quinta-feira, abril 08, 2010

Reflexões lentas... curtas (por agora), irritadas e muito sérias

1. Quando o dr. Mexia e o eng. Sócrates falam em acções e em accionistas, estão a falar para nós, mas em que língua? Em português ou em negociês? É que um é “accionista” do outro, isto é, é seu patrão (em parte) e cliente. E é-o em nosso nome porque o Estado não é ele, somos nós!
E quando se entre-elogiam, um que foi de um governo num intervalo do que é, outro que vai sendo outras coisas no meio do governo que é primeiro, elogiam-se porquê? Porque alcançaram os objectivos. Cujos são, em negociês, ter lucros, muitos lucros, tantos lucros que aguentem sem problemas as remunerações do CEO (esta foi boa!...), quer as fixas, coitaditas, quer as variáveis em função dos objectivos, vencer a concorrência, exportar, «estar na vanguarda» porque eles são vanguardistas. Fornecer energia à populaça? Também, claro que também. E se o que vendem (por acaso é energia... podia ser outra coisa) sair mais caro que o que a dita populaça, os clientes…, possa pagar, pagava antes ou convenha pagar, e isso crie problemas sociais, perdão, eleitorais, lá se arranjarão eles para que o Estado (que não são eles, mas somos nós) cubra a diferença… porque o show must go on, dizia (parece...) o Frank Sinatra.
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2. O novo caso que por aí anda, o das dificuldades de “impressão” do Libération que impediram a sua distribuição em Portugal quando a Portugal, e ao seu primeiro-ministro, dedicava algum espaço, lembra tempos idos e vividos. Mas o que faz mais impressão é a estupidez. O que, hoje, poderia ter sido um episódio desagradável tornou-se em mais caso, ilustrador de falta de carácter (e de estupidez, insisto).
E, na verdade e a propósito, aquela argumentação de que haveria uma campanha com a finalidade, mais que condenável, de «assassínio de carácter», não tem, afinal, qualquer justificação. Não se pode assassinar o que não existe. Ponto final.

quarta-feira, abril 07, 2010

Sobre direitos humanos... quem quiser ouver, ouveja!


Reflexões lentas... e sofridas!

Quando, ontem, coloquei aqui uma lenta reflexão (dorida) sobre o tema “morrer de fome em África”, defendendo a ideia de que essa situação é, por natureza, absurda e só se pode explicar pelos caminhos desumanos que percorre a humanidade, não sabia que hoje seria o dia mundial da saúde proclamado pela OMS (que bastante se descredibilizou com a “pandemia da gripe”).
Não se morre de fome em África (e no mundo), mas morre-se de doenças que só a desumanidade provoca e permite que existam hoje e ali. E aqui!
E morre-se em guerras e de guerras. Que doenças são. E que, não sendo a guerra directamente doença da esfera da saúde, muito agravam as situações sanitárias. Pelo que provocam e pelo não deixam prevenir e curar.
Nestas reflexões, ao deixar os dedos correr sobre as teclas, retenho um comentário amigo que ontem me fizeram, em conversa amena, quando me disseram que também não se morre de sede mas de doenças provocadas pela água que se bebe. É verdade! Mas, também neste caso, há que separar o urbano do rural, o “civilizado” de quem está em estado ainda próximo da sobrevivência animal.
Nas cidades, pode haver míngua de água nas torneiras, e tanta que o “civilizado” não saiba que fazer por desconhecer rios e fontes, e corra riscos de morrer de sede. Mas “no campo”, na proximidade da natureza, o ser humano decerto encontra acessível um riacho, uma lagoa, uma poça de água que lhe mate a sede. Ainda que, ao matar a sede, possa estar a ingerir o que, pelo que contém, lhe cause a morte por doença. Não por sede.
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E olho para um quadro, ali na parede, que mandei fazer de um desenho de António Domingues (de 1951!), em que ele satiriza um texto escolar dessa época que diz que “o homem é um ser vivo, não faz excepção à leis da natureza, nem pode furtar-se à influência do meio”, o que está certo, mas acrescenta “os pretos da região equatorial, são indolentes e preguiçosos, devido às facilidades de vida que lhes oferece o meio, pois, para se alimentarem, basta-lhes estender a mão para colher os frutos da bananeira, do coqueiro, etc.” (o sublinhado de "do coqueiro" é do António Domingues).
As várias maneiras de pegar nas realidades, ou como "o meio" nos influencia. Nos anos 50, nas escolas, dizia-se o que aqui estou dizendo na versão de que os... pretos eram indolentes e preguiçosos e tinham uns braços tão longos que levavam as mãos ao cimo dos coqueiros! Lá morrer de fome não morriam...

A saúde na fronteira ibérica

Há quem se escandalize e grite aqui del-rei, que há traidores e migueis de vasconcelos. Mas... de quem a culpa?
Leia-se esta reportagem.
E acrescente-se uma questão... orçamental. O Estado espanhol não apresenta ao Estado português a conta dos custos com os cuidados de saúde que dispensa aos cidadãos portugueses portadores de "cartão europeu de saúde"? Mais uma via de agravamento do défice orçamental, cujo combate tudo justifica.

7 de Abril

O Dia Mundial da Saúde 2010,
comemorado a 7 de Abril,
tem como tema urbanização e saúde.

"1000 Cidades, 1000 Dias" é o tema escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a campanha do Dia Mundial da Saúde 2010.
O Dia Mundial da Saúde 2010 incidirá sobre urbanização e saúde. Com a campanha "1000 cidades - 1000 vidas", serão organizados eventos em todo o mundo, durante a semana de 7 a 11 de Abril de 2010, convidando as cidades a disponibilizar espaços para actividades de saúde.
O tema escolhido para este ano destaca o efeito da urbanização sobre a saúde colectiva, a nível global, e para cada um de nós individualmente.
São objectivos globais da campanha:
1000 cidades: abrir espaços públicos para a saúde, quer se trate de actividades em parques, campanhas de limpeza ou fecho de vias a veículos motorizados.
1000 vidas: compilar 1000 histórias de campeões de saúde urbana, que tomaram medidas com impacto significativo na saúde das suas cidades.
O Dia Mundial da Saúde, comemorado a 7 de Abril desde 1950, celebra a criação da OMS, em 1948.
Em cada ano, a OMS aproveita a ocasião para fomentar a consciência sobre alguns temas chave relacionados com a saúde mundial. Neste sentido, organiza eventos a nível internacional, regional e local para promover o tema escolhido em matéria de saúde.
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Fica para registo.

terça-feira, abril 06, 2010

Ainda a propósito dos cantoneiros da limpeza de Lisboa e a informação que temos

Na busca que fiz por dentro das notícias a que temos acesso, encontrei umas coisas curiosas e outras dramáticas, para não dizer trágicas.
No entanto, agora, e porque a razão da busca era a de ver o que tinha sido dito ou escrito sobre a greve e os seus efeitos (que os teve, decerto... e desagradáveis) , não resisto a inspirar-me numa outra notícia que, essa sim, teve relevo, relativa ao presidente executivo da EDP (parece que é assim que se diz) e que, se a assembleia geral da empresa concordar, vai embolsar 3,1 milhões de euros pela sua actividade de 2010.
Pois o chamado CEO da EDP justificou esses valores pela política de remuneração por objectivos. Que ele mais que cumpriu, que ele ultrapassou, evidentemente. Embora hja casos de quem não cumpriu s tais objectivos e, apesar dissi, mas adiante...
A questão é se alguém que esteja a trabalhar, cumprindo os objectivos que lhe foram atribuídos, vai, agora, ter direito acompensações a somar ao seu salário fixo?
Os cantoneiros da limpeza, por exemplo, quantos centos de euros vão receber, a somar aos 650 que recebem por mês, por apanharem o lixo-objectivo que lhes compete, e mais quantos centos por cada tonelada adicional que consigam, em competição individual, agredindo-se e sujando-se uns aos outros se preciso for?
De qualquer modo, puxei da máquina de calcular e vi que 650 euros, sendo a base de salário mensal dos funcionários camarários da limpeza, estão um bocadinho longe dos mais de 220 mil euros mensais (a 14 meses/ano) do dr. Mexia, e são pouco mais de metade do que a ultrapassagem de objectivos consignados ao dr. Mexia o fará (merecer...) receber por hora.
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São precisas mesmo muitas toneladas de lixo para tanto milhão de euros!
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(e nem mete golos, o tal dr. Mexia!)

A greve dos cantoneiros da limpeza de Lisboa e a informação que temos

Enquanto a sapo nos dava notícias do mau tempo no Brasil, e nenhuma primeira página dos jornais nas bancas nos dizia o que quer que fosse sobre a greve dos cantoneiros da limpeza urbana de Lisboa, notícia em Vermelho - a esquerda bem informada (do Brasil):
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Adesão à greve dos lixeiros em Portugal chega a 95%
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A greve dos trabalhadores da limpeza urbana de Lisboa, iniciada na manhã desta segunda-feira (5), conseguiu a adesão de 95% da categoria, segundo informações dos sindicalistas. A paralisação deve durar dois dias, deixando a capital de Portugal sem coleta de lixo até quarta-feira (7).


Os lixeiros reivindicam o aumento do adicional de penosidade, insalubridade e risco, congelados desde 2003. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML), que convocou a greve em conjunto com o Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL), o subsídio "tem por base uma decisão da Câmara Municipal de Lisboa de 1987 que contemplou não só a sua atribuição, mas também a sua atualização tendo como referência os aumentos salariais anuais para a Função Pública".

Intransigência

O valor do benefício foi corrigido até 2002. Desde então não foi alterado e os trabalhadores reivindicam a sua atualização. Segundo o STML, foram realizadas duas plenárias gerais sobre este problema no dia 24 de fevereiro. A intransigência das autoridades que podem resolver o problema provocou o "endurecimento da luta", conforme os sindicalistas.

Em entrevista à agência Lusa, o presidente do STML, Delfino Serra, assegurou que "Lisboa vai ficar sem recolha de lixo até quarta feira e isso terá efeitos pelo resto da semana. A recolha do lixo só deverá ficar normalizada na semana que vem".

O subsídio de penosidade, insalubridade e risco é auferido por cerca de três mil trabalhadores que diariamente se encarregam da limpeza urbana, do trabalho nos cemitérios (coveiros) e no canil, além de calceteiros, cantoneiros, operários das oficinas e motoristas de serviços especiais, entre outros.

Exploração

Delfino Serra denunciou a exploração a que esses trabalhadores estão sendo submetidos, começando pelo baixo salário. Eles recebem, em média, 650 euros base por mês, "grande parte está no início da carreira e recebe apenas o ordenado mínimo". Para o sindicalista estes trabalhadores "já hoje são os mais mal pagos do município e que desempenham aquelas tarefas consideradas mais difíceis, com riscos acrescidos para a própria saúde".

Segundo Delfino Serra, em muitos locais estes trabalhadores têm ainda más condições de trabalho, sem "espaço para fazerem refeições, sem balneários ou então com balneários apenas masculinos".
O dirigente sindical disse ainda à Lusa que "desde o início da greve, saiu apenas um carro para recolher o lixo", adiantando que estão assegurados os serviços mínimos de recolha junto dos hospitais e mercados, através de duas viaturas.

(Da redação, com agências)

Reflexão lenta... e dorida!

Vejo fotos que me impressionam. E questiono(-me): mas é possível que haja quem morra de fome como aquelas fotos de não sei onde em África nos mostram?!
Morrer de fome, em África?
Hoje?, só se for nas cidades... pensava eu, que por África já muito andei.
Como é possível que o animal homem morra de fome?
Custa-me a acreditar que se morra de fome “no campo”, na natureza de que fazemos parte e onde ainda não transformámos tudo por forma a que nada seja natural, a que tudo se tenha tornado selva de cimento, caminhos com portagens e vias verdes.
Não se pode morrer de fome em África, à espera de ajuda alimentar! Há por ali, à mão de colher, raízes, frutos, outros animais. Em África, morrer-se-ia, sim – e tanto! –, de parto, de doenças mil, de picadas de insectos, de ataques de animais maiores, mais fortes que as rudimentares defesas, de falta de tanta coisa. De falta de solidariedade, de humanidade. Não de alimentos.
Morrer-se-á de fome, naturalmente…, no «mundo civilizado», nas urbes, onde de betão se construíram “sopas dos pobres” e “bancos alimentares” que não chegam para quem não pode descobrir frutos nas paredes dos arranha-céus, raízes sob os rodados dos carros.
Mas, no entanto, hoje, em África, morre-se de fome. De fome de Humanidade!.

segunda-feira, abril 05, 2010

OUTRAS notícias - Bolívia

El candidato del MAS, César Cocarico, ganó la Gobernación de La Paz.
(Foto: EFE)
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MAS triunfó en 6 de 9 gobernaciones en Bolivia
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Proyecciones a boca de urna divulgados por varios medios de comunicación locales dan el triunfo al gobernante Movimiento al Socialismo (MAS), del presidente, Evo Morales, en seis de las nueve gobernaciones departamentales de Bolivia, y en siete de las 10 alcaldías principales de ese país andino, en las elecciones regionales realizadas el pasado domingo.

domingo, abril 04, 2010

OUTRAS notícias

Nota do Gabinete de Imprensa do PCP :

PCP condena nova escalada
de agressão israelita
contra o povo palestiniano
Domingo, 04 Abril 2010
O PCP condena os recentes ataques da aviação israelita contra os territórios palestinianos da Faixa de Gaza e chama a atenção para a gravidade das ameaças israelitas de uma nova ofensiva militar contra o povo palestiniano.
Tais crimes são inseparáveis de recentes e sucessivas provocações à legalidade internacional e ao povo palestiniano, como a decisão de alargar a ocupação e colonização de território palestiniano na Cisjordânia ou as recentes declarações de responsáveis israelitas relativamente a Jerusalém.
Face à evidente estratégia de Israel de lançamento de uma nova escalada de terrorismo de Estado contra o povo palestiniano, e de permanente e premeditada sabotagem de quaisquer possíveis avanços para uma saída pacífica, justa e duradoura para o problema palestiniano, o PCP reclama do Governo português uma inequívoca condenação de mais este crime do Governo e Exército israelitas e reitera que a actuação de Israel, ilegal sob os mais diversos pontos de vista, não pode, à luz da Constituição da República Portuguesa, deixar de ter reflexos nas relações entre o Estado português e o Estado de Israel.
O PCP reitera a sua solidariedade para com o povo palestiniano e a sua luta pelo inalienável direito ao estabelecimento do Estado da Palestina, independente e soberano, nas fronteiras anteriores à guerra de 1967 e com Capital em Jerusalém Leste.

As notícias que (ainda) nos surpreendem

no sapo!:

Médio Oriente

Israel autoriza entrada de roupas e sapatos em Gaza (TSF)

Israel autorizou a entrada de carregamento de roupas e sapatos na Faixa de Gaza, algo que acontece pela primeira vez em quase três anos de bloqueio a este território controlado pelo Hamas.

sábado, abril 03, 2010

Congresso - 6 - última reflexão apropósito

Neste blog, para fecho destas anotações sobre o Congresso de Ourém, que tanto me “ocupou” por oureense idiossincrasia, retomo a minha abordagem no tema para que fui convidado – o da economia –, e o meu mote: o universal é o local menos os muros (Miguel Torga).
Outros locais, muitos, haverá que podem convocar o mote, mas Ourém é decerto um deles. Como concelho, pode dizer-se que «não se sabe de que terra é» no desordenamento do território em que Portugal insiste em viver. Ou insistem alguns interesses por ele, melhor: por nós, portugueses.
Consensualmente espaço de transição, todas as abordagens sérias o sublinham. O acesso aos fundos e apoios centrais tem condicionado uma tomada de posição reivindicativa de clareza quanto ao posicionamento, potenciando as virtualidades de estar entre o sul e o norte, a faixa litoral e o interior raiano. E, paradoxalmente, assim se desaproveitam, como agora pode ser o caso do PRODER e do PROT-OVT, esses fundos e apoios, como parece ter sido o caso no Congresso em que as referências a tais programas terão sido pouco motivadoras e, talvez, não tenham estimulado a necessária valorização das reflexões estratégicas.
Assim terá sido porque se vive um tempo de desconsideração do aproveitamento dos recursos nossos, naturais ou adquiridos, e a sua consideração valorizaria o local e os seus recursos. Tudo parece submergido pela financeirização, pelo dinheiro, único – e simbólico e falso – recurso que parece existir, e nas mãos universais de quem exige condições (de facilitada circulação e reprodução) para o aplicar localmente.
Isso transpareceu no discurso final do presidente da câmara, que poderia ter sido feito sem que se tivesse realizado o Congresso, discurso que foi marcado pela obsessão da internacionalização, isto é, a economia empresarial voltada para a exportação, e pela situação financeira e como lhe fazer face pela atracção de capitais financeiros externos.
Na semana seguinte, o primeiro-ministro pareceu repetir a “receita”, quando o que se passa é que a “receita” é a mesma, que se repete a partir “de cima”, do universal centralizado ao nível nacional e transcendendo para supranacional e universal, "receita" redutora e que, apesar dos papeis em que é escrita, da cor das tintas com que é prescrita e locais onde é aviada, é a mesma que se repete à exaustão.
Por isso, em todos os discursos que vou ouvindo deste jovem presidente da câmara, com crescente maior domínio na exposição dos temas que repete, reconheça-se, apenas vai tornando mais redutora e fechada a abordagem, pois fala sempre da “aldeia-global”, assim tornando o discurso talvez mais “sedutor” mas decerto mais redutor, e mais fechada a abordagem, pois não é a aldeia que se abre ao mundo mas o mundo que enclausura a aldeia.

Mas, sobre Ourém, e os seus problemas – que tantos são – mais um pouco direi na última mensagem em poraqui-porourém.blogspot.com.
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Isto é o que eu vejo, com as leituras que tenho, como a deste livro, para cuja edição em português contribui em 1998.

A euro-perplexidade?! - 2

Depois de ter (a)postado na mensagem anterior, fiquei eu numa perplexidade.
É que fui folhear, rever com alguma atenção, o livr(inh)o referido

e fiquei sem saber que fazer. Como me não é habitual. Porque me atiro, quase sempre, para "o que fazer". «Não temo o erro porque estou sempre pronto a corrigi-lo» (Bento de Jesus Caraça).

Mas, desta vez, fiquei hesitante, a patinar...

Talvez, sei lá..., talvez reproduzir algumas das 40 fichas que compõem esse livro, editado em Junho de 1997, resultado de trabalho para apoiar dezenas de acções de esclarecimento sobre o que estava em causa na criação e adesão à moeda única, tal como se estava a realizar, "arrumação" para melhor poder continuar na luta (colectiva, partidária) para chegar aos outros. Explicando porquê dizíamos (e dissemos) Não à moeda única, denunciando quais seriam as suas consequências, tal como estava a ser criada. Consequências que, agora, se vêem perplexamente (?) "descobertas", ignorando as causas, desconhecendo quem as atempadamente preveniu, aqueles (indivíduos e/em colectivos, que um só o foi) sumariamente retirados do arquivo como "velhos do Restelo".

Por agora... talvez começar por transcrever um parágrafo do prefácio ao livro de 1997:
  • Esta batalha está, evidentemente, inquinada pelo facto de ser desequilibrado, desleal, batoteiro, o acesso aos grandes veículos da comunicação social, o que faz com que o que se consegue dizer a escassas dezenas de co-participantes ou ouvintes de colóquios, entrevistas, debates, seja contrariado pelos minutos e horas e dias em que passam as mensagens que chegam a milhões, dizendo da moeda única e do seu processo de criação o que só, e como só, a publicidade e a propaganda sabem fazer cada vez melhor. E com mais meios. E, quase sempre, travestidas de informação inócua ou de esclarecimento paternalista.
Publicidade e propaganda de classe! Mesmo quando tem de confirmar o que, quase década e meia antes, foi dito que iria acontecer e porquê.

sexta-feira, abril 02, 2010

A euro-perplexidade

Folheio a «penitência» expressa semanalmente – com um dia de antecedência por ser Páscoa – e apanho com uma primeira página do caderno Economia em que o euro aparece maltratado, coitadinho, ele de que ouvi, recentemente, os maiores e mais disparatados elogios, como se tivesse sido a invenção do século (passado!) e onde se diz que «economia portuguesa foi a que mais perdeu fôlego depois da adesão à moeda única».
Depois, nas páginas 2, 3, 4 e 5 trata-se do assunto, e deparo, na 3, com o seguinte quadro:

Pelo que, com continhas complementares, se vê que o ritmo do crescimento económico médio anual de Portugal passou de 2,7% entre 1990 e 1998 para 1,1% desde que há euro, em 1999-2009, (isto é, -1,6 pp e -59%) enquanto, nos outros Estados-membros do gráfico, a alteração de ritmo foi

  • entre os que aumentaram o ritmo de crescimento: a Grécia, (+1,7 pp e +94%), a Espanha (+0,5 pp e +22%) e o Luxemburgo (+0,3 pp e +8%),
  • o que não teve alteração, a França,
  • e os que diminuíram o ritmo, a Finlândia (-03 pp e -12%), Áustria (-0,3 e -14%), Holanda (-1,1 pp e -38%), Irlanda (-2,7 pp e -38%), Alemanha (-0,6 e -40%) e Itália (-0,6 e -46%).
E onde ainda se pode ler que «… alguns “velhos do Restelo”, como o Nobel de 2008, Paul Krugman, chamaram a atenção para as dificuldades em corrigir desequilíbrios económicos sem câmbios, mas não foram levados muito a sério (…)».
A isto voltarei, lembrando coisas escritas num livro de 1997, coisas que são bem mais que chamadas de atenção, que são contributos, então e hoje, para se perceber o que é uma moeda, as diferenças entre moeda única e moedas comuns, a competitividade e a «arma cambial», o capital especulativo e a especulação.
Ou, por outra, o que é uma moeda única, para que serve, quem serve, que consequências tem a sua instauração. Como foi e porque está a ser assim e como será. Não como profecias e vias únicas, mas como caboucos de entendimentos e vias que se abrem para caminhos a percorrer.
Até já.

Underground - Kusturika

Não sei se é defeito, se é feitio. Fico a pensar nas coisas...
Depois de vir de Ourém, de ter deixado, impressionado (isto é, sob o efeito de impressões...), umas linhas e três frases que queria passar ao papel (maneira de dizer...), fui dormir. E pensar. E o comentário que agora encontro na mensagem pôs-me de novo à escrita.
O filme é muito longo, será mesmo demasiado longo. Será? (ou eram as cadeiras que não são para quase 3 horas de assento?). Nalgumas passagens, irritei-me e disse cá para mim "... não, não é assim que se devem tratar coisas tão sérias!». Se calhar não é, mas foi. E foi eficaz quanto ao que presumo - presumidamente... - ter sido a intenção de Kusturika-nascido-em 1954-adulto nos anos 80/90, dada a sua formação e vivências (que o formaram) que o levaram a assim contar a história de um País que é o seu e que deixou de existir. Porque foi assim que aconteceu. Ou que ele viu que devia contar o que aconteceu.
Uma história da Iugoslávia, o país que foi e que deixou de ser, entre 1941 e 1995, com as tabuletas a indicar caminhos para e de Atenas, Berlim, e outras cidades, sempre presentes nos esgotos e subterrâneos (e o que não era subterrâneo, e o que não era no filme o 3º Homem em Viena e nos esgotos de Viena?).
O filme é a Iugoslávia entre quarenta e um e noventa e pouco. Mas também é o já antes, antes de ser o país unificado, é o que foi aquele pedaço da Europa sempre nos entroncamentos da História. A contar, daquela maneira, como nos tropeços da História se avança e se recua, por acção dos homens e das mulheres, como são/somos no tempo em que somos.
«... não, não é assim que se devem tratar coisas tão sérias!»? Mas é! Porque foi a maneira de Kusturika nos contar a história daquele país (o seu, em que cresceu, com os seus pais e os seus avós), e que já não é porque nós somos assim, ou deixamos que sejamos assim. Enquanto. Foi a sua maneira de nos dizer que a guerra não tem nenhum sentido e tem todo o sentido e só é mesmo guerra quando os irmãos (não o seremos todos?) se entre-matam amando-se mas deixando que outras coisas se sobreponham ao amor, à fraternidade que não morre quando os irmãos se matam. Foi a maneira de deixar gelados (a mim deixou) o sorriso e o riso que nos foi despertando ao longo do filme. E a fazer pensar.
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Esta história não tem fim! Muito menos este. Talvez aquele. Aquele começo que é o de uma jangada de pedra «à Saramago»!

Underground

Tenho aqui falado de Ourém. Apesar de ter um blog para isso. E não este.
De novo o faço. Porque é aqui que o quero fazer. No regresso de uma noite diferente. Porque houve quem a proporcionasse. Iniciativa e trabalho de uma equipa (acho eu...) que merece parabéns e estímulo
Um serão cultural. De cinema. No Museu Municipal. O ciclo Kusturika. Em Abril.
Venho satisfeito. E impressionado. Não diria em estado de choque... impressionado, está bem.
Não sabia se tinha visto Underground. Não tinha. É Kusturika, em 1996, a contar-nos, doridamente (muito doridamente, embora às vezes não parece e nos faça sorrir e rir), o seu País, a Iugoslávia. Que era uma vez...
Só três frases gravadas (e não por serem das últimas, embora por razões kusturikas o sejam), e para ficarem como registo desta primeira noite... do resto das nossas vidas oureenses?
  1. Uma guerra só é mesmo uma guerra se irmão mata irmão.

  2. Era uma vez um País. (a penúltima do filme)

  3. Esta história não tem fim. (a última do filme)

E, cá por coisas..., vou também colocar esta mensagem no som-da-tinta.blogspot.com. Como quarto registo.

quinta-feira, abril 01, 2010

Aproveitado da pausa para congresso - 5: turismo e internacionalização

O 5º tema do Congresso, sobre Ourém no mundo, não mereceu (e merecia!) toda a atenção que lhe queria dar (como a todos). Outras obrigações - e ligadas ao congresso, até sociais... - distrairam-me, e não ouvi na íntegra todas as intervenções(*).

Do que ouvi, e com todo o risco assumido para tudo quanto até agora escrevi e ainda escreverei sobre o congresso, retiro duas ou três reflexões que não queria que se perdessem nos (e com os) papéis em que as anotei.

Uma dessas reflexões é sobre a primeira intervenção, que se esperaria que fosse sobre a temática da integração do concelho na estratégia do turismo regional, nas suas enormes potencialidades e especificidades, e o que trouxe para as tais notas - e não só minhas - são outras observações, sobre outras coisas. Teria sido uma intervenção que começou por querer ser uma aula, ou lição, e na sua longuíssima introdução (nem sei se o foi mas pareceu e, por isso, foi!) falhou totalmente. Veio a despropósito do congresso e nada terá ensinado a ninguém. Nem o próprio teria aprendido o que quer que fosse porque parece ter perdido a vocação, não tendo recuperado tempo de perdida docência.

Outra nota, tomada durante este painel, foi sobre a palavra internacionalização, que ainda viria a ouvir enfatizada depois, neste curto intervalo de tempo após o painel, e não só no que veio a seguir no congresso, mas também no debate na Assembleia da República.

A internacionalização é uma dinâmica que, por vezes, até grafo como interNACIONALização para, nessa grafia, traduzir a sua génese e a talvez efemeridade do que está na sua génese (lembro o livrinho/livrão A Crise da Europa, de Abel Salazar, de 1942). Por isso mesmo me custa ouvir falar com ligeireza (para mim, claro...) de tal dinâmica que, sendo inter-relacional, por efeito de e influenciando outras dinâmicas, nos foi tornando cada vez mais interdependentes no espaço. Assimetricamente mas interdependentes!

Aqui, neste canto de eventual conversa e convívio, deixo esta pista de reflexão para (minha) memória futura.
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(*) - Por isso, terei decerto cometido algumas avaliações injustas. Mas nunca tive a intenção de fazer de avaliador. Só aproveitar o que apreendi, de ouvido atento mas solicitado para outras atenções e sem o confronto com textos, que alguns espero poder ler. Pelo que aceito os remoques de Sérgio Faria (estes últimos...) em ocastelo. E se a leitura de um texto que comentei me levar a corrigir o comentário tirado de notas ao momento e sobre o joelho, fá-lo-ei sem qualquer hesitação. Que outros não pensem como eu é coisa a que me fui habituando... ainda que, à partida, pudesse não ter vocação para isso, e não são essas diferenças que me levam a reagir como às vezes faço, talvez levando a interpretações que não desejava.

Não esquecer as Honduras, os assassinatos silenciados e os assassinos impunes

Um manto de silêncio cobre as Honduras. Pretende-se que não se fale do que lá se passa. Como se, com as eleições que ninguém levou a sério, se tivesse voltado a uma normalidade. A uma normalidade que não tem nada que se lhe diga.
Mas tem! Há uma resistência que continua. Ensurdecida. E uma repressão surda, porque põe silenciadores nas armas que disparam.
Há mais de um mês os trabalhadores da Universidade Nacional estão em greve, por um novo contrato colectivo e contra a pretendida privatização, as manifestações sucedem-se, a Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado (FNR) não desmobiliza. Pelo contrário.
Entretanto, sucedem-se os assassinatos. O último, a 23 de Março, foi o de um professor, José Manuel Flores, membro fundador do Partido Socialista Centro-americano (PSO-CA), abatido a tiro no local onde leccionava. O que provocou uma greve geral dos professores.
Mas, antes, e neste ano, conhece-se o nome de dois sindicalistas e cinco jornalistas que foram assassinados. Por para-militares, em total impunidade, à maneira colombiana. E o que pode parecer estranho é que não haja divulgação ereacção na comunicação social internacional, que tudo pode leva a todo o lado a todo o momento. Sobretudo quando se trata de oficiais do mesmo ofício:
David Meza, Rádio El Patio, Nahum Palacios, televisão de Aguán, Joseph Ochoa, Canal 51 de Tegucigalpa, e José Bayado Mairena e Victor Manuel Juárez, ao concluirem o seu serviço de noticiário na Rádio Súper 10.

Reflexões... lentas - sobre tudo

Vou escrever o já mil vezes escrito, já de mil maneiras dito: a política atingiu o seu nível mais baixo.
E, curiosa e paradoxalmente, há pelos chamados políticos um enorme desprezo e um não menor respeito (será a palavra certa?) reverencial (é a palavra certa!).
No ambiente moral em que vivemos, "os políticos" são os que mandariam (mandarins/mandaretes), os que deteriam o poder (poderosos/apoderados), os que, por isso, são os culpados das situações. Situações que as gentes sofrem mas de que se esforçam por se safar (sem força…) num salve-se quem puder de que "os políticos" são modelo e exemplo. Porque, eles sim, eles safam-se sempre!
Depois, e é o pior de tudo (para mim) «"os políticos" são todos iguais». E para as gentes, eu sou… político! Assim me chamam, etiquetam, anematizam. Igual aos “políticos”, claro. Sem o poder deles mas igual. Só que com o que se despreza em "os políticos" e sem o poder que os faz serem respeitados (será o verbo?).
Mas… mais pior ainda. Igual aos outros nos anátemas mas muito pior que os outros… porque comunista! Os comunistas serão os piores de todos "os políticos" pelas razões que levam os comunistas a combater as políticas de "os políticos"…
Embrulho-me nestas reflexões? Não! Neste caso, não sou eu o embrulhado.
E, mais!, luto – como cidadão e vizinho – pela credibilização da Política. Pela dignificação da Democracia.

Tenho é sonhos altos, isto é, peneiras...

Acordei, esta madrugada, para uma insónia. Acordei de um pesadelo. Tinha sido preso! Por alguém, não anónimo mas um protótipo juntando um bocadinho de dois ou três personagens, cujo, com a morte na alma (e nos seus suplementos…), me encarcerava para me impedir de perturbar a salvação da pátria, que é aquela que têm no bolso e mais nenhuma, e que continua os esforços com que colocaram a pátria no estado em que está...
Ainda a sobrenadar na insónia, apercebi-me da enormidade do meu sonho. Porque eu não incomodo nada nem ninguém. Serei, para eles, um pequenino “grilo falante”… Tenho é peneiras! Porque, se na verdade eu e outros peneirentos como eu perturbassem os que e o quê tão convencidos se querem mostrar de que a saída é só uma e aquela por onde denodadamente, contra ventos e marés, lutam com toda a sua superior capacidade (e o apoio e o respeito estrangeiros, os conhecidos e os estranhos), então sim, seria um risco, e justificar-se-ia algo ser feito para me/nos impedirem de impedir, para me/nos riscarem. Como noutros tempos e lugares foi feito quando tal se justificou.
Posso ir dormir descansado. O que é uma maneira de dizer… porque isto me tira o sono! E sei que resistiremos, lutando contra tudo. Contra a nossa considerada (e construída destruindo, arrasando) pouca importância, contra eventuais tentativas de apagamento nosso por outras vias.

Para poder ter bons sonhos devo é deixar de “ouver” os debates na Assembleia da República e de acompanhar até ao discurso final congressos como o de Ourém!
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(Bolas, a culpa é sempre minha, e o remédio será sempre meu…)