A informação que nos chega
aos sentidos (olhos e ouvidos), por via da chamada comunicação social (e também
– e crescentemente – as chamadas redes sociais), forma a nossa consciência ou
percepção
da realidade.
As notícias (verdadeiras ou
falsas), e as suas interpretações, são como grãos ou caroços lançados à terra
para que haja sementeira. Mas o solo em que caem não
está todo tratado, ou preparado para os receber, do mesmo modo, havendo solo
virgem e/ou já adubado.
Nos tempos que correm há uma
evidente polarização da informação que nos chega, isto é, os assuntos que são
objecto dessa informação reduzem-se a dois ou três, em que insistentemente se
insiste…
O surto epidérmico e as eleições
presidenciais nos Estados Unidos ocupam os noticiários e os comentários de
uma maneira geral, completados em quase exclusividade por temas relacionados ou
pontuais, como o OGE, o acordo – ou entendimento ou o que for – entre o PSD e
uma coisa chamada Chega, o XXI Congresso do PCP.
Para quem esteja ainda virgem
de informação (por idade, por estado de pureza improvável, por desembarque recente de
um outro planeta), ou já tenha sido objecto das primícias de uma formatação,
via catequese nas suas diferentes modalidades e crenças (nestas se incluindo as
familiares ou hereditárias), esta informação que nos – e refiro-me a nós,
habitantes, em Novembro de 2020 do continente Europeu (central e ocidental),
particularmente no canto inferior esquerdo – invade é muito selectiva.
Esta informação menospreza,
quando não consegue ignorar, minudências como o que se passou ou passa na Bolívia,
ou no Chile, os acordos lá pelo longínquo oriente que (apenas) respeitam a 1/3
da população mundial e inclui o país que, sendo o mais povoado
de todos, é o único dos referenciáveis que não viu a sua riqueza (tal como as estatísticas
adoptadas a mensuram) diminuir. Continuando a crescer e por forma que conseguiu
retirar dezenas e dezenas de milhões de coevos da miséria, da pobreza não só
estatística.
O que poderia ser
confrontado com o que acontece por paragens mais próximas de nós, em que, quando
crescem os conjuntos estatistificados (E.U.A., U.E. e suas parcelas, e
arredores), mais crescem os que mais têm e menos crescem os que menos têm,
e quando
acontece diminuírem, como está a ser a actual idade, ainda assim, há os que, entre os que mais têm, aproveitam para mais aumentarem o que têm, e, em contrapartida,
os que menos têm aumentam em número e vêem diminuir o que é seu.
Mas disso não se fazem
contas que sejam informação corrente e alargada, bem pelo contrário.
Por isso se valoriza a partícula
reflexiva SE que se deveria juntar, sempre, ao verbo informar, isto é, informar
é preciso mas mais necessário é informar-SE. Essa postura coerente com a
tomada de consciência (ou percepção…) do tempo que se vive, não exigirá,
necessariamente, a procura de outra
informação, poderá começar por ligar informações deslocadas no tempo e nos
espaços informativos aparentemente sem ligação.
Por exemplo, a notícia de
que
pode ser lida como algo que se assemelha a um
condicionamento da liberdade individual (como o fez o deputado da IL,
protestando), a uma requisição civil justificada pela gravidade da situação,
e
pergunta-se porque se toma tal medida e não se faz o mesmo, ou antes, ou também,
relativamente aos serviços privados ou privatizados que “concorrem” com o SNS,
e que –
pelo contrário – estão a
auferir vantagens enormes no combate a esta situação

e pode (e deve!) ainda ser lida em conexão com outras, como a de que
«O preço de internamento de
doentes Covid-19 em hospitais privados era de 1962 euros, sendo agora
2495 euros. - um aumento de 533 euros em
relação à convenção que existia e que foi agora renovada.
Nos cuidados intensivos, o preço foi desdobrado em duas fases: ventilação
inferior a 96 horas, corresponde a 6036 euros, e ventilação superior a 96
horas, são 8491 euros.»
(Tabelas calculadas,
evidentemente, com base não dos custos mas os lucros a apropriar… que não serão
pequenos.)
Se num caso se fala em
requisição civil – que bem justificada seria se a gravidade da situação o
justificasse, o não se fazer no outro caso, comportando transferência de verbas, que – afirme-se – são de todos nós, para os bolsos já a deitarem por
fora de privados… nunca satisfeitos.
Sacrifícios de direitos dos
trabalhadores quando as circunstâncias o exigem… mas, em contrapartida, negócios
chorudos e oportunidades aproveitadas por alguns à custa do que é de todos, só
revela a natureza de classe e a exploração a ela associada no mundo em que
vivemos e na correlação de forças que predomina.
Natureza de classe que pode
tomar outras expressões que a informação revela, ao mesmo tempo que o faz
escamoteando-a, escondendo-a, dando notícia e fazendo campanha sobre factos que
possam atingir quem e o quê, sendo de outra classe, denuncia e combate,
procurando contribuição para a transformação do mundo.
Na comunicação social (e o Presidente
da República, seu elemento, alimento e fautor) fazem do congresso de um partido
– o PCP – notícia, como o fizeram do 25 de Abril, do 1º de Maio, da Festa do
Avante!, aproveitados para tiros no mesmo alvo (que no 25 de Abril e no 1º de
Maio nem alvo poderia ser), ecoando, em campanha exorbitante, sobre o tema,
assim servindo interesses e forças que se aproveitam de todos os pretextos,
como oportunistas que são.
E tal é feito de maneira a
perverter uma característica (qualidade?!) deste partido – o seu sentido de prevalência
do colectivo e a sua disciplina –, como sendo não o garante do cumprimento de
regras que outros menosprezam ou desprezam, mas fazendo a denúncia de excepções
que não existem, procurando conotações com acordos e alianças que não há, dando
relevo à ironia grosseira e infame de que poderia ser excepção a aproveitar
para que viesse a haver Natal este ano.