quinta-feira, agosto 09, 2007

postalinhos...

(do caderno VII "os primeiros dias segundos", ontem):

Fui almoçar ao Borsalino.

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"Borsalinadas", claro, na toalha de papel…

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A diferença entre os homens!

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Como os homens são diferentes!

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Uns, falam alto, tão alto que todos à volta os ouvem…

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… até os que não os querem ouvir!

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Outros, falam baixo, tão baixo que nem os mais próximos os ouvem…

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… mesmo os que têm de os ouvir!

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Vivemos o tempo (histórico) da narcotização global.

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As questões fulcrais:

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1. Que mundo nos recebeu?

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2. Que mundo ficará para depois de nós?

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3. Que fizemos nós no intervalo?

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4. Para que contribuímos?

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5. Gozámos ao menos a nossa vid(inh)a?

UMA HISTÓRIA DE AMOR ou DE (S) ENCONTROS - 2

Parte 1
PRIMEIRO DESENCONTRO
POR AMOR DE DOIS


Intemporal
ou uma história do que é eterno enquanto existe

Não era igual. Não podia ser igual ao que tinha sido há 20 anos.

Mas continuava a ser amor.

Tinham, ao longo dos anos, criado o hábito de jantar num dia certo do ano no mesmo restaurante em que, há 20 anos, os juntara os primeiros convite e aceitação. Nunca falhara, apesar das idas e vindas, de dificuldades várias.

Não se tratava de comemoração, diziam, até porque houve anos em que alargaram o jantar a amigos porque dera jeito, sem que lhes tivessem comunicado alguma razão especial para aquele jantar, ou para que o jantar fosse só (ou particularmente) deles.

Mas, talvez porque 20 é um número redondo, naquele ano esperavam a data com alguma relativa ansiedade.

Talvez porque havia alguns problemas na vida de cada um que se reflectiam numa certa necessidade de se refugiarem na vida que deles era. Talvez porque novos trabalhos e outras tarefas mais os afastassem e fizessem sentir saudades do que continuava a ser.

Assim se disseram, e assim pensaram fazer.

Tendo falado disso com uma inabitual antecedência, naquela despedida que, como todas, semana a semana, já preparava o regresso.

quarta-feira, agosto 08, 2007

UMA HISTÓRIA DE AMOR ou DE (S) ENCONTROS

PRÓLOGO

Nada do que vai ser contado aconteceu.

Ou melhor (para que melhor se conte):
o que vai ser contado não aconteceu… mas podia ter acontecido!

Aliás, já está contado em várias formas e formatos. Mas apenas para “consumo interno”. Isto é, em círculo muito restrito. Entre os dois (quase) protagonistas.

Agora, vai sê-lo na versão folhetim-blog.

Novo, inovador? Não, decerto. Mas talvez sim…

Um episódio por dia (se não houver falhas…), durante 20 dias.

Com eventual prolongamento.

Duas informações

1.- No "blog" som-da-tinta continua a viagem no "cavalo de pau com Sancho Pancho". Atravessam-se, agora, as difíceis passagens dos encontros que, segundo Aquilino, Cervantes teria tido com o Santo Ofício, entre a 1ª e a 2ª parte do D. Quixote. São conversas muito interessantes, de que se retiram curtos (?!) excertos, a partir do que Cervantes escreveu, analisado à lupa por aquele Tribunal, e como estas conversas teriam condicionado, dado Cervantes ser homem de "cautelas e manhas", a 2ª parte de D. Quixote. Sei que não estou a fazer a viagem sozinho mas, ainda que o estivesse, bem compensado me sentia...

2.- A partir de hoje, do próximo "post", e durante 20 dias, vou publicar o (meu) primeiro folhetim-blog. Será a 1ª parte de UMA HISTÓRIA DE AMOR ou DE (S) ENCONTROS, que terá 2ª parte ou não. Depende.
É uma história que estava há longos anos (para aí uma década) na gaveta, e tem tido vários tratamentos formais. Vamos ver o que vai dar este...

terça-feira, agosto 07, 2007

Quem é que ganhou?...

- Então… como foi o jogo?

- Ahnn… não percebi lá grande coisa…

- Mas quem é que perdeu?

- Neste jogo os que perdem não jogam…

- ‘Tá bem… então, quem é que ganhou?

- Os que ganham sempre… aliás o jogo não acabou.

- Ah não!, porquê?

- Por avaria técnica… tudo muito esquisito...

- E agora?

- Agora, o jogo continua… isto é um verdadeiro casino!

- ... e sempre os mesmos a perderem sempre e sempre os mesmos a ganharem sempre.

- 'Pera aí... não foi o James Bond que disse nunca digas sempre?... ou foi o Jardim Gonçalves?... Se calhar foi o outro...

- Olha que não, olha que não... se calhar foi o Marx...

postalinhos...

As fotografias entraram-me pelos olhos dentro, li os títulos, passei adiante.

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No actual estado de cousas, não é tema que estime prioritário.

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Apesar da questão tornada central serem mais de 20 mil euros por mês (e quantos meses?)… isto são apenas trocos.

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Bem mais no cerne, no osso, estão os milionários lucros dos bancos, das seguradoras e etc. e tal, em confronto com o papel que se quer atribuir ao Estado e aos seus trabalhadores, aos directores-gerais e… aos outros, à ralé.

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Aliás, as fotografias não me foram agradáveis à vista – o homem não é fotogénico (do que não tem culpa nenhuma… nem o fotógrafo) – e não gosto de dedos espetados.

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E os títulos, se escolhidos para serem atractivos, repeliram-me.

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Tal como não gosto de dedos no ar em frente do nariz, aquelas coisas do estilo “o erro está…”, “a maior doença é…”, “os piores ganham demais” são demasiado afirmativas, pesporrentas, para meu gosto, repelem-me.

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Agridem-me.

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Entretanto, e talvez pelo último título citado e pela aparente consensualidade que rodeia as frequentes afirmações e aparições públicas do senhor, dei por mim a querer reagir.

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Não que sinta qualquer acicate (ou invejinha) por o trabalho do homem ser tão excelentemente remunerado (mais em 1 mês que em 4-anos-4 de salário mínimo, quase tanto em 1 ano como em 30-anos-30 de um salário de 1000 euros mensais!)

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Não que defenda qualquer forma de igualitarismo e de menosprezo pelos méritos de cada um.

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O que me faz reagir é que defendo, defendi e defenderei, uma organização da sociedade em que, havendo direitos – à vida, ao trabalho, à saúde, à educação – que são universais, isto é, de todos, tal como há o dever de cada um contribuir para a satisfação deles à medida das suas capacidades, a partir desses pressupostos os seres humanos devem ser compensados proporcionalmente ao seu contributo para o bem-estar colectivo.

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E, depois, quando o “reino da liberdade” puder substituir o “reino da necessidade” porque haverá abundância, cada um deverá ter acesso ao que lhe satisfaça as suas necessidades, entre elas, claro, a de trabalhar e de ser útil a todos.

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Não que defenda a aplicação mecânica de fórmulas que, pela sua simplicidade, se podem tornar simplistas, mas, no caso e com as ditas reservas, parece-me oportuno lembrá-las.

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Se não, a sociedade assemelhar-se-á a uma selva de individualismo e competitividade.

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Haverá quem goste… enquanto se sentir com força predadora.

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Por mim, opto pela solidariedade.

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Feitios…

segunda-feira, agosto 06, 2007

Eu queria responder ao Marquês...

... mas o Marquês, recolhido no albergue dos danados, não se deixa comentar. Aliás a minha resposta à pergunta seria uma pergunta: Qual Guadalupe Müller tem a ver com a máquina dos flippers (ou com os matraquilhos?), a Vanina, a Beatriz ou outra qualquer?.
Poupa-me, pá!

Leituras na madrugada

"Um sistema que se baseia na corrupção de figuras públicas não pode tratar bem figuras públicas que se recusam a ser corrompidas".
(Confissões de um mercenário económico - a face oculta do imperialismo americano, John Perkins, ed. GESTÃOplus, Cascais 2007)
... e tão mal as trata que, por vezes, as (consegue) assassinar... como o autor tão bem sabe e, confessando, o conta...

domingo, agosto 05, 2007

Informação

No blog Som-da-Tinta "postaram-se" mais dois pequenos (?) excertos de No cavalo de pau com Sancho Pança, os 45 e 46 da série, estes sobre justiça e juízes no caminho percorrido por Aquilino Ribeiro (e nós com ele por excelente companhia) para chegar à governação como forma de arbitrar equidade, como exemplificou Sancho Pança enquanto Governador da Baratária.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Postalinhos...

Algumas notas (postalinhos) tomadas no "expresso" para Lisboa:

O BE tornou explícita uma ligação com o PS. Esta, na Câmara de Lisboa. Saúda-se a transparência. Não os transparentes… à força.

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Em Timor-Leste (Lorosai) também é tudo transparente, a começar onde acaba, no sr. Ramos Horta, e a acabar onde começa, no sr. Xanana Gusmão. É tudo muito simples.

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É tudo e todos e sempre contra a Fretilin.

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Porque será?

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Terá havido alguém, em grupo privado, restrito, e em comentário aparte, a usar expressões susceptíveis de serem consideradas ofensivas.

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Terá havido outro alguém – desse grupo privado e restrito – a ir delatar a um “superior hierárquico” o que disse esse primeiro, e o “superior”, do cimo do seu poder(zinho), terá punido.

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Não sei se estamos perante um caso de “liberdade de expressão”, ou de “direito de opinião”, ou de “censura”, ou dessas coisas assim.

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Parece-me que não.

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O que eu sei é que houve “bufaria”, o que eu sei é que, com base nela, houve um “superior hierárquico” que julgou e castigou.

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Face à celeuma que tal encadeado de factos desencadeou, “superiores hierárquicos” do “superior hierárquico” tentaram remediar a situação criada, a modos de quem põe remendos em ruim pano.

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E deu-se um significativo volte-face na abordagem mediática do incidente, ou sucessão de incidentes.

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Apagou-se o delator e o acto de delação, apagou-se o “superior hierárquico” e o acto de punir com base na delação.

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Ficaram, como únicas relevâncias, os protagonistas e os actos das extremidades: aquele que veio a ser punido e a sua evidente má-criação que está na origem da punição, aqueles que vieram remendar a situação sem a colocarem, obviamente, na posição anterior à delação e à punição.

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Para mim, importante é o que se quer apagado, a delação e a punição.

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O resto são diversões…

terça-feira, julho 31, 2007

Depende do estado de espírito...

Quando, esta manhã, resolvi terminar com esta série final (não definitiva...) de No cavalo de pau... tinha duas ilustrações "em carteira". Dependia dos textos de acompanhamento dos parágrafos finais de Mestre Aquilino que saíssem. Sairam aqueles... E, por isso, saiu aquela/esta fotografia, da edição da Bertrand, que não refere a autoria das gravuras.
A que estava em alternativa, seria a que vai abaixo, de Dom Quixote contado às crianças (por Rosa Navarro Duran com ilustrações de Francesc Rovira, tradução de António Rebordão Navarro, edição da Campo das Letras). Mas o estado de espírito era outro... embora, por vezes muito com esta mais me identifique (e a que gosto de chamar "as tresleituras"... de que sou sujeito e atreito).



No cavalo de pau com Sancho Pança - antecipação 5

Aquilino, ao assumir a tarefa de fazer dessa obra monumental que é D. Quixote uma versão - portuguesa - que a não desmerecesse, não se ficou por aí. Juntou-lhe um ensaio em que os povos e as nações se encontram nas diferenças que o tempo foi construindo e cimentando. Se "Cervantes leu o horoscópio da sua pátria numa hora de iluminado. E posto a pintar um louco sublime com tintas facetas, saiu-lhe, sim, a Espanha grandiosa e trágica", como termina "No cavalo de pau com Sancho Pança", Aquilino também teve a sua hora de iluminado (muitas teve...) e pintou o povo português, talvez "hispano europeizado", sempre europeu porque aqui nasceu, nunca espanholado por integração espúria. Apesar do garrote da economia e das finanças.
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A nós, os portugueses, Keiserling não achou melhor que classificar-nos de espanhóis degenerados. Não é bem assim. Somos hispanos europeizados, ou evolutivos. Em verdade, a nossa terra apresenta grande unidade étnica. Se essa unidade se expressa, acima de tudo, por univalência psíquica, direi que o minhoto se parece tanto com o alentejano como o algarvio se diferencia do galego.
O bocado de massa que não levedou ao fermento castelhano, na grande masseira que é a Península, adquiriu personalidade distinta de estrato antropológico.
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São os últimos parágrafos de No cavalo de pau... Acabo esta viagem. A ela voltarei porque apenas antecipei o seu final. Ao prazer que a viagem me foi dando (e a que regressarei quando a retomar), veio juntar-se alguma pena, algum amargor. São assim as viagens... Nunca sempre por caminhos em que só se olha em frente ou só para o que é belo e gozo nos dá.

segunda-feira, julho 30, 2007

No cavalo de pau com Sancho Pança - antecipação 4

Assim se chega, passo a passo, ao penúltimo passo. Nesta antecipação a que nos trouxe uma recente provocação que mais oportunas tornaram estas páginas do ensaio de Aquilino sobre D. Quixote . Talvez amanhá se publique a última (nota e página) para, depois, no blog Som-da-Tinta se retomar a tranquila que até aqui, depois nos trará de novo. E não será viajar estar sempre à procura dos lugares em que já estivemos ou quisemos ter estado?
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Adeus, de Espanha nem bom vento nem bom casamento. O vento são as ideias particularistas, de alor filipino, as opiniões próprias o modo de ver o mundo. Não nos convém. Somos um povo pacato, incaracterístico, inimigo do absoluto, ao contrário do espanhol. Tudo entre nós é comedido, se quiserem, água de rosas e papas de linhaça. A Espanha é o D. Quixote, um homem eminentemente perigoso, como dizia o Canhoto estalajadeiro. Nada de tirar palhinha nem fraguar com ele. Exclamava Unamuno, num hotel vesgo de Hendaia: Temos de matar D. Quixote para que viva Alonso Quixano, o Bom. Então a Espanha entrará a valer no concerto das nações.
Cada espanhol traz dentro de si, pequeno ou grande, um Engenhoso Fidalgo, mais disfarçado, menos disfarçado. Toda a história de Espanha é a aventura do cavaleiro manchego. Está compendiada nas suas três surtidas. Escreve Manuel Pinheiro Chagas, com lúcida compreensão: “E a Espanha sente bem ali no D. Quixote a sua própria imagem. Ri-se dos seus entusiasmos mas sabe que pouco basta para lhos despertar de novo”.



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Não (nos) parecerão muito agradáveis as ideias que, No cavalo de pau com Sancho Pança, Mestre Aquilino deixa dos portugueses. "Águas de rosas e papas de linhaça"... que é lá isso? empertigar-se-á o orgulho luso. Releve-se que é, apenas, para fazer o contraste com o absoluto dos nuestros hermanos, com o sempre eminente perigo que são, com a panela de ferro de que nos deveríamos precaver em vez de contra ela arremetermos, "panela de barro" que seremos. Como inimigos? Não. Como irmãos e vizinhos.

sábado, julho 28, 2007

No cavalo de pau com Sancho Pança - antecipação 3

Lisboa ao tempo da escrita de D.Quixote
- cidade e quase-capital da Ibéria
Mais um pequeno percurso, até à página 331, e quem sentiu em cada passo dado a vontade de parar, aqui não pode deixar de o fazer. Em duas pinceladas alguns traços (coloridos) sobre o povo português e a questão essencial da língua. Sem faltar o toque, leve e essencial, sobre o lusitano-galaico.
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Não existia povo, no sentido de corpo social com sentimento de que vivia por virtude própria e segundo leis adequadas, mas uma rebanhada de famintos, espoliada primeiro pelos reis nacionais, sobretudo por D. Sebastião que precisou de dinheiro a todo o custo com que equipar o exército de África, e o cardeal-rei, que lançou derramas sobre derramas para resgatar fidalgos do cativeiro, nanja os mecânicos, que esses ou se naturalizaram moiros ou apodreceram cristãmente na escravidão, finalmente por Filipes e quadrilha, não menos rapaces que os governantes das dinastias legítimas.
Operou-se de novo a bipartição e julgamos que para todo o sempre. A datar daquele ano, as duas nações cada vez se apartaram mais em carácter, tendências e gostos. Na língua acima de tudo. (…)
A melhor forma de cimentar a etnicidade de um povo consiste na posse e uso de um idioma próprio. Ora dia a dia, com a evolução que se foi efectuando inelutável e profunda, mais o português se tornou português, tão longe do espanhol, repetimos, como do francês ou italiano. Longe vai a conjunção em que o castelhano se podia prevalecer do nosso idioma, como de um dialecto, o dialecto lusitano-galaico. Escapámos ao amplexo da boa-contrictor e só é pena que, derruído o solar da mãe celta, os dois filhos mais ocidentais, Portugal e Galiza, se olhem por cima de muros.
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Por isso, se à Galiza fores em funções ou passeio (e vale bem a pena), português podes (ou deves?!) falar. Estarás em Espanha mas és português, e entender-te-ão esses espanhóis que, como galegos que são, até te agradecerão. E não farás a figura ridícula, em que os portugueses são contumazes, de arremedar outras línguas falando um português adulterado.

sexta-feira, julho 27, 2007

No cavalo de pau com Sancho Pança - antecipação 2

Dei, em cima do cavalicoque, um pequeno salto. Passei à página 329. Pensando como se ajusta bem a história da panela de ferro e da panela de barro. Tendo os dois países negociado a um mesmo tempo a adesão às Comunidades Europeias, as negociações foram muito diferentes, e dessa altura, meados da década de 80, não me canso de lembrar a advertência de que a negociação nossa não salvaguardava os nossos interesses (especificidades lhes chamávamos), e que corríamos o risco não de nos "europeizarmos" (como se dizia) mas de nos "iberizarmos"... e como panela de barro. Até porque, da parte da Espanha, não foi assim, nunca foi assim. E continua a não ser. Não receiam ser "maus alunos".
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Cá e lá repetem-se horas por horas, cuidados por cuidados, ânsias por ânsias, como a água que corre nos dois territórios. Quando o Engenhoso Fidalgo se joga contra os rebanhos de carneiros que na sua fantasia alucinada toma pela hoste do soberbo Alifanfarrão, Sancho arranca do fundo do peito: Mal haya yo! O Zé Povinho usa de igual expressão nos desesperos e arrelias: - Malo haja!
Em que divergem? Pois, e profundamente, no psíquico. Parecendo-se de modo flagrante, todavia não são os mesmos. Isso que é imponderável, imensurado, inapreensível ao espéculo, germinou, cresceu, dispartiu-se de todo e formou tipos diferentes. Como? Vá lá saber-se como elaboram os cadinhos subterrâneos em matéria de antropologia! A pequena molécula bioquímica cá e lá, bafejada por ventos morais, desenvolveu-se noutra direcção. O português em suma não é o espanhol.
Portugal estaria para Cervantes no conceito de província que andara escapa à soberania do seu rei e voltava ao redil.
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Depois, Aquilino discorre de maneira admirável sobre o Tajo (gutural e incisivo, bruto) e o Tejo (doce e morna palavra, povoado por Cervantes com ninfas e dríades... e não tem tudo de ninfa Dulcineia?). Mas não se pode transcrever tudo! Por hoje, ficam estas duas antecipações.

No cavalo de pau com Sancho Pança - antecipação 1

No blog Som da Tinta tenho vindo a fazer uma "viagem", daquelas que muito gozo dão. Depois de uma releitura em livro descoberto num alfarrabista, comecei a transcrever trechos do ensaio de Aquilino Ribeiro, No cavalo de pau com Sancho Pança, e de alguns vim aqui trazer amostra. Já vou na "etapa" 44 e só ainda cheguei à página 208. E comecei a impacientar-me. E a procurar pôr o cavalicote a galopar. Porquê? Porque sabia que as últimas páginas vinham "mesmo a matar" para uma celeuma que aí se levantou... Por isso, resolvi aqui trazer essas últimas páginas, em antecipação, vindo a retomar o seu lugar no Som da Tinta quando chegar a altura. Serão 5 antecipações, e logo pela primeira se verá a razão desta pressa. Na página 327, dizia-nos Mestre Aquilino:
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Nós, que somos hispanos, no bom significado do termo latino e medieval, mas não espanhóis, como pretende Madariaga, quebrámos os vínculos políticos com Espanha em 1640, e não há que rever, nem por sombras, o gesto decidido dos nossos avós.
Para o castelhano das três dimensões, homem de touros e zarzuela, nunca se desvaneceu o sonho da união ibérica. Livrem-nos os fados de tal conjuntura! Alianças ou conúbios destes seriam como os da panela de ferro e da panela de barro, levadas na corrente de um rio. Nós, dum momento para o outro, poderíamos ficar escaqueirados. Olho no monstro: ainda quando nos aparece como filósofo salvador é sempre Caliban. Sem dúvida que aparentou sempre discursador da beatitude terrena em Deus do Céu.
Com Espanha – dizia Mazarin – são de desejar todas as boas relações de vizinhança. Mas fique-se na cortesia. Se ides mais longe, às duas por três, sem vos consultar, nem dar cavaco, o vosso aliado manda queimar as naus. Não que o faça sempre por trancafio, mas por orgulho, indómito orgulho, e que mais não seja para exercício da vontade, ou pôr à prova o estado da senhoria que lhe é visceral.
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Que tal? É apenas uma amostra. Amostra de um tema que, a propósito de vários momentos do livro de Cervantes, é abordado por Mestre Aquilino. Naturalmente. D. Quixote foi escrito e editado no período em que os Filipes eram reis de Portugal...

Assim sendo...

“Foi assim”, diz elaZita.
Ah! Foi? E terá sido assim que foi, para esta que ela é hoje, tão outra relativamente ao que ela era quando teria sido assim?
Por isso, assim conta que foi assim. Como se tivesse sido.
E há uma corteZita boba a acenar com a cabeça, a fazer vénias e salamaleques, a aproveitar-se do que ela escreve para dizerem: vêem como foi? Foi assim!
Mas… para quê gastar tanta cera com tão ruim defunta?
Talvez lá tenha de ser, como reacção necessária a toda a cera que é gasta para alumiar a defunta e tornar útil uma múmia.
Talvez.
Será que ao coro dos coiros há mesmo que responder com a verdade das coisas? E, por outro lado, a indignação perante certos comportamentos também não resiste a vir manifestar-se com veemência.
Cá por mim, para este consumo interno, e depois de tanto ter lido e ouvido, apenas deixo uma constatação e uma lembrança muito pessoal.
Foi assim comprovado que D. Zita, ao tempo em que assim teria sido alta dirigente do PCP, conspirava em reuniões e jantares em sua casa, às quartas-feiras com o Sr. Vital Moreira, que era já putativo secretário-geral, escolhido à revelia das regras estatutárias e democráticas de que o PCP se orgulha, noutros dias “em plena dissidência, jantava tudo lá em casa”, segundo disse na RTP1, que não lhe poupa antena.
E para que conspiravam?
Pois “para evitar o declínio sem remédio do PCP”, dizi(t)a ela; pois para “a superação da crise que, sem aquela (renovação do Partido), o conduzirá, a breve prazo, a um irreparável definhamento”, escreveu o vital Moreira.
Assim se explicará a enorme contrariedade que sofrem e denotam os então conspiradores por não verem comprovados, como tanto desejariam, o “declínio sem remédio”, o “irreparável definhamento” do PCP.
E assim se compreende que tanto se continuem a esforçar para que eles – "o declínio" e "o definhamento” – aconteçam.
Ainda acrescento, por mero desfastio, uma lembrança muito pessoal: como militante de base, participei, há uns 25/30 anos, numa iniciativa do PCP, em que a dirigente Zita Seabra coordenava uma secção, e coube-me a tarefa de ir para a mesa e de a secretariar.
Foi a única vez que nos cruzámos em tarefas partidárias, e foi uma experiência penosa.
Sempre convivi mal com o autoritarismo, a falta de respeito pelos outros, a prepotência, e mais ainda quando a postura “muito dura mas relações humanas”, “a frieza de um revolucionário” (“qualidades” para si invocadas por Zita Seabra em Foi assim!) são uma espécie de máscara que esconde a fragilidade de convicções, a falta de caboucos ideológicos, a ausência de um “gostar dos outros” que, estas sim, são – a meu ver, claro – as qualidades de quem quer ser revolucionário. Toda uma vida. Com os erros e as fraquezas que inevitavelmente a preencherão.

terça-feira, julho 24, 2007

Extracto (adaptado) de uma espécie de diário

(...)

Da Constituição de 1976, uma das coisas que retive, eu que era – e sou – leigo e fui atento admirador de quem teve a tarefa de a redigir e aprovar, foi que, dada a existência de vínculos entre empregadores e trabalhadores, e havendo o pressuposto – dado o sistema em que se vivia … e vive – de, nesse vínculo, a parte mais frágil ser a que está na posição de “empregado”, se constitucionalizou que a essência das normas deveria proteger essa mais desfavorecida parte da relação contratual.

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Era, digamos, a “filosofia”.

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Entretanto, a vida correu, a recuperação de privilégios foi uma cavalgada, pouco a pouco, legislação do trabalho a legislação do trabalho, se veio desvalorizando e precarizando o vínculo, sempre em prejuízo dos trabalhadores, na fronteira ou nos limites consentidos por essa “filosofia constitucional”.

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Agora, os “patrões” das confederações patronais jogaram uma carta, uma carta forte, aproveitando o ambiente reformista (?) do poder político, deste governo: subverta-se, de vez, a Constituição e a sua “filosofia”.

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Sob a capa falaciosa de uma igualdade contratual (ou de que as partes do vínculo têm a mesma força), exige-se que se protejam os empregadores, que se permita que se tratem os trabalhadores – a sua força de trabalho – como uma mera mercadoria.

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Pior: que se faculte o despedimento da “mercadoria” pela justíssima causa de ter opiniões, opções político-partidárias, de tomar posições cívicas, de fazer greve, de se manifestar, de se sindicalizar (em certos sindicatos, claro…).

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Onde é que já se viu uma mercadoria pensar! "Reprima-se a mercadoria que pense!"

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"Mude-se a Constituição. Se for preciso…"

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Há constitucionalistas prontos para essa tarefa. Ou frete.

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E o sr. ministro do trabalho está a ver em que param as modas.

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Atento, venerador e obrigado.

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Tudo a bem da Nação!

No cavalo de pau com Sancho Pança - 43 (versão para anónimo do séc. xxi)

Por outras paragens continuo esta viagem. Por ela me perdendo e achando. Agora ando por onde Mestre Aquilino, no seu ensaio, nos vem contar das "controvérsias a quatro" que antecederam e acompanharam as aventuras do engenhoso fidalgo quando Alonso Quixano era ou a ele voltava para recuperar de tanta tareia que D. Quixote levava. Conversas com o bacharel (Sansão Carrasco), o barbeiro (Mestre Nicolau) e o cura (Pero Pérez). Controvérsias que assim contadas - sobretudo as que entretinham o cura e o bacharel, que o sempre futuro D. Quixote, "menos lido em teologia do que em novelística", coçava o toutiço que tantas voltas dava, e o barbeiro quase só ouvia - estariam bem em qualquer lugar (do livro) e em qualquer tempo (da história). Como neste estão.
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A Alonso Quixano preocupava-o sobretudo o problema do mal (...) Simão Carrasco, um dia, à puridade, com brusquidão formulou o terrível raciocínio: bem e mal em si não existem. Bem e mal são os termos em que se processa a luta pela vida. (...) Ter mesa farta, fêmea ou fêmeas para o gozo, a habitação que convém, vestir-se condicentemente com as estações, ser respeitado e temido, eis grosso modo os requisitos que na vida da espécie e, gradativamente, na do indivíduo, determinam os actos do bem e do mal. Ora no dia em que o homem encontre a satisfação das necessidades fundamentais, sem recorrer à violência, ao suborno, ao esbulho mercê de qualquer espécie de predomínio, está esconjurada a peste do mal humano. O homem não será anjo, mas poderá chamar irmão ao seu semelhante.
- E o meu senhor que faz dos templos? - observou sem acrimónia, mas com ar dissaborido, o licenciado Pero Pérez, que ainda ouvira o resto da proposição.
- Resta sempre na vida muito de impenetrável que fornecerá ao homem um pretexto plausível para continuar a tremer maleitas metafísicas - respondeu Sansão Carrasco, com humor.
Para Alonso Quixano, admitindo que o homem, segundo a lição do Resgate, tivesse recuperado o gozo do livre arbítrio, desligado por conseguinte da condenação primeira, certas pessoas eram mais responsáveis do que nunca pelo mal que continuava a lavrar à superfície da terra. Sobretudo os poderosos, os fortes, esses que faziam a lei e articulavam a justiça, e os seus executores, que de coração venal ou leviano cometiam os maiores atropelos contra a humanidade.
Por isso mesmo Alonso Quixano, o Bom, se sentia impelido para a missão augusta que os livros de Cavalaria inculcavam.
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Mas que estou eu a fazer? Não posso tanto transcrever. E estas são "viagens" para abrir apetites para leitura. Por isso me forcei a parar. E fui à vida. A outras vidas. Tão torto está o mundo, e eu deleitado à desmedida com a escrita sobre quem ensandeceu por tanto o ter querido endireitar. Na versão aquilina. Irresistível.

sábado, julho 21, 2007

Há coisas que muito esquecem a quem não aprendeu

O sr. José Pinto de Sousa, vulgo “primeiro ministro” e conhecido (embora não lá muito reconhecido) como “o engenheiro Sócrates, veio, com a sua arrogância peculiar, afirmar que não recebe lições sobre liberdade dos comunistas portugueses.
Já cá se sabia que “o engenheiro Sócrates” é avesso a receber lições, sobretudo dos comunistas portugueses. Aliás, ele faz parte daquela elite que não tem nada a aprender. Que, se calhar, nunca teve…
Mas é mesmo pena!
Esses tais comunistas portugueses têm muito a ensinar aos engenheiros Sócrates deste País sobre o que é a liberdade, como se luta por ela, o que se sofre ao perdê-la por por ela se lutar.

No cavalo de pau com Sancho Pança - 39

Aqui vou. Cavalicando. Contente por estar indo. Procurando o passo certo. Tanto caminho já feito e tanto caminho ainda falta. Vou na página 184 e não quero (porque não posso) transcrever todas as mais de 330 deste livro de maravilha(s).
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D. Quixote, não obstante as jaças de que está mareado, jaças observáveis num belo mármore se o examinarmos à lupa, é um livro eterno. Eterno como o herói, embora forjado com metal único, metal que só se encontra no subsolo psíquico de Espanha. E, por muito que o submetamos à pedra de toque gramatical, léxica, literária, fica pairando imune à análise mais severa e meticulosa. É que cavaleiro, não obstante os vínculos locais, está completo dentro de qualquer homem. Bastas vezes, sopitado como Durandarte sob os filtros de Merlim. Não raro, imóvel no fundo da jaula convencional, contemptor das leis morais e cívicas, e inveterado endireita do mundo torto.
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Por aqui paro. Não por longo ter sido o percurso, mas porque a frase "inveterado endireita do mundo" me obriga a parar. E a apear e a ficar uns momentos a reflectir sobre o mundo torto e a vontade (inveterada) de o endireitar.

(de O Som da Tinta)

Profecias e aleivosias

Como seria inevitável, até porque Saramago o quis provocar, as "profecias" do não-profeta sobre a integração de Portugal numa futura Ibéria, deram especulação e escândalo.
Por mim, tenho pena.
E pronto.
Ponto final seria.
Como nunca gostei de responder a provocações, também a esta (que, evidentemente, me não era dirigida) não reagiria.
Mas se se quisesse discutir o tema num plano sério de dinâmica macro-estrutural, do que representou como iberização o modo como foi negociada a adesão de Portugal às CE, de como assim se desserviu o povo português, estaria disposto, e até gostaria, porque é uma das minhas predilectas (pobres) reflexões.
Agora assim!...
O chorrilho de disparates e de abusos interpretativos que provocou a provocação, só por si tê-la-iam bem dispensado.
A título de exemplo, o Jornal de Leiria, na sua 3ª página, do Fórum (e editorial), escolheu para “Facto da semana” "Saramago defende que Portugal passe a ser província espanhola", o que é uma interpretação abusiva do que Saramago disse, e em resposta a uma pergunta.
E, entre os convidados a comentar a “ideia defendida por Saramago”, um senhor muito conhecido, muito mediático – Loureiro dos Santos, general – saiu-se com esta “(…) Em relação a essa posição de Saramago, ele fá-lo por razões de interesse próprio, o que aliás vem ao encontro da teoria leninista-marxista que ele professa. (…)”.
Se acho não merecerem discussão as "profecias de Saramago" (que se afirma "não-profeta"), incomodam-me as manifestações de ignorância arrogante como as do sr. Loureiro dos Santos, general.
E tudo isto, esta falta de seriedade, me faz pena.

quarta-feira, julho 18, 2007

Postalinhos de ontem...

...hoje (ontem...) foi um dia em que senti necessidade de escrever.
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Mas não tive oportunidade.
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Só agora, depois da reunião de direcção do JO, é que consegui alguma disponibilidade, mas queria ver se não entrava pela madrugada dentro.
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Ando com um peso efemérico…
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Durante o fim de tarde que estive na Som da Tinta, anotei o que chamei “temas”, e o primeiro de todos era sobre "aquilo que fui... quando me não reconheço no que era."
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É que estive “entretido” – antes de (e sem conseguir) passar à escrita – a tropeçar em fotos do "tempo efemérico" (há um ano, precisamente…)
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Não é fácil!...
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A isto voltarei.
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Porque a efeméride se prolonga…
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Entretanto, mais temas tinha nas “notas”, a começar pela “grande vitória socialista” nas eleições em Lisboa.
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É que o ambiente forjado de “grande vitória” agride a inteligência… de quem se quer minimamente informado.
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A lista do PS teve menos de 30% (com mais de 62% de abstenção), de certo modo se repetindo a “cena” das presidenciais, com uma Helena Roseta a fazer o papel de Manuel Alegre.
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(Ou terá sido o contrário?!)
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Esta “gestão Sócrates” polariza em si (bemol?) e divide os exércitos próprios, promovendo o aparecimento de “independentes”.
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E, por isso, para quem se propunha a maioria absoluta, que só com 9 vereadores, ter conseguido 6 é uma "g‘anda vitória", não há dúvida!
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Além de que não ter conseguido que a sua “independente”, tivesse mais do 10,2% e 2 vereadores, o que não dá para conseguir maioria (6+2<9!)
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No entanto, a "g’anda vitória" foi a enorme derrota do PSD, com o seu candidato oficial a não conseguir melhor que ser 3º, depois do seu candidato "dissidente" (o que é pior – para o respectivo partido – que candidato “independente”) tendo, os dois, 3+3 vereadores…
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… e, também, a ainda maior derrota do PP ao quadrado, isto é, Partido Popular/Paulo Portas, com uma votação minúscula e 0-vereadores-0.
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Pergunta-se ele, o PP2, como é que, em Portugal, se pode ser oposição, e vdiz que ai reflectir sobre isso!
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Que estranha reflexão.
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De qualquer modo, nós não o podemos ajudar, nós, os únicos que, como partido, soubemos responder quando, em Portugal, ser oposição era outra coisa… era ser resistência ao fascismo!
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Daqui o que fica, tirado o folclore BE e do seu “Zé” que apregoava que fazia falta, e mais outros que tais?
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Um resultado muito significativo da CDU, acima de 9,5% (que pena não se ter chegado aos dois dígitos!) e mantendo dois vereadores!
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O que foi conseguido após uma campanha em que, talvez como em nenhuma outra, por razões circunstanciais a juntar às razões essenciais de sempre e cada vez mais presentes, se silenciou a campanha do único partido que está "fora do jogo", que “é esquerda”.
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Num sentido claro para esta coisa de “ser de esquerda”, e que tem a ver com a raiz da expressão que a faz assimilar a ser de “outra classe” que não da que está no poder…
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Desta, “da classe que está no poder”, são todos os outros, estejam em partidos, repartidos, independentes e dissidentes.
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Havia mais "notas" e "temas", e mais escrevi, mas, para aqui e para agora, ficam estas.

sexta-feira, julho 13, 2007

A frase do dia

(já na madrugada...):

são tão piores uns como os outros!

segunda-feira, julho 09, 2007

Boas leituras!...

O psicanalista, professor, Osvaldo Campos de seu nome, tomou para si os males dos pacientes (e dos impacientes) e, por eles, os males do mundo.
Sentiu que agir era preciso. E veio logo a pergunta como agir?
A acção é a primeira regra. Depois, há a do tempo e a do modo, e surge logo a regra do perigo. Entretanto, insinuou-se a regra do dolo formando as cinco regras. Mas foi-se impondo uma última regra, que “eles” queriam definitiva, a regra do silêncio. Da sombra. Por isso, combateremos a sombra.
No entanto, o leitor lembra que há mais regras. Porque é preciso ir mais fundo na acção para que, no tempo e no modo, se vença o dolo quando se afronta o perigo e se querem quebrar o(s) silêncio(s).
Duas outras regras são indispensáveis: a da história, isto é, a da luta de classes (desde que e enquanto); e a do colectivo, a de tomar partido, a que Maria London grita para fazer coro com os passos batendo no chão do cemitério: “Deixem-me abraçá-los, milhões!”.
Assim é preciso. Para que não fique tudo como o agir "duma bondade defeituosa, uma bondade de parvo, uma justiça de doido”. De um homem só, psicanalista, professor. Só. Apenas com a companhia da ficção literária combatendo a sombra.

Quanto pesa uma alma?

Procurando outras perguntas, Combateremos a Sombra.


quarta-feira, julho 04, 2007

Postalinhos

“Dantes, o roteiro da arte moderna terminava em Madrid.
Agora começa em Lisboa”,
Sócrates dixit, eufórico, desbragado,
na entrega da colecção Berardo.

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(quem e o quê se entregou a quem?!)

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Há gente assim!

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Antigamente, gente desta pensava que depois de mim, o caos.

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Agora, gente desta também pensa que antes de mim, o deserto.

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Construamos a frase:
EU sou o TUDO,
depois do NADA, do DESERTO,
e antes do CAOS, do NADA!

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Tanta ignorância e soberba incomoda,
mas não só.

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Faz mossa.

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Porque há poderosos (e seus interesses… de classe)
que dela se aproveitam,
tornando os seus portadores e usufrutuários
em seus serventuários.

domingo, julho 01, 2007

Algumas "máximas" minimamente contraditadas - 3

(continuação)

Diz-se cada coisa… São o “máximo”! Vêm do “pinsamento” de Sócrates (e de quem o segue... ou de quem ele segue). Passam por verdades absolutas de tanto se repetirem. Mas têm de ser contraditadas por vezes à maneira de perguntas. O que se faz minimamente (em itálico, quando o que apetecia era soltar o vernáculo…).
.
O mérito, claro: o mérito! O mérito, e só o mérito. Que é lá isso da antiguidade ser um posto?! Já nem na tropa… (Mas quem avalia o outro, quem decide do mérito dos trabalhadores?) Ora quem haveria de ser? Os chefes. (Insisto: mas teria de haver critérios de avaliação do mérito alheio e aquilo que parece mais importante é fixar quotas. Só 5% podem ter desempenho excelente…) Claro! Se não fosse assim acontecia o que é costume: todos, ou quase todos, os trabalhadores a terem notação de excelente. (… dada por quem?) Ora… pelos chefes! (Quer dizer: os chefes, desde que tenham quotas são criteriosos na avaliação dos subordinados, sem quotas são maus avaliadores; ou seja, só são bons avaliadores se forem maus… para os trabalhadores!).

(continua)

Algumas "máximas" minimamente contraditadas - 2

(continuação)

Ouvem-se…) coisas que são o “máximo”. São ditadas pelo “pinsamento” de Sócrates (e “pinsadores" da mesma “escola”) reflectindo a epiderme da realidade. Há quem as aceite como se fossem a realidade profunda. Mas não o são! O que, minimamente que seja (o que se faz em itálico, embora apetecesse fazê-lo em vernáculo…) , tem de ser dito.

Aquilo que campeia, hoje, é a “calanzisse” dos trabalhadores, que só pensam em enganar os empregadores, acabado que foi, evidentemente, o tempo histórico da exploração do homem pelo homem (mas estes são pressupostos que a realidade desmente em toda a evidência!). Os empregadores não exploram os trabalhadores, estes é que estão sempre a tentar enganar os empregadores (sejam os privados, seja o Estado) [Do que não há dúvida é que, para se continuar a explorar, e para mais e melhor se explorar, há que convencer os cidadãos (a começar pelos trabalhadores por conta de outrem ou do Estado) que os trabalhadores só com bastão e cenoura é que funcionam, em particular os "funcionários públicos", como "eles" dizem. O bastão do desemprego e da precariedade, a cenoura das progressões por mérito!].

(continua)

Algumas "máximas" minimamente contraditadas - 1

Dizem-se (e ouvem-se…) coisas que são o “máximo”. Sobretudo a partir do “pinsamento socrático” (e de discípulos da “escola”). E passam por verdades absolutas de tão repetidas são. Mas há que as contraditar. Minimamente que seja (o que se faz em itálico, quando o que apetecia era fazê-lo em vernáculo…).

Reformar é preciso (mas não os trabalhadores, aqueles que à reforma tenham ganho o direito…). Uma reforma decisiva é a que substitui promoção por progressão nos trabalhadores da função pública. A primeira é consequência do tempo na carreira, a segunda é fruto do mérito. Progresso, sim!, promoção, não! (… mas não se deveriam complementar em vez de uma substituir a outra? Pelo tempo na carreira, e como um direito, ser-se-ia promovido; por mérito, progredir-se-ia!).

(continua)

sexta-feira, junho 29, 2007

A pouca vergonha

Lá que a vergonha era pouca já se sabia.
Agora que seja tão grande a pouca vergonha não se podia esperar!

A ignorância atrevida e arrogante

Convivo com muita gente que nada (ou muito pouco) sabe de coisas que eu sei porque a vida me proporcionou aprendê-las (também é verdade que nada sei de outras coisas que eles sabem...). Não é por isso, por não saberem de coisas que eu sei, que lhes chamo ignorantes.
Mas já chamo ignorante atrevido e arrogante ao "coleccionador de arte" que faz alarde, o alarve, de ter começado a sua caminhada de décadas e milhões a juntar obras de arte quando foi enganado ao comprar uma cópia da Mona Lisa que julgava ser um original, sem saber quem era o autor, nem querer saber, mostrando continuar a não se importar com isso. E nada revelar que tenha um pingo de consciência (e de pena) do ignorante que é.
Incomoda-me, pronto, o atrevimento, a alarvidade, a arrogância, e também - e mais - a vassalagem que é feita àquele ignorante a arrotar euros. Incomoda-me, pronto, coitado de mim, que sou pior que ignorante (e em tanta coisa o sou )... que serei intelectual, como ele diz quando quer ofender alguém. Mesmo que esse alguém só saiba ler e escrever...
Ah!, e não ponho nenhuma fotografia do dito comendador porque já nem o posso ouvir ou ver a cara estanhada.

quarta-feira, junho 27, 2007

Às vezes, lembram-se de mim. Aveiro, 26 - 3

As "orações" introdutórias terão cumprido a sua função. Até com uma de um alemão que falou em inglês e foi traduzido para português.
Disseram-se coisas interessantes. Das que eu disse não escrevo... mas não me senti envergonhado com o que disse, embora tivesse a perfeita convicção que estava ali a dizer coisas que não são para serem ditas. Porque não querem ser ouvidas. Paciência... Convidaram-me!Como de costume, foi muito agradável e sempre útil ouvir o prof. Adriano Moreira. É um senhor e fala com fundamento e reflexão. Pode haver, aqui ou ali, algumas coisas que suscitariam outros caminhos porque por alguns ele não quer ir, mas aprende-se ouvindo-o.
E é reconfortante (embora não dê alegria) que um dos argumentos mais levianamente usados para provar os benefícios da "Europa" (quando se deveria dizer União Europeia), que é o da paz inatacável e duradoura que veio trazer ao Velho Continente, sempre por nós combatido por ser falso, falaccioso, seja assim desmantelado pelo prof. Adriano Moreira:
"... o programa dessa unidade manifesta duas insuficiências de concepção e até apoios ideológicos contestáveis. Começando por estes (...) insistir na paz no espaço europeu implica esquecer que não foram resolvidas as questões da ETA e da Irlanda, que a absorção dos problemas da desagregação da Jugoslávia é desafiante, que Chipre inquieta, que a memória da questão dos sudetas está viva, que as questões das fronteiras exigem cuidados. Finalmente, a definição da política de alargamento apropriou o conceito da NATO - levar a liberdade do Atlântico aos Urais - para estabelecer os limites geográficos pressentidos. Não se conhecem estudos de governabilidade que tenham antecedido alargamentos, conhece-se o trajecto contrário que é o de o alargamento exigir pensar na governabilidade, esta a dominar a tema da Constituição."

E mais se poderia transcrever. Com e sem acordo, sempre com utilidade.

Às vezes, lembram-se de mim. Aveiro, 26 - 2

A comissão dos assuntos europeus da Assembleia da República decidira que a conferência sobre a PESC, integrada no ciclo sobre os desafios do futuro da Europa seriam na Universidade de Aveiro.
Éramos três os oradores. Ou melhor: os "artistas convidados". Depois, seguia-se intervenção dos representantes dos grupos parlamentares, pausa para café antes do debate e do encerramento.
Era assim que estava no programa. E assim foi, com as tolerâncias horárias excedendo as ditas académicas, num excelente anfiteatro, desoladoramente com muito mais lugares vagos que preenchidos, demonstrando que não basta ir aos sítios... E, no caso, o lugar era indicado para se falar do assunto, ou do tema, ou dos desafios, ou do que se lhes queira chamar.

programa
09h00 Recepção dos participantes e entrega de documentação
09h30 Sessão de Abertura -Presidente da Comissão de Asssuntos Europeus, Deputado Vitalino Canas
Oradores
09h45 Adriano Moreira
10h05 Volker Heise
10h25 Sérgio Ribeiro
10h45 Intervenções dos Grupos Parlamentares:
Armando França (PS)
Jorge Tadeu Morgado (PSD)
Honório Novo (PCP)
Nuno Magalhães (CDS-PP)
Alda Macedo (BE)
11h15 Pausa para café
11h25 Debate
12h45 Encerramento da Conferência
Presidente da Comissão de Asssuntos Europeus, Deputado Vitalino Canas

Às vezes... lembram-se de mim. Aveiro, ontem - 1

Tenho andado num virote. Até porque, às vezes, lá das assembleias republicanas por onde andei anos a fio, se lembram de mim. Nunca fui de fazer muito barulho ou de me mostrar muito. Até porque nunca fui, só estava. Por só estar (e muito era) querer estar. E em tarefa (do partido que tomei e de representante democrático). Mas... às vezes lembram-se de mim. E lá vou. Há umas semanas foi sobre a produtividade, ontem foi sobre a PESC.
Isto que acima foi dito não serve, apenas, para justificar ausências mas para vir contar coisas.

domingo, junho 24, 2007

No espaço Som da Tinta

recebemos, neste blog:


INFORMAÇÃO-CONVITE


no dia 30 de Junho,
pelas 16 horas
Joaquim Castilho
vai apresentar
o seu livro
no espaço



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haverá, em seguida,
uma pequena feira de livros, com grandes descontos

quinta-feira, junho 21, 2007

Agora!

¡Urgente! Cinco Cubanos Inocentes estão presos nos E.U.A
por defenderem Cuba do terrorismo
procedente da mafia anticubana de Miami.
Reclama-se JUSTIÇA

quarta-feira, junho 20, 2007

Não sabemos tudo...

... mas algumas coisas vamos sabendo do que outros não querem que todos saibamos.

Comunicado del Observatorio de Medios sobre libertad de expresión y democratización de los medios de comunicación Social

Por: El Observatorio de los Medios
Fecha de publicación: 19/06/07

A propósito de los acontecimientos surgidos a raíz de la no renovación de la concesión a la empresa 1 BC, propietaria del canal RCTV, el Observatorio Global de Medios, capítulo Venezuela, se pronuncia en los siguientes términos:
1. Administración pública del espectro radioeléctrico
El espectro radioeléctrico es un bien público que, según el ordenamiento legal venezolano y el de la mayoría de los países del mundo, es administrado por el Estado en beneficio de la sociedad. En tal sentido, debe reconocerse que la decisión sobre la renovación o no de una concesión a una empresa privada de TV es potestad soberana del Estado.
2. Libertad de expresión y empresas privadas
La no renovación de una concesión sobre el uso del espectro radioeléctrico a una empresa privada de TV no se corresponde con un acto de violación a la libertad de expresión, máxime cuando dicha medida es acompañada de la inmediata salida al aire de otra señal televisiva, con vocación de servicio público.
Afirmar lo contrario, como han hecho repetidamente empresarios de diversos medios y otros actores sociales nacionales e internacionales, equivale a proponer el derecho a la renovación automática a las empresas de carácter privado, que disfrutan por un tiempo limitado de la concesión sobre un bien público. Conlleva también la renuncia, por parte del Estado, a su obligación de administrar estos bienes, en función de la garantía de la pluralidad de voces existentes en la sociedad.
Se trata, además, de una pretensión que parte del falso supuesto según el cual empresas privadas, que responden a intereses económicos y políticos de sectores particulares, son actores privilegiados y garantes del libre y democrático flujo de ideas y opiniones.
3. La democratización del espectro radioeléctrico
Una sociedad democrática requiere de un sistema de comunicación social también democrático, por lo que es responsabilidad del Estado adoptar medidas orientadas al logro de tal fin. En este sentido, en Venezuela se ha avanzado desde el año 2000 a través de diversas iniciativas, entre las cuales se pueden mencionar las siguientes:
Estímulo a la creación de medios comunitarios y la asignación de frecuencias a sectores sociales que cuentan con los requisitos para su habilitación, lo que ha permitido aumentar la pluralidad de voces y la circulación de ideas y opiniones excluidas de los medios privados.
Regulación de la responsabilidad social de los operadores, de acuerdo a principios y obligaciones que emanan de la normativa internacional sobre los derechos humanos.
Estímulo a la organización de usuarios, como medio para promover la participación ciudadana en el desarrollo y evaluación de los contenidos.
No obstante, el uso del espectro radioeléctrico venezolano continúa concentrado fundamentalmente en manos privadas y siguen observándose graves deficiencias en la calidad de los servicios en relación con los principios de responsabilidad social.
En ese sentido, la creación de una Televisión de Servicio Público es una medida que puede favorecer la democratización de la comunicación social, siempre que sea administrada bajo criterios democráticos y de alta calidad de contenidos.
4. Polarización política y proceso de decisión
Dada la debilidad de los argumentos sobre la ausencia de la libertad de expresión en Venezuela, que presentan los defensores de la continuidad de la concesión a la Empresa 1BC, cabe interpretar las protestas y posicionamientos surgidos a raíz de esta decisión como insertas en el esquema de enfrentamientos polarizados que ha caracterizado la lucha política venezolana desde 1999.
De esta forma, algunas organizaciones periodísticas, de derechos humanos (nacionales e internacionales) y los dirigentes de las organizaciones gremiales de los periodistas venezolanos, tomaron partido en el enfrentamiento actual, asumiendo posiciones en función de la defensa de los intereses de sectores económicos y políticos.
A este escenario contribuyó el que los procedimientos adelantados por las instancias gubernamentales en relación con la justificación y la correspondiente tramitación del proceso de cesación de la concesión, tuvieran déficit de participación social, tanto de usuarios como de los empresarios afectados por la medida. Lo contrario hubiera ampliado el debate público y el consenso social, en función de las razones para la no renovación de esa concesión.
5. El reto social y estatal de una TV de servicio público
En cuanto al otorgamiento de la concesión a un nuevo ente comunicacional que se define como de “servicio público”, conviene señalar que se trata de un reto social y estatal.
Un medio de comunicación con estas características debe:
Ser independiente y con autonomía editorial, lo que implica contar con una base legal, estructura organizacional participativa y régimen de financiamiento, que garanticen tal funcionamiento.
Contar con una estructura democrática en cuanto a la toma de decisiones, con la participación de periodistas, usuarios y trabajadores en general.
Ser pluralista en cuanto a la elaboración de contenidos.
Ofrecer una programación de alta calidad.
Asumir responsabilidades legales y comunicacionales ante la sociedad a la que se debe.

El Observatorio Global de Medios, capítulo Venezuela, considera que la actual coyuntura es propicia para profundizar el debate social y político sobre la democratización de los medios de comunicación social y la ampliación del disfrute del derecho a la libertad de expresión por parte de toda la sociedad.

Não sabemos tudo...

... mas algumas coisas vamos sabendo do que não querem que saibamos todos

Da BBC:

Martes, 19 de junio de 2007 - 01:07 GMT

ONU retira a Cuba de lista de DD.HH.

Cuba ya no será sometida a vigilancia especial por parte del Consejo de Derechos Humanos .
El recientemente creado organismo de vigilancia de los derechos humanos de Naciones Unidas, anunció el lunes que retira a Cuba de la lista de países cuyos antecedentes en el tema están bajo escrutinio especial.
El Consejo de Derechos Humanos, que reemplaza a la Comisión de Derechos Humanos de la ONU, acordó también que nueve naciones, entre ellas Corea del Norte, Camboya y Sudán, permanecerán en la lista.
El Consejo, creado por la Asamblea General el año pasado para buscar mejorar la imagen de Naciones Unidas en la protección de derechos humanos, tenía hasta el lunes para llegar a un acuerdo sobre su mecanismo de operación.
Dicho acuerdo fue alcanzado después de varias horas de negociación, y pese a objeciones de último minuto de parte de China.
Las nuevas reglas establecen también que todos los países miembros deberán someterse a escrutinios periódicos de su historial de derechos humanos.
Corresponsales indican que un fracaso en alcanzar ese compromiso habría podido destruir al joven organismo.

domingo, junho 17, 2007

Antologia - 2 (por hoje)

(...) Não existe só o poder, a classe dominante, com o seu comportamento historicamente determinável. Existe também o consentimento de indivíduos que têm algumas responsabilidades intelectuais, ou políticas, com a atitude de deixar andar, que no fundo é uma atitude cúmplice. Eu tentei exprimir isso numa cantiga chamada "Os eunucos". Isto é um país de eunucos(...) Vão acabar por se devorar a si mesmos, como diz o Brecht.
José Afonso
(Transcrito de Vale a pena lutar. Obrigado, Pedro)

sábado, junho 16, 2007

Palavras certas porque certeiras

O regime da desvergonha. Portugal é um fosso. Sabe-se isto não apenas por via da constatação do défice orçamental do estado. Sabe-se isto sobretudo pela evidente incapacidade política de informar decisões e de decidir sensatamente. O caso do aeroporto é um exemplo apenas. Campeia a incompetência. Grassa a irresponsabilidade. Não, não é pequenez apenas. É despudor e desfaçatez a rodos também. Nicky Florentino.
(em Albergue dos danados)
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Certas porque certeiras as palavras mas não todas. Faltam umas. Pelo menos duas ou três. Porque não é - SÓ! - incompetência e irresponsabilidade, e mais pequenez, e mais despudor, e mais desfaçatez. Então e os interesses por detrás de quem mostra tanta aparente/evidente incompetência e irreponsabilidade?, então com que palavras dizer dos cordelinhos e das teias (ou malhas) que o império tece? Talvez nepotismo, talvez servilismo (mas servir a que senhores de entre os senhores, deus meu)?
Mas talvez esteja tudo na palavra desvergonha depois de regime de. Talvez... talvez a palavra certa, certeira e bastante.
S.R.

Sem intuitos especulativos...

As Bolsas foram criadas, segundo se dizia e ensinava nas escolas, para serem o lugar onde se faz o encontro de quem quer comprar ou vender com quem quer vender ou comprar mercadorias ou títulos de valores mobiliários, através de operações financeiras que materializam as transacções.
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Usar esse lugar para especular (auferir lucros ilícitos, diz o dicionário...) é fazer das Bolsas... lugar de especulação.
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Assim se cria artificialmente riqueza, ou melhor: não se criando riqueza (valores de uso) transfere-se de umas para outras mãos a riqueza criada.
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E é, sempre, ao fim das contas, transferência das mãos de quem produziu para as de quem especulou, por ter passado a dispor de mais capital na forma dinheiro.
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Que haja quem ganhe dinheiro na Bolsa comprando e vendendo mercadorias ou títulos de valores imobiliários, e sem outra intenção que não seja a de comprar e/ou vender mercadorias e títulos de valores imobiliários, é outra coisa...
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Embora, por vezes, as fronteiras se ultrapassem quase sem se dar por isso.
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E o que o especulador faça com o produto da especulação não releva a ilicitude da especulação.
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Desculpa-se o especulador pela aplicação que o especulador dá ao produto da especulação vendo-se em todos os especuladores (maxime, em todos os exploradores) potenciais Robins dos Bosques ou Zés do Telhado?
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Roubam-se milhões aos trabalhadores, dão-se milhares a obras de caridade... e ganha-se o céu?

sexta-feira, junho 15, 2007

Antologia

distância do futuro

eu quero o verbo inconstante
e a voz selando o tempo
em sussurro permanente.

e ser sempre manhã,
mesmo de noite.

quero tanto tanto tanto
que o futuro não seja distante.

(de pedras contra canhões, em Open-source Poetry)
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Obrigado!
Também quero tanto tanto tanto que o futuro não seja distante...

Para abrir um parêntese...

Com muita saudade, uma foto de meus pais de que sempre gostei muito

O que é um especulador?

Olho para a capa (e as páginas interiores) de uma revista semanal e fico a saber que 8 dos “homens mais ricos de Portugal", em poucos meses ganharam €3,6 mais oito zeros (três mil e 600 seiscentos milhões de euros).
Como fiquei também a saber que todos esses zeros se somaram ao dinheiro que já tinham através da sua “habilidade para, em pouco tempo, o multiplicar (o muito dinheiro que têm...) em Bolsa”, deduzi, igualmente, que não foi criando riqueza, produtos, apropriando-se de mais-valias reais... essas coisas.
Isto é, foi transferindo riqueza líquida – em dinheiro – que estava noutras mãos, isto é, mais-valias já existentes, já resultantes de produção e exploração, por aqui ou por algures.
Não será isto especulação?
O mais pesporrento (e se calhar o único exclusivamente especulador) daqueles homens – por incrível que pareça iguaizinhos a todos nós – não se considera especulador porque, à pergunta, responde “o que é um especulador?
Porque é que não mete explicador?...

quinta-feira, junho 14, 2007

P.S. (isto é, post-scriptum ao postalinho aéreo...)

E, depois, fica-se a pensar se, bem vistas as coisas, o mais importante nem são as Opas e as Otas, se o mais importante não são as Anas, porque estas é que é preciso privatizar e o resto até serve de poeira (ou de fumo) para os olhos...

Postalinhos (em correio aéreo...)

Tinha-me prometido não falar da OTA. Como também me tinha prometido, em tempos, não falar, publicamente, da OPA.
Mas o homem promete(-se) coisas
e os nossos governantes dispõem. Pelas indisposições que nos provocam… para não dizer bem pior.
Por isso, decidi-me, face às “novidades”,
escrever uns postalinhos e, talvez, mandá-los, isto é, publicá-los.

Que o aeroporto da Portela tem os seus limites e limitações
é sabido de todos e há muito tempo.
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E começo com algumas recordações
(será que começo a só assim saber começar
as coisas sobre que escrevo?...)
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Logo no início da década de 70,
fiz parte de um gabinete de arquitectura
que tinha a incumbência (do Governo Civil de Lisboa)
de estudar o ordenamento da “área metropolitana de Lisboa”,
com a prévia consideração do Tejo dever servir para unir
e não para separar essa área metropolitana.
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O gabinete integrava nomes como os de
Francisco Pereira, de Gonçalo Ribeiro Teles,
de António Areosa Feio, de Bruno Soares,
e um dos itens para a discussão inicial do trabalho
a que se propôs o dito gabinete
foi o do estudo da localização do aeroporto,
havendo quem tivesse sublinhado o risco
de, um dia, um avião aterrar na avenida do Brasil.
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Pois quando tudo parecia bem encaminhado,
e se começava a projectar trabalho
com a hipótese da “Herdade de Rio Frio”
(mais como Portela + 1 que como novo e integral aeroporto,
se bem me recordo e se bem me adapto ao actual “calão”),
movimentaram-se fortíssimos interesses e,
à revelia da consideração prévia e definidora do projecto,
o estudo da parte sul do Tejo da área metropolitana de Lisboa
foi entregue a um outro gabinete…
e tudo perdeu sentido e ficou em “águas de bacalhau”.
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No entanto, o que a minha sensibilidade me diz
é que a hipótese “Rio Frio” foi ficando como reserva
ou subliminar para quando se voltasse a falar na necessidade
de adaptar o aeroporto de Lisboa às novas condições.
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Que mudaram imensamente nestes mais de 35 anos!
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Por isso, quando,
nestes últimos tempos (governos e/ou desgovernos),
comecei a ouvir falar de Ota e mais de Ota,
fiz cá as minhas muito pessoais conjecturas
(aquelas que se fazem com os respectivos botões)
isto vai dar raia…
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No desconhecimento das opções e condicionantes políticas
e dos estudos técnicos,
não me permitia ter opinião
a não ser a de que me parecia
um desperdício de recursos lamentável
o pressuposto de que a Portela,
com o que foi e com o que lhe foi sendo acrescentado,
era para desaparecer enquanto aeroporto.
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Com essa séria reserva,
remetia-me, como cidadão, ao benefício da(s) dúvida(s).
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Mas é lá possível ficar um cidadão descansado
com estes governantes!
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Depois da intransigência total,
da irreversibilidade absoluta, dos disparates argumentativos
que tocaram as fronteiras da insanidade,
o ministro que, num governo que prezasse a sua credibilidade,
estaria há muito em descanso nas areias do deserto ao sul do Tejo,
deu uma enorme cambalhota a toque de caixa da CIP,
associação do grande empresariado,
logo inevitavelmente com enormes interesses em jogo
– neste como em todos que neste país se vão fazendo –,
e veio dar, o tal ministro, todos os ditos por não ditos
para, depois, talvez garantir em privado que
lá terá que ser um adiamentozito para calar algumas bocas…

A correspondência fica em aberto...
eu não queria falar sobre isto,
de que tão pouco sei, mas se um homem não desabafa, rebenta!

quarta-feira, junho 13, 2007

Postalinhos...

… que começaram por ser para o segismundo
e, agora, desataram a disparar em todos os endereços
e sem código postal.
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Aproveita o tempo insomne que tempo de sono
é tempo desaproveitado.
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Os homens e as mulheres que vivem sem tempo livre seu,
mesmo que seja em tempo de liberdade conquistada
e muito de seu tenham (que não de tempo),
vivem como se mulheres e escravos fossem.
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Já Marx o dizia.
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Pois!
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Deixa-te de histórias.
Não te esqueças que estás a escrever História.
Por pouco histórico que seja o que escrito deixes.
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Não fujas ao fisco, evita a fisga.
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‘Tás c’a Paz, rapaz?
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Porque que é hás-de ter prioridade,
vá lá, diz-me porquê?
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“Porque sou uma senhora de idade!”
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Pronto, está bem…
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Os desistentes que já foram resistentes
não só desistiram
como se demitiram,
se é que não traíram.
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Keynes não é chave, é ferrolho (de veludo).
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Em política, só se desilude quem se iludiu
ou deixou que o iludissem.
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O papel histórico da social-democracia é o de cobrir
com um manto diáfano de aparente humanidade
a nudez crua da desumana exploração.
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E tem cumprido esse seu papel afanosamente
e com muitos benefícios pessoais
e, por isso, efémeros.
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Ele há a Senhora de Fátima e ele há a Dona Fátima.
Serão primas entre si como as há na matemática?
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Isto é assim como um vai-vem. À boleia do blog, transcrevi para outros lugares onde boto escrita (fazendo prosa porque sei mais do que faço que o monsieur Jourdain) os postalinhos que aqui deixei, depois avancei por lá com outros postalinhos, e agora trago-os para aqui... Deveria?

domingo, junho 10, 2007

Acção de promoção...

Há meses empolgado pela descoberta, num alfarrabista do Porto, de um livro há muito procurado - No cavalo de pau com Sancho Pança, de Aquilino Ribeiro - dele venho reproduzindo pequenos trechos no blog Som-da-Tinta. Decerto pouco visitado, menos ainda que este..., como a ausência de comentários o faz adivinhar, tenho pena. Não por mim, não pelo meu trabalho que tanto gozo me dá, mas por julgar que Mestre Aquilino merece outra atenção. Por isso, aqui o venho promover, copiando, eu que copista adrede me tornei, o último "post" ali deixado:


Por outras andanças tenho corrido sem de aqui, destas cercanias, sair. E à minha espera - como gostaria de ter razões para dizer... da nossa! - estava este pedacinho de prosa que, pelas suas analogias e heresias, parece que Mestre Aquilino o escreveu para hoje:
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Nos discursos, D. Quixote é um sofrível deputado socialista conservador, se este amálgama político não é heresia. As suas proposições, que nem sempre são paradoxais, por vezes roçam pela trivialidade. Mas anima-as um propósito de igualização social, não só pelo que lhe vem da prática do mundo como pelo que corresponde ao seu etos de fundo humanitário. O discurso sobre as armas e letras lembra uma destas tiradas de academia em que os sócios, sonolentos, vetustos e conspícuos, acenam com a cabeça aprovativamente e ao fim dão palmas. Tais D. Fernando, o gabiru armoriado, Cardénio, o licantropo, o Cativo, etc.
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Para não ultrapassar a medida que, a juizo do copista, deve ter um "post", vou ali e já venho, logo retomando a arenga.

sábado, junho 09, 2007

Postalinhos para Segismundo - 3

Muitas vezes corruboro com o que p'raí dizes, isto é, concordo com rubor.

Postalinhos para Segismundo - 2

Vale mais um segismundo a postar que apostar em todo o mundo e ninguém.

Postalinhos para Segismundo - 1

Antes reincidente que obediente.

Ora pensemos lá um bocadinho...

Há um mês, a 7 de Maio, “postei” aqui a minha indignação (Ainda me espanto e indigno) com base em dois factos, sendo o segundo o de
«… para o programa Prós e Contras, que vai discutir - ao que parece - direita e esquerda, convidou Adriano Moreira, que foi secretário-geral (ou presidente) do CDS, Mário Soares, que foi, entre muitas outras coisas, fundador e secretário geral do PS, Paulo Rangel, deputado do PSD que ficou "na moda" depois do discurso do 25 de Abril na AR, e Miguel Portas, que é deputado BE no Parlamento Europeu, e está sempre "na moda". São estes. Não falta ninguém? A exclusão de alguém da área do PCP ainda me espanta e me indigna.»
Entretanto, o provedor da RTP veio dar razão ao protesto do PCP considerando incorrectos os critérios jornalísticos que levaram a essa exclusão. Apesar de terem sabido a “sopas depois do almoço”, não foi despiciendo que tal tenha acontecido.
O que me passou despercebido foi a reacção da D. Fátima Campos Ferreira (a responsável pelo programa e pelos seus critérios “jornalísticos”), que terá alegado não encontrar para os lados do PCP um “pensador”, alguém ao nível daqueles parceiros que iam discutir a esquerda e a direita…
Mas é evidente! Para a D. Fátima quem está no PCP não pode ser “pensador” (não pensa como ela pensa que pensa…), senão não estava no PCP. Aliás, segundo a D. Fátima, claro!, quando alguém no PCP começa a pensar e a dar mostras de poder vir a ser “pensador” tem logo lugar reservado entre os “pensadores”. Ela, a D. Fátima, até tem todo o empenho em dar uns empurrõezinhos sob a forma de tempo de antena a todos os que, por gostarem de ser tidos por “pensadores”, comecem a dar mostras de não se sentir bem no tal PCP, no meio dessa gente que não pensa…como ela, a D. Fátima, pensa que pensa.

sexta-feira, junho 08, 2007

Notícias do Uruguai

Um grande amigo, o Andrés Stagnaro. Nosso, do Zeca, do 25 de Abril, de Portugal!