sexta-feira, fevereiro 25, 2022

A escalada

 - Nº 2517 (2022/02/24)

A Santa Aliança Americana

Internacional

O reconhecimento, por parte da Rússia, da independência das Repúblicas Populares do Donbass, foi o pretexto invocado por Biden para elevar ainda mais o risco de uma guerra, disparando um pesado pacote de sanções económicas cuja crítica uniu a chamada «esquerda progressista» do Partido Democrata à direita mais reaccionária do Partido Republicano. De Bernie Sanders a Donald Trump, todos acham que Joe Biden não está a fazer soar os tambores de guerra tão alto quanto devia.

Ted Cruz, do Partido Republicano, acusou Biden de «ser, em larga medida, culpado por esta crise» por ter uma «estratégia sem credibilidade baseada em fazer o que tem de ser feito». Já o congressista democrata Jim Jones, agoirava que «Putin está a invadir a Ucrânia, ponto final, parágrafo. Já o fez uma vez e vai fazê-lo novamente se não impusermos sanções absolutas». Também o democrata Bob Menendez pedia a Biden para «parar de se equivocar sobre se isto é ou não é uma invasão», acrescentando que «os EUA têm de tornar claro que as consequências começam já». Na mesma linha, a democrata Elissa Slotkin, da CIA, sintetizava: «Este é o momento de lhes mostrarmos [à Rússia e à China] quem vai escrever o próximo século.»

Acabados de regressar aos EUA, a delegação bipartidária de 21 quadros Republicanos e Democratas à Conferência de Segurança de Munique, subscreveu o mesmo texto em que se reclama que «o ditador Putin e os seus oligarcas corruptos paguem um preço devastador». Betty McCollum, em nome da delegação, resumiu a verve: «somos ambas as câmaras do Congresso, somos ambos os partidos, estamos unidos. A NATO está unida, a UE está unida e estamos dispostos a fazer tudo o que for preciso.»

Este consenso já se começou a traduzir em iniciativas legislativas nas duas câmaras do Congresso: na Câmara dos Representantes, os dois partidos uniram-se para aprovar o Support, um novo pacote de doação de armamento de guerra à Ucrânia; no Senado, 80% dos democratas aprovou outro pacote semelhante.

Nesta santa aliança contra a Rússia couberam os chamados «democratas progressistas» como Bernie Sanders. Conhecido por já ter apoiado as guerras na Jugoslávia e no Afeganistão, Sanders exige agora «sanções sérias» contra a Rússia. Também Jamaal Bowman, dos «Socialistas Democráticos da América», comparou Putin a Hitler e exigiu «agir agora, imediatamente».

Na verdade, a beligerante «Unidade Nacional» dos EUA é um consenso de classe que, para além de objectivos imperialistas comuns, permite esconder as suas profundas divisões e silenciar os graves problemas que o país atravessa.

António Santos 

quinta-feira, fevereiro 24, 2022

segunda-feira, fevereiro 21, 2022

Como se pode ser neutro...

... com uma informação destas a invadir-nos?

Um exemplo entre milhentos:

Hoje de manhã (para começar o dia):

Um tiro pode deitar tudo a perder. Na linha da frente ucraniana a ordem é para manter o sangue frio, gelado como a temperatura do ar. Não ripostar, não reagir, mesmo que haja provocações do lado pró-russo, mesmo que sejam atacados ou ameaçados. Um só disparo ou bombardeamento pode ser a desculpa para a invasão, como crianças mimadas que justificam a quezília porque o outro começou.

Com tanta aparente leveza (ou ligeireza, ou leviandade) de "um lado" face ao "lado pró-russo", quem tem, ou procura, outra informação, só pode ter uma posição. Não de indiferença, não de neutralidade, é-se obrigado a ser pró-russo (ou lá o que nos queiram chamar)!

quarta-feira, fevereiro 16, 2022

terça-feira, fevereiro 15, 2022

A "ajuda dos escuteiros"

Há não sei por quem contada (ou inventada), nem sei há quantos anos (décadss) já foi, muito ri com a história da boa acção (BA) diária que os escuteiros tinham de relatar aos seus superiores. Teria sido o caso de três ou quatro terem relatado a BA de terem ajudado uma velhinha (uma senhora idosa...) a atravessar uma rua de muito trânsito. 

Quando o terceiro (ou o quarto) jovem escuteiro abundava na mesma história de ter ajudado a pobre senhora de idade a atravessar a rua, o monitor (ou como se chamam os escuteiros de mais idade e responsabilidade) questionou: "... espererem aí... mas era a mesma senhora idosa?... e porquê foram vocês todos a ajudá-la a atravessar a rua?". os três ou quatro tossicaram e e responderam " ... é que ela não queria atravessar a rua... tivemos de ser os 4 a a 'ajudá-la'".

Não sei porquê (ou sei?) a informação torrencial sobre a "invasão da Ukrânia pela Rússia" fez-me lembrar a inocente historinha dos escuteiros. 

quinta-feira, fevereiro 10, 2022

de pandemia em pandem(on)ias, de histeria em histerias...

 ... até à pantomima e história finais, a toque de caixa do tsumani informativo?!

quarta-feira, fevereiro 09, 2022

isto é de perder a tramontana

 Uns-de-nós estão "ligados" à vodafone; outros-de-nós estão "ligados" à meo; todos-nós estamos "ligados" uns aos outros.

Isto tudo - e todos - feito num nó. Que seria lindo se fosse  no plural, num nós.

Uma das coisas a que uns-de-nós estão "ligados" tem um problema, sabotagem, pirataria, ou lá o que seja (o que deus quiser que seja), e é uma coisa do arco-da-velha: tudo em polvorosa!

Já tinha havido um antecedente, num "ataque cibernético" à Impresa, do Expresso. 

Mas à segunda vez, até parece ter sido "de vez".

Mesmo quem passe pela televisão só de passagem, não conseguiu escapar ao assunto do momento.

Ele foram todas as horas "nobres" com a cibervigilância. RTP1, RTP2 e 3, SIC e vários SIC, TVI, CNN. A CMTV? Não se viu se conseguiu tirar algum espaço ao futebolar. 

Não se garante que alguém tenha ficado devidamente informado, mas de boa mente se pode dizer que não faltaram informação, e debates, e opiniões.

De repentemente, a cibervigilância invadiu-nos a casa, o pós-prandial, o sono, e não se diz os sonhos mas, de certeza, as preocupações.

Como se não chegassem as preocupações que temos como temas, este passou a tema-maior!

Parece tudo - e todos - de tramontana perdida!

A propósito, e do Assange não se fala?

As "várias razões" do sr. mini stro...

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva,  confirmou que Portugal não terá representação política nas cerimónias de abertura e de encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, "por várias razões", segundo revelou esta segunda-feira em Bruxelas (onde é que havera de ser?)

HORIZONTES PRÓXIMOS

LEITURAS QUE INFORMAM:

O ORIENTE PRÓXIMO HORIZONTE DO MUNDO

Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral

 

Enquanto que os EUA e a UE mantêm guerras, ingerências e sanções em vários países do médio - oriente, o Irão emerge apesar de tudo isto, como uma peça relevante no xadrez político que fervilha no sudoeste asiático. Este país com uma longa história na região procura na Ásia uma saída alternativa.

Como declarou o deputado iraniano Mohsen Zanganeh :" Penso que se concentramos a nossa atenção nos países orientais, especialmente aqueles da Ásia Central, Ásia Oriental , bem como na Europa Oriental em vez de nos concentramos no Ocidente, podemos definitivamente beneficiar do seu considerável potencial económico. "

Desenha-se claramente uma aliança China, Russia e Irão, chamada Parceria da Grande Eurasia que inclusive anunciou já, exercícios navais conjuntos no Golfo Pérsico.

O Irão finalizou um plano abrangente de cooperação por 25 anos com a China e aderiu ainda à Organização de Cooperação de Xangai (SCO). Está também a ser negociado, baseado neste acordo, um outro por 20 anos com a Rússia.

Abriu-se também o Corredor Internacional de Transporte e Trânsito Golfo Negro que irá impulsionar a Iniciativa Rodoviária e do Cinturão Leste - Oeste liderado pela China (BRI) e para o Corredor Internacional de Transportes Norte - Sul, liderado pela Rússia e pela Índia.

Este corredor envolve a Rússia, Ásia Central, Azerbeijão Europa, Turquia, Irão, Afeganistão e Índia, sendo um sistema de trânsito multimodal de 7200 Km em conexão com a (BRI).

Na cimeira da Organização de Cooperação Económica (ECO) o Azerbeijão, Irão e Turquemenistão finalizaram um acordo de troca de gás.

Deste acordo resultou também o desenvolvimento das enormes reservas de petróleo e gás off shore, existentes no Mar Cáspio.

Por outro lado, espera-se a conclusão do Trans Caspian Pipeline (TCP) que atravessa o Mar Cáspio e que irá estabelecer a ligação ao corredor de Gás do Sul e à TANAP da Turquia.

A ramificação final para a Europa será finalmente concluída através do gasoduto Nabuco que traria para a região gás em abundância. É claro se não houver sabotagem política, como facilmente se adivinha.

Convém recordar que numa disputa recente com a UE, o impedimento da construção do gasoduto North Stream 2, fará esta sofrer unilateralmente com a correspondente não utilização, porque indo ao encontro dos ditames dos EUA, impondo a compra do seu gás natural liquefeito (GNL), muito mais caro, devido aos elevados custos de extracção e de transporte.

Em contrapartida a Rússia tem um novo acordo estratégico com a China.

O gasoduto "Power of Siberia", começou a exportar gás do leste da Sibéria para o nordeste da China há dois anos.

Estes países fizeram um acordo para a construção de um segundo gasoduto Power of Siberia 2 que transportará gás natural da península de Yamal no Artico Russo, para o nordeste da China. Tal significa que este gás tanto poderá facilmente abastecer a China como a Europa.

Encontram-se ainda em execução projectos ferroviários para ligar o Golfo Pérsico ao Mar Negro, através do Irão, Azerbeijão e Georgia que permitirá a movimentação de mercadorias dos portos do Sul do Irão para a Europa Central por via exclusivamente terrestre.

Estes factos podem explicar as tentativas de desestabilização e uma permanente política de agressão com recurso à NATO, aos países oriundos ou não da ex União Soviética, através de sanções, chantagens e ameaças perpetradas pelos EUA, lamentavelmente acolitados pela UE.

Não será dispiciendo admitir que estas novas rotas deste importante recurso energético que é o gás natural desencadeie uma desenfreada e perigosa corrida aos armamentos.

Podemos considerar que esta estratégia se destina a enfraquecer a economia da Rússia e da China, forçando - as a aumentar os gastos militares em prejuízo do respetivo desenvolvimento e melhoria social, à semelhança do que foi feito com a URSS que poderá ter conduzido ao seu colapso.

A parceria da Grande Eurásia, é impulsionada pela defesa dos interesses comuns de um conjunto de Estados que pretende criar um novo paradigma multipolar, gerando nova riqueza que harmonize as necessidades de um todo.

E assim, se libertarão do monopólio unipolar dos EUA.


Ver:

Mathew Ehret - Dinâmica global - Dez. 2021

John Foster - Counterpunch - 3 Fev. 2022 

terça-feira, fevereiro 08, 2022

O MANDA CHUVA - Fevereiro (de 1972)-1

                                          CINQUENTENÁRIO DE


O MANDA CHUVA


(continuação da história de o mandachuva)

Caminhavam, então, os pides da brigada, mandados pelo respectivo chefe, pela António Maria Cardoso, atravessavam o Largo de Camões, subiam a Rua da Misericórdia (a Rua do Mundo...), para irem cumprir a ordem (seca à chefe de brigada) "vão à Prelo e apreendam o manda-chuva! Deviam ir matutando e conversando "apreender o manda-chuva... qual manda-chuva... será chuva?, será gente?". Subiram a escada do 67, bateram à porta talvez sem a habitual brutalidade. Do outro lado, veio abrir-lhes a porta o João Honrado, como muitos anos de Peniche e de tratos (maus, claro) com aquela gentalha, Sem se terem identificado, um dos dois agentes daquela gentalha tartamudeou "... o manda-chuva...". Surpreendentemente, o João, a viver a euforia do êxito editorial, não hesitou: "... quantos querem?". Esclarecida a dúvida que os atormentava, entraram os dois de rompante, casa dentro e com voz de comando "TODOS!"

Levaram meia dúzia de exemplares, que tinham ficado de sobras! 

(continua... que isto não fica assim) 


continua



sexta-feira, fevereiro 04, 2022

CONTRADIÇÕES - USA (e abUSA)

  - Nº 2514 (2022/02/3)


Contradições

Opinião

A mais recente escalada de retórica bélica anti-russa parece um diálogo dos filmes do Tarzan: «Rússia má, NATO boa». Às proclamações insistentes sobre uma iminente «invasão russa» juntam-se acusações do governo britânico e dos EUA de que a Rússia estaria a organizar um golpe de Estado na Ucrânia (New York Times, 22.1.22). Não deixa de ser irónico, tendo em conta que o actual regime ucraniano assenta as suas raízes no golpe de Estado de 2014, abertamente patrocinado pelos EUA/RU/NATO/UE. Ainda mais irónico é que um eventual golpe na Ucrânia pode estar sim a ser preparado, mas pelo partido da guerra no seio do imperialismo anglo-americano.

Diz a CNN (28.1.22): «Enquanto os EUA advertem o mundo sobre uma potencial ‘iminente’ invasão russa da Ucrânia, um dirigente estrangeiro em particular não está convencido: o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. […] Zelensky afirmou aos jornalistas na passada sexta-feira que ‘existe no estrangeiro a sensação de que existe aqui uma guerra. Não é assim’. […] Zelensky e os seus conselheiros fartaram-se nas últimas semanas do que consideram ser uma «reacção excessiva» por parte dos EUA, que acreditam estar a incitar o pânico e uma convulsão económica na Ucrânia […]. As tensões latentes culminaram na noite de quinta-feira, quando Biden – durante uma chamada [telefónica] – incitou a Ucrânia a preparar-se melhor para uma potencial invasão em Fevereiro. […] A chamada ‘ não correu bem’ disse um alto funcionário ucraniano à CNN. […] Na sexta-feira, Zelensky redobrou a sua insistência de que uma invasão russa não está ‘iminente’ […] ‘Eu sou o Presidente da Ucrânia. Estou aqui sediado e penso conhecer com mais profundidade os detalhes do que qualquer outro presidente’». O ministro da Defesa da Ucrânia fala no mesmo tom. Conhecidos jornalistas partidários de todas as guerras imperialistas (como Julia Ioffe, puck.news, 25.1.22) já começaram o ataque a Zelensky: «a Casa Branca […] está praticamente farta do presidente Zelensky».

A zanga não é de princípio. Zelensky é defensor das campanhas anti-russas, da subordinação aos EUA e de sanções contra o gasoduto Nord Stream 2 entre a Rússia e Alemanha; preside a um regime profundamente corrupto onde fascistas assumidos ocupam cargos importantes e conhecidos colaboracionistas com os invasores nazis são publicamente homenageados; o principal dirigente do maior partido da oposição está desde Maio em prisão domiciliária e é acusado de traição (RT, 23.12.21); importantes meios de comunicação social opositores foram encerrados. Mas é bem possível que Zelensky, tal como a Alemanha, França e outros países europeus, estejam a perceber que a decadente e cada vez mais desorientada super-potência imperialista, no seu afã de travar o seu declínio parece procurar desesperadamente uma guerra na Europa. Veja-se as delirantes declarações dum Coronel dos EUA, Alexander Vindman (realclearpolitics.com, 19.1.22): «estamos prestes a ter a maior guerra na Europa desde a II Guerra Mundial».

O perigo de provocações do partido da guerra, visando precipitar a situação, é bem real.

Jorge Cadima

terça-feira, fevereiro 01, 2022

As eleições... peço (e tomo!) a palavra

retirado do quase-diário: 

Com tanto bicho careta a comentar as eleições, antes, durante e depois, também me está a dar vontade de fazer alguns comentários.

Um sobre a “golpaça” que elas foram, outro sobre as sondagens.

No PCP viu-se tudo, desde o início… e disse-o: o 1º ministro levou o PCP ao desespero de votar contra o OE (que outra coisa não podia fazer!) para se ver livre dos incómodos “apoios” de que precisava e tentar a maioria absoluta. E disse-o, sem eco porque a mordaça funciona no que respeita à massificação da informação.

Se alguém quiser ler o fundamento das posições – o que se disse antes e para campanha -, e se a leitura for mais fundo e mais atrás, verá com toda a clareza, que a posição do PCP era a de quem sabia os riscos enormes de umas indesejáveis eleições naquele momento, e a que se via obrigado. Foi para a luta para “minorar os estragos”. Com uma evidente - e capciosamente, para não dizer hipocritamente - aproveitada intenção de "não fechar portas".

Em contrapartida, o PS jogava (poucas vezes foi tão bem aplicado o verbo em política) a carta da maioria absoluta, com a escapatória, se nem tudo corresse bem, de poder apoiar-se a torto e a direito, conforme conveniente, tendo, do seu lado direito, partidos partidos ou sem real peso político em comportamento democrático, com uma aVenturesma a partir a loiça e a baixela, e do seu lado torto um desastrado (desgeringonçado...) Bloco, a ser manso quando deveria ser firme, a ser bruto quando deveria ser cauteloso… isto ainda com a reserva na manga, e muito ao jeito do PdaR, de um visível (ou invisível...) bloco central.

Foi quase um trimestre, no meio da pandemia a crescer em número de infectados, e com o Natalinho pelo meio, num a ver se te avias.

A tecla muito bem (es)premida dos culpados da crise, de dedo apontado, samarra para o Alentejo e muita força do lado de lá do Tejo, com a não sarada ferida  de Almada a ajudar.

Depois, o corridinho das sondagens a serem aproveitadas “à maneira”.

E este é o segundo tema… não me retenho no aspecto técnico do que se baseia em amostras a terem de ser muito bem escolhidas num universo heterogéneo e de variáveis mutantes, mas no que ou para o que serviram.

Não vou por aí, por esse lado, vou pelo outro lado: as sondagens de previsão não fazem os resultados mas os resultados são feitos pelo aproveitamento que se faz das sondagens.

Foi de mestre (o que está longe de ser elogio) a manipulação da falsa dúvida sobre quem iria ganhar, numa quase (quase?!...) absurda falsificação de uma primeiro-ministração bipolarizada do que era para eleger deputados, circulo a circulo.

Poder-se-ia ter feito melhor?, de certo que sim!, mas o mal maior vem de muito de trás, da indigência de cidadania e da pobreza conceptual de quem deveria estar preparado para a combater com as armas que não tem, e – bem pior – parece que se tem zanga a quem as procura ter.

Uma coisa é certa, e comprovada: isto só lá vai com as massas!

Não é com eleições como estas!

 

sexta-feira, janeiro 28, 2022

O NOVO Governo do Chile

 Quando, há 50 anos, havia em Lisboa um pedaço de chão livre e fraterno, a embaixada do Chile

Quando, a 11 de Setembro de 1973, se teve a notícia - em Paris - do golpe Pinochet

Quando, nesse Setembro sombrio, se soube do assassinato de Victor Jara,
das mortes de Allende e de Neruda

Quando, um ano depois, se acompanhou, aqui, um jovem chileno a fugir do seu Chile em-sangue

Quando, dois anos depois, se teve o privilégio de trabalhar com ex-ministro da Agricultura do Chile, David Baytelman, na OIT, para um boicotado plano de médio prazo (1977/80) de emprego e necessidades básicas, para Portugal

Quando tudo se recorda, isto e muito mais..., esta notícia aquece o inverno frio,
dá força ao corpo cansado


no avante!  
... onde mais?!










Camila Vallejo
porta-voz e secretária geral
do Governo do Chile

quinta-feira, janeiro 27, 2022

O MANDA CHUVA - Janeiro

 Cinquentenário do 







Quando a PIDE, pelos seus serviços, ou por alguns informadores prestimosos, se apercebeu de que a Prelo Editora, SARL, distribuíra  a publicação O MANDA CHUVA, resolveu intervir.

Para começar, apreendendo a edição. Para o que enviou dois agentes de uma brigada à sede da editora. O chefe da brigada ter-lhes-á dado a ordem, com aquele jeito "carinhoso" de chefe de brigada: "Vão à sede da Prelo e apreendam o manda chuva, já!" (... em Fevereiro continuar-se-á o contar...)



O MANDA CHUVA - cinquentenário - 1

À "boleia" de tantos centenários (do PCP, da Seara Nova, de Vasco Gonçalves e de tantos outros que mereceriam referência) lembra-se um cinquentenário, em que tivemos participação directa (e ainda... cá andamos): o cinquentenário de O MANDA CHUVA

Na Prelo Editora, onde procurávamos ser resistência ao fascismo e à guerra colonial, alguns de nós - com menos 50 anos que hoje! - lembraram-se de assinalar o ano de 1972, proclamado o ANO INTERNACIONAL DO LIVRO, pela UNESCO, com a edição de uma publicação à semelhança do Borda d'Água, essa simpática e sempre presente publicação (há mais que os tais 50 anos!). Com o apoio do Viriato Camilo, e o incentivo de Fráguas Lucas e de outros amigos que já..., a equipa formada por Blasco Hugo Fernandes (também já...), Carlos Carvalhas, Manuel Augusto Araújo e o-deste-blog (que ainda...) lançou-se ao trabalho e, aproveitando o ficheiro da editora (e assinantes da revista PE/EP-política económica/economia política), lançaram uma edição de 5.000 exemplares, que teve, então, algum sucesso e justificou uma segunda edição de mais 6.000 exemplares.

A PIDE não gostou nada da graça! (já se irão contando as consequências, com a publicação, aqui, página a página) 



sábado, janeiro 22, 2022

No centenário de VASCO GONÇALVES-2

continuação


 













No centenário de VASCO GONÇALVES-1

 Do quase-diário:

22.01.2022

 Em devido tempo, que há muito foi, recebi esta informação-convite

da ACR (Associação Conquistas da Revolução), a que gosto de chamar Associação Vasco Gonçalves por, para mim, este nome simbolizar o período em que tantas conquistas houve.

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De imediato me decidi a ir a Lisboa nesse dia, visitar os netos e participar na iniciativa.

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Mas o homem põe e a idade, os quilómetros, os riscos da pandemia e outras coisas.. dispõem, e acabei por não ir.

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Recebi, ontem um mail da ACR onde se diz que a iniciativa se realizou e correu bem, e que ”… foi dado conhecimento a 498 órgãos de comunicação social (Tvs, Rádios, Semanários e Jornais). Infelizmente, com vai acontecendo, nenhum participou nem nos contactaram”.

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Ao pesar por não ter podido ir, juntou-se a indignação que é, para mal dos nossos pecados, permanente mas que tem picos que obrigam a moderar a linguagem embora exijam… informação.

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Vou, depois deste “post” de desabafo, publicar a intervenção de Avelino Gonçalves que foi, !, o primeiro Ministro do Trabalho no 1º Governo provisório depois do 25 de Abril de 1974.

sexta-feira, janeiro 21, 2022

Toda a vigilância é pouca

  - Nº 2512 (2022/01/20)


A lira do capitalismo


Opinião

Reza a lenda que o Imperador Nero tocava lira enquanto Roma ardia. Dois anos de pandemia «viram os rendimentos de 99% da Humanidade caírem e lançaram mais de 160 milhões de pessoas na pobreza», mas «os dez homens mais ricos do mundo duplicaram as suas fortunas» a um ritmo de «1,3 mil milhões de dólares por dia» (relatório sobre a desigualdade da Oxfam, 17.1.22). Para os gigantes farmacêuticos, a COVID foi um maná. O Financial Times (8.1.22) anuncia que «os bancos de Wall Street preparam-se para anunciar lucros recorde em 2021». A Oxfam explica o que é o capitalismo em tempos de COVID: «os bancos centrais canalizaram triliões de dólares para os mercados financeiros […que] em boa parte acabaram por encher os bolsos dos bilionários». Mas esta «pilhagem liberal» é também um salve-se quem puder de fim de época.

Não cabe nesta coluna a lista das guerras, invasões, subversões e provocações desencadeadas pelos EUA/NATO/UE nas últimas décadas. Mas agora acenam com uma ameaça russa ou chinesa. É como o bully na escola que se põe a chorar quando uma vítima diz basta!. Ainda é cedo para fazer um balanço das reuniões Rússia-EUA, Rússia-NATO e na OSCE, que decorreram de 10 a 14 de Janeiro. Mas o facto de ser uma iniciativa diplomática russa (que alguns apelidaram ultimato) que origina esta série de reuniões é sinal de que a ditadura planetária unilateral dos EUA que se seguiu às contra-revoluções do final do século XX enfrenta hoje uma correlação de forças mundial diferente. Que é indissociável de três aspectos fundamentais e interligados: a resistência de povos e países em luta pela sua soberania, que dá sinais de crescente convergência; o impetuoso crescimento económico de países, com destaque para a RP China, que alterou a correlação de forças económicas mundial; e a profunda crise do sistema capitalista e dos principais centros imperialistas, EUA e a UE, que agudiza todas as contradições e cria a possibilidade real de sobressaltos económicos, políticos e sociais.

A verdadeira ameaça para a paz e para os povos reside no decadente sistema capitalista que, incapaz de resolver as suas contradições, aposta cada vez mais no autoritarismo, na violência, na guerra e na sua companheira inseparável: a mentira. Permanente e cada vez mais desligada da realidade, mas veiculada de forma incessante pelo aparato de propaganda que dá pelo enganador nome de meios de comunicação social.

É real o perigo de provocações do imperialismo, que possam ser usadas para tentar justificar uma aventura militar de consequências imprevisíveis. Aquando dos Jogos Olímpicos de Verão de 2008 em Pequim, o imperialismo lançou os seus subdítos georgianos numa aventura militar que provocou a morte de vários soldados russos. Aquando dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 na Rússia, o imperialismo lançou o golpe de Estado na Ucrânia que levou fascistas assumidos a ocupar altos cargos de poder naquele país e provocou a revolta no Donbass. Aproximam-se os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, que começam a 4 de Fevereiro, em Pequim. Toda a vigilância é pouca.

Jorge Cadima

quinta-feira, janeiro 20, 2022

Guerra civil nos USA?!

do quase-diário

No último sábado, neste blog, reproduzi um texto de António Santos, perguntando-me se não se estaria a exagerar:

 Nº 2511 (2022/01/13)


1861: o ano novo dos EUA

Em 1861 Henry Adams lamentava-se que «nenhum na América queria a guerra civil, nem a esperava, nem a antecipava». Na primeira semana de 2022, parece que todos os homens (e mulheres) da América a antecipam, a esperam ou a desejam.

«Vem aí a guerra civil?» perguntava, na semana passada, a manchete do New Yorker. «Enfrentamos uma segunda guerra civil?» ecoava, simultaneamente, uma coluna do New York Times. Três generais na reforma retorquiam numa coluna do Washington Post: «mais uma tentativa de golpe de estado» e ela pode mesmo estalar, avisavam. Entretanto, um estudo da Universidade da Virgínia revelou que mais de metade dos 74 milhões de eleitores de Trump acreditam que houve fraude eleitoral e defendem a secessão dos Estados republicanos. 44 por cento dos democratas concordam em partir a federação dos Estados.

No aniversário da patética tentativa de golpe ensaiada e gorada no capitólio, Biden perguntou-se se «vamos ser uma sociedade que aceita a violência política como a regra». Os sinais estão lá: a percentagem de estado-unidenses que admitem recorrer à violência para atingir fins políticos subiu de 10 por cento, na década de 90, para trinta por cento; o número de ameaças de violência contra congressistas duplicou em menos de um ano e, recorde-se, nos EUA há 434 milhões de armas para 330 milhões de pessoas e cerca 220 milícias. Oportunamente, Barbara Walter, uma consultora da CIA, promete ter todas as respostas no seu novo livro: «Como as guerras civis começam e como travá-las».

Os lunáticos tomaram conta do hospício?

Trump, surpreendentemente, embora enleado em processos judiciais, já escorraçado da Casa Branca e permanentemente censurado pelo Twitter, pelo Facebook e pelo Youtube, nunca foi tão popular. Segundo as últimas sondagens, reúne o apoio de 9 em cada 10 republicanos e conta com uma taxa de aprovação de 52 por cento dos estado-unidenses— mais do que quando se sentava na sala oval e o suficiente para sonhar com uma nova candidatura em 2024.

À medida que a hegemonia dos EUA esmorece, agravam-se as contradições internas da burguesia. Essas contradições tomam as formas mais diversas: são demográficas, num país urbano e democrata de costas voltadas para um país republicano e rural; são eleitorais, na distorcida sobre-representação dos republicanos no Senado; são económicas, na alta finança oposta à indústria e são, crescentemente, políticas, na amplitude de soluções propostas para salvar o capitalismo em crise.

É possível prever que 2022 traga, à semelhança de 1861, um clima político ainda mais polarizado, violento e volátil. É difícil dizer se esse clima conduzirá a mais erupções localizadas de violência ou à rotura da união dos Estados porque a resposta depende bastante de medidas de loucura. Mas, tratando-se dos EUA, ninguém ficará surpreendido se um dia os lunáticos tomarem conta do hospício. Por ser um hospício, primeiramente. E por estar apropriadamente a transbordar de lunáticos, já agora.

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Ontem, em Notícias Zap, podia ler-se:

MUNDO

EUA: e uma guerra civil em todos os Estados?

NUNO TEIXEIRA DA SILVA

 

18 JANEIRO, 2022

Muitos norte-americanos aceitam o cenário de cometer actos violentos 

que atinjam membros do Governo.

Guerra civil? Nos Estados Unidos da América? Não seria sequer um tema em 2022, para quase todas as pessoas. Mas, no início desse tal ano, as análises à volta deste assunto multiplicam-se.

Ron Elving, correspondente da National Public Radio em Washington, e alguém que acompanha constantemente os assuntos e os bastidores da Casa Branca, avisa: “Imagine outra guerra civil nos EUA mas, agora, em todos os Estados“.

Não é um cenário provável já para amanhã, ou para a próxima semana, mas a verdade é que vários inquéritos nacionais demonstram que há muitos habitantes nos EUA que aceitam a ideia de cometer actos violentos que atinjam membros do Governo. Não são a maioria, mas já são uma minoria significativa.

Revelaram as sondagens que 33% das pessoas achava que a violência contra o governo era “justificada, por vezes”. Esta percentagem era de 10% em 1990.

Aliás, ainda em 2020, em Outubro foi publicada uma sondagem nacional que revelou que a maioria dos norte-americanos acreditava que o país já atravessava uma situação de uma “Guerra Civil Fria”.

Em 2021 a maioria dos apoiantes de Donald Trump queria que o seu Estado deixasse de fazer parte do país. E, mesmo entre os apoiantes de Joe Biden, uma percentagem considerável (41%) admitiam a possibilidade de “dividir o país“.

Além dos problemas sociais e das desigualdades económicas, fica a ideia de que as pessoas que vivem nos EUA não acreditam no sistema democrático do país. Sobretudo os jovens não acreditam.

Esta noção foi transmitida por um inquérito revelado no mês passado, que também demonstrou que um terço dos inquiridos disse que estava à espera de uma guerra civil nos próximos tempos; e um quarto das pessoas pensa que, pelo menos, um Estado vai passar a ser totalmente autónomo.

Não se espera uma guerra que cause 600 mil mortos (ou mais), como causou a guerra civil nos EUA. Mas espera-se, e já é uma realidade, que assuntos importantes causem divisões fortes entre Estados – e, ainda antes disso, “a guerra está prestes a surgir à porta de casa de cada um“, lê-se no artigo.

desgaste é evidente, a atmosfera é “tóxica”. E num país onde há 434 milhões de armas na posse da população…

   Nuno Teixeira da Silva, ZAP //