... mas procurando estar no interior (no imo) das coisas:
- é evidente que, depois de série (mais) negra de anos de ataques aos trabalhadores, entre outras muitas coisas o congelamento do salário mínimo nacional (SMN), havia que melhorar algo essa conquista do 25 de Abril, mas já com trabalho técnico relevante anterior;
- neste período de condições para recuperar parte das consequências mais nefastas da política com consequências tão nefastas para os trabalhadores e a população em geral, o SMN era questão (e sinal!) a privilegiar;
- em vez do Estado cumprir sem titubear a sua obrigação constitucional, foi procurada uma negociação tripartida (à maneira da OIT, trabalhadores-patrões-governo);
- porque a parte dos trabalhadores está dividida por existência de uma "central sindical" criada para esse efeito, chegou-se a acordo (sem o acordo dos representantes sindicais!) na fixação de uma subida do SMN e acrescentou-se a cedência numa descida da Taxa Social Única (TSU), "velha" reivindicação patronal, já mais de uma vez patrocinada pelos seus representantes na AR, o PSD;
- esperava-se a aprovação do acordo na AR, quando se dá um golpe de teatro de bonifrates da política: o PSD anuncia ir votar contra por estar contra (pasme-se!) a descida da TSU tal como o BE e o PCP (este também a favor de mais alta e fundamentada subida do SMN);
- e, como é próprio de teatro de pantomima, vira-se do avesso a questão do aumento do SMN, que passou a secundária ou ignorada, para a questão do TSU que viera à boleia do oportunismo do aumento do SMN;
- só se fala, "politicamente", da questão do TSU, só se refere a convergência parlamentar entre o PSD e o BE, o SMN e o PCP (claro!) deixam de existir à luz (filtrada) da comunicação social e todo o trabalho deste Partido (e da central sindical) a favor do SMN - e explicando o oportunismo da inclusão da TSU no acordo sobre o SMN - é ignorado;
- Assim se descredibiliza a política, se indignifica a democracia (isto observa o observador do interior...)
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