposição externa da mudança de governo, como as potências da NATO pretendem levar a cabo na Síria, viola a Carta das Nações Unidas.
O CPPC exige ainda que o Governo português, com as acrescidas responsabilidades que lhe advém de ter assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas, reconsidere a sua decisão e se recuse definitivamente a alimentar campanhas belicistas contra povos e países soberanos, cumprindo assim o estipulado no artigo 7.º da Constituição da República Portuguesa.

quinta-feira, abril 12, 2012

Brevíssima - OUTRA INFORMAÇÃO - Síria

avante!:

Aumenta pressão sobre a Síria

Oposição não acata plano de Annan
e ocidente culpa... regime de Damasco

Sobem de tom as ameaças de intervenção na Síria a pretexto do não cumprimento do plano do enviado especial da ONU, Kofi Annan, mas o facto é que a oposição, incluindo o Conselho Nacional Sírio, não aceitou essas propostas.