Na actualização matutina, saltitando de blog em blog, era fatal que hoje apanhasse com "o grande acontecimento de ontem": Sócrates, o seu discuros na dita "rentrée", o "coro dos fidelíssimos", a caixa de ressonância.
Apanhei com o aproveitamento, até à exaustão, da apresentação do programa eleitoral do PSD/MFL, na construção laboriosa do "legos a dois", querendo fazer de tudo o resto inútil ou desperdício, ou, se muitas peças sobrarem, que se recuperem num também laborioso anexo para o BE... e depois se vê.
Os alternantes e o seu suporte. Nada de debate democrático, com respeito pelos outros. Nada de encarar alternativas para as políticas, para uma alternativa política.
O "discurso do poder" é preocupante. Porque confunde tudo, e é sectário. O PS é Socrates, Socrates é o Estado, o Estado é o PS, como ministros comprovam ao fazerem, de qualquer inauguração, uma sessão de campanha eleitoral, numa espécie de tiro ao alvo no que foi o apresentado como programa da oposição do alternante PSD, ou melhor, Manuela Ferreira Leite.
Lutar contra esta ficção do Portugal em que vivemos é um dever de higiene democrática.
Aqui pelas vizinhanças há sinais gritantes (às vezes aos gritos...) desta sectária abordagem do que não é a nossa realidade mas que se quer convencer os outros que é.
Um blog (manuelinhod'évora), hoje, depois de um ditirambólico trecho com o aproveitamento das tintas mais cor-de-rosa do quadro pintado por Socrates, termina com este naco de prosa:
Entretanto, perante estas realidades há gente de outros partidos que vai dissecando minuciosamente os seus programas partidários nos "media" e por aqui nos blogues, fugindo à realidade interna do País e aos problemas do cidadão, na tentativa de criar alguns embustes à política oferecida pelo Partido Socialista.
Aquilo (a gente de outros partidos que vai dissecando minuciosamente os seus programas partidários por aqui nos blogs) dir-se-ia que é comigo e com este blog sem "me dar a confiança" de o fazer directamente.
Face à divulgação (por vezes cirúrgica) que é feita daquele veículo, quero vir afirmar que, se o tal programa partidário (e tão-só eleitoral) é o do PCP, tem o sub-título de programa de ruptura, patriótico e de esquerda, com 52 páginas, propõe 27 medidas urgentes, tem mais de 40 destaques, de que apenas transcrevi uma dezena neste blog.
E, já agora, se a sobranceria sectária, se a cegueira que o falso e aparente poder provoca não fosse tão grande, nesse programa eleitoral se poderia encontrar um equacionamento (na perspectiva do PCP, claro) dos verdadeiros problemas da sociedade portuguesa e dos cidadãos portugueses e até - veja-se lá - alguns trechos, sobre as obras públicas necessárias por exemplo, em que qualquer socialista não sectário veria matéria para troca de impressões e acertos de posições. Sim, porque não se esqueça que, por exemplo, o NAL (Novo Aeroporto de Lisboa) e a TTT (Terceira Travessia sobre o Tejo) incidem sobre uma região em que, de 9 concelhos, 8 são, hoje, CDU e o PCP tem 5 deputados na AR. Um mero pormenor que qualquer partido que quisesse encarar os problemas do País com seriedade consideraria.
Aliás, curiosamente, sinto que a caravana que passa é a nossa!