terça-feira, novembro 24, 2020

Haja Congresso!...

Não fujo a confrontos, como não os provoco nem tão pouco os desejo. 

Tenho também o cuidado de não me meter em sarilhos e algazarras, em ânimos exaltados e a descambarem em violência, verbal – de faca na li(n)g(u)a – ou “vias de facto”, de procurar não partilhar espaços enlameados… ou pior. 

Por isso, não me atrai entrar em polémicas, em cenas de diz tu-direi eu sem eira nem beira, sobretudo se a falta de beira ou de eira for discussão em que não há respeito mútuo nem próprio, porque se usam expressões, frases, palavras, ausentes de dicionário, isto é, em que o que se atira para a fogueira são sons ou escritos completamente esvaziados de sentido etimológico ou outro, apenas armas de arremesso. 

Mas… não fujo aos confrontos, e por isso não me faltam situações em que gosto de debater ideias, as minhas e as contrárias às minhas, e também não faltam situações outras em que fico a falar sozinho porque o interlocutor se me escapa ou em que sou eu que retiro da contenda. 

Vem isto a propósito de quê? 

Por exemplo, ou para exemplo, só discuto, no meu partido ou fora dele, as razões que me levaram a tomar partido, com quem esteja disposto a ouvir as razões por que o fiz, e esteja disposto, tal como eu, a pôr dúvidas e procurar respostas… por maiores que sejam as diferenças no início a conversa. 

Claro que isso exclui do meu leque (largo) de interlocutores quem não tenha dele, do meu Partido, o mínimo conhecimento e/ou adopte, inflexível, como seu retrato a caricatura tosca, grosseira, falsa e falsificadora, ausente de todo o equilíbrio, que os seus inimigos propagam (e se têm meios para o fazer…). 

Pelo que não me lanço em discussões de cruzinha no sim ou não, de gosto ou não-gosto à facebook, sobre a Coreia do Norte ou sobre a homossexualidade do Júlio Fogaça, como não atiro achas para a fogueira, agora tão soprada, da realização da Festa do Avante! (e das comemorações do 25 de Abril e do 1º de Maio, veja-se lá…) e do Congresso em tempo de pandemia. 

Mas já me convoca explicar como é que funciona o Partido em relação ao seu Congresso, agora de 4 em 4 anos com eventualidade de extraordinários por motivos… extraordinários, e este é o 21º, depois de ter tido 4 na clandestinidade entre 1926 e 1974 - 1943, 1946, 1957 e 1965 - depois de 2 ainda na legalidade - 1923 e 1926, interrompido a 29 de Maio.  

E, para essa organização política, por que tomei partido há mais de 60 anos, o Congresso é momento mais importante da sua existência porque é aquele em que se faz o balanço do que foi e se decide o que e como vai ser. 

Momento, disse eu?... momento que tem a duração de meses. 

Não é uma reunião de um dia ou fim-de-semana em que os delegados escolhem uma moção e um leader, ou a moção de um ou o leader de uma moção, mas  sim, no caso deste Congresso deste partido começa-se por um documento aprovado no Comité Central eleito no congresso anterior, muitos meses antes da data marcada para a reunião final, com as linhas gerais a discutir durante o período congressual, documento que é colocado à discussão de TODOS os militantes, e assim se inicia o processo. 

Depois, dentro dos prazos pré-fixados, o mesmo CC elabora um novo documento, a que chama Teses e que é como que um rascunho da que virá a ser a resolução política a propor à reunião final, sendo esse documento publicado de várias formas (como suplemento do avante! e outras), que se distribui por TODOS os militantes com a expressa intenção de discussão em TODAS as organizações e de promoção de propostas de emendas, acrescentos, cortes.

As Teses, após esse período, transformam-se em proposta de resolução política, que os delegados vão discutir e ainda poderá – e sempre é – ser alterada em plena reunião plenária por propostas dos delegados, e é aprovada nem sempre, na história dos congressos, por unanimidade. 

Quanto aos delegados, são eleitos em reuniões especialmente convocadas para esse fim e de acordo com as condições regulamentadas, que para o Congresso deste ano foram 600, cerca de metade dos últimos congressos pelas condições conhecidas e assim decidido com larga antecedência, pelo que, por exemplo, se agruparam organizações, que em congressos anteriores tinham um delegado seu, em reuniões electivas para um único delegado. 

Processo congressual perfeito, sem máculas?... claro que não, mas procurando cumprir o chamado centralismo democrático, e se, sendo os militantes cidadãos de um Estado-nação de elevada iliteracia, de nível cultural médio baixo e pouca actividade de promoção associativa e cultural, algumas fases do processo congressual parecem “remar contra a maré” e assemelhar-se, em determinadas circunstâncias, a cumprimento formal. 

No contexto em que se realiza este Congresso, duas coisas me parecem de dizer: 
  • Trata-se de um direito que se exerce nas mais difíceis condições, numa afirmação de direitos democráticos que a TODOS (militantes e não) respeitam e foram conquistas a preservar
  • A campanha que se promove contra o Congresso nada tem a ver com preocupações com a saúde pública, é anti-democrática e reveladora de um condenável oportunismo político – que parece ser genético – servindo-se da democracia para, por via da desinformação e deturpação informativas, atacarem, num visível e não escamoteável plano, um partido mas, no fundo, atacar a democracia e os direitos que a conformam.

E, já agora… para terminar e porque vem a propósito, nas décadas que Portugal viveu sob ditadura, este PCP, de certo nem sempre acertando, algumas vezes tendo de se corrigir, lutou pela liberdade e a democracia, não pelas suas liberdades e democracias individuais, dos seus militantes, também então pela liberdade e democracia de e para TODOS.

E não foi fácil…


domingo, novembro 22, 2020

inFormar-se(n+ 1)

 (...)

Escrevi, então, em reacção imediata que precatadamente reservei, que o Público já deveria estar a aproveitar, não para estimular o que já chega (coisa que o Público intencional e explicitamente não fará …), mas para atacar ferozmente o que, para o dito Público, em editorial do director, seriam apenas recordações (nostálgicas e muito negativas) de atentados de alguns ex-Estados ou ex-Uniões aos direitos humanos…  

 Enganei-me, e congratulo-me por me ter enganado.

 O editorial do Público de hoje – não assinado pelo seu director, naturalmente – diz que:




Mas há mais.

 Neste Público de hoje, não me obrigando a desmentir o que escrevi ontem e já hoje publiquei, antes lembra que

"Essa postura coerente com a tomada de consciência (ou percepção…) do tempo que se vive, não exigirá, necessariamente, a procura de outra informação, poderá começar por ligar informações deslocadas no tempo e nos espaços informativos aparentemente sem ligação.”

Tal procura pode ajudar a informarmo-NOS sobre o tal acordo entre 15 países do Oriente, num artigo:

...

Artigo que informa e que, embora não esteja de acordo com a análise em tudo, me lembra o que escrevi (não sei onde, nem quantas vezes), há quase 30 anos: com a entrada da China para a Organização Mundial do Comércio, a questão que se põe para o futuro é se foi a China que entrou para a OMC, ou se foi a OMC que entrou na China. 

Na luta de classes, a inFormação é, e cada vez mais, fundamental.

inFormar-SE (n)

A informação que nos chega aos sentidos (olhos e ouvidos), por via da chamada comunicação social (e também – e crescentemente – as chamadas redes sociais), forma a nossa consciência ou percepção[1] da realidade.

As notícias (verdadeiras ou falsas), e as suas interpretações, são como grãos ou caroços lançados à terra para que haja sementeira. Mas o solo em que caem não está todo tratado, ou preparado para os receber, do mesmo modo, havendo solo virgem e/ou já adubado.

Nos tempos que correm há uma evidente polarização da informação que nos chega, isto é, os assuntos que são objecto dessa informação reduzem-se a dois ou três, em que insistentemente se insiste…

O surto epidérmico e as eleições presidenciais nos Estados Unidos ocupam os noticiários e os comentários de uma maneira geral, completados em quase exclusividade por temas relacionados ou pontuais, como o OGE, o acordo – ou entendimento ou o que for – entre o PSD e uma coisa chamada Chega, o XXI Congresso do PCP.  

 Para quem esteja ainda virgem de informação (por idade, por estado de pureza improvável, por desembarque recente de um outro planeta), ou já tenha sido objecto das primícias de uma formatação, via catequese nas suas diferentes modalidades e crenças (nestas se incluindo as familiares ou hereditárias), esta informação que nos – e refiro-me a nós, habitantes, em Novembro de 2020 do continente Europeu (central e ocidental), particularmente no canto inferior esquerdo – invade é muito selectiva. 

Esta informação menospreza, quando não consegue ignorar, minudências como o que se passou ou passa na Bolívia, ou no Chile, os acordos lá pelo longínquo oriente que (apenas) respeitam a 1/3 da população mundial e inclui o país  que, sendo o mais povoado de todos, é o único dos referenciáveis que não viu a sua riqueza (tal como as estatísticas adoptadas a mensuram) diminuir. Continuando a crescer e por forma que conseguiu retirar dezenas e dezenas de milhões de coevos da miséria, da pobreza não só estatística.

O que poderia ser confrontado com o que acontece por paragens mais próximas de nós, em que, quando crescem os conjuntos estatistificados (E.U.A., U.E. e suas parcelas, e arredores), mais crescem os que mais têm e menos crescem os que menos têm, 

e quando acontece diminuírem, como está a ser a actual idade, ainda assim, há os que, entre os que mais têm, aproveitam para mais aumentarem o que têm, e, em contrapartida, os que menos têm aumentam em número e vêem diminuir o que é seu.

Mas disso não se fazem contas que sejam informação corrente e alargada, bem pelo contrário.

Por isso se valoriza a partícula reflexiva SE que se deveria juntar, sempre, ao verbo informar, isto é, informar é preciso mas mais necessário é informar-SE. Essa postura coerente com a tomada de consciência (ou percepção…) do tempo que se vive, não exigirá, necessariamente, a procura de outra informação, poderá começar por ligar informações deslocadas no tempo e nos espaços informativos aparentemente sem ligação.

Por exemplo, a notícia de que


pode ser lida como algo que se assemelha a um condicionamento da liberdade individual (como o fez o deputado da IL, protestando), a uma requisição civil justificada pela gravidade da situação, 
e pergunta-se porque se toma tal medida e não se faz o mesmo, ou antes, ou também, relativamente aos serviços privados ou privatizados que “concorrem” com o SNS, e que – pelo contrário – estão a auferir vantagens enormes no combate a esta situação





e pode (e deve!) ainda ser lida em conexão com outras, como a de que

«O preço de internamento de doentes Covid-19 em hospitais privados era de 1962 euros, sendo agora 2495 euros. - um aumento de 533 euros em relação à convenção que existia e que foi agora renovada.

 Nos cuidados intensivos, o preço foi desdobrado em duas fases: ventilação inferior a 96 horas, corresponde a 6036 euros, e ventilação superior a 96 horas, são 8491 euros.»

(Tabelas calculadas, evidentemente, com base não dos custos mas os lucros a apropriar… que não serão pequenos.)

Se num caso se fala em requisição civil – que bem justificada seria se a gravidade da situação o justificasse, o não se fazer no outro caso, comportando transferência de verbas, que – afirme-se – são de todos nós, para os bolsos já a deitarem por fora de privados…  nunca satisfeitos.

Sacrifícios de direitos dos trabalhadores quando as circunstâncias o exigem… mas, em contrapartida, negócios chorudos e oportunidades aproveitadas por alguns à custa do que é de todos, só revela a natureza de classe e a exploração a ela associada no mundo em que vivemos e na correlação de forças que predomina.

Natureza de classe que pode tomar outras expressões que a informação revela, ao mesmo tempo que o faz escamoteando-a, escondendo-a, dando notícia e fazendo campanha sobre factos que possam atingir quem e o quê, sendo de outra classe, denuncia e combate, procurando contribuição para a transformação do mundo.

Na comunicação social (e o Presidente da República, seu elemento, alimento e fautor) fazem do congresso de um partido – o PCP – notícia, como o fizeram do 25 de Abril, do 1º de Maio, da Festa do Avante!, aproveitados para tiros no mesmo alvo (que no 25 de Abril e no 1º de Maio nem alvo poderia ser), ecoando, em campanha exorbitante, sobre o tema, assim servindo interesses e forças que se aproveitam de todos os pretextos, como oportunistas que são.

E tal é feito de maneira a perverter uma característica (qualidade?!) deste partido – o seu sentido de prevalência do colectivo e a sua disciplina –, como sendo não o garante do cumprimento de regras que outros menosprezam ou desprezam, mas fazendo a denúncia de excepções que não existem, procurando conotações com acordos e alianças que não há, dando relevo à ironia grosseira e infame de que poderia ser excepção a aproveitar para que viesse a haver Natal este ano.  

continua, claro...

[1] - vocábulo traduzido em escrita como perceção, o que ilustra um dos absurdos procurados impor pelo AO [acordo (?) ortográfico] , e que Marcelo utiliza com intenção que talvez adiante comente.


 

sábado, novembro 21, 2020

Histórico

 

HISTÓRICO...apesar da falta (por agora) da India

O RCEP salta sobre
as Novas Estradas da Seda
por Pepe Escobar [*]

Países da RCEP.Ho Chi Minh, na sua morada eterna, estará a saborear isto com um sorriso celestial. O Vietname foi o hospedeiro – virtual – quando as 10 nações da ASEAN, mais a China, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia, assinaram a Parceria Económica Regional Abrangente (Regional Comprehensive Economic Partnership, RCEP ) no último dia da 37ª Cimeira da ASEAN.

O RCEP, cuja preparação levou oito anos, reúne em conjunto 30% da economia global e 2,2 mil milhões de pessoas. É o primeiro marco auspicioso dos Devastadores Anos Vinte (Raging Twenties), os quais começaram com um assassinato (do Gen. Soleimani, do Irão) seguido por uma pandemia global e agora por intimidações agourentas de um suspeito Grande Reinício (Great Reset).

O RCEP define o Leste da Ásia como o eixo primário indisputado da geoeconomia. O Século Asiático de facto já estava em elaboração desde a década de 1990. Entre os asiáticos, e os ocidentais que o identificaram, está o meu livro 21st: The Asian Century publicado em 1997 (excertos aqui .)

O RCEP pode forçar o ocidente a fazer algum trabalho de casa e compreender que a narrativa principal não é que o RCEP "exclui os EUA" ou que é "concebido pela China". O RCEP é um acordo vasto de todo o Leste da Ásia, iniciado pela ASEAN e debatido entre iguais desde 2012, inclusive pelo Japão, o qual para todos os propósitos práticos se posiciona como parte do Norte Global industrializado. Este é o primeiro acordo comercial desde sempre que une as potências económicas asiáticas, China, Japão e Coreia do Sul.

Por agora está claro, finalmente em vastas faixas da Ásia do Leste, que os 20 capítulos do RCEP reduzirão tarifas de cabo a rabo; simplificarão alfândegas, com pelo menos 65% dos sectores de serviços abertos plenamente, com limites acrescidos de participação accionista estrangeira; solidificação de cadeias de abastecimento ao privilegiar regras comuns de origem; e codificação de novas regulações de comércio electrónico.

Quando se chega aos pormenores, as empresas estarão a poupar e serão capazes de exportar para qualquer lugar dentro do espectro das 15 nações sem se incomodarem com exigências extras e separadas de cada nação. Isto é acima de tudo um mercado integrado.

Quando o RCEP encontra-se com a BRI

O mesmo disco riscado estará a tocar sem parar que o RCEP facilitar as "ambições geopolíticas" da China. Esta não é a questão. A questão é que o RCEP evoluiu como um companheiro natural para o papel da China como o principal parceiro comercial de virtualmente todo actor do Leste Asiático.

O que nos traz para o ângulo geopolítico e geoeconómico chave: o RCEP é um companheiro natural para a Belt and Road Initiative (BRI), a qual como uma estratégia de desenvolvimento comercial sustentável estende-se não só ao Leste da Ásia mas aprofunda-se na Ásia Central e Ocidental.

análise do Global Times é correcta: o ocidente não cessou de distorcer a BRI, sem reconhecer como "a iniciativa que eles têm estado a difamar é realmente é realmente popular na vasta maioria de países ao longo da rota BRI".

O RCEP recentrará a BRI – cuja etapa de "implementação", de acordo com o calendário oficial, começa apenas em 2021. O baixo custo do financiamento e os empréstimos especiais em divisas oferecidos pelo Banco de Desenvolvimento da China tornar-se-ão muito mais selectivos.

Haverá um bocado de ênfase na Saúde da Estrada da Seda – especialmente através do Sudeste da Ásia. Projectos estratégicos serão a prioridade: eles giram em torno do desenvolvimento de uma rede de corredores económicos, zonas logísticas, centros financeiros, redes 5G, portos marítimos chave e, especialmente a curto e médio prazo, alta tecnologia relacionada com a saúde pública

As discussões que levaram ao texto final do RCEP foram centradas sobre um mecanismo de integração que possa facilmente contornar a OMC no caso de Washington persistir em sabotá-lo, como aconteceu durante a administração Trump.

O próximo passo poderia ser a constituição de um bloco económico ainda mais forte do que a UE – uma possibilidade não absurda quando temos a China, Japão, Coreia do Sul e 10 países da ASEAN a trabalharem em conjunto. Geopoliticamente, o incentivo principal, para além de um conjunto de compromissos financeiros imperativos, seria solidificar algo como Faça Comércio, Não Guerra (Make Trade, Not War).

O RCEP assinala o fracasso irremediável do TPP da era Obama, o qual era o braço da "NATO no comércio" do "eixo da Ásia" inventado no Departamento de Estado. Trump sucateou o TPP em 2017. O TPP não era acerca de um "contrapeso" para o primado comercial da China na Ásia: era acerca de uma liberdade para todas as super-abrangentes 600 companhias multinacionais que estiveram envolvidas na sua redacção. O Japão e a Malásia, especialmente, viram esta concepção desde o começo.

O RCEP inevitavelmente também assinala o fracasso irremediável da falácia da desconexão (decoupling), bem como de todas as tentativas para por uma pedra entre a China e seus parceiros do Leste Asiático. Todos estes actores asiáticos agora privilegiarão o comércio entre si mesmos. O comércio com nações não asiáticas será uma ideia posterior. E toda economia ASEAN dará total prioridade à China.

Ainda assim, as multinacionais americanas não serão isoladas pois elas serão capazes de lucrar com o RCEP através das suas subsidiárias dentro dos 15 países membros.

E a Grande Eurásia?

E depois há a proverbial confusão indiana. A interpretação oficial de Nova Delhi é que o RCEP "afectaria a subsistência" de indianos vulneráveis. Isso é código para uma invasão extra de produtos chineses baratos e eficientes.

A Índia fez parte das negociações do RCEP desde o início. Retirar-se – com a condição de que "podemos aderir mais tarde" – é mais uma vez um caso espectacular de esfaquearem-se nas costas. O facto é que os fanáticos da Hindutva por detrás do Modi-ismo apostaram no cavalo errado: a estratégia da parceria Quad promovida pelos EUA, juntamente com a estratégia Indo-Pacifico, a qual significa contenção da China e portanto impede o estreitamento de laços comerciais.

Nenhum "Make in India" irá compensar o erro geoeconómico e diplomático – o qual implica crucialmente que a Índia se distancie do Asean 10. A RCEP consolida a China, não a Índia, como o motor indiscutível do crescimento da Ásia Oriental em meio ao reposicionamento das cadeias de abastecimento pós-Covid.

Um seguimento geoeconómico muito interessante é o que fará a Rússia. De momento, a prioridade de Moscovo envolve uma luta de Sísifo: gerir o turbulento relacionamento com a Alemanha, o maior parceiro russo de importações.

Mas há a parceria estratégica Rússia-China – a qual deveria ser economicamente reforçada. O conceito de Moscovo de Grande Eurásia envolve um envolvimento mais profundo tanto do Leste como do Oeste, incluindo a expansão da União Económica Eurasiática (Eurasia Economic Union, EAEU), que tem, por exemplo, acordos de comércio livre com nações da ASEAN como o Vietname.

A Organização de Cooperação de Xangai (SCO) não é um mecanismo geoeconómico. Mas é intrigante ver o que o Presidente Xi Jinping disse no seu discurso de abertura no Conselho de Chefes de Estado da SCO , na semana passada.

Esta é a citação chave de Xi: "Devemos apoiar firmemente os países relevantes para avançarem suavemente as principais agendas políticas internas de acordo com a lei; manter a segurança política e a estabilidade social e oporem-se resolutamente à interferência de forças externas nos assuntos internos dos estados membros sob qualquer pretexto".

Aparentemente, isto nada tem a ver com a RCEP. Mas há alguns cruzamentos. Nenhuma interferência de "forças externas". Pequim a tomar em consideração as necessidades de vacina Covid-19 dos membros da SCO – e isto poderia ser estendido à RCEP. A SCO – assim como a RCEP – como uma plataforma multilateral para os estados membros mediarem as disputas.

Todos os pontos acima mencionados apontam para o entrecruzamento do BRI, EAEU, SCO, RCEP, BRICS+ e AIIB, o que se traduz como uma integração mais próxima da Ásia – e da Eurásia – geoeconomicamente e geopoliticamente. Enquanto os cães da distopia ladram, a caravana asiática – e euro-asiática – continua a avançar.

16/Novembro/2020

[*] Jornalista.

O original encontra-se no Asia Times e em thesaker.is/rcep-hops-on-the-new-silk-roads/


Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .

sexta-feira, novembro 20, 2020

U.E. - um orçamento que serve quem?

- Edição Nº2451  -  19-11-2020


Um orçamento que não serve o País

Na semana passada, o Parlamento Europeu (PE) votou a sua proposta para o Orçamento de 2021 da União Europeia, associando às linhas orçamentais uma resolução política. Quem a leia, desconhecendo os números, não identificando inúmeras ausências e desenquadrado dos objectivos políticos de variados programas, poderia deixar-se impressionar pela quantidade de referências a aumentos nas linhas orçamentais.

Mas a proposta, não obstante a abordagem propagandística (que se alinha com a propaganda de outras instituições da UE para ocultar os impasses e contradições na preparação do próximo Quadro Financeiro Plurianual), é curta e não serve as necessidades com que os países se confrontam, para responder à dimensão dos problemas decorrentes do agravamento da situação económica e social e das consequências da COVID-19.

Vejamos. A proposta do PE fecha em 181 762 377 716 euros o Orçamento da UE para 2021, com vista às negociações com a Comissão e o Conselho que se seguirão. Um valor que representa um corte de cerca de 3 mil milhões de euros face ao Orçamento rectificado de 2020, já de si insuficiente, e determina uma base negocial negativa, quando a proposta do Conselho fica a cerca de 20 mil milhões do valor de 2020.

As respostas necessárias ficam por dar: o aumento dos valores destinados à coesão económica, social e territorial, reforçando a sua vertente resdistributiva; o aumento substancial do investimento público, do apoio aos sectores produtivos e estratégicos, aos serviços públicos, à promoção da criação de emprego com direitos, à luta contra pobreza, exclusão social e desigualdades. Além disso, a proposta mantém todas as condicionalidades que decorrem das políticas macroeconómicas da UE, que impõem constrangimentos às escolhas e opções necessárias. Mantém a porta aberta para a criação de novos recursos próprios que, como denunciámos, prevê a diluição do peso das contribuições nacionais dos Estados-Membros para o Orçamento da UE, por via da introdução de novas taxas, atravessando-se na soberania fiscal dos Estados.

Os deputados do PCP no PE apresentaram propostas concretas que respondiam àquelas necessidades, ou à libertação de tais constrangimentos e que, a serem aprovadas, poderiam, de alguma forma, mitigar as insuficiências deste orçamento e os prejuízos que daqui resultam para Portugal. Propusémos o aumento dos fundos destinados à coesão, à agricultura, às pescas, ao desenvolvimentos regional, assim como ao fundo social europeu. Propusémos a revogação dos instrumentos da governação económica da UE, a necessária renegociação da dívida, ou o financiamento directo do BCE na aquisição de dívida pública.

A maioria no Parlamento Europeu rejeitou estas propostas, para que contribuíram os votos dos deputados de PS, PSD e CDS. Ao mesmo tempo que negaram mais recursos para a coesão económica, social e territorial, aumentaram em mais de 1,7 mil milhões de euros as dotações das rubricas ligadas à militarização, securitarização e intervencionismo da UE – que totalizam já mais de 20 mil milhões de euros.

Opções de classe que não servem os Estados ou os povos. Servem alguns Estados, as principais potências e os grandes grupos económicos e financeiros.

João Pimenta Lopes

quinta-feira, novembro 19, 2020

As palavras são armas!

 Que não passe "ao lado"! 

Transcreve-se, divulga-se... como se fosse um dever, uma obrigação de cidadania: 

Tudo tão contaminado...


E a requisição civil? O Governo deve avançar para a requisição civil do setor privado e das parcerias público-privadas (PPP) da saúde caso se chegue a uma situação de emergência com a covid-19?

«O preço de internamento de doentes Covid-19 em hospitais privados era de 1962 euros, sendo agora 2495 euros. - um aumento de 533 euros em relação à convenção que existia e que foi agora renovada

 Nos cuidados intensivos, o preço foi desdobrado em duas fases: ventilação inferior a 96 horas, corresponde a 6036 euros, e ventilação superior a 96 horas, são 8491 euros.» Quem fiscaliza?

Estado de emergênciaEstado de exceção ou calamidade

Fomos todos convocados no combate à pandemia, participamos disciplinadamente e sofremos as consequências daí decorrentes. Todo o tecido social foi afetado, e as empresas privadas, que deveriam ser convocadas para este esforço coletivo, arrecadam milhões. É legal dirão alguns, é desumano beneficiar com o sofrimento alheio, dirão muitos, até porque o dinheiro pago pelo Estado aos hospitais privados é Nosso.


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aspalavrassaoarmas.blogspot.com

Cadernos de aponta mentes - 1 (O contributo de Marx para o marxismo)

Em 2012, por convergência de vectores pessoais e de queridas envolvências, e pela própria e inapelável dinâmica da idade que soma dias em semanas, em meses, anos e décadas, vi-me confrontado com o que chamaria a ultrapassagem do meu projecto de fim de vida, quer dizer, sobrevivi à inviabilidade de continuar esse projecto.

O ter de se pôr fim à existência da livraria editora Som da Tinta em Ourém, depois de ela ter resistido a um meu regresso inesperado ao Parlamento Europeu em 2004/5, alterou as condições da minha reforma, que nunca poderia aceitar como inactividade.

A Conferência Marx em Maio, na Faculdade de Letras, realizada em Maio de 2012, animou-me e (vejo-o, agora, à distância de quase uma década) dediquei-lhe privilegiada atenção. Estudei e revi estudos anteriores, preparei uma comunicação..

Com tudo o que organizara como texto a podar (gosto do verbo podar, pelo significado de cortar o inútil para dar vida), para se meter em 10 minutos de intervenção dita ou lida, pareceu-me que todo o texto, depois da primeira passagem e de cortado o mesmo estimado inútil, seria aproveitável numa publicação como caderno ao dispor dos participantes. 

É evidente que para essa avaliação (auto) e decisão também contribuiu a sempre presente e reforçada tendência para a edição, e assim nasceu o primeiro caderno de aponta mentes, posto à disposição dos participantes na conferência.


Capa de José Santa Bárbara
(124 páginas)

Foi o 1º, e poderia ter sido o único se, depois de cumprido o objectivo, tivesse merecido atenção editorial (para além da que teve – e que muito me honrou – com a publicação no Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra). Poderia ter sido o único, mas não foi. 

Até hoje seguiram-se, como edições de autor, mais 12 cadernos (aproximadamente 1 por ano), que se dão a conhecer por esta via, aceitando-se pedidos (sergio_f_ribeiro@sapo.pt) de envio (gratuito, claro, porque o escrito e editado o foi com a intenção de ser lido) de exemplares que tenham sobrado das distribuições por alguns amigos e interessados.

segunda-feira, novembro 16, 2020

Para este domingo (ontem?)... still crazy...

De repente... passou o fim-de-semana (mas será que começou?)
E, de repente, apercebo-me que o habitual para este domingo foi esquecido e estamos em 2ª feira!
Atempo, e talvez apropósito, aí vai ele... só com um dia de atraso neste tempo em que todos os dias são domingo e nenhum é domingo!


still crazy after all these years

 

Comenta dor: "ECONOMIA"? não são bem confusões...

ainda o quase-diário: 

 

… mas há mais…

 

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… mas será pouca coisa (cera) porque é por demais ruim o protagonista.

 

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Aliás, o dito protagonista é responsável por me afastar do suplemento de Economia do Expresso.

 

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Para confusões, basta-me as que por vezes me assaltam e as que de outros que respeito me assediam, pelo que repudio aquelas que tal protagonista confessa num estranho linguajar.

 

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Trata-se de João Duque, com coluna reservada naquele suplemento há uma eternidade e
que, as primeiras vezes que lá o vi, o abordei com conivente benevolência por ser da minha escola – o ISCEF, hoje ISEG – e até ter sido seu director (como é que é possível?!).

 

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Pois tal colunista esta semana excedeu-se.

 

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… se calhar não!… eu é que tenho beneficiado com as minhas ausências de o ler, pelo que me chocou ainda mais as suas confusões of confusions semanais

 

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Nesta situação de surto epidémico, depois do seu aproveitamento para o ataque baixo, soez, ao PCP a pretexto do 25 de Abril, do 1º de Maio, da Festa do Avante!, já era de esperar que, indiferentes ao modo verdadeiramente exemplar como decorreram aquelas datas (e só uma diz estritamente respeito ao PCP), se levantassem vozes por causa do XXI Congresso há anos marcado para este Novembro, e que se realizará cumprindo toda a legislação e normas sanitárias a que o PCP nunca se eximiu e de que nunca foi excepção, como por exemplo com uma Festa do Avante! que foi belíssima apesar de (e porque) ter sido bem diferente do habitual.

 

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Isto dito – e digam o que disserem… – consegue espantar o despautério de João Duque no caderno Economia do Expresso.

 

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Lembrando que foi naquela escola de que JD foi director (como é que foi possível?!) que fui “apresentado” a Marx, e respeitosamente!, por quem não era marxista mas católico (personalista. Mounier, Chardin... e sério), o prof. Sedas Nunes, não comento a coluna de JD, apenas transcrevo a abertura, um parágrafo intermédio e o fecho da sua prosa, que destilam o ódio que não esconde, com o humor que se lhe conhece… e vou depois lavar as mãos como se recomenda nestas circunstâncias:     

  • “O PCP tem sorte: nunca há problema com a covid nas datas em que quer celebrar ou organizar eventos!”

 ·       “A culpa é nossa. Quem nos manda estarmos colectivamente doentes e contaminados no dia e nos espaços em que a maioria quer celebrar mas imunes e sem qualquer risco de contaminação nos dias em que a minoria quer celebrar?”

 ·       “Nos dias 27, 28 e 29 de Novembro celebram-se as memórias dos santos: Nossa Senhora das Graças, rogai por nós; Santa Catarina Labouré, rogai por nós; São Saturnino de Toulosa, rogai por nós. Ajoelhem-se antes aos novos santos: São Karl Marx, rogai por nós; São Vladimir Lenine, rogai por nós; São Friedrich Engela, rogai por nós; São Josef Estaline, rogai por nós. Ámen!”

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benz'ó deus!

ah! se o ridículo fosse sarna...


domingo, novembro 15, 2020

Comenta dor: a "economia" a precisar do incentivo vacina - 2

 quase-diário:

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Já lá vou…

 

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Se comecei pela Banca foi porque é assunto que particularmente me preocupa, dado o facto da economia – como eu a aprendi – se ter financeirizado e, dentro das finanças tudo se condicionar – tecnicamente… se o posso dizer – às moedas (em processo fantasmagórico de desmaterialização) e ao crédito, remetendo-se a banca para outras funções que não as consignadas pela tal-outra-minha (ouso dizer) ECONOMIA.

 

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Mas tudo isto é matéria para reflexão e opinião.

 


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E, em opinião, encontra-se a curiosa (e significativa) de que a “vacina é o grande estímulo económico”.

 

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O artigo é curioso, não incomoda lê-lo embora traduza uma ideia que há muito me assalta: a de que cada vez mais a economia (tal como a querem) lembra a velha história da carroça, do burro e da cenoura.

 

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Traduzindo: a carroça só se move (para diante) se se lhe acenar, a quem a puxa, com a cenoura-lucro.

 

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Nessa perversa versão da economia, o que fará com que a economia tão severamente atingida pelo surto epidémico, matando ou paralisando produtores, desequilibrando precários equilíbrios financeiros na conquistada (à custa de muita luta) segurança social, é o resultado que possa vir a ser apropriado pela descoberta de um produto-mercadoria que ataque ou previna a doença que o virus provoca.

 

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Desta situação pademónica vamos sair, como esperam os proprietários da carroça, com a exterminação dos mais idosos e frágeis (e não se pode exterminá-lo? – Karl Valentin), também com a exterminação de toda a pequena e excedentária actividade absorvida pelos maiores, pelos grandes, pelos super, pelos trans, com uma retoma para um "novo normal" (?), com a legislação laboral ao rés do chão, com verbas piramidais transferidas dos Estados-contribuintes para os que off-shoram impostos, por via do mercado vacinador, com uma seleccionada aplicação da mercadoria vacinadora.   

 

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Noutros termos: com uma “limpeza à séria”, com os mais ricos mais ricos – e todos vacinados por causa dos retrovirus (é assim que se diz?) –, com mais pobres ainda mais pobres – vacinados aqueles que necessários forem.

 

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Mas, calma aí!, não será fácil!... em todo o lugar do planeta há onde se procure a vacinas e outras coisas contra o lucro como cenoura, contra a burrice de puxar carroças com repimpados passageiros ou turistas, contra a exploração de muitos por uns poucos.

 

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Neste cantinho minúsculo, a economia é a actividade dos humanos, socialmente organizados, para tirarem da natureza – transformando-a e respeitando-a – os recursos com que se satisfazem necessidades dos humanos, como animais que são, e outras que vão sendo criadas pelo humano devir.

 

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… mas há mais…


Comenta dor: ECONOMIA?... em quase-diário - 1


... e vamos lá ao suplemento Economia do Expresso, que de vez em quando me abalanço a folhear, nem sei se por reconhecimento subliminar por não ter mudado para o cabeçalho Negócios como tantos seus confrades fizeram.

 

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E o facto é que, se o sentimento poderia ser inicialmente de reconhecimento, logo me reconheço defraudado, porque aquele suplemento deixou há muito de ter a página 5 que se podia e devia ler (onde escreves, oh!, Nicolau?), substituída por uma página a que um colaborador convidado bota palavra ao seu jeito que me não atrai, os colaboradores “de fora” que eram keyneseanos convictos com quem se aprendia alguma coisa na penúltima página desapareceram, e me afoga com informação e comentários sobre os negócios e a conjuntura “à Beça”, que bem dispenso.                                                                                                                                                                                                                 

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Mas esta semana, talvez por ter saído um dia mais cedo e eu estar obrigatoriamente recolhido, atirei-me ao Expresso-Economia.

 

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Está a ser difícil de me libertar, assim como quando nos queremos ver livres de qualquer coisa pegajosa que se nos agarra.

 

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Vamos por partes. Comecemos pela ilustração da 1ª página sobre a banca portuguesa.



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Lê-se, com olhos que querem ver economia e encontram, apenas, negócio, números sobre trocas e baldrocas de bancos como se fosse de um detergente, de uns enchidos, de uma qualquer coisa e não elementos fundamentais de uma economia… mas que deixou de ser economia para ser coisa de mercado de compra e venda, e que tanto justifica o adjectivo de portuguesa como a Coca-cola ou o Toyota Yaris Hybrid.

 

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Assim se cumprem os desígnios e as ordens de uma U.E. de haver poucos e grandes bancos transnacionais, depois de um percurso português que passou por uma banca nacionalizada que poderia ser elemento essencial de economia portuguesa logo abortada, que criou a rede notável de MB (sim!, foi a banca nacionalizada), que foi substituída pela verdadeira loucura de uma agência de qualquer banco em cada esquina com a devolução aos privados… que tão grandes proveitos deles tiraram que rebentaram com tudo isto como se fossem donos disto tudo.   

 

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E a Caixa Geral de Depósitos não aparece como um corpo estranho mas a entranhar no sistema de compra e venda ao desbarato que sai caro aos que menos podem?

 

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Esta “economia” que exulta, eufórica, com o negócio das vacinas… merece as aspas que a ornamentem?!

 

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Já lá vou… 

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sábado, novembro 14, 2020

Veja a diferença



Obrigado, GR7

(se não é do dólar
 será do euro?)

 

quinta-feira, novembro 12, 2020

Um voto atrasado...mas sempre a tempo


do nosso colaborador GMR (desejado e não tão frequente quanto desejado) 
recebemos este cartão sobre as eleições nos USA(m e abusam)... 
chegou com algum atraso... porque não trazia código postal, 
mas ainda é valido, contado e recontado.

obrigado, GMR! 

 

terça-feira, novembro 10, 2020

Álvaro Cunhal - 10 de Novembro

Nesta data de referência - 10 de Novembro - é sempre de lembrar... tanta coisa! 

 






































segunda-feira, novembro 09, 2020

Bolívia - na tomada de posse da democracia legítima


 Uma lição de História das Civilizações
... emocionante

domingo, novembro 08, 2020

Para este domingo - O'Brigada

De 5ª a domingo... para este domingo!





                   

- Edição Nº2449  -  5-11-2020

O direito de viver em paz

Era canção mas era, afinal, semente – que germinou nos milhares de vozes e guitarras que, em plena praça de Santiago, reivindicavam em Outubro do ano passado uma nova Constituição para o Chile. E é já bandeira também, drapejando sobre a multidão que em vozes a agita, trazida do tempo da Unidade Popular para o século XXI das muitas lutas americanas contra o imperialismo e pela democracia. El derecho de vivir en paz é já o primeiro artigo da Constituição com que os chilenos decidiram eliminar o actual código fascista, respondendo massivamente «apruebo» à pergunta «quiere usted una Nueva Constitucion?» do Plebiscito de 25 de Outubro de 2020.

Victor Jara escreveu El derecho de vivir en paz em 1969, cinquenta anos antes da sua entoação na luta pelo Plebiscito. A canção de protesto contra a agressão dos EUA ao Vietname viria a ser gravada em 1971, dois anos antes do golpe militar fascista de Augusto Pinochet. El derecho de vivir en paz foi manifesto e ponto de encontro de linguagens musicais, da música tradicional chilena à chamada sonoridade pop, juntando no palco fonográfico o tiple latino-americano (cordofone popular) e a guitarra eléctrica, as percussões tradicionais e a bateria, como que traduzindo em sons a perene actualidade da luta pela paz.

El derecho de vivir en paz conheceu várias versões entre o dia da estreia, no Teatro Marconi de Santiago, e as praças da luta pelo Plebiscito, conhecendo, ao longo dos anos, novas instrumentações para a melodia da canção, mantendo sempre as palavras de homenagem à luta de Ho Chi Minh. Mas quando, em Outubro de 2019, o movimento de massas lhe retomou a função mobilizadora, três dezenas de músicos chilenos juntaram aos versos de Victor Jara palavras de ordem da campanha pela Nova Constituição.

A canção de protesto
na América Latina

No início dos anos de 1960 juntou-se às lutas emancipadoras da América Latina um importante elemento agregador: a canção de protesto (que em Portugal viria a tomar a designação de «canção de intervenção»). Ao alento que a vitoriosa revolução cubana (1959) viria a dar à luta anti-imperialista, juntava-se a descoberta da música popular enquanto traço de identidade e de afirmação progressista, divulgada já por cantores como o argentino Atahualpa Yupanqui e a chilena Violeta Parra.

Palco da música construtora de futuros que marca o nosso tempo, a Festa do Avante! ampliou a voz a alguns dos mais importantes intérpretes da música latino-americana militante. Muitos se recordarão do concerto de Chico Buarque e convidados, um comício oposicionista no tempo da ditadura brasileira; mas ali encontrámos também as vozes dos uruguaios Andrés Stagnaro e Daniel Viglieti, da argentina Mercedes Sosa, dos chilenos Aparcoa, Taller Recabarren e Sérgio Ortega, nomes cimeiros da onda de resistência cultural anti-fascista que viria a marcar a História do nosso tempo. Um deles – Sérgio Ortega – seria o autor do refrão que, no Chile da Unidade Popular, como no Portugal da Revolução de Abril, marcaria a sonoridade da História: o povo unido jamais será vencido!.

Têm, algumas canções, mais vida do que os que os seus criadores, revelando, por vezes, o significado real da imortalidade dos ideais libertadores. Ilustração de uma luta difícil mas determinada, está nestes dias a ser vingada no Chile a morte violenta e impiedosa de Victor Jara, sob a forma de um canto que reclama, a muitas e empenhadas vozes, o direito a viver em paz.
Manuel Pires da Rocha

Obrigado, camarada amigo

A propósito... mais uma ilustração!

Público & INotório