sábado, novembro 22, 2014

Curtas - 2ª edição (ligeiramente aumentada) do publicado há uma semana

Ouvido:

"Há um cheiro a podre que tresanda..."
(o cheiro está a tornar-se insuportável nauseabundo é o termo... será do adubo e suas bactérias?)

Lido:

"Uma questão final: se o primeiro ministro for preso, a ministra da justiça demite-se?!"
(e se for o ex-primeiro-ministro a ser preso detido?!)

Escrito:

"A corrupção está no ADN do capitalismo,  a promiscuidade é a sua vocação e o clientelismo voctacional"
(os casos personalizados, os nomes, apenas interessam para ilustrar... e se ilustram!)

Depois da Assembleia, o Concerto pela PAZ

CONCERTO DA PAZ NO FORÚM LISBOA

O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) realiza, no Fórum Lisboa (Avenida de Roma), no próximo sábado, dia 22 de Novembro, às 15h00, um concerto pela paz, com a participação de B'rbicacho, Conservatório D'Artes de Loures, Clave de Lua, Duarte, Luísa Amaro, Luísa Ortigoso, Oficina do Canto, Paulo Ribeiro com Jorge Moniz, Peste & Sida, Samuel, Sebastião Antunes e apresentação de Tiago Santos.

A iniciativa ocorre num contexto em que «os povos vêem crescer as ameaças à Paz em diferentes regiões do mundo» e «a guerra, com o seu rasto de barbárie e destruição, é cada vez mais utilizada pelas potências ocidentais dominantes para impor os seus interesses», lê-se na nota de apresentação publicada na página do CPPC. A não perder!

E eu aqui. Ao computador!
Que não faça qualquer falta.
Pois se nem nos coros entro
(e ainda bem para eles...).
Quanto à solidariedade 
e aplauso,
chegará lá!

25ª Assembleia da PAZ

Está a decorrer. 
E eu aqui! Por impossibilidade objectiva.
Pouca falta farei 
(um a menos é, sempre!, um a menos) 
mas a mim me faltará.
Que corra bem. 
Como tão necessário é! 


sexta-feira, novembro 21, 2014

Reflexões lentas - "Os políticos" e as políticas

De súbito, no meio da agitação provocada por estar ainda (sobre)vivente o sistema de relações sociais a que se chama capitalismo e a cuja autópsia se procede, apareceu um acontecimento que ligou os dois níveis a que se faz política em Portugal (e não só) - o nível da superstrutura em que uns fulanos a discutem e a "fazem", e o nível da subjectividade das massas, que é a base de tudo: as pessoas vivendo e con-vivendo.
Quando a ligação entre os dois níveis está no estádio de divórcio, de ruptura, como num golpe de mágica surge o incidente da suspensão da pensão vitalícia aos "políticos", ou seja, aos ex-eleitos - logo, aos cidadãos eleitos para serem, por período de mandato, a parte do nível superstrutural que delibera e executa, no interesse dos cidadãos representados, tal como o configura o quadro definido adrede, isto é, constitucionalmente. Essa delegação, pelo povo, do que, em sua representação, é deliberado e executado deve ser feita sob vigilância de quem, também eleito, tem o mandato temporário de avaliar a justeza e adequação dos desempenhos dos representantes, nesse quadro, e dos que, tecnicamente, têm por função verificar se esse quadro está a ser respeitado.
A isto chama-se democracia, evidentemente condicionada, na prática, pela correlação de interesses e forças sociais mas sempre no quadro constitucional.
Ora, assim sendo (por mal resumido que esteja), começo por recusar a divisão dos cidadãos (dos con-viventes na "cidade" ou num definido espaço geográfico, histórico, cultural) em políticos e não-políticos. São políticos os que têm o direito de eleger (mesmo - e quase diria sobretudo - quando não o fazem), são políticos os que têm o dever de aceitar ser eleitos. Sublinho a (teórica e inquestionável) efemeridade da situação de eleito - representante de representados - e critico a assumpção (pelos eleitos e por consenso inerme) de que a eleição é uma  promoção social, uma nova condição, um outro "ser". A eleição cria, isso sim, um mandato social, uma representação condicionada e temporal, um "estar" com prazo fixo embora potencialmente renovável (e nem sempre).
Não encontro maior e mais perverso ataque à democracia do que aquele que divide "democraticamente" os cidadãos e institui uma casta - "os políticos" -, ou que permite que alguns se castifiquem servindo-se da democracia para a desvirtuar.

Num momento de verdadeiro desnorte e de desagregação de um executivo (nesse desnorte se incluindo os partidos que têm partilhado executivos) que conseguiu unir contra si toda a base social, que criou condições ou permitiu ou facilitou ou cobriu todo o tipo de desmandos e agressões à ética e à legitimidade (e até à legalidade), este episódio da suspensão da suspensão depois suspensa é burlesco em si e é preocupante pela porta que a demagogia escancarou em agressão descabelada contra "os políticos", sem uma análise e serena do que estava (e está) em causa.
Mas reservo opinião sobre o que está em causa por poder implicar uma chamada "declaração de interesses pessoais", declaração que preenchi anos a fio, cumprindo normas constitucionais e estatutárias, com a tranquila consciência de nunca ter beneficiado (bem pelo contrário... e muito!) do facto de ter sido cidadão eleito por con-cidadãos para os representar.
E termino a reflexão que "posto", reiterando a grande preocupação perante o perigo para a democracia por assim se aproveitarem pretextos para mobilizar a dita "opinião pública" na anatematização de "os políticos", como se casta fossem, e iliba as políticas que, executadas pelos que como tal se assumiram servilmente, vão permitindo a sobrevivência de um sistema em estertor.    

"pequeno filme tirado a 500 milhões de quilómetros"

De um amigo recebi este mail com o título acima:

É fantástico e quase parece ficção!
a mais de 3 vezes a nossa distância ao sol, o pequeníssimo filme do impacto da Philae no cometa 67P (a nuvem de poeira!) e, depois do ressalto por falha no arpoamento, a sonda ali próximo finalmente pousada.
Três simples imagens feitas de fotões que levaram quase meia hora a chegar até nós!

Que maravilhas não são possíveis quando a humanidade, em vez de se empenhar na destruição do presente, se dedica a construir o futuro!...

J



(Image: ESA Rosetta Navcam)


Só deu para agradecer 
e para dizer que partilhava o seu entusiasmo. 
Assim o faço.

Coisas que passam "ao lado"...


Em Guayaquil, Equador

PCP participa no 16º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários

quinta-feira, novembro 20, 2014

BES e léxico

As audições na AdaR na comissão de inquérito ao BES têm sido, sobretudo por acção do grupo parlamentar do PCP, uma espécie de autópsia do capitalismo regulador, mostrando toda a genética ineficácia e o papel falacioso dos mecanismos e entidades de regulação.

Mas também tem servido para enriquecer as aplicações do léxico:

 «Ministra das Finanças peca por omissões

A diretora do 'Jornal de Negócios' comentou, no 'CM Jornal' de quarta-feira, a ida da ministra das Finanças ao Parlamento, no âmbito da comissão de inquérito ao BES. "A ministra peca por omissões, não por mentir deliberadamente", sublinhou Helena Garrido.» 

Quer dizer, mentir (eventualmente não deliberadamente) será igual ou será o mesmo que omitir.

quarta-feira, novembro 19, 2014

Palavras oportunas

Este "retrato" de uma realidade que está a ser vivida pede mesmo publicação. As palavras são armas (e decerto noutros lugares) já o fizeram. Não resisto a imitá-lo, com o enorme (e oportuno) gozo de ouvir Mário Viegas dizer palavras de Mário Henrique Leiria. 

terça-feira, novembro 18, 2014

Reflexões lentas (e curtas)

A ferro e fogo ou, talvez melhor..., em carne viva, procuro que a cabeça continue a funcionar. Com lucidez.


  • Um "cérebro" privilegiado, daqueles que também reflectem muito, embora (acho eu...) em excesso, aproveitou a morte do José Casanova para... reflectir sobre centralismo democrático. "Reflexão" que foi um ataque ao que o Zé defendia e debatia com enorme abertura e receptividade para as ideias e posições dos outros. Não mereceria duas linhas de resposta, nem o estou a fazer. Não pelo tema, não por entender que em quem morreu não se deve beliscar e apenas lembrar as virtudes (mesmo que haja defuntos que nenhumas tenha revelado em vida), mas pelo oportunismo e ausência de respeito de tal ataque que da morte do Zé se serviu, pelo que, ainda assim, transcrevo a reflexão que as circunstância me provocaram: algumas cabecinhas que se julgam privilegiadas deveriam começar por noções básicas e etimológicas como a de que há uma diferença qualitativa insuperável entre obediência e disciplina. E disse.

  • Tenho vindo a adiar a divulgação(zinha) destoutra reflexão sobre estatísticas e comunicação por razões que me parecem justas. Não queria que, com a legionella no topo dos noticiários, contribuir para mais eco, por infinitésimo ele que seja, e menos ainda para alimentar o quase-pânico que se instalou. Por outro lado, não posso deixar de considerar significativo e merecedora de reflexão o uso da estatística não para melhor informar mas para manipular a informação. Quer o director-geral de saúde quer o ministro da pasta que tem esse nome, vieram "acalmar o gentio" com o argumento aparentemente científico da desaceleração do número de pessoas atingidas. Dizer que se passou do crescimento quadruplicado de casos, depois triplicado, para um crescimento apenas duplicado e, por fim, para um de tão-só 35% é contar com a deficiente formação da "malta" (em estatística) e aproveitar esse menor conhecimento para nos desinformar. Exemplifiquemos: de 10 para 40 são 30 casos que quadruplicam o número de casos, de 40 para 120 são 80 casos que triplicam o número de casos, de 120 para 240 são 120 casos que duplicam o número casos, de 240 para 324 são (ainda!) 84 casos a acrescerem 35% o número de casos. A informação é uma arma muito sensível...      

segunda-feira, novembro 17, 2014

Ainda (e sempre) a morte do Zé

Para muitos, terá sido uma notícia inesperada. E brutal. Para alguns, terá sido a notícia adiada nos seus últimos dias de luta. Nem por isso menos brutal. Que nos impede de trabalhar, com a sua perda e já saudade a ocupar-nos o pensamento.
E, para todos, foi tudo tão rápido! Sobretudo, depois da notícia ser posta a correr nas nossas vias de comunicação. No sábado de manhã, o Zé morreu, à tarde, o enterro é amanhã com cremação no Alto de S. João às 19 horas. Assim, a correr. E assim foi! E assim talvez tivesse de ser. Mas ficou-nos um vazio dentro do vazio que a morte e o enterro do Zé deixaram em tantos de nós. Que vamos recuperando, enchendo-o com tudo o que o Zé nos deixou.
Sinto-me incapaz de retomar, com normalidade, o trabalho e a luta (que quero ligados) sem deitar  cá para fora duas ou três observações que me ocupam.
O Zé há tempos que tinha problemas de saúde, desde o deixar de fumar, que tanto o abalou, aos diabetes e outras rasteiras que a idade nos vai armadilhando. Mas a sua morte que tanto nos dói foi provocada por circunstâncias que nos indignam (ou deviam indignar!). O Zé ia ser sujeito a uma intervenção sem grandes riscos (embora todas e tudo os tenham) num hospital e, nesse hospital, aconteceu-lhe o que parece ter passado a ser a condenação de todos, ou quase todos, que aos hospitais têm de recorrer. Foi invadido por uma bactéria que, apesar dos esforços para a expulsar, se multiplicou numa colónia de bactérias. O Zé não resistiu à septicémia. A morte do Zé, pelas causas que teve, teria sido evitável se outra fosse a política em relação aos hospitais públicos, ao Serviço Nacional de Saúde.
Depois, magoa viver um tempo em que morte de um homem como o Zé, pelo exemplo de vida honrada e dedicada a um viver mais humano e a uma Humanidade em construção, pela sua cultura, pela sua intrínseca humanidade, pelo seu currículo, tenha ocupado o espaço e o tempo que ocupou na comunicação social, tempo e espaço que se pode dizer que nenhum foi relativamente ao que lhe era devido se os critérios editoriais não fossem de classe e o Zé um exemplo da luta da outra classe.
Foi tudo tão rápido (e silencioso) que se poderia quase dizer que apenas teria sido a morte de mais um (como foi!), mas foi  também de mais um que, pelo que fez da sua vida durante a sua vida, bem justificou a emoção de tantos mil que o quiseram acompanhar até ao fim físico. E que o acompanharam, tristes e lamentando não o fazerem num cortejo fúnebre até ao cemitério, enchendo aquele curto trecho das ruas de Lisboa. Todos os que estiveram no Alto de S. João sentiram (e continuarão a viver) a importância que o Zé teve nas suas vidas e nas lutas que se travam a todos os níveis, e a muitos custou ter de fazer aquele pequeno trajecto nos passeios encurtados pelos carros estacionados, e sentiram como uma violência ver o carro que transportava o corpo do Zé ter de parar nos semáforos, ao sinal vermelho.

Viva o José Casanova!
Pelo que foi e pelo tanto que nos deixou.        .      

O fana-liberalismo e os fana -liberais

Nicolau  Santos publicou, no Expresso-Economia, mais um esclarecedor artigo na sua página 5. Merecedor de leitura, reflexão e... transcrição:


Na participação na conferência 
do 90º aniversário da Associação dos Inquilinos Lisbonenses
surgiu-me uma nova expressão:
fana-liberalismo
fase superior do ultra-liberalismo,
querendo que "fana" possa ser lido 
como fanáticos (e se os há!) 
ou... fanado!


domingo, novembro 16, 2014

Foi tão bom o convívio, amigos!

Foi como gostamos (e porque gostamos) deste cantinho. Amigos, camaradas, conversa sempre séria embora envolvida nas falas do aparentemente fútil quotidiano.O nosso presente, com o crescente peso e expreriência do passado a querer ajudar ao f uturo que temos de construir.
Não se diz uma tarde de festa porque não o podia ser. Porque, ontem, perdemos a presença física do Zé, que ainda hoje vamos acompanhar pela última vez. na certeza  de que José Casanova continuará vivo em nós e nesse futuro para que ele deu  tão forte contributo (e continuará a dar com o que nos deixou como testemunho vivo e exemplo).

Ontem, a abrir o nosso convívio, li isto:

Como anfitrião, dou-vos as boas-vindas e agradeço a presença no que se pretendia que fosse um encontro de convívio alegre, festivo. Não o poderá ser! Sobre todos nós caiu a notícia esperada, mas nem por isso menos brutal, da morte do Zé Casanova esta noite. Se tínhamos a intenção de referir a sua falta e de afirmar toda a nossa preocupação e solidariedade para com o Zé na sua luta pela vida, tudo se precipitou e alterou. A todos nós nos faltará a presença física do Zé; para alguns, que melhor o conheciam, essa falta é um desgosto irreparável. 
Chegámos a pensar não realizar este convívio. O Zé não o quereria! Porque é um encontro de amizade e luta. Em que ele sempre esteve, em que ele está e em que ele estará sempre. Vamos passar uma tarde como ele gostaria que o fizéssemos, não com alegria, festiva, mas com a tranquila certeza de que estamos juntos, com toda a confiança no futuro, e que para ele temos de dar o nosso contributo. Vou passar a palavra ao Miguel Tiago, sem apresentações formais para além de sublinhar que é um jovem, embora estas questões de juventude e de velhice tenham muito que se lhe diga e toda a relatividade... Apenas lembro uma das muitas lições que José Casanova deixou em pequenas frases ou observações no meio de conversas amigas: dizem – alguns demagogicamente – que o futuro é dos jovens, mas os jovens são o presente que constrói esse futuro.

Obrigado a todos!














(Obrigado, Guida)

sábado, novembro 15, 2014

Morreu o Zé!

A mensagem veio. Esperada. Nem por isso menos brutal. 
Morreu o Zé. 
O José Casanova, o amigo, o camarada. 
O homem que melhor confundia duas características que o identificavam: o camarada, o amigo.
Morreu um ser humano bom. Comunista. Imprescindível.


«(...) Aproxima-se a freira mais idosa, presumivelmente a madre, já serena, embora com sinais de preocupação no rosto, Como podemos ajudá-lo, meu filho? - pergunta numa voz suave, Indicando-me a saída e emprestando-me algum dinheiro - responde ele.
Espere um momento - diz a freira na sua voz suave, e encaminha-se para a porta, depois pára, fixa o rapaz, corre os olhos pelas três religiosas, duas delas muito jovens, parece reconsiderar, reconsidera: Venha comigo - convida, sorrindo-lhe, seguem pelo corredor que ele já conhece, de um nicho, onde uma Virgem Maria sorri tristemente, a freira tira uma pequena caixa de madeira cujo conteúdo, uma dúzia de moedas diversas, vaza nas mãos abertas do foragido. É pouco, mas é todo o que temos - desculpa-se. (...)»
(pág.63 de Aquela Noite de Natal, de José Casanova)   

sexta-feira, novembro 14, 2014

Curtas

Ouvido:

"Há um cheiro a podre que tresanda..."

Lido:

"Uma questão final: se o primeiro ministro for preso, a ministra da justiça demite-se?!"

Escrito:

"A corrupção está no ADN do capitalismo,  a promiscuidade é a sua vocação e o clientelismo voctacional"

quinta-feira, novembro 13, 2014

Não é preciso convite...

964435446/249591120
        




CONVITE

Algumas destas “coisas”, retidas em papéis de acaso e circunstância, saíram da “arca” para livro, com a intenção de darem a conhecer o avô aos netos.
Também para servirem de pretexto para conversa e convívio em que o camarada e amigo MIGUEL TIAGO aceitou participar como apresentador de
Coisas da arca do velho

No dia 15 de Novembro de 2014, pelas 16h
Chico Santo Amaro, em S.Sebastião-Ourém

                                                                 Apareçam