sábado, dezembro 18, 2010

IDH-2010 - o índice de não-rendimento (ou monetário)

Se já aqui se referiu o confronto entre as tabelas de crescimento económico (RNB per capita em dolares em ppc) e as do IDH compósito ou conjunto, o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2010 inclui uma coluna em que se lista o IDH de não-rendimento (ou não monetário, na tradução literal do francês), em que se calcula o desenvolvimento humano excluindo o indicador monetarizado.
Parece interessante que, sendo habitualmente avaliado o desenvolvimento humano por via de indicadores económicos (como o PIB ou o RNB), o PNUD, nos seus cálculos, autonomize as componentes relativas à saúde e à educação e ordene os países por índices não monetários mas referidos a níveis nessas vertentes tão significativas do viver (humanizado) das populações.

A lista que elaborei inclui os 45 primeiros países dos 173 arrolados (os 169 com IDH calculado mais 4 que, não estando incluídos nessa lista de IDH total, estão, no entanto, numa outra lista em que se referem os seus valores de IDH de não-rendimento).

Algumas notas de sublinhado:

  1. Cuba que foi excluido da lista de IDH total por "falta de dados internacionalmente compilados e verificados", só o terá sido devido a a dados relativos ao rendimento monetário pois no IDH de não-rendimento ocupa um verdadeiramente extraordinário: 17º lugar, entre a Espanha e a Grécia!
  2. Os países com posição entre os de mais elevado nível de desenvolvimento humano devido à disposição de matérias primeas estratégicas, sobretudo petróleo, desaparecem desta lista de IDH de não-rendimento.
  3. Os países europeus que viveram décadas de experiência de construção do socialismo têm subidas muito significativas, estando todos nesta lista, com excepção da Bulgária que, no entanto, estaria entre os 50 primeiros quando é o 58º no IDH compósito.
  4. Os países "de lavagem de dinheiro" (ou outro tipo de "paraísos"), como Liechenstein (19 lugares), Andorra (14), Singapura (12 lugares) e Luxemburgo (11 lugares) são os de mais forte queda, e até a Suiça, pelo seu papel no sistema bancário-monetário, desce 6 lugares nas componentes saúde-educação relativamente ao lugar que ocupa no IDH conjunto por efeito do peso da componente monetário-especulativa.
  5. A Islândia é o país de maior subida, mas por motivo da queda das componentes de crescimento dito económico, que ainda não teriam atingido as componentes saúde e educação, o que, ao que parece, os islandeses não estão muito dispostos a deixar que aconteça: se há algo que tenha que falir, que vão os bancos responsáveis pela crise à falência...
  6. Portugal desce 5 lugares, passando de 40º para 45º!



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(*) - outro país em idêntica situação é o Palaos, com um 36º lugar, mas não me parece relevante dadas as suas características: uma dimensão pouco superior ao concelho de Ourém e uma população de 20 mil habitantes, em país independente desde 1994 mas totalmente dependente dos Estados Unidos, até nas votações sobre o bloqueio a Cuba, em que o documento de rejeição desse bloqueio, votado este ano na Assembleia-Geral das Nações Unidas, teve apoio quase unânime dos 192 países que integram a ONU, já que 187 membros votaram a favor, dois contra (EUA e Israel), além de 3 abstenções (Ilhas Marshall, Palaos e Micronésia).

9 comentários:

Fernando Samuel disse...

Sempre a descer em tudo quanto é bom, sempre a subir em tudo quanto é mau...

Um abraço.

Graciete Rietsch disse...

Pelo que tenho lido nos teus textos julgo que no cálculo do IDH,se deviam incluir as duas vertentes, a monetária e a não monetária pois me parece que deviam estar interligadas. No entanto elas podem até ser contraditórias como no caso de Cuba em que a Saúde e a Educação são componentes privilegiadas.
Terei razão?

Um beijo.

Justine disse...

Estudo interessantíssimo!

cristal disse...

Ando a seguir muito atentamente os teus elucidativos comentários ao Relatório sobre IDH. É só para saberes isso, porque não tenho deixado rasto da passagem e porque quero agradecer a tua leitura que muito ajuda a minha. Um abraço.

Jorge Manuel Gomes disse...

Desde o Marão...

Preciosa esta análide do IDH 2010.
Mais armas e argumentos numa luta sempre desigual, em que o plano se encontra cada vez mais inclinado.

Obrigado Camarada.

Jorge

Anónimo disse...

Ah! Li mal o texto. O meu comentário anterior estava equivocado.

linhadovouga disse...

Sérgio, uma sugestão: seria bom que alguém como tu pudesse corrigir o artigo que está na Wikipedia sobre o IDH, bastante incompleto e ilusório. Lendo-o e vendo os mapas que lá estão, parece que Cuba, com a "ausência" de dados, está desclassificada ou mesmo abaixo dos sub-desenvolvidos. Ao mesmo tempo, Portugal aparece numa posição muito superior ao que seria imaginável.

Qualquer leigo que queira saber o que é isso do IDH tem como primeira paragem, com fortes probabilidades, a Wikipedia. E a não ser que tenha a sorte de conhecer alguém como tu, com um blogue como este, por aí fica. Assim, como qualquer pessoa registada pode corrigir, desde que com rigor "enciclopédico" os artigos da Wikipedia, estes teus esclarecimentos chegariam a milhões de pessoas.

Um abraço

Anónimo disse...

Em que fonte você se baseou para fazer a sua análise? Eu achei uma informação bem diferente no site da ONU... Veja: http://hdrstats.undp.org/fr/indicateurs/104706.html - Ali está indicado que Cuba ocupa o 51º lugar no ranking. E temos Uruguai, Argentina e Chile (apenas para ficarmos na América Latina) à sua frente em relação ao IDH não monetário...

yanmaneee disse...

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