terça-feira, dezembro 13, 2011

Anexo a jeito de caricatura

Depois de se terem criado condições políticas para que não se aproveite, em Portugal, o muito mar e a excelência do posicionamento geográfico, a terra, as espécies e o sol como recursos produtivos, para se desperdiçarem recursos adquiridos como a metalurgia, as agro ou pesci-indústrias, os têxteis, para tudo se substituir por infraestruturas rodoviárias (para entrada de produtos importados e para circulação de turistas) e um sistema bancário,
depois de todas essas e outras malfeitorias, chegou a vez de, à destruição do aparelho produtivo, se juntar o desmantelamento do que reste dos direitos que se mantém, em razão da resistência e do aparelho do Estado ter de considerar a relação de forças, ao nível da democracia (pouco) representativa e da luta organizada de massas.
O episódio, antes aqui registado, do leilão das acções do Estado na EDP, imposto por uma troika e por outra obedecido, pode caricaturar-se (e não é para rir...) de forma elucidativa:
  • entre "governantes", decidiram "fechar o negócio", falsear o leilão
  • não importa as condições melhores para quem vende, importa quem compra
  • após a compra desse pacote de acções, o actual comprador (que já anunciou ir despedir 11 mil dos 80 mil trabalhadores, sem que isso tenha tido qualquer influência nas condições do vendedor para se fazer o negócio), ficará o novo "patrão"  
  • depois, sempre com o apoio do seu "governante", fixará os preços a que nos vai vender os "produtos" da empresa (ou grupo)
  • o actual vendedor, na "qualidade" de comprador dos "produtos", passará a pagar ao actual comprador o que antes era, em parte, seu
  • o actual vendedor, que é o futuro comprador dos "produtos", gastará acima das suas possibilidades, em função do preço diktado pelo mercado, que o novo "patrão" controla  
  • pelo que, ficará a dever e acumulará dívida de outros anteriores "negócios &  artimanhas"
  • assim sendo, o já então ex-vendedor, e já comprador endividado, pedirá emprestado ao actual comprador, já então "patrão", o necessário para pagar a este (a leste e lesto)
  • e pagará com "língua de palmo", ou seja, com juros que o mercado determinar, a partir de posições relativas em que é determinante (ou diktador) o "patrão" que comprou o pacote, e que vendeu "produtos", e que emprestou para ser pago por quem vendeu, e que decidiu os juros, e, e, e
  • isto é, o capital financeiro 
  • ...
Alto aqui e pár'ó baile, digo eu!

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Acções do Estado na EDP em falso leilão

Isto não é uma "cunha", é um diktat.
Isto não é uma venda em leilão, é uma entrega em mão.
Isto não são governos, são gestores de negócios sujos, usando o poder que os votos lhes deram.
A Merkel (que em vez de Ângela se deveria chamar Adolfa) e o Coelho (que se devia chamar António) estão bem um para o outro e para os seus ante(s)passados. 


O governo alemão iniciou um processo de apoio à EON, a mais importante empresa de serviços do país, para adquirir uma posição accionista em Energias de Portugal (EDP), que o governo de Lisboa está a leiloar no contexto das reformas exigidas pela crise da dívida na eurozona.
Ângela Merkel, chanceler, procurou mostrar as vantagens da oferta da EON para 21% das acções na EDP numa recente conversação com Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro português, segundo uma fonte próxima da situação.



O negócio da transferência de fundos de pensões

No Económico:

DESTAQUE
Banca ganha 20 anos de créditos fiscais
por transferir pensões

Estado vai compensar a banca pelo impacto negativo na transferência dos fundos de pensões. Créditos fiscais podem ir até 20 anos.

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G'anda negócio!
Impacto negativo? Claro! Se deixam de ter a obrigação de pagar as pensões... ficam com menos uns fundos - que lhes estavam confiados - para especular! 
Perguntou-se alguma coisa a quem descontou, dos seus salários, para que esses fundos existam e sirvam para estas manigâncias?
Isto é seria verdadeiramente um escândalo!

Como é que é isto?

No Económico:

DESTAQUE
 
Juros de 390 milhões
contabilizados duas vezes no Orçamento

Erro de 390 milhões de euros prejudica um dos indicadores-chave para os potenciais investidores em dívida pública e para as agências de ‘rating’.
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Como é isto possível? E foi a Assembleia da República, na sua unidade técnica, que o descobriu.
390 milhões de euros passam na peneira?! Ao menos, um pouco de competência.
E ainda se lê que não tem reflexos no défice. Claro que não, porque ele é o resultado do que se vai pagar menos o que se vai receber... a não ser que se vá pagar duas vezes, de acordo com o contabilizado!

E ainda acabam por despedir o contínuo do Ministério,
ou um motorista que tenha feito greve.

Outra informação - 13º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários

Ontem, terminaram os trabalhos do 13º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, que reuniu em Atenas, de 9 a 11 De Dezembro, 78 Partidos oriundos de 59 países.
No último dia dos trabalhos o Encontro adoptou uma Declaração Final. Esta declaração parte da confirmação do rápido aprofundamento da crise do capitalismo e da intensificação da ofensiva multifacetada do imperialismo, e aponta para o fortalecimento da luta de resistência aos ataques aos direitos sociais, laborais, democráticos e à soberania, por rupturas anti-capitalistas e pela superação revolucionária do capitalismo, como a saída e a real alternativa à crise.
Na decleração, saudam-se as muitas lutas dos trabalhadores e dos povos de todo o Mundo e sublinha-se a importância da solidariedade internacionalista e da cooperação dos comunistas; afirma-se o socialismo como a criação das condições para a erradicação das guerras, do desemprego, da fome, da miséria, do analfabetismo, da insegurança para centenas de milhões de pessoas, da destruição do meio-ambiente e como resposta às necessidades contemporâneas dos trabalhadores.
O 13º Encontro aprovou 7 eixos de acção comum ou convergente dos Partidos Comunistas e Operários:
  • o internacionalismo proletário e o apoio activo as lutas dos trabalhadores e dos povos;
  • a luta contra a agressividade do imperialismo;
  • a solidariedade activa com os povos em luta, vitimas de agressões, ingerência e ocupação;
  • a acção contra o anticomunismo;
  • a denúncia do bloqueio a Cuba e a acção pela libertação dos cinco patriotas cubanos presos nos Estados Unidos;
  • a cooperação no apoio às organizações internacionais anti-imperialistas;
  • a acção em defesa do meio-ambiente e contra o saque aos recursos naturais dos povos.
O Encontro Internacional decidiu que o Partido Comunista Libanês seria o anfitrião da sua 14ª Edição, a realizar em 2012. Os participantes mandataram o Grupo de Trabalho – reconduzido nas suas funções e composição, e que o PCP integra – para a preparação desse encontro nos seus diversos aspectos.
No último dia do Encontro, uma delegação dos seus participantes visitou trabalhadores metalúrgicos em greve há dois meses, dando assim expressão simbólica à solidariedade dos comunistas de todo o mundo à intensa luta dos trabalhadores e do povo da Grécia.

Durante a sua estadia em Atenas, a delegação do PCP realizou encontros e teve, ontem, um encontro bilateral com a Secretária-Geral do PC da Grécia e outros altos dirigentes do PCG.

Jornadas de História, Pensamento e Cultura, em Rianxo, Galiza

Vou dedicar algum do meu tempo da semana a preparar-me para (e para irmos a) estas jornadas. O convite tem semanas (ou meses?), mas a realização é em momento muito oportuno. Mas algum não o seria?

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IV Xornadas Lois Obelleiro
de Historia, Pensamento e Cultura
[Situación e perspectivas da economía galega.
Unha visión crítica da Unión Europea ]
Domingo, 18 de decembro de 2011
Auditorio de Rianxo
PROGRAMA

10:30 Recepción e entrega de documentación
10:45 Inauguración e Moderación das conferencias
Bernardo Valdês Paços
Profesor do Departamento de Economía Aplicada da Universidade de Santiago de Compostela. Autor de diferentes traballos sobre política agraria e sobre Europa.
11:00 Conferencia-Coloquio
Estado actual da economía galega. Propostas de saída á crise
Xavier Vence Deza
Catedrático de Economía Aplicada da Universidade de Santiago de Compostela, foi Director do IDEGA entre 1991-95. Profesor invitado en diferentes universidades estranxeiras, ten formado parte de diversos comités de expertos de organismos internacionais. É coordinador do grupo de investigación ICEDE e da Área de Economía do Seminario de Estudos Galegos. Autor, entre outros, dos libros Capitalismo e desemprego en Galicia, Innovación e cambio tecnolóxico na industria, O fracaso neoliberal na Galiza e Salarios e custo da vida. O seu blog é http://xaviervence.blogspot.com/
12:15 Descanso
12:30 Conferencia-Coloquio
Unión Europea, crise económica da zona euro e nacións periféricas. Alternativas á actual situación
Sérgio Ribeiro
Doutor en Economía e membro do Comité Central do Partido Comunista Português. Exporá a visión dunha persoa que coñece as institucións europeas por dentro; foi eurodeputado entre 1990-1999 e 2004-2005 formando parte da presidencia do Parlamento europeo durante cinco anos. Desde a súa militancia defende unha outra Europa moi alonxada da actual UE e unha política económica oposta ao neoliberalismo. Posúe ampla experiencia política e académica, destacando entre as súas obras "O Mercado Comum: a integração e Portugal", "Décadas de EUropa" e "Não á moeda única", sendo tamén coautor do libro "Pequeno curso de economía". Ademais mantén o blog http://anonimosecxxi.blogspot.com/
14:00 Xantar
17:00-18:00 Roteiro cultural
O Rianxo de Castelao
Percorrido polos lugares e espazos da vivencia do autor do Sempre en Galiza no 125 aniversario do seu nacemento.
Información:
- A data límite de inscrición, gratuíta, é o venres 16 de decembro. Farase por orde de anotación até completar o aforo.
- Existirá ao dispor das e dos asistentes un xantar organizado, de carácter optativo, a un prezo de 20 €.

Retrospectiva da semana no blog

A semana, com tudo o que aconteceu, no mundo, na europa e comigo, foi pouco "blogueira". Ter-se-ão cumprido os "serviços mínimos" - que devo aos visitantes amigos (que alguns são, a alguns com amizade  aqui nascida ou reforçada) mas senti-me um pouco... longe.
Além de razões pessoais, duas intervenções das que muito me (pre)ocupam.
Antes de mais, a reunião do Comité Central.
Foi um CC importante. Assim o senti. Pelo que foi, quando foi.
Pelo que foi quando foi, porque se realizou no dia do começo da “cimeira” decisiva” (mais uma) na U.E., e porque, sem se confinar a esse eixo “europeu”, se disseram (algumas) coisas e tomaram algumas posições (do colectivo, e que se podem conhecer com o intérprete certo, Jerónimo de Sousa - ver aqui) muito oportunas sobre o que estava a acontecer e para acontecer, como se adivinhássemos.
"Bruxos"! Ou bruxa será a nossa base teórica, a que nem sempre prestamos a atenção que lhe é merecida e que nos devemos exigir.
Mas pelo que foi também para além de quando foi, porque se fez um balanço, em CC, da Greve Geral, muito rico de informações, pontuais ou locais, confirmando a grandeza e “diferença” desta greve, de enorme importância, e também pelo realce dado à questão do alargamento do horário de trabalho.
Neste caso, para mim crucial, relevo intervenções que sublinharam a vertente ideológica deste “pormenor” da luta que estamos a travar, que tem uma "carga" enorme, que vai ao âmago da exploração, na nossa leitura das relações sociais e da natureza exploradora do capitalismo.
É um “pormenor” da luta que ilustra, com toda a agudeza, a questão da mais-valia, do tempo de trabalho não pago, como a raiz natural da exploração, o “alimento” da exploração do homem pelo homem.
Diria mesmo que há que tentar corrigir a expressão horário de trabalho por horário de uso da força de trabalho, nem que seja apenas para utilização nossa, naquilo em que queiramos ser inteiramente rigorosos e sem prejuízo da comunicação.

Depois, e entra-se no trabalho colectivo de reforço e aprofundamento da base teórica para a luta, a reunião no Porto, de dia inteiro, em que participaram - activamente! - mais de 30 quadros, excedendo as melhores expectativas. Quantitativas e qualitativas.
A metodologia de dois camaradas animarem a reunião, com uma exposição e um comentário a fazer "de ponte" para o debate, pareceu muito útil, embora deva ser melhorada, por via de melhor preparação. E releva-se, também, o ambiente de convívio e(m) camaradagem.

Sempre a aprender. Com a vida. Com a maneira (nossa) de a viver. 

domingo, dezembro 11, 2011

Reflexão lenta - em continuidade directa da anterior sobre o não do Reino Unido

Continuando a reflexão, tudo isto tem muito mais que se lhe diga.
Em breve apontamento, face ao voto negativo do Reino Unido ao que os tratantes inter-governamentais trataram, pergunta-se que aconteceria se esse voto tivesse sido positivo, e tivesse dado a unanimidade que os próceres (aparentes ou reais) deste estado em que estamos lamentam não ter acontecido?
O sr. Cameron regressava ao Reino Unido, apanhava em cima com os da sua oposição parlamentar e também de muitos dos colegas do seu partido conhecidos por "euro-cépticos" (ele o que será?), e - o que seria bem pior! - teria que se haver com os ingleses todos, indignados (ainda que alguns calados) por ter havido obediência aos do continente, ao eixo alemão-francês, abdicando-se da soberania de que são tão britishmente ciosos!
Daqui poderia resultar uma situação muito complicada, em que um eventual (e muito possível) cenário seria a concretização do referendo, que vem sendo reivindicado, sobre a permanência do Reino Unido na U.E., apesar de todos os opting-outs* (que com o sim ao tratado intergovernamental pouco ou nada valeriam).
E que daria um referendo nestas condições? Se noutras, o não à continuidade seria mais que provável, nestas sê-lo-ia muito mais.
Não será que o não do sr. Cameron veio evitar ser provocada uma situação… que ficou adiada?
E de adiamento em adiamento se vai fugindo para a frente, enquanto não houver força para pôr um travão a estes tratantes que assinam tratados e que - nem pensar…- não os colocam em ratificação popular. E como será a ratificação parlamentar? Se o "tratado" é intergovernamental, estará dispensada?
E chama-se a isto democracia, ainda por cima a democracia que é a deles!
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* - isto é, opção de ficar de fora

IDH-2011 - 11 - mapa-mundo

Com um (leve) sentimento de regresso - que talvez se venha a abordar por aqui - continua-se a observar e a comentar o relatório do PNUD sobre o desenvolvimento humano, com o seu indicador IDH.
Agora, mostra-se um mapa do planeta, dele retirado, e que faculta uma visão do desequilíbrio mundial no que respeita a este indicador.
Seria possível confrontar este mapa, relativo ao relatório de 2011 com os anteriores, indo até 1980, mas esse confronto, apesar de possibilitar leituras interessantes, seria muito prejudicado pelo facto de só recentemente o indicador ter expressão universal, ou quase... por ainda alguns Estados, dos reconhecidos pelas Nações Unidas, por razões diferentes não terem dados disponíveis ou compatíveis, como no mais recente relatório ainda é o caso da Coreia do Norte, das Ilhas Marshall, do Mónaco, Nauru, S. Marino, Somália e Tuvalu.

Para este domingo (e muitos outros)



Fils de bourgeois ou fils d'apôtres
Tous les enfants sont comme les vôtres
Fils de César ou fils de rien
Tous les enfants sont comme le tien
Le même sourire, les mêmes larmes
Les mêmes alarmes, les mêmes soupirs
Fils de César ou fils de rien
Tous les enfants sont comme le tien
... Ce n'est qu'après, longtemps après...

Mais fils de sultan, fils de fakir
Tous les enfants ont un empire
Tous voutes d'or, sous toits de chaumes
Tous les enfants ont un royaume
Un coin de vague, une fleur qui tremble
Un oiseau mort qui leur ressemble
Fils de sultan, fils de fakir
Tous les enfants ont un empire
... Ce n'est qu'après, longtemps après...

Mais fils de bon fils ou fils d'étranger
Tous les enfants sont des sorciers
Fils de l'amour, fils d'amourettes
Tous les enfants sont des poètes
Ils sont bergers, ils sont rois mages
Font des nuages pour mieux voler
Mais fils de bon fils ou fils d'étranger
Tous les enfants sont des sorciers
...Ce n'est qu'après, longtemps après...

Mais fils de bourgeois ou fils d'apôtres
Tous les enfants sont comme les vôtres
Fils de César ou fils de rien
Tous les enfants sont comme le tien
Le même sourire, les mêmes larmes
Les mêmes alarmes, les mêmes soupirs
Fils de César ou fils de rien
Tous les enfants sont comme le tien

 

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Reflexão lenta E HOJE

Se há sentimentos em relação aos quais devamos estar muito atentos, um é o da auto-satisfação. 
Mas, por vezes, é difícil fugir a ele.
Ver consecutivamente confirmadas posições - sobretudo, previsões - por nós deixadas, com a humildade que nos exigimos - o que não quer dizer que sempre sejamos capazes de cumprir... -, convida a esse sentimento.
Bem se pode moderar tal sentimento  com a consciência de que as posições e, evidentemente, as previsões e prevenções, não foram de alvedrio pesssoal mas que são o resultado de uma inserção numa corrente colectiva de pensamento e de avaliação, tal só torna em partilhada a auto-satisfação pessoal. Vem esta reflexão a propósito de hoje.
É que, hoje, ao confrontarem-se os resultados da "cimeira", apetece mesmo dizer "pois, só podia ser isto!, que outra coisa esperar?", e partir para a auto-citação "tal como nós dissemos..." (e arrolar datas, desde há 50 anos, de posições tomadas, de conferências partidárias, de declarações à comunicação social, de textos colectivos, de escritos pessoais).
Até porque, no muito curto prazo, por aqui foram deixadas opiniões e breves notas (estas com toda a estrita responsabilidade pessoal) chamando a atenção para a importância do Reino Unido no imbróglio da União Europeia, que se fazia de conta não existir, que ignorava avestruzmente.
Agora, no dia de hoje, parece ter sido descoberto que o Reino Unido fazia parte do processo de integração capitalista europeia, como acontece desde o final dos anos 50, primeiro em rota ao lado, depois (desde 1972) como parceiro interno e inteiro.
Agora, no dia de hoje, parece ter sido descoberta aquela coisa do opting-out, cuja existe há 20 anos - e não só para o Reino Unido! -, e lamenta-se a ausência de unanimidade. Unanimidade que, ao fim e ao cabo, seria a aceitação obediente do que um directório a dois antes acordou (só lembra um grupo coral formado por muitos em que só dois cantam a música feita por, e para, um...).
Da nossa parte, e para já, apenas se sublinha que, como resposta de classe a uma realidade em mutação, a União Europeia é - melhor: foi! - um desastre. O grande - o grave e perigosísmo - problema é que está na natureza do capitalismo a fuga para a frente.

Só a luta (que é de classes) poderá travar e inverter este caminho.
  

IDH-2011 - 10 - "regiões"

Não se pense que se consideram estes relatórios do PNUD como fontes de indicadores sem mácula. Os IDH são indicadores que têm a virtude de ponderar os habituais indicadores económico-financeiros-monetarizados (PIBs, RNBs) com dados relativos à educação e à saúde aproximando-os do que justifica a sua designação: indicadores de desenvolvimento humano. Virtude que não é pequena, mas que não os torna virtuosos, ou indiscutíveis. São, como indicadores estatísticos, representações da realidade social extremamente complexa.
No agrupamento dos países, além divisão em quatro grupos com fronteiras e designações discutíveis (desenvolvimento humano muito elevado, desenvolvimento humano elevado, desenvolvimento humano médio e desenvolvimento humano baixo), também se faz a divisão pelo que é chamado  "regiões" em que se consideram as regiões de tipo geográfico
África sub-sahariana
América Latina e Caraíbas
Ásia de Leste e Pacífico
Ásia do Sul
Europa e Ásia Central
e duas outras, também chamadas regiões, mas sem fundamento visivelmente geográfico-espacial,
Estados árabes
OCDE
o que tem de ser considerado como muito significativo, ainda mais porque a tão falada "Europa" (dos 27 da U.E. ou dos 17 da U.E.M.) é desconhecida pelo PNUD.

quinta-feira, dezembro 08, 2011

Para registo

... e reflexão.

O Partido Comunista da Federação Russa (PCFR) conquistou 92 mandatos no parlamento do país. O resultado das legislativas representa um crescimento de 10 pontos percentuais (de 11% para 21%, quase o dobro), com tradução num acréscimo de 61% no número de mandatos face ao sufrágio realizado em 2007, em que o PCFR alcançara 57 deputados.

Apesar do aumento da influência eleitoral do partido se ter traduzido numa presença reforçada no hemiciclo federal russo, e dos comunistas se terem consolidado, neste aspecto, como a segunda força política do país, o PCFR qualificou a consulta como «absolutamente ilegítima, tanto do ponto de vista do direito, como do ponto de vista moral e ético».

Em conferência de imprensa, a direcção comunista, citada pela Lusa, acusou o partido Rússia Unida, de Vladimir Putin e Dmitri Medevedev, de se ter «apoderado de 12 a 15%» face a uma «derrota demolidora».

Na ocasião, o PCFR apelou ainda a todos os partidos da oposição para que concentrem apoios na candidatura de Guennadi Ziuganov, presidente do partido, à presidência da Rússia. Estas eleições realizam-se em Março do próximo ano.

Faz pensar!

"Não à nova investida federal!"

Agora com toda a encenação de grande tensão e desespero na busca da saída única para a situação única, com o pensamento único. Mais uma véspera de "cimeira crucial". Única...
Com o "prato cozinhado" pela conhecida empresa de "catering" Alemanha & França, com os seus actuais "chefs" Merkel e Sarkosy, repetindo a História... que não se repete.
Há que ler aqui (crónica internacional, de Pedro Guerreiro) e aqui (a talhe de foice - O circo -. de Anabela Fino).

Em dia de Comité Central

Do editorial do avante! de ontem, dois trechos para estes dias de luta (quais o não são?...):

«(...) Nos seus poucos meses de governação, Passos Coelho e Paulo Portas deram início àquela que é, como o PCP tem sublinhado insistentemente, a maior e a mais grave ofensiva contra os trabalhadores e o povo desde o 25 de Abril de 1974: roubos nos salários e nas pensões e reformas; assalto ao subsídio de Natal; ataques brutais aos direitos dos trabalhadores e às prestações sociais; aumento de impostos sobre o trabalho e o consumo popular; cortes drásticos no investimento; aumento brutal de serviços públicos essenciais, como a Saúde, a Educação, os transportes, as portagens; alienação de património nacional, com a privatização do que resta do sector público a preços de amigo para o grande capital nacional e internacional; desvio de volumosos recursos para cobrir os interesses, os desmandos e as negociatas do sector financeiro – enfim, uma vaga avassaladora de medidas concretizadas, em vias de concretização, ou anunciadas, que constituem uma autêntica declaração de guerra aos interesses e direitos da imensa maioria dos portugueses, e que vêm no seguimento e no mesmo sentido das que o governo do PS havia tomado, designadamente com os seus famigerados PEC.
(...)
«Tudo isto confere acrescida importância à luta das massas trabalhadoras e populares, caminho indispensável para alterar a situação existente e para conquistar uma política de sentido oposto àquela que conduziu o País ao estado dramático em que se encontra – uma política patriótica e de esquerda.
Com a luta – dando a devida continuidade à histórica greve geral de 24 de Novembro – é possível resistir e vencer esta política de afundamento do País.
Com a luta – envolvendo as massas trabalhadoras, as populações, os democratas e patriotas – é possível rejeitar o pacto de agressão, impor a imediata renegociação da dívida pública.
Com a luta – demonstrando que a greve geral foi um importante ponto de passagem para os combates do futuro imediato – é possível construir a política alternativa e a alternativa política necessárias e iniciar a resolução dos muitos e graves problemas que sufocam Portugal e os portugueses.
Com a luta – nas empresas e locais de trabalho, nas escolas, nos campos, nas ruas – é possível conquistar a política de que Portugal e os portugueses precisam.
Porque com a luta não há impossíveis – e é pela luta que lá vamos


quarta-feira, dezembro 07, 2011

Lido... e revisto

Lido no Correio da Manhã de hoje:

Salve-se quem puder
Por: Manuel Catarino,
Subdirector

Ninguém está inocente: desde 1985, uns e outros, cada um à sua maneira, contribuíram para o Portugal de hoje – um País pobre e endividado.
Como se não nos bastasse a miséria, perdemos o último pingo de dignidade que ainda nos permitia decidir o nosso destino: a Alemanha, agora, passa a dizer como é. E o que aí vem, pelo que se adivinha, não augura nada de bom – a começar pelas funções do Estado. Esta espécie de ‘nova ordem’ vai acabar por transformar a nossa sociedade numa selva: salvam-se os mais fortes, quer tenham dinheiro ou poder; não resistem os outros. A saúde, a educação, a protecção na velhice são privilégios de alguns. Foi a isto que chegámos – caminho alegremente iniciado há 25 anos.

Revisto:
Vamos lá a ver...
Todos? Ninguém está inocente deste estado a que foi conduzido o País? Nem os que, por muitas culpas que possam ter noutras coisas, previram, preveniram, apresentaram alternativas, lutaram? (Ah!,... e não se endividaram, apesar de, agora, lhes dizerem que têm de pagar coisas como BPNs e parecidas negociatas). 
Foi só há 25 anos? Não teria sido uns anitos antes, quando se abandonou um caminho duro, espinhoso, mas de democracia a avançar, de cumprimento da Constituição, de economia que - apesar de tudo contra - estava (como disseram da OCDE) "surpreendentemente saudável", para se chamar os FMIs e a "Europa connosco"?
E agora? Salve-se quem puder? Que cada um tente escapar aos pingos da chuva quando o que vem é enxurrada?
NÃO!
Há alternativas.
E HÁ LUTA! Contra a resignação e os lamentos semelhando dignidade ofendida.

Breves - o que importa?

Que importa?, para - e além de... - avisar a malta?
  • Sublinhar incoerências e contradições entre os ditos e os factos
ou
  • sublinhar a coerência dos factos com as posições de classe

Pergunta-se?... que/quem fica na História?... que são causas honoríficas?

Regressando de um daqueles almoços em que se lê o Correio da Manhã e ouve o noticiário televisivo (estão incluídos na ementa...), não se resiste a um desabafo-berro:

Adriano Moreira será doutorado honoris causa
numa universidade caboverdeana
(isto é, da República de Cabo Verde),
a 10 de Dezembro

Independentemente do respeito que  merece a "qualidade" intrínseca do senhor, não se pode esquecer ao serviço do que pôs ele essa "qualidade" genética (o ser humano também é a sua circunstância!...), e de lembrar que foi "ministro das colónias", e que, nessoutra "qualidade", foi ele que assinou a reabertura do Tarrafal (como Chão Bom) para "terroristas" entre os quais alguns lutadores pela independência de Cabo  Verde, e pergunta-se se, entre os doutorados por universidades caboverdeanas, por outras causas honoríficas, estão Vasco Gonçalves, Nápoles Guerra e quejandos?

Intervalo para trazer aqui o que está sendo lido (e relido) e posto em papel

Do marxismo, ou do contributo de Marx para o marxismo, decorre a lei da baixa tendencial da taxa de lucro. Lei que se baseia nos conceitos em que se escora o marxismo, e que tem o rigor de ter sido apresentada como de baixa tendencial.
Mas o rigor (em Marx) foi mais longe, ou melhor... é rigoroso.
Por isso mesmo, no Livro Terceiro de O Capital, a partir dos seus manuscritos, Marx enuncia cinco factores que podem contrariar essa lei tendencial. São eles o acréscimo da exploração do trabalho e a descida do salário abaixo do seu valor, a depreciação de elementos do capital constante (K), a sobrepopulação activa, o comércio externo.
Ora a baixa do lucro e da taxa de lucro (o que, evidentemente, não são a mesma coisa) têm de ser contrariadas por quem faz da actividade económica o processo de criação mais-valia (o que não é mesmo que lucro, mas o seu "alimento natural") e de acumulação de capital. Numa fórmula esquemática, o processo que tem o objectivo de chegar ao fim dos seus circuitos com mais capital sob a forma de dinheiro (D' > D). 
De onde todos os esforços para, na relação de forças existente, se desencadearem os factores e as dinâmicas que contrariam a lei da baixa tendencial da taxa de lucro, ao mesmo tempo que, ideologicamente, se procura negar esta como lei.
Assim, com todos os possíveis disfarces, se forçam as expressões que esses factores podem tomar. Sobretudo, o acréscimo da exploração do trabalho (dos trabalhadores) - o que tem, fundamentalmente, a ver com o tempo de trabalho socialmente necessário e o tempo de trabalho excedentário - e a descida do salário abaixo do seu valor, ou seja, abaixo do que satisfaça as necessidades historicamente adequadas (por possíveis de satisfazer) dos trabalhadores.
Este é o cerne do sistema de relações sociais predominante. Olhando à volta, vê-se com que desespero tal se procura, e tal se procura esconder.
A especulação financeira é um artifício. Que se foi tornando demencialmente imprescindível para a sobrevivência-suicídio do sistema (que nunca se suicidará...).
Que faz lembrar os aprendizes de feiticeiro e faz ouvir PaulDukas*!
________________

* - fica para um domingo destes.

  

IDH-2011 - 9 - "região" América Latina e Caraíbas

Uma outra visita habitual e sempre bem-vinda (obrigado, Jorge), mostrou interesse sobre alguns países da "região" América Latina e Caraíbas, enquanto IDH e suas componentes. Referia 8 países, e aqui lhe deixo algumas sintéticas informações, do manancial de dados que estes relatórios do PNUD facultam.
  • (desenvolvimento humano muito elevado) Chile – é 44º em IDH, 58º na componente económico-monetária e o 34º na componente não monetarizada (educação-saúde);
  • Argentina – 45º, 54º e 41º, respectivamente;
  • (desenvolvimento humano elevado) Uruguai – 48º, 60º e 49º, respectivamente;
  • Cuba – 51º, 103º e 25º (o primeiro da “região”), respectivamente;
  • México – 57º, 59º e 57º, respectivamente;
  • Venezuela – 73º, 71º e 80º, respectivamente;
  • Brasil – 84º, 77º e 92º, respectivamente;
  • Colombia – 87º, 83º e 89º, respectivamente.
Duas notas com toda a (possível) objectividade:


  1. A “região” PNUD-IDH é formada por 33 países, tem a média de 0,687 de IDH geral entre a o Chile com 0,805 e o Haiti com 0,454;
  2. Além dos 4 primeiros referidos (1º, 2º, 4º e 5º da região), ainda está entre estes, Barbados, com 47º lugar (desenvolvimento muito elevado), com o 44º na componente económico-monetária e o 53º em educação-saúde (não-monetarizado).
Estes são alguns dados sobre os lugares no chamado “ranking”, e a partir da “região”. No entanto, a divisão “regional” justifica uma outra nota, de que se fará um “post” que se estima elucidativo.

Ainda o 1º de Dezembro

A propósito do 1º de Dezembro, lembrou-se aqui o jogo de futebol entre Portugal e a Espanha em plena guerra civil, jogado em Vigo, em 1937.
Lê-se agora, em cravodeabril, e a propósito da morte de Artur Quaresma, a recordação de um acto de coragem num Portugal-Espanha, um ano depois. Texto de Fernando Samuel que vale a pena ser lido, também aqui. Como homenagem a esse acto de coragem.

terça-feira, dezembro 06, 2011

IDH-2011 - 8 (Bielorrússia)

Um terceiro visitante solicitou informações sobre a Bielorrússia (Belarus). Antes de responder a um pedido "em carteira" sobre países da América Latina, publicam-se alguns dados sobre este país.
Ocupando o 65º lugar no IDH global, está no grupo considerado como de desenvolvimento humano elevado, acima da média do grupo, bem como da região Europa e Ásia Central e do Munco; tem, na componente económico-monetária, o 57º lugar, o que corresponde a um melhor posicionamento, e tem, na componente não-monetarizada, o 70ºlugar, o que corresponde a um pior posicionamento.
A Bielorrússia está entre a Líbia (64º em IDH e 64º nas duas componentes) e a Federação Russa (66º, 53º e 74º lugares, respectivamente).

Transcrevem-se (em inglês) mais alguns dados, entre os muitos que se podem consultar a partir do relatório de 2011 do PNUD  

Belarus

Human Development Index Rank 65

Health Life expectancy at birth (years) 70.3
Health index (life expectancy) 0.794
Education index (expected and mean years of schooling) 0.776
Income GNI per capita in PPP terms (constant 2005 international $) 13,439
Income index (GNI per capita) 0.702
Inequality-adjusted HDI 0.693
Demography Population, total both sexes (thousands) 9,559.4

Desorientação... será?

A imagem é da mais completa desorientação. As informações são desencontradas, se é que não são aos encontrões.
Merkel & Sarkosy isto, os 17 aquilo (ou serão os 27?), as "agências de rating" aqueloutro, os presidentes (do Eurogrupo, do Parlamento Europeu, da Comissão, e outros) mais isto e mais aquilo, e por aí fora, incluindo o mais que é dito vindo do outro lado do Atlântico e na Grande Ilha que fica no meio do caminho.
O euro chega ao Natal? E que euro? E com quantos? 
E nós por cá? Também, claro. Como é natural. Com o Jardim a dar-nos o bailinho habitual com a sua postura apalhaçada, mas agora com questões (e ameaças) muito sérias. Com a chamada "concertação social" em completo desconserto (ou desconcerto). Com muita coisa a mexer.
A ideia que se tem é mesmo de desorientação. Mas será?

Surpresa? Imprevisibilidade?
Se se fizer a interpretação da História com a ajuda do sr. Karl Marx tudo parecerá de outro modo. E foi.
E foi previsto e prevenido. Agora, há que lutar para minorar as consequências (conjunturais...) sobre os explorados e ofendidos. Mas nunca perdendo de vista que o que parece desorientação é o resultado das dinâmicas da História. Que não chegou ao fim com o capitalismo. E que os estertores são sempre difíceis, demorados e provocam o que aparenta desorientação.

IDH-2011 - 7

Havia a intenção de se cumprir um programa relativamente a este indicador de desenvolvimento humano e aos valores do relatório de 2011. Por isso mesmo se sublinharam alguns dos países a serem objecto de posterior tratamento. Claro que nunca para além do que se pode retirar de indicadores estatísticos.
Alguns comentários vieram alterar ligeiramente o programado. É verdade que foram poucos os comentários - nem muitos se esperavam relativamente a estes temas e tratamento - e, bem ao certo, apenas dois levaram a essa alteração. Foram suficientes. Põem questões. Terão resposta prioritária. Até porque a primeira visitante a suscitar observações (obrigado, Cristal) o faz sobre o país que estava à cabeça do programado. Portugal, evidentemente. Embora não como vai ser. Agora. 

Rapidamente, e em reacção directa, é verdade que "Portugal muito deve o seu índice à baixa mortalidade geral e infantil. Brevemente, a continuarmos pelo mesmo caminho, esses indicadores vão regredir, como já está a acontecer na mortalidade geral...". Disse-o quem sabe!  
E comprove-se com o facto de, no indicador a que se pode chamar económico-monetarizado (o referido RNB per capita) o seu lugar é o 42º, um lugar abaixo do IDH global, e na componente não-monetarizada (relativa a saúde e educação) o seu lugar é o 46º, descendo 5 lugares.
São 8 os países que ultrapassam Portugal no indicador não-monetarizado
Cuba (25º)
Chile (34º)
Letónia (35º)
Palaos (39º)
Argentina (41º)
Geórgia (42º)
Roménia (43º)
Croácia (45º)
e são apenas 3 os países que descem em relação a Portugal, ilustrando o facto do seu posicionamento entre os paísesde desenvolvimento humano muito elevado se dever exclusivamente à componente monetarizada, de que as respectivas populações pouco beneficiam:
Emiratos Árabes Unidos (54º)
Bahrein (59º)
Qatar ((88º)
Acrescente-se que no IDH geral, Portugal desceu um lugar do relatório do ano passado para este, por troca com a Lituânia, e em função do indicador de saúde-educação em que a Lituânia é o 38º, e não do indicador monetarizado em que é o 50º, bem abaixo de Portugal (42º).
A média anual de crescimento de IDH para Portugal desde 2000 é de 0,35 pontos, inferior  à média dos países de desenvolvimento muito elevado que estão abaixo de Portugal, 0,38 para o Barain, 0,87 para a Letónia, 0,65 para o Chile, 0,57 para Argentina e a Croácia, apenas havendo registo de IDH de Barbados desde 2005. 

segunda-feira, dezembro 05, 2011

Atenção ao grande "show"

Daqui a pouco, frente a frente, no pós e contas (esta tecla dos rrrrestá desaustinada...) atenção ao grande "show".
Não se diz "que ninguém falte" porque se acha (oh!, s'acha...) que ninguém deve ouver.
Correia de Campos, o ministro de Sócrates que iniciou a "obra" face a face com Macedo, o que está encarregado de a acabar. O grande duelo "troikado".
Rufem tambores, batam em latas, rompam aos saltos e aos pinotes, façam estalar no ar chicotes, chamem palhaços e acrobatas (e etc...à Mário de Sá Carneiro): 
  • o que começou os golpes fatais no Serviço Nacional de Saúde (SNS) contra
  • o que tem a incumbência dos patrões de pôr de pé o Sistema de Aproveitamento do Negócio da Doença (SAND)
Talvez haja médicos e enfermeiros e "utentes" entre a assistência, e talvez se digam umas coisas aproveitáveis sobre o direito à saúde versus o negócio da doença. Talvez haja quem diga algo sobre a Constituição da República Portuguesa.
Talvez... mas pôr estes dois em confronto é mau demais para a saúde do estimado ouvinte!

IDH-2011 - 6

Esta é a última "tabela", dos países com desenvolvimento humano baixo, entre o 142º (Ilhas Salomão) e o 187º (Congo, Rep. Dem.), não sendo de mdo nenhum indiferente encontrar, entre eles, S. Tomé e Principe, Timor-Leste, Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, embora haja a convicção de que Angola em breve sairá deste grupo, como a componente económico-monetária o revela e a evolução que vem observando. Mas isso fica para próximos comentários.

IDH-2011 - 5

A terceira "tabela" que se publica, aliás retirada do anexo Indice de Desenvolvimento Humano e seus componentes do relatório de 2011 do PNUD, é a dos países de desenvolvimento humano médio e inclui 47 países entre o 95º (Jordania) e o 141º (Butão),onde se encontram países com a maior importância, como a China (101º) e a India (134º), de que importará relevar a evoluçãodo IDH, que está no anexo 2 do relatório.

IDH-2011 - 4

Havia a intenção de espaçar a edição destas tabelas, intercalando com outros "posts". No entanto, a somar-se à pressa de fazer observações, um comentário de uma visitante (que bom!... obrigado, Cristal) veio acelerar essa pressa. Por isso, vai "despachar-se" a publicação dos outros quadros para depressa  se deixarem algumas observações julgadas pertinentes e provocadas por estes tão interessantes relatórios.
O segundo grupo de países, que vai do 48º (Uruguai) ao 94º (Tunísia), é o dos de desenvolvimento humano elevado. Apenas se deixaria sublinhado que nele se inclui Cuba, que não fazia parte da lista dos IDH no relatório de 2010, e ocupando o 51º lugar (e adiante este lugar será largamente valorizado... mas tenha-se calma):

IDH-2011 - 3

Com a intenção de aproveitar o relatório anual do PNUD, vão agora incluir-se quatro "posts", tal como ordenados e "arrumados" em quatro grandes grupos de países. Depois, será feita a decomposição do IDH, no seu ordenamento, pelas suas componentes - a económica-monetarizada e a da saúde-educação não monetarizada -, relativamente a alguns países, e deixar-se-ão alguns comentários. Poderá ser uma "viagem" interessante, abrindo pistas para outras, eventgualmente à escolha de cada um.
A primeira lista é dos países etiquetados, em termos de IDH global, como de desenvolvimento humano muito elevado, onde se inclui Portugal com o 41º lugar. Mas os comentários ficam para mais adiante...     


(a designação dos países está, na maior parte dos casos,
em francês, por ter sido essa a versão trabalhada)

domingo, dezembro 04, 2011

Uma manobra contabilística

Nem é novidade!
O défice do Estado (diferença negativa entre as receitas e as despesas do Estado) diminuirá quando, por lançamento contabilístico, se transformarem fundos para reformas de trabalhadores bancários - resultantes de descontos destes - em receitas do Estado, ficando o Estado com a responsabilidade de pagar, no futuro, essas reformas. Com tais verbas, assim acrescidas às receitas do Estado, este pode pagar dívidas urgentes.
Mas os actuais e os próximos reformados da banca poderão ficar tranquilos sabendo que parte dos fundos que eles foram criando para as suas reformas vão passar a receita do Estado e a ter essa finalidade? E não têm uma palavra a dizer?

O dedo no sítio certo

Na última edição do avante!, vem publicado um artigo de Anselmo Dias  sobre segurança social com grande interesse informativo e pedagógico. Colocando o tema em claros temas ideológicos, ao contrário do que, sistematicamente, se procura esconder. Pode (e seria útil) ser lido aqui.
Enquanto "o governo quer substituir direitos pelo assistencialismo" e cria coisas como o "voluntariado", aqui podem ser lidas Verdades e mentiras sobre a Segurança Social

IDH-2011 - 2

Uma vez que se estão a trabalhar os dados do relatório do PNUD, sobre o desenvolvimento humano, vão trazer-se, a este "blog", algumas informações que poderão ter interesse. E agradece-se o estímulo dos comentários.
Já foram deixadas três observações, a partir de uma primeira e rápida vista de olhos, que, agora, se vão procurar aprofundar.
São  187 os países que as Nações Unidas, através do seu programa, para o desenvolvimento, nos dáa conhecer, a partir de critérios estatísticos sobre dados recolhidos para este relatório, que se faz desde 1980 ainda se podendo juntar, para estre 2011, mais 6 países, cujos números estão incompletos.
Com esses dados.e com a afirmada intenção de ponderar os dados económico-monetários com dados da saúde e da educação, uma equipa, onde avultam, desde o início, nomes como o de Amartya Sen, elabora um relatório  anual com um anexo estatístico com muita informação.
Num quadro 1, ordenam-se os países por indice de desenvolvimento humeno e seus componentes  agrupando-os em 4 escalões:
  • Desenvolvimento Humano muito elevado - com 47 países, acima do indicador 0,793 (Barbados), com o máximo 0,943 (Noruega)
  • Desenvolvimento Humano elevado - também com 47 países, entre 0,783 (Uruguai) e 0,698 (Tunísia)
  • Desenvolvimento Humano Médio - com o mesmo número de 47 países, entre o 95º, com 0,698 (Jordânia), e o 141º, com 0,522 (Butão)
  • Desenvolvimento Humano Baixo -  com 46 países, entre 0,510 (Ilhas Salomão) e 0,286 (Congo)
Em sucessivos "posts" virá trazer-se, aqui, alguma informação que se estima interessante, actualizando a que ficou de anos anteriores.

Para este domingo - a caminho de Rianxo, Galiza

Preparando-me para uma viagem, em resposta a um convite, comecei por procurar conhecer melhor Castelao, com a ajuda de José Afonso.

Faltava este!

Jacques Delors
diz que euro estava destinado ao fracasso


Antigo presidente da Comissão Europeia diz que se fechou os olhos às fraquezas de algumas economias na altura do lançamento da moeda única.

Bruxo! Houve quem o tivesse dito antes (quando era oportuno!). Individual e, muito mais importante, colectivamente. E houve quem tivesse votado contra aquela decisão (não prejudicial para todos, não para todos) com tudo explicadinho.

De qualquer modo, no final de um dia silencioso (blogueiramente escrevendo...) encontrar esta "novidade" é... curioso.

sexta-feira, dezembro 02, 2011

Fax urgente, faxfavor

Fax a esta notícia:

Crise euro
Merkel diz que união orçamental da Europa
está prestes a ser parida
Acusa a classe política de ser responsável pelo fracasso que conduziu à actual crise e reafirmou serem ser necessárias "regras rígidas". Daí, a dita união orçamental, por cima da união económica e monetária, as duas cavalgando a chamada união europeia, alcunhada de Europa.

Pelo que a "classe política" que se pretenda regenerar deve, sem pestanejar, faxar, se faxfavor, a pedir à "madame-frau" que disponibilize os formulários para devido e rápido preenchimento. Porte pago na origem, com juros do mercado. Não há cá BCEs nem FéFés! 

O Indicador de Desenvolvimento Humano - 2011

Como todos os anos, acompanha-se a publicação do relatório do Programa das Nações Unidos para o Desenvolvimento (PNUD), que há 21 anos vem sendo editado à volta de um indicador-chave, o indicador de desenvolvimento humano (IDH), que procura corrigir os usados (e abusados) indicadores económicos e financeiros que dizem do estado das nações, com a introdução de indicadores de saúde e de educação (e outros), assim facultando uma mais "humana" caracterização do estado das 194 nacões que as Nações Unidas arrolam (e, às vezes - tantas! -, enrolam).
O relatório deste ano está aí, ou melhor: está aqui em cima da secretária, e dele extraio, para começar..., três observações.
  • Portugal mantém-se entre os 47 países de desenvolvimento humano muito elevado, em 41º lugar, mas desceu um lugar em relação ao relatório de 2010;
  • Cuba, que não estava no ordenamento de relatório do ano passado, por inexplicáveis razões, regressou, e em beleza: é o 51º, o 4º entre os países de desenvolvimento humano elevado, e é o país que mais sobe (52 lugares!) relativamente ao que seria o seu lugar se fosse medido em termos de rendimento nacional bruto por cabeça (RNBcapita), o que revela bem a importância, em Cuba, da saúde e da educação (o país que mais se aproxima nessa melhoria é a Nova Zelândia, que sobe 30 lugares, Portugal sobe 1 lugar, pois é o 42º em termos estritamente económico-financeiros);
  • China está colocada em 101º lugar, entre os países de desenvolvimento médio, merecendo destaque que, no último quinquénio, subiu 6 lugares no IDH, sobretudo em razão do crescimento económico.
Tanto mais para ver, estudar, comentar!
aceitam-se consultas...

O Reino Unido também é Europa - 2

No avante!, o que se passa no Reino Unido está, e acertadamente, na secção Europa, que se destaca da Internacional.
E está lá, na edição de ontem, "isto" que deve ser lido e reflectido (como tudo o resto que o tempo permite):

Europa

Dois milhões de britânicos hoje em greve

Mais de dois milhões de trabalhadores britânicos do sector público cumprem hoje uma greve que afectará boa parte da actividade económica do Reino Unido. Numa tentativa de intimidar e desmobilizar os grevistas, o governo conservador-liberal afirmou que a greve poderá custar cerca de 500 milhões de libras (582 milhões de euros) e causar a perda de empregos.

Em tom de ameaça, o secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, Francis Maude, afirmou, dia 24, que «se perdermos uma boa parte da produção é difícil ver como é que isso não se traduzirá em perda de empregos».

O exercício foi de imediato desvalorizado pelo secretário-geral do Trades Union Congress (TUC), Brendan Barber, qualificando-o de «fantasia económica»

A poderosa estrutura, que representa 58 dos principais sindicatos do país, esperava uma adesão massiva à paralisação, que deverá afectar escolas, hospitais, aeroportos e a generalidade dos serviços públicos.

O Reino Unido também é Europa - 1

Por aqui, tem-se insistido nesta tecla de que o Reino Unido também é Europa. É porque é, mas também porque faz parte dessa associação de Estados-membros a que, abusivamente, se chama "Europa", colocando nós as devidas aspas.
Depois de ter feito parte de outra forma de associação, a EFTA (mercado livre para produtos industriais, Tratado de Estocolmo, de 1959, que Portugal também assinou), em 1972 o Reino Unido (com a Irlanda e a Dinamarca - 1º alargamento) juntou-se à CEE, como então se designava a tal "Europa" .
Porque se lembra isto? Porque a tal "Europa", desde o final do século XX, agora com 27 membros, parece esquecer-se que o Reino Unido é um desses 27 membros. Assim numa espécie de situação em que há sócios que são sócios que estão de pé e sócios que não são sócios que estão sentados...

Para os Estados-membros-fundadores - Alemanha (RFA), Bélgica, França, Holanda, Itália, Luxemburgo - e (mais ou menos, ou quase) a Espanha, a "Europa" é deles e os outros são sócios que não são sócios e estão sentados. E as cadeiras estofadas estão reservadas para os da "zona euro"... mas não para todos. E as molas estão a rasgar os veludos.
Embora desde sempre o tandém Alemanha(ao princípio RFA)-França se apresentasse como o informal directório que reunia antes, isso está a voltar, e com laivos de escândalo.
Por outro lado, as economias italiana e espanhola são ditas a 3ª e a 4ª economias da "Europa", e tudo se joga na manutenção/transformação do euro "à maneira" franco-germanófila. O resto parece ser paisagem mais ou menos periférica...ou "porca". E, nesta paisagem, avulta o Reino Unido. porque é da U.E., não é da "zona euro", tem ligações sempre privilegiadas com os E.U.A., e é uma economia dita forte.
Além disso, depois das recentes perturbações nas ruas, está com dois milhões de trabalhadores em greve. O que se faz por esquecer. Mas trata-se de um "pig" demasiado grande.

quinta-feira, dezembro 01, 2011

(In)cultura política

Retirado de entrevista de Passos Coelho para titulo de jornais:

"O Governo não foi eleito para expressar
as opiniões do Presidente."

Vamos por partes:

"O Governo não foi eleito (...)"

Ponto final (de exclamação:!), parágrafo.

(O Governo, qualquer governo, é um executivo.)

Nenhum governo serve, por isso,

"... para expressar as opiniões...

seja de quem for. Nem

 ... do Presidente."

Aliás, o Presidente tem opiniões? Presume-se que sim... mas o que tem, ou o que deveria ter, é que cumprir e que fazer cumprir uma Constituição. Que jurou!

Breves (com anexo)

Acabei de ler umas coisas (Baptista Bastos no DN) aparentemente muito duras. Sobre a vocação da trapaça, sublinhando ser "a mentira a regra e a honestidade a excepção".

Pois é! O cambalacho impera, a coerência resiste e luta.

Mas... Escreva-se (duro b.b., perdão, q.b.) sobre a trapaça, sobre a mentira, mas não se escreva nem uma palavra sobre a honestidade, sobre a coerência. A excepção não existe ("sem que ninguém denunciasse a indignidade"!)!
Ou teria sido a censura que cortou (ou emendou) prosa... para se continuar a meter tudo no mesmo saco?
Anexo:
A vocação da trapaça
por BAPTISTA-BASTOS
O Governo decidiu "suavizar" os cortes nos subsídios a pensionistas e funcionários públicos. O PS ficou muito contente e reivindicou para si o êxito do "recuo" do Executivo. Esqueceu-se, o PS, de dizer, que esteve à beira de aprovar o Orçamento. Não fora a ameaça de rebelião na sua bancada as coisas teriam sido borrascosas. O discurso socialista, no seu garbo aparente, é a banalização do disparate. O PS de Seguro não tem mais nada a dizer senão futilidades. E as migalhinhas que Passos Coelho e os seus atiram aos mais pobres dos portugueses fornecem-nos a verdadeira dimensão de um empreendimento de demolição do Estado com o reforço de uma insensibilidade social que deixou de ser simbólica. O "socialismo democrático" fez passar, com a ambiguidade cobarde da abstenção, esta nova afronta à miséria. E afundou, ainda mais, uma leitura exclusivamente de Esquerda, exigida a quem da Esquerda se reclama.
A coligação de Direita resvala, assustadoramente, para um autoritarismo cego, que nem as advertências de muita gente do seu lado conseguem demover. E o aproveitamento das federações patronais leva-nos a reequacionar a natureza da sua linguagem, cuja fria amoralidade elimina qualquer resquício de compreensão. Os movimentos da sociedade civil são ainda demasiado débeis para se esboçar os princípios de uma força que se opusesse à amplitude desta situação. A verdade, porém, é que nem uns nem outros são suficientemente livres. E os perigos configuram ameaças de magnitude, que não excluem ninguém. Ainda há pouco, o próprio Francisco Van Zeller aludia à falta de discernimento de quem governa e nos estava a levar por veredas muito arriscadas.
Não são, somente, a especulação financeira e a nebulosa a que chamam "o mercado", os fautores desta crise: a ausência de resposta ideológica que se antagonize com a monumental trapaça fortalece os desígnios dos que fortalecem esta economia criminosa. Trapaça, repito, é o que tentam inculcar, como generosa bondade, os cortes nos subsídios, sem que ninguém denunciasse a indignidade. O fatal Miguel Relvas veio dizer que essa decisão demonstrava a clemente humanidade do Governo e a inesgotável capacidade deste em promover o diálogo. Estamos em pleno cenário de hipocrisia, e a desfaçatez com que certa gente usa as palavras devia ser punida com a boca cheia de... areia.
A mentira continua a ser a regra e a honestidade a excepção. Em tempos que já lá vão, Pedro Passos Coelho, assumindo a pureza como princípio, pediu desculpa aos portugueses pelas baldrocas de José Sócrates. Parecia ter um indiscutível horror aos acontecimentos que nos circulavam. E agora, que faz ele, quando as circunstâncias são semelhantes ou piores? A vocação da sinceridade esvaziou-se nas exigências do "pragmatismo".

Os países "desaparecidos" ou "intermitentes"

Há países que não saem da comunicação social. Parecem ter assinatura. Ou avença. E há outros que ou "desaparecem" ou são "intermitentes".
O caso mais notório (pela ausência...) talvez seja o da Noruega que, tendo dito (o seu povo!) duas vezes não à União Europeia (quando esta era Comunidade e quando a caminho de se crismar União) "desapareceu do mapa", apesar de, incompreensivelmente, se manter, teimoso, no 1º lugar dos indicadores de desenvolvimento humano do PNUD, das Nações Unidas.
Outro "desaparecido" é a Islândia. É verdade que é pequenino mas, ao que parece, tem algo suficientemente grande para se opor ao sistema bancário e a quem o serve, politicamente, e para pôr alguns desses em tribunal e na cadeia, observando indicadores económicos tradicionais surpreendentes.
Este caso, e o da Irlanda, que ora é país da coesão, ora é exemplo, ora é PIGS, ora volta a ser exemplo (tem dias...), aparecem referidos em foicebook, e vale a pena ver aqui.

O dia de hoje, uma janela e um palácio

Quando fui para a cama, já bem entrado o dia de hoje, antes de adormecer (e durante o sono?) vi-me acompanhado por duas recordações curiosas. Daquelas que nos assaltam e de nós tomam posse.
Uma, relativa a um verbo, o verbo defenestrar. O 1º de Dezembro é dia ligado a este verbo. E é um verbo interessante. Desde logo, pela sua origem etimológica que a liga a "fenêtre" e, assim, nos liga, a nós, à língua francesa. Defenestrar, atirar pela janela.
Mas não atirar qualquer coisa. Atirar Miguel de Vasconcelos, que estava ao serviço dos ocupantes espanhóis, e que os "restauradores" acharam ser a forma mais expedita de o fazer sair do palácio (e do armário...) que ocupava, no Paço da Ribeira. Desta forma se simbolizou a reconquista da independência portuguesa, Aliás, a duquesa de Mantua, também vice-rei (não vice-raínha porque o rei era rei, o III de cá e o IV de´Espanha), de quem o Miguel defenestrado era secretário, parece ter sido convidada a ir pela porta (da prisão) se não quisesse ter a mesma saída aérea e pouco airosa.
E quanto a defenestrar é tudo, até porque parece que foi verbo arranjado para o 1º de Dezembro e para aquela janela que viria a ser a janela da Independência, ficando também, com esse nome, um Palácio em que tudo teria sido conjurado.
A segunda recordação é sobre a utilização dada a tal Palácio durante o fascismo, ao serviço da Mocidade Portuguesa, organização de má memória entre a panóplia de quejandas instituições. Depois, depois do 25 de Abril, sem ter havido defenestrações, foram recuperadas tais instalações para actividades bem de outro jaez, como realizações do movimento da Paz, dos deficientes das Forças Armadas e ao serviço do povo.
 Agora, parece que alberga uma Sociedade Histórica da Independência de Portugal (e outras), de que não há grandes notícias. Para gente comum, claro. Talvez venha a informar-me. Por curiosidade desperta. E para corrigir eventuais imprecisões históricas

1º de Dezembro

Ontem, neste blog, ficou uma pequena nota pessoal sobre um caderno escolar que tinha o nome de Restauração e trazia uma gravura de homenagme aos conspiradores que, no dia 1º de Dezembro de 1640, restauraram a independência de Portugal.
Algo de muito pessoal me liga a esse caderno escolar e, talvez por ele, ao 1º de Dezembro. Nunca esquecerei que, na minha ingenuidade (e erro estimulado por um patriotismo falsificado!), julgava que o hino nacional terminava "contra os espanhois, marchar!, marchar!"... e assim o ouvi cantar e cantei no Estádio Nacional, antes de jogos da selecção portuguesa contra a selecção espanhola, dos quais, de 1921 a 1947 (4-1... a que assisti, como ao anterior - 2-2 -, em 1945!), Portugal vencera, em 14 jogos, um só, em 1937, que - dizia-se - não contava por ter sido jogado, em Vigo, começo da guerra civil.

Na escola primária, aprendiamos o 1º de Dezembro como uma das nossas datas maiores, e os "restauradores" foram - e são - "nossos herois".
Na minha reaprendizagem da História de Portugal - sempre inacabada... e "assusta-me" pensar como será contada esta nossa história contemporânea -, fui, como em tudo, revendo algumas coisas aprendidas, e comecei a dar mais importância à revolução de 1383-85, verdadeira revolução popular, que à "restauração", obra patriótica, que ficou, na História como da autoria de uma mão cheia de conspiradores, como tanto luto - e lutarei - que não seja o "resumo" do 25 de Abril de 1974. A propósito, seria útil a releitura do excelente ensaio de Vasco Gonçalves, publicado em 1983, em "o diário", e que se pode ler aqui, em resistir.info.
Mas tal não impede que continue a sentir algo de especial neste dia e a muito o respeitar. como muito respeito e admiro os capitães de Abril.

A notícia-"ameaça" do apagar do 1º Dezembro de entre os feriados portugueses, que faria com que este, o de hoje, o fosse pela última vez, não pode ser-nos indiferente. Mas não se estranha em tempos que, por parte de quem (julga que) manda, não são de salvaguarda da independência nacional. Bem pelo contrário.

Assim se procurará que não seja!