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sexta-feira, dezembro 25, 2020

Uma notícia para o dia de natal... mesmo a calhar

 Britanniques et Européens saluent un « bon accord » sur les relations post-Brexit

« Nous serons votre ami, votre allié, votre soutien et, ne l’oublions pas, votre premier marché », a affirmé le premier ministre britannique, Boris Johnson.


Notícia de hoje. 
Decerto em inglês, e em alemão, e em italiano, e em grego, e em espanhol, e nas línguas escandinavas e bálticas e do mar negro, e talvez em esperanto,

Mas será que os britanniques deixaram de ser européens por terem decidido deixar de fazer parte da União Europeia?

Tudo isto me faz lembrar uma enorme encenação... ou talvez seja o meu gosto pelo teatro que me faz reagir assim.

segunda-feira, dezembro 16, 2019

Breve apontamento sobre eleições no Reino (dito) Unido


retirado do (quase)-diário:

(...)
Um breve apontamento sobre as eleições no Reino Unido:
            considerando as eleições, como sempre, um diagnóstico, para que são precisos muitos auxiliares do dito, relevo
i)                a clara – mas menor do que publicitada –  derrota dos trabalhistas, com menos 3,6 milhões de votos que os conservadores (menos 12 pp, 32%-44%);
ii)              a escassa vitória dos conservadores, embora lhes dê maioria absoluta de mandatos, 364 em 650, mas apenas ligeira subida em votantes relativamente a votação anterior apenas 2% que deram mais 15% de mandatos (+ 47);
iii)            em relação à questão Brexit, que subjaz a toda a política britânica (e da U.E.), anote-se a presença de um explícito grupo candidato às eleições (Brexit) que teve 642 mil votos/2%, não tendo eleito nenhum deputado ao contrário de 5 partidos (?) com menos de 1% de votos cada um - somando no conjunto 830 mil votos expressos - que elegeram 22 deputados ;
iv)            anoto ainda o facto do Green, com 865 mil votos expressos, ter apenas eleito 1 deputado;
v)              o Scotish National Party teve 1 milhão e 242 mil votos terá eleito, 48 deputados quando a proporcionalidade de votos expressos apenas lhe daria 26 deputados, e os liberais, com 3 milhões 675 mil (subindo 55% de votos em relação à anterior votação) terem 11 mandatos (menos 1 que tinham), quando a proporcionalidade do votos expressos lhes daria, agora, 76 mandatos;
vi)            estes pontos salientam-se, sobretudo, para mostrar a anormalidade de um sistema eleitoral num Reino (dito) Unido, com círculos uninominais, e como ele se afasta tanto que torna irreconhecível qualquer proporcionalidade que se estime minimamente desejável relativamente aos votos expressos pelo povo (ou, melhor se diria, dos povos).    


quarta-feira, novembro 06, 2019

Web Summit, por exemplo...


06.11.2019


(...)


Tenho acompanhado (de longe…) o Web Summit. E está a ser elucidativo do momento que atravessamos.

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Ontem, interessou-me a intervenção do Tony Blair, que ficará para sempre como um dos homens da vergonha da cimeira dos Açores – com o Aznar, o Bush e o Durão Barroso, o Aznar – para a “guerra do Iraque” a pretexto do que não existia se sabia e como se comprovou.

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Foi isto que ele cá veio fazer: achar que Brexit é ideia terrível e propugnar por um 2º referendo.

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 Que, se não der outro resultado, deverá, se possível…, vir a dar um 3º referendo e por aí fora… até ao referendo final.

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Esta democracia!... O grande, o enorme problema (para uma parte do capital transnacional, do imperialismo) é o pânico de que este Brexit se concretize e possa servir de exemplo ou estímulo.

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Mas, entretanto, há contradições enormes… há interesses capitalistas transnacionais com outra perspectiva: a da saída do Reino Unido da U.E. numa “guerra comercial”.

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Por outro lado, o Web Summit é (mais uma) rampa de lançamento das moedas digitais:a desmaterialização das moedas a todo o vapor.


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Esta é uma questão que começa a ser transcendente… filosoficamente.

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Tal como a Net fez da informação a não-informação ou a fake-informação, pervertendo os meios de informação transformando-os em meios de manipulação de consciências, as Web Summit e outras moengas (a)parecidas poderão fazer do dinheiro (temporariamente… com os séculos contados…) o não-dinheiro, o não instrumento ou meio de troca das coisas… MATERIAIS!

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Será a metafisicação dos meios-instrumentos de troca.

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Valha-nos nossa senhora de Fátima (perdão, da Cova da Iria).

segunda-feira, outubro 21, 2019

Nesta confusão (?!...) tropeço num comentário +/- avulso:

Exemplo de falta de Liberdade nos regimes actuais. O que conta para os Srs. deputados é a sua vontade e não a da maioria da população que votou em maioria pelo Brexit. Este parlamento, que supostamente é constituído por agentes que representam os votantes, está a desrespeitar a própria vontade dos votantes. O melhor era mesmo a Raínha suspender o Parlamento, por manifesto incumprimento do dever de representação dos eleitores, até a vontade popular expressa em referendo estar concretizada.

Democracia é aceitar a vontade expressa pelo voto dos cidadãos.

terça-feira, junho 25, 2019

I’m not… nem conservador nem inglês… but


No pressuposto de que somos uma cambada de ignorantes e estúpidos, às vezes excedem-se!

Antes de mais, uma “declaração de interesses”: apesar de todos os descontos que se lhe possa fazer pela imagem que ele dá, e dele me dão, não tenho qualquer sim/empatia por Boris Johnson, pela sua postura e discurso. Ponto final, parágrafo.

Dito isto, acho esta “peça” exemplar, por excessiva, de uma comunicação manipuladora e desvirtuadora da informação que antecede actos eleitorais. No caso (de que o DN é apenas mais um veículo), com a intenção de fundo de conseguir anular, não importa quais os meios, o resultado claro de um referendo, cujo voto foi favorável à saída do Reino Unido da U.E., não da Europa!... pois, fora ou dentro da U.E. somos todos europeus... ou os noruegueses e os suíços e outros não são europeus?, isto para não falar do chamado Eurogrupo que é um grupo mais pequeno dentro de um grupo maior?
Assim, com concertadas encenações, se abrem as portas aos perigosos nacionalismos e nacionalistas, ao fascismo. 

Logo no cabeçalho, o epíteto de "cobarde" colado a um de dois candidatos que passaram por sucessivos crivos, sem se saber quem assim o etiqueta embora colocado entre aspas o que pressupunha autoria identificável. Depois, ainda no lide, outra etiqueta, a de “brexiteer”, e que “surgiu” (!) como favorito à sucessão de May.
No começo do artigo, a explicação da “cobardia” porque, estando “debaixo de fogo”, se recusou a comentar o que teria sido divulgado por um jornal (The Guardian): uma discussão entre ele e a namorada que, pelas suas proporções, teria levado vizinhos a chamar a polícia que, vinda ao local, “falou com os ocupantes do apartamento que disseram que estava tudo bem”. Mais tarde, numa entrevista na televisão, o chamado “brexiteer” recusou comentar o caso, se acaso caso o foi, dizendo (isto ouvi eu!) que estava ali para responder a outras questões.
A seguir ao comentar sibilino “como se isto não chegasse” (!), o segundo parágrafo do artigo é dedicado às “eventuais ligações a Steve Bannon”, a partir do mesmo jornal, segundo o qual este director de campanha e estratega de Trump “terá dado conselhos a Boris Johnson”. O que Boris Johnson nega ter acontecido, ao que foi contraposta a “revelação” de um vídeo em que Bannon diz tê-lo aconselhado e ter trocado mensagens tendo nas mãos (como prova?) um jornal em que Boris voltara a escrever como colunista depois de sair do governo britânico.
Depois, entra na “peça” “o segundo maior financiador” do partido (magnata dos táxis) a exigir que Boris Johnson se explique, que esclareça “o que de facto se passou entre ele e a namorada”!
Desta situação resultaria… a queda nas sondagens, ilustrada por uma misturada entre dados relativos a primeiro-ministro, em que entram todos os eleitores como universo e os dados relativos à votação para a liderança dos conservadores, em que só estes contam e é a que está em causa, onde Boris Johnson mantêm vantagem relativamente confortável.
Para terminar como começa, o artigo recorda o calendário eleitoral e enfatiza a possível ausência do Boris no próximo debate noutra estação de televisão.    


Boris Johnson recusa debate com Jeremy Hunt:
"Está a ser um cobarde"

Sky News anuncia que debate entre os dois finalistas na corrida à liderança conservadora foi cancelado. Financiador dos Tories exige explicações de Boris Johnson, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e brexiteer radical que surgiu, até agora, como favorito à sucessão de Theresa May


24 Junho 2019 — 13:25

Boris Johnson, de 55 anos, está debaixo de fogo depois de o The Guardian ter divulgado o conteúdo de uma discussão entre ele e a namorada, Carrie Symonds, no apartamento desta, em Londres. Depois de a polícia ter sido chamada ao apartamento nas primeiras horas da madrugada de sexta-feira, quando os vizinhos se queixaram de gritos e objetos a partir, Boris Johnson recusou comentar o caso. A polícia falou com os ocupantes do apartamento que disseram que estava tudo bem.
Como se isso não fosse suficiente, Boris depara-se agora com revelações sobre as suas eventuais ligações a Steve Bannon. mais uma vez feitas pelo mesmo media. O antigo diretor de campanha e estratega do presidente norte-americano, Donald Trump, terá dado conselhos a Boris Johnson em relação ao discurso que ele fez no Parlamento pouco tempo depois de se ter demitido em julho de 2018 da chefia da diplomacia britânica, em desacordo com a forma como a primeira-ministra, Theresa May, estava a negociar o Brexit. No passado, Boris Johnson negou que isso tenha acontecido.
O jornal britânico The Observer (a edição de domingo do The Guardian) revelou um vídeo filmado a 16 de junho de 2018, em Londres, para um documentário sobre Bannon intitulado The Brink. No vídeo este fala dos conselhos que deu a Boris Johnson para o discurso que ele daria naquela tarde. "Tenho estado a falar com ele durante todo fim de semana sobre este discurso", diz Bannon à realizadora Alison Klayman, que lhe pergunta se eles têm falado ao telefone: "Andamos para trás e para a frente através de mensagens, é mais fácil", responde. Nas mãos tem o The Daily Telegraph, o jornal para o qual Boris tinha voltado naquele dia a escrever como colunista após deixar o governo britânico.
Esta segunda-feira o The Guardian anunciou que John Griffin, o segundo maior financiador dos Tories, exigiu que Boris Johnson se explique. O magnata dos táxis, que doou 4 milhões de libras para os conservadores nos últimos anos, considera que o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros britânico deve esclarecer o que de facto se passou entre ele e a namorada naquele apartamento londrino.
"Merecemos uma explicação acerca dessa discussão e ele deve lidar com isto de forma apropriada. Não pode assumir que vamos continuar a apoiá-lo sem sequer dar nenhuma explicação. É provável que vá ser primeiro-ministro e a maioria dos membros querem apoiá-lo. Mas se uma pessoa não fez nada de errado, deve dizê-lo", declarou Griffin, citado por aquele jornal britânico.
Boris Johnson começou, entretanto, a cair nas sondagens. Um estudo de opinião divulgado neste domingo pelo Mail on Sunday revela o impacto das notícias sobre a chamada da polícia à casa que Boris Johnson partilha com a namorada, Carrie Symonds, em Londres. Na quinta-feira, antes de o The Guardian revelar o caso, ele era apontado por 36% dos eleitores como o melhor primeiro-ministro face a 28% do adversário na corrida, Jeremy Hunt. Entre os eleitores conservadores (são os militantes do partido que vão fazer a escolha), Johnson surgia com 55% das intenções de voto face a 28% de Hunt.
Contudo, na sondagem posterior, feita no sábado, entre todos os eleitores, o atual chefe da diplomacia ultrapassa o antecessor: Johnson é considerado o melhor primeiro-ministro por 29% dos inquiridos, com Hunt a chegar aos 32%. Entre os eleitores conservadores, Johnson também dá um tombo, mas continua à frente de Hunt, com 45% face a 34%.
Apesar de este frente-a-frente na Sky News não se realizar, marcado está já, para julho, um outro debate entre Boris Johnson e Jeremy Hunt na ITV News, numa altura em que os boletins de voto já terão sido enviados pelo correio para os militantes do Partido Conservador. Falta ver se a esse o Boris comparece ou não. O sucessor de Theresa May no N.º 10 de Downing Street deverá ser conhecido a 22 de julho e a sucessão acontecer a 23 de julho. À sua espera, o novo chefe do governo britânico terá o explosivo dossiê do Brexit, o qual terá que acontecer até 31 de outubro.

quinta-feira, janeiro 31, 2019

Arre p... que é demais!

Tem este blog o princípio de ter cuidado com a linguagem, por maneira de ser do seu único responsável que não por hesitação em afirmar posições (quando tomadas) ou por comedimento. Hoje, a somar a dias anteriores, sentiu-se (o responsável pelo blog) provocado e exorbitou. É demais! 
As declarações do ministro das Forças Armadas (JGC) e a entrevista do dos Negócios Estrangeiros (SS), sobre Brexit e Venezuela, puseram-me fora de mim. A berrar obscenidades. Não as vou transcrever. Bebi um copo de água, e prefiro transcrever o que li de Jorge Cadima. Como sempre, informativo e pedagógico nas suas crónicas. 

 - Edição Nº2357  -  31-1-2019

Trumpistas

Trump quer escolher o Presidente da Venezuela. Os fascistas Bolsonaro e Netanyahu também. A comunicação social das mentiras de guerra ladra em coro. Governos de países da UE proclamam ser contra Trump e o ascenso da extrema-direita. Mas o que os separa de Trump são 'oito dias'. O Governo PS, pela voz do MNE Santos Silva, não quer esperar tanto: o Presidente eleito e constitucional da Venezuela «tem de se ir embora». Não ficou saciado com a Líbia, Ucrânia, Síria, Iraque. O BE diz que «tem estado em contacto» com o Governo, cuja posição «é sensata». O PS diz que «este é o momento para responder à manifestação da vontade clara dos venezuelanos». Mas alguém pode negar que o momento foi escolhido por Trump? Até o Wall Street Journal (25.1.19) confessa: «O plano secreto do Governo Trump para dar apoio ao chefe da oposição Juan Guaidó foi previamente concebido e coordenado de forma estreita» durante várias semanas». A luz verde chegou na véspera da auto-proclamação do homem que o povo venezuelano não elegeu, através dum telefonema do Vice-Presidente Pence. «Vontade clara do povo da Venezuela»? Não: vontade clara do imperialismo esmagar um país e povo independentes e lançar mãos das maiores reservas petrolíferas comprovadas (24,9% do total mundial, segundo o Boletim Estatístico da OPEP, 2018), maiores que as da Arábia Saudita. Já começou o saque dos bens da Venezuela no estrangeiro.
Estamos perante uma tentativa de golpe, comandada de fora. Mais uma. É assim desde a eleição de Chávez em 1998. O problema não é ‘Maduro’, nem uma suposta ‘ditadura’. O problema é que o imperialismo não tolera países soberanos. A Arábia Saudita pode até esquartejar impunemente nos seus consulados, porque é um vassalo. Alguém acredita que Trump, Bolsonaro, Macrí ou Macron se preocupam com a democracia ou os povos?
Na Venezuela a oposição tem televisões, jornais, representação política (quando quer). Ganhou dois dos 25 actos eleitorais destes 20 anos. São os que os EUA/UE reconhecem. Perdeu os restantes 23, mas as grandes potências capitalistas fazem como nos referendos da UE: ignorá-los e seguir em frente. Com a sabotagem e bloqueio económico, o terror nas ruas, as infindáveis mentiras, as tentativas de assassinato do Presidente. Preparando o golpe e, se possível, a invasão. É o guião do «Assad tem de partir». Maduro foi reeleito há 9 meses, em eleições concordadas com a oposição – após negociações mediadas pelo ex-PM espanhol Zapatero – que à última hora não assinou os acordos. O veto veio de Washington: já preparava o golpe. Aguardava Bolsonaro. Mas o povo da Venezuela, face a enormes adversidades, tem sabido mobilizar-se e resistir. Como nas manifestações destes dias em apoio ao seu Presidente, silenciadas na comunicação social golpista e belicista que nos submerge com mentiras de guerra. É um testemunho da vitalidade, base popular e conquistas da Revolução Bolivariana. Mas a revolução precisa da solidariedade dos povos e dos seus amigos.
Em Portugal, confirma-se o pior da história do PS e das suas alianças com a direita mais extrema e o imperialismo. O BE segue no encalce. Mas não é óbvio que o monstro fascista alimentado por cada nova guerra e golpe não se vai querer ficar pela Ucrânia, o Brasil ou a Venezuela?

Jorge Cadima

domingo, dezembro 09, 2018

BREXIT - A "saída do povo"

do quase-diário:


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Adormeci (e acordei!) a ler, pela segunda vez, o artigo do João Ferreira no avante!

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No intervalo, recordei (de novo!) a minha nota de 1962 na Revista de Economia (um dos textos suportes de mim…), as breves reportagens radiofónicas aquando da adesão em 1972, Maastrich e opting-out… sei lá que mais.

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(muito lembro eu!, sempre com a precaução de não cair no excesso de historicismo de que a UNESCO/Lange, em 1972, acusava a abordagem marxista da ciência económica).

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Mas… reproduza-se o texto de João Ferreira, que bem merece ser lido e reflectido, a começar pelo título e a acabar no fecho.

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A «saída do povo»

Segundo o Gabinete Nacional de Estatística do Reino Unido, no último Inverno, entre Dezembro de 2017 e Março de 2018, estima-se que tenham ocorrido na Inglaterra e no País de Gales mais 51.100 mortes do que no período homólogo do ano anterior (2016-17), o número mais elevado em 41 anos. Estas mortes estão relacionadas com o frio e com deficientes condições de aquecimento das casas, incluindo casos de doenças respiratórias consideradas evitáveis. A maioria das vítimas são mulheres, embora o número de óbitos de homens com menos de 65 anos tenha duplicado. A edição do último fim-de-semana do «Morning Star» chama-lhe uma «tragédia humana», um «escândalo nacional», cuja explicação não é separável do aumento da conta de energia das famílias, nem dos lucros amealhados pelas seis grandes companhias de energia que dividem o mercado entre si.
O caso dá-nos o elucidativo pano de fundo sobre o qual se desenrola o processo de negociação da saída do Reino Unido da União Europeia. A realidade económica e social britânica é inseparável da pertença à UE e das políticas e opções neoliberais que determinaram o curso da vida política, económica e social no Reino Unido ao longo dos anos.
Tanto quanto a incerteza em relação ao futuro, que as negociações em curso adensam, é a precariedade do presente o que preocupa os trabalhadores e o povo britânico, assim como os imigrantes que vivem e trabalham neste país, incluindo a numerosa comunidade portuguesa, que engrossou significativamente durante os anos da 'troika' em Portugal.
Os 17 milhões de britânicos que em 2016 votaram pela saída do seu país da UE – na mais participada votação de sempre no Reino Unido – certamente que o terão feito com motivações diversas. Será todavia seguro afirmar que, com o seu voto, terão formulado um desejo de ruptura, a par da intenção de assumir o controlo sobre decisões fundamentais para as suas vidas, libertando-se de constrangimentos impostos pela UE, negativamente avaliados. Dois pressupostos – o desejo de ruptura e a afirmação de soberania – que o acordo alcançado há dias entre a UE e o governo do Reino Unido vem pôr em causa.
O grande capital britânico, atravessado por contradições que se estendem aos seus representantes políticos, divide-se pela aposta em caminhos diversos. Uma parte não desistiu ainda de reverter a decisão do povo britânico. Outra, pretende torpedeá-la, deturpando o seu significado, através de um acordo de saída que manterá o Reino Unido constrangido pelo neoliberalismo plasmado nos tratados e legislação da UE. Outra ainda, pretende, a partir de uma saída sem acordo, levar a cabo extensas medidas de desregulamentação e de agravamento da exploração.
A estes caminhos (todos diferentes, todos iguais na sua marca de classe) contrapõe-se, à esquerda, uma «saída do povo», um «Brexit dos trabalhadores e do povo», em que a libertação das políticas e imposições UE é encarada como condição de avanço progressista e emancipador. É a posição, entre outros, do Partido Comunista Britânico.
Para o PCP, o respeito pela decisão soberana do povo britânico e a defesa intransigente dos interesses da comunidade portuguesa que vive e trabalha no Reino Unido, são dois princípios orientadores da sua intervenção em todo este processo. Independentemente das atribulações e conclusões das negociações entre a UE e o Reino Unido, o Governo português deve trabalhar na construção de um quadro de relações e de cooperação futura com o Reino Unido, mutuamente vantajoso, respeitador da soberania e das aspirações de ambos os povos e dos interesses dos imigrantes portugueses neste país.
João Ferreira 
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(...)

sábado, novembro 17, 2018

Auxiliares de memória - 1 BREXIT


Breves “auxiliares de memória”
para compensarem a invasão “informativa”
com que se apagam factos e manipula a História
1-BREXIT
·       Quando, em 1951 (CECA) e em 1957 (CEE e CEEA),
plenipotenciários de 6 Estados europeus (Bélgica, França, Holanda, Itália, Luxemburgo e República Federal da Alemanha) assinaram os tratados que os tornavam estados-membros das “comunidades”, a formalização democrática exigiu a ratificação soberana dos povos, directa ou por seus representantes eleitos.
·       Quando, em 1972, as “comunidades” se  alargaram
a 9 (Dinamarca, Reino Unido, República da Irlanda) assim foi também e só não passaram a 10 porque, na Noruega, os noruegueses não ratificaram o acordado entre os negociadores
·       Quando, em 1976, se alargaram a 10 (Grécia) e,
 em 1986, a 12 (Espanha e Portugal) repetiu-se o procedimento formalmente democrático
·       Com 12 Estados-membros, o Acto Único, enquanto
preparação de um novo tratado (Maastrich – com os objectivos mercado único e coesão económica e social), de novo houve ratificação, embora com várias declarações anexas
·       Com o Tratado de Maastrich, começaram a pôr-se em
 causa as ratificações, apesar das campanhas de “informação”
o   os dinamarqueses não ratificaram “à primeira”
o   e, com os britânicos, impuseram a novidade do
“opting  out” (ficar de fora em algumas áreas)
·       Em 1992, pela segunda vez, os noruegueses recusaram
a adesão de novo negociada
·       Os suecos recusaram a moeda única, aderindo
ao “opting out”
·       A “Constituição Europeia” seria o passo seguinte
o   após ratificação pelo parlamento da Eslovénia e da Grécia e da sua ratificação, por via de referendo em Espanha, em 2005, os referendos em França e na Holanda não a ratificaram, o que provocou uma reavaliação do processo de ratificação de tratados através de referendos que iria culminar com a adopção do Tratado de Lisboa (2007), procurando evitar-se a via referendária
o   no entanto, não foi conseguido impedir a exigência de referendo na Irlanda (República da), o que alterou o calendário  previsto de ratificação pelos Estados-membros em 2008
o   os irlandeses não ratificaram, mas essa decisão foi “revertida” num segundo referendo realizado em 2009.

Quando os referendos começaram a dar resultados não desejados pelos interesses da classe dominante, não obstante toda a máquina de propaganda e manipulação, ou se acaba com eles ou se arranjam artes e manhas para que se repitam até “reverterem” a vontade expressa pelos eleitores, ou seja, pelo povo. Isto é… que é democracia!

A(s) história(s) é(são), por vezes, escabrosa(s).
(H)aja memória. Veja-se o actual “folhetim” do BREXIT!


quinta-feira, outubro 18, 2018

Brexit - o (des)respeito pelas decisões dos povos...


NOTA DO GABINETE DE IMPRENSA DO PCP

Sobre as conclusões do Conselho Europeu



O Conselho Europeu reafirmou um conjunto de orientações que são prejudiciais para Portugal, para os interesses dos trabalhadores e do povo português e dos demais povos da Europa.
1 - A denominada “Cimeira do Euro” insiste no aprofundamento da União Económica e Monetária, a pretexto do qual se procura constrangimentos e imposições que limitam a soberania nacional e a possibilidade da afirmação de projectos de desenvolvimento soberano assentes no progresso social.
A conclusão da União Bancária comporta consequências negativas para Portugal, em parte já hoje visíveis, com a usurpação aos Estados do controlo deste sector estratégico, desviando-o da sua função económica e social e forçando a concentração monopolista do sector à escala da UE e consequente domínio do sector bancário pelo capital estrangeiro.
A denominada “reforma do Euro”, se concretizada, acentuaria os graves constrangimentos e imposições já hoje existentes, associados ao Euro e à União Económica e Monetária, quando a resposta aos problemas do País exige, pelo contrário, a sua libertação destes constrangimentos e imposições.
2 - Relativamente às negociações sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, regista-se um novo impasse. O processo negocial tem sido permanentemente instrumentalizado para limitar o alcance e mesmo subverter a decisão soberana do povo do Reino Unido.
O conteúdo das negociações demonstra que tanto do lado da União Europeia como do Governo do Reino Unido, muitos estão apostados em usar a futura «nova» situação para forçar uma desvalorização de direitos e de condições de vida dos trabalhadores. É sintomático que, no quadro de desentendimentos, que expressam contradições entre diferentes facções do poder económico, o que persista seja o compromisso de salvaguardar a coordenação no campo do militarismo, da NATO e da escalada armamentista.
O futuro próximo dirá qual o desfecho deste processo. Há todavia, desde já, dois elementos que importa sublinhar: o primeiro é que o modo como o processo de negociação está a ser conduzido alimenta nacionalismos, racismos e ideologias abertamente reaccionárias. O segundo, aparentemente contraditório, mas não o sendo, é que a concretização da saída do Reino Unido da União Europeia encerra em si possibilidades reais e condições de avanço na luta dos trabalhadores e dos povos, no Reino Unido e não só.
O PCP reafirma o direito dos povos a decidir de forma soberana os seus destinos, incluindo no que se refere à saída da União Europeia, e reitera que, em qualquer cenário, devem ser respeitados os direitos dos trabalhadores migrantes, nomeadamente dos emigrantes portugueses a trabalhar e a residir no Reino Unido.
3 - Relativamente às migrações, as conclusões do Conselho inserem-se numa linha de aprofundamento da lógica da militarização e securitização desta questão e mesmo de uma visão racista e xenófoba do fenómeno migratório. É essa lógica que está na origem da catástrofe que se continua a viver no Mediterrâneo e que desde 2014 já matou mais de 17.000 seres humanos.
Para o PCP, é necessário cumprir com as normas do direito internacional que conferem direitos de protecção aos refugiados, de acordo com as capacidades e as condições concretas de cada Estado.
É necessário atacar as causas de fundo dos movimentos migratórios forçados, começando pelas guerras imperialistas e pelas políticas de exploração e neocolonialismo que estão na origem de dramáticas situações, nomeadamente no continente africano.
O que não é necessário é que, a pretexto desta questão, a União Europeia tente aprofundar medidas securitárias, militaristas, de ataque à soberania dos Estados ou de aberto neocolonialismo, como as que se inserem no domínio da chamada “Aliança África”, que visa a imposição do comércio desregulado, de investimento orientado para os interesses das grandes multinacionais, e de políticas de externalização de fronteiras replicando os inqualificáveis acordos com a Turquia ou a Líbia a vários países africanos.
4 - No plano da “segurança interna” as conclusões do Conselho Europeu tentam justificar o aprofundamento de políticas securitárias que há muito estão ensejadas por via da teoria do “inimigo externo” multifacetado, escamoteando-se as responsabilidades da própria União Europeia e da NATO em várias ameaças, como é o caso do terrorismo, entre outras.
A estratégia é velha. Acenam-se com “ameaças” e “inimigos” para aprofundar as políticas de concentração e de centralização de capacidades policiais e judiciais, ao mesmo tempo que se impõe mais restrições, mais controles, enfim, se consolida uma visão securitária das políticas da UE, que inevitavelmente limitam, cerceiam direitos, liberdades e garantias e confluem em novas ameaças a parcelas da nossa soberania nacional.
Em suma, as conclusões do Conselho Europeu evidenciam uma vez mais um processo de integração esgotado, sem solução para os problemas que o próprio criou. Realçam igualmente a importância da luta em Portugal pela libertação dos constrangimentos associados à União Europeia e, em particular, ao Euro, e por uma política alternativa patriótica e de esquerda.
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... fonte de perigosos populismos!

segunda-feira, junho 27, 2016

Já agora, sobre o referendo na Reino Unido uma nota

Na sequência do "post" anterior, ou melhor, do que o alimentava, Valdemar Cruz deixa uma nota (e outras informações que vale a pena serem lidas) que se quer aqui deixar, pela sua pertinência:

«
2.      Sobre os resultados do referendo na Grã Bretanha, apenas uma nota, face ao verdadeiro golpe em curso no Partido Trabalhista para desalojar Jeremy Corbyn, eleito há sete meses pelas bases com o triplo dos votos dos seus oponentes. Corbyn teve de enfrentar desde início um verdadeiro boicote de um importante grupo de deputados identificados com a ala direita do partido. Não apenas eles, mas também eles, aproveitam agora para tentar dar a estocada final num homem claramente situado à esquerda por não ter conseguido fazer a quadratura do círculo. Isto é, Corbyn, dizem, não teria mostrado grande empenho no voto pela permanência. Como se tivesse sido o dirigente do Partido Trabalhista a convocar ou desejar o referendo. Por isso, como dizia ontem um importante editorial do Guardian, "é preverso culpá-lo pela derrota de David Cameron". Ora cá está uma questão interessante para ser debatida nos próximos tempos: a União Europeia não é uma entidade neutra. Aplica políticas concretas, que exprimem a visão do mundo do dominante Partido Popular Europeu, executadas com a conivência de vários partidos/governos social-democratas. A dúvida, que se materializa na atitude de Corbyn, passa em perceber como é possível, hoje, na Europa, ter uma atitude crítica em relação à UE a partir de um ponto de vista de esquerda sem que, para o discurso dominante nos media, isso não signifique uma de duas coisas, ou as duas em simultâneo: ser colocado no mesmo saco de xenófobos ou neofascistas, ou ser acusado de pretender a implosão da Comunidade com uma visão radical, extremista, por assim a novilíngua ter passado a nomear tudo quanto esteja para lá dos tradicionais partidos da social-democracia, representados em Portugal pelo PS.

(...)»




domingo, junho 26, 2016

JÁ em 1967!


21 de Novembro de 1967

um (quase)diário recuperado - a libra em 1967

26.06.2016

Certa vez, com certeira pontaria (e não é para me gabar pois foi fruto do que li e ouvi… ou até teria talvez plagiado), escrevi que a economia capitalista parecia um castelo de cartas a construir-se sobre areias movediças.

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   O episódio que se vive do BRexit trouxe-me à memória esta frase (pouco) batida.
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E veio desarrumar-me as desarrumadas prateleiras por onde nem os meus livros (os escritos por mim) são fáceis de encontrar… quando nem tãopouco se encontram.

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Mas este, do final de Novembro de 1967, encontrei e deu-me uma especial emoção recordar as condições em que foi feito, editado e distribuído, entre 20 e 30 de Novembro, pela Prelo, antecipando-me (de “raiva”) à impossibilidade da revista Seara Nova a sair a 1 de Dezembro, de publicar qualquer coisa sobre a desvalorização da libra de 19 de Novembro, que então considerei facto transcendente.

 
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·         Então… e hoje!

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·         Então, com o Reino Unido

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Ainda Bretton-Woods se mantinha válido, o dólar amarinhava pela escada de 35US$=1onça de ouro e a convertibilidade se volativizava, últimas páginas:

 


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·         Para acabar… por agora: