Tratado
de Proibição de Armas Nucleares,
ratificado por 50
Estados, vai entrar em vigor
– uma
importante vitória para as forças da paz
O Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) saúda
a ratificação por 50 estados do Tratado de Proibição de Armas Nucleares, que
dessa forma entrará em vigor num prazo de 90 dias: isto significa que durante o
primeiro mês de 2021, as armas nucleares serão ilegais à luz do Direito
Internacional.
Este facto constitui uma significativa vitória dos que,
em todo o mundo e também em Portugal, se batem há décadas pela interdição deste
tipo de armamento. Ao mesmo tempo que aumenta a pressão sobre os restantes
Estados para que, com a sua adesão plena ao tratado, contribuam para um mundo
livre de armas nucleares.
O Tratado de Proibição de Armas Nucleares foi lançado em
Julho de 2017 pelos 122 Estados participantes numa conferência das Nações
Unidas realizada com o objetivo de negociar um instrumento juridicamente
vinculativo para a proibição de armas nucleares, que conduza à sua total
eliminação: com a ratificação das Honduras, no passado dia 24, atingiu-se a
marca necessária para a entrada em vigor do Tratado.
Importa salientar que nenhum dos países detentores de
armamento nuclear aderiu ao tratado, assim como nenhum dos membros da NATO. Da
União Europeia, apenas o fizeram a Irlanda e a Áustria, que não integram a
NATO.
O CPPC, que tem em curso uma campanha para que também
Portugal se junte ao Tratado de Proibição de Armas Nucleares https://tinyurl.com/fimarmasnucleares,
alerta para o facto de a entrada em vigor do Tratado não resolver por si só
nenhum dos problemas colocados pela existência de numerosos e poderosos
arsenais nucleares: a retirada dos Estados Unidos da América de vários acordos
internacionais que promoviam o desanuviamento e o desarmamento e a retórica
agressiva que cada vez mais marca as relações internacionais são aspectos
marcantes, e graves, da situação internacional. Uma vez em vigor, o Tratado
colocará fora da legalidade internacional todos quantos persistam na
manutenção, e sobretudo no reforço, dos seus arsenais nucleares – numa clara
vitória para as forças do progresso e da paz.
Quantas há e quem as tem
Nove países detêm, atualmente, armas nucleares: Estados
Unidos da América, Federação Russa, Reino Unido, França e República Popular da
China (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações
Unidas), mais Israel, Índia, Paquistão e República Popular Democrática da
Coreia. Outros cinco países – Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda e Turquia –
acolhem formalmente armas nucleares dos EUA no seu território. Dezenas de
outros, como Portugal, pertencem a alianças militares com capacidade e
«vocação» nuclear, como a NATO.
Atualmente, existem no mundo cerca de 15 mil ogivas
nucleares (dados da Federação dos Cientistas Americanos), 1800 das quais
prontas a serem mobilizadas no imediato. Do total, cerca de 14 mil dividem-se
entre os EUA e a Rússia e as restantes estão nas mãos do Reino Unido (215),
França (300), China (270), Índia (110-120), Paquistão (120-130), Israel (80) e
República popular Democrática da Coreia (menos de 10).
Os EUA, que têm armas nucleares em bases militares e
esquadras navais espalhadas por todo o planeta, gastam mais nas suas armas
nucleares do que os restantes oito países juntos. Admitem ainda a possibilidade
de um ataque nuclear preventivo, mesmo contra países não nucleares.
Que consequências teria uma guerra nuclear?
As bombas lançadas pelos EUA sobre as cidades japonesas
de Hiroxima e Nagasáqui, a 6 e 9 de Agosto de 1945, provocaram a morte imediata
a dezenas de milhares de pessoas e a morte lenta de outras tantas. Os efeitos
destes crimes permanecem hoje, décadas passadas, nos efeitos dramáticos da
radiação no aumento da incidência de doenças oncológicas e deficiências
físicas.
Uma explosão nuclear conduz à morte imediata de todos
quantos se encontrem num raio de vários quilómetros da zona do impacto, ao
gerar temperaturas de vários milhares de graus celsius e ventos com velocidades
superiores a 1000 quilómetros por hora. O resultado é a formação de tempestades
de fogo de enorme poder destrutivo.
Uma guerra nuclear, que na atualidade nunca seria
localizada num só país ou região, teria efeitos duráveis sobre o ambiente,
conduzindo a alterações meteorológicas globais catastróficas que persistiriam
por vários anos. Para lá da ação destrutiva direta das explosões e dos efeitos
prolongados da radiação, o chamado inverno nuclear reduziria a duração ou
eliminaria mesmo os períodos férteis de crescimento das plantas durante anos,
levando a maior parte dos seres humanos e outras espécies animais a sucumbir à
fome.
Pela dimensão e potência dos atuais arsenais nucleares,
uma guerra atómica não se limitaria a repetir o horror de Hiroxima e Nagasáqui,
antes o multiplicaria por muito, pondo em risco a própria sobrevivência da
Humanidade.
A abolição das armas nucleares é uma causa actual e
urgente!
Países que ratificaram o Tratado de Proibição de Armas
Nucleares
África do Sul, Antígua e Barbuda, Áustria, Bangladeche,
Belize, Bolívia, Botsuana, Cazaquistão, Costa Rica, Cuba, Dominica, Equador, El
Salvador, Fiji, Gâmbia, Guiana, Honduras, Ilhas Cook, Irlanda, Jamaica, Laos,
Lesoto, Malásia, Maldivas, Malta, México, Namíbia, Nauru, Nova Zelândia,
Nicarágua, Nigéria, Niue, Palau, Palestina, Panamá, Paraguai, Quiribati, São
Cristóvão e Neves, Santa Lúcia, Santa Sé (Vaticano), São Marino, São Vicente e
Granadinas, Samoa, Tailândia, Trindade e Tobago, Tuvalu, Uruguai, Vanuatu,
Venezuela e Vietname.
Muitos outros estados, tendo já subscrito o Tratado, não
depositaram, até o momento, os instrumentos necessários à sua
ratificação.