sexta-feira, julho 05, 2013

OUTRA INFORMAÇÃO - e opiniões pouco (ou nada) divulgadas - O BRASIL, hoje

A situação do/no Brasil merece a nossa maior atenção. 

Porque, para os portugueses, é o Brasil, obviamente...; porque o seu peso no contexto internacional ganhou uma importância enorme. 
É, só!, a partir dos indicadores habitualmente utilizados, a 6ª economia mundial, depois dos Estados Unidos, da China, do Japão, da Alemanha, a aproximar-se da França, e tendo ultrapassado o Reino Unido. 
Recentemente, a 21 e a 28 de Junho, aqui se deixaram dois "posts" em que tal era sublinhado e, ainda mais recentemente, recebemos um mail de Sergio Barroso com um interessante artigo (que já leramos no vermelho), cuja parte final se transcreve, depois de 9 pontos de fundamentação histórico-teórico-ideológica que também merecem leitura. E reflexão. Sobre o espontâneo e o consciente na luta de massas. 

(...)
10. Em termos de considerações finais – e de volta para o futuro. Não, não foi a “espontaneidade” crua que conduziu a rebelião social que vivenciamos. A adesão de dezenas e centenas de milhares de jovens, populares, trabalhadores, aposentados, pais com suas crianças, por si só, é uma óbvia atitude de tomada de posição contestatória às referidas doenças e sequelas sociais acumuladas dum capitalismo tardio brasileiro, dilacerado havia muito pouco pela tragédia neoliberal; ao que se acrescente com ênfase o repúdio à corrupção em geral, seja ela mistificada ou não pela sistemática campanha midiática nacional. E leve-se em conta, de alguma maneira, a influência entre nós dos grandes protestos ocorridos em Wall Stret (“occupy”), na Espanha (“los indignados”), ou os do Egito, sem dúvida auxiliados pelas “redes” de internet. Por outro lado, é imperioso preparar-se para um longo combate à instrumentalização desses movimentos, a contrapropaganda preconceituosa contra a organização partidária e das massas, que visam, como no passado, absorver e diluir o descontentamento popular buscando estimular (remotos) movimentos “inorgânicos”. Relembrando Gramsci, a direita reacionária utiliza esses movimentos e “quase sempre... aproveitam o enfraquecimento objetivo do governo para tentar golpes de Estado”.
Essencialmente, as Jornadas de Junho refletem os espaços das conquistas democráticas indiscutivelmente acentuadas pelos governos de Lula e Dilma: o pleno exercício duma “democracia das ruas” veio se efetivar em massivos protestos convergentes contra as mazelas deste tipo de capitalismo brasileiro! Por isso também trata-se de um (perigoso) engodo a ideia de que nos encontramos na “primeira década de governos pós-neoliberais no Brasil” [13]; bem como superlativizar as políticas sociais como sendo “o coração dos governos Lula e Dilma”.
Três exemplos insofismáveis: a) na política econômica, a permanência e a defesa oficial do “câmbio flutuante”, da política fiscal semi-ortodoxa, bem como a recidiva duma política monetária de juros elevados, atestando a vigência de orientações ainda da órbita neoliberal (e nos últimos três anos não conseguimos nos livrar da volta ao baixo crescimento econômico); b) entre abril de 2002 e janeiro de 2013 o valor do salário mínimo passou de R$ 200 para R$ 622, o que representa ganho real de 70,49% - o maior desde a sua criação; entretanto, assegura o Dieese: dos cerca de 3,5 milhões de trabalhadores do estado do Pará, quase 1,4 milhão (cerca de 40%) recebe hoje um salário mínimo; c) a renda per capita do Brasil está em torno de US$ 10 mil ou cerca de três vezes inferior a da Coréia do Sul, país que teve sua industrialização ainda mais tardia que a nossa.
De outra parte, diferentemente do que imaginam o Senador Lindbergh e o professor Singer, o PCdoB - inobstante suas insuficiências e limitações - continua empenhando todas as suas energias na organização, na elevação da consciência política e programática das massas no país, nomeadamente dos trabalhadores (as) e da juventude. Aliás, o PCdoB procura não esquecer as lições de Marx sobre o significado abrangente do impacto das transformações nos meios de comunicação: “A burguesia, pelo rápido aperfeiçoamento de todos os instrumentos de produção, e tornando as comunicações infinitamente mais fáceis, arrasta todas as nações, mesmo as mais bárbaras, para a civilização”. [14] Por isso o PCdoB não só sabe a importância relativa das “redes sociais”, tendo seu de Portal Vermelho na internet, premiado como o mais importante da esquerda brasileira; como também não se deixa abater com as grandes dificuldades do desestímulo à participação política: no caso das eleições da UNE (União nacional dos Estudantes), há anos hegemonizada por jovens do PCdoB, desconhece-se no país qualquer outra experiência de tal envergadura duma democracia “horizontalizada” para escolha de seus representantes.

É o PCdoB quem recusa o falso diagnóstico de já vivermos um decênio de “pós-neoliberalismo”; é ele quem critica, desde o início do novo ciclo político, a orientação macroeconômica do governo; é ele quem afirma vivermos ainda “uma grande transição” a um novo estágio de desenvolvimento no país; é ele a única corrente política no Brasil quem tem um renovado e nítido Programa estratégico, nele pontificando a passagem pelo desenvolvimento e o progresso sociais, com a indispensável ampliação da democracia para a garantia de luta pelos direitos do povo brasileiro. Mas o Programa do PCdoB é socialista e não tergiversa: considera que é o Socialismo a maior conquista da humanidade no “campo da política” e, mais ainda, que só ele é capaz de levar adiante a consecução dos grandes ideais da Revolução Francesa - Liberdade, Fraternidade, Igualdade -, definitivamente abandonados pela democracia burguesa. 
[13] As precipitadas opiniões são de Emir Sader (org.) em: “10 anos de governos pós-neliberais no Brasil: Lula e Dilma”, Apresentação, São Paulo, Boitempo/FLACSO, 2013.
[14] Em: “Manifesto do Partido Comunista”. Lisboa, Edições Avante!, 1975, p. 64, 2ª edição.

O "topete" é deles... MAS O TAPETE É NOSSO!


Boa, Monginho!

Uma intervenção patriótica e de esquerda

quinta-feira, julho 04, 2013

O que provoca este espectáculo ...








"Eles" (os "troikos" de fora e de dentro) exigem!

do sapo:


A mensagem, nos juros e em palavras, é clara: solução para a crise política tem de ser rápida e capaz de manter o rumo. Instabilidade reforça dependência face ao apoio da UE.


Isto dizem e exigem (!!!) eles 
(e os banqueiros, e o "patrão dos patrões"
e as respectivas mãezinhas que os pariram)
ignorando, sobranceiros,
 o cenário - único democrático! - de eleições.

E O POVO,
 meu deus nosso, nossa senhora minha???!!!
onde está a soberania?

5ª, avante!... e que 5ª feira!!!

O País não permitirá que o Presidente da República continue, perante o inaceitável espectáculo de degradação política e institucional, a ser cúmplice de um governo e uma política que estão a conduzir Portugal e os portugueses para o abismo – palavras de Jerónimo de Sousa, anteontem, em reacção ao esboroar do Executivo. Na véspera, o comunicado do Comité Central do PCP, que esteve reunido nos dias 30 de Junho e 1 de Julho, havia já apontado o desenvolvimento da luta dos trabalhadores e de outros sectores da população como o factor essencial para afirmação da exigência de uma ruptura com o rumo de desastre económico e social para que o País está a ser empurrado.

quarta-feira, julho 03, 2013

Há que mobilizar e acelerar

Acelerar a contra-ofensiva

Duas perguntas de algibeira (num bolso cheio...e não de de especulações bolsitsas!)

  • Então a luta dos professores. que obrigou o governo a recuar (ainda que "a-fazer-de-conta" que não), não teve nada a ver com a demissão do ministro das finanças, não teria sido a tal gota de água?
  • Então a Greve Geral de 27 de Junho (e toda a luta que a antecedeu), com a adesão que teve, não veio mostrar a Paulo Portas que, por este caminho, ia mesmo ao fundo... eleitoral?
só há que continuar a luta,
sempre!

Democracia e dignidade

Declaração de Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral, Lisboa

"O povo português deve continuar a lutar até à derrota deste governo e desta política"

Terça 2 de Julho de 2013 (ontem, logo a seguir à declaração de Passos Coelho, o já putativo primeiro ministro)

Artigos Relacionados

Nota do Gabinete de Imprensa do PCP

Primeira reacção do PCP expressa na declaração do Secretário-Geral do PCP

Reagindo à declaração do Primeiro-Ministro, após a demissão de Vitor Gaspar e Paulo Portas, o Secretário-Geral do PCP afirmou que não há saída democrática sem a dissolução da Assembleia da República e a convocação de eleições antecipadas. O povo português deve continuar a luta até à derrota final deste governo, concluiu.

Hoje, às 18 horas,


Não desmobilizar um momento a luta!




Porque é justa, 
porque é necessária,
porque é urgente!

terça-feira, julho 02, 2013

Afinal... a demissão de Paulo Portas está para "arquive-se"!

É o que dá!

A declaração de Passos Coelho é, só, inacreditável!

Mas, apesar disso, não se estranha.

Esta declaração é antológica.

Arquive-se o governo, ao lado do pedido de demissão de PP!

ESPECULANDO sobre o futuro... de curto prazo


  • CDS-Paulo Portas com perspectivas relativamente ao PS
  • PS com expectativas relativamente ao BE
  • PSD a apresentar uma moção de confiança (negociado com quem?)
  • PSD minoritário a contar com apoio parlamentar do CDS-PP
  • PSD minoritário (com o único apoio do PdaR) e em equilibrismos par(a)lamentares
  • ELEIÇÕES antecipadas 
Só a última especulação não é especulativa (dependendo da dimensão do... curto prazo!)


às 19.45

Teatro do absurdo na tarde de hoje!

Teatro do absurdo?


  • A tomada de posse do novo ministro das finanças (aliás, ministra...), nas condições em que o foi;
  • As declarações de um dirigente de um partido chamado CDS-PP, membro do Conselho Nacional ontem reunido, que desconhecia tudo o que o que o respectivo presidente ia fazer - e não era pouco! - no dia seguinte 


(... e muito mais.)

Talvez melhor: caricato!
e, quanto a democracia... zero

Tiro no porta-aviões (por ataque submarino) ou Greve Geral deu empurrão no fim ao desastre

do sapo (dos sapos...)


CRISE (ACT.2)*




PORTAS DEMITE-SE

Márcia Galrão e Inês David Bastos  
02/07/13 16:07



Paulo Portas apresentou hoje a demissão a Passos Coelho, abrindo a porta à queda do Governo.



A informação foi avançada pela TVI e pela agência Lusa e confirmada pelo Económico.

Desconhece-se as razões que levaram à demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros, que passaria a número dois do Governo após a saída de Vítor Gaspar.

No entanto, o Económico sabe que a escolha de Maria Luís Albuquerque para substituir Vítor Gaspar não agradou ao líder do CDS, que viu nessa escolha uma oportunidade perdida para iniciar um novo ciclo, há muito reclamado pelo CDS.
Recorde-se que o CDS realiza este fim-de-semana o Congresso Nacional para confirmar a continuidade de Portas como líder.


* - ou cena do último acto
_______________________________________________

Tanto comentário que salta. Talvez resumir num só, já deixado: 2ª cena do último acto de um desastre denunciado.
Já agora, mais duas linhas: eis-nos perante um barco a afundar-se. Com um homem de golpes e grandes tiradas, a "fazer o seu número" que até eticamente agride (mas que é isso da ética?...), só preocupado em ver se ainda salva alguma coisa do naufrágio.
Perante esta situação escavacada, só uma pergunta: 
e agora, Aníbal
Demites o Passos?, dás posse à substituta do Gaspar, depois de amanhã, ao substituto do Portas, depois de depois de amanhã, aos ministros do CDS-PP que também se demitirem, vais ao fundo com o barco (mas, ali, à proa, gritando, qual  capitão estóico, "eu bem avisei!"...  ou também te demites?


segunda-feira, julho 01, 2013

Queda no (não do) governo

Vítor Gaspar sai do Governo

Paulo Macedo poderá ser o novo Ministro das Finanças
01 Julho 2013, por Jornal de Negócios

Passos Coelho vai hoje a Belém, sendo que em cima da mesa está uma remodelação que vai afectar o ministro das Finanças. Paulo Macedo poderá ser o próximo ministro das Finanças.

O primeiro-ministro irá esta segunda-feira a Belém, depois de ter pedido uma reunião de urgência com Cavaco Silva. De acordo com a TSF, que avança com a notícia, em causa pode estar a saída do ministro das Finanças.
Uma notícia já confirmada pelo Negócios*, que apurou que Vítor Gaspar está mesmo de saída do Executivo de Passos Coelho.  
O Negócios sabe que Paulo Macedo, tal como também avançou a TSF, é uma das escolhas do primeiro-ministro para substituir Vítor Gaspar. Em cima da mesa estará também o nome de Carlos Costa.
A saída de Vítor Gaspar era já do conhecimento do primeiro-ministro e do Presidente da república "há alguma semanas", disse uma fonte conhecedora do processo ao Negócios.

(notícia em actualização)

* - se os Negócios confirmam é certo, com certeza...
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Não há dúvida, a vida é feita de contradições e nós, sendo vida, somos uma contradição pegada (não fosse cada mais um dia, menos um dia..., como dizia um guarda do Aljube).
Assim sendo, é contraditória a minha reacção. 
O Vitor Gaspar vai-se embora? Dá-me uma certa alegria, pois é um dos pilares - se não o pilar de um governo, de uma política, de uma estratégia - que antecipa a queda do governo.
Mas trata-se de uma alegria contrariada porque a minha lucidez (se ela existe...) vê, nessa saída, o resultado de um problema "lá deles" e uma forma de tentar adiar a queda do governo - a inevitável mudança de política, de estratégia -, assim como um "golpe de asa" de quem é incapaz de reconhecer que não pode voar mais.
Por outro lado, tenho de lamentar que haja mais um desempregado e, decerto, mais um emigrante qualificado. Embora desempregado temporariamente (uma questão de dias...), e em trânsito emigratório para um lugar e paragens que bem compensem os distintos serviços, anteriores e na missão, ao capital financeiro transnacional.  

domingo, junho 30, 2013

Para este domingo!

Para os 80 anos do grande camarada 
e amigo Álvaro Cunhal, 
de Fernando Lopes  Graça


por Fausto Neves

parte do programa do concerto de logo à tarde, 
às 17 horas, na "Casa da Banda", 
R. 25 de Abril, 14
em OURÉM

sábado, junho 29, 2013

Veja-se só a cara de/o energúmeno

Segundo Vítor Gaspar os novos limites de compensação por cessação do contrato de trabalho deverão entrar em vigor "no início de outubro" Manuel de Almeida/Lusa 


Segundo Vítor Gaspar, os novos limites de compensação por cessação do contrato de trabalho deverão entrar em vigor "no início de outubro"

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/parlamento-aprova-corte-nas-indemnizacoes-por-despedimento=f816902#ixzz2XYyXweIC

sexta-feira, junho 28, 2013

Atenção ao Brasil!

Depois de dois dias em que andei por outras paragens da minha vida, que são das mais fundas que ela tem - e num desses dias, ontem, com uma Greve Geral! -, depois desses dois dias em que a morte de Herberto Goulart quase apagou tudo o resto, procuro vir à tona. Tem de ser! Até porque hoje encerra o ano lectivo da Universidade Sénior e realiza-se uma Assembleia Municipal, porque há que fazer coisas relacionadas como o concerto "musica com paredes de vidro" de domingo.
Com essa intenção de "vir à tona", passo os olhos pelos jornais, e retenho-me na situação do Brasil, com particular atenção para o importante artigo de Pedro Guerreiro no avante!, que me traz à memória o livro que escrevi, há 40 anos, com as crónicas que enviei para o Diário de Lisboa a partir da minha participação numa delegação comercial - crónicas e notas que foram, naturalmente..., cortadas pela censura, como o livro apreendido,



- Edição Nº2065  -  26-6-2013


O que está em jogo?

As manifestações populares no Brasil expuseram de forma vigorosa a luta de classes, as contradições e a complexidade da situação neste grande país.
As manifestações contra o aumento do preço dos transportes e exigindo transportes públicos de qualidade, tendo sido iniciadas em São Paulo e após violentamente reprimidas pela Polícia Militar, rapidamente se alastraram a todo o país, incorporando outras reivindicações sociais.
Recorde-se que o Brasil iniciou uma viragem política com a eleição do presidente Lula, em 2002, que melhorando as condições de vida de milhões de brasileiros e afirmando a soberania nacional – dando um contributo valioso para o avanço da emancipação da América Latina da alçada dos EUA e para a importante criação e dinâmica dos BRICS –, não encetou as profundas transformações sociais, económicas e políticas que atacariam a raiz das brutais desigualdades sociais existentes neste país.
Integrando-se nos processos progressistas e de desenvolvimento soberano que têm lugar na América Latina, o Brasil não vive um processo revolucionário. As forças de esquerda que elegeram Lula e Dilma, abrindo caminho a uma viragem, estão no governo mas não detêm o poder.
Aqueles que detêm o poder económico e que são responsáveis pelos grandes problemas que o Brasil e o seu povo enfrentam, procuram – desde o primeiro momento e controlando os grandes meios de comunicação –, determinar o rumo das manifestações populares, pretendendo virá-las contra as forças políticas progressistas, provocar uma crise política e, se possível, criar as condições para reverter os avanços sociais alcançados – num cenário similar a outras operações de ingerência dos EUA contra países da região.
As forças democráticas e progressistas brasileiras colocam-se perante o desafio e a necessidade de, contrariando a tentativa de instrumentalização das manifestações por parte das forças reacionárias, aproveitar esta oportunidade para impulsionar novas e mais amplas medidas e transformações de sentido progressista.
Para tal, será fundamental ampliar, desenvolver e integrar novas camadas na luta organizada dos trabalhadores e das populações, assegurar a melhoria das condições de vida do povo brasileiro – em áreas como a saúde, a educação, a habitação ou a segurança social –, dar solução aos complexos problemas das grandes cidades e resposta às aspirações da juventude.
Os recentes acontecimentos demonstram que a continuidade dos avanços alcançados nas condições de vida da generalidade do povo brasileiro coloca como questão central o aprofundamento do processo que está na sua origem e que foi iniciado há cerca de dez anos.
Um caminho que passa pelo retomar da iniciativa, pelo recrudescimento da luta e participação das massas e, consequente, reforço e unidade das forças políticas e sociais que se propõem protagonizar e levar a cabo o programa de profundas transformações democráticas e progressistas, pelo qual o povo brasileiro desde há muito anseia.
A resposta às aspirações da maioria esmagadora do povo brasileiro, o avanço na concretização dos seus direitos, passa pela conquista de uma justa redistribuição da riqueza e pelo controlo dos meios e instrumentos económicos que a assegurarão, o que significará afrontar o domínio dos grandes grupos financeiros e económicos, que controlam grande parte da economia brasileira.
Isto é, os avanços sociais – os alcançados e os a alcançar –, só poderão ser consolidados pela realização de significativas transformações económicas e políticas e pela construção de uma correlação de forças que as permita concretizar.


Pedro Guerreiro

terça-feira, junho 25, 2013

Morreu Herberto Goulart



o Colega
o Amigo
o Camarada
o Homem Bom
para mim... um Irmão!

"Isto" faria rir...

... não fossem as gargalhadas fascistas da madama Le Pen!

Vamos, então, falar de Greve Geral

transcrito de ocastendo:

Greve Geral

Vamos falar de greve geral

Uma greve geral nunca é total

Imagina que todos fariam greve

Diz-nos O impossível para que serve

Sim Cumpre o possível É o teu dever

Não te desculpes para nada fazer

Hoje vamos falar de greve geral

Em qualquer local Aqui Em Portugal

Há quem não alinhe em greves gerais

Nem sequer adira a greves parciais

Há quem esteja contra as paralisações

Quando não são decretadas por patrões

Hoje vamos falar de greve geral

Esquece a tua greve imaginária

O capital marca greves todo o ano

Muito mais de 1 milhão não tem trabalho

Marca a nossa Fá-la tua Colabora

És uma peça do xadrez da vitória

Hoje vamos falar de greve geral

Mas de quem produz Da massa laboral

Não achas que é tempo de baixar os braços

Para levantar os salários baixos

Se não achas Fica a exigir a lua

Enquanto na terra a luta continua

Hoje vamos falar de greve geral

Não és só trabalhador a trabalhar

Não resolves o teu caso no cantinho

Nem com medo Nem com sorte Nem sozinho

Sim Decide com quem estás e com quem vais

Os teus problemas são todos nacionais

Hoje vamos falar de greve geral

Contra o poder de explorar e amedrontar

Camarada Colega Amigo Aliado

Pára Escuta Tens mais força parado

Hoje fabricarás faixas e bandeiras

Megafones Coletes e braçadeiras

Hoje vamos falar de greve geral

Em qualquer local Aqui Em Portugal

Os piquetes são a tropa perfilada

O abraço antigo A conversa actualizada

Se me perguntarem de que lado estou

Direi Do lado que a História me ensinou

Hoje vamos falar de greve geral

É dia da pátria obreira e fraternal

Estou contigo Estás comigo Companheiro

Traz outro amigo Camarada verdadeiro

Viva a máquina do mundo e do progresso

Faço greve Ganho o meu dia Protesto

Sim Greve geral Cada vez mais geral

Fazem a guerra Querem paz social

Fica à porta da empresa e do Estado

Hoje não entres no sítio errado

Não piques o ponto da resigNação

Dá um murro na mesa da enceNação

Sim Greve geral Cada vez mais geral

Em qualquer local Aqui Em Portugal

Viva a máquina do mundo e do progresso

Faço greve Ganho o meu dia Protesto


César Príncipe

In Notícias do Resgate, AJHLP, 2013



segunda-feira, junho 24, 2013

"Desinconomias" - 2

repete-se a pequena dedicatória
aos companheiros do curso
introdução à economia política,
da Universidade Popular do Porto,
e os que estiveram na última sessão saberão porquê.

Aliás, ou a propósito, passamos à página 6… permitindo-nos a recomendação (a quem tiver pachorra para acompanhar as nossas reflexões e comentários) de lerem primeiro a mensagem anterior.
Pois, aliás, logo na página seguinte à página 5, isto é, na página 6, está uma entrevista com Miguel Cadilhe em que há coisas interessantes.
 


Este é um sujeito que procura pensar como economista, dir-se-ia mesmo que pensa... O que de modo algum quer dizer que se concorde com o que escreve ou diz, mas que o que escreve ou diz ajuda a pensar (e não esquecemos o curto período em que, na AR, discutíamos o OE quando o governo era “Miguel Cavaco”/”Aníbal Cadilhe”, e sempre se conseguia discutir alguma coisa com o Cadilhe, sendo o Cavaco um verdadeiro muro, uma pedra com olhos…).
No caso desta entrevista, e a propósito da irracionalidade (e do crime por anti-social) que é a financeirização da economia, sublinha-se a referência ao caso dos submarinos em que, como ele diz, “o país deveria saber quem decidiu, porque decidiu” e lembra que foi “matéria até para um processo na Alemanha”; assim como se anota a afirmação de que “quando as instituições falham e não fazem parar desvarios a tempo, ficam afectadas nas suas atribuições nas suas atribuições e no exercício de vigilância das finanças públicas”… só faltando “pôr o guizo ao gato” que se chama BPN, e que Cadilhe conhece bem.
Ainda considero de fazer pensar, apesar das posições serem antagónicas ideologicamente, o que Cadilhe diz sobre o euro, a entrada e a saída. Vale a pena ler  as opiniões de quem diz ter estado contra a entrada, que a dívida deve ser negociada, que a saída "sózinhos e por nossa iniciativa" não é recomendável, e que, "no limite, o pais pode ser empurrado para fora da zona euro num processo descontrolado". Há ali (no conjunto) matéria para fazer pensar.
Por fim, porque não queremos estender-nos, uma última observação que ilustra a “subtileza” da informação que nos pretende manipular. 
Dá-se, em "caixa" destaque ao facto de, em 1974, o stock de ouro do BdP ser 866 de toneladas e estar, em 2011, em 382,5, ficando a subliminar interpretação de que foi o 25 de Abril que veio, também aí, dar cabo de equilíbrios existentes. Ora o que Cadilhe disse, em discurso directo, foi que “desde o 25 de Abril vendemos 56% do ouro”, mas acrescenta imediatamente que “uma parte aconteceu entre 2003 e 2006, à média de 52 toneladas por ano”, sem que ele conheça as razões de tal venda mas com a afirmação de que essa venda de mais de 200 toneladas “não serviu para financiar a reformado Estado”.
209 toneladas de ouro vendidos peloBanco de Portugal entre 2003 e 2006 (governos de Durão Barroso, Santana Lopes e Sócrates, e com Vitor Constâncio como governador) de que não se sabe o destino, isto é, 24% das que existiam em 1974 e 55% das que existiam em 2011!

"Desinconomias" - 1

com uma pequena dedicatória
aos companheiros do curso
introdução à economia política,
da Universidade Popular do Porto

Depois de algum (largo) tempo de admiração, quando não de espanto, pelos escritos de Nicolau Santos na página Cem por Cento do caderno Economia do Expresso, estamos a passar por uma fase de crescente irritação face à leitura do que ele escreve.
É verdade que essa admiração (ou espanto…) se explicou a si mesma com a sua confissão explícita de keyneseano (e "graças a deus!"…) e que a nascente irritação também por aí se explica.




Nesta última edição, NS faz perguntas muito pertinentes sobre a opção de, em situação de dramática queda de investimento, se irem enterrar (ou afogar…) 600 milhões de euros num terminal para contentores na Trafaria quando existe Sines com posição estratégica, condições e dinâmica que irão sofrer espúria e inexplicável concorrência com a concretização desse projecto (se de projecto passar).
O que nos irrita, neste caso, é que NS sabe as respostas, ou deveria saber..., e as ignora ou até escamoteia. 
É que esse, como qualquer outro investimento que se faça, nas actuais condições e correlação de forças sociais, é apenas um negócio, apenas mede o acréscimo que traz ao capital-dinheiro investido (seja ele fictício ou creditício: D - D'), indiferente à sua utilidade social, à sua racionalidade económica. O que é contraditório, irracional, criminoso. Como o sistema.


Aliás, ou a propósito, passando à página 6…

Além, claro, da...


Música com paredes de vidro, em Ourém, no domingo 30 de Junho

Esta nossa (pessoal... mas não só) semana será muito marcada por este acontecimento... marcante, que a culminará!

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“Música com Paredes de Vidro
= Concerto para o Centenário de Álvaro Cunhal =

Sede da AMBO, OURÉM
Rua 25 de Abril, 14
30 de Junho de 2013,
17,00 horas

Concepção do concerto, articulação de imagens, recriação livre de melodias rústicas portuguesas, canções do repertório revolucionário internacional e nacional e uma “Música Festiva”, de Fernando Lopes Graça, dedicada a Álvaro Cunhal, por:

 Carlos Canhoto
Fausto Neves
Manuel Pires da Rocha



PROGRAMA
I
FERNANDO LOPES-GRAÇA (1906-1994)
Melodias Rústicas Portuguesas 
para Piano a 4 Mãos op.211

1. Canto do S. João
2. Este ladrão novo…
3. Deus te salve, ó Rosa
4. S´nhora da Póvoa
5. Oração de S. José
6. Pastoril Transmontano
7. A virgem se confessou
8. Canção do berço
9. Ó da Malva, ó da Malvinha!
10. Martírios
11. Maragato Son
II
Três Canções Revolucionárias Internacionais
para Violino, Saxofone e Piano
III
FERNANDO LOPES-GRAÇA
Música Festiva op. 153 nº23
(“Nos 80 anos do grande camarada
e amigo Álvaro Cunhal”)
IV
Três Canções Revolucionárias Portuguesas
para Violino, Saxofone e Piano
Músicos:
Carlos Canhoto, saxofones soprano e contralto
Fausto Neves, piano
Joana Resende, piano
Manuel Pires da Rocha, violino

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Iniciativa da comissão concelhia do PCP,
sala cedida pela AMBO-Banda de Ourém, 
R. 25 de Abril, 14

domingo, junho 23, 2013

Reflexões lentas - entre o acerto e a desonestidade

Por aqui se tem referido e transcrito com (talvez) inusitada frequência a página 5 do caderno Economia do Expresso. Porque nela temos lido coisas que escreveríamos (ou subscreveríamos), mesmo sabendo que outras, que dessas docorreriam, ficam por dizer. Porque o seu responsável tem a sua  opção ideológica, com os limites que esta impõe. E por isso ali está...

Hoje, e com atraso de uma semana (um apontamento que se escondeu no fundo de uma algibeira...), aqui se volta com o que essas leituras semanais suscitam, e por razões que não são as habituais. É que Nicolau Santos, nesse número, com a escrita aliciante que usa, escreve sobre a desonestidade e o fracasso (a propósito da 7ª avaliação "troikulenta") e sobre os passos que Cavaco deu. fazendo o que Passos não fez (e mais coisas como um excelente apontamento com o título "o carteiro já não toca duas vezes" sobre o que está a passar nos CTT e suas consequências no viver das gentes).
Mas, voltando à desonestidade e ao falhanço, e subscrevendo a chamada "caixa" que diz 



continuaria com a reflexão criticamente negativa que, desta vez, nos provoca o escrito de Nicolau Santos, resultado inevitável das referidas fronteiras que a ideologia não o deixa pisar. Até diriamos que também NS oscila, não entre a desonestidade e o falhanço mas entre o acerto e a  desonestidade.
Isto porque, falando de (falemos então!) de honestidade (intelectual!) não se pode parar a meio do caminho do acervo, e acerto!, das críticas a uma(s) política(s) de um governo, e deixar de lado, como se não existissem
  • as estratégias de um sistema
  • as contradições de um sistema
  • as críticas (bem anteriores) que vêm de fora do sistema, que tem um nome: capitalismo.
e se ignorem
  • as posições críticas que se escoram numa outra opção ideológica
  • a natureza de classe das políticas que se criticam, pois, como as bruxas, que las hay, las hay
Ainda que se não se concorde com as outras opções ideológicas, como é coerente para quem tem uma (graças a deus...), é desonesto louvar o que faz Cavaco sem dizer o que não faz como seria de seu dever constitucional, como também tem "perfumes" hipócritas escrever coisas certíssimas sobre os malefícios do "carteiro não tocar duas vezes" desenquadrando-as de uma estratégia global de ataque aos direitos conquistados numa luta de classes em que, para a classe dominante, o que não der lucro não teria razão de existir e os tais direitos se metamorfoseiam em migalhas aparentemente caridosas que têm de ser distribuídas para evitar males maiores dados os limites da suportabilidade.

Para este domingo



Le diable (Ça va) (anos 50)

Jacques Brel

(tradução, a partir da mais recente versão,
com alguma "diabólica" liberdade...)

Um dia,
um dia, o diabo subiu à Terra,
um dia o diabo veio à Terra
para ver como iam os seus negócios.
Ele viu tudo, o diabo, ele ouviu tudo.
E depois de tudo ter visto,
e depois de tudo ter ouvido,
voltou a casa, lá nas profundezas.
E, lá em baixo, fez-se um grande banquete,
No fim do banquete, levantou-se o diabo,
e o diabo fez um discurso:


Isto vai!
Há sempre, um pouco por todo o lado,
fogos a iluminar a Terra.
Isto vai!

Os homens divertem-se como loucos
no perigoso jogo da guerra.
Isto vai!

Os comboios descarrilam com estrondo
porque há rapaziada cheia de ideais
metendo bombas nos carris.
E isso faz mortos originais
Isso faz funerais sem confissão,
confissões sem penitência
Isto vai!

Nada de vende mas tudo se compra!
Até a honra, até a santidade.
Isto vai!

 Os Estados fazem conluios às escondidas
Em anónimas sociedades
Isto vai!

Os grandes arrebanham dólares
retirados dos países das crianças.
A Europa representa o Avarento*
num cenário de mil e novecentos,
o que faz aumentar os mortos de fome
e provoca a inacção das nações
Isto vai!

Os homens, eles já viram tanto
que os seus olhos ficaram cinzentos e tristes
Isto vai!

E já não se ouve cantar
por todas as ruas de Paris
Isto vai!

Tratam-se os bravos como loucos
e os poetas como idiotas.
Mas nos jornais de todo-o-lado
todos os bandidos aparecem em grandes fotos.
Isso faz sofrer as gentes honestas
e rir as desonestas gentes

Isto vai, isto vai, isto vai, ça va!
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* - Molière na versão moderna da Austeridade