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quinta-feira, agosto 11, 2022

des gosto

do (quase-)diário

 

11.08.2022

 

Nas muitas vidas desta vida já tão longa e variada, passei pela de docente.

 

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Dei aulas formais no ISE, na FEUC, no IPT, além de passagens (ou substituições) no ISCTE,  no ISCPU, e em muitos outros lugares e espaços com toda a informalidade mas com esse título de professor (que nunca assumi, ou só com muitas reservas).

 

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Dos milhares de participantes-ouvintes-“alunos” (em particular em Estudos Aplicados de Economia e Integração Económica no ISE) houve um que, desde a “aula de apresentação”, nos anos 80, me despertou  atenção… entre outras causas por termos o mesmo não muito comum nome.

 

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Integrou um grupo que se distinguiu, e de que ele era, de certo modo, líder, afirmou afinidades ideológicas e características em que me revia com a idade dele, criaram-se laços de trabalho e reflexão, de amizade (chamava ao filho dele, que entretanto nascera, Sérgio IIIº).

 

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Com naturalidade, vi nele o espelho da juventude em que, desde idade madura, procuro reconhecer-me.

 

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Na década de 90, com a minha ida para o PE, houve algum distanciamento, que se foi alargando, alguns sinais que me preocuparam. posições e decisões suas que nos afastaram.

 

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Tive pena e, em reacção a uma atitude sua que me desgostou, lembro-me de lhe ter escrito que deixara de ser um dos espelhos da minha juventude em que me revia (e avaliava), porque, do outro lado do espelho, via alguém bem mais envelhecido que eu.

 

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Esperava, quando nos conhecemos, que “viesse a dar que falar”, muito me desgosta tanto “dê que falar”, e por estas razões.

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segunda-feira, dezembro 10, 2018

Almoço de ontem em Alpiarça


do quase-diário:

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Almoço do PCP: pavilhão bem preenchido (cerca de 500 participantes, confrontados com 350 do ano passado), 6 de Ourém-Fátima, bom ambiente.

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Muitos encontros de amigos e camaradas, mas um particularmente me “tocou”: com o Marvão, o único vivo dos 6 de Alpiarça que comigo “estagiaram” na sala 2-r/chão-direito em Caxias, há 55 anos – Abalada, Arraiolos, Brasileiro, Machado, Marvão, Raposo (Facalhim)  

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Boa intervenção do Jerónimo de Sousa (que, antes, gostei de abraçar), com chamada de atenção para as eleições do ano 2019 (as “europeias” – com destaque para o papel condicionador da nossa soberania pela União Europeia –, as “legislativas” – com relevante sublinhado para quem vai ser candidato e eleito: os deputados para a Assembleia da República e não o primeiro ministro e o governo!).

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Para as quais é preciso preparar o Partido, disse Jerónimo, e eu permito-me acrescentar: e preparar os militantes e as massas…

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Ouvi uma frase na intervenção (que quero confirmar no vídeo), depois das necessárias referências aos passos dados na legislatura por influência determinante do PCP desde os resultados, seu arranque e OEs, frase que me convocou a registar e a tomar nota na toalha de papel:
 “… este caminho não encontra estrada!”

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segunda-feira, abril 30, 2018

Há 44 anos! Hoje...


do (quase-)diário:

30.04.2018

Qual aprendiz de feiticeiro incapaz de travar a avalanche de vassouras que desencadeou, soterro-me em papéis – livros, recortes, rascunhos, “coisas da arca do velho” – procurados por uma memória que vem do fundo das décadas.

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Procuro o que um recanto dessa memória me pede e logo encontro, não o que procurava mas o que desperta o que estaria sossegado no seu canto, a espera que esta procura outra não viesse perturbar a memória em aparente repouso…

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… ou trégua.

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E ele é, por exemplo, a lombada de um livro – Viver para contá-la, de Gabriel Garcia Marquez –, grossa, imponente, provocadora;

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 ele é, por exemplo, este recorte de 30 de Abril de 1974, de há 44 anos:

e todo o trabalho projectado para o dia cai por terra, adiado.

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Que gráfico escolheu aquela imagem?, que escrevi eu, ainda a cheirar a Caxias (apesar da barrela), entre a fuga ao Zambujal, as idas ao aeroporto receber os exilados (tão diferentes!) Cunhal e Chantal (o almoço oferecido pelo embaixador da Bélgica pelo meio) e tanto mais?

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Tenho de contá-lo... porque foi tão vivido:

COM UM NÓ NA GARGANTA…
E a voz estrangulada. E as lágrimas nos olhos.
Mas lágrimas nos olhos que se riem de espanto. Não as velhas lágrimas mordidas de raiva, de contenção, crescidas no esforço para continuar a luta contra a mordaça, as algemas, a venda nos olhos, o nó na garganta.
Mas este nó na garganta de hoje. Outro. De comoção, de fazer sair a voz estrangulada mas a dizer o que quer. Rouca de saudar e gritar Povo unido jamais será vencido,
E este suplemento. Este suplemento onde a camaradagem encheu páginas com material para aqui encaminhado para que ele continuasse, mas onde ficou um buraco para poder vir dizer … voz estrangulada, lágrimas nos olhos … que nele continuo, que cá estou a procurar escrever ECONOMIA. E agora com as oito letras do seu nome.
Para hoje, pouco mais do que isto. Pouco mais do que vir marcar a presença, deixar a saudação. Palavras escritas num intervalo de dias de vinte e quatro horas que todas são poucas para no estreitarmos as mãos e arrancarmos com a construção do nosso futuro, enquanto temos de ajudar à definitiva impossibilidade de renascer um passado. A não esquecer como experiência vivida. Sofrida.
Mas o marcar a presença e deixar a saudação é também um compromisso. A escrever com todas as letras, vingando-nos de mais de uma centena de vezes que o tentámos escrever com as letras que a repressão nos deixava – era forçada! – chegar a mensagem. Uma ECONOMIA com o produtor, o trabalhador, o homem no começo e fim de todas as prioridades. A satisfação das suas necessidades. A sua promoção. A sua escolha consciente.
Tudo quanto hoje se escreve tem o peso de uma enorme responsabilidade. A de termos a certeza de que o que estamos a escrever será o que vai ser lido, e de sabermos que somos analfabetos de uma comunicação que deixou de ser codificada, são esse peso, essa responsabilidade. E assumamo-la substituindo a humilhante mordaça da censura pela sadia reflexão da autocrítica e de aprendizagem de comunicação descodificada.
Mas, também, aceitemos o risco de uma relativa irresponsabilidade que consuma esta euforia e compense este cansaço que os nervos fazem esquecer. Deixemos que se atirem para o almofariz de onde devemos tirar o futuro por todos amassado e enformado, ideias que não transportam maior peso que o de uma enorme vontade de as exprimir. Já destinadas a se apagarem, como voz débil mas firme, no coral das ideias colectivamente trabalhadas.
Neste “primeiro” suplemento, cozinhado à pressa para que saia, não podemos deixar de avançar uma palavra sobre a inflação. Dos preços temos falado e bem temos procurado demonstrar o que todos sabemos: que os salários dos trabalhadores não são, de nenhum modo, responsáveis pela subida dos preços, que os trabalhadores são as grandes vítimas do que alguns têm aproveitado. Pois afirmemos claramente, neste suplemento, que a primeira palavra que queremos deixar é sobre a urgente necessidade de se encontrar a definição – por todos nós – de um mínimo de salário para um viver digno. Sentimo-lo – hoje, às seis menos um quarto da madrugada de 29 de Abril – como o mote prioritário sobre todas as prioridades a deixar num suplemento de economia.
Com a economia escrita, pela primeira vez, com todas as suas oito letras! Mas, também, com a exclusiva responsabilidade de uma assinatura, de um grande cansaço, de uma enorme alegria que (dá) a luta para a construção da esperança. 

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Há 44 anos! Com o Povo Português a acordar, e já com forças a procurar anestesiá-lo, “barbarituricamente”.

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Hoje, escreveria o mesmo. Decerto não exactamente assim… mas o mesmo!

sexta-feira, abril 13, 2018

Ontem foi 5ª feira! (e apenas se adiou o que TEM DE se impedir)

do (quase) diário:


13.04.2018

Ontem foi 5ª. feira e todas as 5ªs. feiras há mercado em Ourém. Faz parte da minha rotina de referências, ainda que poucas vezes o frequente.

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Por exemplo(s): as crónicas Às 5ªs. … feira!, no Récord do ano de 1972; nas “aventuras” teatrais.

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Todas as 5ªs. feiras sai o avante! (desde Abril de 1974!). Faz parte das minhas obrigações militantes a compra e, sobretudo!, a leitura.

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Só assim me sinto informado…como serviço mínimo.

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Algumas “opiniões” transformam a informação, ainda que dura e preocupante, num gosto de leitura.

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Por isso, às vezes não resisto à inserção no diário, nesta série de Textos & Contextos.

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Por exemplo(s):

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·        Jorge Cadima 

Tudo cheira a provocação
para inventar pretextos para a guerra
À beira do desastre
A campanha do alegado envenenamento do espião Skripal começou a ruir. Logo deu lugar a nova campanha sobre um suposto ‘ataque com armas químicas do governo sírio’. São as patranhas do partido da guerra, que abrem caminho a novas agressões, guerras ou ‘mudanças de regime’. Vários ministros israelitas, com as mãos manchadas de muito sangue palestino, pedem abertamente um ataque militar dos EUA à Síria (Jerusalem Post, 8.4.18). Israel lança mísseis cruzeiro sobre aquele país soberano, cujo território dos Montes Golã ocupa há meio século. Trump ameaça, secundado por May e Macron. A parada é hoje perigosíssima. Há o perigo duma aventura catastrófica, dum confronto directo entre as maiores potências nucleares do planeta, provocado pelo desespero das velhas potências imperialistas perante a sua irresolúvel crise sistémica, a sua decadência e perda de hegemonia económica, política e militar, e o seu fracasso na Síria e noutras frentes.
A propaganda nunca precisou de ser racional, nem basear-se em factos. Não tem de explicar por que haveria o governo sírio de usar armas químicas às portas de Damasco, quando já libertou mais de 90% desse território e negociava a rendição do último reduto. Nem por que haveria Putin de querer assassinar um espião inglês que o governo russo libertou em 2010, usando uma arma química que poderia ser ligada à Rússia, em vez duma banal arma de fogo (que, além de menos identificável, seria mais eficaz: o espião e a filha estão afinal vivos). Ou por que, sem razão aparente, escolheria fazê-lo uns dias antes das eleições presidenciais russas nas quais era candidato, e três meses antes do Campeonato do Mundo de Futebol que o seu país irá acolher. Tudo cheira a provocação, montada por quem quer inventar pretextos para a guerra.
O historial de uso de armas químicas pelas potências imperialistas é longo e terrível. Inclui o uso de armas químicas pelos ingleses contra a Rússia bolchevique, no Verão de 1919, a mando de Winston Churchill (The Guardian, 1.9.13). E o uso em larga escala pelos EUA de armas químicas (como o Agente Laranja) nas suas genocidas guerras no Sudeste Asiático. Ainda hoje nascem crianças deformadas, como resultado dos seus efeitos. A actual histeria anglo-americano-israelita sobre o alegado uso de armas químicas é duma hipocrisia sem limites.
O verdadeiro ‘crime’ do povo e governo sírios foi terem resistido com êxito, e com a ajuda dos seus aliados da Rússia, Irão e Líbano, a mais uma guerra de agressão imperialista. É estarem a libertar a Síria e a derrotar os tenebrosos bandos de terroristas fundamentalistas que há muitos anos o imperialismo arma e financia, com a ajuda das mais bárbaras ditaduras do Médio Oriente (sempre sustentadas pelas ‘democracias ocidentais’) e do Estado sionista que massacra com impunidade o povo mártir da Palestina. Perante a derrota dos serventuários, os mandantes assanham os dentes.
Impõe-se a vigilância face ao perigo duma monumental provocação dos partidários da guerra, que encaram a Humanidade como o ministro da Defesa de Israel, Lieberman, vê os palestinos que massacra: «não há civis inocentes na Faixa de Gaza» (Times of Israel, 8.4.18).

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·        Anabela Fino 
Xosé
Todos os lugares e todos os dias têm histórias por contar, e por maioria de razões os locais e os tempos em que por força das circunstâncias se concentram gentes e atenções. Não é segredo que não raras vezes as histórias que passam à História carregam tantos silêncios, tantas omissões, tantos desígnios espúrios que em certas ocasiões se torna indispensável, para um correcto entendimento dos factos, raspar a patine do tempo e resgatar do olvido o que não pode nem deve ser esquecido. É o caso do conjunto formado pelo hotel Palestina, 7 de Abril de 2003 e José Couso, elementos que hoje pouco ou nada dirão à grande maioria das pessoas.
Em plena guerra do Iraque, no entanto, toda a gente sabia que o hotel Palestina acolhia os jornalistas internacionais que cobriam o conflito. Cadeias de televisão de todo o mundo divulgavam crónicas dos seus correspondentes feitas a partir das varandas do hotel transformado em quartel-general da imprensa, mostravam imagens colhidas através do telhado ou das janelas dos quartos, a exemplo do que sucedia com jornais e revistas. Era a guerra em directo como nunca antes tinha sido visto. É por isso que o sucedido no dia 7 de Abril de 2003 não só nunca devia ter ocorrido como continua a suscitar, 15 anos depois, a maior revolta: um tanque dos Estados Unidos atacou o edifício. Mais tarde a Associated Press citará militares norte-americanos que referem que estavam a ser alvejados por um atirador furtivo a partir do hotel e que conseguiram ver homens com binóculos no telhado do edifício a vigiar as movimentações dos soldados da coligação. Era mentira.
O «atirador furtivo» era José Couso, jornalista, e a «arma» dos disparos que não houve era uma câmara. Como então noticiou o Público (8.4.2003) «pouco depois do primeiro disparo foi declarado cessar-fogo na zona e que as tropas americanas decidiram não disparar sobre o hotel». Uma decisão tomada demasiado tarde. No local ficaram vários feridos e um morto, José Couso.
O inquérito do costume deu o que é costume: o Pentágono negou que as suas forças tenham cometido negligência e garantiu que os soldados norte-americanos agiram em defesa própria... Tiro de tanque contra uma câmara!
A família de Couso, que acusa Bush, Blair e Aznar – a troika da guerra às armas de destruição massiva que não existiam – do assassinato do jornalista, luta há 15 anos para que lhe seja feita justiça. Em vão. Após a reforma da lei da justiça universal em Espanha ter encerrado o processo e dos sucessivos governos terem imposto a lei do silêncio à morte matada do câmara e repórter fotográfico galego Xosé, o caso está agora em recurso no tribunal constitucional.
Década e meia depois, quando os novos senhores da guerra inventam novos cenários de ataques para servir as suas estratégias belicistas, o silêncio sobre o crime que vitimou José Couso continua a matar.

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... como entendo dever 
 tentar divulgar!

quinta-feira, abril 12, 2018

... E TUDO SE MOVE

... apontamentos para um diário:


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O mundo parece ter entrado “em parafuso”… como acontece de tempos em tempos após períodos de aparente acalmia.

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Isto é, enquanto tudo borbulha, ou, dito de outra maneira, enquanto prosseguem ininterruptas (e imperceptivelmente para os distraídos... ou não) as mudanças quantitativas.

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É a Síria, é a Venezuela, é o Brasil, é o espião e a filha assassinados... mas que não morreram, e se “não pega” isto ou aquilo é de novo a Síria e, de novo, as armas químicas tiradas dos armários das campanhas orquestradas e manipuladoras.

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Até onde e até quando?

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Lembrei-me, agora, já se reparou no que fizeram do animado e animador BRIC?

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Malhas que o imperialismo tece!

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E, no meio disto, cá por casa (et por cause), a dramática realidade do “assassinato” do Serviço Nacional de Saúde, conquista ao serviço de um direito, e a “redacção do menino Mário” no Público de ontem, sobre os seus “trabalhos de casa”, verdadeiro libreto para opereta celestial.

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Eu – como centenas milhões de eus – “não sou Centeno”!

domingo, janeiro 07, 2018

Isto anda tudo ligado... TáVisto!

do diário (em TEXTOS e CONTEXTOS):

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Para começar, achei interessante a maneira como Ana Leonardo (leitura já desta madrugada) “pega” na passagem de número de ano, de 2017 para 2018, coincidente, ou quase, como a que a que eu fiz por aqui,
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Porque assim foi convencionado que se datasse.
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Aqui.
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Sim, porque em muito lado, e para milhares de milhões de gente, está convencionado que seja tudo (dias, horas, anos) de outra(s) maneira(s).
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Depende dos fusos, e não só, cujos são, também, convenções.
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Tudo igual, ou que já foi ou que ainda não ou que nem será ou que será diferente em função calendária determinada por outras convenções (e rituais) completamente diversas destas que a nós respeitam ou que nos fazem respeitar.(…)]

 (…)

particularmente aquela referência aos “milhares de milhões” de que ela (e eu…) se lembrou, bem como à paciência dos chineses e outros povos asiáticos

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Ainda procurando não perder tudo o que merece ficar guardado, registo mais este TVisto do Correia da Fonseca sobre a Lei de Financiamento dos Partidos e a manipulação da comunicação social de que me ocupei e me preocupa como sinal de que nos não podemos distrair

 

- Edição Nº2301  -  4-1-2018

O pretexto e o vírus
Foi por volta do Natal, o que aliás foi generalizadamente considerado como circunstância agravante ainda que por razões alheias à religiosidade que foram aprovadas as alterações à da Lei de Financiamento dos Partidos Políticos. A iniciativa dos deputados teve imediatas consequências que muito se pareceram com alarme social, bem se podendo dizer que num certo sentido incendiou o País e que as chamas da indignação se propagaram por todo o lado com o prestimoso sopro que lhe foi dado pela comunicação social em geral e pela televisão em especial. Não surpreende: no nosso País está desde há muito generalizada a aversão ao deputado quase sempre integrada na mais geral aversão a «os políticos» que faz parte da herança ideológica deixada pelo fascismo sem que ninguém tenha tomado em mãos a tarefa cívica e higiénica de a desmontar e desmentir. É sabido que o doutor Salazar odiava «os políticos», gente antipatriótica geralmente paga por Moscovo que alimentava condenáveis sonhos de liberdade e democracia, e por isso ordenava ao seu aparelho propagandístico que os bombardeasse com detracções e calúnias. Metamorfoseada em vírus de actividade permanente, essa estratégia foi herdada por boa parte dos media posteriores a Abril que lhe dão bom uso quando a situação é propícia e até quando não o é. Este caso da alteração à Lei do Financiamento dos Partidos foi para eles um presente dos deuses decerto movidos pelo espírito do ditador de Santa Comba.

Emboscado

É possível e até provável que as repercussões deste episódio sejam limitadas e se dissipem rapidamente, dele sobrando para o sentimento colectivo um agravamento da imagem dos deputados na avaliação da chamada opinião pública. Neste aspecto cabe dizer, naturalmente que com a devida vénia e todo o respeito, que os senhores deputados há muito que deveriam ter adoptado estratégias de autodefesa da sua reputação e de desmentido de calúnias explícitas ou implícitas que contra eles sejam disparados. É que não se trata apenas deles mas também e sobretudo da democracia. Talvez mereça ser recordado que uma boa parte dos golpes de direita que regularmente vão acontecendo por esse mundo fora se «legitima» invocando o combate à «corrupção». Dir-se-á que o nosso País está ao abrigo de algum risco desse género, mas nem assim é saudável que a reputação pública de «os políticos» seja abandonada às manobras dos que são caluniadores por uma vocação reforçada por encomendas de raiz fascizante. E aqui chegamos talvez ao âmago da questão: é de fascismo que se trata ou, no mínimo, de um caminho para ele que, nunca o esqueçamos, já não usa fardas nem braços estendidos mas subsiste no afecto e até já nos comportamentos de muita gente, e que agora serviram para a disseminação e reforço do vírus que está sempre por aí, emboscado. E utilizável.
 Correia da Fonseca 

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sexta-feira, novembro 24, 2017

Para o quase-diário - um 25 de Novembro, o de 1967

Seria para o quase-diário, que durante anos escrevinhei, não estivesse ele "em estaleiro"... Por isso, vem para aqui o que se me impõe registar.
Acabávamos de almoçar quando a vizinho que, por dias combinados, nos vem ajudar em lides caseiras entrou, e depois das saudações, me perguntou se eu me lembrava das cheias de há 50 anos, de que ouvira coisas na televisão e mal se lembrava tão pequena era mas, de que guardava uma recordação.
O que ela veio trazer-me!!!
Andava há uns dias com esse dia na memória a aguardar espaço (ou tempo) para a ele voltar, por efeito de mails (do Jorge Vasconcelos, por exemplo) e outros sinais, mas a vizinha Rosa, com o seu questionar, despoletou tudo, isto é, fez arranjar tempo (ou espaço) para recuar 50 anos.
Nesse dia 25 de Novembro de 1967, a Estampa organizara um colóquio para, com os depoimentos nele gravados e segundo a coordenação e apresentação de Urbano Tavares Rodrigues, vir a editar o 2º volume de uma nova colecção - Polémica - que lançara.
O tema proposto foi A Condição da Mulher Portuguesa e a editora (e o coordenador) incluíra-me entre os depoentes, como economista a parceirar com uma socióloga (Isabel Martins, mais tarde também escritora conhecida como Isabel Barreno), quatro escritores (Isabel da Nóbrega, Augusto Abelaira, Natália Nunes e Agustina Bessa Luís) e uma jurista (Maria da Conceição Homem de Gouveia).
O colóquio realizou-se no fim da tarde. E chovia!
No meu depoimento, comecei com o lamento/justificação por, com tais interlocutores, ter de me atribuir a tarefa de "(...) apresentar os áridos números, (e) sei que isso me pode tornar no desinteressante estragador de troca de impressões vivas, sobre temas vivos.(...)".
E chovia lá fora!
Depois de prologar a introdução/lamento, disse:
"(...) Mas vamos às tarefas auto-atribuídas. Lá fora, aqui ao lado, há frio, há fome, há quem apanhe chuva.(...)".
Era o dia 25 de Novembro de 1967. De há 50 anos. Só horas depois se teve a clara consciência da tragédia que, estes anos passados, se assinala, particularmente com a justa lembrança (vivida por alguns de nós) da solidariedade dos jovens estudantes universitários e do Partido Comunista, então na dura e violenta clandestinidade, mobilizada para minorar a tragédia sofrida pelos de "ali ao lado"!

A propósito, ao folhear o livro, deparei-me com este trecho do depoimento de Isabel Barreno:
«(...) Um dia, a assistente social foi visitar a oficina, viu as mulheres trabalhando ao torno, e, conversando com o contramestre, mostrou-se muito satisfeita com a promoção daquelas mulheres, "e elas agora ganham o salário de um torneiro não é verdade?"; o contramestre disfarçou, mostrou-se pouco à vontade, "bom, por enquanto não, por enquanto são aprendizes"; a assistente social insistiu, "sim, mas depois vão ganhar o mesmo que os outros torneiros, não é?", e o homem então resolveu entrar a direito no assunto: "oh minha senhora, não diga isso, parece mal, as mulheres a ganharem o mesmo que os homens, até parece comunismo".(...)».
Ah!, pois parece...

segunda-feira, março 13, 2017

Discutível selecção "expressa" em 2 tempos -1º

Na verdade, o caderno Economia do Expresso é um manancial… pelo menos para mim,

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Não se pretende fazer uma espécie de revista de imprensa mas uma ilustração selectiva que ajude a fixar o que se vai passando no universo, nas suas variadas dimensões.

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E, por fixar, vou-me fixando nalguns “cromos” que me vão informando opinosamente, em termos de textos, contratextos para melhor se perceber o contexto.

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Na página 4, apanho logo com a coluna do JVPereira, que revela como a lupa com que vê a realidade está embaciada, não suportando a… geringonça.

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Tem um pó ao BE que até espuma e, quanto ao… outro,  faz lembrar aquele “boneco” do Herman-José-que-deus-lá-tem, o diácono Remédios, que nem o nome podia ouvir; esse tal PCP é de um outro mundo – e é mesmo!... –, de que é melhor nem falar… não existe, pronto.

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Então neste fim-de-semana foi uma defesa aguerrida, exorbitada, da presidente do Conselho Superior das Finanças e do governador do Banco de Portugal. 


(….
(...)

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O curioso é que, mais uma vez, na página 5, jogo a seguir, Nicolau Santos faz uma “anatomia e dissecação” de uma entrevista do governador do BdeP em que, em 4 pontos, considera a sua defesa “demasiado, frágil, contraditória ou incongruente” 

(…
(...)

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Como é evidente, muito mais coisas se poderiam aproveitar destas leituras (fugitivas) de fim-de-semana, mas ainda aproveito duas.

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A coluna periódica de Paul de Grawe à volta do futuro para a Europa (não será para a União Europeia, para começar… e acabar?) a partir dos cinco cenários Juncker.



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Dos quais, é quase unânime a insatisfação, que a reunião dos “4 grandes” (que é que isto me faz lembrar, dos tempos de juventude, nos meados dos anos 40?)

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Diz o professor belga que eles – os cenários… – podem não acontecer tal é a incerteza do futuro!

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quarta-feira, agosto 31, 2016

"Não são os deuses que dormem, nós é que os sonhamos"

de  factos i relevâncias:

31.08.2016

Antes passar às coisas terrenas, do chão e do céu, da natureza e dos seres humanos, da vida e da luta, um pequeno (porque grande seria a obscenidade) desabafo sobre o que acabo de “ouver” do Brasil.

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O julgamento linchamento político da Dilma (que não idolatro nem odeio, que nem conheço pessoalmente de lado nenhum) é um episódio asqueroso, insuportável.

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Há alguns personagens dessa ignomínia à democracia que fazem discursos que parecem retirados, palavras ocas ou cheias de peçonha, discursos tristemente irónicos, do que estou a ler – como obra literária de enorme valia – em que estou a fazer, como escreve Domingos Lobo, no avante! , uma viagem “…pelo mais obscuro e silente da nossa condição em conjunções de abismo, de caverna, de esconjuros…” , discursos que nele se incluiriam “… como uma missa negra, lírica e grotesca, a que preside, com o terror do silêncio e da ausência (Não são os deuses que dormem, nós é que os sonhamos, pág. 229)”. 
 
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É curioso como nesse livro – Não se pode morar nos olhos de um gato, de Ana Margarida de Carvalho –, de que saboreio gostosamente a escrita e onde, por vezes, me arrepio e sofro pelo que fomos e somos, já anotara (na página 73), entre meia dúzia de frases, aquela que Domingos Lobo cita da página 229, e que é o título do “capítulo amarrado” (o 6º), numa escrita em que algumas delas serão como que uma coluna vertebral de uma escrita em língua portuguesa rica, prolixa, fecunda.

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E por aqui me fico, pois nem esta obra me leva ao atrevimento de escrever sobre literatura e Ana Maria de Carvalho obrigar-me-ia a fazê-lo se, como estou a pensar enquanto escrevo, vier a transcrever estas notas de diário.

terça-feira, agosto 02, 2016

Excerto do diário de hoje

Lá consegui (...) e ler uma boa ilustração do que chamam economia, no Expresso curto (joáo Vieira Pereira):
«… No sábado passado o BCP interrompeu o meu jantar para comunicar que Guo Guangchang queria comprar entre 20% a 30% do banco. Ontem as ações abriram eufóricas. Mas foi sol de pouco dura. Depois de terem estado a subir mais de 12% acabaram a sessão na bolsa a perder quase 5,4%. Não é caso para dizer que é “gato por lebre” mas diria que “aqui há gato”.

É que a Fosun vai comprar até 30% do BCP a um preço de €0,02 por ação, metade através de uma colocação privada, e a outra não se sabe muito bem a quem. A primeira parte é um ataque gigante ao bolso dos atuais acionistas que se veem privados de participar neste aumento de capital. A segunda é uma incógnita, o que em mercados normalmente rima com preço no vermelho. Para já o BCP diz que a proposta é positiva e que o investidor é credível. Se da segunda há poucas dúvidas, da primeira parte fica a pergunta: positiva para quem?

Do Novo Banco saiu Eduardo Stock da Cunha e entrou António Ramalho. Pelo menos assim devia ter sido, mas não foi. O novo presidente ainda espera o aval do BCE. Talvez hoje.»

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1.     … “o sol de pouca dura” fez com que quem tivesse vendido 1120€ de acções na manhã cedo, as poderia comprar ao fechar da sessão  por  994,6€, ganhando 117,4€, isto é (s.e.o.) , 10,5% em poucas horas (cont(h)abilisticamente!);
2.      Eis uma pergunta… credível (!): “ … Para já o BCP diz que a proposta é positiva (da concretização de um negócio!) e que o investidor é credível. Se da segunda há poucas dúvidas, da primeira parte fica a pergunta: positiva para quem?”…  e para os trabalhadores, cujo despedimento deve fazer parte do “pacote” da negocia ção?!
3.     No Novo Banco - a parte “saudável” (!!!) do BES, parte pôdre deste apodrecido mecanismo bancário da formação social capitalista -, vai haver substituições no topo, numa outra negocia cão, em que –inevitavelmente, haverá rescisões “amigáveis”, reformas antecipadas e mais trabalhadores borda fora (para onde?)… e para tudo, até para a troca de nomes de presidentes - se espera a decisão de Frankfurt!  

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Até quando?!

sábado, julho 23, 2016

“A Ignorância e o Interesse transformam o coração humano em milhares de monstros!”

(…) sentei-me aqui sem ter ideias, sem trazer aquelas matérias que me sobre(a)ssaltam e me põem à escrita.

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Ora acontece que, há dias, me tropeçaram os olhos num título e me caiu nas mãos um livro dos que por aí andam em desarrumo.

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O título é Dificuldades que tem um reino velho para emendar-se – e outros textos, e o seu autor Ribeiro Sanches (1699-1783) pela mão de Vitor de Sá.

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Quem é que resiste a um título destes?

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E tem o livro andado por aqui, pelo meio destes papeis mais próximos à espreita de uma oportunidade de maior atenção.

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Calhou esta manhã.



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Desde antes, um objecto-livro cuidado, da Editorial Inova, e logo a abrir uma dedicatória que me apanhou e prendeu a recordações.


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Esta dedicatória (de oferta) do Vitor de Sá, que eu tanto admirava (todo o seu labor, as bibliotecas itinerantes, a bracarense intervenção cívico-política durante o fascismo), faz-me pensar no que esperaria ele do jovenzito que eu era em 1971 (com mais de 30 mas já com largo cadastro...).

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Pelo menos, que lê-se o livro e o aproveitasse mais que o folheasse, e que não o juntasse a tantos outros adiados.

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E tem sido mais um dos muitos adiados, e aqui está, 45 anos depois, à espera que eu o aproveite.

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(dificuldades que tem um reino velho para emendar-se)

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Estou “apanhado”!

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Numa carta, escreve Ribeiro Sanches sobre o que e como escreve:
“(está a carta) mal escrita e concebida (mas) se VM me não permitir esta liberdade temo que jamais pegaria na pena (…) quando escrevo é de uma vez, e não tenho forças para ponderar todas as circunstâncias naquele instante”.

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Subscrevo por baixo (o que é redundante…) substituindo “jamais pegaria na pena” por “deixaria de teclar”…

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Assim se passou a manhã, como atrás se lerá e adiante se verá se, do que folheei e li, alguma coisa vier a aproveitar no curto prazo e para aqui.


(…)

Para mais, intrometeu-se esse senhor Ribeiro Sanches, pela mão do Vitor de Sá (que deus os tenha…), que me está a dar gosto conhecer e aproveitar (à parte, mas não à margem, das suas tendências ou opções sexuais, que o Vitor de Sá não explicita – ia lá meter-se na vida privada do homem… – mas que me parecem ter sido evidentes e bem condicionadoras do seu caminhar pelo mundo, com nascimento em Penamacor, bulir pela Europa toda, com longa estadia em Moscovo e outras Rússias, e muitos anos finais (morreu aos 84 anos) em Paris, onde se apagou à beira da Revolução para que terá colocado, talvez sem intentos de militância, o seu tijolo de pensador reformador.

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Mas, para agora e para aqui, aproveito do cientista reputado e cidadão “estrangeirado” e patriota sem trégua toda a vida de exílio, autor de Cartas sobre a educação da mocidade, estes pequenos trechos… para passar a outras cousas, também do tempo presente mas mais pressionantes.

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“É da obrigação do Soberano cuidar da Educação da mocidade, destinada a servir a pátria em tempo de paz e de guerra, destinada a servir os cargos da Religião, tanto para o bem dos povos, como para a felicidade do mesmo Soberano. Daqui vem que ninguém deve ensinar legitimamente em Escola pública sem autoridade Real; daqui se segue que um Secretário de Estado devia presidir a todas as escolas tanto de ler e escrever (fundadas só nas vilas do Reino, e proibidas nos lugares e Aldeias do Reino) como as escolas das línguas Aritmética, Geografia, Geometria, Colégios seculares ou Eclesiásticos Seculares e Universidades.
(…)
“…Os Religiosos nos seus Conventos poderiam ensinar a Filosofia e a Teologia, com permissão da doutrina que ensinavam: mas ensinar publicamente lhes seria defendido, como defender conclusões publicamente, imprimi-las, graduar-se de Doutor, ou de Bacharel. Entre os seus Prelados é que se julgaria aqueles que deviam pedir a permissão aos Bispos para pregarem e confessarem depois de exame feito a Eles, e com o consentimento do Secretário de Estado dos Estudos do Reino.
(…)
“A Ignorância e o Interesse transformam o coração humano em milhares de monstros!”

(de PRECAUÇÕES NECESSÁRIAS PARA QUE O REINO VENHA A GOVERNAR-SE UM DIA SOMENTE PELA JURISDIÇÃO REAL)