domingo, dezembro 19, 2010

19 de Dezembro de 1961-19 de Dezembro de 2010

Com o nó na garganta, que se repete ano a ano.



A "guerra" do clima e o "clima" de guerra

Vale a pena ler aqui, o artigo de João Ferreira, com o título Clima... de guerra.
O deputado pelo PCP no Parlamento Europeu escreve, no avante!, um excelente texto sobre a 16ª Conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas e, numa segunda parte, um comentário a um Conselho, em Bruxelas, sobre "Desenvolvimento das Capacidades Militares".
Dois temas que se interligam e são verdadeiramente indispensáveis para a caracterização do "momento" do capitalismo, nas suas dinâmicas e nos riscos que ele representa para a Humanidade,

IDH-2010 - mais um apontamento


Diria que "ainda a procissão vai no adro". E nem sei se conseguirei levar "o andor" muito mais onge...

O que sei é que este índice IDH, e os relatórios que, ano a ano, vai justificando, merecem atenção. E que para ela pretendo chamar.

Não será com eles, com os IDH tal como estão, que mediremos por forma cabalmente comparável a "riqueza das nações", o bem estar dos povos. Nem se espera que alguma vez se consiga tal fazer, com exactas representações estatísticas das realidades. Mas são aproximações, e aproximações que fazem um esforço.

No relatório deste ano, acabado de publicar, sublinho a introdução de três novas ponderações com a intenção de aproximar às desigualdades e à pobreza. Se não se deve (nunca!) ficar satisfeito com o que se tem, pior seria não aproveitar os instrumentos que vão sendo facultados, e os que se vão "inventando" a partir do instrumental sempre em desenvolvimento (como as forças produtivas) de que se vai dispondo.

sábado, dezembro 18, 2010

IDH-2010 - o índice de não-rendimento (ou monetário)

Se já aqui se referiu o confronto entre as tabelas de crescimento económico (RNB per capita em dolares em ppc) e as do IDH compósito ou conjunto, o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2010 inclui uma coluna em que se lista o IDH de não-rendimento (ou não monetário, na tradução literal do francês), em que se calcula o desenvolvimento humano excluindo o indicador monetarizado.
Parece interessante que, sendo habitualmente avaliado o desenvolvimento humano por via de indicadores económicos (como o PIB ou o RNB), o PNUD, nos seus cálculos, autonomize as componentes relativas à saúde e à educação e ordene os países por índices não monetários mas referidos a níveis nessas vertentes tão significativas do viver (humanizado) das populações.

A lista que elaborei inclui os 45 primeiros países dos 173 arrolados (os 169 com IDH calculado mais 4 que, não estando incluídos nessa lista de IDH total, estão, no entanto, numa outra lista em que se referem os seus valores de IDH de não-rendimento).

Algumas notas de sublinhado:

  1. Cuba que foi excluido da lista de IDH total por "falta de dados internacionalmente compilados e verificados", só o terá sido devido a a dados relativos ao rendimento monetário pois no IDH de não-rendimento ocupa um verdadeiramente extraordinário: 17º lugar, entre a Espanha e a Grécia!
  2. Os países com posição entre os de mais elevado nível de desenvolvimento humano devido à disposição de matérias primeas estratégicas, sobretudo petróleo, desaparecem desta lista de IDH de não-rendimento.
  3. Os países europeus que viveram décadas de experiência de construção do socialismo têm subidas muito significativas, estando todos nesta lista, com excepção da Bulgária que, no entanto, estaria entre os 50 primeiros quando é o 58º no IDH compósito.
  4. Os países "de lavagem de dinheiro" (ou outro tipo de "paraísos"), como Liechenstein (19 lugares), Andorra (14), Singapura (12 lugares) e Luxemburgo (11 lugares) são os de mais forte queda, e até a Suiça, pelo seu papel no sistema bancário-monetário, desce 6 lugares nas componentes saúde-educação relativamente ao lugar que ocupa no IDH conjunto por efeito do peso da componente monetário-especulativa.
  5. A Islândia é o país de maior subida, mas por motivo da queda das componentes de crescimento dito económico, que ainda não teriam atingido as componentes saúde e educação, o que, ao que parece, os islandeses não estão muito dispostos a deixar que aconteça: se há algo que tenha que falir, que vão os bancos responsáveis pela crise à falência...
  6. Portugal desce 5 lugares, passando de 40º para 45º!



____________________
(*) - outro país em idêntica situação é o Palaos, com um 36º lugar, mas não me parece relevante dadas as suas características: uma dimensão pouco superior ao concelho de Ourém e uma população de 20 mil habitantes, em país independente desde 1994 mas totalmente dependente dos Estados Unidos, até nas votações sobre o bloqueio a Cuba, em que o documento de rejeição desse bloqueio, votado este ano na Assembleia-Geral das Nações Unidas, teve apoio quase unânime dos 192 países que integram a ONU, já que 187 membros votaram a favor, dois contra (EUA e Israel), além de 3 abstenções (Ilhas Marshall, Palaos e Micronésia).

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Notícias que o não são...

... ou que só o são nalguns orgãos. De o avante! de ontem, uma notícia de que o "bangsterismo" dificulta a circulação (porque não o pode impedir):

Ajuda da UE a África acaba nos bancos

Centenas de milhões de euros em fundos europeus destinados a ajudar países africanos estão a ser dados, sem qualquer controlo, a bancos africanos e organizações humanitárias privadas que os depositam em paraísos fiscais.

A denúncia foi feita pela ONG Counter Balance, que investigou os 1,1 biliões de euros de ajuda anual do Banco Europeu de Investimento para a África e o Caribe (BEIAC), financiado com dinheiro dos contribuintes.

De acordo com as informações apuradas, o dinheiro desaparece em entidades de crédito africanas e numa congénere situada no Luxemburgo, país paraíso fiscal, sem que qualquer medida seja tomada, pelo contrário, alguns dos empréstimos avançados pelo BEIAC são, inclusivamente, avalizados pelos estados da UE.

Segundo o relatório da Counter Balance, em 2007, 50 milhões de euros foram entregues ao Banco Intercontinental da Nigéria (BIN), justamente quando o seu director executivo estava a ser investigado pelas autoridades por alegadas fraudes. O ano passado, o BIN acabou resgatado pelo governo nigeriano.

No mesmo sentido, um empréstimo de 15 milhões de euros ao Banco Nacional do Malawi foi anunciado oficialmente pelo BEIAC. Posteriormente, corrigiu-se a informação dizendo que o dinheiro foi entregue à sucursal maliana do NBS. Mais tarde, ainda, uma parte do montante total, cerca de 2,8 milhões de euros, acabou por aparecer na dependência do First Merchant Bank naquele país africano, ficando por esclarecer onde foram parar os restantes 12,2 milhões.

A Counter Balance adianta igualmente que os 7 milhões para o Gabão e os 5 milhões para o Ruanda ainda não foram gastos, e que 60 por cento dos investimentos da entidade europeia em fundos privados para África – qualquer coisa como 125 milhões de euros – se encontram num só país africano, a Mauritânia, onde, de acordo com o BEIAC, a legislação favorece o desenvolvimento do sector privado.

Também no âmbito dos fundos de investimentos privados, a referida ONG assegura que 4 milhões de euros destinados a Angola foram atribuídos a uma empresa sediada no Dalaware (um dos 50 estados norte-americanos), a qual se encontra registada no Luxemburgo. Neste país, está sediada do mesmo modo uma outra firma que manejou 5 milhões de euros destinados aos Camarões e ao Chade.

IDH-2010 - pequena pausa ou apeadeiro

Qualquer indicador ou índice tem a finalidade de representar a realidade. Essa representação deve ser tratada não como a realidade mas uma sua representação. No entanto, as estatísticas têm vindo a tomar tal importância que é cada vez mais frequente ver-se substituída a realidade pelas suas representações. Na política, no crescimento económico, no desenvolvimento humano, esta verificação chega a ser assustadora. Por ilustrarem a manipulação da informação, como arma perversa da luta ideológica. Refira-se, e apenas a título de exemplo, o uso que se faz de sondagens de intenções de voto nas "nossas democracias ocidentais"…
Mas passe eu adiante, que quero ir por outros caminhos menos enlameados ou minados (embora nem todos o sejam menos!).
As representações relativas à situação económico-social das populações têm de ter por base o factor monetário. A medida em PIB, ou em RNB, é indispensável. Mas em que valor? Não pode ser físico, em quilos, litros, metros, ou "paletes". Naturalmente (porque resultado de um real processo histórico) será em medida monetária, no equivalente geral. E assim nos encontramos no âmago da economia política. Na questão do valor e como o definir e medir(*). Uma unidade de medida comum é tão indispensável como se foi tornando cada vez mais um instrumento usado com fins que servem os interesses (de classe) dominantes.
Venhamos ao que, agora, importa. O nível de crescimento económico pode ser assimilado à riqueza das nações e medir-se em RNB per capita, numa moeda (dólar), com uma correcção técnica que se chama paridades de poder de compra. É muito, mas de modo nenhum é tudo e pode ser, e é, falseador. Porque é uma média, não entra com as desigualdades de distribuição pelas “cabeças”, alimentos e armas e petróleo "valem" o mesmo quando traduzidos em moeda.
79 mil dólares de RNB por habitante do Qatar são, sobretudo, galões de petróleo possuídos por uma pequeníssima minoria dos 835 mil habitantes da nação e não podem servir, como representação exclusiva da(s) realidade(s), para se comparar com os 22 mil dólares de RNB por habitante de Portugal.
Daí a importância do índice de desenvolvimento humano, como passo – e pequeno e tímido, mas muito importante – que, numa primeira aproximação, nos diz que, incorporando indicadores de saúde e de educação, o Qatar está em 38º, com um IDH de 0,803 e Portugal logo a seguir com um IDH de 0,795 (igual ao do Bahrein, que tem um RNB por habitante de 26,7 mil dólares em ppc), enquanto que, no indicador estritamente monetário, o Qatar seria o 2º em aparente riqueza das nações (o 1º seria o Liechtenstein, minúsculo país que é uma autêntica lavandaria de dinheiro.., onde vivem “principescamente” 30 mil habitantes), e Portugal guardaria o 40º lugar na lista dos 169 países para que o PNUD apurou dados.
É com estas prevenções que devemos usar as representações quantitativas. Trabalhando-as com… pinças.
E, a seguir, falarei de Cuba no IDH!
___________
(*) – Marx, numa carta de 27 de Abril de 1867, sobre O Capital:
«O que há de melhor no meu livro (e aí repousa toda a compreensão) é que
1º - como o sublinho desde o começo, o trabalho tem um carácter duplo segundo ele se exprime em valor de uso ou em valor de troca;
2º - a mais-valia, (que) é tratada independentemente das suas formas particulares, tais como o lucro, juro, renda financeira, etc. (...)»

Resumo... ou o desfiar de um rosário

Na senda
i) das medidas de promoção do emprego por via do embaratecimento do desemprego,
temos (ou teríamos)
ii) o pedido de desculpas dos EUA no caso de terem utilizado indevidamente autorizações não formais em respostas a pedidos informais,
e
iii) a necessidade de alterar o art. 136º do Tratado de Lisboa (a quintessência do porreirismo-pá), em vigor há um ano, para se adoptar um mecanismo e um fundo e umas outras coisas,
como
iv) o aumento do capital do Banco Central Europeu,
tudo
v) tudo para se fazer-de-conta que se domesticam os mercados,
se para tanto
vi) se conseguir o acordo da Ti’Ângela.
.
Isto ensandeceram todos?... com esta mercadopatia com que querem enganar a malta.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Os retratos das "cimeiras"

Os retratos das "cimeiras" fazem parte do "folclore" (no pobre, e não no popular, sentido da palavra).
Este Conselho Europeu que está a decorrer teve, no entanto, uma fotografia anterior. Como um sinal. Que Sócrates quis levar para Bruxelas.
Ela aí está. Vêem?, vêem? Vêem os parceiros sociais comigo?
Neste tempo de imagem, esta fotografia fica como... um sinal, pois!
Mas, ou me engano muito, ou é uma fotografia em que há quem não fique mesmo nada bem. Muito particularmente quando se anunciam medidas para incentivar a economia e o emprego... através do embaratecimento do desemprego! Enquanto, não pelo outro mas pelo mesmo lado, se faz boa cara ao que está a acontecer nas manigâncias relativas ao cumprimento de um compromisso claro: o do salário mínimo a 500 euros (com uma subida de 25 euros!).

Ele há cada uma... ou melhor; ele há cada um!

IDH-2010 - continuação

Sendo cada nação um caso, a “medida” da sua riqueza não pode ser simplificada e, menos ainda, redutoramente reduzida a um indicador de crescimento económico, seja ele o produto interno (PIB) ou o rendimento nacional (RNB), calculados por cabeça e em dólares (US$) e paridades de poder de compra (PPC).
Se esta consideração é irrefutável, os esforços do PNUD para que haja um caminho, uma procura, um trabalho consequente no sentido a levar à prática, é relevante. Não obstante todas as dificuldades, hesitações, decerto erros no percurso, decerto também distorções, fragilidades, ou até “leituras” de base ideológica (de sinal diferente ou contrário à que não nego que é a minha).
Retome-se a lista dos países que podem melhor ilustrar a discrepância nos ordenamentos por RNB e por IDH (isto é, com inclusão de componentes relativas a saúde e educação), entre os 169 países das Nações Unidas que foram arrolados, a que se juntam linhas com mais dois países que particularmente me interessam nesta abordagem (Portugal e Chipre) e os chamados BRIC, além de uma coluna com a evolução destes países no que respeita a IDH, entre 2005 e 2010:

O que posso dizer, por agora, é que esta tabela vai servir para muitos comentários. Aliás, espero que alguns comentários e dúvidas possa suscitar. E - mais! - estou aberto a pedidos de informação sobre países específicos que possam interessar a alguns vistantes em particular.
Além, claro, de ir continuar mais algum tempo com estes IDH e coisas que eles nos podem ensinar enquanto representação da realidade que vivemos.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Ex-tractos (pequenos) - 5

1.- Estamos a tropeçar frequentemente em “descobertas” do que nós “adivinhámos”, previmos e prevenimos porque estamos “armados” de uma base teórica que é o marxismo-leninismo. E, por vezes, não aproveitamos esta nossa “arma” com suficiente convicção porque não estudamos e não discutimos suficientemente entre nós.

2.- (...) Uma candidatura de um candidato diferente! Do camarada Francisco Lopes. Sem ambiguidades. Dizendo ao que vem, porque vem, para onde quer ir.
Francisco Lopes vem da luta, para fazer da candidatura um momento da luta, com a garantia segura de que, depois de 23 de Janeiro, vai continuar a mesma luta nas condições que resultarem do acto eleitoral. Nesta batalha, e a este acto eleitoral - afirme-se, mais uma vez, com toda a naturalidade e firmeza -, Francisco Lopes concorre para ganhar.
(da declaração como mandatário distrital na apresentação da Comissão Distrital de Apoio â Candidatura de Fernando Lopes, Santarém)

IDH-2010 - Todas iguais, todas diferentes

Adam Smith foi um homem e um momento histórico dos relevantes, dos decisivos. Como os há na música, na arquitectura, sei lá..., em qualquer actividade humana que se venha desenvolvendo ao longo dos milénios.

Adam Smith foi, talvez (há sempre que colocar um talvez quando se fala de um ou de o, porque toda a obra individual é colectiva...), o mais importante representante do ascenso do capitalismo, enquanto manifestação superstrutural do modo de produção e formação social a tornar-se dominante, com a "descoberta" da mão invisível do mercado (dos mercados...), e a sua obra "Uma investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações", de 1776, depois de ter escrito uma década antes "A teoria dos sentimentos morais", em tempos em que os economistas também filosofavam e tinham preocupações morais.

Quase um século depois, Marx escreveu O Capital (maneira de dizer que exige que se acrescente que O Capital foi sendo escrito ao longo de uma seriíssima vida e investigação... e ainda está a ser escrito), que começa por "A riqueza das sociedades...", e em que, logo a partir das primeiras páginas, Adam Smith é visita permanente com quem Marx muito "conversa"...

Dito isto, voltemos a "A verdadeira riqueza das Nações: caminhos para o Desenvolvimento Humano" que é o título (talvez pretensioso...) do Relatório de Desenvolvimento Humano - edição do 20º aniversário, publicação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Apesar da atenção que estou a ter relativamente a esta investigação, que vai entrar na terceira década, e que há muito venho dedicando e continuarei a dedicar, não espero dela "milagres" parecidos com os de Adam Smith e de Karl Marx (da minha "vizinha" não falo porque é "santa da casa"...), mas considero os seus resultados como um instrumento imprescindível para o acompanhamento da realidade que vivemos. Mais: que, com esse instrumento, temos a possibilidade de acrescentar alguma coisa (dependendo das unhas de quem pegue na guitarra) à compreensão da realidade, escorados na base teórica que é a nossa.

Todas as nações são diferentes, sendo todas iguais no que é a sua riqueza. Como medi-la? Pelo PIB, isto é, Produto Interno Bruto? Não, até porque, na apresentação deste 20º relatório do trabalho do PNUD - e do seu índice de desenvolvimento humano (IDH) - se substitui o PIB per capita pelo Rendimento Nacional Bruto (RNB) per capita "para incluir o rendimento das remessas externas e do apoio internacional ao desenvolvimento". Será então o RNB per capita? Se assim fosse, a mais rica nação seria o Lietchenstein (menos de 35 mil habitantes) e a 2ª o Qatar (pouco mais de 800 mil habitantes.

É a procura de uma medida mais humana da "riqueza das nações" (Tévoédjrè escreveu, nos idos anos 7o, um interessante A pobreza, riqueza dos povos...) que está nas intenções dos criadores do IDH do PNUD. Será trabalho insano, ou seja, de gente sem juízo, procurar fazê-lo? Bem me parece que não, mas já tenho dúvidas sobre a sanidade de quem dedica algumas das suas horas a procurar aproveitar o que se vai avançando nesse caminho e a procurar divulgá-lo, quando o tempo parece ser de outras lutas. E a presumível insanidade estará na convicção de que essas outras lutas não podem prescindir destas procuras.

Isto anda tudo ligado... e estudar a riqueza das nações (todas diferentes, todas iguais porque gente com passado, cultura e futuro) com indicadores de saúde, de educação, de desigualdades, de desigualdade de género, de pobreza multidimensional, é por demais aliciante. E necessário.

Depois do 1º debate

O 1º debate entre os candidatos às presidenciais de 23 de Janeiro foi entre Francisco Lopes e Fernando Nobre.
Não justifica grandes comentários. Fernando Nobre exagerou no que poderia ser o seu "trunfo", a sua intervenção cívico-humanitária, e quis fazer - a meu ver canhestramente - a politização de um currículo a querer apresentar-se sem mácula político-partidária mas a que não faltam opções cidadãs de uma confrangedora fragilidade e volubilidade. A carta do apartidarismo, jogada com evidente falta de preparação e alguma irritabilidade, não me parece que o tenha favorecido. E não estou a falar deste debate mas da sua campanha.

Quanto a Francisco Lopes, surpreendeu-me a sua segurança, a sua calma, o seu à-vontade, o modo firme mas não agressivo como não deixou que lhe fosse tirado o minuto a que tinha direito. Foi um excelente ensaio para os próximos debates. Só terá de olhar menos para a dona Judite e mais para nós, que estamos aqui. Como seu mandatário, deixo-lhe o recado!

terça-feira, dezembro 14, 2010

PISA e repisa...

Foi foguetório e engalanação.

A atitude deste governo e deste PS é a valorizar as imagens, de fazer da confiança (neles...) a grande arma. Para isso tudo serve. Desde mentir com o maior descaro negando o que são evidentes fracassos e/ou obediências servis, como fazer de factos positivos motivo de despropositados festejos com ribombar de foguetes e com arcos engalanados - ou enga(la)nados.

O relatório da OCDE chamado PISA (Programme for International Student Assessment) veio servir para esses festejos espúrios. E para se dizerem as coisas mais absurdas, os elogios mais sem sentido para uns e os ataques mais desbragados contra outros. Exemplificando: o PISA serviu para se resgatar, endeusadamente, a ex-ministra da educação Maria de Lurdes Rodrigues, e para se atacar, até soezmente, o presidente de FENPROF Mário Nogueira e Santana Carrilho.

Mas afinal o que nos trouxe o estudo da OCDE? Informações positivas para 2009 no que respeita à evolução de alguns relativos à educação em Portugal? Sim, mas a partir de que evoluções anteriores?, por mérito de quê e de quem?

Pedras contra canhões, no seu blog autoridadenacional informa e esclarece. Quem se quiser esclarecer e informar-se pode fazê-lo aqui. E como o texto é longo, reproduzo a sua parte final:

«(...) É o próprio "jugular", blog de serviço ao governo que acaba por demonstrar que a principal lição a tirar de PISA não são os estrondosos sucessos de 2009, mas o descalabro de 2006, como se verifica no gráfico aí exposto por Palmira F. Silva. Na verdade, 2009 demonstra que recuperámos a trajectória regular do nosso sistema educativo. Apesar de tudo. Apesar do governo. Apesar de Maria de Lurdes Rodrigues. Apesar dos cortes no financiamento, apesar da precariedade entre professores, entre funcionários. Apesar dos baixos salários, das turmas sobrelotadas, apesar das escolas destroçadas, apesar das novas oportunidades e do desvio de miúdos para o ensino profissional.

»

A Islândia, um caso!

A Islândia é... um país. Com mais de 100 mil quilómetros quadrados e menos de meio milhão de habitantes.

Que já apareceu referido por duas vezes nas notas sobre o índice de desenvolvimento humano (IDH), merecendo uma paragem. E talvez..., uma visita (há mais de vinte anos, nas andanças militantes pela Paz, participei numa reunião em Reiquiavique, tendo gravada a lembranca de uma paisagem de neve e fogo e de gente... a viver a sua vida).

Numa dessas notas, mostrava a evolução do país sempre entre os de mais elevado nível humano passando de de 12º em 1990 a 14º em 1995, de novo 12º em 2000, com um grande salto para 7º em 2005 e uma queda ainda maior para 16º em 2010, em resultado das "aventuras financeiras-bancárias" que por lá se engendraram, sendo o primeiro país em que se falou de bancarrota, e melhor se diria que a banca (cor)rompeu.

Na segunda nota, a imediatamente anterior a esta, vê-se que a queda de 9 lugares no ranking de IDH, depois de um salto igualmente significativo de 5 lugares (apenas acompanhado - e ultrapassado - pela Irlanda), não foi paralelo na componente económica-monetária e no conjunto das componentes não-monetárias (non-monétaire na versão francesa, traduzida para português como não-rendimento, isto é, saúde e educação), pois está nos países em que é maior a diferença positiva (só com a Nova Zelândia acima com 30 lugares positivos, e a Irlanda com os mesmos 20 lugares positivos), estando no 5º lugar mundial, depois da Austrália, Nova Zelândia, Noruega e Irlanda.

Ora parece que o povo islandês reagiu com eficácia às medidas que foram delineadas para tirar um país da tal dita bancarrota através de forte ataque às componentes não-monetárias, a que chamaria sociais, e o facto é que se lêem notícias, em páginas interiores e sem grandes títulos, de que "a Islândia teria saído da bancarrota, e, claro, não por virtudo dessas medidas mas sim... "deixando os bancos falir"!

A situação não é muito clara. Ainda. Mas o facto é que está a merecer estudo e. como já li de fonte bem informada, o que tirou a Islândia da situação em que estava foi o facto de, através de intervenção sobre as taxas de câmbio, grande parte dos custos da financeirização excessiva da sua economia, da especulação desbragada, terem recaído sobre os credores estrangeiros dela agentes provocadores e não sobre contribuintes islandeses e o seu sistema social.

Exemplo a seguir? Cada país é um caso. E, dentro de um sistema ele sim em bancarrota, o que a Islândia, pelo seu povo, fez não pode ser seguido, exacta ou copiadamente, em países sem qualquer soberania sobre as taxas de câmbio, como é o caso dos países numa zona euro, de moeda comum ainda que não numa efectiva zona monetária.
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Tudo a desafiar estudo e reflexões, e a proibir que se diga que tudo é igual e fatal.

IDH-2010 - Retomando

Retomar rotinas pode ser, por exemplo, voltar a um trabalho deixado inacabado.

Agora, será voltar ao IDH, esse indicador criado no âmbito do PNUD, que há vinte anos procura cumprir a intenção de introduzir na avaliação do desenvolvimento humano outras componentes para além da medida monetária do crescimento económico (RNB per capita, em dólares e paridades do poder de compra). Basicamente medidas de saúde e de educação.
Uma leitura importante a fazer é a de comparar a lista de países ordenados pela medida económica com a lista dos países ordenados por esta medida mas ponderada pelas medidas de saúde e de educação.
Comparando as duas listas, sublinho que os três países com maior diferença positiva (isto é, maior subida na segunda lista relativamente à primeira) são a Nova Zelândia (+30), a Irlanda (+20) e Islândia (+20), mostrando como os níveis atingidos pela saúde e de educação melhoraram o lugar ocupado pelo nível de crescimento económico monetarizado (em paridades de poder de compra); e os três países com maior diferença negativa (isto é, maior descida na segunda lista relativamente à primeira) são Angola (-47), Kuwait (-42) e Botswana (-38), mostrando como a disposição de recursos (como o petróleo) pode originar valores económicos monetarizados que não têm expressão nos níveis de saúde e de educação.

Obrigado, José Barata-Moura!

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Temo é que nos obriguem a dever

Um simplismo como quem deve, teme (António Barreto), dito como uma verdade absoluta e final, teve uma resposta (de Barata-Moura) simples, arrasadora: temo é que nos obriguem a dever. Com um complemento definitivo: é preciso saber para que foi (e para que é) o endividamento, com que finalidade se pede emprestado: se i) para produzir, se ii) para pagar empréstimos anteriores, se iii) para tapar buracos criados pela especulação e continuar a especular.
"Eles" querem lá saber das leis que fizeram, ou que lhes mandaram que fizessem, leis de que se servem, fazendo com que sejam estritamente respeitadas pelos... outros.

Como nós surpreeendemos...

Mão e "mail" amigos fizeram-me chegar uma reportagem do canal de televisão France 24 sobre Portugal.
"Ouvê-la" e lê-la foi revelador do interesse que a situação portuguesa despertou e, além das informações que a reportagem contém, com imagens significativas da adesão à greve geral de 24 de Novembro, e mostra, também, alguma perplexidade quanto à maneira dos portugueses reagem aos problemas.
É evidente a confusão que faz a nossa forma de protestar, falando-se de protesto silencioso simultâneamente com a verificação da adesão maciça e de imagens de comícios em que se falava bem alto. Causa a estranheza a maneira de protestar sem tumultos, sem partir montras e sem incendiar automóveis, privilegiando a pedagogia, a tomada de consciência, "o tempo". Pois é... fizemos (e procuraremos fazer) revoluções com cravos nas espingardas!
Transcrevo a parte final do texto da reportagem escrita:

«(...)Mas mais surpreendente ainda é o silêncio dos portugueses no meio das suas dificuldades. Se eles aderiram maciçamente à greve geral lançada pela CGTP e UGT em 24 de Novembro, o seu protesto foi silencioso.
No entanto, a angústia estava lá, a amargura também.
Para alguns, a saída é a de partir.
Entre eles, muitos jovens licenciados que não encontram no país perspectivas de futuro.»

apontamento no regresso de. sempre no caminho para.

Sento-me neste canto, a esta secretária, como se de aqui tivesse saído há uma eternidade quando foi apenas há três dias.

O que é a medida (interior) do tempo, este meu insistente - teimoso! - tema de agora. Deste tempo. Que salta dos momentos meus para os milénios nossos, de todos nós.

Para não perder este contacto convosco, ainda consegui deixar uns apontamentos a caminho de, no caminho para. Com as dificuldades resultantes do tempo (claro...) e da irregularidade nos acessos à net ("aqui?... só na recepção ou nos quartos virados a norte"; ali, só pagando; acolá, "acesso à net?... de lado nenhum porque nem telefone temos").

Fomos pagar uma dívida para connosco próprios, ver o Alqueva, a caminho de (ou a pretexto de) uma ida a Vila Real de Santo António e a Quarteira para tarefas. As voltas que se dão para pagar dívidas...

De Vila Real e de Quarteira regressámos. Com as tarefas cumpridas. Com uma enorme tranquilidade, satisfeitos por isso, insatisfeitos porque é sempre possível fazer melhor. Mas o ambiente que vivemos foi excelente e estimulante, até porque ainda beneficiámos da dinâmica da assembleia da organização regional realizada no domingo anterior.
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Agora, entrar de novo em rotinas... pouco seguro de saber o que isso é! Com muito "trabalho para casa".

domingo, dezembro 12, 2010

apontamentos a caminho de. no caminho para.

o alentejo. o alqueva.
a luta. o sonho. a realização. a terra a quem a trabalha. o alqueva. a luta. o sonho. o regadio. a contra-revolução. o alqueva. a luta. o sonho. a riqueza para quem a produz. o boicote. os adiamentos. a luta. aqui, em portugal. na “europa”, em bruxelas. “porra, construam-me!. aqui está o alqueva. sem a revolução. sem a reforma agrária. sem regadio. para turismo. à espera. mas está. e um dia será. para os dias que vierem. espera esperança. luta.

sábado, dezembro 11, 2010

No(s) corredor(es) do poder

OuVi de ouvidos e olhos pouco atentos o último programa "de política" da RTP1! O tema proposto para debate foi a medida do Presidente do Conselho Regional dos Açores para compensar os trabalhadores da função pública da Região Autónoma da descida dos salários no cumprimento do OE2011 adoptado em conluio PS-PSD.
OuVi, de ouvidos e olhos pouco atentos, Sérgio Sousa Pinto, Marco António, Nuno Melo, Ana Drago, embrulharem-se na questão, cheios de contradições, de ditas e de contraditas. Até que chegou a vez de João Oliveira. Os ouvidos e os olhos tornaram-se mais atentos. Valeu a pena.
O deputado do PCP recusou que a questão servisse para dividir trabalhadores, sublinhou que o que importava era recusar a baixa de salários, e que não aceitava a consideração desta baixa de salários como dado adquirido. Perante alguma perplexidade (há quem só perceba o que lhe convém), explicou que não era dado adquirido consumado porque a luta contra tal medida não tinha terminado, que continua!
Depois, JO disse da sua estranheza (que não o era... a não ser como figura de ironia) pela pronta reacção do Presidente da República, muito incomodado, da altura das suas funções, com haver excepções para os sacrifícios "que se pedem a todos", até invocando a Constituição que tanto defende... (aproveito a boleia da ironia), e nada o incomodarem outras excepções. Quando há uns trabalhadores que podem beneficiar de medidas ainda que discutíveis, Cavaco Silva incomoda-se, se são alguns detentores de capitais que recebem dividendos antecipados para se furtarem ao "sacrifício exigido a todos", não "tuge nem muge" (isto digo eu).
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Para mim chegou. Deixei o programa continuar sem a minha assistência...

Alentejo

Campos, campos, campos. Verdes. Contra o azul limpo, limpo.
Em dias que o acaso – contra as previsões meteorológicas – quis brindar-nos com sol esplendoroso.
Espalhados pelos campos, campos, campos – verdes, verdes –, a recortarem~se no azul claro, limpo, montículos de árvores e pedras. Ou são as pedras a rodearem as árvores ou são as árvores como que nascidas no meio das pedras.

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sexta-feira, dezembro 10, 2010

Coisas que esclarecem!

1. O governo convocou as centrais sindicais;
o governo acertou agendas com o patronato!
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2. Para facilitar a contratação e combater o desemprego, o governo está em vias de formalizar (não dizendo como) o embaratecimento das indemnizações dos despedimentos!!!
O patronato achou uma boa ideia. Decerto aproveitará os menores custos para mais facilmente despedir; quanto a novas contratações... depois se verá se a rentabilidade dos capitais compensará os investimentos. que, eventualmente, criem postos de trabalho.

IDH-2010 - Revisão e correcção para eventuais “curiosos”

No aproveitamento da publicação do Relatório de Desenvolvimento Humano – 2010, nas muitas contas e nos muitos cálculos que vou fazendo, a publicação de algumas informações pode conter falhas ou erros de que, depois, me apercebo (como quando estou a ser conduzido para tarefas no Algarve...). Aliás, nestas coisas, por mais que se reveja há sempre alguma coisa que escapa…
Talvez ninguém reparasse (!!!), mas aproveito para dizer que estas ordenações obedecem a critérios meus, evidentemente discutíveis, pois excluo alguns países como Liechsenstein, Singapura, Andorra, Qatar por não completarem a série 1990, 1195, 2000, 2005 e 2010, e vi-me obrigado a preencher, por cálculo meu, a falha de dados para Alemanha no ano de 2000.
Quanto às minhas falhas, na folha excel sobre a evolução dos países com DH muito elevado, depois de a "scanear" e publicar no “post”, verifico que a coluna do ano 2000 não está certa e corrijo-a, assim com devo incluir dois países entre os referidos por terem tido lugares entre os 12 primeiros numa destas cinco datas (o Reino Unido no 11º lugar em 1995, a Coreia do Sul no 11º em 2010)
Em 2000, a Irlanda foi o 10º (e não o 5º), a Alemanha o 13º (e não o 9º), o Japão o 11º (e não o 10º), a Islândia o 12º (e não o 7º) e a Dinamarca o 16º (e não o 15º).
Para se poder completar o quadro (e o gráfico), a Coreia do Sul foi, sucessivamente, 31º, 25º, 22º, 19º e 11º e o Reino Unido 24º, 11º, 23º, 21º e 25º.
Logo virei com mais informações. E se as há...

quinta-feira, dezembro 09, 2010

IDH-2010 - Apenas um apontamento

Olhando estes mapas, estes nomes de países, estes números, há uma circunstância que parece perseguir-me. Como é que a Noruega se instalou em 1º lugar e parece de pedra e cal como o país com o desenvolvimemto humano mais elevado?

Isto depois de ter - o seu povo! - dito duas vezes não à chamada "Europa" (CEE e UE) após negociações levadas até ao fim pelos seus executivos, em 1972 e em 1992... mantendo-se um país europeu!

385 mil quilómetros quadrados, perto de 5 milhões de habitantes quase 60 mil dólares ppa de RNB por habitante.

Até quando?, até onde?

Foi o PEC1 (e já havia um outro, também PEC, que era da União Económica e Monetária), o PEC2, o PEC3, o OE2011, Sempre para "acalmar os mercados". Sempre colocando-se na posição em que a Alemanha perdeu a guerra, como se dizia quando eu era ainda um jovem.

Sempre com afirmações, PEC a PEC, de confiança balofa. E "eles" sempre a elogiarem, a dizer que íamos no bom caminho, e a exigirem que ainda nos agachássemos mais. Era esta a versão...

Depois da Irlanda, é que tudo ia acalmar de vez. Diziam. Nós, os de Portugal, não precisavam de ajuda nenhuma. Desde que...

Desde que se cumprissem umas certas ordenanças no que se refere à leis laborais. Pouca coisa. Diziam.

Houve umas engolidelas em seco, mas logo se metamorfosearam ordens vindas de fora em decisões tomadas cá dentro. Sem qualquer pudor.

Foi hoje. E foi o ministro da economia que, esgotado o ministro das finanças, disse coisas. Esperadas. Depois das reuniões que o primeiro ministro convocou e "liderou", acompanhado também pela inefável ministra do trabalho, com os dirigentes das centrais sindicais, veio, com imensa "lata", afirmar o que o governo quer fazer, que coincide com aquilo que é o que, de Bruxelas, lhes foi ordenado que fosse feito.

Até falou, também, em "outras medidas de estímulo à economia", mas sem dizer quais pois tudo se resume, sempre, aos "custos do trabalho" e, agora, especificamente, às dificuldades e indemnizações por despedimentos.

Este espectáculo é indecoroso.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

IDH-2010 - a evolução e os de DH muito elevado

Na sequência da observação deste importante material de estudo, e procurando não ser muito cansativo, ou melhor, ter alguma utilidade a informação que resulta deste meu trabalho, vou deixar algumas notas sobre a evolução neste 2oº ano de publicação dos relatórios sobre Desenvolvimento Humano. Na informação para a imprensa, em Nova Iorque, em 4 de Novembro, foi sublinhado que o índice deste ano (IDH-2010) "não deve ser comparado como o IDH que surgiu em edições anteriores do Relatório de Desenvolvimento Humano devido à utilização de indicadores e cálculos diferentes. Assim, excluiram-se 14 países "por falta de dados internacionalmente compilados e verificados".entre eles Cuba, embora logo se acrescente que, para Cuba existem informações para todos os componentes do IDH, excepto sobre o RNB(rendimento nacional bruto), tal como calculado para este indicador. Pelo que, a Cuba voltarei...
Entretanto, é possível reconstituir a série, e o relatório fá-lo, considerando que as análises dinâmicas têm sentido do de 5 em 5 anos.
Neste "post", fixo-me na evolução no quartil superior dos países de desenvolvimento humano, novo critério para os considerados de DH muito elevado, ainda na sequência do que já adiantei, mas agora com base na nova série.
São estes, com os valores para 1980 (anterior ao cálculo de IDH), 1990, 1995, 2000, 2005, 2009 e 2010:

Depois de algumas simplificações por minha conta e risco, trago informação que me parece poderem ser interessantes.
Por agora, apenas deixo um quadro e um gráfico, que comentarei, em que se vê os países que estão entre os 12 primeiros nos anos de 1990, 1995, 2000, 2005 e 2010.
Depois de alguns comentários em próximos "postas" (por agora, repare-se apenas nas espectaculares subidas da Irlanda -de 21º para 5º - e da Islândia e na enorme "recaída" da Islândia - de 14º para 7º e de 7º para 16º -, estando a Irlanda na calha para subir uns largos lugares), irei - passo a passo - deter-me em evoluções mais relevantes de alguns países. Desculpem a "seca" mas... gosto mesmo disto!
E pergunto-me, de vez em quando, como é que os srs. Marx e Engels trabalhavam sem dispor do excel. Eram mesmo "munta" bons!

A "qualidade" das pessoas...

Recebi um mail amigo com esta transcrição de trabalho da revista Sábado - que, entretanto, foi convenientemente retirado do site do semanário:


«Cavaco disse à PIDE que estava “integrado” no Salazarismo...

Não foi qualquer gesto subversivo que levou a polícia política a interessar-se por Aníbal António Cavaco Silva. Foi o general Martiniano Homem de Figueiredo, responsável pela Autoridade Nacional de Segurança, que em Maio de 1967 pediu ao director da PIDE que mandasse averiguar se havia alguma informação em desabono deste jovem de Boliqueime.

Se a PIDE não se opusesse, Cavaco Silva, portador do BI número 153955, poderia ser autorizado a manusear documentação classificada até ao grau de “Nato Secreto” (o segundo nível mais restrito de informação) na Comissão Coordenadora da Investigação para a NATO – como era desejo do general, que tinha sido deputado à Assembleia Nacional e presidente do Sporting, antes de assumir o comando operacional das várias entidades de defesa do país.
Aníbal tinha 28 anos e a vida encaminhada: já estava casado com a actual primeira-dama, cumprira o serviço militar em Moçambique e tinha dois filhos. Trabalhava já como investigador da Fundação Calouste Gulbenkian e professor assistente do ISCEF (Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras) onde tinha sido um dos melhores alunos.

A polícia política abriu o processo número 995/67 e pediu ao chefe de gabinete do ministro da Educação que fizesse comparecer Cavaco Silva na sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso. O professor faltou à primeira convocatória mas, após uma insistência do director da PIDE, em Dezembro de 1967, preencheu o “formulário pessoal pormenorizado”, um boletim de 4 páginas que era burocraticamente designado como “modelo 566”.

A alínea 12 colocava uma questão directa: “Sua posição e actividades políticas”. Na linha de baixo, num momento em que António de Oliveira Salazar - então com 78 anos - cumpria o seu 35.º ano como líder da ditadura, Cavaco Silva escreveu: “Integrado no actual regime político”. Deixou mais uma linha e acrescentou: “Não exerço qualquer actividade política”.

Na alínea 23, solicitado a indicar “duas pessoas idóneas (de preferência oficiais do Exército, Marinha ou Força Aérea) que o possam abonar moral e politicamente”, o actual Presidente da República quis fazer mais do que o formulário requisitava. Com a sua caneta riscou o “duas” e anotou por cima “três”, para o caso de a PIDE não reparar que tinha indicado um nome extra.

Deu então os nomes de um membro da União Nacional - o partido do regime liderado por Salazar - José Rodrigues Alho, que exercia a profissão de fiscal da Carris (a empresa que geria os autocarros e eléctricos em Lisboa); do presidente da Junta de Freguesia de Santo Condestável, o tenente do exército Artur Ticão; e de um membro do secretariado da Defesa Nacional, o capitão António Ferreira da Costa.

Depois de prestar todas as informações sobre os seus dados de identificação, como nome, morada actual e endereços anteriores (viva num 5º andar da R. Padre Francisco e antes tinha residido noutro 5º andar na vizinha Rua Almeida e Sousa, na zona de Campo de Ourique, em Lisboa), locais onde estudou, situação militar (“Teve algum castigo? Não tive punições”), empregos, nomes e dados dos pais, esposa, irmãos, cunhados e sogros, foi ainda confrontado com a alínea 20, onde lhe era perguntado se algum destes familiares tinha residido na União Soviética ou Satélites – uma pergunta obrigatória, num contexto de Guerra Fria, a qualquer candidato a manusear documentos relacionados com a Organização do Tratado do Atlântico Norte.

Na folha de rosto do boletim está agrafada, no canto superior esquerdo, uma sua foto tipo-passe, de blazer, pullover, camisa branca e gravata escura. Na última página, a seguir à data (Lisboa, 21/12/1967), o respondente rubricou a sua assinatura: “Aníbal António Cavaco Silva”. Depois, num espaço reservado para observações, entendeu que devia prestar uma informação adicional sobre a família: “O sogro casou em segundas núpcias com Maria Mendes Vieira, com quem reside e com quem o declarante não priva.”

Os funcionários da PIDE recolheram informações sobre o “porte moral e político” do então professor e investigador, os homens indicados por Cavaco Silva foram contactados, e o agente Amorim concluiu que “moral e politicamente nada se conseguiu apurar em seu desabono”.

A direcção de campanha de Cavaco Silva não respondeu aos pedidos de esclarecimento feitos pela SÁBADO e, através do assessor de imprensa Francisco Azevedo e Silva, comentou apenas: “Este tipo de guerra suja não pega com o candidato prof. Cavaco Silva. A sua vida e todos os aspectos da sua carreira política, antes e depois do 25 de Abril, é totalmente transparente e é, aliás, integralmente revelada na autobiografia”. Na autobiografia não há qualquer referência a este episódio.

No livro Cavaco Silva contou que quando era estudante e passava junto à residência oficial de Salazar, atravessava para o passeio do outro lado da rua porque “os muros altos e os polícias impunham respeito”. E recordou a sua indignação quando rejeitaram o seu pedido de adiamento para cumprir o serviço militar e o convocaram para fazer a recruta em 1962, por causa da guerra colonial: “Fiquei revoltado e acentuou-se em mim a rejeição ao regime de Salazar”. O livro foi lançado 35 anos depois de se ter declarado “integrado” no Estado Novo.»


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Em consonância (!) com o assessor de imprensa da direcção de candidatura (que parece que sempre existe...), estou inteiramente contra qualquer "tipo de guerra suja"... mas não é aceitável que na autobiografia do candidato, para onde é remetida qualquer informação sobre o sujeito, este episódio esteja omitido e, mais!..., não tem nada de "guerra suja" dar-se a conhecer o carácter de um indivíduo que, em formulário a preencher para entregar à PIDE, acrescente de seu livre alvedrio o que sublinho:

«Na última página, a seguir à data (Lisboa, 21/12/1967), o respondente rubricou a sua assinatura: “Aníbal António Cavaco Silva”. Depois, num espaço reservado para observações, entendeu que devia prestar uma informação adicional sobre a família: “O sogro casou em segundas núpcias com Maria Mendes Vieira, com quem reside e com quem o declarante não priva.”»

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Neste homem não só não voto nem nunca votarei, como com ele nunca bebi nem beberei um copo seja do que for...

Ex-citações

Não tinha a intenção de tratar deste caso da divulgação dos documentos confidenciais estado-unidenses. Não porque não haja informações interessantes, mas por opções de... "higiene pessoal" para não dizer íntima. Mas uma mensagem em Praça do Bocage (de Manuel Augusto Araújo) provocou-me ex-citação. Aí vai ela:

«(...) Assange condenado à Rocha de Tarpeia por ter atacado um país poderoso como os EUA, poderia aspirar a um lugar no Capitólio se em vez dos Estados-Unidos o seu alvo tivesse sido Cuba. A revelação de documentos secretos cubanos mereceria a compreensão dos meios diplomáticos que o condenam e denigrem apelidando-o de coscuvilheiro. Seria um fortíssimo candidato ao prémio Sakharov, da União Europeia.
«Assange poderia mesmo ir mais longe na sua glória e chegar ao topo do Capitólio. Se em vez dos Estados Unidos o seu alvo tivesse sido a China ou mesmo a Rússia, tinha garantido a nomeação para o Prémio Nobel da Paz em 2011, com todos os que agora o empurram para o abismo, sentados a aplaudi-lo veementemente(...)»

Ir buscar lenha para se queimar...

Notícia-artigo, hoje, no DNBolsa (por Luís Reis Ribeiro):


«Sócrates quer ligar salário à qualidade do trabalho

Governo propõe aos sindicatos que as minutas dos contratos de trabalho explicitem que o salário de uma pessoa está directamente ligado à sua produtividade ou à qualidade do trabalho.»


É fácil - mas irresistível... - a "graça" de que Sócrates não pensou nas consequências que tal medida teria para ele, como engenheiro ou nas funções de 1º ministro. Não dava para as sapatilhas do jogging. A sorte dele é que aqueles que mandam "nisto" são mais prudentes e precatam-se bem, não vá essa "filosofia" estender-se às suas remunerações. Como, por exemplo, "a cada um segundo o seu contributo para o produto para a colectividade".

Reflexões lentas, curtas e fundas (em mim), na madrugada

Uso com frequência o argumento de que um instrumento é um instrumento, e que não é bom ou mau em si, mas em resultado de como foi criado e/ou de para que é usado.
Faço-o, muitas vezes, a propósito do euro que, como instrumento que é, poderia ser útil, mas cujo modo como foi criado, ao serviço de que interesses foi e é usado, se tornou um instrumento perverso. A exemplo, gosto de acrescentar, da dinamite que pode servir para abrir estradas e outros fins úteis ou para fabricar armas e outros fins maléficos, ou das drogas.
As palavras (ditas ou escritas), como argumentos são instrumentos no plano da luta de ideias, mas elas, se podem incluir-se nestas reflexões sobre benefícios ou malefícios dos instrumentos, podem, em si mesmas, ter uma intrínseca valoração. Uma mentira é, sempre, uma mentira, o uso da hipocrisia é, sempre, uma hipocrisia; uma agressão verbal não é assimilável a uma pedra que pode estar a ser parte de um muro ou pode servir para arremesso, e é, sempre, uma arma contra outros.
Ao contrário de outros instrumentos, as palavras, os argumentos, podem "ser de direita ou "ser de esquerda. São “de direita”, são seus instrumentos, a mentira, a calúnia, o insulto, a palavra que desinforma e deforma; são “de esquerda”, são seus instrumentos, a verdade, a transparência, a palavra que informa, certa e solidária.
Por isso, é desigual o combate e “ser de esquerda” é – também – não ter pressa, porque ter pressa poderia levar a servir-se de instrumentos com utilizações que são próprias “da direita”, a dizer ou escrever palavras que são do léxico “da direita”, a usar argumentos que "de direita" são. Ou seja, a não “ser de esquerda”!
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Estarei a ver tudo a preto e branco? É possível... mas, acrescento já, que penso haver quem se diga, e julgue, "de esquerda" e tenha comportamentos "de direita", e - sublinho! - há quem se diga, e julgue, "de direita" e tenha comportamentos "de esquerda".
A vida, o ser humano, tudo, é feito de contradições... Não há que etiquetar, mas há que saber do que falamos quando falamos de quê.

"Emenda de mão"

Não. Não sou eu que "emendo a mão". São os serviços de candidatura de Cavaco Silva que o terão feito, face à enormidade do argumento do candidato de não debater com os outros candidatos... por ainda não ser candidato quando há imenso tempo anda em campanha e, até, a fazer apresentações formais com pompa e circunstância!

Aqui fica o que será o calendário dos debates (que retiro do meu amigo, e companheiro de tarefa de mandatário distrital, Samuel no seu Cantigueiro. Obrigado!):

14 (Terça-feira): Fernando Nobre-Francisco Lopes (RTP)

16 (Quinta-feira): Defensor Moura-Manuel Alegre (RTP)

17 (Sexta-feira): Cavaco Silva-Fernando Nobre (SIC)

18 (Sábado): Manuel Alegre-Francisco Lopes (SIC)

21 (Terça-feira): Francisco Lopes - Cavaco Silva (TVI)

22 (Quarta-feira): Fernando Nobre- Manuel Alegre (TVI)

23 (Sexta-feira): Cavaco Silva-Defensor Moura (SIC)

27 (Segunda-feira): Defensor Moura-Fernando Nobre (RTP)

28 (Terça-feira): Defensor Moura- Francisco Lopes (TVI)

29 (Quarta-feira): Manuel Alegre-Cavaco Silva (RTP)

terça-feira, dezembro 07, 2010

Aquele homenzinho...

Em léxico democrático, a posição do candidato a continuar Presidente da República é inqualificável. Já foi dito que é desprezível a sua postura como cidadão, e concordo inteiramente, Revela um total desrespeito pelas normas democráticas, de que deveria ser o garante, uma absoluta falta de consideração pelos outros, enquanto concidadão. Com despudorada naturalidade - e impunidade - coloca o lugar que ocupa ao serviço da sua candidatura e para ditar regras que cobre de hipocrisia.
Sendo mandatário distrital de Francisco Lopes, já me foram desmarcadas várias sessões em que iria participar, nessa qualidade, com representantes de outras candidatura,s porque da parte da candidatura de Cavaco Silva se decidiu que não haveria sessão. Estes exemplos são uma gota de água no imenso mar que se traduz por CS não querer campanha democrática em que as outras candidaturas possam ter a oportunidade de esclarecer os compatriotas... e já nem digo em condições próximas das que ele desfruta, usa e abusa.
Não se esperaria comportamento democrático da parte de quem tão bem se integrou no sistema fascista para ter a sua vidinha e o acesso facilitado a papéis e documentos para a sua carreirazinha. Mas a forma como manobra para fazer de 23 de Janeiro uma fácil reeleição, ao jeito de entronização, é inadmissível. Apesar de tão ferida e maltratada, esta democracia, no estado a que chegou, não merecia tanto de tão mau.

IDH-2010 - os países de desenvolvimento humano muito elevado

O Relatório do Desenvolvimento Humano 2010 foi publicado no mês de Novembro. O manancial de informações que faculta dá, como tenho dito, "pano para (muitas) mangas". Algumas vou por aqui deixar.

Antes de mais, sublinhar o já dito. Estes relatórios referem-se a um indicador, índice de desenvolvimento humano, que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) vem elaborando e publicando desde 1990. Procura ponderar as habituais medidas de crescimento económico com dados relativos à educação e à saúde e procura, ano a ano, introduzir melhorias.

Transcrevi, aqui, o prefácio ao relatório deste ano - A Verdadeira Riqueza das Nações - vias para o desenvolvimento humano -, e também o seu índice, e estou a aproveitar os seus dados.

Nesse aproveitamento, comecei por encontrar a dificuldade de actualizar a série de IDH porque a introdução de alguns conceitos novos o tornam impossível. Esses conceitos e dados novos referem-se às desigualdades - e a eles me referirei - e terão provocado alguma mexida no ordenamento dos países.

No anterior relatório havia arrolados com IDH 182 países e neste, de 2010, há 169, mas continua a distribuição por desenvolvimento humano muito elevado, elevado, médio e fraco, e alguns países para que não se calculou a totalidade das componentes e que, por isso, não se incluem na lista.
No relatório de 2010, consideram-se de IDH muito elevado 42 países, que têm um IDH superior a 0,788 (no anterior relatório o IDH de fronteira era de 0,900 e incluía 38 países), um valor médio de 0,878, uma esperança de vida à nascença de 80,3 anos, 11,3 anos de média de escolaridade, 15,9 anos de escolaridade esperados, e um rendimento nacional bruto por habitante (em paridades de poder de compra) de 37.225 dólares de 2008.
Do anterior relatório para este de 2010, um país desceu ao nível inferior, o Kuwait, e 5 subiram -Eslováquia, Estónia, Hungria, Bahrein e Polónia -, 13 países subiram lugares, sendo o de maior subida a Nova Zelândia que passou de 20º para 3º, 6 mantiveram o lugar que tinham, e 23 desceram com a maior queda da Islândia, com - 14 lugares (de 3º para 17º), além do Kuweit que desceu de 31º para 47º. Portugal desceu 6 lugares, passando de 34º para 40º, e teria baixado de nível (de IDH muito elevado para IDH elavado) se não tivesse havido abertura do critério pois ficou abaixo dos 0,800 (0,795); quanto aos componentes do IDH já referidos, Portugal observa, para 2010, 79,1 anos de esperança de vida à nascença, 8,0 anos de média de escolaridade, 15,5 anos de escolaridade esperada e 22.105 dólares de RNB a PPC, 60% da média do nível muito elevado a que continua a pertencer. É, no entanto, o penúltimo (antes da Polónia) dos 23 países da União Europeu que estão nesse nível (depois da subida da Eslováquia, da Estónia e da Hungria), apenas se mantendo no nível elevado Lituânia. Letónia, Roménia e Bulgária.

As leis laborais e as laboriosas reformas

Lê-se na comunicação social:

Trabalho
Sócrates anuncia em breve
detalhes da reforma das leis laborais
Económico com Lusa
07/12/10 12:59
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Sócrates remeteu mais pormenores para "os próximos dias".
O primeiro-ministro promete revelar em breve pormenores sobre a reforma do mercado de trabalho, uma das recomendações de Bruxelas.

"Já disse que nós iríamos fazer uma agenda para o crescimento, temos reuniões marcadas com vários parceiros sociais. Portanto, a resposta é sim e esperarão pelos próximos dias para saberem mais pormenores", afirmou o primeiro-ministro, citado pela Lusa, quando questionado se admite uma reforma das leis laborais.

Sócrates falava aos jornalistas à margem da apresentação do relatório PISA 2009, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE), que decorreu na Gulbenkian, em Lisboa.

De recordar que a Comissão Europeia tem pressionado Lisboa a avançar com reformas estruturais no mercado de trabalho de forma a recuperar emprego.
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A quantas reformas das nossas leis laborais é que já assistimos, quantas os trabalhadores já sofreram?
Sempre contra os direitos adquiridos pelos trabalhadores. Sempre fazendo "tábua rasa" do constitucionalmente estabelecido. Sempre com o exterior a aconselhar, ou a dar ordens, como é agora o caso!
Muito custa a fechar as portas que Abril abriu...

Relatório do Desenvolvimento Humano-2010 (PNUD) - Índice

Relatório do Desenvolvimento Humano 2010
Índice
*
Prefácio
Introdução de Amartya Sen
Agradecimento
Abreviaturas
visão geral

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Capítulo 1
Reafirmação do desenvolvimento humano
A declaração original
Relatórios do Desenvolvimento Humano - à frente do seu tempo
O Desenvolvimento Humano permanece tão vibrante como sempre
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Capítulo 2
O progresso das pessoas
Tendências recentes no desenvolvimento humano:
sob a perspectiva do Índice de Desenvolvimento Humano
Vidas mais longas, melhor saúde
O conhecimento aumenta as possibilidades
Padrões de vida mais elevados
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Capítulo 3
Caminhos diversos para o desenvolvimento
O quebra-cabeças do crescimento económico
e do desenvolvimento humano
Avanço global: o papel das ideias e da inovação
O papel das instituições, das políticas e da equidade
A história mais profunda: mercados, estados e o contrato social
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Capítulo 4
Tudo o que é bom nem sempre vem junto
As dimensões mais vastas do desenvolvimento humano
Capacitação
Desigualdade
Vulnerabilidade e sustentabilidade
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Capítulo 5
Inovações na medição das desigualdades e da pobreza
Três novas medidas multidimensionais
Medição da desigualdade multidimensional – o IDH Ajustado à Desigualdade
Medição da desigualdade de género – o Indice de Desigualdade de Género
Medição da Pobreza – o Índice de Pobreza Multidimensional
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Capítulo 6
A agenda para além de 2010
O progresso e a ameaça das alterações climáticas
Uma agenda para a política
Uma agenda para a investigação
.
Notas
Bibliografia
Anexo estatístico
Guia do leitor
Legenda dos países e classificações do IDH, 2010
Tabelas estatísticas
Notas técnicas
Definições de termos estatísticos
Classificação de países
.
Pano para muitas mangas....

O IDH - 2010 - prefácio

Acho que vale a pena ler este prefácio ao relatório com o título A Verdadeira Riqueza das Nações, e estes relatórios do Desenvolvimento Humano, de que se publica o 20º (apenas faço sublinhados...).


«Prefácio


Em 1990, o PNUD publicou o seu primeiro Relatório do Desenvolvimento Humano (RDH), com o recém-criado Índice de Desenvolvimento Humano. A premissa do IDH, considerada radical na época, era de uma simplicidade elegante: o desenvolvimento nacional devia ser medido não apenas pelo rendimento nacional, como era prática havia muito tempo, mas também pela esperança de vida e pela alfabetização, em relação às quais estavam disponíveis dados comparáveis para a maioria dos países.
O novo IDH tinha as suas imperfeições, como os próprios autores do Relatório reconheceram de imediato, incluindo o facto de se basear em médias nacionais, o que ocultava as assimetrias de distribuição, e a ausência de uma “medida quantitativa de liberdade humana”. Contudo, adiantava com sucesso a tese central do Relatório, expressa sucintamente na sua primeira frase: “As pessoas são a verdadeira riqueza de uma nação.”
Vinte anos depois, o brilho conceptual e a continuada relevância desse paradigma original do desenvolvimento humano são indiscutíveis. É agora quase universalmente aceite que o sucesso de um país ou o bem-estar de um indivíduo não podem ser avaliados somente pelo dinheiro. O rendimento é, obviamente, crucial: sem recursos, qualquer progresso é difícil.
Contudo, devemos também avaliar se as pessoas conseguem ter vidas longas e saudáveis, se têm oportunidades para receber educação e se são livres de utilizarem os seus conhecimentos e talentos para moldarem os seus próprios destinos.
Essa foi a visão original e permanece como a grande realização dos criadores do Relatório do Desenvolvimento Humano, Mahbub ul-Haq, do Paquistão, e o seu amigo e colaborador próximo Amartya Sen, da Índia, que trabalharam com outros pensadores do desenvolvimento humano. O seu conceito serviu de orientação, não só para 20 anos de Relatórios de Desenvolvimento Humano globais, mas também para mais de 600 Relatórios de Desenvolvimento Humano nacionais – todos investigados, redigidos e publicados nos seus respectivos países – bem como para muitos relatórios provocadores de âmbito regional apoiados pelos gabinetes regionais do PNUD.
Talvez mais importante, a abordagem do desenvolvimento humano afectou profundamente toda uma geração de responsáveis por políticas e especialistas do desenvolvimento de todo o mundo – incluindo milhares no âmbito do próprio PNUD e noutras agências do sistema da ONU.
Este marco do 20º aniversário constitui uma oportunidade para rever de forma sistemática as realizações e os desafios do desenvolvimento humano aos níveis global e nacional – uma tarefa nunca tentada desde o primeiro Relatório – e para analisar as suas implicações nas políticas e nas investigações futuras. Num aspecto crucial, os dados existentes são convincentes e claros: existe muito que os países podem fazer para melhorar a qualidade de vida das pessoas, mesmo em circunstâncias adversas. Muitos países obtiveram grandes ganhos na saúde e na educação apesar de um modesto crescimento no rendimento, enquanto que outros países com um forte crescimento económico ao longo de décadas não conseguiram progressos igualmente impressionantes na esperança de vida, na educação e nos padrões de vida em geral.
Os melhoramentos nunca são automáticos – requerem vontade política, liderança corajosa e o continuado empenho da comunidade internacional.
Dados dos últimos 40 anos revelam também uma enorme diversidade de percursos no sentido de alcançar o desenvolvimento humano: não há um modelo único ou uma receita uniforme para o êxito.
Este Relatório mostra um progresso significativo de muitos dos países em muitas das áreas, com os países mais pobres a mostrarem, com frequência, os ganhos maiores. Embora possa não ser uma surpresa para os estatísticos, há quatro décadas atrás estava longe de ser universalmente presumido que os países de mais baixo rendimento dariam os significativos passos em frente que os registos agora revelam em termos de saúde, educação e (em menor grau) rendimento.
Nem todas as tendências são positivas, como tão bem sabemos. Infelizmente, vários países tiveram um recuo na consecução absoluta do IDH desde o Relatório de 1990. Estes países proporcionam lições sobre o devastador impacto dos conflitos, das epidemias de SIDA e da má gestão económica e política. Muitos deles sofreram os efeitos de vários ou até de todos esses factores.
Apraz-me especialmente a continuação da tradição do Relatório do Desenvolvimento Humano em matéria de inovação da medição. No Relatório deste ano são introduzidas três novas medidas – que registam a desigualdade multidimensional, as disparidades de género e a privação extrema. O IDH Ajustado à Desigualdade, o Índice de Desigualdade de Género e o Índice de Pobreza Multidimensional, que exploram inovações no terreno e avanços na teoria e nos dados, são aplicados à maior parte dos países do mundo e proporcionam perspectivas novas e importantes.
Estas novas ferramentas de medição reforçam a continuada validade da visão original do desenvolvimento humano. Em antecipação, os Relatórios futuros terão de enfrentar problemas ainda mais difíceis, incluindo a área da sustentabilidade, cada vez mais vital, bem como a desigualdade e os conceitos mais amplos de capacitação. Continuamos a confrontar-nos ainda hoje com muitos dos desafios analíticos e estatísticos identificados no Relatório original de 1990.
O PNUD pode ter um justificado orgulho no seu apoio a este Relatório inovador e intelectualmente independente ao longo das duas últimas décadas, mas os Relatórios de Desenvolvimento Humano nunca foram um produto criado exclusivamente pelo PNUD.
Os Relatórios dependem muito dos conhecimentos e das perspectivas de outras agências da ONU, dos governos nacionais e de centenas de académicos de todo o mundo, e sempre estivemos gratos por essa colaboração. Como demonstra persuasivamente a edição do 20º aniversário deste ano, podemos e devemos continuar a ser orientados pelos valores e conclusões dos Relatórios de Desenvolvimento Humano para os próximos 20 anos – e mais além.


Helen Clark
Administradora
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

A análise e as recomendações políticas deste Relatório não reflectem necessariamente as perspectivas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento ou do seu Conselho Executivo. O Relatório é uma publicação independente encomendada pelo PNUD. A investigação e a redacção do Relatório constituem um esforço colaborativo da equipa do Relatório do Desenvolvimento Humano e de um grupo de consultores eminentes liderado por Jeni Klugman, Directora do Gabinete do Relatório do Desenvolvimento Humano

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A seguir, será publicado o índice do Relatório de 2010 e, depois, muitos comentários e se há comentários a fazer!

Reflexão lenta e curta ao fim do dia. O BCE dá uma "ajudinha", mas...

O BCE dá uma "ajuda" comprando dívida portuguesa,
os juros estão abaixo dos 6%,
o Conselho de Ministros das Finanças da UE exige mais e mostra pressa,
a Alemanha recusa-se a alargar o fundo,
os Estados Unidos estão preocupados,
já se fala da França como o próximo alvo, depois de Portugal e da Espanha, "arrumados" os 4 porquinhos (PIGS).
.
Os cenários sucedem-se em catástrofe, com ligeiras abertas que não dão para fechar os guarda-chuva.
O capitalismo, nesta sua fase, apenas tem um objectivo, o que lhe é genético. Atacar o trabalho, isto é, os trabalhadores no activo, os desempregados, os reformados, e as micro, pequenas e médias empresas. O que mexe. O que produz e distribui. Sem o objectivo de produzir, acumular capital financeiro fictício para acesso à redistribuição do produzido, O resto são disfarces. E tudo só adiamentos.

segunda-feira, dezembro 06, 2010

O Indice de Desenvolvimento Humano - o relatório de 2010

Há muito acompanho (há vinte anos...) o indice de desenvolvimento humano, e os relatórios anuais que o criaram e anualmente o apresentam.

A decisão do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) de se encontrar uma medida para o desenvolvimento (aliás, na linha de bem separar este conceito do de crescimento económico) tem de ser considerada, na sua proposição, como muito positiva. Independentemenet de todas as reservas que possam merecer algumas intenções... ou as intenções de alguns.
Não se corroborará a afirmação do prefácio do relatório deste ano de que "É agora quase universalmente aceite que o sucesso de um país ou o bem-estar de um indivíduo não podem ser avaliados somente pelo dinheiro" porque parece evidente que essa "quase universalidade" não se traduz, na prática, numa tendência das relações sociais predominantes, podendo mesmo dizer-se que estas têm sido desmesuradamente dominadas pela financeirização da economia, ou seja, pelo domínio do dinheiro, de tudo avaliador, e cada vez mais (juntamente com o crédito) fictício porque cada vez mais desligado da base real, da consideração de que “As pessoas são a verdadeira riqueza de uma nação”, que, como também lembra o prefácio deste ano, foi a primeira frase do primeiro relatório, de 1990.
Já este ano, durante o mês de Maio, e para melhor caracterizar a situação de Cuba no contexto mundial, estudei a sua evolução nos relatórios e indicadores, em sete mensagens a que dei o título genérico de Viagem POR CUBA, com resultados que a mim próprio me surpreenderam.
Esperava, com alguma ansiedade, poder dispor do relatório deste ano, o 20º, anunciado para este fim do ano. Ele aí está, e a ele me estou "a atirar", com o título A verdadeira riqueza das nações - vias para um desnvolvimento humano.





É com vontade de me informar e de informar que o vou trabalhar.




Desde logo, deparei com uma dificuldade. E grande. O relatório deste ano aparece com muitas alterações, resultantes da afirmada procura de cada ano incluir melhorias em áreas muito delicadas, como o prefácio o confirma.

A juntar aos permanentes indicadores sobre saúde e sobre educação que procuram ponderar os de crescimento económico habitualmente utilizados, o prefácio revela que «(...) No Relatório deste ano são introduzidas três novas medidas – que registam a desigualdade multidimensional, as disparidades de género e a privação extrema. O IDH Ajustado à Desigualdade, o Índice de Desigualdade de Género e o Índice de Pobreza Multidimensional, que exploram inovações no terreno e avanços na teoria e nos dados, são aplicados à maior parte dos países do mundo e proporcionam perspectivas novas e importantes(...)»

Assim, diz-se que o relatório deste ano, e o IDH que inclui, actualizado, tem componentes de medida das desigualdades sociais. O que veio alterar, significativamente, a série e cirar as dificuldades que refiro. A primeira, até pela continuidade do trabalho de Maio, pelo facto de Cuba ter saído da lista dos 169 países da lista, embora com inclusão de dados sobre o país.

Por isso, apenas deixo esta nota introdutória ao estudo que vou proseguir, metendo de permeio, em próximo "post", quer o prefácio quer o índice da síntese do relatório.

Sobre Cuba apenas deixo a impressionante referência de que, tendo saído da lista dos 169 países, decerto por questões técnicas-estatísticas, estas, no entanto, não impedem que Cuba seja o 17º mundial, de 173 - os 169 e mais 4 para que é possível encontrar medida para um novo (e muito significativo)indicador, o de valor do IDH não monetário -, numa lista em que os três primeiros são Austrália, Nova Zelândia e Noruega, e em que Portugal ocupa o 45º lugar!

12º encontro de partidos comunistas e operários

Realizou-se na África do Sul, de 3 a 5, o 12º encontro internecional de partidos comunistas e operários. Ler aqui a nota de imprensa.

China e Russia - o mais populoso e o maior

Os presidentes dos executivos da China e da Rússia (o mais populoso e o maior dos países do mundo, dois dos BRIC) terem tido um encontro na semana passada mão mereceu (não diria estranha mas) significativamente relevo algum. Dele pode ler-se referência no google e adequado relevo aqui, no blog antreus.

O facto de terem decidido passsar a usar as respectivas moedas nacionais nas suas relações económicas, para evitarem "contaminações" provocads pelo dólar, tem o maior significado - até pelo exemplo - e essa decisão poderá, ela sim, provocar "contaminações" de outro tipo.

Todos estes processos exigem muita cautela, muita paciência ("chinesa"...) até porque a China, na posse do mais elevado valor (de muito longe) das reservas monetárias mundiais, grande parte tituladas em dolares, terá todo o cuidado em não as desvalorizar nem muito nem muito rapidamente, pois isso ser-lhe-ia muito prejudicial no caminho que vêm percorrendo.

Mas o sinal dado neste encontro é muito significativo. Como o silêncio à volta dele.

domingo, dezembro 05, 2010

Há sete anos que ele-Cavaco escreveu, mas... (*)

... mas há menos de sete anos (foi em dois mil e sete) que nós, os do colectivo que escolheu Francisco Lopes para candidato - e que tantos outros estão a apoiar - "passou a limpo", numa Conferência Económica, o que vinhasendo dito e escrito sobre os caminhos da economia portuguesa há sete e mais anos.
Por exemplo,

  1. Há sete anos (mais mês menos mês) quando entrou em funcionamento o euro.
  2. Há duas vezes sete anos (mais coisa menos coisa) quando foi decidida, em definitivo (?) a criação da moeda única e com quem.
  3. Há três vezes sete anos (mais ou menos) quando se entrou na Comunidade Europeia e começou a "construir" a União Europeia.
  4. Há quatro vezes sete anos (mas já antes) se enveredou pelos caminhos do FMI e da "Europa connosco".
  5. Há cinco vezes sete anos (e mais uns tantos meses) quando se usou a via parlamentar para apagar, aos poucos e como o podiam fazer, a via da democracia participativa e avançada.
  6. Há seis vezes sete anos (vindos de antes) se adoptou a efectiva mudança contra a continuidade de mudança faz-de-conta.
  7. Há sete vezes sete anos (à volta disso) se definiu qual o rumo para a vitória.

Ou seja, no colectivo que propõe Francisco Lopes para Presidente da Republica há muita coisa escrita sete vezes sete anos (e mais) que apagam, mas totalmente..., as pretensões de quem se arroga o dom de prever e escrever com antecipação, e nada fez para corrigir o que previu e escreveu, para que tão decisivamente contribuiu enquanto noutras funções executivas (mais de sete anos de primeiro responsável porque foram dez).

O que está em causa são as políticas, é o funcionamento da economia e, sobre este, muito mais de sete vezes sete anos passaram desde que esse funcionamento foi analisado e escalpelizado, nas condições de então e dinâmicas detectáveis, por um senhor chamado Marx que nos deixou obra (e pistas) para bem acompanhar e transformar a realidade.

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(*) - Esta mensagem foi rascunhada logo a seguir à anterior. Deixámo-la à espera do regresso de um almoço CDU presta contas, em Constância (depois falo disso), para o início de uma tarde e noite de trabalho. Mas, ao voltar a casa, deparou-se-nos uma situação anómala. Nem luz, nem ligações telefónicas, nem net. Nada. Durante horas!, e até desistirmos, desesperados e a reflectir sobre as nossas contemporâneas dependências. Para a cama antes das 23 (!), com a "ajuda" de comprimidos para nos atenuar a irritação (era mais que isso) e... pôr a dormir. O dia parece ter acordado normal (como lá para as 4 da manhã "espreitámos" mas sem força para fazer mais que isso). Bom dia!