domingo, maio 17, 2009

Cabo Verde - Maio de 2009 - 4

Esta viagem-passagem pela República de Cabo Verde foi o que não podia deixar de ser, e o que se queria que fosse.
Num outro blog, no seu Quarteto de Alexandria, Justine vai-nos deixando o seu "abraço de morabeza", que é um outro olhar que vale a pena ver. Aí estão curtos textos, fotografias, música (a de lá!), comentários que gostaríamos de ter aqui. E que, por isso, trazemos aqui.
Assim como um dos muitos comentários que os "posts" naquele blog muito justamente suscitam. De um certo "caboverdeanizado", que também surripiou uma fotografia que a dita Justine não publicou, e uma outra, que dele é.

4. Por ali vivemos.
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Por ali, agora, viajamos em viagens de "sodade".
Como agora, Lembrando - e homenageando! - outros que ali foram obrigados a viver.
E a morrer, que o campo era o campo da morte lenta.
Ver estas fotos, ler estas legendas, ouvir esta música, é tudo viver de novo. Mas, agora, sem campos de concentração, nem fome, sem mosquitos.
Num País sempre em construção. Nem sempre bem, a nosso critério, mas sempre melhor.
Só uma nota: a praia, esta praia do Tarrafal!, existia já no tempo do campo. Não tinha era esta gente a passar o 1º de Maio em convívio e lazer. Tinha mosquitos, paludismo endémico, talvez cães palúdicos, e tinha, perto, um campo para onde se mandavam homens para que ali morressem. Homens que lutavam enquanto a morte não chegava. E se 32 morreram, muitos outros - portugueses e, depois, angolanos, caboverdeanos, guineenses - venceram a morte.
E a luta. Que continuamos.
Obrigado, Justine

sábado, maio 16, 2009


Reflexões lentas sobre política(s)... 7

continuação
O aparecimento da UEM será a expressão “europeia” de uma inflexão no sistema com vista à prioridade para a “estabilidade de preços”, tornando-se o equilíbrio orçamental obsessão (e obediência cega, como no caso português), pela via de contenção do défice pela diminuição das despesas e da intervenção do Estado, nas áreas sociais e em tudo que se esgueire à lógica capitalista da acumulação do capital financeiro, para além da sua exclusão do que se consagrou monopólio da “economia do mercado”, da “iniciativa privada”.

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A inflexão, contra o que se diria, em terminologia tida por ultrapassada, a inflação – apesar do desemprego… –, reflecte-se de imediato na subida das taxas de juro, e na sua inflexibilidade, o que veio elevar muito os “custos” do crédito sem que verifique a sua diminuição, antes continue crescendo para substituir os necessários (face às novas necessidades) e irrealizados acréscimos salariais, agravando, paulatinamente, o endividamento, concorrendo para a sua dinâmica de imparável crescimento nas actuais condições objectivas e subjectivas.

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O prolongamento no tempo dos critérios de convergência nominativa para a instauração da moeda única, e o seu alastramento para além da “zona euro”, traduziram-se na imposição de um Pacto de Estabilidade e Crescimento, em que a vertente do crescimento é, apenas, uma palavra oca de sentido porque apenas conta, para o BCE, seu promotor e vigilante tutor ou tutelador, a estabilidade, com taxas de juros altas, e assim mantidas, ainda que claramente agravadoras do endividamento e inibidoras do crescimento económico.

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E chega-se a uma situação muito delicada no funcionamento do sistema em que o fosso entre as “finanças” e a “economia” se alarga desmesuradamente, por crescimento das finanças e por travão à economia, ao mesmo tempo que deixa de se ter em atenção o critério nominativo da dívida pública por monopólio do critério do défice orçamental.

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O que tem uma explicação ideológica para quem vê, na desideologização, a face de uma ideologia, ou a máscara da ideologia a que se dá o nome de “economia de mercado”; agora, neste “tempo de crise”, as correntes sociais-democratas culpam outros como responsáveis pela “crise”, por terem sido essoutros – que não eles... – os fautores do neo-liberalismo de que são tão ou mais responsáveis, como se pode comprovar pelas presenças nos órgãos de poder quando as decisões mais neo-liberais (e gravosas socialmente) foram tomadas.
continua

sexta-feira, maio 15, 2009

Assim se ideologiza a luta de classes:

No Público de hoje, no Editorial de José Manuel Fernandes:

1. "Há alturas em que até o PCP tem mais bom senso do que (...)";

2. "(...) e o PCP, que apesar de tudo ainda não perdeu o contacto com as realidades (...)"

Aquele até o e aquele apesar de tudo são... o que são!

quinta-feira, maio 14, 2009

Álvaro Brasileiro - um amigo, um camarada

"Morreu o Álvaro Brasileiro".

Assim me disseram pelo telefone. Ontem.

E tudo o resto, todas as notícias, todos os pequenos acontecimentos (grandes que eles fossem), tudo o que preenche os dias se apagou perante a brutalidade do telefonema. Que nem sei se agradeci como o devia ter feito.

Desde ontem, anda comigo a lembrança que me trouxe a morte do amigo, do camarada, um dos casos em que escolho a ordem alfabética para dizer o que o Álvaro era para mim. Um amigo, um camarada. Um amigo camarada, um camarada amigo.

Conhecemo-nos em Caxias, ambos com 27 anos que no mesmo ano nascemos. Era, o Álvaro, um dos três de Alpiarça - com o Abalada e o Arraiolos - mais velhos. Sim, porque os outros três - o Machado, o Marvão, o Raposo/"Facalhim", que também recentemente morreu sem que lhe tivesse dado o abraço de que estávamos em falta há 45 anos - andavam próximos dos 20.

Calmo, ponderado, consistente, assim o conhecemos. E à Justina, que víamos através das redes das visitas, sempre a companheira.

Depois, foi a vida e a luta que nos fizeram encontrados tantas vezes. Sempre o amigo, sempre o camarada. Nas campanhas de 1969 e 1973, na revolução por que lutáramos. Às vezes em convívios no meloal, ou em sua ou em minha casa, só porque nos sentíamos bem juntos. Como amigos. E camaradas, sempre.

Na Assembleia da República, o nome do Álvaro Brasileiro, eleito pelo distrito de Santarém, está inscrito - queiram-no ou não os historiadores encartados - como um dos mais prestigiados deputados, um que, entre "doutores e engenheiros", se fazia respeitar como operário rural, como seareiro, que sabia o que queria e sabia do que falava, que chegou a presidente da comissão de agricultura, não por arranjos e conluios mas por indiscutível mérito. Tive a sorte de partilhar com ele os dois mandatos por Santarém, no curto período em que coincidimos na AR. Foi dos tempos mais ricos da minha actividade parlamentar. Ao Álvaro Brasileiro o agradeço! Como nós trabalhámos em perfeita cooperação, apenas com a finalidade de estarmos ali ao serviço dos interesses de quem representávamos! E fizemos, os dois, uma inesquecível volta a quase todos os concelhos de Santarém, prestando contas do que fizéramos em representação do povo do distrito.

Nunca deixámos de nos encontrar e abraçar e conviver, com ou sem pretextos.
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Só mais dois episódios que ajudarão a transmitir, nestas magoadas palavras, o que sinto. Um, lembrando a tão sintomática situação de ter tido de ser, há poucos anos (muito depois de 1974!), testemunha de defesa (abonatória) do Álvaro, num tribunal, por ele ter co-assinado um documento político, o que o levou, com outros camaradas, àquela situação, a ele que fora julgado pelos tribunais plenários do fascismo, tal como eu o fui; outro episódio foi o da alegria que ele me deu ao aceitar apresentar o meu último livro em Alpiarça. O 50 anos de economia e militância teve, em Álvaro Brasileiro, o amigo e o camarada que deu o testemunho mais claro e insofismável do que foi a luta militante (e na economia produtiva) deste meio século que atravessámos. Com as nossas fragilidades mas com as nossas convicções e determinadas vontades. Esta luta que continua, Álvaro. Sem que estejas ao nosso lado, mas continunado connosco. Com o teu exemplo.

Reflexões lentas - 6

continuação
Entretanto, ao princípio (desta fase nova das relações internacionais, caídos os muros simbólicos) era as taxas de juro baixas; mas era, também, no mundo dito desenvolvido (Europa e arredores, isto é, EUA e pouco mais), a recuperação de condições forçadamente cedidas na relação de forças anterior.

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Como foi também uma outra, nova e dita “revolução industrial” – informática, televisão, telefone, as “auto-estradas da comunicação” –, que outras coisas não são que saltos no desenvolvimento incessante das forças produtivas, como os livros (e a vida) nos ensinam, a partir dos originais ou nas traduções do alemão e do russo.

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E, como está tudo ligado, com as forças produtivas a darem saltos e a abrirem necessidades novas aos humanos mortais, que se sentem com direito a satisfazê-las – até porque delas informados –, eis as contradições a virem à tona e a explodirem, com expansão (e socialização) de capacidades e de direitos, por um lado, e restrição (e privatização) no modo de usar umas e de concretizar outros, por outro lado.

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Ora, no processo de financeirização crescente, avassalador, com os grupos financeiro-banqueiro-especulativos a dominarem a economia (real), logo as contradições se resolvem, não com o aumento de meios-salários (que seria a “saída” real ou síntese), mas com o aliciamento para crédito a aliciantes taxas de juro.

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Mais: o aparecimento de variados “produtos” novos, imateriais, vindos da esfera financeiro-bancária vem tornar toda esta dinâmica mais clara, até pela criação de novas e artificiais necessidades, resultantes da publicidade, a juntar às necessidades que reais são por resultarem da evolução da economia real.
continua

Cabo Verde - Maio de 2009 - 3

3. Entre ditaduras, a democracia

As viagens ensinam. Nelas, quando há guias, são estes que teriam a obrigação profissional de ensinar. Acontece é que, por vezes, alguns desaprenderam. Digo isto sem qualquer animosidade pessoal relativamente ao “provocador” desta croniqueta. O rapaz que nos acompanhou na ida ao Tarrafal nem seria profissional, o autocarro não tinha amplificação de som, ele percorria o corredor esforçando-se. "Ali é a casa onde Amílcar Cabral viveu com os pais". Era perto da Assomada, em Santa Catarina. E disse-o com respeito. Só. E as máquinas dispararam guardando o lugar e a memória: E por aí se ficariam as suas informações políticas. Explícitas. Porque no meio das falas, entrecortadas, às tantas vieram as palavras ditadura e democracia e referiu-se ao “novo PAICV”.

Faço o "resumo da História" misturando o dito e as palavras-“etiquetas” com dados objectivos:
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Depois do colonialismo, com a independência, a República de Cabo Verde teria entrado num regime de ditadura! Porquê? Porque havia só um partido, porque não havia eleições em que o povo tivesse a opção de vários partidos para escolher os seus representantes; depois, por obra e graça de muitas influências, desde a Internacional Socialista a divinas providências, e a "quedas de muros", houve eleições “democráticas”, em que o PAICV, no poder, criou as condições para o "atestado de democraticidade" com que mantinha os apoios que tão bem geria, um outro partido, o MpD, ganhou as eleições em 1990 e o sistema multipartidário foi constitucionalizado. Nas eleições legislativas de 2oo1, o PAICV voltou ao poder, com maioria absoluta na Assembleia Nacional. Nas eleições presidenciais sequentes, o primeiro-ministro até 1990, pelo PAICV, Pedro Pires, venceu. Nas eleições de 2006, o PAICV obteve de novo a maioria, que reforçou, e Pedro Pires também foi re-eleito para segundo mandato.
O que impressiona – e assusta… – é esta “globalização” em que a democracia é de “modelo único”: crescentemente
representativa, até à exclusão de formas históricas, “naturais” e participativas.
Os passadores de atestados de democraticidade (e de "outras coisas" e negócios) vão veiculando as suas versões da História, até por via de "guias" a que nem houve o cuidado de alertar para quem estavam a falar, injectados (e infectados) pelas versões únicas, consensuais, indiscutíveis.

Cabo Verde faz o seu caminho. Nada fácil. Algum o é?

quarta-feira, maio 13, 2009

Os fios da meada

Quando se começou a vislumbrar[1] que o “caso Freeport” tinha, inevitavelmente, que ser desbloqueado[2] – por mais bloqueado que estivesse… –, a minha primeira reacção foi a de que não haveria primeiro-ministro que resistisse a tais sucessos[3]. Para mais, com os “rabos de palha” que já o adornavam.
Foi reacção em conversa caseira, com a minha “opinião pública”, e sublinhe-se que não fiz do caso motivo de outras conversas. Que o tempo corresse... e nada me apelava a comentar os eventos noutras paragens que não as domésticas.
Como isso foi há meses, agora que tanto me convida a trazer o tema a este espaço, dir-me-ão que – mais uma vez!? – me enganei. E eu direi que não, que – desta vez!? – não.
Como sempre faço, e não é por defesa própria ou "caldos de galinha", fujo a dizer prazos. A dimensão tempo é elástica. Quem já viveu décadas tem uma medida, umas escalas, que são incompreensíveis para quem, de adulto, está na infância ou adolescência.
Acabo de "ouver" o debate na AR com o primeiro-ministro, e venho aqui dizer que não há primeiro-ministro e governo que resista ao “caso Freeport” e seus desenvolvimentos. E não só ele. Também o ministro da justiça, e os outros que em ministros estão.
Podem ripostar-me com sondagens ou, até, num futuro próximo, com resultados eleitorais. Está bem… fico na minha! Não têm safa nenhuma. Já só estrebucham. Por quanto tempo? Sei lá. Sei que já estão na História. E não é pelo Tratado de Lisboa, nem pelo jogging.
Há coisas que salpicam, há outras que se entranham.
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[1] - ou lobrigar ou outro verbo qualquer…
[2] - não sei se os verbos adequados serão bloquear e desbloquear mas também não importa muito e o facto é que estou reticente quanto a verbos…
[3] - não é só com os verbos que estou reticente… faltam-me as palavras indiscutivelmente certas.

Reflexões lentas - 5

continuação
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O objectivo afirmado era o da estabilidade de preços, atacando um dos dois tradicionais “males da economia” – o da inflação, sendo outro o do desemprego – através da estabilidade dos preços, de cuja virtude viriam a decorrer todos os "bens do mundo", sobretudo a melhoria das situações sociais, com o desemprego em definitivo ultrapassado por mérito de uma política de emprego, com base na flexibilidade, na empregabilidade, na adaptabilidade, na mobilidade, na “criação do próprio posto de trabalho” agora crismado de empreendedorismo.

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Na passagem à UEM, o passo da definição das condições das transferências das competências nacionais para órgão federal (BCE) reveste a maior importância na adopção de câmbios que se tornavam definitivos para os Estados-membros da “zona euro”.

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E aqui se encontra um dos mais significativos “passos em falso” de quem, tendo o dever constitucional de defender interesses portugueses, as especificidades deste Estado-nação, aceitou sem titubear a excessiva valorização do euro e, neste, do escudo, na falácia de uma moeda forte, prejudicando seriamente actividades ligadas à exportação, promovendo a importação na senda da destruição da actividade produtiva, mormente o aproveitamento de recursos naturais em que o mar é (ou deveria ter sido) determinante, prejudicando o turismo e beneficiando os nacionais com possibilidades de serem turistas. E etc.

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Tudo em prol da financeirização da economia, em detrimento/esquecimento da economia real, sempre contra o trabalho produtivo, e os trabalhadores e os seus direitos específicos e constitucionais.
continua

segunda-feira, maio 11, 2009

Reflexões lentas - 4

continuação
Os objectivos da(s) política(s) – os enunciados e os anunciados, os instrumentais e os reais – passam a ser fulcrais por a democracia se mediatizar, isto é, se tornar cada vez mais representativa e cada vez menos participativa, com os representantes a marginalizarem da política os representados.

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Essa mediatização faz da política espectáculo e serve o espectáculo da política; antes de mais, esconde a natureza de classe das políticas, enuncia/anunciando objectivos sociais, a bem dos cidadãos (ou seja, dos povos), quando, instrumentais, têm o objectivo real de servir a classe dominante nas condições ajustadas à/pela relação de forças (de classe).

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Nesta caminhada “europeia” de passos e saltos, o passo da UEM, com o €uro e o Banco Central Europeu, não foi bem o salto pretendido… mas foi o salto possível, porque a ratificação do Tratado de Maastrich foi difícil, porque a relação de forças, ainda que com outras capas e máscaras com que a expressão ideológico-desideologizante da luta de classes tudo pretende baralhar, a isso obrigou.

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A Dinamarca (os dinamarqueses) votou não a Maastrich, tiveram de usar artes e manhas para transformar esse não em sim, e ela e o Reino Unido inauguraram o estatuto especial do “opting out”; a Suécia (os suecos) decidiu ficou de fora da moeda única, até com o argumento bem criativo e acutilante de não quererem que o Banco Central da Suécia se tornasse num mero balcão do BCE...

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Mas o rolo compressor da liberalização federalizante, conduzido pelas transnacionais financeiras, não podia parar e a instauração da UEM, ou seja, a criação da moeda única e do BCE, era indispensável para que continuasse o seu caminho, preparando o salto para a União Política.
continua

sábado, maio 09, 2009

À volta das palavras

Num post de outro blog (ver aqui), andei às voltas com a palavra amigo. Neste, saltam-me 3 palavras. Porque a actualidade lida em resumos de fim-de-semana as impõe.

A primeira será ódio. Não sei se a incluia o guião encenado para o “palco do Martim Moniz”, local a que se atraiu a comunicação social, mas o modo como correu o ensaio geral logo a fez saltar. E, depois, num talvez mimetismo curioso, foi usada a palavra a várias vozes. Dela não me afasto – já… – mas, se ódio vislumbro, ele está nos que usam a palavra. Para agredir. Não este ou aquele putativo agressor, se agressores houve, mas um colectivo, um partido. De classe. Será, assim, talvez sem o saberem, um ódio de classe. Contra quem se atreve – ainda! – a ser da/defender a classe operária e os trabalhadores.

A segunda palavra é traidor. Ela serviu de irrefutável prova da origem (de classe) dos agressores. Estes seriam os que se sentiriam traídos por aquele que agrediam (se tivesse havido agressão). Mas, de duas uma, ou lamentavelmente perderam as estribeiras os já julgados e condenados, e com pena de expulsão!, por identificação e provas ínsitas na palavra usada – como alguém com enormes responsabilidades éticas o fez irresponsavelmente, e outros logo aproveitaram –, ou foi mesmo uma provocação bem encenada com o móbil (todo o crime o tem) de um protagonismo que estava a fazer falta ou estava do avesso.
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A terceira palavra é hipocrisia. Não encontro outra para qualificar um artigo (de opinião) que traz o título traição e que se escreve sobre o “episódio”, sabendo o autor, de certeza certa, que quem usou a palavra foi um seu confesso e confessado colega de partido (ou lá o que é), e não alguém daqueloutro partido (que o é há 88 anos) sobre o qual, hipocritamente, o autor constrói filosofia barata com intuitos de deixar conotações explícitas ou implícitas a partir das palavras, esticando a “corda da novela”... que começa por dizer estar demasiado esticada... E fá-lo desde o título ou, até, para quem só ler o título.

Já agora, para desanuviar (?) e para terminar, respondo(-me) a um para quê com a citação de um porquê em que persisto:
"Enquanto conversávamos, pensei no longo e persistente trabalho do Sérgio, paciente como um beneditino, essa incansável maneira que ele tem de regressar às questões que o preocupam, com a ideia obsessiva de que é preciso deixar tudo claro e de que se para isso tiverem faltado algumas palavras, essas não serão as suas.” (José Saramago, Cadernos de Lanzarote, Diário-I, 1994)

Os centrões

Numa curva, no trânsito para outras paragens, tropecei na televisão aberta e caí num debate (?)... dos habituais.
Era sobre o Bloco Central! Sobre que "havera de ser"? Os patrões mandam e os bonifrates obedecem!
Fiquei a ouver. Confrangedor. Aquela gente vive num tubo de ensaio. Completamente fora da realidade e do fluir da História. Aliás, a História, para eles, deve ter acabado antes deles terem nascido, embora alguns/umas tenham feito incursões por uma História feita à pressa, "agora, já", e à medida das suas ambições. Que foram umas, hoje são outras mas sempre as mesmas, as do oportunismo mais rasca...
E há um tema recorrente, de que fogem a sete pés com as quatro patas, que é o de haver classes sociais. De haver gente.
Desemprego, salários? O desemprego é uma fatalidade a ter em conta por causa da agitação social, os salários (da gentalha, claro... que os seus não) têm, evidentemente, de ser contidos...
Outras concepções de vida, outras abordagens da realidade, outras - efectivamente outras! - opiniões ? Não há, eles que nem opiniões têm, acham que cairam todas com o Muro de Berlim...
Participação democrática na vida social? O que é isso?!
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Hoje, para além do Bloco Central, nada, o deserto, o buraco negro! Há que glosar o tema. Os patrões mandam.
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É a luta de classes, meus caros! Apesar de não haver classes, claro...

Cabo Verde - Maio de 2009 - 2

2. A parceria especial Cabo Verde-União Europeia
Está a realizar-se, de 5 a 9 de Maio, a reunião da “troika ministerial desta parceria.
Importa lembrar que, no período colonial, o arquipélago de Cabo Verde era o “arquipélago da fome”, que o paludismo era endémico, que o aparelho administrativo colonial português aproveitara e fomentara a “qualidade dos recursos humanos”, tendo-se criado um lastro cultural absolutamente notável. E, aparentemente, contraditório.
Depois, em 1974-75, Cabo Verde seria um País que não era viável. Das ex-colónias que acediam à independência conquistada com a luta, era aquele em que menos se acreditava. Pobre, paupérrimo. Sem riquezas naturais.
E as gentes não contam para a riqueza das nações?
Cabo Verde provou, nestas três décadas, que contam e muito. Os que formam a sua diáspora, ancorada como poucas à Pátria, e os que ficaram, lutando todos por um País de todos. Mais que viável, credível; exemplar sem ser exemplo, modo sem ser moda.
Não faço juízos de valor – não que não os tenha – sobre alguns aspectos deste processo, sobre o modo exemplar – não moda, nem exemplo, repito – como Cabo Verde se moveu no xadrez internacional, e nas suas contingências, mas sublinho que não só é um País que, a partir dos indicadores aplicáveis, descolou dos países mais atrasados do mundo e do endémico subdesenvolvimento.
A diferença entre a República de Cabo Verde em que trabalhei há quase 30 anos e esta que agora visitei provoca a estranha coexistência de um sentimento de nostalgia, de reconhecimento da sua identidade como Estado livre e independente, e de admiração por um Povo que (aqui e lá fora) faz crescer um País em que quase ninguém acreditava.
E, note-se, tenho lá ido de vez em quando, e a última vez apenas há 5 anos.


























Sempre com enorme vontade de voltar.

sexta-feira, maio 08, 2009

Cabo Verde - Maio 2009 - 1

Então e não se diz nada, aqui, sobre Cabo Verde? O problema é precisamente o de haver muita, tanta!, coisa para dizer.
A ida com a URAP ao Tarrafal, e a passagem pela República de Cabo Verde (Santiago, S. Vicente, Sal), foi uma mistura de recuar uns anos, da nossa luta e meus, actualizar-me vertiginosamente sobre a situação do País, vislumbrar perspectivas.
E se tanto me baseei no trabalho em Cabo Verde para a tese de doutoramento, este País continua a ser, e não só para mim, um caso muito especial. Daria, hoje, para outra tese de doutoramento… E para algumas estará a dar. Inevitavelmente.
Vou deixar só duas ou três notas a partir de dois factos.

1. A visita ao Tarrafal, ao cemitério e ao campo
Foi o motivo central da visita. E confrontei, de novo, quer o enorme significado daquele lugar, quer a muito peculiar forma como os caboverdeanos continuam o legado de Amílcar Cabral, por vezes parecendo contrariar irremediavelmente o seu relevante contributo ideológico por via de um pragmatismo que é o oposto da prática social que escora o seu pensamento.
O campo de concentração do Tarrafal é um símbolo, e ter sido o lugar onde se realizou um simpósio internacional da Fundação Amílcar Cabral com a finalidade de contribuir para que o campo de concentração venha a ser património da Humanidade, tem o maior significado.
Embora à margem do seminário e um pouco atribulada – por motivo de horários de viagem e percursos –, a presença da URAP no cemitério e a declaração lida na sessão de encerramento do seminário, foi um aspecto que se releva numa iniciativa em que havia, da parte de alguns participantes, a costumada intenção de ter uma memória excessivamente selectiva.

Não será por idiossincrasia que muito me desagrada que a consulta ao “aparelho de busca” da net para saber informações sobre a Fundação Amílcar Cabral caia, sistematicamente, na Fundação Mário Soares-Dossier Amílcar Cabral…
E Mário Soares estava lá. Talvez sem as honrarias a que se julga com direito. Pelo menos da nossa parte, nem uma...

Tornando informação acessível

Não é nada agradável ver a minha cara nas páginas da blogosfera acompanhada do epíteto mediocridade e ler chamarem ovelha a quem procurou, primeiro serenamente, depois em crescendo de irritação, rebater o que teria levado um cavalheiro a assim me/nos tratar.
E, se resolvera não voltar ao assunto e desconhecer o fulano e suas elucubrações e insultos, ao desconhecimento junto desprezo… mas… mas o incidente, prolongado até à náusea, levou-me a fazer contas, com base na única fonte e na única abordagem possíveis.
Embora quando se atira barro (ou matéria semelhante) à parede algo lá possa ficar agarrado, não o faço para “me limpar”. Faço-o para tornar acessível informação, com rigor e sem intenção de auto-avaliação. Com toda a objectividade, deixo, neste quadro, os dados desta legislatura até 11 de Janeiro de 2005, data em que saí do Parlamento Europeu, relativos aos deputados portugueses, com duas notas prévias, sem comentários e apenas duas observações.

  • Notas prévias
  1. a única fonte credível são os números insertos nos documentos do Parlamento Europeu;
  2. a única abordagem possível é quantitativa – por pouco que valha –, pois não é aceitável comparar um relatório com uma pergunta, uma intervenção com uma assinatura numa proposta de resolução, e menos ainda que se avalie o trabalho dos deputados pelas intenções ou resultados que teve, tantas vezes diferentes ou até antagónicas.

quarta-feira, maio 06, 2009

... os suspeitos do costume...

No regresso de uma curta ausência, em que mantive ténues contactos com o que se passava em Portugal, andei "a navegar" pelas minhas paragens habituais da blogosfera. E fiquei chocado - ainda me choco!... - com informações que colhi nessas fontes, mas que reproduziam outras fontes a que tinham tido acesso, sobre os lamentáveis (a vários títulos) incidentes com a delegação do PS à manifestação da CGTP do 1º de Maio.
Nunca me senti propenso a cair em "cenários" ou "teorias" da conspiração, mas estas informações só vieram confirmar suspeitas de provocação montada (o que não quer dizer que justifique, de nenhum, reacções violentas verbais e menos ainda de gestos... até porque a provocação não se responde).
O coro imediato de acusações e de exigência de pedidos de descupa seria caricato se isto tudo não fosse muito sério e grave.
A posição do BE, incluindo-se, presto, no coro de ataques ao PCP, começou por me surpreender como atentado à inteligência, mas a vergonhosa manipulação da informação com apagamento de fotos de "gente sua", que até confirmou apenas ter chamado traidor a VM, deixa-me... sei lá... estupefacto perante tais comportamentos a troco de uns miseráveis votos, de lugares, de posições no aparente e serventuário poder político nesta paupérrima democracia tão-só representativa e mediática ao serviço do capital financeiro.
Adiante...
Por agora, e para desanuviar, só quero divulgar o excelente (e cáustico) comentário de Pedro Penilo, no seu o que diz o pivô, à situação provocada: ver aqui "arrastão do martim moniz - os suspeitos do costume".

segunda-feira, maio 04, 2009

Reflexões lentas sobre política(s) - 3

continuação
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Depois da união aduaneira e do mercado interno (com afirmação de quatro liberdades de circulação), o passo-salto seguinte no caminho que, como resposta de classe, se procura fazer desde 1958, só poderia ser o da União Económica e Monetária (UEM), tanto quanto possível acompanhada pela União Política (UP), ou fazendo com que aquela venha a tornar esta decorrente e inevitável.
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Com a criação de um instrumento único, o euro (€), criado para um conjunto de Estados-nações cumpridores de critérios únicos e arbitrários – alheios a situações nacionais –, e com a institucionalização de uma entidade supra-nacional manipuladora desse instrumento e condutora dessa política, o Banco Central Europeu (BCE), foi dado esse passo-salto, sublinhando-se o aparecimento de uma instituição à margem do aparelho político-democrático, com uma tarefa definida e definitiva, a estabilidade na evolução dos preços através da manipulação das taxas de juro em todo o espaço formado dentro da UE, da “zona euro”.
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Este o caminho a institucionalizar por via do Tratado de Maastrich, e do que a ele se seguisse, com a Mesa Redonda dos Industriais e outras estruturas transnacionais a "sugerirem", num quadro internacional novo e fruto de evolução na luta de classes favorável ao capitalismo.
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Nesse novo quadro, a importância da Organização Mundial do Comércio, a substituir o GATT, e a desvalorização (sempre latente) da Organização Internacional do Trabalho, que, por vezes, até se atreve a tentar a quadratura do círculo que é a de convencionar e regulamentar a desmercadorização da força de trabalho.
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No entanto, talvez com alguma surpresa por serem logo no início do novo caminho, quando mais fragilizada parecia a relação de forças do lado do trabalho, apareceram escolhos no percurso delineado, desde a constatação do não apagamento da clivagem social fundamental por, aqui e ali, o movimento operário não se ter desmantelado como classe organizada sindical e partidariamente, e reacções de povos, de massas desideologizadas, contra os seus governos, não ratificando, por referendo, o que estes tinham entre si decidido.

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continua

sábado, maio 02, 2009

Tele-gramo para VM

Vital

Parabéns.

Objectivo alcançado.

Aqui, na capital de Cabo Verde, ao pequeno almoço, os 40 da URAP que vieram homenagear os tarrafalistas, apenas falavam da tua provocão e dos pedidos de desculpa do CdaS.
Se por aqui encontrar o "mestre " Mário Soares, encontro de que fujo, dir-lhe-ei do bom aluno que mostras ser.
Breve nos encontraremos e dir-to-ei de viva voz, com a certeza que, da minha parte, não responderei a provocações tuas.

sexta-feira, maio 01, 2009

Reflexões lentas sobre política(s) - 2

continuação

Por último?
Assim seria se, no processo histórico, fosse possível encarar o Estado-nação como a macro-estrutura final, a cúpula que já terá sido, ou próxima de o ser, numa construção europeia endocêntrica... e estariam as "cartas na mesa".
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Mas não é. E cada vez menos o será, apesar de, de uma certa maneira, o continuar a ser porque sobre essa macro-estrutura tudo se constrói e nada do que se construa a poderá destruir ou substituir eliminando-a.
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A integração (capitalista) europeia, na “construção europeia”, parte do Estado-nação, associando Estados-membros, e as fases mais avançadas, aquelas que o poder supranacional engendra e procura levar à expressão política, configuram federalização, que pode tomar várias formas – Estado Federado, Federação de Estados –, ou Supra-Estado, regionalizando ou "afreguesiando" Estados-membros.
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A dinâmica da organização espacial, macro-estrutural, procura a correspondência com o ininterrupto (embora irregular) domínio sobre o meio ambiente, e os meios, o desenvolvimento das forças produtivas, no quadro das relações sociais dominantes, e as fases e formas da integração europeia não conseguem, porque não podem, descolar da realidade histórica da existência do que está na sua origem, dos Estados-nações, e da dinâmica matriz da História, da luta de classes enquanto classes houver.
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Assim sendo, ou assim se tomando como sendo, e por este nível se ficando para não continuar pela via que levaria à dimensão planetária e à consideração inelutável de o imperialismo como fase última do capitalismo, chame-se-lhe globalização ou outro eufemismo (o que seriam aliciantes reflexões mas outras), há que voltar, nestas reflexões, à política monetária.
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Continuando a existir os Estados-nações, alcandorados a Estados-membros mas como tal ignorados nas sendas da federalização, promovida pelos grupos financeiros transnacionais, a política monetária é atacada como política de âmbito nacional até deixar de o ser.
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Com o forte argumento da descoordenação e das perturbações cambiais e da pressão inflacionista, instaura-se a prioridade absoluta para o controlo e menorização da intervenção do Estado-nação na política monetária.

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continua

quarta-feira, abril 29, 2009

Informação (e pedido de aviso) à navegação

Já sei que “vou levar nas orelhas”, que amigos que me aconselharam me irão recriminar, eu próprio queria parar com “isto”, queria tornar definitivo o que definitivo afirmei e reafirmei… mas não sou capaz! Não sou capaz de deixar as coisas assim. Mas, acrescento, não estou irritado, nem nada disso, e estou muito tranquilo. Só não sou é capaz de calar.

Resumo:

  • Há um blogueiro que aproveita um post num blog de um deputado italiano, fechado por razões que desconheço, em que se ordenaram (ordenharam?) os deputados europeus por “prestações” quantitativas entre Julho de 2004 e final de 2008.
  • Estou incluído nesse ordenamento, num 718º lugar em 920 deputados, o que é perfeitamente natural pois apenas estive no PE até 11 de Janeiro de 2005, quando transmiti o mandato recebido após as eleições de 2004.
  • Fazendo do quadro a quinta-essência da “avaliação” – se o deputado italiano o patenteou como tal, desconhece-se em que se baseou e que critérios usou –, o blogueiro permitiu-se, com base nele, fazer apreciações depreciativas sobre a minha “prestação” e referir o embaraço que ela criaria e em que eu estaria.
  • Dominando quanto possível a irritação, esclareci que não me sentia nada embaraçado e que aquele ordenamento só se podia basear em dados publicados no “site” do PE, que conheço bem e que, em toda a evidência, o meu posicionamente apenas se podia dever ao curto período em que cumpri o mandato depois prosseguido por Pedro Guerreiro, e a correcção mínima exigiria que se juntasse a minha “prestação” à do meu camarada, tal como a de António Costa à de Manuel dos Santos e a de Fausto Correia à de Hasse Ferreira, pois só assim haveria comparabilidade.
  • O cavalheiro insistiu que não, no pressuposto que o quadro fantasma ponderara tempos, o que seria possível mas incorrectíssimo, além da apreciação susceptível de se fazer do quadro demonstrar que tal não seria o caso e revelar erros apesar de se ignorarem critérios (?)…
  • Apesar de alguma natural crispação, a discussão continuava, por eu pressupor (como sempre faço) existir ao menos réstia de boa-fé, o que disse com a transparência que uso e, também, para me justificar perante quem me aconselhava a “ignorar o homem” e a questão, que, na verdade, não vale os pauzinhos de um caracol.
  • Então não é o cavalheiro traz para a discussão pretensas declarações do Bernardino Soares de aqui há uns anos, sobre a Coreia do Norte, e faz "extrapolações" de que sou alvo?!
  • Ora, não sendo o camarada Bernardino Soares deputado europeu, nem nunca tendo sido, e não estando as posições sobre a Coreia do Norte entre as que se incluam nas”prestações” factuais no europeico areópago, achei comprovada a ausência de boa-fé do senhor, e dei por finda a querela.
  • Reacção do cavalheiro: apaga, precavidamente, os dois últimos comentários – o dele da Coreia do Norte, e o meu de ponto final – diz mais umas coisecas lá no blog dele e, veja-se o desplante!, instala-se no meu blog com um comentário, decerto no intuito de, aqui, continuar a puxar pela discussão, se calhar até me “extrapolar” para "as terríveis malfeitorias" de José Staline, ou para "as tareias que Lenine daria na Krupskaia", ou para o modo como Marx trataria a empregada doméstica".

Acho exemplar. Por isso, fiz o resumo.
E adianto resolução: ignoro o fulano, pode vir aqui comentar o que quiser, concluir o que lhe aprouver, extrapolar o que lhe apetecer… até ao momento em que incomodar outros visitantes do meu cantinho, mais sensíveis a cheiros e ruídos. Quando isso acontecer (avisem-me por favor!), passo a apagar os seus comentários. Em nome da liberdade de expressão que não se dá bem com libertinagem de procedimentos.
Disse.

Reflexões lentas sobre política(s) - 1

A política monetária é – ou deveria ser – parte da política financeira, que é – ou deveria ser – parte da política económica, que é – ou deveria ser – parte da política do Estado-nação, ao serviço do bem-estar dos nacionais, por estes definida e participada.
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Utopia? Não! Porque assim deveria ser. E assim será!
Utopia? Sim! Porque há que temporalizar, e o que será amanhã, com a luta sem data, sem prazos, sem horários, contínua e irregular, pode ser – parecer, aparecer como –, hoje, utopia.
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Toda a política, ou a política em todo e qualquer nível da hierarquização das políticas, se define por objectivos, e se torna política, isto é, acção, por meio de instituições e de instrumentos.
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A política monetária de um Estado-nação tem – deveria ter – o objectivo de, através das suas instituições próprias, organizar e usar os seus instrumentos próprios, para servir a política financeira do Estado-nação.
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Por sua vez, a política financeira de um Estado-nação teria de ter – deveria ter de ter – o objectivo de, através das suas instituições próprias, que articulariam, integrando, as instituições próprias da política monetária, organizar e usar os seus instrumentos próprios, articulando e integrando os instrumentos próprios da política monetária, servir a política económica do Estado-nação.
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Também por sua vez, a política económica de um Estado-nação teria de ter – deveria ter de ter – o objectivo de, através das suas instituições próprias, que articulariam, integrando, as instituições próprias da política financeira, organizar e usar os seus instrumentos próprios, articulando e integrando os instrumentos próprios da política financeira, servir a política do Estado-nação.
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Por último, a política de um Estado-nação teria de ter – deveria ter de ter – o objectivo de, através das suas instituições próprias, que articulariam, integrando, as instituições próprias da política económica, organizar e usar os seus instrumentos próprios, articulando e integrando os instrumentos próprios da politica económica, servir o bem estar dos nacionais, do povo, da gente que compõe esse Estado-nação, e que definiria e participaria a política do Estado-nação.
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Por último? Não! As reflexões continuam. Lentamente. Neste Estado-nação com uma política (e políticas) resultado da relação de forças sociais, de classe.
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continua

terça-feira, abril 28, 2009

Ao que fui forçado!

Tenho andado por ai, pela blogosfera, embrulhado numa discussão com um senhor que, a partir de um blog e de uma classificação das "prestações" dos deputados no PE, feita por um deputado italiano, disse coisas evidentemente erradas, e tirou conclusões "avaliadoras" eivadas de profunda má-fé e primário anti-comunismo, como acabo de concluir em definitivo. Encerrei o episódio, e com ele não perderei mais tempo. Mas, embalado pelas tentativas de esclarecer (enquanto não me provou a sua má-fé), venho aqui anotar que a avaliação tão-só quantitativa das "prestações" dos portugueses eleitos para o PE é impressionantemente esmagadora a favor de quem foi eleito nas listas da CDU.
Quase no fim da legislatura (por isso, ainda sujeito a actualizações), quanto a relatórios, a mais relevante das intervenções, os 2 mandatos PCP fizeram a média de 7 relatórios contra 5,3 da média dos 7 mandatos do PSD, 3,1 da média dos 12 mandatos do PS, 1,5 da média dos 2 mandatos do CDS/PP, e 1 relatório do único mandato do BE; quanto a intervenções no plenário, a média dos 2 mandatos PCP é de 699,0 contra 91,0 da média dos 7 PSD, 138,9 dos 12 PS, 445,5 dos 2 CDS/PP e 41 intervenções do BE; quanto a perguntas, a média dos 2 mandatos PCP é de 335,5 contra 14,3 dos 7 PSD, 41,8 dos 12 PS, 141 dos 2 CDS/PP e 13 do BE.
Para que fique claro, de uma vez por todas - e para quem esteja de boa fé -, contribui para este resultado entre fim de Julho de 2004 e 11 de Janeiro de 2005, isto é, em menos de 4 meses "úteis". Apenas dois deputados - uma francesa e um húngaro, cada um apenas com uma intervenção em plenário e nada mais - transmitiram os mandatos antes de eu o ter feito.
Assim tendo sido, se eu tivesse tido a média das "prestações" quantitativas da classificação aproveitada para se tirarem falaciosas conclusões, em vez de estar no 718º lugar entre 920 deputados deveria estar em 918º, apenas com dois abaixo de mim. Ora a minha "prestação" quantitativa - 1 relatório, 26 intervenções em plenário e 13 perguntas - fez com que, para além do que importa, que é ter contribuído para o mandato que Pedro Guerreiro continuou, me colocou 200 lugares acima do que a proporcionalidade do tempo que estive em funções justificaria.
E só voltarei à questão, de modo nenhum das que merecem atenção prioritária, para actualizar os dados com a legislatura completa, sempre com os "meus números" - inalteráveis - a somar aos que Pedro Guerreiro vai adicionando na única coisa que é comparável com os outros mandatos, o mandato que nós dois cumprimos, eleitos na lista da CDU pelo PCP, em representação dos portugueses.

Aleluta!

Enquanto me vejo embrulhado na quantidade de "prestações", em minudências que não anulam a nossa evidente superioridade, confrange-me a pobreza dos protagonistas e de figurinhas figurantes, a indigência (voluntária) da qualidade das "prestações", assusta-me a perigosidade de algumas perspectivas .
Vale-nos a luta!

segunda-feira, abril 27, 2009

Paro e olho e vejo e penso

Olho casos e, se fosse médico, veria situações clínicas e diagnosticava:
  • analfabetização funcional congénita
  • ou refundação e orfandade soviética

Como não sou médico, reservo para estes o diagnóstico, e penso em hipóteses não clínicas:

  • a - iliteracia e preconceito anticomunista básico
  • b - estupidez e má fé de anticomunismo secundário
  • c - deshonestidade e exposições de anticomunismo universitário

Às vezes...

... às vezes fico muito triste, e mais ainda preocupado, quando confronto o desejo de tanta gente em ver o argueiro no olho do outro, em atirar pedras aos eventuais telhados de vidro do vizinho, gente que não se apercebe da poeira que lhe atiram para os olhos, que não sabe, nem procura saber, de que matéria são feitos os seus telhados.
É evidente que o sinto mais quando o argueiro é no meu olho, o telhado (que não é de vidro!) é de minha casa. O que também me dá que pensar.

domingo, abril 26, 2009

No dia de hoje

Há dias que ultrapassam as suas convencionadas 24 horas (para quem tiver pachorra: ver). Alguns, porque foram assim; outros, porque assim são.
E todos os dias são dias de aprender.
Por causa do dia de ontem, e de um bem dito convite (apesar de eu ser como sou... porque não se ostraciza ninguém) para participar num debate, li, com muito cuidado, um livro (breve nota em "memória do 25 de abril?" ).
Muito nele aprendi, nesta busca permanente de tentar entender as coisas, sobretudo os outros, particularmente os mais novos (quase toda a gente o é, bolas!...).
Uns brevíssimos apontamentos:
  • Em antropologia e áreas similares, não há "amostras" no sentido de representação do universo, por isso escolhidas com intenção de poderem vir a servir para extrapolações... haverá, apenas, aleatória informação por informantes aleatórios... O que isto daria para discutir!
  • Para que serve o conhecimento? Vamos reler ou tresler a última tese de Marx sobre Feuerbach? Ou será que, tal como se separa o ser humano/produtor do ser humano/consumidor e outras f(r)acturas... para uns, o conhecimento pelo conhecimento, para outros, mal-a(r)mados desse conhecimento alcançado pelos uns, a intervenção, a luta pela transformação (do universo) e riscos correlativos?
  • Ucronia? Uma muito interessante palavra/conceito descoberta na leitura: «um curioso fenómeno ucrónico (...) criador de um Portugal paralelo em que não teria ocorrido revolução nenhuma, um Portugal democrático para o qual teríamos caminhado pelas mãos de Marcello Caetano»; a ucronia levaria a uma leitura consensual, oficial, instituída da História em que, «depois de um breve período de confusão causada por perigosos esquerdistas» (que não levaram os desmandos reais e potenciais por diante), período que, laboriosa e insidiosamente, vai sendo apagado, Portugal «"entrou nos eixos" normais (diria eu que "reentrou nos carris do capitalismo") de uma democracia parlamentar ocidental, rumo ao progresso e à paz social (de que, aliás - digo eu... -, neste momento histórico se vêem/vivem/sofrem as circunstâncias).»

Gostei mesmo do debate e, sobretudo, do lastro que deixou!

sábado, abril 25, 2009

sexta-feira, abril 24, 2009

Natureza(s)

O pedras contra canhões, no seu imperiobarbaro.blogspot.com, coloca com alguma frequência (que maior se desejaria) reflexões que são verdadeiros convites… à reflexão.
Numa das últimas abordava o tema da natureza humana, ”natureza humana ou natureza de classe” (ver).
Não entrei na interessante “conversa” que se seguiu nos comentários (19), embora lá tenha colocado um, de passagem, e a “ameaça” de voltar. Como tal não aconteceu, e o tempo passou, venho aqui deixar duas reflexões, retomando coisas que escrevi, há mais de 40 anos, no suplemento de economia do Diário de Lisboa (e passou na censura...).
Ao reflectir e escrever sobre natureza humana, a minha concepção de vida, de natureza e de humano leva-me a acrescentar, sem intenções de entrar em áreas filosóficas, que o ser humano tem uma “primeira natureza”, a animal, integrando-se na meio-natureza global, a partir dessa sua natureza intrínseca.
Ao longo do processo histórico, pelas relações que entre si foi entretecendo, por via do trabalho, o ser humano foi criando uma “segunda natureza”, a social.

Por isso se diz, sem pretensões de aprofundamento filosófico mas, também, sem recuar perante a aparente excessiva facilidade, que o ser humano é um animal social, isto é, tem uma "primeira natureza" a que, ao longo dos tempos vem acrescentando uma "segunda natureza". Houve e há, no entanto, seres humanos muito animais e bem pouco sociais, ou até anti-sociais; e seres humanos há e houve que, de tão sociais, se esquecem que são animais. A "natureza de classe" será uma natureza derivada da "segunda natureza", da social.

quinta-feira, abril 23, 2009

Uma efeméride!

Foi por acaso que vi:
O Decreto-Lei n.º 26 539, de 23 de Abril de 1936 criou o Campo de Concentração do Tarrafal, em Chão Bom, no concelho do Tarrafal, na ilha de Santiago, em Cabo Verde.
Em 18 de Outubro de 1936 partiram de Lisboa os primeiros 152 presos. Com a chegada destes, o Campo da Morte Lenta começou a funcionar em 29 de Outubro de 1936.
Ali morreram 32 prisioneiros, entre eles, em 1942, Bento Gonçalves, secretário-geral do Partido Comunista Português, com 40 anos, depois de muitas prisões e desde 1936 no Tarrafal.

Sempre a aprender!

Tenho andado arredio de (a)postar por aqui. E tem-me feito falta. Mas comprovo a dificuldade de, em correria de um lado para o outro, deixar comentários - ou mais do que isso - de quando em vez. Outros dias virão.
Entretanto, não posso deixar de registar algo de verdadeiramente "moderno" e inventivo na ciência económica e na prática da boa governança.
Tinha eu aprendido nos idos tempos de estudante, de economia e português - que aliás me esforço que se prolonguem por todos os anos meus - que défice (que se escrevia deficit) era uma diferença, o saldo negativo entre receitas e despesas.
E assim tem sido, embora utimamente, nesta derradeira década, tenha aparecido uma clara desvalorização do positivo, das receitas, por maior, muito maior importância se dar ao lado matematicamente negativo, as despesas, numa deriva desestatizante. Menos Estado, menos Estado! Nada de intervir na economia, serviços públicos a servirem menos e menos, direito à saúde a ser substituído pelo negócio da doença, educação gratuita e universal (constitucional!) a ser atacada por despesista.
Até que, ontem, se deu um passo na teoria económica e na tal prática de governaça: explicitou-se que o défice só é verdadeiramente défice, e logo a ter que ser corrigido, se for do lado da despesa; se for do lado da receita, se houver desvios para muito menos do lado da receita, não há nada a fazer, é deixar o défice crescer... não houve desvios na despesa, está tudo bem!
Autores? Com o patrocínio do nobel caseiro da economia, o Doutor Constâncio constante, o afirmativo engenheiro Sócrates, o primeiro.
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Pronto, é assim: sempre a aprender!

segunda-feira, abril 20, 2009

No 2º intervalo

Estou no 2º intervalo do prós e contras, na hora em que o ouvinte sensato e votante potencial deve estar a ir para a cama que amanhã é dia de trabalho, ou só porque se cansou ou apenas porque... são horas de ir para a cama.

Perdem-se ouvintes e, pelo que até agora se ouViu, ter-se-ão perdido eleitores. Os candidatos escolhidos pelo PS e pelo PSD serão, evidentemente, péssimos deputados europeus. Em todos os entidos e, sobretudo, naquele que me preocupa, como português e por isso europeu (por inevitabilidade geográfica).
Isto não é um debate! Eu vou resistir até à entrada na madrugada. Também por algum "masoquismo"...

terça-feira, abril 14, 2009

Em compensação…

Em compensação,
  • a quê?, à anterior mensagem (e respectivos "malévolos" comentários)…
bom!… para compensar, nos passeios em volta do lugar onde estou e vivo, vejo o que não via há muitos anos
  • que digo eu?, há muitos anos?, há décadas!, há quase meio século…
gente nos campos a labutar, terras preparadas e semeadas, vinhas cuidadas, gente, gente nos campos, gente que regressou aos campos
  • ... de onde?, os desses tempos, da emigração, gente que não abriu o fatal cafézito para consumir poupanças; alguns, mais novos, do desemprego, que não é futuro para ninguém; outros, ainda de menos idade, de cursos superiores sem saídas...

Que compensação!,

  • ... isto tem de ser desenvolvido, ó senhores sociólogos, antropólogos, economistas e ofícios correlaticos, isto é, cidadãos (e políticos que todos somos) de hoje com habilitações para fazer desenvolvimentos

cá por mim, o que vejo (re)compensa-me!

E vou tentar desenvolver...

Preocupado!

Palavra que estou preocupado. Comigo e com este blog.

Faço um breve balanço das últimas intervenções aqui feitas, assim a jeito de auto-crítica, e não vejo nada sobre

  • a namorada, a deontologia e a declaração de interesses,
  • o sr. Moreira e as suas prestáveis prestações como putativo eurodeputado,
  • os genéricos e as generalizações,
  • o Bo,
  • o Obama, o Afeganistão e os Obama(níacos),
  • a "fardamentalização" das TFP lá do Algarve (então os TFP podem continuar vestir-se como quiserem?),

... e sei lá que mais!

Estarei a afastar-me da(s) realidade(s)? Terei entrado em "retiro espiritual" por influências vizinhas?

O que me vale (?!) são as tarefas para que os telefonemas me convocam.

35º aniversário do 25 de Abril

Como era
a economia antes do 25 de Abril,
a economia que Abril anriu
a economia em que estamos.
Por onde vai a economia.
Debater a economia,
as "crises" e o futuro.
Sem preconceitos e a partir de diferentes perspectivas.

sábado, abril 11, 2009

Papéis velhos (e reciclados)

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Por mera casualidade, e bem a propósito, tropecei nestes "apontamentos pessoais" de há 5 anos:


Sobre a indigitação de Durão Barroso
para a presidência da Comissão Europeia
Tendo em conta


  • o perfil e o “carreirismo” político de Durão Barroso;
  • a política de direita que levou a cabo a coligação governamental a que presidiu e as gravíssimas consequências para a evolução económica e, sobretudo, a deteriorada situação social em que fez mergulhar tantas centenas de milhar de portugueses;
  • a sua clamorosa recentíssima derrota nas eleições para o Parlamento Europeu, que se juntou à claríssima e crescente contestação e luta social, reforçando-a;
  • quais os interesses (de) nacionais e internacionais que sempre serviu na sua “carreira” política, nomeadamente a vergonhosa “cimeira dos Açores”, contrários aos interesses dos nacionais, trabalhadores e populações, que queremos sempre defender;
  • que não poderá servir na Comissão Europeia o chamado interesse nacional quem em toda a sua “carreira” política, e particularmente na chefia do governo português, não o tem servido, bem pelo contrário!,

A. Considerando a posição do Partido Comunista Português, tal como expressa na última reunião do Comité Central e pelos seus organismos executivos;
B. Considerando, também, a informação dada ao colectivo a que pertencem, e a troca de impressões que se fez nesse colectivo


  • os dois deputados do PCP no Parlamento Europeu vão, patrioticamente, votar contra a designação de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia.
  • depois de dada a conhecer ao colectivo que integram e aos responsáveis pela área nos organismos executivos do PCP, e do parecer conforme destes, deverão fazer uma clara declaração de voto que deverá ser tornada pública.
Assim aconteceu!
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porreiro, pá!, dizem "eles"

quinta-feira, abril 09, 2009

Correcção necessária

  • O que é importante demonstrar é que os eleitos nas listas da CDU, quer para a Assembleia da República, quer para o Parlamento Europeu, são, de muito longe, os mais “produtivos” e os que estão mais ligados ao País, a quem representam.
  • Isso é insofismável, por mais sofismas, e erros e omissões que se cometam.
  • Mas, depois, há o rigor. E, neste caso, quantificar “produção” e “ligação ao País” é tarefa muito difícil e, nalgumas vertentes, impossível.
  • Há, no entanto, uma questão prévia e em que insisto: muito mais significativo que quem fez o quê, é o que foi feito do mandato que os portugueses deram para que os representassem, na AR ou no PE (ou nas autarquias).
  • No PE, em 2004 foram eleitos dois candidatos na lista da CDU – e foram o 8º e o 19º nos 24 mandatos a que cabia a representação dos portugueses (agora passou a 22!).
  • Até hoje, Ilda Figueiredo cumpriu integralmente o 8º mandato, Pedro Guerreiro e eu dividimos o cumprimento do 19º mandato, de acordo com as regras do PE.
  • Nesta legislatura, estive de 20 de Julho de 2004 a 11 de Janeiro de 2005 no PE, e Pedro Guerreiro de 11 de Janeiro de 2005 até hoje, e decerto até ao fim do mandato.
  • O trabalho que fiz deve somar-se ao trabalho que Pedro Guerreiro fez, como, nos mandatos do PS, o de Fausto Correia ao de Armando França, e o de António Costa ao de Manuel dos Santos. E foram as únicas substituições.
  • Só assim é comparável. Não pode entrar nas comparações com o trabalho de outros deputados o trabalho que fiz, e a divisão por meses de mandato é totalmente enganadora.
  • Li, no avante!, que “mesmo Sérgio Ribeiro, que foi substituído em Janeiro de 2005 por Pedro Guerreiro, alcançou em apenas seis meses um ritmo mensal de trabalho que, hoje, no final de mandato, só foi ultrapassado por quatro deputados de outros partidos”, o que está expresso em gráfico.
  • Não gostei!, embora muito valorize o trabalho e quem o fez apesar desta ressalva. E não só, ou sobretudo, por razões pessoais. Os meus “apenas seis meses” foram uma semana de Julho, para distribuição por comissões, eleição de presidente, vice-presidentes e questores, preparação de trabalho para depois das férias, foi Agosto, em que o PE está encerrado 3 semanas, foram Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro, de que apenas metade conta. Em resumo, os 6 meses resumiram-se a cerca de 3 meses e meio para trabalho "contabilizável".
  • Saí em Janeiro de 2005 no cumprimento de compromisso (para comigo) segundo o qual logo que tivesse feito trabalho que justificasse o ter-me apresentado como candidato seria substituído. Tive a “sorte” de “agarrar” e de fazer 1 relatório muito importante sobre as pescas (até Janeiro de 2005 nenhum português teria feito qualquer relatório), 26 intervenções em plenário e 13 perguntas, tantos relatórios e perguntas como o detentor do mandato do BE em todo o mandato até agora!...), e saí satisfeito e tranquilo, na minha consciência e por quem me substituía, e a cuja “produção” deve ser somada a minha assim como as viagens que fiz pelo País todo, particularmente à Madeira e Açores para a elaboração do relatório.
  • Não aceito o confronto com os “quatro deputados de outros partidos” que me teriam ultrapassado em “ritmo mensal”, nem mesmo se, corrigida a duração útil dos meus 6 meses, se verificasse que apenas Manuel dos Santos me ultrapassaria, mas só devido à contagem de intervenções em plenário na condução dos trabalhos como vice-presidente, o que exige ser ponderado.
  • Quem vota na CDU pode estar certo que será representado (como todos os portugueses) por quem trabalha e sobretudo valoriza a sua ligação ao País!

quarta-feira, abril 08, 2009

As palavras saem das bocas.
Há palavras que sujam a boca de quem as diz. Há bocas que sujam as palavras que dizem.
Exemplo? O ministro par(a)lamentar Santos Silva ao perorar sobre democracia... como se fosse dono dela ou se o seu ministério fosse cartório aberto para passar certidões.

As ideias que ficam ou o que fica das ideias e dos factos

Duas ou três… ideias e factos:

Da “mensagem” da campanha do PS para as “europeias” fica, ou pretende-se que fique:

  • que há um homem a eleger (aquele!?);
  • que "ele" e “eles” - aquele(s) "nós" - são “os europeus” (os “outros” serão o quê?);
  • que, para começar, há um candidato (quem?) a opor a Durão Barroso (misturando-se, e não por ignorância, eleições com o que não são eleições mas arranjos, equilíbrios, compromissos, prebendas por bons serviços "açoreanos").
Da reunião do Grupo Parlamentar do PCP, de outras intervenções, e do seu tratamento mediático, pode ficar:
  • que há duas crises (a nacional, que já havia e é culpa do PS, agora, como o é do PSD e do PS e dos governos desde 1976, e a internacional);
  • que a crise não é só uma, que é de hoje, conjuntural, e não da organização socio-económica, que o visível e irrecusável não é senão as explosões periódicas de maior ou menor gravidade, com consequências sociais consoante as políticas nacionais (a crise é do capitalismo, em Portugal com reflexos de maior gravidade económica e social pelo modo como os governos, desde 1976, se demitiram, contra-revolucionária e obedientemente, da defesa da independência e da soberania nacionais);
  • que, para o PE, há Ilda Figueiredo a eleger (quando a Ilda está eleita, e há que lutar para que mais dois ou três da lista CDU o sejam… para irem para lá – e cá! – trabalhar em representação dos portugueses).
Da situação da União(?) Europeia e no País, a partir de dados do Eurostat, publicos desde ontem, sobre o 4º trimestre de 2008, fica:
  • que a “crise”, antes europeiamente negada, está instalada na UE (-1,5% de “crescimento" do PIB no 4º trimestre, depois de -0,1% no 2ºT e de -0,3% no 3ºT);
  • que é mais quantitativamente significativa nos Estados-membros que estão no euro (UE15) que na UE27 (-0,3% no 2ºT, -0,3% no 2ºT e -1,6% no 4ºT);
  • que neste último trimestre se confirmou, e agravou no 4ºT, a desconvergência – o contrário da convergência prometida enfaticamente – de Portugal em relação ao espaço em que fomos integrados há quase um quarto de século (0,2% no 2ºT, -0,2% no 3ºT e -1,6% no 4ºT).

(obrigado, Cantigueiro)

segunda-feira, abril 06, 2009

Papelaria Fernandes - um caso!

Um caso especial? – talvez… é uma empresa que foi criada em 1891, com, portanto, 118 anos.
Um caso exemplar? – talvez… um exemplo desta nova “saída empresarial”, de uma empresa se apresentar à insolvência… para recuperação da empresa.

Um caso com números em euros – 65 milhões de dívida, dos quais 80% a um banco, ao BCP, ausência de activos imobiliários, e uma projecto de atracção de 10 milhões para a recuperação, isto é, 65 milhões + 10 milhões em “arquitectura financeira”, com BCP, Berardo, Fundações, empresas de capital de risco e quejandos.
Um caso com números de (des)emprego? – tem 370 “colaboradores” e, se o “arquitectado” for por diante serão “dispensados” “menos de 100"!… mas estão previstas admissões, não se reduzindo o número de “efectivos”.
Um caso de realismo, com esta “arquitectura”? – com a “arquitectura” projectada, dizem que sim, com o “realismo” de se falar de uma “nova empresa”, sem dívidas e com “três áreas de negócio”.
Um caso de viabilidade económica? – duvida-se, dada a indefinição das áreas de negócio: retalho (lojas) – que está na origem da PF –, técnica para engenheiros e e arquitectos, e “o que se dirige às pequenas e médias empresas”.
Um caso com componentes afectivas? – para mim, seguramente que sim… mas isso fica para o que se pode ver em outro blog, o docordel.blospot.com, onde se pode ler mais uma história ante(s)passada..

sábado, abril 04, 2009

Eu, europeu

Estou em Lisboa depois de apanhar, na 2ª circular, e mais adiante, com uma data de "nós, europeus", a ver se nos apanham.
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Eu... ropeu (que sou!), voto é nestes --->

25 de Abril - 35 anos

16 de Abril - "Arte em Exposição" e "Economia em debate"
22 de Abril - colóquio "Média, Democracia e Liberdade"
na Casa do Alentejo

sexta-feira, abril 03, 2009

Leituras da "crise"

No som-da-tinta, em livros e leituras-desfasadas-da-crise, está um texto sobre este tema da "crise". Terá, talvez, algum interesse.

G19 + 1(UE)?

1. - Acabou a reunião do G-20

2. - Que se deveria ter chamado G-19 +1(UE), porque são 19 Estados mais uma União Europeia que integra 4 dos 19.

3. - E como a UE não estava em representação dos seus Estados não representados, pode dizer-se que, dos 19 Estados, havia 4 Estados que tinham uma representação a valer 1 + 0,25, isto é, a presença da UE a dividir pela Alemanha, pela França, pela Itália e pelo Reino Unido, o que soma 5 em 4.

4. Se se juntar, a esses 4 a valerem 5, os EUA, a África do Sul, a Arábia Saudita, a Argentina, a Austrália, o Canadá, a Coreia do Sul, a Indonésia, o Japão, o México e a Turquia (também posso ter os meus critérios, até de ordem "alfabética ajustada", que diabo...), temos 16 dos 20.

5. Sobram 4, os tais BRIC (Brasil, Russia, India, China) e, nestes, um - a China - cujo orgão oficial do Partido Comunista da China, que desde 1949 conduz a política e a economia do País, lembrava que entre 2003 e 2008 (neste pequeníssimo lustro!) o PIB dos EUA passou de 32% para 25% do PIB mundial, números rigorosamente simétricos dos dos tais "países emergentes", interrogando-se sobre o que mudará no mundo nos próximos 5/10 anos (ver artigo de Luís Carapinha, no avante! de 26.03, O trunfo do socialismo).

6. Mantendo todas as reservas sobre a legitimidade desta reunião, quando anteriores foram noutros âmbitos (1933, no âmbito da Sociedade das Nações, 1944-Bretton Woods, no das Nações Unidas), há que dizer que não será justo etiquetar os 20 como um G(ang)-20, ou 20-Gangsters.

7. Acrescente-se que, no mesmo artigo, se lembra que o Japão - já foi "Estado emergente"... - está em tal estado que o FMI estima para ele um "crescimento negativo" (!?) de 6% em 2009, enquanto para a China o mesmo FMI estima um crescimento (que, julgo eu, só pode ser positivo...) de 6,5%.

8. "O presidente Hu Jintao reiterou recentemente que a liderança do Partido, as vantagens do sistema socialista e os esforços do povo serão determinantes para vencer as dificuldades" (mesmo artigo que, no título, poderia - talvez... - colocar um i entre o r e o u de tr(i)unfo)

9. Do comunicado final, retiram-se muitas palavras e frases, e apenas se sublinha, por agora, a insistência no papel e reforços da instituições reguladoras nascidas em Bretton-Woods, do Banco Mundial e do FMI, que estão umbilicalmente ligadas à evolução da economia mundial das últimas décadas, com os chamados e famigerados "ajustamentos estruturais" por exemplo, enquanto entidades supranacionais do capitalismo em fase de imperialismo.
10. Isto será chamar o "nome aos bois" (sem ofensa, claro...), e outros comentários a tal comunicado final de tal "cimeira" talvez fiquem para mais tarde... mas não nesta madrugada do (à Sérgio Godinho) "primeiro dia do resto da nossa vida".

quarta-feira, abril 01, 2009

G20?

Amanhã realiza-se a reunião do G20. A comunicação social está repleta de referências a esta reunião, etiquetada como decisiva. Porque nela se reúnem os 20 países economicamente mais importantes (seja isto o que for!) do mundo, que como tal se auto-agruparam, e porque o actual momento (histórico sem limites temporais precisos) é… de crise a que é preciso dar uma resposta.
Aqui vai deixar-se uma espécie de glossário para se perceber um pouco do que se está a passar.
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O que é, e quem são, o tal G-20?
O Grupo dos 20 (G20) foi constituído na década de 90, em plena dita globalização, como uma das estruturas de países capitalistas, juntando o G7 (os países mais industrializados: EUA, Canadá, Japão, Reino Unido, França, Itália e Alemanha) mais a União Europeia enquanto entidade supra-nacional, e doze outros países de economias consideradas (pelos países constituintes) como mundialmente importantes: Brasil, Rússia, Índia, China (os BRIC), África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Coreia do Sul, Indonésia, México e Turquia. Critérios? Vários: população, espaço, localização, crescimento económico, petróleo. Direito a associação no plano planetário…
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Bretton-Woods (NU)
Fala-se muito de Bretton-Woods. Mas que é Bretton-Woods, além de ser uma cidade nos Estados Unidos, New-Hampshire? Foi nesta cidade que, em Julho de 1944, ainda antes de acabar a 2ª guerra mundial, se assinou o acordo que tomou o nome da cidade, depois de um encontro de representantes de 45 países que realizaram uma Conferência monetária e financeira das Nações Unidas.
O acordo tinha por objectivo reorganizar a economia capitalista internacional para o pós-guerra. As moedas dos países membros passariam a estar ligadas ao dólar, em condições de se tornar moeda internacional dadas as reservas acumuladas em Forte Knox, estando a moeda dos EUA ligada ao ouro a 35 dólares por onça, e convertível. Assim se criava um sistema monetário internacional, e para que tudo funcionasse sem grandes sobressaltos criaram-se duas entidades de supervisão, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial, o que demonstra que a supervisão não é “ideia nova”, da "globalização" pós-anos 90-.
Deste modo se alterava o sistema do padrão-ouro ao tornar o dólar a moeda central do sistema, embora mantendo-se moeda nacional.
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O sistema padrão-ouro
O sistema do padrão-ouro, prevalecente apesar de várias contingências, tinha “regras de ouro”… em que a quantidade de reservas de ouro de cada país determinava a oferta monetária, que visavam uma situação de equilíbrio na economia internacional de modo a que cada país mantivesse uma base monetária consistente com a paridade cambial, procurando-se contribuir para balanças comerciais equilibradas, com os saldos a serem cobertos, na balança de pagamentos, por transferências em ouro.
Com Bretton Woods, teria começado uma novo sistema monetário internacional, em que o dólar substituía o ouro mas não completamente, sistema que terminou com a decisão de Nixon, de 15 de Agosto de 1971, ao tornar, unilateralmente, o dólar inconvertível por as reservas de ouro dos EUA se terem reduzido excessivamente em relação aos dólares colocados em circulação, mantendo o domínio da economia mundial pelo privilégio monetário, e podendo responder a necessidades de financiamento crescentes como as provocadas, por exemplo, pela guerra do Vietname.
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Capitalismo vazio de sistema monetário internacional
Desde esse dia, não existe sistema monetário internacional, mantendo-se o dólar moeda internacional. E, a partir do final da década de 70, o neo e ultraliberalismo, o monetarismo desbragado, tem imperado na ausência de “regras de ouro” ou de “regras de dólar”, ou de “regras de ouro e de dólar”, chegando-se à actual situação em que as reservas estão polarizadas em alguns países, com os EUA na 23ª posição e a China no topo, com mais de 30 vezes o quantitativo, em dólares, de reservas em dólares e ouro relativamente às dos EUA. Uma situação insustentável por tudo andar à volta de uma moeda cuja ligação a uma base material, à agora tão falada “economia real” cada vez é mais ilusória e sem qualquer fiabilidade (fiduciária).
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A Conferência Monetária e Económica Mundial de Londres, de 1933 (SdasN)
Não é por acaso, por isso, que, neste momento de explosão de crise do capitalismo, os G20 reúnem, e não é por acaso que, com algum desespero, se recorda, nos meios de comunicação social, a Conferência Monetária e Económica Mundial de Londres, 1933, com 66 países e no âmbito da Sociedade das Nações, reunidos para porem termo à desordem monetária e às guerras comerciais e para tentarem, simultaneamente, retirar lições da Grande Depressão (datada de 1929). Conferência em se tanto se esperou dos EUA (e de F. D. Roosevelt). Após vários meses de negociações, foi admitido o seu fracasso e teria sido um passo no imperialismo, no agravamento das contradições de que resultou a 2ª guerra mundial, o enriquecimento e armamentismo estado-unidense, a consagração desta evolução/situação em Bretton-Woods.
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Amanhã, G-20
E aí se está numa encruzilhada. Como noutras se esteve. Em 1933, no âmbito da Sociedade das Nações, em 1944 no das Nações Unidas, hoje (ou melhor: amanhã) no âmbito de um grupo escolhido “a dedo” de 20 Estados. Com as “grandes esperanças” de novo colocadas nos EUA (agora não em Roosevelt mas em Obama). Noutras condições. Nem melhores nem piores, diferentes. Talvez (ainda) mais perigosas para a Humanidade.
Para resumir a actual situação, sem esquecer as “lições da História”, apenas se transcreve a frase de hoje (ou de ontem) de um anónimo identificado como conselheiro de Sarkosi: “(esta conferência de Londres - a de 2009 como a de 1933 - será, ou poderá ser) um falso sucesso cheio de declarações generosas sem consequências".
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Assim vai o capitalismo. E não nos chamem catastrofistas porque lutamos pelo futuro. Pelo socialismo.