quinta-feira, junho 07, 2007

Esta manhã

Está uma manhã magnífica. Magnificente. Silenciosa. Ou com os ruidos que o silêncio consente.

Dou uma volta pelo quintal. Encho os olhos - encho-me - de pequena beleza, da forma desta planta que para aqui nasceu, das cores deste arranjo de flores que a Zé acarinhou e que, noutra manhã que não esta, me passariam desapercebidas.

De repente, lá do cimo, daquela casa que sempre ali vi e que, há muitas muitas décadas, sabia que era do José Gameiro, como Gameiros eram o Joaquim sapateiro e o Manuel, que viviam lá em baixo, na curva para a estrada e S.Sebastião, daquela casa dali do cimo vem o cantar de um galo incorporando-se neste silêncio feito de chilreares e de sons que a leve breve brisa me traz. Tenho a sensação que é o galo de sempre, que é o mesmo galo - e o seu cantar - que há mais de sessenta anos, sempre que aqui estou, aqui sentado neste degrau da soleira da porta, faz questão em me saudar e em me ajudar a sentir este bem-estar, esta paz comigo e com a vida.

O mundo, tal como está - louco, louco -, segue dentro de momentos.

domingo, junho 03, 2007

Na Serra de Aire não há, por enquanto, giestas...

... mas tempo virá!

Não foi a "enchente" que autor (e livro) e apresentador justifificavam e mereciam... mas foi uma conversa animada entre estes três e muito participada por outros/as.

sexta-feira, junho 01, 2007

Ó mar salgado...



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Sucessivos governos, nas suas negociações com as "comunidades", têm malbaratado, em nome de outros "interesses", o recurso mais intrínseco de Portugal: a quantidade de mar que é nosso!
É um verdadeiro crime o desperdício da nossa "vantagem comparativa" mais evidente.
Acabo de receber uma informação do Instituto Nacional de Estatística que veio avivar esta convicção:
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EM 2006 O VALOR ACRESCENTADO BRUTO DA PESCA
DECRESCEU 3,3% EM VOLUME

No ano de 2006, de acordo com as estimativas das Contas Económicas da Pesca, o Valor Acrescentado Bruto da Pesca (a preços de base) registou um decréscimo de 3,3%, em termos reais, face a 2005.
Em valores nominais, o decréscimo deste agregado foi de 7,2%.

No Dia Nacional do Pescador, o Instituto Nacional de Estatística divulga, pela primeira vez, uma série de 21 anos para as principais variáveis macroeconómicas das Contas Económicas da Pesca (CEP), para o período 1986-2006.
A evolução do Valor Acrescentado Bruto (VAB), a preços correntes, caracteriza-se por uma tendência crescente, apresentando uma taxa de crescimento anual média de 3,4%.
Destacam-se, no entanto, dois períodos de decréscimo: 1992-1994 e 2003-2006. Efectivamente, em 2006 estima-se que o VAB tenha decrescido em valor e volume (7,2% e 3,3%, respectivamente).
O decréscimo real, observado em 2006, insere-se na tendência geral observada na série a preços constantes. Contrariamente ao que sucede em termos nominais, em volume, a série apresenta um crescimento negativo, diminuindo, em termos médios anuais, cerca de 2,3% ao ano. (...)

Expliquem-me lá...

Como é que uma greve geral "tão insignificante" provocou tanta (disfarçada mas mas por isso menos evidente!) perturbação?
Porque é que uma greve geral, que até se insiste que geral não foi ..., obrigou a tantas medidas de pressão e coacção anteriores, a tanta baixa manobra intimidatória, a tudo o que não impediu a importância, e a reprecussão, que veio a ter?
Quais os motivos, incompreensiveis para quem foi dito ter sido a greve geral medida ao milésimo (13,77%!), que levaram tantos ministros e secretários de Estado a tanto virem dizer sobre o que nada diziam ter sido?
Porquê todo este enorme (mas contido ou envergonhado) esforço para se desvalorizar o que, no dizer de quem desvaloriza, não valeu nada, teria sido irrisório?
Se esta comunicação social, e alguns jornalistas em particular, com o seu comportamento inqualificável (de his master's voice), não deveriam saber a vergonha que os verdadeiros profissionais da comunicação social terão sentido face ao seu comportamento?
Que razões, ou ausência de conhecimento, ou informação viciada, ou receios, levaram tantos trabalhadores a não fazer greve geral estando de acordo com as suas razões e desejando e precisando que "isto", esta política, mude de rumo?
Lembro o Zeca e a formiga no carreiro, a tal que ia em sentido contrário mas que avisava mudem de rumo, mudem de rumo... já lá vem outro carreiro.

quarta-feira, maio 30, 2007

Depois da Greve Geral!

Ao "ouver" a RTP-1 - "serviço público"... - fazer a reportagem da Greve Geral, com as duas conferências, dos secretários de Estado e da CGTP, fiquei indignado. O comportamento dos jornalistas (?) , depois de reverentemente terem aceite a falácia dos 13,77% (!), que por si se nega, foi absolutamente inaceitável com as interrupções e comentários que acompanharam a exposição de Carvalho da Silva.
Por isso, aqui reproduzo uma das minhas leituras do meu dia de greve:
Venezuela no epicentro da democratização dos “média”
Por: Agencia Bolivariana de Noticias (ABN) Fecha de publicación: 28/05/07
Caracas, 28.Maio. ABN.- Venezuela vive hoje no epicentro da luta continental pela democratização dos meios de comunicação, com a abertura da TVES, uma estação de serviço público com sinal aberto. TVES - Televisora Venezolana Social - começou 2ª feira através das frequências do canal 2 que haviam sido ocupadas durante 53 anos pela empresa Radio Caracas Televisión (RCTV), cuja concessão para a utilização do espaço radioeléctrico terminou a 27 de Maio.
Previamente, diversos intelectuais destacaram que a proposta venezuelana de criar uma via de comunicação de serviço público dirigida à formação de valores na sociedade, segundo informou a agência de notícias Prensa Latina.
O jornalista e director de Le Monde Diplomatique, Ignacio Ramonet, destacou o projecto venezuelano porque será um meio que dará guarida ao talento popular através da diversidade e da pluralidade. Ramonet valorizou muito a ida para o ar de um sinal televisivo à ordem da verdade, a cultura, a educação e o próprio povo. O intelectual francês, que dissertou nas Jornadas Internacionales de la Comunicación, realizadas una semana atrás nesta capital pelo canal Telesur, expressou a sua solidariedade com a decisão de não renovar a concessão à RCTV.
RCTV lançou uma campanha através do mundo para desprestigiar e atacar, com muitas calúnias e mentiras, o Governo venezuelano, tendo desvirtuado o que está acontecendo no país, sublinhou Ramonet.
Outro reconhecido jornalista, o chileno Manuel Cabieses, director e fundador da revista Punto Final, assegurou que Venezuela levanta na América Latina a bandeira do desafío à ditadura dos meios de comunicação. Cabieses ponderou a decisão do Executivo venezuelano de democratizar o espaço radioeléctrico, pois os meios de comunicação privados constituem o ponto nevrálgico da dominação que una minoría exerce sobre os nossos povos. «A comunicação é um direito humano básico e implica uma interlocução, um diálogo, não uma emissão unidireccional dos conteúdos como ocorre hoje com a imprensa, a rádio e a televisão no mundo contemporâneo», afirmou. Sobre a televisão, o principal instrumento de formação de opinião e a consciência dos povos, recordou que o professor Manuel Calvelo que há muitos definiu esse meio como o grande surdo que fala a milhões de mudos, acrescentou «muitas dessas produções são vetadas pelos monopólios mediáticos, porque não encaixam nos seus modelos audiovisuais», concluiu o director de Punto Final.
O pensador britânico paquistanês Tariq Alí considerou que as entidades que se opõem ao processo revolucionário na Venezuela converteram o termo da concessão da RCTV num tema de muito mais importância do que na realidade têm. «Em condições normais teria sido um processo realmente minúsculo», disse também o editor de há muito tempo da revista britânica New Left Review. Em seu lugar aparece TVES, uma estação televisora que, a julgar pelo seu projecto satisfará a muitos, acrescentou o autor de Pirates of the Caribean: Axis of Hope (Piratas de Caribe: eixo da esperança), em que analisa os processos políticos latino-americanos actuais.
O cineasta argentino Fernando Pino Solanas repetiu o que este domingo mostrou à maioría dos venezuelanos nas ruas: «a não renovação da concessão a RCTV não só é um direito constitucional como uma festa para o povo». E terminou: «agora a prioridade é promover camadas de realizadores para que isto seja um formigueiro de produções».

Eu faço greve!

... o que não quer dizer que não esteja p'raqui a trabalhar!
O que hoje se não faz é vender a nossa força de trabalho!
E diz-se ao governo que ASSIM NÃO!

domingo, maio 27, 2007

O Tempo das Giestas, de José Casanova

Este "anónimo" recebeu a informação/convite que transcreve com todo o gosto:


INFORMAÇÃO/CONVITE

No dia 2 de Junho (às 16.30),
no espaço Som da Tinta,
será tempo de giestas

O Tempo das Giestas
será apresentado por
Pedro Namora


Explicações necessárias (*)

A ideia de escrever este livro surgiu-me quando, há cerca de dois anos, uma senhora se dirigiu à sede do PCP, em Lisboa, procurando saber notícias de um rapaz que conhecera e pelo qual se apaixonara, em 1936, e que, a dada altura, desapareceu misteriosa e definitivamente.
(…) o desaparecimento do jovem - na realidade, militante comunista - decorrera do facto de ter sido preso e deportado para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde viria a ser assassinado.
(…) Tratando-se de uma obra de ficção, quer os personagens quer a trama desta história são fruto da imaginação do autor.
_________
(*) - do autor, no final do livro
____________________________________________________
Com os anteriores livros de José CasanovaO Caminho das Aves e Aquela Noite de NatalO Tempo das Giestas conta, sob a forma de romances, a nossa História recente. Que tem de se lembrar, que não pode ser esquecida, não se pode deixar que seja adulterada.

sexta-feira, maio 25, 2007

Uma do Mounti...

À porta do Refúgio, que já meu foi e agora parece que dele é...

O tempo será de giestas


... e a este livro se voltará.
Mas depois do poema do Nazim Hikmet, tinha de trazer aqui este livro do Zé Casanova. E a ele voltarei em breve...

quarta-feira, maio 23, 2007

Outro poema do Nazim Hikmet

O mais belo dos mares,
é aquele que ainda não vimos.
A mais linda criança,
ainda não nasceu.
Os nossos dias mais formosos,
ainda não os vivemos.
E o melhor de tudo
que tenho para te dizer,
ainda não te disse:
amo-te... hoje... e sempre...

sexta-feira, maio 18, 2007

De vez em quando, um poeta

Tentaram
separar-me do meu Partido

Não conseguiram!

Não fiquei esmagado
sob os idolos caídos

Nazim Hikmet (turco, 1901-1963)

sábado, maio 12, 2007

Passeio com foto e legenda - 2

Mancha de papoilas em campo de favas. Com castelos ao fundo... como sempre por aqui.

quarta-feira, maio 09, 2007

Passeio com foto & legenda

Este ano vai haver muita azeitona!

Qual o Dia da Europa? 8 ou 9 de Maio? - 2

Estas buscas que andei fazendo, e os calorosos parabéns que hoje recebi da Lécia, a “nossa” ucraniana – não pela CECA mas pela PAZ, de que ela sabe que sou defensor estrénuo – vieram lembrar-me outra circunstância significativa relativa ao 9 de Maio.
Ainda da Wikipédia:
“O Dia da Vitória na Europa (V-E Day) foi o dia 8 de Maio de 1945, data formal da derrota da Alemanha Nazi em favor dos Aliados na Segunda Guerra Mundial.
A data foi motivo de grandes celebrações, especialmente em
Londres, onde mais de um milhão de pessoas festejaram o fim da guerra na Europa, embora os racionamentos de comida e vestuário continuassem por mais uma série de anos. (…)
Nos Estados Unidos, o Presidente
Harry Truman, que celebrava 61 anos nesse mesmo dia, dedicou a vitória ao seu antecessor, Franklin D. Roosevelt, que morrera há cerca de um mês antes, no dia 12 de Abril.
Os Aliados haviam acordado que o dia
9 de Maio de 1945 seria o da celebração, todavia os jornalistas ocidentais lançaram a notícia da rendição alemã mais cedo do que era previsto, precipitando as celebrações. A União Soviética manteve as celebrações para a data combinada, sendo por isso que o fim da Segunda Guerra Mundial, conhecida como a Grande Guerra Patriótica na Rússia e outras zonas da antiga URSS, é celebrado no dia 9 de Maio.”
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Talvez se possa concluir, sem se ser demasiado abusivo, que o dia 8 de Maio é o dia da Vitória, da Paz, da Europa, porque era o dia de aniversário de Truman…

De qualquer modo, se razão há para se considerar este dia 9 como o Dia da Europa não o deveria ser por o sr. Schuman ter feito, nesta data, aquele discurso na sala dos relógios (ou lá onde foi) mas porque os “Aliados” tinham decidido que seria o dia da proclamação da Paz na Europa, o fim da 2ª Guerra Mundial, o que não foi respeitado pelo “Ocidente” e, pior ainda, a guerra foi continuada pelos Estados Unidos fora da Europa porque ainda tinham umas bombitas atómicas para lançar no Japão, sobre Hiroshima e Nagasaki.

Qual o Dia da Europa? 8 ou 9 de Maio? - 1

“Eles” dizem que hoje, 9 de Maio, é que é o dia da Europa.
E porquê?
Porque, como nos diz a Wikipédia:
“Em 9 de Maio de 1950, Robert Schuman apresentou uma proposta de criação de uma Europa organizada, requisito indispensável para a manutenção de relações pacíficas.
Esta proposta, conhecida como "Declaração Schuman", é considerada o começo da criação do que é hoje a União Europeia.
Actualmente o dia 9 de Maio tornou-se um símbolo europeu (Dia da Europa) que, juntamente com a
bandeira, o hino, a divisa e a moeda única (o euro), identifica a identidade política da União Europeia. O Dia da Europa constitui uma oportunidade para desenvolver actividades e festejos que aproximam a Europa dos seus cidadãos e os povos da União entre si.”
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Eu protesto!
Sobretudo porque não aceito que se confunda a Europa com a União Europeia, adoptando-se para Dia da Europa uma data que começou por ter a ver exclusivamente com 6-países-6 da Europa e com um arranjo sectorial sobre o carvão e o aço.
Nessa mesma (i)lógica porque não a data da criação do BENELUX, que juntou a Bélgica, a Holanda e o Luxemburgo?

terça-feira, maio 08, 2007

8 de Maio - Dia da Vitória, da Europa, da Paz

Habituei-me, desde a escola primária, a celebrar o dia 8 de Maio como o Dia da Paz, ou da Europa, ou da Vitória. Por isso me custa ver ignorada a data referida ao ano de 1945.
Tanto assim que procurei no "aparelho de busca" que julgo mais eficaz as notações sobre a data. Fiquei perplexo. Havendo quase 5 milhões de notações sobre 8 de Maio (santo do dia: S. Vitor e dia do anjo Daniel...), procurei em 30 páginas, até às 300 notações e apenas numa, da Deutsche Welle, agência noticiosa alemã, encontrei algo que tinha a ver com o que procurava e que valia a busca. E tanto que transcrevo o início do artigo:
«Data da capitulação alemã, o dia 8 de maio de 1945 é de fundamental importância para a História mundial. Pesquisadores a comparam com a Reforma Protestante e a Revolução Francesa. Durante longo tempo, sua importância para a Alemanha do pós-guerra foi um tema controvertido. Nos últimos 20 anos, o questionamento sobre "libertação ou derrota dos alemães" foi substituído pela comercialização da memória da guerra e do Holocausto.

"Agora tremulam as bandeiras da liberdade sobre toda a Europa", anunciou o então presidente norte-americano Harry Truman, num pronunciamento transmitido pelo rádio no dia 8 de maio de 1945, após a capitulação incondicional dos alemães. A data marcou o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. "O mundo agora está livre do ditador Adolf Hitler", acrescentou Truman.»
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Se isto não dá que pensar é porque talvez já tenhamos perdido essa capacidade humana que nos têm vindo a amputar aos poucos, hora a hora, dia a dia, jornal a jornal, notícia a notícia, informação a informação (dada ou escamoteada).

segunda-feira, maio 07, 2007

Ainda me espanto e indigno

Dois factos:
Sobre as eleições na Região Autónoma da Madeira, nos noticiários que ontem ouvi, no final de um domingo calmo, a "arrumar" coisas, não consegui saber quais os resultados da CDU. Silencia-se o facto de, para uma Assembleia Regional com menos 21 deputados, a CDU ter conseguido manter dois eleitos e subir a votação por forma a ultrapassar o CDS-PP e ficar como a terceira força política na Região.
Para o programa Prós e Contras, que vai discutir - ao que parece - direita e esquerda, convidou Adriano Moreira, que foi secretário-geral (ou presidente) do CDS, Mário Soares, que foi, entre muitas outras coisas, fundador e secretário geral do PS, Paulo Rangel, deputado do PSD que ficou "na moda" depois do discurso do 25 de Abril na AR, e Miguel Portas, que é deputado BE no Parlamento Europeu, e está sempre "na moda".
São estes. Não falta ninguém? A exclusão de alguém da área do PCP ainda me espanta e me indigna.

sábado, maio 05, 2007

Coisas que a gente não sabe - 2

Coisas que não querem que a gente saiba...
Num encontro de informação-convívio na Embaixada de Cuba, ficou a saber-se (ou confirmou-se!) a enorme importância da solidariedade e cooperação que este país presta ao mundo, nomeadamente no plano da saúde, com referência particular à oftalmologia e ao programa millagro.
Só uns números de que tomei nota num pequenino caderno (que ficou com outras relevantes informações) :
Em Cuba, há mais de 27 mil estudantes de 120 países, dos quais 80% em medicina (foi dito haver a preocupação de reforçar a cooperação na formação local dos alunos para evitar que eles, depois de formados em Cuba, venham exercer medicina em Portugal, por exemplo..., em vez de voltarem para os seus países de origem);
em 2004, ano em que se verificou o número máximo, havia 19.937 médicos cubanos a exercer medicina na Venezuela;
há 270 médicos cubanos em Timor-Leste (tendo sido dito, em ar de graça, que parece haver mais médicos cubanos por mil habitantes em Timor que em Cuba)

Coisas que a gente não sabe - 1

Coisas que não querem que a gente saiba...
Realizou-se a 5ª cimeira da ALBA, em Barquisimeto, cidade do ocidente da Venzuela.
O que é a ALBA? É a sigla da chamada Alternativa Bolivariana para as Américas, um projecto lançado em 2004 por Cuba e Venezuela, em resposta à tentativa de imposição, pelos Estados Unidos, da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), projecto a que já se juntaram a Bolívia e a Nicarágua. Além destes quatro países, nesta cimeira participaram também representantes do Equador, do Haiti e do Uruguai.
Trata-se de projecto baseado na solidariedade e na construção de uma aliança estratégica para o desenvolvimento que simultaneamente se afirma como um espaço geopolítico de carácter anti-imperialista e progressista.
Duas outras "coisitas" - entre muitas outras possíveis - para ajudar à reflexão a partir de uma "outra" informação: na cimeira, Evo Morales denunciou a parcialidade do Centro Internacional de Resolução de diferendos relativos a investimentos (CIEDI), orgão de arbitragem do Banco Mundial, de onde os membros da ALBA resolveram retirar-se criando um orgão próprio para solução de eventuais conflitos, assim abandomnado o que Morales chamou uma "ferramenta das empresas transnacionais"; na intervenção final, o anfitrião da cimeira, Hugo Chavez, surpreendendo quem esperava um longo discurso, apenas pediu a Evo Morales que dissesse na língua aymará, as palavras do herói indígena Tupac Katari, antes de morrer às mãos dos conquistadores espanhóis, "hoje morro, mas voltarei feito milhões" .
Isto foi o que lemos na agência Reuters, e não vimos (também não "ouvemos" tudo o que se edita em Portugal...) reproduzido na comunicação social portuguesa.

quinta-feira, maio 03, 2007

Ping-pong

Ida e volta. Onde não há ou há pouco estado de direito, como é o caso de Portugal, há a tentação a apelar-se à vergonha como freio dos desmandos, desvarios ou devaneios dos outros. O que, bem vistas as coisas, é apenas um modo estranho de permanecer em casa. Nicky Florentino.
(in Albergue dos danados)

"Touché", como dizem os esgrimistas. Mas também é preciso não ler as palavras no seu sentido literal e não confundir denúncia com apelo dirigido aos portadores (ou aos esvaziados) do que se denuncia como existente (ou como ausente). Apelar à vergonha, se apelar é o verbo adequado, será à tomada de consciência por outros, e aqui estão mais palavras, juntas em expressão, para serem lidas - também, ao menos - com o sentido de quem as diz e não com aquele a que o dicionário as (ou a, à expressão) reduz.
(in comentário no citado albergue, e in aqui, devidamente (?) retocado)

quarta-feira, maio 02, 2007

A Carta Educativa do concelho de Ourém na Assembleia Municipal

Pela importância do tema - com vertentes e gravidade que de certo modo me surpreenderam por não integrar a comissão que tratou do assunto - transcrevo a posição que, de improviso, me vi forçado a tomar e que terá o interesse de situar, por agora, a questão, tal como a avalio:
“Às vezes, estou aqui a perguntar-me que estou aqui a fazer… e vou ficando, por obrigação; hoje – que devia estar a entrar em Lisboa a esta hora, estou incapaz de daqui arrancar. Porquê? Pelo ambiente para mim novo, pela surpresa de alguns aspectos do que se discute pois não integro a comissão especializada, pelas palavras que ouvi e pelo peso destas.
Chantagem
– é uma palavra que tem enorme gravidade, mas que se justifica por a defesa da aceitação de um documento desta importância argumentar com a afirmação de que, sem ele, não haverá fundos comunitários, denunciando a dimensão tantas vezes silenciada que estes têm tido para impor políticas.
Acto consumado
– mas acto consumado porquê?, que estamos aqui a fazer?, a aceitar actos consumados que nos consomem?, a aceitá-los porque há uma dinâmica que os poderá corrigir?; mas não será , antes, uma contra-dinâmica pois pretende-se substituir uma estrutura que vai servindo as populações por uma outra que estas não aceitam, que está eivada de erros, com a argumentação de que, depois, se poderá corrigir?
Descontentamento e revolta – palavras duras e raras por estas paragens, traduzindo o enorme risco de se estar a contribuir para dividir freguesias e populações, para acirrar rivalidades vizinhas que são tão perigosas e causas de tantos males que confronta e tem confrontado a humanidade.
Da reunião geral preparatória desta reunião fiquei com a ideia de que o problema era Fátima e a sua especificidade, que a ausência de um estabelecimento oficial de ensino do nível secundário e a existência de um forte e polarizador ensino privado a esse nível implicava arranjos difíceis de compatibilizar com princípios de uma Carta a aplicar em 308 municípios, e até me coloquei a questão do que seria esta Carta a aplicar a um município como poderá vir a ser – e só não o é por razões conhecidas – o de Fátima, mas agora vejo o problema de uma outra maneira e com outras gravidades muito preocupantes.
Sendo uma Carta para aplicar em 308 concelhos, era necessário saber como estão a reagir outros municípios ao que o poder central lhes está a propor ou a impor. Em muitos deles há, com certeza, problemas como os de Rio de Couros em relação a Freixianda, como os da Valada, como os de arranjos ou desarranjos em freguesias, como retirar Fontaínhas da Serra a Atouguia e Bairro às Misericórdias e inclui-las em Fátima, como a revolta que se sente no Olival com a extinção do seu agrupamento.
O problema parece-me muito grave, em Ourém e não só. Com uma dimensão de gravidade que a minha sensibilidade, caldeada em muitos anos de reflexão política, me permite dizer que chega a assustar.
O que peço, tendo impreterivelmente de sair, é que esta saída seja considerada como uma abstenção que, a exemplo da intervenção da colega Agripina, contribua para o que peço:
que não encerremos aqui a negociação, negociação a que o poder central não se pode escusar, impondo o que as populações – os pais, os professores, os autarcas – não querem, negociação em que estas têm todo o direito de participar."
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Ora aqui está uma questão política de fundo, a que o PS-governo, como nos tem habituado, deu o tratamento mais canhestro que se possa imaginar, revelando um comportamento ao serviço de interesses que não os das populações absolutamente autista, como foi dito na própria assembleia por outros… que acabaram por votar a favor da Carta proposta, em nome da chantagem que denunciaram, calando o descontentamento, a desilusão, o sentimento de estarem a ser enganados, a revolta!

domingo, abril 29, 2007

Transcrevendo uma convocatória

Porque este blog é do "Zambujal e arredores, isto é Ourém e o resto do Mundo", e por isso, sendo do "resto do Mundo" (universal), é oureense (local) transcreve-se esta "convocatória" da maior importância




CONVOCATÓRIA












No final de uma época em que o Juventude Ouriense foi "a revelação da 1ª divisão do hóquei em patins", e não os “coitadinhos” como alguns esperavam, tem de se ganhar ao Valongo na próxima terça-feira, dia 1º de Maio.

Para isso, é preciso a presença de TODOS no Pavilhão do Pinheiro.

Como sempre, contra tudo o que foi acontecendo ao clube, vencendo todo o tipo de obstáculos, e até de perseguições, que dificultaram a caminhada, conta-se com o apoio dos oureenses.

É preciso encher o Pinheiro!

Os atletas que nos representaram,
ao longo da época, merecem
todo o apoio!

Todos ao Pinheiro,
no 1º de Maio, às 18 horas



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Nota também (ou ainda mais) importante: esta convocatória e transcreve-se também por se saber que já houve público protesto por o jogo ter sido marcado (pela Federação Portuguesa de Patinagem) para esta data - dia do trabalhador - como já o ano passado se protestou por se terem marcado jogos para o dia 25 de Abril!

Outras vistas...

Só para ficar como contraponto. Sem comentários... a não ser o de que "aquela" foto do outro post até seria um bom documento (e uma bela foto), se viesse acompanhada de outras, se não fosse na primeira página, se não tivesse a evidente intenção que tem. Se não fosse uma vergonha!

sexta-feira, abril 27, 2007

Vergonha!

Ao ver esta fotografia da manifestação do 25 de Abril, publicada na primeira página do Público (aliás, a única que o jornal publicou do acontecimento na edição de ontem), o que sinto é vergonha. Por aqueles que a não têm, que nunca a tiveram ou a foram perdendo pelo caminho.
É que eu estive lá, com umas dezenas largas de milhares de pessoas, e se há mentiras flagrantes, faltas de ética, quebras de deontologia, esta foto é tudo isso e muito mais.
Nem culpo o fotógrafo que, decerto, muitas outras fotografias tirou, mas culpo quem escolheu esta para ilustrar o que foi uma enorme, viva, entusiasmante, manifestação mas de que se quis dar uma outra, e deturpada, imagem.
Uma vergonha!
Indo a seguir às primeiras filas da manifestação, várias vezes parei no percurso, olhei para trás, para a massa de gente que estava descendo a avenida e, já a pisar os Resatauradores, lamentei não ter com que registar a beleza do sol a iluminar tanta gente ainda no Marquês de Pombal. Mas vou pedir umas fotos a uns amigos... porque esta vergonha não fica assim! Como diz o poeta (mais ou menos...) a raiva cresce e a esperança multiplica-se!

Muros e (falta de) vergonha

Ainda no Actual, Anabela Fino – em Democracia emparedada – comenta a construção do muro em torno do bairro de Adhmiya, em Bagdad, que começou em 10 de Abril, com 4 metros de altura e 5 quilómetros de comprimento para se isloar um enclave sunita nos bairros xiitas da capital iraquiana.
Claro que a “ideia” e a sua concretização são da administração Bush, que não se conforma (ainda!) com o fracasso da sua invasão e ocupação, embora a tal vá ter de se submeter dada a oposição crescente que lhe é feita, também internamente.
Trata-se de uma “prisão colectiva”, que nada resolverá, antes acirrará o que é o quotidiano de morte e destruição, mas não é novidade.
E se já Israel fez o mesmo nos territórios palestinianos ocupados, no Iraque têm-se multiplicado os postos de controlo, as barreiras de cimento e arame farpado, os cortes de estrada.
Assim se alimentam os ódios latentes, em vez de se fazerem esforços para os vencer e superar, numa política de coexistência e de vizinhança que, aliás, nalgumas dessas paragens, existia entre povos diferentes (ou nem tanto).
E é significativo que quem o esteja fazendo use e abuse das referências aum outro muro, que foi derrubado em Berlim, para capciosa ou directamente fazer propaganda ideológica junto de quem nada sabe das razões da sua construção, nem da sua localização.
Por vezes, custa conviver com tanta hipocrisia.

"A saúde é um direito, não um negócio"

Há semanas em que o Avante! é uma espécie de refrigério… mas também um criador de angústias. Por ele, se pode tomar conhecimento rigoroso da realidade, da realidade que, com "outro rigor", é escondida dos portugueses.
Nesta semana, na secção Actual, Margarida Botelho diz coisas sobre o novo hospital – o da Luz –, do Grupo Espírito Santo, inaugurado pelo Presidente da República e dois ministros, coisas que são interessantes, como pertinentes são os comentários que faz.
Só dois dados: cada consulta de urgência custa 90 euros e o internamento diário pode chegar aos 240 euros (que Eusébio não terá pago como elemento promocional do novo investimento que foi, decerto contra sua vontade).
O hospital tem uma maternidade, sem que (como o sublinha Margarida Botelho) lhe seja exigido o mínimo de mil partos por ano, e «por uma “política do grupo” o Hospital da Luz não fará interrupções voluntárias da gravidez, seja em que condições for»!...
Claro que “não é só para ricos” (afirmou o sr. ministro)… pois tem acordos com 15 companhias de seguros e só a ADSE garantirá 20% da facturação prevista, ou seja, é também para “pobres” que façam seguros, de preferência nas companhias do “grupo”, e o Estado comparticipa significativamente nos lucros previstos e assegurados da empresa.
Assim se vai destruindo o constitucional “direito à saúde” e o Serviço Nacional de Saúde criado para o materializar; assim “se potencia o crescimento do mercado”, como os investidores privados reconhecem e agradecem ao Governo.
Mas com resistência, pois “só na semana em que o Governo e o Presidente da República comemoraram o investimento do Grupo Espírito Santo, realizaram-se mais cinco manifestações em defesa do SNS: 5 mil pessoas pela construção do novo Hospital do Seixal, mil contra o encerramento das urgências do Hospital da Anadia, 200 exigiram médicos nas extensões de saúde de Torres Novas, mais de 600 contra o encerramento do SAP de Sesimbra".
Para além da entrega das 100 mil assinaturas recolhidas durante a campanha “A saúde é um direito, não um negócio”.
Fica, a título de informação.

quinta-feira, abril 26, 2007

Deu-me ganas de escrever...

26.04.2006

Vou no expresso.
E, desde ontem, deu-me ganas de escrever. Sobre tudo.
Começo (e publico) pelo 25 de Abril.
Esteve “enorme”, entusiasmante, a manifestação. À altura da data.
Num dia em que, à mesma hora!, se abriu o túnel do Marquês e se abriu a residência do Primeiro Ministro e se abriu o mais que se lembraram de abrir.
Num dia em que, de manhã, SExa. o P. da R., na A. da R., apelou à reflexão dos deputados sobre as comemorações do 25 de Abril, sugerindo (ordenando!?) que revejam o modo de as fazer, porque se tornaram rotineiras e blá-blá-blá -blá (ver DN, de ontem e de hoje, por exemplo).
E disse ele que pensava (ele?!...) nos jovens e na educação.
Pois.
Para SExa., as comemorações do 25 de Abril são apenas aquelas cerimónias oficiais. Que, aliás, ele já inovou ao retirar o cravo da sua lapela ou botoeira (devia fazer-lhe brotoeja, coitadinho…).
Onde nós nunca (mas nunca!) o vimos, foi nas outras comemorações Nas populares. Que há 32 anos se fazem. Sempre com o mesmo e novo entusiasmo. Sempre com a mesma e diferente determinação.
Onde ele nunca (mas nunca!) foi, foi às escolas contar aos meninos o seu 25 de Abril. Como é que ele podia? Coitado, não teve 25 de Abril, nesse dia andava por outras datas e sítios, e tem raiva a quem o teve. E tem, e continuará a ter!
E a SExa. tanto faz ler como não ler os jornais. Porque, se os lesse, nada se perturbaria ou incomodaria por ver silenciado – ou deturpado, ou falseado, ou o raio que os parta – o que foram muitas, muitas dezenas de milhar de pessoas na rua, enchendo a Avenida da Liberdade e transbordando para o Rossio, e por tanto barulho se fazer com uma eleição partidária de uma figurinha petulante que obteve uma “vitória esmagadora” sobre uma outra figurinha, com o resultado impressionante de 5.642 votos! Coisas desta “democracia”.
Voltando (depressa) às comemorações “oficiais”, se este transitório poder o quiser… acabe com elas. Haverá quem continuará a lembrar o 25 de Abril, e a fazer as suas comemorações. As do Povo. Do Povo a que ele, SExa., e outros que tais, não pertencem. Apesar de pelo Povo serem eleitos. São as contradições desta “democracia” que tão bem assimilou as contradições do capitalismo nesta fase.

terça-feira, abril 24, 2007

Na véspera do 33º aniversário do 25 de Abril

Para nós, comunistas, o 25 de Abril de cada ano é, sempre, uma Festa de Unidade.
Para os comunistas, para o seu Partido, o 25 de Abril não é uma data partidária. Porque sabemos que ninguém tem o monopólio desse momento histórico da conquista da liberdade e da democracia para o nosso Povo. Pelo nosso Povo.
Terá havido, nalguns episódios destes 33 anos, militantes nossos – ou quem então o era precariamente, em percursos das suas carreiras políticas pessoais – que, em nome do Partido Comunista, tenha tomado posições não coincidentes, ou não coerentes, com o que é a posição dos comunistas sobre o 25 de Abril.
Mas, sendo uma Festa de Unidade, não deixamos que dela nos excluam em quaisquer comemorações que se apresentem, ao Povo, como sendo do 25 de Abril de todos.
O 25 de Abril é o culminar de uma resistência de 48 anos. Ao fascismo e ao colonialismo. Que fizemos como mais ninguém a fez. Porque quando outros deixavam de ser o que eram, nós continuámos a ser o que sempre fomos, na luta que clandestina teve de passar a ser. Duríssima. Durante 48 anos! Resistência em que, sabemos!, nunca estivemos sozinhos!
Por isso, não deixamos que nos excluam dos 25 dos sucessivos Abris. Por isso, não nos oferecemos nem aceitamos convites para participar em comemorações que, dizendo-se do 25 de Abril, não o são porque ou nos excluem ou nos subalternizam. Queremos apagar-nos em unidade mas não consentimos que nos apaguem como meros figurantes em comemorações de figurões e protagonistas contumazes.
Recusarem-se, sistematicamente, em comissões de unidade que integramos, as nossas propostas e quererem impor propostas que não têm o nosso acordo, acusando-nos sempre de ser nossa a responsabilidade da falta de consensualidades, é fazer o mal e a caramunha. Que denunciamos

Pessoalmente, em Ourém, lembro a linda festa que foram as comemorações dos 10 anos do 25 de Abril, nos Bombeiros, em que trabalhámos mais do que ninguém mas que não foi uma festa (só) nossa, e tenho pena que não se tivesse repetido porque se privilegiam comemorações partidárias e “oficiais”, onde talvez nos concedessem participação enquanto tolerados ou convidados, eventualmente de honra, se a tal nos propuséssemos ou estivéssemos disponíveis.
Pessoalmente, sei que não fui um herói do 25 de Abril. Aliás, de nada fui ou serei herói. Mas não deixo que se esqueça que, com comunistas e com não comunistas, fui libertado das masmorras da PIDE, de Caxias, quando o Povo Português foi libertado e se libertou.
Para mim, o 25 de Abril é, e sempre será, uma Festa de encontros e de abertura de caminhos de unidade. Porque só assim a Liberdade e a Democracia serão – ou poderão vir a ser – plenas. Do Povo que somos todos.

segunda-feira, abril 23, 2007

Dia do Livro ou "Da grande utilidade de um prazer interdito"

Hoje, Dia Mundial do Livro, tirei da estante este livrinho, Aux Livres, Citoyens!, da editora Le Temps des Cerises, publicado em 1993, e que é uma preciosidade. Traduz-se como o autor, Jean-Michel Leterrier, introduz a sua obra, de 60 páginas, que bem ilustram o sub-título, De la Grande Utilité d'un Plaisir Interdit:

"Se o mundo do trabalho é o mais vezes evocado por aqueles que não o frequentam a não ser de muito longe, a leitura usufrui de um privilégio contrário. Os que mais escrevem ou comentam a crise da leitura são naturalmente aqueles que mais escrevem e lêem."

sábado, abril 21, 2007

Jasmim em muro de pedra

Esta manhã andámos por aqui a fotografar a primavera que nos enche o jardim e nos entrou em casa.
Que pena não termos "talento para bem fazer" e os aparelhos de que dispomos não estarem à altura do que queremos fixar... e mostrar. Mesmo assim...

quinta-feira, abril 19, 2007

Nem mais...

Num dos seus lúcidos e acutilantes "bilhetes" que José Casanova deixa na secção Actual do Avante!, lembra que "a entrega de cem mil assinaturas de protesto contra a destruição do Serviço Nacional de Saúde por parte do Governo, passou quase depercebida pela generalidade dos orgãos de comunicação social: aqui ou ali uma noticiazinha escondida, ou nem isso."
E, depois de fazer o contraponto com os fait divers que enchem páginas e espaços, e tanto barulho fazem, sublinhando que nada disto acontece por acaso, termina dizendo que "várias das pessoas às quais os militantes comunistas se dirigiram pedindo as suas assinaturas, comentaram: "Se não fossem vocês onde é que isto já ia...". Nem mais: é por saberem isso mesmo que os donos dos media mandam silenciar a actividade do PCP."
Nem mais!
E, a propósito de mais: foram mais de cem mil assinaturas... mas quantas mais teriam sido se essa actividade, como as outras, não tivesse sido silenciada e tivesse sido conhecida por mais de nós?!

quarta-feira, abril 18, 2007

Informação

Sílvio,
(Re)encontrei, ontem, o "nosso" unicórnio azul!
Está lá em cima, mesmo por riba das mensagens em post.
Pela alegria que me deu (re)encontrá-lo, e poder dizer-to (aqui), dispenso qualquer alvíssara... nem que fosse de um milhão.

sexta-feira, abril 13, 2007

Independente mente

Independente mente de ter esta "história" das licenciaturas e de como adquiri-las quando se está em certos sítios, como daquelas que me são repulsivas, isto é, que centrifugo das minhas (pré)ocupações por uma questão de higiene pessoal (embora a guarde no «recanto dos exemplos a eventualmente usar como "prova de vida" de um certo sistema e de quem se mexe no interior - intestino! - dele»), independente mente de isso, não posso deixar de me deliciar com prosas em que tropeço e me amparam com a ironia "cínica" ajustada aos contornos morais (e murais) da dita "história".
Tinha de ser o Nicky Florentino, cataprum, a acertar(-me) em cheio e a fazer-me ler, deliciado como já disse, sobre o que decidira que ia deixar de me fazer gastar tempo, até porque a luta está noutras paragens e não pode parar na sujidade da unha quando o mal está no sabugo, no dedo, no braço e por ai fora corpo acima e adentro...
Independente mente de tudo o que já p'ráqui escrevinhei, leiam, se quiserem e/ou por favor, este naco florentino:
Uma personagem. É-me indiferente se o senhor eng.º José Pinto de Sousa é engenheiro ou se, tendo ido à tropa, foi cabo miliciano ou o raio que o parta. Fixei-lhe as feições e, para o que quer que seja, para mim foi, é e será o senhor eng.º José Pinto de Sousa, fulano, agora sei, licenciado em engenharia civil pela Universidade Independente. Reitero, licenciado em engenharia civil pela Universidade Independente, cujas instalações são ali para as bandas do Batista Russo, desde milnovecentosenoventaeseis. Posto isto, não se vislumbra o que mudaria se a criatura não fosse licenciada ou fosse licenciada em qualquer outra arte ou inutilidade, tipo engenharia aeroespacial ou direito ou economia ou sociologia. Convenhamos, a situação não está para melindres. A malta deve fazer pela vida, aproveitar as oportunidades e, como dizem os de outrora, instruir-se. Foi o que o senhor eng.º José Pinto de Sousa fez. Ele até tem um mba não se sabe bem em quê atestado pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, vulgo ISCTE. Para além disto, note-se, nenhuma das suas propriedades académicas é evidente ou importante na teelvisão. Tão pouco o modo como as obteve. Com trabalho árduo concerteza, porque para um gajo ser engenheiro é preciso dar ao chinelo como o caraças. Pelo que o que verdadeiramente releva é que, como qualquer outro, o senhor eng.º José Pinto de Sousa é o que projecta de si em situação pública. E se diz que é licenciado em engenharia civil e se comporta como um licenciado em engenharia civil é porque ele é licenciado em engenharia civil. Ou seja, ele sabe o que é, nós sabemos o que ele é e é uma felicidade para todos. Nicky Florentino.
(in Albergue dos Danados)

segunda-feira, abril 09, 2007

Comunicado da "gerência" - Melhorias (?) no espaço

Face à concorrência, particularmente à muito próxima e muito bem-vinda embora nos venha diminuir a utilização de uma vantagem competitiva chamada Mounty, a "gerência" deste espaço sentiu necessidade de fazer algumas "obras" para tentar tornar mais aliciante a visita dos estimados "clientes".
Foi aproveitado o fim de semana pascal - em que não houve hóquei... - e, com o auto-didatismo que caracteriza (e limita...) a dita "gerência", perfil(ou-se) um elemento decorativo e criaram-se três espaços, onde os visitantes, num, podem "ouver" Eluard e o seu poema emblema "cá da casa", Liberté, e uma canção que também por cá (bem por dentro) se ouve muito - Sometimes I feel like a motherlesschild -, noutro está o sr. Jacques Brel com duas amostras nossas preferidas, Plat Pays e J'arrive, e o sr. Jean Gabin com o Maintenant je sais, que já por aqui foi referido e traduzido, por último, reservou-se um espaço lá em baixo, na "cave", para umas "coisas" sobre o amor, como Que serais-je sans toi? do Jean Ferrat.
São todos bem-vindos... e opinem!

domingo, abril 08, 2007

Com a devida vénia...

... transcreve-se de O tempo das cerejas:

Só pode ser engano !

Na sua edição de hoje, o DN, sob o título "Tribunal de Contas põe culpas do lado do Governo", publica mais uns elementos sobre a íncrivel trapalhada que parece caracterizar o incidente entre aquele Tribunal e o Governo por causa do número de pessoas contratadas para a Presidência do Conselho de Ministros. Resumindo, parece que o Governo está muito escamado porque o Tribunal de Contas fez juízos e apreciações com base numa lista fornecida precisamente pela Presidência do Conselho de Ministros. Também parece que a disputa incide ainda sobre uma alegada contagem de pessoal que ainda era do tempo de Santana Lopes, continuando a faltar mesmo assim explicar uma discrepância de 44 elementos.
Mas a razão deste «post» não é o fundo desta discussão mas sim um curioso parágrafo que consta da peça do DN. Com efeito aí se diz que «O DN apurou que para esta "confusão" de números contribuiu o facto de muitos dos nomeados ainda no tempo de Santana aparecerem ainda na lista do gabinete de José Sócrates, pelo facto de ainda terem recebido as respectivas remunerações nos meses seguintes, apesar de já não estarem de facto no gabinete do PM» (o negrito é meu).
Repito e pergunto: «nos meses seguintes» ? E creio sinceramente que só pode ser engano do DN ou das suas fontes. É evidente que os nomeados por Santana Lopes tinham todo o direito a receber o vencimento do mês em que cessaram funções e até as chamadas «partes proporcionais» de férias e subsídios de férias e de Natal. Agora «terem recebido as respectivas remunerações nos meses seguintes, apesar de já não estarem de facto no gabinete do PM» já seria abuso, pouca vergonha, escandaleira e fraude.
Era bom que o DN reflectisse sobre isto que divulgou, eventualmente emendasse a mão ou então, em alternativa, que vá puxando a linha a este aspecto da questão.

(VITOR DIAS)

sábado, abril 07, 2007

José Vegar na Som da Tinta

No próximo sábado, dia 14 de Abril, pelas 16.00 horas, José Vegar estará em Ourém, no espaço da livraria-editora Som da Tinta, não apenas para falar da sua profissão e da sua obra, mas também para, por via da apresentação do seu mais recente livro, contribuir para uma reflexão sobre as transformações por que estão a passar as forças de segurança em Portugal e os desafios que se colocam à sua missão. Reflexão que, face a acontecimentos recentes também vividos por cá – com a redefinição da orgânica e dos territórios de intervenção da GNR e da PSP –, também importa desenvolver localmente.
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José Vegar nasceu em Luanda, em 1969. É jornalista profissional desde 1989, freelancer desde 2000. Trabalhou em jornais diários, Público e 24 Horas, e em hebdomadários, Expresso, O Independente, Semanário e Tal & Qual. Colaborou com revistas diversas, Fortuna, Grande Reportagem, Janus, Jornalismos e Jornalistas, Livros, Maxim e Sábado. Enquanto repórter, esteve presente em cenários de conflito vários, Bósnia, Ruanda, Sara Ocidental, Los Angeles ou Timor-Leste.

Em 1992, foi-lhe atribuída a Menção Honrosa do Clube Português de Imprensa e, em 1993, a Menção Honrosa do Clube de Jornalistas. Em 1997, foi considerado o «Jornalista do Ano». Em 2000, recebeu o Grande Prémio «Gazeta» e, ainda no mesmo ano, os prémios «Jornalismo e Direitos Humanos» e «SAIS – Novartis Portugal». Em 2002, foi galardoado com o Grande Prémio «AMI – Jornalismo contra a Indiferença».

Organizou antologias de reportagem (por exemplo, Reportagem – Uma Antologia, Lisboa, Assírio & Alvim, 2001) e, em conjunto com a procuradora Maria José Morgado, escreveu um dos livros de referência sobre o fenómeno da corrupção, O Inimigo sem Rosto. Fraude e Corrupção em Portugal (Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2003). É também autor de um livro policial, Cerco a um Duro (Lisboa, Editorial Notícias, 2005).

O seu livro mais recente, Serviços Secretos Portugueses. História e Poder da Espionagem Nacional (Lisboa, A Esfera dos Livros, 2007), é o resultado de uma investigação longa e apurada e visa revelar a realidade opaca dos serviços secretos portugueses. Este título é ainda, convém referir, mais um contributo de José Vegar para a compreensão do fenómeno da segurança, ao qual tem dedicado parte significa da sua atenção, o que faz de si uma das vozes portuguesas autorizadas sobre a matéria.

sexta-feira, abril 06, 2007

Quase uma despedida...

Comunicado de Mr. Mountolive Cat:

Dei-me a conhecer neste blog. Ou, para ser mais rigoroso, fui dado a conhecer neste "anónimo do séc. xxi".
Aqui arrangei simpatias e amizades, e apercebi-me que, quando o "gestor" do espaço se sentia um pouco desmotivado por não ter quem lhe fizesse comenários, "pedia emprestada" uma fotografia minha, publicava-a com umas suas legendas, por vezes pouco a propósito, e era resultado seguro, logo apareciam alguns comentários, e ele recuperava - à minha custa, e de quem me tira a maioria das fotografias - um pouco daquilo a que os humanos chamam auto estima.
Pois abriu, hoje, um blog novo que, em grande parte, me é dedicado porque sou um dos quatro do "Quarteto de Alexandria", a obra de Durrell, e não sei onde a autora irá buscar imagens da Justine (a não ser as que for buscar a um arquivo de saudades...), da Clea e do Baltazar, que são os outros títulos do quarteto.
Em resumo, quem me quiser ver com mais frequência visite quartetodealexandria.blogspot.com que por lá me encontrará.
E isto é só quase uma despedida porque talvez aqui venha de vez em quando recordar "velhos tempos". Mas o tal "anónimo" que me fotografe se aqui me quiser ter. Andar a fazer figura - e a recobrar da tal auto estima - à boleia de fotos de outro(a) é que não me parece bem.



De qualquer modo, até breve ou até à vista.

Privados de público

Quando o que é público funciona mal, a culpa é de ser público e dos funcionários que públicos são (ou eram).

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A ordem (nova, sempre nova, sempre renovada) é: privatize-se.

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Quando aquilo que é privado, porque privatizado foi, funciona mal – ou até faz pior, tais negócios ilícitos, ilegais ou sujos… como lavar dinheiro – a culpa é do Estado (público) porque não fiscaliza, porque não tutela, porque não controla.

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Como devia, claro.

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Porque o Estado, para quem assim perora, é para isso mesmo: para dever…

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(… pois!, os impostos que ao Estado pagamos, e que nos devidos são, são para que este - que é público - crie condições para que o privado cumpra os seus desígnios e objectivos.)

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Sim, porque os impostos que se pagam ao Estado (quem paga, claro, porque só pagam os que não precisam de não pagar, ao contrário da enganosa consigna do fascismo os que podem aos que precisam) não são para que o Estado cumpra funções sociais, para que os direitos conquistados conquistas sejam.

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Isso está esquecido, e pobre (porque de espírito, pelo menos, será vilipendiado, e porque pobre materialmente corre o sério risco de ser) de quem o lembre!

Univers(al)idades

Independentemente do que se sabe ou não sabe, da boa ou má fé, do que é ou do que é, quem se diz independente…mente.

quarta-feira, abril 04, 2007

Quando chegar o tempo em que o homem seja amigo do homem...

Aos que virão depois de nós

Nós sabemos:
o ódio contra a baixeza
também endurece os rostos!

A cólera contra a injustiça
faz a voz ficar rouca!

Infelizmente,
nós,
que queríamos preparar o caminho para a amizade,
não pudemos ser, nós mesmos, bons amigos.

Mas vocês, quando chegar o tempo
em que o homem seja amigo do homem,
pensem em nós
com um pouco de compreensão.




Bertold Brecht

terça-feira, abril 03, 2007

Vamos a eles, Mounti?

Afia-me essas unhas!
Aguça-me essas garras!*
(mas não nos sofás da sala...)
* - és uma das minhas armas... se calhar a única!

Deambulando... mas com rumo

Nas minhas deambulações navegantes, gosto de me deter em Open-source poetry. Apetece-me, por vezes - muitas - transcrever algumas coisas que leio. Porque não?

Dinâmicas da Pedra!
A Pedra ainda sente...

Olho para mim, sou eu...

Olho para ti, és tu...

Tento olhar para nós... será que já não somos?

posted by Zellig


fascismo nunca mais

quantos são?
à sombra do crime,
profetas das desgraças,
filhos bastardos da nação.

quantos são?
os ferros com que nos querem prender,
os calabouços frios e as mordaças,
não passarão a nossa união.
sejam fascistas cabrões,
juntos em grandes reuniões,
mas nunca serão pátria,
nem povo, e não vos valem os galões.

sejam parasitas, vermes,
invertebrados nazis,
mas a barricada que vedes,
tem por detrás um povo que grita:
fascismo nunca mais!

posted by pedras contra canhões


içar a vela

sob o cacete,
vergámos as costas,
outros, não fui eu.

sob a ira,
recebemos a dor
mas temos a vitória de uma força
que não cedeu.

temporária é certo, que importa proteger
nunca a vitória é certa
enquanto a história não crescer.

porém a luta é um mar
onde navega ao vento um povo jovem
"rumo à estrela polar".

posted by pedras contra canhões

Atenção aos sinais...

Depois de ler alguns textos (recomendo vivamente o excelente "o recrudescimento do fascismo" do Pedras contra canhões no seu Império Bárbaro), e de ouvir umas vozes, e de ouver uns figurões, retomo o que escrevi sobre os sinais (como quem sublinha e se auto-corrige para maior força dar ao que sente e quer dizer):
(...) assusta ver o necessário, urgente e sério, ataque à corrupção servir de instrumento para, insidiosamente, se branquear o fascismo e fazer a apologia de ditaduras salazarentas.
Como assustam (e deveriam alertar) tantos outros sinais de aparente tolerância (até do Tribunal Constitucional) e de neutralidade histórica (de encartados "historiadores") com a mesma finalidade.
Estaremos a acordar fantasmas, dirão alguns. A questão é que não se trata de fantasmas, mas sim de reais ameaças, e ai de quem não sabe ler os sinais. E estes não estão nas conchas, ou noutros artefactos esotéricos. Estão nas escolas, na televisão, nos jornais, nas rádios. E também já aparecem, sinais e provocadores, nas ruas.
"Não passarão!" e estaremos a dramatizar, dirão alguns que como nós pensam e querem. Assim fosse, mas já ouvimos "no passarán!" no final dos anos 30, e o que é preciso é... "avisar a malta" e não nos distrairmos neste combate de uma luta contínua.

sexta-feira, março 30, 2007

Mais uma de Bertold Brecht

O "Analfabeto Político"

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha, da renda de casa, dos sapatos, dos remédios,
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro
que se orgulha e enche o peito de ar
dizendo que odeia a política.
Não sabe, o idiota,
que da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos
que é o político vigarista, aldrabão,
o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.



Bertold Brecht

Pois é... a tal "sociedade civil"...

Da minha navegação matinal pela "blogaria", retive esta expressão "tem que ser a sociedade civil a dar a volta a isto. Já pensei em começar mas rapidamente me falta a vontade."
Curiosamente, estou a ler "Da mentira: um ensaio - transbordante de errores", do José Barata-Moura, e ontem, antes de apagar a luz, li e sublinhei este pedaço de nota de pé-de-página, em que o autor, com o seu inexcedível cuidado e rigor, sublinha que «... para Hegel, a "sociedade civil" - ou a "sociedade burguesa", já que bügerliche Gesellschaft veícula as duas camadas de significação - é que constitui o "campo de batalha (der Kampfplatz) "do interesse individual privado de todos contra todos" (des individuellen Privatinteresses aller geggen alle)...»
Era bom que quem diz ter pensado (!) em começar a "dar a volta a isto", e tanto espera da "sociedade civil", tenha a vontade de se dar ao trabalho de aprender algo sobre as coisas de que fala, evitando seguir acriticamente expressões "na moda", e também que comece, sim, por tentar perceber o que é "isto" a que gostaria de começar a "dar a volta", e porque é que "isto" está neste estado e estádio.
E que não lhes falte a vontade tão rapidamente!

terça-feira, março 27, 2007

Para que não voltem!

Tempos Sombrios

Realmente, vivemos tempos sombrios!
A inocência é loucura.
Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade.
Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia que está para chegar.
Que tempos são estes,
em que é quase um delito
falar de coisas inocentes,
pois implica fazer silêncio
sobre tantos horrores.

Bertold Brecht

Em que tempo estamos a viver?!

O "post" anterior foi escrito sob alguma tensão. Reconheço-o embora me reconheça inteiramente no que nele está escrito. Lidos os comentários e outras "fontes", volto à carga, começando por reagir ao "amigo" Segismundo que, com o seu "mano" Nicky Florentino, me dão prazer/gozo ler, e com alguma frequência aqui transcrevo, e que ao assunto se refere.
O dito Segismundo chama ao concurso já passado "jogo da galega sobre os dez maiores tugas de todos os tempos" e, depois de comentário curtíssimo e irónico (à sua maneira), termina dizendo que tudo o resto é histerese (aparecimento de um atraso na evolução de um fenómeno físico em relação a outro) ou histeria. Ora não me parece que seja adequado este remate.
Primeiro, porque não considero que haja qualquer atraso, no sentido de algo que acontece fora do tempo certo, nesta emergência de sinais de que o fascismo anda por aí a espalhar. Haverá, sim, antecipação e concertação.
Depois, porque se a expressão histeria é usada como carapuça a enfiar em quem mais reagiu ao resultado desta operação de branqueamento do fascismo, não a aceito e acrescento que mais reagiu quem melhor conhece o que foi o fascismo, e sente que ele se insinua e manifesta em algumas das suas máscaras preambulares.
Naquele selecto cenáculo televisivo da sessão de "apuramento do maior português" o promotor-mor da "candidatura" de Oliveira Salazar a tal épico título, numa postura de grand seigneur, de magnânimo vencedor, deixou a imagem de um "Estado Novo" em que não havia as maleitas e doencas que atingem os portugueses na actualidade, entre outras a da corrupção. E não só ele o fez...
Logo logo hoje, dois dias depois da consagração salazarenta, de corrupção se fala, e muito, e muito oportunamente, para se insistir na tecla de que tal é maleita nova de que o regime anterior ao 25 de Abril não sofria.
E é prudente, diria da máxima prudência, ver nestas insistêncas o ataque ao 25 de Abril e à democracia como se fossem estas as causas da corrupção que, antes..., se diz não ter existido porque havia um homem que a não consentia. O que é multiplamente falso, porque a corrupção que existe - e tem de ser seriamente combatida! - é fruto de não se cumprir o 25 de Abril e porque, no antigamente..., havia (oh! se havia...) impune corrupção de cariz fascista. E assusta ver o necessário, urgente e sério, ataque à corrupção servir de instrumento para, insidiosamente, se branquear o fascismo e fazer a apologia de ditaduras salazarentas.
Como assustam tantos outros sinais de aparente tolerância e de neutralidade histórica com a mesma finalidade.
Estaremos a acordar fantasmas, dirão alguns. A questão é que não se trata de fantasmas mas de reais ameaças e ai de quem não sabe ler os sinais. E estes não estão nas conchas, ou noutros artefactos esotéricos. Estão nas escolas, na televisão, nos jornais, nas rádios.

segunda-feira, março 26, 2007

Em que tempo estamos a viver?

Adormeci como quem já está a ter um pesadelo. Dormi e, ao acordar, acordei com o pesadelo ainda vivo e, à televisão de ontem, juntou-se a rádio desta manhã para acordado e vivo o manter.
Já não é o apelo de "fugir" para Pasárgada, à maneira de Manuel Bandeira, o que e quem vem à lembrança é Tolstoi que, no fim da sua vida, se retirou como "mujique" para se isolar do mundo que não se sentia com forças para suportar, e que acabou atropelado por um comboio quando até da família fugia.
Mas reajo ao apelo e à lembrança.
O mundo está torto, como diria Cervantes pela voz de D. Quixote (ou vice-versa), e quanto maiores as agressões, quanto mais fundo o desgosto pelo que se vê e vive à nossa volta, mais preciso, mais urgente é a luta. A luta, de cada um, pela informação, pelo esclarecimento, enquanto a expressão mais premente da luta de classes. Como quem está no polo oposto, servindo-se da RPT, RDP & Cia., tão bem sabe. E tão bem sabe fazer na permanente busca da desinformação e do obscurantismo que prossegue o que foi tarefa exemplar e brutalmente executada por Salazar.
E quero afirmar, de novo, o que sempre pensei e disse: a este concurso deveria ter-se dado o que ele merecia, apenas desprezo. Percorrer um caminho que se sabe minado, armadilhado, é ter a certeza de que as minas serão pisadas, que as armadilhas de nós se alimentarão.
Mas foi assim. Paciência. Só resta continuar a luta!

terça-feira, março 20, 2007

No dia da francofonia

Acabo de ouvir, na rádio, que hoje é o dia da francofonia. E logo me saltam os últimos versos de um poema de Paul Eluard que me têm acompanhado na vida, e cito de cor(ação):
... et par le pouvoir d'un mot/je recommence ma vie/je suis naît pour te reconnaître/pour te nommer: LIBERTÉ!
E saúdo quem foi buscar ao temps des cerises (canção de amor no tempo da Comuna de Paris) o título e mote para o seu blog:
Quand nos en serons le temps des cerises,/ Et gai rossignol, et merle moqueur/ Seront tous en fête !/ Les belles auront la folie en tête/ Et les amoureux, du soleil au coeur/ Quand nous chanterons le temps des cerises,/ Sifflera bien mieux le merle moqueur !/
Mais il est bien court, le temps des cerises/ Où l'on s'en va deux, cueillir en rêvant/ Des pendants d'oreilles./ Cerises d'amour aux robes pareilles,/ Tombant sous la feuille en gouttes de sang./ Mais il est bien court le temps des cerises,/ Pendants de corail qu'on cueille en rêvant !/
Quand vous en serez au temps des cerises,/ Si vous avez peur des chagrins d'amour,/ Evitez les belles !/ Moi qui ne crains pas les peines cruelles,/ Je ne vivrai point sans souffrir un jour./ Quand vous en serez au temps des cerises,/ Vous aurez aussi des peines d'amour !/
J'aimerai toujours le temps des cerises :/ C'est de ce temps-là que je garde au coeur/ Une plaie ouverte !/ Et dame Fortune en m'étant offerte/ Ne pourra jamais fermer ma douleur./ J'aimerai toujours le temps des cerises/ Et le souvenir que je garde au coeur !

domingo, março 18, 2007

A frase do dia (cinzento apesar do sol primaveril!)

"(...) É tudo normal, inclusive o que não é normal. Nicky Florentino.

sexta-feira, março 16, 2007

Este (desenho) chega, não acham?


(no Ávante! de ontem, 15.03.2007)
Boa, Monginho!

Gato em anúncios de primavera

Há fotografias recentes, novas, novíssimas , do gato senhor, Mounty de seu nome.
A primavera chegou aos domínios de sua excelência. E ele, excelência sua, mostra desfrutá-la, gozá-la. E logo a senhora dona dele, Zé de seu nome pequenino, sai disparada a disparar a máquina de gravar momentos. Sempre com o senhor gato como tema. Embora, às vezes, também fotografe flores.... para não dizerem que não fotografa flores, ou que só fotografa o gato nosso.
E eu, que faço parte do "nosso" que identifica os que se julgam donos do senhor gato, venho, também logo, mostrar aqui uma ou outra das fotos.
Hoje, pode ser esta. Tirada ontem. No meio da primavera que desabrocha por todos os lados.
Para mostrar aos amigos dele, melhor digo fãs, e que nossos amigos são.
'Tá feito.

terça-feira, março 13, 2007

Um senhor!

Um gato é um gato!

E depois?, perguntam-me,
logo acrescentando
um gato é um gato,
um rato é um rato,
um cão é um cão,
um macacão é um macacão.
Em resumo:
um bicho é um bicho.

Pois…
além disso, lembram-me
um homem é um homem,
e eu riposto:
umas vezes… bicho,
outras vezes… humano!

‘Tá bem,
‘tá tudo certo
um gato é um gato
mas o nosso gato é um senhor gato!

sábado, março 10, 2007

As palavras exactas

Hoje, sei lá porquê, ou até sei..., apeteceu-me chamar biltre a um fulano que eu cá sei. E até sei porquê embora quisesse fazer de conta que não sei.
E fiquei nessa de chamo-não chamo... talvez chame... se ele fizer outra igual ou parecida... e se ele estiver por perto.
Por aí me fiquei a chamar biltre a um fulano sem biltre lhe ter chamado. E a palavra comigo ficou, como uma etiqueta a colar quando oportuno.
Biltre... Pois. A palavra exacta.
Era para ir ao dicionário ver o exacto significado da palavra exacta. Mas, antes, abri, ao acaso, um livro do Gedeão e logo me aparece a página com o

Poema da palavra exacta

Eu dou-te uma palavra,
e tu jogarás nelae nela apostarás com determinação.

Seja a palavra "biltre".

Talvez penses num cesto,
açafate de ráfia, prenhe de flores e frutos.

Talvez numa almofada num regaço
onde as mãos ágeis manobrando as linhas
as complicadas teias vão tecendo.

Talvez num insecto de élitros metálicos
emergindo da terra empapada de chuva.

Talvez num jogo lúdico, numa esfera de vidro,
pequena, contra outra arremessada.

Talvez...

Mas não.
Biltre é um homem vil, infame, ordinário.
São assim as palavras.

António Gedeão, no espaço Som da Tinta, hoje, às 16 horas, contado/cantado por Manuel Freire. Com as palavras exactas.






(do blog som-da-tinta.blogspot.com)

quinta-feira, março 08, 2007

O INE em/para o dia da mulher

O Instituto Nacional de Estatística (INE) fez um trabalho, que me parece muito interessante, dedicado a este dia. Só o olhei, quero lê-lo e aproveitá-lo, talvez também para esta forma de comunicação. Vamos a ver...
Entretanto, recebi esta "folha" de que reproduzo o cabeçalho, o título e o resumo introdutório: