domingo, janeiro 08, 2012

Para este domingo

Pedro Osório (17.07.1939/05.01.2012)
- sempre música, músico até ao fim

sábado, janeiro 07, 2012

De hoje para hoje

de "dias de agora":

07.01.2012

Um dia que vou procurar que seja de trabalho disciplinado e aturado, de preparação da iniciativa da Concelhia do PCP de Ourém, de amanhã.

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Com o mínimo de “diversões”…

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Ou seja, só aquelas que tiverem de ser

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Que, aliás, já começaram, ainda não são 9 da manhã – e desde as 7 me organizo mentalmente para isto – porque o Mounti não me queria deixar sair da cama e não está a comer nada.

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O que este gato nos ocupa, afectiva e efectivamente!

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Nada – ou pouco – de internet, nada – ou pouco – de outros trabalhos e ocupações pendentes, nada – ou só o que para “isto” contribua – de “dias de agora”.

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Vou tentar.

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E começo pelo nome dado à iniciativa: INformar

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Gosto, e pode servir para um balanço (em série) do que tem sido, ao fim e ao resto, uma parte das mais significativas de toda a minha já longa vida.

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A de comunicar, de transmitir aos outros o por mim vai sendo dado por adquirido, com as dúvidas de quem tem algumas certezas, aprendendo, aprendendo, aprendendo. Com os outros!

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E ando “nisto”, diria sistematicamente, há mais de 40 anos, desde os anos 60, em tudo quanto é sítio, das mais variadas maneiras.

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E se escrevi “sistematicamente” será o momento – meu mas também, julgo eu, histórico – de “pôr um pouco de ordem" no que tenho feito, durante mais de 40 anos, ao sabor das “conjunturas” e iniciativas de outros, correspondendo, sempre disponível, a convites e a convocatórias, desde a mais pequena colectividade de bairro ao Tribunal Constitucional ou a instância supranacional, nenhuma delas para mim mais importante que uma outra.

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Esta da Concelhia de Ourém talvez seja a primeira de minha iniciativa e, por isso, esta… preparação.

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Três questões prévias irei colocar aos meus companheiros de INformação:
• Todas as minhas contribuições serão em muito resumido e não mais que para apresentar tópicos e abrir pistas;
• A preocupação de cumprir um programa à partida excessivo e, por isso mesmo, a ter de respeitar horários (a começar por mim, claro);
• Não sendo exclusivamente orientado para os novos militantes do Partido (sendo aberto a quem quiser participar), terá estes em particular atenção e deles se pede particular atenção e… espírito de sacrifício para me aturar.

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Serão quatro exposições/palestras, do máximo 45 minutos, a que se seguirá igual tempo de esclarecimentos e debate para cada uma.


sexta-feira, janeiro 06, 2012

O funambuloso Portas

Ei-lo, em todo o seu esplendor!

A agência Lusa distribuiu ontem, dia 5 de Janeiro de 2012, a notícia:

"O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros anunciou hoje a aprovação em Conselho de Ministros de oito novos contratos de investimento no valor de 221 milhões de euros que permitirão criar 280 postos de trabalho."

Logo soaram os tambores, se soltaram os sinais de fumo e ecoaram as trombas.
E, claro, Paulo Portas apareceu, impante, a fazer o seu showbiz.
A comunicação social abriu-lhe as portas e ele portas adentro... Ele, o senhor ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, o incentivador dos investimentos e do emprego.
Foi um fartote.

Com uma pedra na engrenagem  Um jornal, o Jornal de Negócios , traz um destaque


e tem uma página de notícia 


e, no texto, entre muita outra coisa, pode ler-se uma declaração:

"... o que se passou hoje [ontem] foi um mero formalismo administrativo..."

Formalismo e funambulismo.
O homem é formalmente funambuloso!

Breves, ridículas e vexatórias

1. Beneficiando da funda argumentação da "instabilidade fiscal" para justificar deslocalizações de sedes de empresas e grupos, os trabalhadores vão invocar "degenerescência da legislação laboral" para poderem mudar as suas residências fiscais para outros países da U.E.

2. Os (raros) "médicos de família" e outros esculápios vão ser armadilhados de telemóveis, fornecidos pelo ministério das finanças (a troco de um preço moderado, claro), que serão os únicos a poder ser usados para contactos com os utentes (ou fregueses), e que estarão dotados de um sistema de registo rigoroso para efeitos de colheita de taxas moderadoras e evitar imoderadas consultas por telefone (ó, sôtor, o medicamento que me receitou hoje provocou-me alguma diarreia, é normal?)

O electricista Calhordas

É de ficar com os olhos em bico!
Depois de se ter falado que a nova "ponte de comando" da EDP, por via da venda aos chineses, iria ter eventuais mexidas, parece que, pelo menos a curto prazo, não se vai mexer no Mexia.
Mas, em contrapartida, alterou-se a composição dos orgãos, com a introdução de uma peça fundamental, o conhecido privatizante e negociante Catroga - e nuns assessores ou acessórios -, cujo vai ser, evidentemente,  uma enorme mais-valia para a internacionalização de economia portuguesa (é assim que se diz?), pelo reforço que irá ter nas (suas/dele) reformas.
Este Coelho tira cada "mano" da cartola!
Diz-se também que a cerimónia da posse foi antecipada por uma questão de economia imposta pela troika: para aproveitar umas sobras de canapés e uns fundos de garrafas de champane que tinham ficado da passagem do ano e dos cumprimentos do corpo diplomático, 

De 36 meses a 22 a 24 meses!

Mais uma!
O "mi(ni)stério social" tormou público que o período máximo de concessão do subsídio de desemprego passa a ser de 22 a 24 meses.
Era de 3 anos (36 meses), havia um projecto de o reduzir a 26, foi decidido ficar de 22 a 24 meses.
Estes fulanos estão mesmo a "esticar a corda"!

quinta-feira, janeiro 05, 2012

TDT - Um negócio com impactos directos para a vida das pessoas

TDT - um negócio desastroso para todos
... menos para alguns

Intervenção de Bruno Dias
na Assembleia de República
Quinta, 5 de Janeiro de 2012


criar dificuldades
...para VENDER soluções

Esclarecer e mobilizar




Hoje é 5ª feira............






Entre a Grécia e a Espanha...

... fica Portugal, numa aberração geográfica e pobre "conduto" de uma lamentável sandwich. Verdadeiramente entalado. Desde Martim Moniz será uma vocação nossa...

Com a maior urgência

Campanha Nacional do PCP
«contra a exploração
e as alterações à legislação laboral»
Quarta 4 de Janeiro de 2012

Jerónimo de Sousa, na apresentação da Campanha Nacional do PCP de esclarecimento e mobilização dos trabalhadores contra a exploração e as alterações à legislação laboral, afirmou que, os trabalhadores, o povo e o País estão a ser sujeitos a uma brutal ofensiva que visa satisfazer as pretensões do grande capital.

quarta-feira, janeiro 04, 2012

Acima das nossas possibilidades (e necessidades)...

Numa curta viagem, de centena e meia de quilómetros, tivemos dificuldade em cumprir o itinerário (um GPS não nos teria ajudado, ao que cremos...).
Embora não fosse a primeira vez, resolvemos anotar as AAA que percorremos. Se não nos enganámos nas notas - porque tinhamos de estar atentos às sucessivas, e por vezes contraditórias ou confusas, placas indicativas! -, andámos (por ordem decrescente) pela A48, pela A47, pela 29, pela A17, pela A14, pela A8 e, claro, pela inevitável A1. Deve ter-nos escapado alguma...
Não há dúvida que, no que respeita a infra-estruturas rodoviárias, sucessivos governos decidiram, ou consentiram, ou concederam, ou condescenderam, acima das possibilidades (e das necessidades!) nacionais.
A bem da nação? Assim seria se o bem da nação se confundisse com os interesses de grandes construtoras e não fosse o caso de uma inaceitável promiscuidade contra a nação?
Podem algumas delas falir, e provocar desemprego e outros graves problemas sociais e regionais, que houve quem tivesse posto a salvo chorudos lucros oportunisticamente arrecadados..  

A inversão (ou perversão) das coisas

Ouvido na televisão (e confirmado noutros lugares):

«O governo não enviou aos deputados
o relatório sobre as "secretas"
por conter segredos do Estado»

Ter-se-á esquecido o governo (e a maioria dos deputados) que o governo não é representante eleito dos cidadãos mas que os deputados o são?
Que legitimidade tem o governo para decidir o que é e o que não é segredo do Estado?, para decidir o que podem os deputados conhecer ou não?
Que Estado de direito é este, que se submete, submisso, ao estado da direita?
Não há uma instância que lembre o que parece (ou se faz) esquecido?, o Tribunal Constitucional, por exemplo?
 

O marginal e o essencial

Para além de todo o aproveitamento marginal sobre a Jerónimo Martins (a juntar ao "barulho" à volta de relatórios "secretos" e Maçonaria), que possa distrair da agressão a que o povo português está a ser sujeito, há que apontar e actuar sobre o que é essencial:

Declaração de Honório Novo, Deputado
PCP apresenta medida para combater a fuga de capitais
Terça 3 de Janeiro de 2012

Face ao anúncio da empresa Jerónimo Martins de deslocalizar parte dos seus capitais para a Holanda com o objectivo de fugir aos impostos, o PCP apresenta uma iniciativa legislativa para impedir a fuga de capitais para o estrangeiro.

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URL de origem (acedido em Quarta 4 de Janeiro de 2012): http://www.pcp.pt/pcp-apresenta-medida-para-combater-fuga-de-capitais

terça-feira, janeiro 03, 2012

Duas brevíssimas

... tiradas do écran...
  1. A Jerónimo Martins não foi vendida, vendeu-se (à Jerónimo Martins...)
  2. Não se percebe a estranheza por um relatório secreto sobre secretas ter partes que foram tornadas secretas...

O futuro não é (só) amanhã

Entre a chusma de comentadores destes nossos conturbados tempos poucos são os que, naquilo que debitam papagueando, dêem indícios de pensar. Procuro seguir, humildemente, a lição/exemplo de Marx que nunca desprezou o que outros tinham pensado ou estavam a pensar, por maior que fosse o desacordo. E aproveitava, e de que maneira!, o que eram reflexões alheias para testar, melhorar e prosseguir as suas próprias reflexões.
Por isso, entre a chusma de comentadores que nos são impingidos à maneira de inundação, leio e reflicto sobre o que alguns (raros!) dizem e escrevem. Entre eles, quase excepção, Nicolau Santos no Expresso-Economia.
O homem pensa. A meu juízo (nunca como juiz...), NS não sai das tamanquinhas do pensamento económico burguês, debate-se como abelha no lamaçal provocado pelas chuvadas, mas… pensa. Pensa nesse quadro e espaço… e, por vezes, espreita para além dele.
No seu último a Cem por Cento , dedica o editorial, na sequência de outras escritos, à "privatização" da EDP. Que considera, do seu ângulo de visão, “um enorme erro estratégico”. E prova.
Segundo ele, o Governo perdeu-se nas vantagens de curto prazo, ignorando as “desvantagens catastróficas a médio/longo prazo”. É claro que NS não belisca as privatizações, está inteiramente solidário com a agressão da “troika” enquanto mal mais que necessário, indispensável, não põe um dedinho do pé fora do sistema a preservar. Mas denuncia, meio espantado, o que não é mais que uma manifestação das contradições do sistema, da sua vocação autofágica.
Ou seja, não terá percebido que, para perceber o sistema (que capitalista se chama), há que sair dele, há que dar, ao menos, uma voltinha pela critica da economia política (assim se sub-títula O Capital, em correspondência com tudo o que levou ao marxismo… que continua) .
Por isso, e por dentro, o comentário de NS, sendo limitado, é muito útil porque mostra – ele pensando e meio perplexo... – como funciona o sistema.
Nesta subjectiva leitura, encontra-se uma falha, e grave, no seu texto. Fala de enorme erro estratégico como se, numa operação destas, houvesse apenas uma estratégia, a “nossa” e mais nenhuma. Ora há que pensar (e NS pensa...) que a China também tem uma estratégia. Que não é a de vir em socorro da demência monetarista euro-dolarizada, mas a de a aproveitar para mais penetrar na economia real e, também, menos ficar na dependência das contingências das enormes reservas que as dinâmicas internacionais a levaram a acumular. Dólares, euros, outras divisas? Substituir, quanto possível por ouro e empresas ligadas, ou ligáveis, à economia real. A EDP veio mesmo a calhar.
Escreve NS que “as vantagens de curto prazo podem ser desvantagens catastróficas a médio/longo prazo” mas apenas vê “este lado”. E poderia, sem de “este lado” sair, acrescentar que o futuro não é amanhã, é hoje e depois de amanhã!

E, já agora, feche-se este comentário com o título do editorial de Nicolau Santos neste último Cem por Cento: "O nosso horizonte é vermelho”. Ah!, pois é…

3 de Janeiro

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Adenda à notícia interessante...

Será que os trabalhadores dos Pingos Doces podem passar a receber os salários em país onde as taxas de IRS sejam mais baixas que em Portugal?

Uma notícia interessante...

Bolsa


Dona da Jerónimo Martins
vende totalidade do capital
a subsidiária holandesa

A Jerónimo Martins, dona dos supermercados Pingo Doce, anunciou hoje que a sociedade Francisco Manuel dos Santos vendeu a totalidade do capital que detinha no grupo à sua subsidiária na Holanda, mas mantém os direitos de voto.

Em comunicado enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o grupo informa que "no passado dia 30 de dezembro de 2011 a sociedade Francisco Manuel dos Santos SGPS vendeu à sociedade Francisco Manuel dos Santos B.V. (subsidiária), que comprou àquela, 353.260.814 ações da sociedade aberta Jerónimo Martins SGPS, representativas de 56,136 por cento do capital social e 56,213 por cento dos respetivos direitos de voto".

Assim, a sociedade Francisco Manuel dos Santos SGPS "deixou de ser titular de qualquer ação da sociedade aberta Jerónimo Martins SGPS".

No comunicado, a Jerónimo Martins informa que a sociedade Francisco Manuel dos Santos SGPS domina a subsidiária holandesa "por poder exercer os correspondentes direitos de voto nos termos do acordo parassocial",

Deste modo, os direitos de voto inerentes às ações da Jerónimo Martins SGPS, objeto da compra e venda anteriormente mencionada "permanecem imputados à Francisco Manuel dos Santos SGPS SA".

@Lusa

Perceberam?
Eu também não. Ou também sim.
São negócios...
Deve ter sido a bem da nação...

D. Cavaco IIº - o equitador

Cavaco Silva, no seu segundo mandato (não contando os mandatos como 1º ministro de má memória) ouviu de alguém a palavra equidade e gostou do som, ou a descobriu no dicionário, nalguma esporádica leitura de um livro à mão.
Desde então, da audição ou do encontrão, Cavaco Silva anda encantado. Eis a palavra para o homem: equidade! Referida, sempre. aos sacrifícios a pedir aos portugueses.
No caso de ter sido naquela tão impressiva - como insólita por rara - leitura que descobriu a palavra, foi pena que não se tivesse deixado levar pelo entusiasmo e visto, no dicionário, todas as palavras que começam por equi, o que nos pouparia o esforço para não fazer graça, decerto demasiado pesada para se colar ao "supremo magistrado da nação". Não obstante ele estar a merece-las...
Vejamos:
Quer equidade nos sacrifícios dizer igualdade?, mas que igualdade?, igualdade igual em quantidade ou igualdade proporcional, isto é, em percentagem das respectivas posses?
E não deveria a equidade ser a montante, a partir daquilo que obriga SEXA a pedir sacrifícios equitativos?, ou seja, não deveria o Estado ser equitativo, justo!, na exigência de participação nas receitas aos cidadãos, empresas, grupos, jogadores de bolsa e outros especuladores, por forma a que todos tivessem garantidos os seus direitos constitucionais? À saúde, à educação, ao tr,abalho e á vida!
Pedir equidade nos sacrifícios é quase obsceno quando os sacrifícios resultam de uma total ausência de equidade, que levou à necessidade de exigir sacrifícios. Isto partindo da interpretação benévola ou pachorrenta de que não se trata mesmo de tudo armadilhar para que haja "inequidade" em tudo, e também nos sacrifícios, para que os trabalhadores e as populações paguem com língua de palmo o desfruto precário (onde houve) do que  foi propagandeado que seriam os direitos, enquanto, sem qualquer equidade, se concentrava riqueza nas mãos de cada vez menos.

domingo, janeiro 01, 2012

Começar de novo... sempre!



Começar De Novo

Ivan Lins

Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido

Começar de novo e só contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Sem as tuas garras sempre tão seguras
Sem o teu fantasma, sem tua moldura
Sem tuas escoras, sem o teu domínio
Sem tuas esporas, sem o teu fascínio
Começar de novo e só contar comigo
Vai valer a pena já ter te esquecido
Começar de novo...


Começar de novo?...
SEMPRE!
Mesmo sem ser depois de dias maus!
Mesmo depois de dias bons!
Mesmo depois  de aprender a contar contigo,
de aprender a contar com os outros.
Começar de novo,
sempre!

Intervenção de Margarida Tengarrinha na sessão promovida para assinalar os 50 anos do assassinato de José Dias Coelho por agentes da PIDE

odiario publicou a intervenção de Margarida Tengarrinha na sessão realizada nos 50 anos do assassinato de José Dias Coelho.
Já nos referimos, aqui, a essa intervenção. Com o enorme respeito e a admiração que nos suscitou ao ouvi-la. Ao vê-la reproduzida na íntegra, queremos transcrevê-la. Aqui vai, com um nó na garganta e um agradecimento no punho erguido.

José Dias Coelho
- cinquenta anos depois da sua morte

Margarida Tengarrinha

Esta é, com toda a probabilidade, a última vez (sim, a última vez... porque já tenho 83 anos), que participarei numa cerimónia de homenagem ao Zé, recordando-o, neste dia 19 de Dezembro em que foi brutalmente assassinado.
Por isso, e porque o camarada Jerónimo certamente abordará a sua biografia como militante comunista, eu falarei dele num registo mais íntimo: a intimidade criada em mais de uma dezena de anos em que partilhámos desde as lutas estudantis e pela Paz às tarefas comuns, desempenhadas juntos na clandestinidade, de fornecer documentação falsa que defendesse os camaradas da vigilância da PIDE, de procurar renovar graficamente os documentos e a imprensa partidária, de iniciar um arquivo fotográfico do Partido e a partir dele redigir “A Resistência em Portugal’, assim como suportarmos juntos a ausência da família e dos amigos, a dolorosa separação da nossa filha, mas, juntos também, a felicidade do nascimento da mais nova e descobrirmos a alegria das pequenas coisas com um sabor intensificado pela austeridade do dia-a-dia, as festas de amor vividas com a força de não sabermos se, na madrugada seguinte, bateria à nossa porta uma brigada da PIDE a sobressaltar-nos na cama e a separar-nos. A constante ameaça da prisão.
Mas foi muito mais dura do que isso a separação imposta pelo crime que ali, na rua que hoje tem o seu nome, o tomou mais uma vítima do fascismo.
Não o vi depois de morto, só soube da sua morte no dia em que o enterraram. Não fiz, pois, o que se chama “o luto” e por isso arrastei dolorosamente ao longo dos anos coisas por dizer, remorsos por não ter dito, lamentos que não expressei.
Hoje, cinquenta anos passados depois da sua morte, vem-me claramente à ideia aquele livro de Anna Seghers – “Os mortos continuam jovens”. Porque a verdade é que, nem eu, nem ninguém que o conheceu poderá recordá-lo de outra forma que não seja aquele homem na força da vida, jovem e entusiasta. Sim, os mortos continuam jovens e ele, jovem para sempre.
Jovem e “sem vocação para a morte” como disse Eugénio de Andrade no poema “Discurso tardio à Memória de José Dias Coelho”:
"...Morre-se de ter uns olhos de cristal,
morre-se de ter um corpo, quando subitamente
uma bala descobre a juventude
da nossa carne acesa até aos lábios..."
Ou ainda, como o seu grande amigo José Cardoso Pires afirmou na primeira homenagem a José Dias Coelho logo a seguir ao 25 de Abril, na Sociedade Nacional de Belas Artes em 19 de Junho de 1974, dia em que, se fosse vivo, o Zé teria feito 51 anos:
“Sabemos que é um capítulo, ódio ou máscara do medo, a morte imposta aos militantes da liberdade. Mas sabemos igualmente que é dela que o fascismo faz moeda própria e alimento essencial, que onde haja exploração do homem está ela, a morte, disfarçada de comum e natural, e que, irmã traidora da fome, tem na guerra, em todas as guerras, o seu lucro mercenário. (…) É a morte, morte, sempre a morte, que aparece como exibição imperialista de orgulho e de poder. Por isso é que os verdadeiros revolucionários amaram e defenderam a vida com o risco do último sacrifício e entre esses, Dias Coelho, o meu amigo de longe e para sempre. Poucos como ele tiveram tão saudável e empenhado gosto de viver, e raros, raríssimos, usaram de tão serena tolerância no desejo de compreender e lutar”. Assim falou dele o amigo José Cardoso Pires.
E tinha razão, mesmo para além do que directamente conhecia. Gosto de viver, desejo de compreender e de lutar poderia ser uma biografia sintética do Zé.
E de lutar em diversas e variadas lutas, começando pelas suas intimas e não confessadas. Uma batalha que se inicia a partir de dentro de si próprio, entre a sua passividade de artista contemplativo que se expressava nos seus desenhos de uma simplicidade procurada e depurada, as suas “Líricas” e outros desenhos intimistas, mas por outro lado, como defensor activo do neo-realismo, uma arte militante e de combate, uma arte do povo, pelo povo e para o povo, pela qual se exprimiu também em muitos dos seus trabalhos de desenho e escultura.
Foi talvez na gravura “Morte da Catarina Eufémia”, gravura empenhada e revolucionária, mas de um claro lirismo, que melhor conseguiu a difícil simbiose entre o lirismo que lhe era próprio e a arte militante e de combate, que defendia.
Quanto ao seu desejo de compreender, o seu desejo de compreender tinha expressão na ideia de que, em qualquer momento da história, qualquer que seja o contesto social e político, é essencial compreender os homens. Foi essa sua característica pessoal que o levou a estabelecer relacionamentos não só com os intelectuais ligados ao Partido Comunista, mas ainda com muitos outros que, fora da organização, aceitavam colaborar em acções comuns, tal como disse o meu irmão, José Manuel Tengarrinha, acentuando que: “o prestígio de Dias Coelho e a confiança que lhes merecia [aos intelectuais sem partido], foi um importante factor de alargamento da frente intelectual antifascista, que nunca permitiu espaço de manobra e de credibilidade aos intelectuais servidores do regime.”
Isto no período da guerra fria e das tentativas de isolamento do Partido Comunista. “É nestas condições [diz o meu irmão], que podemos avaliar as grandes dificuldades do trabalho político desenvolvido por José Dias Coelho e o mérito da sua influência no campo intelectual”.Eu posso testemunhar que, no decurso das várias tarefas e na vida partidária, o Zé nunca abandonou esse desejo de compreender. E assim, nos dois últimos anos da sua vida, foi para ele como que um deslumbramento esclarecedor a alteração crítica à linha do Partido desenvolvida a partir da fuga de Peniche, realizada no dia 3 de Janeiro de 1960.
De facto, desde Janeiro de 1960, mais concretamente a partir da reunião extraordinária de Fevereiro desse ano e, com a aprovação dos documentos “A tendência anarco-liberal na organização do trabalho de direcção” e “O desvio de direita nos anos 1956-1959″, na reunião do Comité Central de Março de 1961, desenvolveu-se em todo o Partido um vivo debate critico (em que nós participámos activamente) ao desvio oportunista de direita e, consequentemente, à errada concepção da possibilidade de derrubamento do fascismo por uma qualquer “solução pacífica”, hipótese que era admitida desde fins dos anos 50 e tornada oficial a partir do V Congresso do Partido, realizado em Setembro de 1957.
A crítica foi dura, mas clara e lógica: - dado o carácter da ditadura fascista, determinada a manter o poder e resistir até ao fim por meio de uma política de repressão feroz, não era possível manter a ilusão de “uma transição pacífica” que vinha a ser admitida no Partido, por influência do chamado “Relatório de Kruchov” e desenvolvimentos posteriores a partir do XX Congresso do PCUS.
A orientação de que o derrubamento do fascismo só poderia ser efectuado por meio de uma solução violenta, uma insurreição popular, a luta do povo em união com os militares revolucionários, vencendo e destruindo o aparelho militar e repressivo fascista, viria ser aprovada no VI Congresso, juntamente com o Programa para a Revolução Democrática e Nacional. Quando o VI Congresso se realizou, em Setembro de 1965, já o Zé tinha morrido e o Congresso prestou-lhe uma sentida homenagem.
A rectificação ao desvio oportunista de direita, sem ilusões de saídas pacíficas, em cuja discussão o Zé participou activamente, deu-lhe a clara consciência do caminho real, muito duro e difícil, que se apresentava pela frente, que havia que assumir e enfrentar - o caminho da prisão e da tortura, da morte e do sangue derramado.
Ele sabia, portanto, os perigos que enfrentava.
Hoje, como então, os oportunismos tiram força à luta e aos combatentes, porque iludem a realidade e não perspectivam nem o caminho, nem apontam claramente os objectivos.
José Dias Coelho deu a vida, consciente dos perigos que enfrentava e certo de que a sua luta conduziria ao Portugal socialista pelo qual, morreu.
19 Dezembro 2011


Obrigado, Margarida!

A mensagem a ser dita e ouvida

Hoje, 1º de Janeiro de 2012
Aqui, Portugal

Um novo cartão do cidadão - do cidadão mendigo ou desvalido

Uma ideia para o dia de hoje, 1º de Janeiro de 2012:

Dada a enoormidade das medidas que, durante o ano, nos vão cair em cima - as já tomadas, e que a partir de hoje serão efectivas, mais as que pairam como ameaças ou raios (pairam... o raio que os parta!) -, há que fazer qualquer coisa. Além da luta, claro! 
Neste dia de fraternidade universal (não deveriam sê-lo todos?), hã que  encontrar meios ou forma de expeditamente se provar que se tem direito ao acesso às isenções que o governo, magnânmo, colocou e vai colocar em anexo caritativo às (mal) ditas medidas. Mal ditas medidas porque são desmedidas.
É verdade que na simplificação informático-burocráticas já todos temos de ter um cartão de ciadadão, que veio substitur o obsoleto bilhete de identidade. Assim (e de outras maneiras em que nem se quer pensar) estamos todos fichados (o que daria rimas por onde não se pretende ir...).

A ideia é a de que, uma vez que o cartão do cidadão não tem tudo - não pode ter tudo! -, que há dados numéricos identificadores para além do nº de identidade civil, do nº de identificação fiscal, do nº de segurança social, do nº de utente de saúde, como o da nº da ADSE (enquanto houver), o nº da carta de condução, o nº de eleitor, o nº do partido (da maioria alternante... faz jeito!), um outro cartão se fizesse:
o cartão de mendigo
ou, para se ser mais macio na formulação,
o cartão de cidadão desvalido.
Seria o cartão do cidadão sem valimento, desprotegido, desajudado, desamparado, isto segundo o dicionário e como adjectivo, ou desgraçado, aquele que não tem valimento como substantivo masculino (ou feminino se for cidadã) também segundo o dicionário.
Esse cartão teria grande préstimo para casos como os de urgências nos hospitais podendo evitar problemas resultantes de taxas (mal) ditas moderadoras, e muitos muitos outros que se irão multiplicar.

Seria um cartão bis do cidadão, ou um cartão do cidadão bis.








Para este domingo, 1 de Janeiro de 2012

para este domingo, para este mês, para este ano, para o futuro

sábado, dezembro 31, 2011

Amanhã, começa 2012

A partir de amanhã, haverá um aumento médio das portagens superior a 4%.

A partir de amanhã, os estabelecimentos comerciais que estiverem abertos já terão de aplicar a todos os produtos as novas taxas do IVA previstas no Orçamento para 2012.

A partir de amanhã, os trabalhadores receberão menos e pagarão mais impostos e outras alcavalas.

A partir de amanhã... tanta coisa nova (e má) a acompanhar o ano novo!

A partir de amanhã, A LUTA CONTINUA!

A economia cubana

Não vou, evidentemente, aprofundar aqui o tema. No entanto, a breve noitícia sobre o OE de Cuba para 2012 levantou algumas questões que são pertinentes.
A economia cubana é uma economia em que o papel do Estado é completamente diferente do papel do Estado na economia portuguesa.
Não obstante estarem a verificar-se mudanças na economia cubana, que importa seguir com muita atenção e cuidado (sobretudo pelos cubanos, claro), o papel do Estado na economia é determinante, e o desempenho do que são as funções sociais do Estado ao serviço da concretização dos direitos dos cidadãos é decisivo. Pelo que se relevou a notícia de que o OE  de Cuba gasta mais de metade em educação, saúde, cultura e desporto.
No caso de Portugal, apesar dos imperativos constitucionais, é evidente há 35 anos que os sucessivos governos não assumem o papel que o Estado lhes impõe como funções sociais, a não ser cumprindo, de "má vontade", aquilo a que a relação de forças sociais os obriga, e o seu papel na economia tem vindo a perder a constitucional função motora, com os negócios e as privatizações a prevalecerem, e por forma que chega a ser chocante quando fazem festa e gala de uma "privatização" como esta da EDP que mais não é que colocar uma "área de negócio" nas mãos de um país outro, por via do leilão de uma parcela que o Estado detinha em empresa com um objectivo social que não seria o de multiplicar capital financeiro. O que parece que será uma empresa estatal chinesa a ter vocação para o fazer. Estranha "privatização"...
Mais de metade em gastos sociais num orçamento que  é proporcionalmente muito mais elevado (em termos de percentagem do  PIB), como é o caso cubano, não é comparável com metade em áreas sociais num orçamento que é proporcionalmente muito mais pequeno, e se pretende que definhe.
Por outro lado, e isso também é relevante, a intervenção do Estado cubano na economia e nas áreas sociais passa por estimativas que são de crescimento de +3,4% do PIB para 2012 (auto-criticando-se por não ter atingido os previstos +3% de 2011, ficando-se em +2,7%), e o caso de Portugal em que a última publicação do BP (22.12), estima uma queda de -1,7% para ao 3º trimestre de 2011, e é melhor não dizer nada sobre qual o valor negativo esperado para 2012, porque o de ontem é amanhã corrigido em baixa , apesar da "excelência" do ferramental estatístico português e "europeu". E ninguém se auto-critica.
Para terminar - e longe demais se terá ido -, quem quiser informar-se melhor sobre os dados e perspectivas da economia cubana, tem os links http://www.prensa-latina.cu/index.php?option=com_content&task=view&id=463343&Itemid=1 (Cuba: Crecimiento económico y prioridad social para 2012) e http://www.prensa-latina.cu/Dossiers/LineamientosVICongresoPCC.pdf (Lineamientos de la política económica y social del Partido y la Revolución).


sexta-feira, dezembro 30, 2011

OUTRA INformação - orçamento para 2012... de CUBA

Cuba investe no povo

A Assembleia Nacional cubana aprovou, na semana passada, o orçamento do Estado para o ano de 2012, no qual se prevê que metade do total dos gastos sejam com Educação, Saúde, Cultura e Desporto.

Para a economia, o governo de Cuba estima um crescimento na ordem dos 3,4% cento do PIB.

Galiza - 5 - Este parte, aquele parte - Rosalía e outras amizades


Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão

Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não têm pai

Coração
que tens e sofre
longas ausências mortais
viúvas de vivos mortos
que ninguém consolará





(música de José Niza)

Esta curta passagem pela Galiza foi como que uma visita a família e a amigos. Não para cumprimento de rituais, mas porque dessas visitas precisamos para melhos nos conhecermos e entre-conhecermos.
Quando se diz, ou escreve, que estamos de "costas voltadas" com os nossos vizinhos da península em que coabitamos, é verdade e é falso. O litoral de Portugal estende-se naturalmente para norte pela Galiza, pelas rias e os caminhos até Finisterra, a Galiza prolonga-se para sul, pelo menos até ao Porto, uma "capital-sul" da Galiza.
É a geografia que as vivências quotidianas, ancestrais, humanizadoras (que nem sempre o são) não contrariam, nem com fronteiras, com preços de combustíveis, IVAS e portagens. Que pontes de todo o tipo reforçam. 
No roteiro Castelao (nome maior do nacionalismo galego) por Rianxo, sua cidade natal, o presidente de concelho, que conduzia a visita com conhecimento e sensibilidade, quando descobriu de onde éramos (porque será que estou sempre a revelá-lo?...), lembrou quase comovido a recente visita do seu grupo a Ourém, e nós lembrámos uma muito antiga visita, porque com muitas décadas, da Banda de Ourém a Vigo.
Mas, para não nos perdermos por lembranças e saudades pessoais, deixa-se este quase nosso hino dos anos 60, dos versos da Rosalia de que o José Niza fez canção para o Adriano cantar, e que tão actual se renova, por males nossos, nestes tempos de agora, e uma referênciaà Fundação Bautista Alvarez, promotora da iniciativa em que participámos e de que trouxemos, no plano dos contactos pessoais, o que fortalece as lutas comuns, o brevíssimo e tão rico contacto com a presidente, Pilar Garcia Negro, que se junta ao tão amigo e hospitaleiro acolhimento dos camaradas Duarte e Montse.
De "costas violtadas"? Não. De mãos dadas na luta pelo melhor futuro nosso.

quinta-feira, dezembro 29, 2011

Outra informação - medida da desigualdade mo mundo

Cerca de 1% (um por cento!) da população mundial detém aproximadamente 57% do total da riqueza.

De acordo com as estimativas mais recentemente divulgadas, os 20 % mais ricos possuem 83% de toda a riqueza criada, enquanto que os 20 % mais pobres não vão além de 1%.

Só durante o ano de 2009, o número de multimilionários passou de 793 para 1011, e as respectivas fortunas aumentaram metade do seu valor. Indicadores referentes a 2004 revelam que as três maiores fortunas equivaliam ao PIB de 48 Estados soberanos.

O Programa Mundial para o Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) estima, por outro lado, em 50 mil milhões de dólares a cifra necessária para erradicar a fome no mundo. O valor representa pouco mais de 1% do total gasto pelos Estados desde 2007 para sustentar o sector financeiro, ameaçado de colapso pela crise em que se encontra imerso o sistema capitalista e que esse mesmo sector provocou.

Também segundo a ONU, em 2005 calculava-se que 100 milhões de pessoas viviam nas ruas, número que, na actualidade, estará já muito ultrapassado.

"Natal da UE", por conta do BCE

em avante!:




Natal da UE
Jorge Cadima

O Banco Central Europeu deu uma prenda de Natal aos colegas banqueiros: a oferta ilimitada de crédito à banca por três anos, com juros de apenas 1%. A banca pode emprestar esse dinheiro – com juros bem maiores – aos governos, enchendo o sapatinho à custa do contribuinte. O retomar deste escandaloso negócio veio acompanhado de mais prendas: foram diminuídas as exigências de reservas (que a banca tem de ter na sua posse) e flexibilizadas as regras para as garantias bancárias junto do BCE (Telegraph, 20.12.11): a banca pode despejar no BCE mais «papel tóxico» de valor nulo. Num único dia, mais de 500 bancos foram buscar quase 500 mil milhões de euros. Um economista citado no Telegraph (21.12.11) diz que o montante emprestado «é equivalente a quase 1,5 vezes os títulos de dívida que a Espanha e a Itália terão de emitir em 2012». Para os estados só há dinheiro com juros usurários, em troca de sangue, suor e lágrimas. Para a banca, o dinheiro corre como champanhe. Como seria de esperar, as bolsas e mercados «de risco» tiveram um dia de «exuberância» (Telegraph, 21.12.11).

Se o Natal da UE para os banqueiros foi uma borla no casino, para os povos é bem amargo. Os portugueses sabem-no bem. E a Comissão Europeia também: segundo o Financial Times (23.12.11) «um novo estudo encomendado pela Comissão Europeia [...] afirma que as medidas de austeridade concretizadas em Portugal em 2010 foram «claramente regressivas», fazendo com que nas famílias mais pobres a redução dos rendimentos disponíveis tenha sido maior, em proporção, do que nos lares mais ricos». Um gráfico que acompanha a notícia indica que nas famílias mais pobres com crianças, a quebra foi da ordem dos 9%. Mas exigem mais. Dos martirizados gregos querem dezenas de milhares de despedimentos no sector público, mais cortes de salários e privatizações. Na Irlanda – onde já cortaram os salários da função pública em média 14% – haverá novos «cortes orçamentais de 3,8 mil milhões de euros – mais perturbações no sector público, cortes no subsídio de família, propinas estudantis drasticamente mais altas, e um aumento do IVA para 23%» (Telegraph, 5.12.11). A chanceler Merkel elogiou a Irlanda como em «magnífico exemplo» para a saída da crise. Mas os dados mais recentes referem uma queda do 1,9% no PIB do 3.o trimestre (12,5% desde o início da crise) e desemprego nos 14,3%.

Quem acredita na propaganda da UE não perceberá porque se insiste em políticas tão desastrosas. É simples. Há quem lucre com a miséria dos povos. A luta de classes, longe de ser uma coisa do passado, nunca foi tão intensa em solo europeu desde os tempos do nazi-fascismo. Mas há outro dado: as classes dominantes revelam-se incapazes de controlar a sua crise. Foi elucidativo o espectáculo de ataques mútuos entre ingleses e franceses após o fracasso da Cimeira Europeia (um vice-editor do Daily Telegraph, Jeremy Warner, fez um post de título «o único problema da França é que está cheia de franceses», 16.12.11). Perante o desastre anunciado, todos sacodem a água do capote. O «pai da Europa» Jacques Delors diz agora que «o euro estava condenado desde o início» (Telegraph, 2.12.11). Até o CEMGFA dos EUA, General Dempsey, declara que «a zona euro está em grande risco» e que os EUA estão «muito preocupados […] com a possibilidade de distúrbios nas ruas e da desintegração da união» (Press TV, 9.12.11). Neste quadro, o MNE francês Juppé veio pôr água na fervura das relações franco-inglesas, frisando a convergência «na abordagem da crise na Líbia, Irão e Síria», anunciando uma cimeira militar bilateral, referindo os avanços na «criação dum drone [avião militar não tripulado] conjunto» e «dum programa conjunto de simulação de armas nucleares», domínio referido como estando «no coração do coração da soberania nacional» (Telegraph, 22.12.11). Pois. Quando não sabem o que fazer, preparam a guerra. A pretexto de programas (reais ou falsos) de armas nucleares que, nas mãos de terceiros são «intoleráveis», mas nas mãos dos estados controlados pelo grande capital financeiro são «o coração do coração da soberania nacional». Essa mesma soberania nacional que o presidente da UE, Van Rompuy, diz «ser preciso sacrificar para se estar numa zona euro credível» (Televideo RAI, 30.11.11).
Tudo contraditório? Nem por isso. É preciso é ter os óculos certos para ver a realidade da UE do grande capital.

Trocando por miúdos…

(… ou euros por cêntimos.)
 
Quais os vectores de actuação táctica deste governo para servir a estratégia de quem mais os ordena (e nos ordenha):
  • Empobrecer resignadamente (alegremente era com a agricultura do “outro”)
  • Estimular (e até ajudar com “agências”) a emigração dos mais habilitados
  • Forma(ta)r aceleradamente pessoal menor para hotelaria e restauração
  • Promover a vinda de ricos (reformados ou não) de todos os países onde os haja
    • – "uni-vos e  despi-vos ao Sol de Portugal"
    • – "vinde a Fátima preparar a ida para o céu"
  • Fazer com que os nativos doentes, velhos e reformados durem o menos tempo possível

Galiza - 4 - breves anotações iniciais (e que assim ficarão, por agora)

Afirmando-se a partir da procura de conexão entre o nacionalismo e o marxismo, como partido comunista e patriótico, a Unión do Povo Galego (UPG) é o partido de um universo nacional que se pode simplificar dizendo representar um terço (em população e em espaço) de Portugal.
Para além de tudo o que nos liga como povos, embora tantas vezes sendo mais uma ilustração das "costas voltadas" entre da parcelas nacionais que compõem a Península Ibérica – entre Portugal e a Galiza ainda mais aberrante pela língua (quase) a mesma –, o UPG define uma série de temas (e teses) identificadores que nos mereceriam a maior atenção intelectual, cultural, ideológica, no tempos nacionais, ibérico e europeu (e mundial, de modo de produção em crise aberta) que vivemos.
Entre dois "Estados-nações" - enquanto Estados-membros de uma União Europeia - , Portugal e Espanha, a Galiza é uma das nações sem estado, em que uma parte do povo luta organizadamente para se afirmar como nação, e procura a forma Estado. E um dos mais importantes factores enformadores dessa luta é a língua-quase-a-mesma e a proximidade física e cultural com Portugal.
A afirmação do nacionalismo como alternativa à globalização é um lema e a posição face à União Europeia um dos vectores da luta política do UPG. No seu caminho, de 1964 até hoje, tem passado por várias etapas e - sem outras considerações - foi objectivamente relevante, no plano da luta institucional, a entrada na coligação com o Bloco Nacionalista Galego e o PSOE para a formação do governo autonómico de 2005 a 2009, a partir de uma maioria de dois deputados. E foi com essa diferença que, nas eleições de 2009, o Partido Popular recuperou a maioria, embora com menos votos que os somados pelos componentes da anterior coligação.
No complexo mapa eleitoral do Reino de Espanha, não se pretende mais que assinalar a especificidade da Galiza e o quão interessante foi aflorá-la, acicatando a vontade de melhor a conhecer. Por outro lado, nesta curta viagem e estadia (mais passagem) foi muito significativa a vivência de um dinamismo, de uma muito interveniente actividade cultural e de um aturado esforço de fortalecimento ideológico a partir de uma base teórica  afirmada sem reticências, no quadro de políticas de alianças e coligações muito delicadas e eventualmente contraditórias. Como a vida o é.

Como dissemos no debate, foi fácil (e bom!) em Galiza sentirmo-nos galegos sem, em nada, deixarmos de ser o que somos.

             

quarta-feira, dezembro 28, 2011

Ela lá sabe...


in vermelho

"Governo técnico" e "democracia económica"

Depois da falaciosa apresentação de um "governo técnico" (ou da importância de técnicos em governo não político mas muito partidários passados pela máquina de lavar e passar-culpas), esta época trouxe a insistência na expressão "democracia económica". Nomeadamente em mensagens na(f)talinas.
Mas que quer isto dizer?
Na dita "economia de mercado" em que se vive (ou em que alguns fazem todos viver) - que é a expressão actual do modo de produção (e circulação) capitalista - "democracia económica" quererá dizer
  • mais liberdade para explorar,
  • menor participação dos trabalhadores, quer sindical, quer das comissões de trabalhadores,
  • nenhuma concertação social, ou sem conserto,
  • menos Constituição da República Portuguesa,
  • menos regulamentação a que se chama burocracia,
  • mais burocracia a que se chama notações de "agências de rating"
  • sempre piores condições para as micros e pequenas empresas,
  • nenhuma planificação.
Só "democracia" à moda deles. Toda política - de classe! - como se fosse apolítica.  

"Arrancam" hoje os saldos, antes do ano nOVO

Como é noticiado profusamente, arranca hoje o período de saldos que se prolongará até 28 de Fevereiro.
Arrancam sem anestesia, isto é, com dor, com os preços mais baixos do que seria normal, com os comerciantes afirmando, receosos, esfumada esperança de que conseguirão realizar alguma liquidez, com os consumidores à procura, pouco abonada e com o estado de espírito nada animado, de "pechinchas".
Os dias estão bonitos, secos e de sol, mas a "conjuntura" está fusca...
A mudança de número de ano vai ser tempo de outras mudanças, depois de umas aparentes tréguas na(f)talinas. E há algumas que terão de ser arrancadas sem anestesia, em reacção ao que, com muita dor, está a chegar com o ano novo. Ovo?

Galiza - IV Jornadas Lois Obelleiro - 3

Numa sala cheia (mais de 70 presenças) do auditório do concelho de Rianxo, a minha intervenção procurou seguir um guião que levava preparado com os seguintes tópicos:



A integração europeia uma permanente lição


Título de Miguel Torga:
O universal é o local menos os muros
Entre Portugal e a Galiza nem muros há!
Mas há o local, há os locais.
O local Portugal e o local Galiza
Tudo nos une a começar pela língua, a nossa pátria

Pode ser-se português e europeu?
Nós sempre o fomos. Bem antes de 1986!…
E não foi em 1986 que Portugal “entrou” para a Europa.
Terá sido, então, que parte desta entrou, em má hora, na Ibéria.


Abel Salazar e A crise da Europa, Cosmos, 1942
A crise do Estado-nação, enquanto macro-estrutura.
A “leitura” do materialismo-histórico
Cooperação (OECE/OCDE) e integração
CECA, CEE, o eixo franco-alemão (FRITAL)
- e (com BENELUX) os “seis”  integração
A EFTA - zona de comércio livre

Respostas de classe à expressão real da História,
- à internacionalização da economia, à supranacionalidade
A relação de forças em luta de classes,
- quer no processo, quer nos seus passos e estádios
Os anos 60, a emigração

Os três AAA
Aperfeiçoar – o quê?
Aprofundar – como?
Alargar – com quem?
O Reino Unido (Irlanda, Dinamarca e Noruega)
Plano Werner – moeda única em 1980 !!
A crise após 30 anos com a crise em “banho maria” e “guerra fria”!
A decisão de inconvertibilidade de Nixon – 15.08.71
O relatórioTindemans – as duas velocidades/centro-periferia
1979 – eleição directa Parlamento Europeu
Neo-liberalismo/monetarismo – Thatcher-Reagan

Os anos 80 – Alargamento (Grécia, Portugal e Espanha)
Duas palavras: Desemprego e convergência (ligada a periferia)
Acto Único – revisão do Tratado de Roma
Mercado interno (ou único) e coesão económica e social
- atenuar dinâmicas de desigualdade social e assimetria regional
A transferência de fundos e os 4 países da coesão
Os países socialistas europeus – o CAME. A queda.

Tratado de Maastrich
- supranacionalidade e federalismo
A fuga para a frente (a minha “vivência”)
- só mercado único com moeda única
O orçamento “comunitário”
A U.E.M. e a U.P.
- 1º passo: moeda única/BCE
A “construção” de uma “moeda europeia”
- 2º passo: revisão tratados – Convenção-Giscard d’Estaing
Da Constituição ao Tratado de Lisboa
À margem dos povos – a democracia participativa
O euro – uma dúzia de anos de desconvergência, os PIGS 
- e agravamento das assimetrias regionais

Como era de esperar! Previsto e prevenido
A chamada “crise da dívida”
O funcionamento dos “mercados”
O capitalismo financeirizado
A “desmaterialização” do dinheiro e do crédito
A leitura marxista – de M-M a D-D’
Os dois circuitos – o real e o monetário
A especulação como fuga para a frente
Composição orgânica e baixa tendencial da taxa de lucro
As injecções de dinheiro fictício e de crédito
A crise e a destruição das forças produtivas
A luta – expressões nacionais

Apesar da extensão dos tópicos, ainda houve tempo (e resistência...) para perguntas e respostas, que se prolongaram pelo "xantar", que começou - apenas... - com uma hora e meia de atraso. 

terça-feira, dezembro 27, 2011

"Agências" ou "balcões"

Quando vi este título

pensei que fosse a "agência" para emigrantes, proposta
por este








a estoutro





(obrigado, sitiodosdesenhos
- Fernando Campos)

Mas não!
Era uma proposta (!) da "troika" lá de fora", relativa aos contratos de arrendamento a que o governo resiste, invocando a Constituição, vejam lá!

De economista, cada um tem tudo... ou nada

Diz-se que de médico e de louco todos temos um pouco. Pois de economista cada um tem tudo... ou nada.
Tendo "carta de condução" de economista ha mais de 50 anos, nunca me apeteceram fórmulas 1, e  fui aprendendo a conduzir por outros circuitos e deles não saí. Por estradas municipais e nacionais e, nas auto-estradas. não passo dos 120 (vá lá... 140 em dias de sol, piso seco, e pouco trânsito e menos brigada do dito). Mas tenho algum sentido de classe profissional, que agora teimam em chamar corporativo, nem saberem do que estão a falar.
Nestes últimos dias, esse sentido profissional foi acicatado em duas circunstâncias. 
Primeiro, li a entrevista de Vitor Gaspar no Expresso-Única , e fiquei irritado. Se aquilo é ser economista, pediria que me riscassem de sócio da Ordem dos Economistas (de que nunca fui, mas sim do antigo Sindicato dos Comercialistas...). Para mais, filho de antigo colega meu, aquele senhor que falava, respondendo como "figura do ano" de 2011, é formatado em finanças, afunilado em banqueirismo, e até faz graça entre ser banqueiro ou bancário. Desde novinho, entrou na "forma" e aí vai ele, laborioso, com antolhos, desprezando olimpicamente quem lhe lembrar que a economia é uma ciência social (pelo menos também).
Mas, hoje, li uma outra entrevista de um outro economista. A que, na minha concepção, o título profisssional está bem entregue. Trata-se de João Ferreira do Amaral, com o qual não estou, evidentemente, de acordo com tudo, mas que não esqueceu coisas essenciais para a profissão dele e minha, e as lembra. Coisas que, no meu caso, estão metidas entre outras que considero não menos essenciais e que alguns acharão que nada têm a ver com economia.
Deixo o título da entrevista de Ferreira do Amaral à Lusa, saída do euro deve ser feita com apoio das autoridades comunitárias, e o link aqui.
É claro que eu não diria "apoio" mas diria negociação e ressarcimento, pelo menos em parte ínfima que seja, das malfeitorias que este euro, como criado, ao serviço de quê e de quem, provocou à economia e sociedade portuguesa.

Galiza - IV Jornadas Lois Obelleiro - 2


Sendo a sessão o motivo da viagem, tinha um programa interessante - pelos temas... - com três protagonistas e intenção de debate. Com uma abertura e moderação de um professor do Departamento de Economia Aplicada da Universidade de Santiago de Compostela, duas conferências-debate. Uma, sobre o Estado actual da economia galega. Propostas de saída da crise, por um professor catedrático da mesma Universidade, com qualificadas notas de curriculum; outra, sobre Unión Europea, crise económica da zona euro e nacións periféricas. Alternativas à actual situación a meu (en)cargo


A conferência de Xavier Vence excedeu em muito o tempo programado, não tendo deixado espaço para debate. Como é evidente, "oficial do mesmo ofício e no mesmo acto oficiante", não me caberia comentar criticamente. Mas não deixarei de dizer que, para além da exposição ter sido bem fundamentada em dados e gráficos, e exaustiva, sobre a economia galega, o que me foi muito interessante e útil, não saiu, no entanto, do quadro da economia capitalista, não indo a sua base teórica para além de um keyneseanismo bem assimilado mas (permita-se-me...) castrador. Pelo que, e a meu ver, as propostas de saída da crise mereceriam debate, que não houve. Por falta de tempo. e que ficou para o final da minha intervenção.