sexta-feira, maio 14, 2010

Viagem POR Cuba - 5

A outra componente básica do IDH é a da educação.
E, nesta, a situação de Cuba é ainda mais relevante. Diria mesmo impressionante.
Segundo os indicadores do Programa das Nações Unidas (PNUD), os sete primeiros países no que chamam education index são:
ou seja, Cuba com o índice 0,993, é 1º, com Austrália, Finlândia, Dinamarca e Nova Zelândia, seguidos pelo Canadá (0,991) e Noruega (0989)! (Portugal é o 44º, com 0,929)
Há mais. Muito mais, e só deixo três dados do PNUD, relativos ao seu relatório de 2009.

  • Em taxa de literacia (em percentagem para os maiores de 15 anos), Cuba é o 2º com 99,8%, sendo o último da lista de 151 países o Mali com 26,2% (Portugal, com 94,9%, é o 46º).
  • Em ratio de combinado enrolment (isto é, o processo de iniciar a frequência numa escola, qualquer o nível, para a população em idade escolar), Cuba é o 6º com 100,8%, sendo o último da lista de 177 países o Djibouti com 25,5% (Portugal, com 88,8%, é o 35%).
  • Em termos de percentagem da despesa pública com a educação relativamente à despesa pública global, Cuba está entre os 73º com 14,2%, e o último, entre 138 países, é a Guiné Equatorial, com 4,0%, mostrando-se bem a diferença de estrutura da despesa do Estado uma vez que a intervenção do Esado é muito aior na vida social (apesar disso, Portugal é o 106º com 11,3%.

Mas tudo isto vem do início, das raízes da Revolução Cubana!

«(...) voltemos ao jovem português (que tinha 23 anos em 1 de Janeiro de 1959), ainda pouco mas já melhor informado sobre Cuba, entusiasmado com a sua revolução, participando em debates com a informação possível, leitor do Diálogo com os meninos “discurso pronunciado pelo Doutor Fidel Castro, ao fazer a entrega da antiga fortaleza militar de Colúmbia ao Ministério da Educação”, entrega feita pelo Chefe das Forças Armadas, comandante Raul Castro, ao Ministro da Educação, (voltemos ao) jovem português que começava a ser frequentador da Embaixada de Cuba em Portugal, único território no espaço português sob dominação fascista em que havia socialismo e liberdade.
É verdade. Nesse andar da avenida António Augusto de Aguiar, em cujo prédio se sabia que as nossas entradas e saídas eram vigiadas e registadas pela PIDE, chão livre em terra ocupada por fascistas, o embaixador de Cuba, o companheiro-embaixador Blanco, médico, recebia amigos de Cuba que, com ele e a sua companheira e outros cubanos que lá trabalhavam, bebiam “Cubas livres”, conviviam, conversavam sobre a vida e o futuro.»


Outra citação, de outra fonte (Wikipédia):
«Em 1958, antes do triunfo da revolução, 23,6% da população cubana era analfabeta e, entre a população rural, os analfabetos eram 41,7%. Em 1961 se realiza uma campanha nacional para alfabetizar a população e Cuba torna-se o primeiro país do mundo a erradicar o analfabetismo (segundo dados do próprio governo). Hoje não há mais analfabetos em Cuba. Segundo o The World Factbook 2007, publicado pela CIA, 99.8% da população cubana, acima de 15 anos, sabe ler e escrever.
De acordo com os resultados obtidos nos testes de avaliação de estudantes latino-americanos, conduzidos pelo painel da Unesco, Cuba lidera, por larga margem de vantagem, nos resultados obtidos pelas terceiras e quartas séries em matemática e compreensão de linguagem. "Mesmo os integrantes do quartil mais baixo dentre os estudantes cubanos se desempenharam acima da média regional", disse o painel
, disse o painel.» (Wikipédia).

quinta-feira, maio 13, 2010

MDM - 8º Congresso

Quando se fala de mulheres, tem de se falar de população em idade avançada (ao escrever sobre… idade avançada, começo a gaguejar como quem tropeça nas palavras a escolher).

Como diz Gabriela Salgueiro, no seu caderno As mulheres e o envelhecimento – nº 8 da colecção informar as mulheres, editado pela Comissão da Condição Feminina, 1989:
«A população idosa, constituída maioritariamente por mulheres, é importante em número e proporção. Por isso, as pessoas idosas precisam de tomar consciência da força colactiva que poderiam representar se se agrupassem para defender os seus interesses. E porque o problema da velhice é também um problema político, importa que os idosos tenham em consideração o seu peso eleitoral, como meio de pressão sobre os poderes de decisão, e de exprimir os seus pontos de vista, as sua necessidades e aspirações, os seus valores próprios e reivindicações. E, entre estas, designadamente a revalorização urgente dos seus recursos, a reparação e melhoria das casas em que moram, bem como a constituição de equipas móveis ou itinerantes médico-sociais que prestem no domicílio os serviços que os idosos possam carecer para nele se manterem ou ainda a construção de residências e apartamentos, segundo a fórmula da “independência na interdependência», como habitações integradas em conjuntos ou pequenas unidades adaptadas, mas no seu meio habitual. (…)»
Muito mais se poderia citar deste interessante opúsculo. Fica apenas este trecho, no acompanhar dos preparativos do 8º Congresso do MDM.
E, já que falei de livros, refiro que, na busca infrutífera – de modo algum exaustiva - do Viúvas de vivos, do Joaquim Lagoeiro, outros livros por aqui perto foram aparecendo, a juntarem-se àqueles de que deixei retrato… Este, de Gabriela Salgueiro, o recentíssimo de Joseia Matos Mira sobre a Mariana Balbina Janeiro, Joana Campeoa, A História de Vida de uma Operária da Indústria Corticeira (Prémio Mulher/Investigação atribuído em 8 de Março de 1991 pela Comissão para a Igualdade e Direitos das Mulheres), de Maria José de Sousa Magalhães, Maria Laura Fonseca Fernandes e Olga Guedes de Oliveira, O Descondicionamento da Mulher, de Elena Belotti, Petropólis, 1975 e o "clássico" de Gisele Halimi La Cause des Femmes, Paris, 1973, com uma frase de Simone Beauvoir na “cortina” inicial «On ne naît pas femme: on le devient…».
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Bom Congresso!

Croniqueta de uma frustração (e sua recuperação)

Ando a frequentar a Universidade Sénior de Ourém. Como docente de Economia.
Depois de faltas por motivos imperiosos (justificadas, e aceites com a receptividade simpática - ou benevolente - de que "a sua colaboração, doutor, é de inteiro voluntariado..."), preparei-me, com algum complexo de culpa, para este "regresso".
Apesar de sempre ter privilegiado as questões de actualidade, no entendimento de que o que importa, numa Universidade Sénior, é ajudar(mo-nos) a entender o que se está a passar, e não "perdermos o pé" das realidades, não queria, hoje, ir falar, nem do PEC, nem dos ex-ministros das finanças, nem do euro, nem do Benfica, nem do Papa ali ao lado...
Por isso, preparei uma hora de conversa sobre as "leis do mercado", as "curvas da procura e da oferta"... essas coisas.
Cheguei à cidade, fui ao banco levantar uns euros (enquanto são... e depois?, e como será?, e será possível?, como "cenário" é mais que previsível!), passei pela papelaria a comprar o avante!, cumprindo uma espécie de ritual das 5ªs feiras, de que não abdico e de que não quero que se desabituem, e fui "para as aulas". Nariz na porta!
Pois!... é 13 de Maio e... Papa oblige!
Bom... vim para casa e, para não perder todo o trabalho feito, aqui vai uma parte que me parece interessante e que iria glosar (ou hoje ou na próxima 5ª se tomasse demasiado tempo com as curvas da procura e da oferta).


Paradoxos de Giffen e de Veblen

“Bens de Giffen”

Em tempos, na Irlanda, uma praga devastou as plantações de batatas. Menos batatas, aumento no preço das batatas, de acordo com as leis do mercado. No entanto, esse facto fez a população mais pobre comprar quantidades maiores de batatas.
Como pôde isso acontecer, se, pela lei da procura, se o preço sobe a quantidade adquirida diminui?
É que a diminuição do poder de compra com a aquisição das imprescinídíveis batatas, levou os mais pobres a prescindirem do consumo de carne. As quantidades de carne a que poderiam ter acesso com o dinheiro que sobrava reduziram-se drasticamente. Não lhes ficou alternativa senão completar sua dieta gastando os escassos recursos sobrantes na compra de quantidades adicionais de batatas.
Além das batatas desse tempo na Irlanda, outros “bens de Giffen” têm sido recentemente descobertos, como o arroz ou o pão, em outros continentes e em certas regiões. Se, por algum motivo, sobem os preços desses bens essenciais, os mais pobres vêm-se obrigados a comprar maiores quantidades deles.

“Bens de Veblen”

Por razões diferentes, um outro "paradoxo económico", ligado à violação das leis do mercado, é o da preferência por certos bens mais caros, de consumo ostentatório, como obras de arte, vinhos, perfumes, jóias, tapeçarias e automóveis de luxo (ou até produtos farmacêuticos). São os chamados “bens de Veblen”, com procura preferencial dos produtos de mais elevado preço. Também se pode dar o caso, semelhante a este, de maior a frequência de lojas e restaurantes mais caros, igualmente por efeito de demonstração ou ostentação.

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Ah!, não perdem pela demora... de uma semana!

Viagem POR Cuba - 4








As componentes básicas do indicador de desenvolvimento humano (IDH) são, com todas as reservas que merecem, a do crescimento económico (GDP ou PIB por cabeça), a da saúde e a da educação. Depois, o trabalho do PNUD alarga-se a outras áreas, a que me referirei, nomeadamente à consideração do que identifica como «género»
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Quanto à saúde, o conjunto de indicadores da componente, leva à consideração de um indicador (life expectancy index), em que Cuba ocupa o 32º lugar (com o Chile), logo a seguir a Portugal, ainda a beneficiar de um Serviço Nacional de Saúde que tem sido verdadeiramente agredido, particularmente depois de 2006, a que se referem estes indicadores. Nenhum outro país da região, salvo Costa Rica, está acima de Cuba neste indicador. Quase como pormenor interessante, em relação a um dos sub-indicadores, o da esperança de vida ao nascer (que, aliás, é determinante no ordenamento), Portugal é o 29º, com 78,6 anos e Cuba (com o Chile) é o 30º, com 78,5 anos, seguindo-se-lhes a Dinamarca com 78,2 anos, ficando o Afeganistão em último lugar dos escrutinados (176º) com 43,6 anos.
Ainda nas componentes que servem para avaliar o estado de saúde das populações, pode referir-se que, em relação a crianças com peso inferior ao próprio da idade, Cuba está entre 138 países escrutinados num 15º com os que têm 4% nas crianças com menos de 5 anos nessas condições, com o valor mais baixo no Bangla Desh (138º entre os países com esse indicador), com 48%.
Por último, em relação a saúde, mais um indicador, o da expectativa de vida com saúde ao nascer, em que Cuba fica entre os 32º, com 71 anos, e Portugal entre os 26º, com 73 anos, ficando em último lugar (179º) de novo o Afeganistão, com 36 anos.
Sobre a por todos reconhecida (e utilizada) solidariedade de Cuba nesta área, deve ser impossível traduzi-la em indicadores, pelo que deixo, apenas, uma notícia acabada de ler:

«Nicarágua, 8 de maio (PL) - «A estratégia do governo sandinista em matéria de saúde é a de prestar a melhor atenção sanitária a todos os nicaraguenses e não só aos sectores acomodados, disse o presidente Daniel Ortega.
(…)
No seu discurso, agradeceu a Cuba e a Venezuela a ajuda que dão a Nicarágua nos cuidados sanitária à população e salientou o trabalho das brigadas médicas cubanas que prestam serviço neste país centro-americano.»





quarta-feira, maio 12, 2010

O 8º Congresso do MDM e os livros

Quando procurava o livro de Joaquim Lagoeiro, Viúvas de Vivos, alguns outros livro sobre a

temática da mulher me foram aparecendo - até porque o caos não é tão grande como parece, e eles estavam relativamente perto uns dos outros...- mas, como é habitual, o livro procurado não apareceu.



O 8º Congresso do MDM terminará, no dia 16, com uma festa de solidariedade... a não perder. Se possível!

Delírios e dislates - 7

Uma destas era para ir para Expressamente obrigado a - 2 mas desisti. Preferi trazer as duas para estes delírios, deslizes e dislates. Tudo expressamente!

9. É o fim da crise? Não. Mas é o princípio do fim da crise. (Sócrates, o José, em 17.09.2009, citado pelo Expresso, em 08.05.2010, numa coluna que se poderia chamar a credibilidade pelas ruas da amargura)
Não será que é "esta crise" que é, bem pelo contrário, o princípio do fim?
10.
Naquelas "criteriosas" escolhas dos altos... e baixos do Expresso, o seu responsável (?) resolveu colocar entre os "baixos" um sindicalista - o Mário Nogueira - por uma frase que proferiu "de passagem" e reflecte uma determinação de luta, numa semana em que a Federação Sindical de que ele é secretário-geral ganhou um processo em tribunal por desobediência do Ministério da Educação.
É curioso, não é? O Mário Nogueira nos baixos (e com aquela companhia...), e não a ministra que perdeu o processo judicial por ter desobedecido, não cumprindo aquilo a que estava obrigada para com os professores! Ele há cada critério de avaliação...

Expressamente obrigado a... - 1

Tinha a boa intenção, aquilo de que o inferno estará repleto, de nesta semana apenas dedicar este espaço a Cuba (como pode ser comprovado) e à mulher (como informação ao vivo e pelo Congresso do MDM), além de uma ou outra eventual e ligeira escapatória.
Afinal o homem põe e deus dispõe – não sei o que me está a dar… deve ser contágio! – e não resisto a mensagens sobre a vinda do Papa, coisa em que não tinha a (boa) intenção de pegar.
Acontece que ao ler, como acompanhamento de pequeno-almoço, a papalmando, lá tropecei nos papas todos… e aqui estou eu.
Então não é que não vi nenhuma referência, a propósito do Papa Paulo VI, à recepção que ele deu, em 1970, a Agostinho Neto, Marcelino dos Santos e Amílcar Cabral, na qualidade de dirigentes do MPLA, FRELIMO e PAIGC, em guerra com o Estado fascista português, que os considerava terroristas?!

Transcrevo dois excertos. Um, do útil trabalho da Fundação Mário Soares sobre cronologia, outro. da Rádio Batalha.
Diz o primeiro:

  • quarta-feira, 1 de Julho de 1970
    O Papa Paulo VI recebe Agostinho Neto, Marcelino dos Santos e Amílcar Cabral, na qualidade de dirigentes do MPLA, FRELIMO e PAIGC

    O Papa Paulo VI recebe os dirigentes do MPLA, FRELIMO e PAIGC, respectivamente Agostinho Neto, Marcelino dos Santos e Amilcar Cabral, no termo da "Conferência Internacional de Solidariedade com os Povos das Colónias Portuguesas" realizada em Roma. Tensões entre o Governo português e o Vaticano.


Diz o segundo:

  • Papa/Portugal: Paulo VI foi o primeiro papa a vir a Portugal, mas apenas como peregrino
    (06/05/2010 16:18)

    O primeiro papa que visitou Portugal foi Paulo VI, em 1967, que veio a Fátima como peregrino, recusando fazer uma visita de Estado a um país com uma "política de guerra" nas então colónias africanas, lembra quem acompanhou a visita.

    Paulo VI só esteve um dia em Portugal, a 13 de maio de 1967. Apesar de a visita não ser de Estado, estiveram na cerimónia em Fátima todas as figuras do Governo português da altura, incluindo o presidente da República, Américo Tomás, e o chefe do Governo, António Salazar.

    Segundo Francisco Figueiredo, antigo responsável dos Servitas (grupo de voluntários que ajudam no Santuário de Fátima) o papa não estaria de acordo com as políticas de guerra do Estado português nas colónias e "foi falado na altura que ele queria mesmo destacar a sua vinda como peregrino de Fátima e não como chefe de Estado do Vaticano".

    Em 1970, Paulo VI recebeu os líderes dos movimentos de libertação das colónias africanas de Portugal, Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Marcelino Santos, mostrando o seu empenho no diálogo para a resolução dos conflitos em África
    .
Ai, Expresso, Expresso…

Viagem POR Cuba - 3

Nesta série, um dos aspectos a sublinhar é o da possibilidade que o chamado desenvolvimento humano faculta de se comparar o posicionamento de um país a partir dos indicadores estritamente economicistas, melhor se diria financeiristas, com uma panóplia de indicadores, em que está incluído o PIB/capita como componente mas acompanhado por outros relativos à saúde e à educação. Sendo de referir que todos os indicadores merecem reservas, e nunca se podem substituir à(s) realidade(s): são… indicadores.
Aliás, sublinhe-se também, a inclusão de Cuba nos IDH é muito recente, pois os critérios estatísticos e da contabilidade nacional cubana reflectem a sua específica organização sócio-política, em todos os aspectos da vida social, o que criou dificuldades de compatibilização, que só em 2005 foram vencidos pelos serviços do PNUD.
E se os serviços do PNUD resolveram essa dificuldade, porque fizeram por isso, acontece exactamente o contrário com todo um aparelho de informação e avaliação da realidade cubana que tudo faz para que não seja conhecida no que ela, a sua realidade é, como no caso do sistema eleitoral. Que, por não seguir as normas “ocidentais”, padronizadas como se a democracia fosse assim ou não é democracia, ignoram eleições, como as municipais recentemente realizadas, com processos eleitorais que começam na escolha das candidaturas em que os cidadãos participam activamente, se continuam por actos eleitorais em que mais de 90% dos eleitores participam, em que há segunda e terceira volta quando os eleitos não recolheram maioria absoluta.
Mas… adiante.
Por este sublinhado num gráfico do “sítio” do PNUD se pode ver como Cuba entrou em 2005 e logo acima, e afastando-se da linha de evolução da sua região (América Latina e Caraíbas), que, aliás, a sua entrada fez subir.
Dos 33 países da região, apenas 5 têm IDH acima do de Cuba, ficando, portanto, 27 IDH abaixo do de Cuba. Já no que se refere a indicador de crescimento económico, Cuba tem 21 países da região acima e apenas 11 abaixo.
Um gráfico do PNUD, no seu “´sítio”, ilustra essas posições relativas quando compara a situação de Cuba com a da Argentina, praticamente com o mesmo IDH (51ª posição e 0,863 para Cuba, e 49ª posição e 0,866 para a Argentina) mas com enorme diferença em indicador económico (95ª posição e 6.876 PIB/capita para Cuba e 62ª posição e 13.238 PIB/capita para a Argentina), o que quereria dizer que, em termos económicos os argentinos têm uma média de rendimento económico 92% acima da dos cubanos (quase o dobro) enquanto estão ao mesmo nível de desenvolvimento humano com a ponderação de indicadores da saúde e da educação.
Figure 2: The human development índex
gives a more complete picture than income

[Para Portugal, o país de confronto foi – como o é… desde Eça de Queiroz! – a Grécia (25º IDH), de que se está 9 lugares abaixo no componente PIB/capita e recupera 2 no complexo IDH]

terça-feira, maio 11, 2010

A democraticidade das eleições no Reino Unido

Resultados das eleições no Reino Unido:
  • Os "conservadores" tiveram 36% dos votos e elegeram 48% dos deputados (306):
  • os "trabalhistas" (ainda se chamam assim, depois de Blair?) tiveram 29,0% dos votos e elegeram 40% dos deputados (258);
  • os "liberais" tiveram 23% dos votos e elegeram menos de 9% dos deputados (57);
  • as outras listas tiveram 12% dos votos e elegeram 4% dos deputados (6+3).

Ora aqui está a grande "qualidade democrática" dos círculos uninominais:

35% dos eleitores são representados por 13% dos deputados e, desses 35% de eleitores, 12% (perto de 1 em cada 8!) não tem representação no parlamento do Reino Unido superior a 4% (1 em cada 25 deputados).

Reflexão lenta... e muito curta e funda!

Deus existe? Eu acho que existe em quem, e para quem, tem necessidade dele, e por isso, e para si, o criou. Para mim, deus não existe.
Se, para quem deus existe, o Papa é um homem com o (en)cargo de representar deus, o problema é deles.
Num País que separou o Estado da Igreja, que separou o Estado de qualquer religião, é legítimo que a um cidadão sem deus – isto é, ateu – seja imposta a visita do Papa como visita de Estado para além do que ele é, sem contestação, um Chefe de Estado, de um Estado chamado Vaticano?
Não adiantei nada a tanto já dito e escrito, nos séculos dos séculos? Nem quis! Mas senti necessidade de escrever, eu, isto que aqui está. Hoje.

MDM - Congresso - 1

Este é o programa do 8º Congresso do Movimento Democrático de Mulheres, para que deixei aqui há dias um endosso do convite.Venho de um tempo em que, talvez face às realidades da guerra colonial e da emigração, se começou a dar uma importância diferente à condição e situação da mulher. Decerto também, e sobretudo, pela luta das mulheres e de quem, não o sendo, tomou consciência da inaceitável desigualdade social com base no sexo. Tanta coisa mudou nos anos 60! Como, por outras paragens se vinha tentando. Como se continua...


Não me vou prolongar esta outra referência ao 8º Congresso do MDM, apenas lembrando, de novo, um tempo de noivas-que-nunca-mais e de viuvas de vivos. Como era o excelente título do livro de Joaquim Lagoeiro, de que andei à procura nestas desarrumadas estantes em que fui separando livros sobre a situação e a condição da mulher. Fica, aqui uma primeira amostra:


Viagem POR Cuba - 2


Aqui estou a continuar, em trabalho de casa, algumas pistas sobre Cuba que, de iniciativas em que participei, ficaram por percorrer.
O que é o IDH, em que Cuba está entre os países de desenvolvimento humano elevado (que são 70 entre os 182 escrutinados)?
Segundo o próprio PNUD,
no seu sítio oficial:
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«O desenvolvimento humano é um paradigma do desenvolvimento que valoriza muito mais que o simples aumento ou baixa dos rendimentos nacionais. Assenta sobre a criação de um ambiente social no qual as pessoas podem desenvolver plenamente o seu potencial e viver vidas produtivas e criativas de acordo com as suas necessidades e os seus interesses. As pessoas são a verdadeira riqueza das nações. O desenvolvimento visa por conseguinte alargar as escolhas que se oferecem às pessoas para lhes permitir efectuar vidas que lhes são preciosas. Trata-se, portanto, de bem mais que de um crescimento económico, que é apenas um meio - certamente muito importante - para alargar as escolhas que se oferecem às populações.
O alargamento destas escolhas assenta sobre um elemento essencial: a construção das capacidades humanas, ou seja o leque das coisas que as pessoas podem fazer ou ser na vida. As capacidades mais fundamentais para o desenvolvimento humano consistem em viver vidas caracterizadas pela longevidade e pela saúde, pelo acesso ao saber, pelo acesso aos recursos necessários para atingir um nível de vida decente, e ao ser em condições de tomar parte na vida da comunidade. Sem isto, numerosas escolhas não estão, muito simplesmente, disponíveis e numerosas oportunidades na vida continuam inacessíveis.
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“ O principal objectivo do desenvolvimento é alargar as escolhas que se oferecem às pessoas. Em princípio, estas escolhas podem ser infinitas e podem variar no tempo. As pessoas atribuem frequentemente valor a factos que não transparecem, de forma alguma, ou não imediatamente, nos números relativos aos rendimentos ou o crescimento económico: um melhor acesso ao conhecimento, uma melhor nutrição e melhores serviços de saúde, meios de existência menos incertos, segurança contra a criminalidade e a violência física, tempo livre bem preenchido, liberdades políticas e culturais, e um sentimento de participação nas actividades da comunidade. O objectivo do desenvolvimento é criar um ambiente que favoreça a realização de modo a que as pessoas possam gozar de uma vida longa, sã e criativa.“

Mahbub ul Haq
(Fundador do Relatório Mundial sobre o Desenvolvimento Humano)»
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É este conceito, de desenvolvimento humano, um conceito que se adopte sem reservas? De modo algum. Mas é um conceito que, cheio de boas intenções…, corrige os indicadores economicistas, cada vez mais inquinados da abordagem financista, neo-liberal, a que veio trazer alguma moderação, no ido ano de 1990, a partir do qual começou a ser publicado um relatório anual. Como parênteses, diga-se que o 1º país do ranking ecónomo/financista é o paraíso fiscal e bancário Liechenstein, de 160 kms2. e 35 mil habitantes (pouco mais de 1/3 da dimensão e de menos de 2/3 da população deste concelho de Ourém), de que apenas se sabe do escândalo do recente empate com a milionária selecção portuguesa de futebol, seguido do Luxemburgo, Qatar e Emiratos Árabes Unidos, só depois aparecendo a Noruega, estando os Estados Unidos em 9º lugar.
Actualizando, com as correcções entretanto advindas, e com números de 2007 (para o outono deste ano está anunciada a publicação do 20º relatório – houve um relatório duplo, de 2007/2008 -, com indicadores referidos a 2008, assim se assinalado o 20º aniversário dos IDH), Cuba mantém a sua 51ª posição, que a faz subir 44 lugares relativamente à sua posição relativamente ao indicador, que é componente do IDH, de crescimento económico.

(Portugal? É o 34º país, entre os dois últimos relatórios desceu dois lugares, e é o 42º na escala do crescimento económico. Mas irei continuando a referir os “nossos” números e lugares nestes… rankings que não são de agências de rating.)

continua

segunda-feira, maio 10, 2010

Por memória... para o futuro

Nunca tive qualquer habilidade (ou outra "qualidade" de semelhante jaez...) para ser relações públicas de mim mesmo. Julgo ter, até, uma alergia a essa "qualidade" de que alguns abusam.

No entanto, neste momento da economia portuguesa, ao serem-me lembradas coisas que disse em 26 de Maio de 2008, no programa Prós e Contras, parece-me que elas ganharam maior pertinência e acho que tenho o dever de as relembrar. Talvez por isso, por terem ganho (im)pertinência, não tenho onde as repetir. Tal como acontece ao livrinho que escrevi, com 40 fichas que explicavam porquê o nosso Não à moeda única, de 1997, que é como se não tivesse sido escrito e editado - por edições avante! - quando, hoje, se abunda na referência a "fatalidades" então publicadas como como análises e prevenções, pelo que, hoje, parecem ou descobertas serôdias ou "sopas depois de almoço".

Mas... estamos sempre a tempo, porque o tempo é nosso, é do futuro que, inevitavelmente, virá, embora quanto mais tarde com maiores custos sociais.

(Sérgio Ribeiro no Prós e Contras de 2008-05-26 from Ligtez Enoeses on Vimeo.)

Medidas urgentes?!

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Medidas "urgentes"?

Pedidas por estes ex-ministros das finanças a este ex-ministro das finanças que, agora, é PR?

Deixem-me ver se adivinho...

... essas medidas devem ter a ver com subsídios de férias (não deles), 13º mês (não deles), parar com obras públicas (não aquelas de que possam beneficiar as empresas a que eles dão... colaboração), com subsídios de desemprego (não deles, que bem empregados estão...), subscrição forçada de obrigações de dívida pública (que eles subscreverão com as suas fartas poupanças... desde que sejam melhor remuneradoras que em off-shores e coisas dessas).
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Tudo a Bem da Nação. Ele há cada uns!

A visita de Bento XVI - contra ventos e marés

Contra ventos e marés, contra esta enxurrada informativa, em doses inumanas de ópio moderno, quem quiser ler... que leia!

Viagem POR Cuba - 1

Durante esta semana, sempre por esta hora, vou deixar aqui mensagens a que chamei viagem POR Cuba, à boleia de indicadores de desenvolvimento humano (PNUD-IDH). Porquê? Porque Cuba e a sua Revolução merecem, porque viajar é preciso, porque nós precisamos!






No ano passado, entre as várias iniciativas que comemoraram os 50 anos da Revolução Cubana, coube-me fazer uma intervenção a que dei o título Visão histórica da Revolução Cubana (vista de Portugal e por um português que, a 1 de Janeiro de 1959, acabara de fazer 23 anos). Gostei de a ter feito…
No dia 24 de Abril deste ano, fui convidado a participar numa outra iniciativa sobre Cuba, atacada como sempre e por todo o lado, no cerco que lhe fazem, mas, nesta altura, particularmente numa coisa chamada Parlamento Europeu.
De novo o fiz com grande gosto (e honra). Para isso, me socorri do texto de há cerca de um ano, e em determinada altura, reproduzi:

«Mas… ao fim de 50 anos, destes 50 anos, que País é Cuba? Com o vêem os portugueses, como o vê este português que durante 50 anos acompanhou o seu percurso histórico? Que país é Cuba socialista?
(…)
Mas… apesar do bloqueio, da violência contra si ao longo destes 50 anos, das catástrofes e traições, da exemplar solidariedade, sempre com tudo contra e sempre por todos, Cuba é ou não um País em que o povo vive melhor, melhor hoje que ontem, melhor ali que nos países perto ou longe, um País que tem futuro, um País que é O FUTURO?
Não respondo, que sou suspeito. Mas vou buscar a resposta a um indicador criado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que suspeito não é, ou bem pelo contrário como aquela história de não ser a favor nem contra antes pelo contrário, e também porque ficaria mal o economista que não trouxesse alguns números, não é verdade?
Pois esse indicador, o índice de desenvolvimento humano, coloca Cuba em 51º lugar, entre os 182 escrutinados, o que é muito significativo pois, sendo um indicador que corrige o mero crescimento económico medido pelos PIBs (produtos internos brutos) com indicadores sociais, faz com que Cuba seja, de longe, o que dá o maior salto subindo 43 lugares, pois em indicador exclusivamente económico (ou economicista) estaria em 94º lugar entre os 177 listados neste indicador. (…) Em contrapartida, os Estados Unidos descem 10 lugares entre o seu lugar na ordenação dos PIBs e a do desenvolvimento humano.
Quem escolheu os indicadores para corrigir o estrito crescimento económico foram os técnicos do PNUD, quem fez os cálculos foram os técnicos do PNUD, mas a nós não nos pode surpreender que assim seja uma vez que os indicadores que vêm corrigir a ordenação por critérios estritamente económicos, são baseados em indicadores de saúde e de educação.
E todos sabemos que a educação foi, com a reforma agrária, o primeiro objectivo da revolução, e objectivo alcançado pelo primeiro país do mundo em que se erradicou o analfabetismo e os níveis de literacia e cultura estão entre os mais elevados de todos.
E todos sabemos que a saúde dos seres humanos tem sido tratada como um direito, e um direito de todos os povos e não só dos cubanos, como a solidariedade com os vizinhos e os longínquos o comprova de forma que não é possível escamotear. (…)
Antes de mais porque a educação e a saúde são direitos, como tantas Constituições e legislações consagram mas cujas práticas são as do negócio da doença e do negócio da formação orientada para o serviço dos detentores dos meios de produção.
(...)»
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Continuei a minha intervenção, no dia 24 de Abril, actualizando estes e colocando outros aspectos relativos à realidade cubana e, pronto..., foi mais uma tarefa cumprida. Com muito gosto e utilidade minha.
No final de sessão, fui abordado por camaradas que me puseram algumas questões e desafios e voltei para casa com trabalho para fazer. Insatisfeito com o que tinha deixado feito, como parece ser(-me) inevitável.
continua

domingo, maio 09, 2010

O Grupo dos Nove ex- a caminho de Belém

Bom! Afinal não quero acabar o dia apenas com Benfica por aqui…
Antes de fechar o computador, ou antes de chegar a meia-noite, quero deixar o alerta para o grande acontecimento de amanhã: a ida do Grupo dos Nove-ex a Belém.
Sempre que penso, ou me refiro a este Grupo dos Nove-ex sinto um sobressalto porque me lembro de um ex-Grupo de Nove que, nos idos anos de 1975, pelo verão (que estava quente), teve reuniões, muitas, lá entre eles e ditas (por eles) conspirativas, com o então embaixador dos Estados Unidos – que tinha duplo emprego, coitado… é preciso fazer pela vida! – e com outras personalidades que são também ex-muita-coisa.
Aliás, ao que me parece, este Grupo dos Nove-ex, em que os há de várias proveniências e cores (algumas bem desbotadas…), até incluindo um que já tinha tido funções governamentais lá pelo Ministério de que agora é ex- no tempo de Marcelo Caetano... pois o dito Grupo parece ter tendência para se alargar uma vez que o ministro-das-finanças-que-não-é-ainda-ex revela alguma “simpatia” pelas suas posições, e talvez assinasse um documento que estes 9 eventualmente elaborassem, à semelhança dos 9 de antanho (faz décadas e meia!) aqui lembrados.
Por agora, para amanhã vai ser um encontro em que só ex-pertos das finanças serão 9 + 1, sim, porque, em Belém, a receber os 9-ex está mais 1-ex-disso. E não vai haver surpresa nenhuma porque já estamos fartos de saber o que vão dizer uns ao outro. E já tiveram (alguns) dos resultados pretendidos.
Tudo em família!

Delírios e dislates - 6

Hoje... só dá Benfica! 'Tá bem, pronto!

8. "A alegria é enorme em todo o País, em todos os países de língua portuguesa, particularmente na Holanda, de onde recebi vários telefonemas..."

Compreende-se... o homem estava muito excitado.

Pensamento neste domingo de manhã

Seria muito injusto se o Benfica não ganhasse este campeonato!
Seria muito justo que o Braga ganhasse este campeonato!

E agora? Agora... é o jogo. São os jogos!
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(Quero lá saber!... mas veio-me este pensamento à cabeça neste domingo de manhã. É a vida!)

sábado, maio 08, 2010

Investimento público

Depois de "ouver" os noticiários, a expressão que me ocorre (pode não ser muito... elegante) é que o Governo está a "meter o rabinho entre as pernas" quanto ao investimento público. Não resiste a pressões da (sua) direita, faz apenas os "serviços mínimos" e ao serviço...

Talvez para "ajudar" o "Grupo dos 9 ex-ministros" (esta do "grupo dos 9" o que é que faz lembrar a quem viveu 1975?) que vão a Belém..., ou, sem ironia, para ajudar quem não é nem das economias nem das finanças, deixo apenas este gráfico que tinha entre os meus papeis (julgo que retirado de um dos úteis estudos de Eugénio Rosa), e mostra a recente evolução do investimento público em Portugal e na U.E., devendo lembrar-se que o nosso PIB tem vindo a desconvergir da média dos U.E.27, pelo que depois de 2005 a queda em termos absolutos é ainda mais significativa que a percentual, até porque a tendência "europeia" é, segundo o gráfico, de ligeiro acréscimo:

8 de Maio de 1945. 8 de Maio de 2010!

Em 2007, escrevi esta mensagem:

Terça-feira, Maio 08, 2007
8 de Maio - Dia da Vitória, da Europa, da Paz

Habituei-me, desde a escola primária, a celebrar o dia 8 de Maio como o Dia da Paz, ou da Europa, ou da Vitória. Por isso me custa ver ignorada a data referida ao ano de 1945.
Tanto assim que procurei no "aparelho de busca" que julgo mais eficaz as notações sobre a data. Fiquei perplexo. Havendo quase 5 milhões de notações sobre 8 de Maio (santo do dia: S. Vitor e dia do anjo Daniel...), procurei em 30 páginas, até às 300 notações e apenas numa, da Deutsche Welle, agência noticiosa alemã, encontrei algo que tinha a ver com o que procurava e que valia a busca. E tanto que transcrevo o início do artigo:
«Data da capitulação alemã, o dia 8 de maio de 1945 é de fundamental importância para a História mundial. Pesquisadores a comparam com a Reforma Protestante e a Revolução Francesa. Durante longo tempo, sua importância para a Alemanha do pós-guerra foi um tema controvertido. Nos últimos 20 anos, o questionamento sobre "libertação ou derrota dos alemães" foi substituído pela comercialização da memória da guerra e do Holocausto.

"Agora tremulam as bandeiras da liberdade sobre toda a Europa", anunciou o então presidente norte-americano Harry Truman, num pronunciamento transmitido pelo rádio no dia 8 de maio de 1945, após a capitulação incondicional dos alemães. A data marcou o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. "O mundo agora está livre do ditador Adolf Hitler", acrescentou Truman.»
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Se isto não dá que pensar é porque talvez já tenhamos perdido essa capacidade humana que nos têm vindo a amputar aos poucos, hora a hora, dia a dia, jornal a jornal, notícia a notícia, informação a informação (dada ou escamoteada).
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Assim acabei em 2007.
Hoje, 8 de Maio de 2010, repeti esforços de há 3 anos. Mais baldados. Mais irritados. Mais indignados!

É um autêntico assassínio da verdade histórica!

O que querem apagar, o que querem apagar é o dia 8 de Maio de 1945, o que querem fazer como se não tivesse acontecido é ISTO:

Querem apagar que foi a União Soviética, que foram os povos que derrotaram o fascismo!

O que devia ser dito

Aqui O QUE TINHA DE SER DITO!

Endosso de convite

Endosso este convite a todas/os:
Desde a segunda metade da década de 60 do século passado - porque a realidade da guerra colonial, da emigração, sei lá que mais..., - me despertou para ele, é um tema a que me tenho dedicado. A condição e situação da mulher na sociedade em que vivemos, na vida que é de constante mudança. Em esboço de estudos, em colóquios, em edições, só em reflexões, em lutas (que não podem ser só de mulheres...).
Tenho programada uma série de mensagens sobre Cuba, o IDH (indicador de desenvolvimento humano) do PNUD em que, na mensagem final da série, se tratará do "género"; no plano de actividades da Concelhia de Ourém do PCP, está marcada uma informação ao vivo (a 4ª sessão) sobre "as mulheres num mundo de insegurança", para 16 de Maio.
Espero cumprir o meu programa e ajudar a que se realize o planeado. Entretanto, veicularei aqui o que me possa chegar do Congresso do MDM. Com todo o empenho!

sexta-feira, maio 07, 2010

Delírios e diz lates - 5

José Sócrates, de um palanque francês abaixo:

7, "A especulação financeira contra o nosso país não tem qualquer fundamento económico!"

Ah!, não?, ... mas alguma especulação financeira tem algum fundamento económico?

Farpas

Sua Majestade, o Rei dos Leittões, editou uma mensagem que só posso considerar brilhante! Aconselho, vivamente, a leitura em sua real pocilga.

«Estamos gregos mas de cabeça baixa», diz S.M. (se o meu Partido não tivesse candidato - mas terá! - ainda votaria nele, alegremente!).
É verdade que foi buscar ajuda a Eça de Queiroz e a Ramalho Ortigão, mas isso só o valoriza.
Aproveito a "boleia" de S.M. para acrescentar um parágrafo de As Farpas queirozianas:

«(...) Que querem os senhores que se faça? Sair, fugir, abandoná-lo. O país é belo, sim, de solene paisagem, abundante, rico, todo desejável e habitável. Mas a política, a administração, tornaram a vida aqui difícl. Seria doce gozá-lo, não tendo a honra de lhe pertencer. Só se pode ser português, sendo-se inglês!»


(agora, quase 140 anos depois, poderia substituir-se inglês por alemão ou "europeu")

O apoio ao TGV - 2ª adenda

Porque fiz uma referência de passagem à entre investimento público e despesa pública em que alguns preclaros "colegas" insistem (não por ignorância nem inocentemente), reproduzo dois comentários de um anónimo que são de grande pertinência:
1. «Em economia, investimento significa a aplicação de capital em meios de produção, visando o aumento da capacidade produtiva (instalações, máquinas, transporte, infraestrutura) ou seja, em bens de capital. O investimento produtivo se realiza quando a taxa de lucro sobre o capital supera ou é pelo menos igual à taxa de juros.

O investimento bruto corresponde a todos os gastos realizados com bens de capital (máquinas e equipamentos) e formação de estoques.

O investimento líquido exclui as despesas com manutenção e reposição de peças, depreciação de equipamentos e instalações. Como está diretamente ligado à compra de bens de capital e, portanto, à ampliação da capacidade produtiva, o investimento líquido mede com mais precisão o crescimento da economia.

"Investimento" também pode referir-se à compra de ativos financeiros (ações, letras de câmbio e outros papéis).»

(7/5/10 10:28)
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2. «Despesa pública é a aplicação (em dinheiro) de recursos do Estado para custear os serviços de ordem pública ou para investir no próprio desenvolvimento econômico do Estado.

As despesas públicas devem ser autorizadas pelo Poder legislativo, através do ato administrativo chamado orçamento público. Exceção são as chamadas despesas extra-orçamentárias.

As despesas públicas devem obedecer aos seguintes requisitos:

* utilidade (atender a um número significativo de pessoas)
* legitimidade (deve atender uma necessidade pública real)
* discussão pública (deve ser discutida e aprovada pelo Poder Legislativo e pelo Tribunal de Contas)
* possibilidade contributiva (possibilidade da população atender à carga tributária decorrente da despesa)
* oportunidade
* hierarquia de gastos
* deve ser estipulada em lei.»

(7/5/10 10:30)
Acrescentaria, ou adiantaria, umas opiniões minhas, mas não quero entrar em troca de impressões (forçosamente) especializadas, e parece-me que o fundamental está claro apenas dizendo (não resisto...) que o investimento público é (pode ser, deve ser) despesa pública geradora de riqueza e de receitas públicas, e de emprego.
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E... obrigado, anónimo! que preferia que fosse (ao menos...) heterónimo...

O apoio ao TGV - adenda


Em complemento da mensagem abaixo, porque é justo e ajuda, reproduzo o que um anónimo (salvé!) colocou como comentário em outra mensagem neste blog:

«Anónimo disse...
Jerónimo de Sousa garantiu hoje, terça-feira, que o partido irá apoiar no Parlamento o decreto-lei de concessão do TGV, desde que estejam reunidas três condições que considera essenciais.

"Em relação ao TGV consideramos que devem existir três condições fundamentais: a defesa e modernização da nossa linha ferroviária nacional, que o investimento seja público e que haja incorporação da produção nacional nesse projecto", disse o secretário-geral do PCP.

Jerónimo de Sousa falava durante uma acção de rua junto aos CTT dos Restauradores, em Lisboa, onde esteve para se manifestar contra a privatização dos Correios.

Afirmando que "ainda não conhece o conteúdo do contrato que vai ser estabelecido", o secretário-geral do PCP sublinhou que o partido "é a favor do investimento".

"Precisamos de criar mais riqueza, criar mais emprego com mais investimento público mas com base em condições objectivas que levem a essa perspectiva de crescimento", afirmou. (fonte JN)»

(5/5/10 12:35)

Esta mania de sermos coerentes, de dizer sempre, e em todo o lado, a mesma coisa!

quinta-feira, maio 06, 2010

O apoio ao TGV

Depois de tanto ter passado, em roda-pé televisivo, o apoio do PCP ao TGV, espero que tenha ficado claro - bem como outras coisas - que esse apoio tem 3 condições cumulativas:
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  1. Será no quadro do apoio ao investimento público (por favor, um mínimo de honestidade, srs. economistas de serviço: parem com as confusões entre investimento público e despesa pública!);
  2. Será no contexto da valorização de toda a rede ferroviária nacional;
  3. Desde que o o projecto incorpore indústria e trabalho vivo nacional.

Foi assim que ouvi (o que já tinha lido, pelo que apenas confirmei).

E garanto que estava muito atento, apesar dos esforços da D. Judite para que não ficasse claro o que é claríssimo, e o Jerónimo claramente disse! Como tudo a que respondeu. Com toda a clareza!

As frases e as palavras de/na ordem

Há palavras e frases que são de ordem, como que a meterem-nos na ordem. Variam com as conjunturas e são esquecidas, ou recuperadas, consoante aquelas…
Agora, fala-se muito de poupança, e lembram-se frases que muito populares foram como «no poupar é que está o ganho» e «produzir e poupar». Embora esta menos porque, além de ter sido consigna salazarenta (de 1946, na saída da guerra, e quando se falava de crise…), produzir tem sido verbo abandonado, esquecidos que nos querem de que temos terra e mar e sol e outros recursos, que têm sido sistematicamente (pelo sistema…) desaproveitados na voragem da financeirização.
Agora poupar e poupanças andam por aí nas bocas do mundo…
Os rendimentos (individuais, familiares, empresariais ou nacionais) resultantes das actividades respectivas têm uma repartição: são para se trocarem por aquilo (as coisas materiais e imateriais) que satisfaz necessidades e para serem poupados. Ou seja, R=C(onsumo)+P(oupança) - ou S, de savings. Ora as poupanças – isto é, o que não foi consumido – podem tomar formas de mealheiro, “pé-de-meia”, depósitos em bancos, dividendos, reservas… Em qualquer das suas formas, as poupanças são – sempre – o que sobrou do consumo.
Ora, se alguns rendimentos, salários, por exemplo!, são insuficientes para as necessidades que exigem (ou apelam ao) consumo, não sobram poupanças e pode, até, ter de se recorrer ao crédito (bancário ou outro), o que são poupanças negativas.
Em contrapartida, alguns rendimentos, também salariais mas outros das categorias económicas de lucros, juros ou rendas, podem ser bastantes de sobra para as necessidades dos seus individuais ou colectivos apropriadores e, nestes casos, sobram poupanças, por vezes tão avultadas que escandalosas. Para mealheiro, “pé-de-meia”, depósitos em bancos, dividendos, reservas, em trânsito para aplicações que as multipliquem. Se possível…
Logo, quando se diz que um País, como conjunto de indivíduos, famílias, empresas, tem carência de poupanças não podem estar a referir-se, obviamente, aos indivíduos ou famílias que, nesse conjunto, têm rendimentos abaixo das suas necessidades (reais ou, tantas vezes, estimuladas por infrene publicidade e imitação) e, por causa desse aliciamento, contraíram poupanças negativas, ou das micro, pequenas e médias empresas que não têm lucros quanto mais dividendos e essas coisas. Só se poderia estar a falar daqueles (poucos) indivíduos e famílias e de empresas, ou grupos, a quem sobrou do que tiveram de consumir (e do muito que teriam consumido sem terem de) e, assim, dispõem de mealheiros, “pés-de-meia”, depósitos em bancos, dividendos, reservas, em trânsito para aplicações que multipliquem o que sobrou dos consumos tantas vezes excessivos.
As ideias que andam por aí a preparar terreno, como as de se tornar meses de salários em dívida pública, isto é, em poupanças forçadas, ou outras sofisticadas modalidades, só podem ter algum sentido se se referirem aos que têm consumos excessivos e poupanças (efectivas e potenciais) por e/ou para aplicar!
Isto acho eu… mas sei também que estou a procurar sentido para o que não tem sentido nenhum, como é próprio deste sistema em que vivemos. E em que temos de lutar para viver!

Derrotar uma nova e perigosa ofensiva contra os trabalhadores e soberania nacional

A ofensiva é real, visível, não escamoteável.
Há que reagir!
Se as mordeduras de um cão não se curam com o pêlo do mesmo cão, as políticas que nos trouxeram a esta situação não se corrigem com a continuidade (e agravamento) das mesmas políticas!
Ler comunicado da Comissão Política do PCP.
Vi a foto nos jornais de ontem... mas esta mensagem recebi-a por mail:

Ele há mistérios...

Meus caros eventuais leitores:
Abri a caixa de comentários ao meu anterior "post" e vi que tinha aqui 3 comentários, de visitantes conhecidos e queridos, e mais quatro comentários "estranhos", de anónimos.
Um, reproduzindo um "post" em combate.blogspot.com, do Pedro Namora , e três iguais, "postados" hoje às 13.50, 13,52 e 14.08, de evidente campanha publicitária de um livro.
Usando o meu direito (?) de apagar comentários, resolvi apagar dois dos comentários repetidos (mantendo, contrariado..., um), e apagar também o anonimamente reproduzido do blog do Pedro Namora , com a intenção de fazer um "post" remetendo para o blog do autor (o que faço), com uma pequena nota. Pareceu-me ser a atitude correcta.
Assim procedi. Cuidadosamente.
Pois desapareceram-me todos os comentários!
Verifiquei, depois de ter deixado este texto como comentário na página com 0 comentários, que os três comentários iniciais reapareceram. Ele há mistérios...
Por quanto tempo beneficiaremos desta "liberdade" de usar a blogosfera para comunicar o que nos está vedado noutros espaços?

quarta-feira, maio 05, 2010

Reflexões lentas... de luta

Olho à minha volta e vejo gente assustada. Mesmo que o meu ver possa motivar reservas por querer ir dentro e não se ficar pelas epidermes. E acho que é mais que desonesto, que é criminoso o que nos estão a fazer.
Vamos lá a ver se nos entendemos. Aquilo que eu vejo é o receio de perdermos o que se julga ser - porque nos querem convencer que é - um privilégio, uma regalia, uma benesse. Pois não é!
Tomemos os salários, os subsídios de desemprego, as reformas.
1. O salário é pago porque houve um contrato – explícito ou não –, a partir do qual o trabalhador trabalha (emprega a sua força de trabalho) ao serviço de um empregador durante um certo tempo dos dias da sua vida, em determinadas condições, cumprindo tarefas que lhe são destinadas pelos empregadores e seus colaboradores, a crescente parte destes também assalariados para cumprirem a tarefa de coordenar, articular, enquadrar, o trabalho de todos.
2. Se não houvesse esse tempo certo – o horário – e essas condições determinadas, estar-se-ia ainda na escravatura, em que o hoje dito empregador se servia de todo o tempo de vida do trabalhador nas condições que entendesse melhores para si, sem constrangimentos.
3. Foi por existir esse vínculo contratual – explícito ou não –, em que uns trocam o emprego da sua força de trabalho por um salário que recebem e passa a ser seu, e outros trocam o salário que pagam – e seu deixa de ser – pela apropriação (ou uso) do que os outros cumprirem como tarefas, que as condições dessa relação foram sendo estruturadas para além da simples troca.
4. Assim, uns descontam parte do que recebem para assegurar que, se vierem a não ter onde empregar a sua força de trabalho, terão um subsídio de desemprego, devendo os outros contribuir para essas reservas com uma parcela que não incluem nos salários que pagam e lhes dará o direito também a esse subsídio se como assalariados se considerarem.
5. Também o mesmo se faz para assegurar as reformas, como via de manter os rendimentos de quem passou a idade de trocar horas de emprego da sua força de trabalho por salários.
6. E, diga-se, esses descontos e taxas para-salariais não têm nada a ver com obras públicas e outras funções do Estado para que há os devidos impostos – IRC, IRS, IVA.
7. Há quem chame a isto “modelo social”. Será… É, sim, o resultado de uma negociação – explícita ou não – entre uns e outros, no contexto social em que coexistem, e depende, evidentemente, da relação de forças em presença.
8. Houve períodos na História em que essa relação de forças foi tornada favorável (ou menos desfavorável) aos trabalhadores, até porque o panorama internacional não tranquilizava os que trocavam meios monetários por si adiantados por força de trabalho de outros, que os recebiam como salários. Pelo que o tal “modelo social” se estruturou como cedência não-voluntária de uns e conquista de outros, sem alteração qualitativa da relação de forças.
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Quero eu dizer com isto que os subsídios de desemprego e as reformas não são favores ou dádivas, não têm nada a ver com TGV e IIIªTT, e que, em vez de estarmos todos assustados porque nos pode ser retirado o que resulta de nossas contribuições, teríamos era de pedir contas a quem aplicou especulativamente esses fundos assim criados, e pretende manter as suas manigâncias financeiras, e aumentadas – sempre aumentadas – as suas taxas de acumulação do capital, seja sob que forma for.

Quem consome demais?

Juntando-se a outras vozes (parece um coro!...), o presidente da AEP (Associação Empresarial Portuguesa) terá dito:
  • "vamos estimular a poupança e contrariar um problema nacional grave que é o de consumirmos demais e vivermos acima das nossas possibilidades".
Mas quem é que consome demais e vive acima das nossas possibilidades (e direitos!) actuais, datadas de 2010?
Eu, tu e nós?,
ou ele, vós e eles?

Esta NÃO!





Para descontrair (ou talvez não...)

Isto está a transformar-se num “Museu de Horrores”.
Ainda se fosse um “Museu de Cera”… é que neste as imagens beneficiam as figurinhas e os figurões, e eles estão quietos e calados.
E nem vou ilustrar o "post" com fotografias ou vídeos recentes. Poupo-vos...

Anteontem, tinha sido o Silva Lopes, com uma papada e uma gesticulação que (francamente…) me impressionaram e entristeceram.

Ontem, foram buscar um dos ex- que vai a Belém, o Miguel Beleza. E o facto visível é que o homem não está bem. Os anos e os excessos não perdoam. Já da última vez que estive com ele, e já fez anos..., o achei completamente "fora do prazo de validade", mas ontem a imagem era bem pior. E se falo de imagem, junto-lhe também a linguagem, que, em tempos, tinha alguma graça, por muito que dela se discordasse.
Até fui consultar o Google, e descobri que o devem ter ido buscar à Caras, ou a outra revista deste género, de que não o sabia frequentador, para mais... com “casos” (ou ocasos?).
E, se bem que não me agradem as abordagens de cariz pessoal, não resisto a juntar estes dois títulos que o “aparelho de busca” me trouxe:

  • “Só drogado assinaria a Ota e o TGV” - Miguel Beleza
    Revista Invest, 05.01.2009 - entrevista
  • “Miguel Beleza Tavares condenado por tráfico de droga”
    Jornal de Notícias, 19.01.2007
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Não é o mesmo Miguel Beleza. A um, falta o Tavares… ou ao outro sobra o Tavares.
Mas que tem graça, tem. Eu achei…

terça-feira, maio 04, 2010

Esta NÃO!

... e as outras também NÃO...

Os ex-... e uma maneira de fazer política

Agora, são os ex-ministros das finanças. Vão ao ex-primeiro ministro, que das finanças é além de ser presidente da República. Fazer o quê? Fazer política!
Não será uma nova maneira mas é uma maneira nova na utilização do prefixo ex-.
Serão 9 ex- a fazer pressão para aumentar a pressão que está a ser feita.
Como o primeiro-ministro, que ainda não é ex- nesta modalidade, conservou, da sua incursão rápida pelo keyneseanismo e ataque ao liberalismo, uns resquícios, aliás vultuosos, chamados TGV ou CGV, IIITT e, embora se fale menos, NAL, é por aí que o atacam os seus parceiros-adversários (ou vice-versa). Agora, com a ajuda do ex-ministros das finanças em reunião com o PR (ver tradução de abreviaturas abaixo), tudo a fazer pressão. Para quê? Para fazer política...
Não basta o PEC e as privatizações acop(u)ladas, não basta a prioridade absoluta (e exclusiva) para o ataque aos assalariados, aos desempregados, aos reformados e pensionistas. Na mesma onda de política de imagem, vá de levantar toda a poeira ali para Belém, com o barulho do "toque a rebate" dos ex-ministros, agora que podem contar com uma imagem que chega a passos de coelho. Passos comedidos qb.
Vale (para) tudo. Mas, no fundo, tudo colimado no alvo para que não encontro outra designação que não seja luta de classes.
Obsessão cá minha? Talvez... mas que bem alimentam e fundamentam todos os ex-, alguns deles ex-disto que eu sou (mas não obcecado... acho eu).
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Siglas:
  • TGV ou CGV - trains-trens ou comboios de grande velocidade
  • IIITT - 3ª travessia sobre o Tejo
  • PR - presidente da República
  • NAL - novo aeropoto de Lisboa
  • PEC - programa de estabilidade e crescimento (2010-2013)... pois está claro!

segunda-feira, maio 03, 2010

Prós quê?...

Num simulacro de debate, num programa de televisão em que ex-ministros falavam como banqueiros, em que gestores privados (ou privatizados, ou privatizáveis) falavam como ex-ministros, em que economistas falavam como gestores privados, em que banqueiros falavam como gestores (desses), em que todos falavam dos políticos como de raça maldita que nunca tivessem sido (t'arrenego), em que até havia um nuestro hermano, numa conversa desnorteada que reflectia o caos em que os ex-ministros, os banqueiros, os gestores (desses), os economistas políticos e os políticos económicos - todos da mesma área (da grande área que vai do CDS ao PS com o PSD no meio), como se só ela existisse -, em que cheguei a ter tido pena (é verdade!) de ouvir alguém com honrado passado entaramelar falas que parecem ser ouvidas com reverência e muita frequência, em que se falou carinhosamente (mas não só...) das parcerias público-privadas, apanhei esta frase (que não garanto reproduzir tal-qual dita) que me levou, consolado, a tirar o som do aparelho, para só os ver gesticular:
  • «O Estado tem andado a esterilizar os riscos para os privados, garantindo-lhes taxas de lucro elevadas, guardando para si todos os riscos!»

Ou seja, insisto à minha maneira..., obrigando-nos a todos nós, que somos este Estado, independentemente do estado em que está, a alimentar os elevados lucros privados.

A "ajuda" à Grécia

Foi decidida, dizem as notícias.
Foi decidida a "ajuda" da UE à Grécia, a partir de percentagens calculadas com base na participação de cada Estado-membro da zona euro no Banco Central Europeu.
Foi decidida essa "ajuda", como disse o "nosso" ministro, para vir em socorro do euro, que é a "nossa" moeda.
Foram laboriosas negociações, com intervenção activa do FMI, numa cerrada discussão (e - só! - aos mais altos níveis), em que coube à Alemanha-Merkl ter o papel difícil (perante as opiniões públicas, com relevo para a própria), num quadro informativo completamente inquinado pela perspectiva financeira. Procurando apagar, subalternizar, ou tornar meras dependências do défice orçamental, todas as outras. Que as há!
Foi decidida a "ajuda" à Grécia, dizem eles, por volta dos 110 mil milhões de euros (mais euro menos milhão), e cabe-nos 2 mil milhões (mais milhar menos euro) nessa "filantrópica" partilha de "sacrifícios". Apetece perguntar quanto caberá à Grécia quando for decidida a "ajuda" a Portugal.
Tudo isto tem contornos caricatos. Foi (e é) uma negociação de máquina de calcular na mão e olho na televisão... a ver as manifestações do 1º de Maio em Atenas.Por agora, não comento mais.
Deixo, apenas, o gráfico acima, em que o indicador IDH (Indicador do Desenvolvimento Humano) do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), um indicador que pretende corrigir (timidamente mas pretende...) os indicadores estritamente (e estreitamente) económico-financistas, com dados da educação e da saúde, mostra que a Grécia, ou os gregos..., estava mesmo a abusar, se calhar à custa (ou com o custo) de um endividamento para que tinha(m) sido aliciada(os) para se conterem os salários em baixa para que os lucros financeiros se mantivessem em alta desmesurada.
Segundo os últimos IDH, a Grécia já estava a ultrapassar a linha de evolução da média da OCDE, que é o grupo dos países desenvolvidos (é curioso que o gráfico do PNUD não considere o grupo União Europeia, mas sim o conjunto CEE mais CIS, isto é, a Europa alargada e sem fronteiras bem definidas pois, por exemplo, inclui a Turquia, e não autonomiza um grupo-região Estados Unidos, ou Estados Unidos mais Canadá, amalgamado no grupo OCDE).
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Tanta coisa para fazer pensar...

domingo, maio 02, 2010

Delírios e dislates... ao serviço - 4

Neste dia dedicado, inteirinho, a Ourém, soube que a Câmara de Ourém vai oferecer ao Papa uma medalha de ouro comemorativa do centenário das aparições. Paulo Fonseca, Presidente da Câmara, explicou à Rádio Renascença que se trata de um exemplar único de uma edição limitada feita propositadamente para este efeito, e disse mais. Disse que:

“É uma medalha de ouro porque trata-se de Sua Santidade, um Chefe de Estado. É uma honra para nós sermos visitados pelo Santo Padre. É uma honra que deve ser marcada desta forma”.
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Sua Santidade, Chefe de Estado, Santo Padre... não será demais para um homem só?

sábado, maio 01, 2010

Informação de/no avião - 2


«Por detrás do risco financeiro, um risco político e social elevado»!
Pois... e atacar prioritariamente os países de risco social elevado. É preciso "domesticar"!

No texto, esta "pérola", que deveria abalar os "espíritos patrioteiros": «José Manuel Barroso, o presidente da Comissão, mostrou-se mais uma vez incapaz de fazer o trabalho mínimo de coordenação».
E estoutra: «(...) Dificuldades que, como Dominique Strauss-Kahn (director do FMI) lembrava quarta-feira, nas nossas colunas (La Tribune), provém do afundamento das receitas fiscais (...)»
(e isto não resultará do afundamento da economia real, do afundamento das procuras internas, do afundamento do poder de compra dos trabalhadores, para quem o endividamento está no limite?).
Uma ultima: no tratamento país a país, para Portugal o título é Portugal em greve!
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Atenção: marcada uma reunião cimeira do Eurogrupo (reunião dos ministros das finanças da zona euro, com vista a coordenar as politicas económicas) sobre a Grécia, para 10 de Maio.

Informação de/no avião - 1

As crises nacionais que minam o euro?
Pois... mas não será antes este euro (e quem dele se serviu e serve) que veio minar as economias nacionais?

Por todo o País, por todo o Mundo

O "nosso" é aqui: