sábado, novembro 13, 2010

Ex-tractos - A História como (não) nos é contada

A História como (não) nos é contada… e alguns testemunharam (e há dados e números):

«No pós-guerra, o movimento operário alastrou. Os trabalhadores sentiram a vitória como sua – e era!
E, espaldados pelo exemplo e apoio da União Soviética, tomaram o poder nalguns países, impuseram condições sociais novas em outros onde as relações sociais predominantes continuavam capitalistas, mas em que a correlação de forças obrigava a compromissos (a tal Europa social!), enquanto do outro lado do Atlântico aparecia McCarthy e a “caça às bruxas”, e por todo o mundo se cometeram barbaridades para impedir o avanço do movimento operário e de independências nacionais.
As criminosas bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki (por tudo e, sobre tudo, também pela sua total desnecessidade militar), tiveram a resposta-surpresa de não serem exclusivas, monopólio, o que obrigou o capitalismo (e o complexo industrial-militar estado-unidense) a recuar para uma guerra-fria, hipócrita e, por vezes, terrorista.
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O então “mundo socialista” de novo se teve de lançar na tarefa de reconstrução da base económica, de recuperação das forças produtivas devastadas, e em competição económica feroz e desigual.
A partir de situações de grande desvantagem, e com o ónus de terem de se reconstruir em relações sociais novas, apenas com a experiência e exemplo únicos da União Soviética. Experiência nunca exportável, pelo espaço em que se concretizava, pelas condições dessa concretização, mas a ter de ser apoio e exemplo.
O facto é que, na Europa, no mundo, havia outro mundo (económico e social). Um mundo em que, como muitas décadas antes escrevia Marx, em O Capital, se tratava da expropriação, pela massa do povo, dos usurpadores da propriedade social.
Era um mundo que se alargava. Não isolado, embora cercado e a ter de promover uma recuperação e renovação na evolução das forças produtivas nacionais que, na aparência, faziam indiferentes o caminho de sempre: instrumentos e objectos de trabalho cristalizados em meios de produção passando por revoluções científicas e técnicas, ou assim chamadas. Em novas relações sociais de produção.
As relações de produção identificavam a clivagem. Não só entre países, mas também dentro dos países, numa luta (de classes) que, enquanto se desenrola, de um lado, é negada, apesar de ser feita com violência, e com o enorme poder de que esse lado da luta dispõe, e de que se serve para guardar a propriedade dos meios de produção; e que , do outro lado da luta, esta se faz não a negando, ainda que nem sempre com, ou quase sempre sem, a esclarecida consciência (histórica) dos seus fundamentos e condições
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(de uma intervenção num seminário, a 6.11,
em que me coube falar da questão da propriedade
nos países socialistas)

Prioridades das prioridades

Para finalizar a sua declaração, na Conferência de Imprensa sobre o Orçamento de Estado e as propostas do PCP, o deputado pelo distrito de Santarém, António Filipe, destacou três propostas a que atribuí particular importância:

«A primeira diz respeito à Ponte sobre o Tejo em Constância. Considerando a extrema urgência da reabertura dessa via ao tráfego rodoviário, o PCP propõe a inscrição da verba de 1,5 milhões de euros necessária para a execução imediata das obras de reparação do tabuleiro rodoviário, de modo a assegurar quanto antes a abertura da ponte ao trânsito de viaturas ligeiras.

A segunda diz respeito à consolidação das encostas de Santarém. A concretização do Projecto Global de Consolidação das Encostas, já concluído, implica o recurso a fundos comunitários e um forte empenhamento da parte da Administração Central em coordenação com a autarquia. Assim, o PCP considera importante a inclusão em PIDDAC de uma verba que sinalize o início de uma obra indispensável e urgente, tendo designadamente em conta a necessária salvaguarda da segurança dos moradores e a preservação do património edificado.

A terceira diz respeito à Estação Ferroviária da Entroncamento, cuja remodelação e modernização se afigura urgente, incluindo a construção da passagem desnivelada da Linha da Beira Baixa.»

Duas irreprimíveis notas...

... após uma curta viagem de automóvel com a telefonia acesa:



  • os cenários políticos mal (ou bem?) amados: quem é que quer desestabilizar politicamente quem?



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  • os intimidatórios ou atemorizadores "testes de segurança" a propósito da cimeira da NATO: a segurança consegue-se simulando e estimulando a violência, ou valorizando as manifestações pacíficas e que - como se sabe de décadas de experiência - sabem tratar da própria segurança?!

Coisas estranhas... correcção

Mea culpa. Ter-me-ei precipitado. Um visitante chamou-me a atenção para um erro meu. Terei "linkado" mal pelo que fiquei "lixado" comigo....
O link correcto é este, o artigo é de Jorge Nascimento Rodrigues e vale a pena ler.
As minhas desculpas. Isto das noitadas...

Coisas estranhas...

Ontem, já de madrugada e antes de "fechar o expediente", li um trabalho de João Ramos de Almeida (se a hora tardia não me trai quanto ao nome do autor), sobre a reunião do G20, em Seoul, trabalho que achei interessante e elucidativo. Antes de desligar o computador, coloquei um "post" em que fiz um "link" para esse trabalho.
O "link" está lá... mas não funciona, procuro o artigo... mas não o encontro. E não sonhei, e julgo estar, agora, já bem acordado.
Coisas...
Que dizia o trabalho? De forma sucinta, que a cimeira, que tinha o tema das moedas e suas paridades como central, adiara a questão para um grupo específico, dados os não-resultados e Obama ter ficado de "mãos a abanar" com as suas propostas. A grande questão era o valor cambial da moeda chinesa, que se quer que "não desvalorize" porque, ao faze-lo, facilita as suas transacções, quando o facto é que as outras moedas é que teriam de desvalorizar, e muito, para aguentar a competitividade com a economia chinesa.
Afinal, esta coisa das moedas e dos seus câmbios continua - e cada vez mais!, embora encapotadamente - a influenciar a economia mundial, quando nos quiseram convencer, com a criação do euro, que isso tinha "passado à história". E, sublinhe-se, o modo como se estabeleceu o câmbio para que o escudo se apagar no euro é das situações que mais deveria ser recordada e estudada para encontrar as explicações para muito do que se está por cá a viver. Ñão tinha nenhuma ideia de escrever - assim e agora... - sobre isto, mas o "desaparecimento" do trabalho "linkado", deixou-me "lixado" e saiu - assim e agora...
Aliás, recordo, no trabalho referia-se o comentário de um(a) dos participantes do G20 sobre os "relatórios diplomáticos" que se mandam para a comunicação social para fazer crer que "tudo correu muito bem" em cimeiras em que ou "nada correu" ou "tudo correu mal".
Tudo isto é muito significativo!

Greve Geral de 24.11 - 4



  1. A Greve Geral também se faz por todos os que quiserem que esse dia seja sentido por todos os que vivem neste País como um dia de protesto.

  2. De protesto pelos que protestam contra as medidas que foram decididas, algumas que já se fazem sentir embora o pior venha a caminho (os 23% do IVA!). Medidas que servem para (não) resolver uma situação a que se chegou por via de uma política que tem responsáveis.

  3. Há tantas maneiras de o mostrar, com eficácia porque mostrando que… “assim não”. Algumas têm sido realizadas. A da Greve Geral é no dia 24 de Novembro. É a mais forte porque é de todos e pode "parar o País", mostrando que quem protesta tem força para o fazer.

  4. Resultarão prejuízos e inconvenientes para todos e, claro, também para os que já são as maiores vítimas? Claro que sim. Mas é a forma de dizer basta!, mais não!, outra política é indispensável e urgente. E possível!

  5. Não meter combustível no dia 24, não ir fazer compras, não aproveitar o dia de greve para fazer coisas que se fariam num “dia normal”. Há tantas maneiras porque, num “dia normal”, todos fazemos tantas coisas que nem nos damos conta. Façamo-las na véspera, a 23, e/ou no dia seguinte, 25.

E como é que correu o tal de G20?


Antes de "encerrar o espediente" por hoje (amanhã tenho de me dedicar a Ourém e ao que vou dizer sobre Artur de Oliveira Santos), quis informar-me sobre como correu a reunião de Seoul do G20. Como se esperava, os grandes andaram a "jogar às moedas". Vale a pena ler este trabalho.

"Mensagens... de confiança"?

336 trabalhadores despedidos 4ª feira... por mensagem de e-mail!

A confiança é igual a optimismo balofo?

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no sapo:


Crise

Governo responde a Carlos Costa e pede "mensagens de confiança" (DE)
Em reacção às palavras do governador do Banco de Portugal, Silva Pereira diz que a situação do País "impõe mensagens de confiança".
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O governador do Banco de Portugal atreveu-se a suscitar tímidas reservas e alertas quanto o futuro da situação da económico-financeira do País?
Logo o ministro Silva Pereira saltou dizendo o que se se impõe dizer!
Além de rejeitar que o governo tenha dívidas aos municípios e de insistir em normas que os autarcas recusam bem como a oposição parlamentar.
Este homem é um Tratado!


sexta-feira, novembro 12, 2010

A propósito... Lenine, em 1899!

Lenine, sobre as greves:


«Assim, as greves ensinam os operários a unirem-se; as greves fazem-nos ver que somente unidos podem agüentar a luita contra os capitalistas; as greves ensinam os operários a pensarem na luita de toda a classe patronal e contra o governo autocrático e policial. Exatamente por isso, os socialistas chamam as greves de "escola de guerra", escola em que os operários aprendem a desfechar a guerra contra seus inimigos, pola emancipaçom de todo o povo e de todos os trabalhadores do jugo dos funcionários e do jugo do Capital.
Mas a "escola de guerra" ainda nom é a própria guerra. Quando as greves alcançam grande difusom, alguns operários (e alguns socialistas) começam a pensar que a classe operária pode limitar-se às greves e às caixas ou sociedades de resistência, que apenas com as greves a classe operária pode conseguir umha grande melhora em sua situaçom e até sua própria emancipaçom. Vendo a força que representam a uniom dos operários e até mesmo suas pequenas greves, pensam alguns que basta aos operários deflagrarem a greve geral em todo o pais para poder conseguir dos capitalistas e do governo tudo o que queiram. Esta opiniom também foi expressada polos operários de outros países quando o movimento operário estava em sua etapa inicial e os operários ainda tinham muito pouca experiência.
Esta opiniom, porém, é errada. As greves som um dos meios de luita da classe operária por sua emancipaçom, mas nom o único, e se os operários nom prestam atençom a outros meios de luita, atrasam o desenvolvimento e os êxitos da classe operária.»
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(texto de 1899, traduzido em galego)
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Este Lenine! (e traduzido em galego...)
Viva a Greve Geral! (que não será nem a única, nem a última, forma de luta mas que terá uma enorme importância na luta)

Esta "coisa" das sondagens...

As sondagens periódicas são uma "arma" da trucagem política das mais ridículas que fariam rir não fossem tão falsas e malévolas as intenções, sobretudo para alimentar os pequenos comentários a que se dá grande divulgação.
Por mim, por uma questão de sanidade mental própria, procuro nem lhes ligar muito.Mas não é possível. São mesmo doses de veneno que se ministram com a maior das inocências nas "caras de pau", no ar científico de umas amostras mais que discutíveis, numas extrapolações falíveis porque com bases mais que frágeis.
Hoje, houve uma actualização.
Reparece-se só nisto:
  • o CDS-PP "conseguiu no último mês recuperar o terceiro lugar". De quem? Do BE, mas "o Bloco de Esquerda e a CDU também cresceram" logo se acrescentando que "o Bloco bastante mais que a CDU" (ah!, sim?!, como é que isso foi possível se anteriores sondagens mostrava a CDU mais afastada, e o BE em 3ª força política?!, mas isto é que tinha de ser dito!);
  • depois, sobre "políticos": "no barómetro de Novembro, Cavaco Silva foi o político (ah! ele sempre é político?), que registou a maior subida, mantendo claramente o melhor saldo de popularidade", acrescentando-se que "na lista de subidas, seguem-se o líder comunista Jerónimo de Sousa, o líder bloquista Francisco Louçã e o líder do PP, Paulo Portas" mas esquecendo-se de dizer se Jerónimo de Sousa subiu bastante mais que Francisco Louçã!

Fazem-se um telefonemas (nem ponho em dúvida que se façam...), põem-se uns números em folhas de cálculo (nem ponho em dúvida que as contas estejam certas...) , e "aí vai obra" para que os criadores de ambiente e fazedores de opinião cumpram a sua tarefa!

Greve Geral de 24.11 - 3


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              1. A Greve Geral é uma manifestação, e é muito mais que uma manifestação. É uma forma de luta em que os trabalhadores mostram que são eles que "fazem andar o País". Mas não são só eles.

              2. Como é que um reformado, que teoricamente (numa falsa teoria/ideologia que assimila trabalho a vender força de trabalho) não trabalha, e que faz parte de um estrato populacional dos mais atingidos pela situação e pelas medidas para (não) a resolverem, como éque um reformado pode aderir à greve, pode fazer greve?

              3. Os reformados podem fazer greve mostrando que também eles "fazem andar o País". Há tantas maneiras! E tantas são elas que seria empobrecer o leque de maneiras de fazer greve enunciar só algumas, sem a quase solene afirmação de que se não está a ser exaustivo. Há que usar a imaginação, a inventiva.

              4. Sem ser alínea desse enunciado que nunca seria exaustivo, mas apenas como um exemplo, neste blog este reformado vai fazer greve. Através da não publicação de mensagens tentarei que os meus diários visitantes que comecem por não fazer greve a visitas – como uma das suas formas de fazer greve – fiquem a saber que estou em greve e que eles também a podem fazer não visitando o anónimo do séc. xxi...

              5. Apenas abrirei excepção, que nunca será “furar a greve”, para “postar” alguma eventual informação que seja parte da greve. No dia 24, não haverá anónimo do séc. xxi. Estará a participar, milimetricamente, na greve geral. Contribuindo para “parar o País” para que ele venha a andar com outro rumo.

              quinta-feira, novembro 11, 2010

              S. Martinho, castanhas, água-pé... e idade

              No Correio da Manhã:
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              São Martinho:
              Três castanhas custam o mesmo que um quilo pago ao produtor

              Crise obriga a reduzir castanha no magusto
              A crise leva a cortar na hora de preparar o magusto para o Dia de São Martinho, que hoje se assinala. Os vendedores de castanhas contam que, apesar do preço permanecer inalterado há três anos, nos dois euros a dúzia, as vendas estão fracas. E há quem já venda três castanhas assadas por 50 cêntimos.

              Por: João Saramago/J.N.P.

              Este é, aliás, o valor pago por quilo aos produtores de castanha. Nos supermercados,
              o preço da castanha ‘martaínha’ dispara e pode chegar a custar seis vezes mais daquilo que é recebido pelos agricultores (ver caixa).

              Ilda Silva, vendedora no Rossio, em Lisboa, não tem esperança de que hoje as vendas voltem ao antigamente. "Cada vez é pior, a castanha é de boa qualidade, as pessoas gostam, só que não há dinheiro", referiu. "A venda está tão má que sou obrigada a vender três castanhas a 50 cêntimos, perante a insistência dos idosos que dizem que (...)"
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              Há muitos anos, escrevi:

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              Então, cuidava saber... hoje sei!

              A reunião do G20

              Hoje e amanhã. em Seoul, são os dias da reunião do G20 (os "grandes" mais os "emergentes"), esse grupo de países que decidem tanta coisa...

              Como principal ponto na Ordem de Trabalhos estará a questão das moedas e das suas paridades, US$, UE€, UK£, Jap-ien, com a moeda e as reservas chinesas a pairarem... e a serem verdadeiramente decisivas!

              Greve Geral de 24.11 - 2


              1. A Greve Geral de 24.11.2010 é uma resposta da CGTP - a que posteriormente aderiu a UGT, e a que têm vindo a aderir vários movimentos e entidades - à situação económica e social e às medidas que têm vindo a ser tomadas para a ultrapassar, segundo os propósitos anunciados.
              2. Ora o que se está a tornar evidente para todos, como alguns vêm dizendo e prevenindo, é que essas medidas não resolvem os problemas da situação social, antes estes se agravam nas suas vertentes de desequilíbrios e desigualdades sociais. Ao mesmo tempo que se procura instalar um ambiente de desresponsabilização dos responsáveis nacionais e de inevitabilidades.
              3. A Greve Geral pretende (na minha discutível versão) ser um vivo protesto na sua forma mais clara e assumida, fazer parar esta escalada anti-social, recusar a desresponsabilização dos políticos destas três décadas desta política, não aceitar fados e fatalidade, afirmar que há alternativas.
                Tem de ser aberta a todos.
              4. Tem de ser aberta a todos. Tem de ser dos que protestam mas querem juntar ao protesto a prova de que ele não é desabafo ineficaz mas manifestação de força. Da força que tem quem protesta e, tantas vezes, a desconhece. O País tem de sentir que a greve tem efeitos na vida de cada um porque só assim essa força se demonstra. A começar pelos que mais sofrem a situação e as medidas para (não) a resolver.
              5. Quem trabalha tem uma forma simples (é uma maneira de dizer por todo os antecedentes e todas as implicações) de fazer greve. Pára! Mas tem de ser muito mais que isso.
              6. E os reformados, por exemplo e para exemplo?

              quarta-feira, novembro 10, 2010

              O tomo III das Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal e o "culto da personalidade"

              O tomo III de Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal, hoje lançado pelas edições ávante!, no S.Luíz, relativo a 1964-66 (com mais de 800 páginas), inclui três documentos imprescindíveis para quem pretenda conhecer a História do Portugal recente:
              • Rumo à Vitória (As tarefas do Partido na Revolução Democrática e Nacional),
              • Relatório da actividade do Comité Central ao VI Congresso do Partido Comunista Português e
              • Contribuição para o Estudo da Questão Agrária.

              Mesmo para quem disponha destas três obras de Álvaro Cunhal noutras edições (por exemplo, disponho de uma edição brasileira - A Questão Agrária em Portugal - do final dos anos 60), este volume tem o maior interesse, pela sua "arrumação", pela introdução (de Francisco Melo, editor e membro do CC do PCP) e por incluir outros documentos desse período.

              Este lançamento tem ainda o pormenor significativo de se ter realizado no dia do nascimento de Álvaro Cunhal, em 1913, há 97 anos.

              Por isso mesmo me recordei de conversa muito recente com um amigo e camarada, em que se abordou a questão do "culto da personalidade" e muito claramente nos esclarecemos que o que os comunistas portugueses sentem por Álvaro Cunhal é um enorme respeito, e uma grande admiração e reconhecimento, que nada tem a ver com "culto da personalidade"!

              Depois, na viagem de regresso a casa, reflectindo sobre este tema, tomei umas notas (com nomes que me dispenso de arrolar) em que escrevi que o tempo e as traições têm vindo a criar um "culto da perversidade" perverso relativamente a alguns ex-dirigentes comunistas, do PCP e de outros PCs, que são ouvidos como autoridades incontroversas sobre o que deixaram de ser ou nunca foram.

              Ex-tractos (pequenos) - 2

              «(…) A propriedade aparece como uma relação dos seres humanos para com/sobre as coisas, mas, na realidade social, essa aparência esconde uma relação entre os seres humanos, uma relação entre as classes... enquanto houver classes!
              Na sua origem, como relação sancionada pela sociedade, a propriedade manifesta-se, de início, como o poder de um indivíduo ou de grupo relativamente à natureza de que se servia e/ou que transformava.
              Os instrumentos rudimentares, como os objectos de trabalho ou os produtos, pertenciam ao trabalhador-artesão, à sua corporação ou ao conjunto da colectividade.
              Este poder do indivíduo ou da colectividade foi-se transferindo em função do desenvolvimento das forças produtivas para certos grupos e classes, que se tornaram os únicos possuidores dos meios de produção.
              Ora, a separação entre proprietários e não-proprietários apenas se pode manter se apoiada pela organização do Estado que tenha por fim defender o carácter da relação social, e reprima e sancione qualquer ataque ao direito que dela dimane com essa finalidade. (...)»
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              (de uma participação num seminário, no sábado)

              Álvaro Cunhal -Obras Escolhidas III

              Às 18 horas, no Teatro S. Luís:



              Para lembrar!

              FMI, o justiceiro !!!

              É absolutamente peregrina (para não usar outros qualificativos que poderiam ofender sensibilidades delicadas) a ideia de que, na sequência da outra ideia da inevitabilidades das medidas (que FMIsticas são) para (não) resolver os problemas que esta situação provoca, o FMI até seria bem-vindo porque "cortaria a direito", sem as dificuldades dos nossos responsáveis intestinos perante as suas clientelas, os seus protegidos, os seus "boys".
              O grave é que essa ideia peregrina tem alguma receptividade entre quem desconfia, e com razão, de quem lhe está próximo e de que conhece os "pôdres" mas, em desespero de causa, coloca esperanças em quem, vindo de longe, estaria imune a esses "pôdres".
              Só que o que está "pôdre" é o sistema, e dele o tal de FMI é um dos agentes, com os seus ajustamentos estruturais e outros que tais.
              Temos é de procurar as alternativas em nós e por nós!

              Greve Geral 24.11 - 1

              A partir de hoje, e até 23 de Novembro, durantes estes 15 dias, vou colocar aqui, diariamente, algo sobre a Greve Geral.

              Dou a esta Greve Geral a maior importância. Política, cívica, cidadã, o que lhe queiram chamar (e o que me queiram chamar...). Estarei enganado, mas aprendi que a greve é a "última arma" dos trabalhadores, das populações, e considero que a situação, pelo que é, pelo que a envolve, pelo que ameaça ser, justifica inteiramente um protesto com a força de uma greve geral.

              Isto não pode continuar assim! Com a indiferença de tantos, a verem a caravana de malfeitorias passar, esmagando, ou preparando-se para esmagar quem estiver no seu caminho - e somos todos! -, enquanto uma escassíssima minoria acumula despudorada e escandalosamente riqueza (mesmo que seja apenas dinheiro fictício...), e muitos procuram ver "como se safar".

              Para começar, a até como exemplo, começo por transcrever o 1º número de um boletim, Notícias-Greve Geral, do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), de Santarém, que me chegou por e-mail:








              terça-feira, novembro 09, 2010

              O País está falido? - 3

              Quais as consequências de estar o “país falido”?
              Assente que um país não vai à falência porque não é uma empresa com o seu capital próprio contabilizado, em que o activo é inferior ao passivo pelo que a sua situação líquida é negativa, ou seja, de tão líquida está a "ir por água abaixo", pelo que se faz o depósito do balanço para administração judicial... mas admitindo, no entanto, a analogia – e, apenas!, metodológica e provisoriamente – o que pode acontecer aos que fazem parte do País – e são os nacionais deste! – é terem de responder perante os credores com o seu património pessoal ou familiar.
              Quem? Antes de todos, deveriam ser os "gerentes" ou "administradores", os responsáveis pela situação a que se levou a “empresa”; e, se o património destes, não chega - para além das consequências de ordem criminal se a falência é fraudulenta! -, para que os credores não fiquem lesados (demais…), ainda se pode "ir ao" património dos outros “sócios” (compatriotas) sem responsabilidade na "gerência" (ou até contra ela), e exigir-se-lhe uma contribuição ou sacrifício.
              No caso vertente, e é o que nos interessa…, tudo funciona ao contrário, demonstrando – mais uma vez – que um País não é uma empresa.
              Os "administradores" continuam a gerir a “massa falida”, com as mesmas e reforçadas opções estratégicas e, como entre outras malfeitorias, entregaram de “mão beijada” a estranhos não só as chaves mas o próprio tesouro, são os mais desvalidos dos sócios, aqueles sobre quem eles, os "administradores" têm vindo a colocar nas costas a sua ruinosa gestão, que terão de pagar as contas (ou “as favas”...). Mas isto só acontecerá se eles/nós deixarem/mos.
              Há quem esteja preocupado com a possibilidade de irem “entrar-lhe” no património familiar, como nas contas bancárias. Mas que lhes/nos têm estado a fazer?, até quando, aparentemente, os bancos emprestaram, então, barato para, agora, cobrarem caro? É tudo uma questão de… “timing”. Desde que a malta vá aguentando, “eles” não deixam de carregar o fardo sobre os nossos costados.
              Mas isto só aconteceu, e acontecerá, enquanto nós o consentirmos. Até porque esses ditos “gerentes” estão a fazê-lo porque fomos nós que os pusemos na "gerência". Ou não estejamos a viver em democracia. Muito duramente conquistada. E mal aproveitada...
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              Isto é (ou parece) fácil de dizer… e como se sai disto?

              E agora, Fernando?

              Juros da dívida portuguesa a dez anos ultrapassam a barreira dos 7%!
              (diz a comunicação social)

              Cálculos à volta do conceito de democracia representativa

              Se há coisas que "me tiram do sério" (ou que "me põem no sério"?) uma delas são aquelas generalizações do tipo "os políticos são todos iguais". Há quem assim pense de boa-fé, não vendo que assim estão a meter no mesmo saco responsáveis por (e servidores de) uma política e os que lutam contra essa política.
              Trata-se de atacar a democracia (indignificando-a), não pelo que ela é mas pelo mau uso que alguns, a maioria dos escolhidos pelos eleitores, dela fazem no exercício dos seus mandatos; trata-se de atacar os "políticos" (desprestigiando a "classe"), que não são nem uma profissão nem uma classe, mas um estar em representação dos eleitores, do povo. Ainda ontem ouvi a peregrina defesa (ou bispa sentença... porque de alto dignatário da Igreja Católica) de que às abstenções em acto eleitoral deveriam corresponder lugares vazios nas instituições para que há eleições... Mas disso tratarei noutra altura.
              Para agora, trato da outra ideia (mas convergente com a bispa sentença numa mesma campanha) de diminuir os lugares da Assembleia da República porque haveria deputados a mais, já se avançando com o númerode 230 para 180. Sei que há quem o defenda na melhor das boas-fés, mas sem medir o que tal representaria em termos de princípios de representatividade e proporcionalidade dos mandatos.
              Mantendo-se tudo o resto igual - embora as forças que promovem e se aproveitariam desta campanha tenham malfeitorias adicionais no bornel - resultaria o seguinte em números aproximados, com base nas eleições de há um ano:
              • PS + PSD (a actual maioria parlamentar) passariam de 178 para 140 deputados;
              • os "pequenos partidos" (CDS-PP+ BE + PCP + PEV) passariam de 52 deputados para 40;
              • nestes, o CDS-PP perderia 7 deputados, o BE perderia 1 deputado, o PCP perderia 4 e o PEV manteria os seus 2 eleitos na coligação CDU, dada a forma adoptada pela coligação
              Quer dizer, polarizar-se-ia a AR pois os "dois maiores" perderiam 21,3% dos deputados, e os 4 partidos com menor número de deputados perderiam 23,1% dos deputados.
              Em termos de representação e proporcionalidade,
              • cada deputado PS + PSD passariam a representar 26, 7 mil eleitores em vez de 21 mil eleitores;
              • cada deputado dos CDS-PP + BE + eleitos CDU passariam a representar 40,0 mil eleitores em vez de 30,7 mil eleitores;
              • cada deputado eleito na CDU passaria a "valer" 40,6 mil eleitores (número de eleitos em relação aos votos que os elegeram) em vez dos 29,8 mil que "vale" com a actual composição (deve ser por isso que trabalham tanto!) .
              É de toda a evidência que a democracia perderia representatividade e proporcionalidade:
              • 70% dos eleitores passariam de uma representatitivade na AR de 77,4% para 77,8% e 30% dos eleitores passariam de 22,6% para 22,2%.
              .
              tudo isto salvo erros & omissões
              (não entrei com os votos emigrantes por não terem grande significado numérico)
              porque foram contas feitas em insónia...
              que estas coisas me dão!

              segunda-feira, novembro 08, 2010

              Ex-tractos (pequenos)

              «... foi ao forçar a separação do trabalhador dos seus instrumentos de trabalho, ao retirar-se-lhe a propriedade do que lhe prolonga o corpo, a sua ferramenta, que o capitalismo criou as condições sociais que transformam a força de trabalho em mercadoria e cri0u as condições para a formação do proletariado e para a criação e apropriação de mais-valia.
              E esta separação, esta fundamental confiscação de propriedade, não é compensável... nem com a manutenção ou criação de outras ilusórias propriedades, como as de um apartamento, de um automóvel, de utensílios electro-domésticos, comprados a crédito porque o salário – preço da força de trabalho – é escasso e não satisfaz as necessidades emergentes do assalariado no tempo em que vive. (...)»
              (de um texto lido em 06.11.2010)

              PAZ SIM! NATO NÃO!

              Por muitas e várias vias, está em curso uma campanha de intoxicação, de criação de ambiente, relativamente à próxima cimeira da NATO em Lisboa, campanha que tem a finalidade de intimidar.
              Com esta manifestação, e a campanha que a antecede, aquilo que se pretende, por Abril, pela Paz, é afirmar - muito claramente - que Nato NÃO!
              É evidente a intenção de evitar que, quem pensa assim, diga porque pensa assim, porque considera a NATO uma organização contrária à PAZ, porque entende que esta reunião de Lisboa, com o seu propósito de criar um novo conceito estratégico, é mais um passo na via belicista, passo que não está desligado da explosão de crise que se vive neste momento (histórico), em que as únicas saídas que se procuram implementar são anti-sociais e de repressão.
              A NATO é uma organização que foi criada em 1949 para, diz-se, responder ao perigo de um Pacto (de Varsóvia), que só foi assinado em 1954! Anacronismos que a História, tal como se escreve e ensina, promove. O dito Pacto de Varsóvia teve o seu fim há muito, e a NATO, que até pela sua designação se confinaria ao Atlântico Norte, tem intervenções belicista por todo o mundo, nomeadamente no Afeganistão.
              A manifestação de 20 de Novembro será uma GRANDE MANIFESTAÇÃO PACÍFICA.
              Pela PAZ!

              O País está falido? - 2

              Antes de me atirar às duas perguntas que ficaram em suspenso (quais as consequências de estar “o país falido”? e como se sai disto? – faço um pequeno entre-acto. Não para fugir às respostas – que, aliás, não tenho a veleidade de dar –, nem às reflexões que as perguntas suscitam. Trata-se, sim, de uma questão, digamos, recorrente e, sobretudo, de episódio que me apeteceu contar, pois parece vir bem a propósito.
              Quando, em Bruxelas (e não só), se decidiam os passos finais para a criação do euro como moeda única – e do Banco Central Europeu a “prantar” em Frankfurt – houve uma reunião na comissão económica do PE, para se debater a questão dos países em condições de serem os “fundadores”, reunião de que falo frequentemente, e penso que nunca será demais.
              Depois de meses e anos na saga de se criar a moeda única, já com um adiamento… devido à conjuntura e às “habilidades” para ultrapassar o não dinamarquês ao Tratado de Maastrich, e de se terem criados os chamados critérios nominativos de rígida aplicação para os Estados-membros candidatos (alguns não o eram à partida, como o Reino Unido e a Dinamarca), o comissário “com a mão na massa”, um holandês de que não recordo o nome – nem me dou ao cuidado de ir procurar –, apareceu com uma hipótese algo estranha por tão contraditória com posições anteriores.
              Segundo ele, poderia haver países que, naquele momento de decisão, cumprissem os critérios mas que não o fizessem de "forma sustentável", pelo que poderiam não ter a candidatura aceite, enquanto que haveria outros que poderiam não cumprir os ditos critérios, naquele momento, mas que, por estarem a tender para os cumprirem, seriam aceites. Isto depois de meses e anos a afirmar-se a irredutibilidade do cumprimento dos critérios, e terem eles justificado a exigência de sacrifícios às populações em geral, e aos trabalhadores em particular, para se abrirem as veredas do risonho futuro da moeda única, ou se construir o belíssimo edifício da “Europa” sobre essa pedra, como biblicamente o proclamou o 1º ministro português, então António Guterres, à saída de um Conselho Europeu em Madrid.
              O que para mim ficou claro, e cada vez o vai estando mais, é que o tal comissário (ou seja, uma certa estratégia “europeia” que simplifico chamando do núcleo directório, com predominância alemã-holandesa) estava muito relutante em “deixar entrar” os “países periféricos” (ou da coesão), então Irlanda, Espanha, Portugal, Grécia e, nestes, salvo a Grécia, os critérios cumpriam-se, ao mesmo tempo que se não podia sequer considerar a hipótese da França não entrar por não estar a cumprir os critérios até aí inflexíveis!
              Duas consequências dessa posição: i) o PEC, o Pacto de Estabilidade e Crescimento, definido com grande exigência, que agora se quer agravar, e ii) as duras condições para a definição cambial de que resultaria a abolição das moedas nacionais, nada favoráveis a esses países, particularmente a Portugal pela sua permanente posição de frágil negociação e de forte obediência.
              Passados estes anos, há quem se esteja a surpreender com a actual situação e com as posições da Alemanha-Merkl (contra o chamado Sul), mas o que surpreende é a surpresa, que apenas pode servir de trincheira para não se aceitar que essa posição existe desde o início, é genética, era previsto que viesse a manifestar-se e foi prevenido.
              O capitalismo, a sua evolução e as contradições inerentes ao seu funcionamento, só podem surpreender quem se recusa a considerar que ele não é o fim da História, e tudo faz para ignorar que a História lhe porá fim. Pela luta social.

              Convite endossado

              A não faltar!
              O Partido Comunista Português e a Editorial «Avante!»
              têm o prazer de convidar V. Ex.ª para a
              Apresentação pública das
              Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal (tomo III)
              Usarão da palavra
              Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP,
              e Francisco Melo, Director da Editorial «Avante!».
              A iniciativa terá lugar no dia 10 de Novembro, pelas 18,00h.,
              no São Luiz Teatro Municipal
              Rua António Maria Cardoso, 38 – Lisboa

              Apoio: São Luiz Teatro Municipal

              A manifestação da função pública, de sábado

              Duas notas

              • (esta, pessoal): Não estive na manifestação. Bastante me custou faltar. Mas foi falta justificada. Estava numa outra tarefa em que foi julgado, pelo colectivo, que seria mais necessário. Para mais tratava-se de manifestação sectorial e era daquele sector de que sou reformado.
              • Quando uma manifestação de um sector (mesmo sendo da função pública) mobiliza mais de 100 mil manifestantes, correu como esta correu, e ainda fica no ar uma certa insatisfação... muito bem vai a luta. A luta é a nossa única inevitabilidade!

              domingo, novembro 07, 2010

              Esclarecimento... para os de boa fé

              Um anónimo – lamentando sê-lo… como se o problema não fosse seu – põe-me a seguinte questão-desafio:
              «(…) Vem aí o FMI, não me parece evitável. Como vamos fazê-lo frente a esta recessão e às medidas de austeridade acopladas? Mobilizamos os trabalhadores na base da rejeição dessas medidas, na reivindicação de medidas sobre o capital e na denúncia do sistema, ou apelamos à batalha da produção e ao crescimento económico como defende Sérgio Ribeiro?»
              Abstraindo da “necessidade” do anonimato (ele lá saberá porquê), parto do princípio da boa fé do anónimo (serei um ingénuo...), e respondo(-lhe) ao desafio para que não haja dúvidas (dele ou de quem as possa ter, por culpa de deficiente aclaramento meu).
              Primeiro "pormaior": o FMI está aí, nas medidas que este governo-PS adoptou, em conluio com o PSD! Aliás, a exemplo das “cartas de intenções” ao FMI da nossa (boa e má) memória, que Mário Soares escreveu e assinou há 30 anos.
              Depois, o Sérgio Ribeiro (que se assina), onde quer que seja e para quem quer que seja, em todas as circunstâncias, como o anónimo poderá comprovar (ou até já comprovou…),
              i) considera absolutamente prioritário mobilizar os trabalhadores para a rejeição dessas medidas, da política que as justifica, e denuncia, como sabe e pode, o desumano funcionamento do capitalismo,
              ii) de cara e com nome, defende um outro rumo para Portugal, luta (bem ou mau é outra questão) pelo socialismo e pelo comunismo – não pelas propositadamente feias (ou até horrorosas) caricaturas que deles fazem, mas pelo que aprendeu e quer continuar a aprender, nos livros e na vida –,
              iii) acha, procurando explicá-lo com as poucas habilitações que tem, que esse novo rumo para Portugal passa pelo aproveitamento dos nossos recursos naturais e adquiridos, não pela entrega do nosso mar aos barcos e estaleiros dos outros, não pelo pousio das terras, não pela escassa indústria a partir de investimentos financeiros nómados ou em deslocalizações, não pelo acréscimo constante dos nossos défices, mormente do alimentar, quer contribuir para o que o meu Partido chama Portugal a produzir, ao que não chamo "batalha da produção" como, chamaria, eventualmente, se vivêssemos noutro tempo, em democracia avançada, de que já estivemos perto.
              .
              Procurei ser claro… mas, se for preciso, faço um desenho.

              No final do dia 7 de Novembro

              Aqui lembrado.

              Como no ano passado.

              Como há dois anos.

              Como há três anos.

              Como há quatro anos.

              Como sempre. Desde há 93 anos.

              Como no futuro. Para o futuro!

              O País está falido? - 1

              No regresso de qualquer iniciativa em que participe, faço sempre (sempre que é possível…) um balanço de como correu, uma… auto-crítica. Raro fico satisfeito comigo! Às vezes, quero tentar corrigir ou melhorar. Logo logo.
              Anteontem, em Torres Novas, fui surpreendido – e não o deveria ter sido… mas não ouvira rádio, nem vira jornais em que o FMI lamentava a inevitável falência de Portugal! – pela preocupação de amigos e camaradas sobre o que é um país falir, sobre as consequências de tal emergência. Ao que lhes parecia inevitável. E de que, aliás, se está a fazer voz corrente: o país está falido!, estamos em bancarrota!. Na sexta-feira, corroborada pela voz autorizada, convincente, dessa entidade esotérica chamada FMI.
              Então o economista que explique!
              Gaguejei um bocado, confesso. E, agora, explico porquê.
              É que um país não pode ir à falência, tal como eu concebo um país e uma falência. E isso disse – e mais coisas disse –, com a consciência de que não estava a ser convincente. Não tanto como o tal rival do FMI.
              Aliás, recordo que, no meu regresso do Parlamento Europeu, ao retomar o contrato como docente em “Económicas”, me surpreendera o pendor para a consideração do Estado como um grande empresa capitalista, coisa que, dez anos antes, não tinha a força que então encontrei. O que me surpreendeu (esta incurável “qualidade” de me surpreender…). Devo dizer que essa circunstância (junta a outras tão ou mais importantes), contribuiu para sair do ISEG e vir mais cedo para o "exílio"… com actividade docente no Politécnico de Tomar até o Ministério mo impedir. É que não sou, nem nunca fui, do género “não podes vencê-los?, junta-te a eles!”, sou do tipo “não podes vencê-los aqui?, luta contra eles ali!”.
              Fecho o parêntese-a-propósito-de, e volto ao País falido.
              Primeiro, e sublinhando, um País não é uma empresa! No entanto, sem me juntar a eles..., faça-se uma analogia: uma empresa vai à falência quando o seu “activo” é inferior ao seu "passivo" mais "situação líquida", ou seja, quando os seus teres e haveres não chegam para pagar os seus deveres, os seus compromissos, Quando a soma dos valores do que tem em caixa ou nos bancos, dos seus imóveis (edifícios de fábrica, armazéns, escritórios), do que é imaterial (marcas, patentes), do que tem a receber de outros, é inferior ao que deve, ao que tem de pagar a outros.
              A partir daqui, desta forçada analogia, Portugal estaria falido se o que existe nos cofres do Estado (ouro, divisas), o valor ou avaliação do seu espaço quer emerso quer submerso, da(s) sua(s) marca(s) – esta “moda” das marcas: Portugal, Fátima, Benfica, Porto ou Sporting, Cristiano ou Mourinho, Algarve com um dois “éles”... –, daquilo que lhe devem pelo que exportou ou emprestou, se este total fosse inferior ao que o país deve pelo que importou ou pediu emprestado. A ser assim, na tal analogia forçada, façam favor de somar ao activo, a população, o fundo histórico, que não há “marca” que possa traduzir e são imensuráveis.
              Se nenhum País pode falir, alguns, como Portugal, menos o podem por tudo aquilo que não é empresarial, que não é contabilizável.

              Portugal não é uma pequena (ou média) empresa no universo em que haveria países e instituições internacionais que seriam grandes empresas ou gigantescos grupos empresariais. Se os países fossem susceptíveis de falir, o mais falido seria os Estados Unidos (o seu património imensurável é tão pequenino!) e o mais rico, de muito longe, a China (o seu património imensurável é imenso!).
              Tudo esta abordagem capitalista. contraditória até ao absurdo como é de sua natureza, tem os seus dias contados (ou anos, ou décadas, ou séculos... mas tem!).
              Ainda não disse tudo (nunca o direi!). Logo voltarei ao tema, sobretudo às angustiantes questões quais as consequências de estar o “país falido?", como se sai disto?

              A revolução das revoluções - 7 de Novembro de 1917 foi há 93 anos!

              «(...) Na Rússia da segunda década do século xx, a situação social e a luta social (e um Partido que a dirigia), e o começo da guerra, transformaram a oposição ao czar e ao poder absoluto, centralizado, numa revolução e, nesta, após a sua vitória (a 7 de Novembro de 1917) e os seus primeiros anos, na luta pelo Pão e pela Paz.
              .

              Só em 1922 se pode falar de vitória da revolução russa, se pode falar de União Soviética. Porque o monstro não fora abafado no berço (como o aconselhara lapidarmente, e tentara, o jovem deputado Churchil). O que não quer dizer que não se tivesse continuado a procurar que a criança não crescesse.
              O reconhecimento diplomático, em 1921-22, de que os soviéticos exerciam no seu território uma autoridade tão completa como qualquer outro governo foi a prova de que a Revolução triunfara.
              No entanto, a situação económica era terrível e as consequências sociais verdadeiramente dramáticas. Os dirigentes soviéticos herdaram uma Rússia que, além de atrasada, ainda recuara séculos. Com campos devastados, fábricas destruídas, transportes paralisados, um povo analfabeto dizimado por fomes e epidemias. Rodeada por um mundo que continuava hostil, apesar de ter de reconhecer os vencedores.(...)»


              (de uma intervenção, ontem, numa iniciativa de reflexão interna)

              sábado, novembro 06, 2010

              Ex-citações... interessantes

              (Enquanto se debate e faço consultas...):
              .

              No Manifesto, na sua primeira edição, de 1848, Marx e Engels escreveram:
              • «... a moderna propriedade privada burguesa é a expressão última e mais consumada da geração e apropriação dos produtos que repousam em oposições de classes, na exploração de umas pelas outras.»
              Na publicação portuguesa de edições avante!, dirigida por José BARATA-MOURA e Francisco MELO, o rigor que as caracteriza levou a que se acrescentassem notas ("do editor") em que se diz que a edição de 1888 tivera outra redacção:
              • «... a moderna propriedade privada burguesa é a expressão última e mais consumada da geração e apropriação dos produtos que repousam em oposições de classes, na exploração da maioria pela minoria.»
              Os 40 anos que medeiam as duas formações, e o que teria levado Engels a modificar o que redigira com Marx, substituindo «exploração de umas (classes) pelas outras (classes)» por «exploração da maioria pela minoria», merece atenção e reflexão. Ou seja, a oposição de classes - da burguesia e do proletariado, tendo este sido gerado pelo funcionamento do modo de produção capitalista - terá levado a escrever que não só há exploração da segunda pela primeira, como também há exploração da maioria, onde se inclui o proletariado. pela minoria, a classe burguesa, sempre em processo de concentração e de centralização - i.é, sempre mais minoria - enquanto classe exploradora.

              sexta-feira, novembro 05, 2010

              Notícias em destaque

              No Correio da Manhã de ontem:
              Parece que foi o Governo que se atrasou a comunicar que não podia ser... Por isso, está feito!
              Isto é (só) escandaloso!



              _______________________________________________



              No Diário de Notícias de hoje:
              De quem é que há-de ser a culpa de tudo?

              A "UE exige"!!!

              Manifestação da função pública

              Não, não é falta de assunto. Embora seja - também - muita ocupação absorvente. Mas há que informar toda a gente que protesta porque o protesto só tem qualquer efeito se colectivo, com a força que tem quem protesta, e se estiverem unidos os que protestam. E o mostrem!

              PAZ SIM! NATO NÃO!


              Ex-citações (de Lenine) - continua...

              Já que as citações últimas, por tão adequadas e tão ex-citantes, provocaran alguma... excitação (não só positiva, mas também negativa pois há anónimos que são verdadeiros barómetros), insisto, tirando um pouco de tempo a muita e absorvente (e excitante!) ocupação de preparação de intervenções em iniciativas de esclarecimento, debate e seminário (estou a nadar em livros...).
              .
              «A questão das medidas que se devem adoptar para lutar contra a catástrofe que se avizinha, leva-nos a tratar de um problema extraordinariamente importante: a relação entre a política interna e a política externa (...)
              «Só [com] uma ruptura (...), tanto no que se refere à política interna como à política externa, poderemos salvar a nossa revolução e o nosso país, amordaçados pelas férreas garras do imperialismo.»
              .
              (da edição da Estampa, de 1975,
              de texto de Setembro de 1917,
              e de que há edição mais recente de edições avante!,
              em Obras escolhidas)

              quinta-feira, novembro 04, 2010

              Ex-citações (de Lenine)

              «Para combater seriamente a desorganização das finanças e a bancarrota financeira inevitável não existe outro caminho senão o de romper revolucionariamente com os interesses do capital e implantar um controle verdadeiramente democrático, isto é, "a partir de baixo", um controle dos operários e dos camponeses pobres sobre os capitalistas (...) A emisão ilimitada de papel-moeda estimula a especulação, permite aos capitalistas acumular milhões à sua custa e levanta enormes dificuldades ao tão necessário aumento da produção. (...) De que forma se pode remediar a situação quando se ocultam as fortunas adquiridas pelos ricos através da especulação?»
              .

              (da edição da Estampa, de 1975,
              por que tenho uma certa... "ternura",
              como de tantos outros livros)

              No dia seguinte

              Curiosamente, o dia seguinte à aprovação na generalidade do OE-2011, é também o "dia seguinte" às eleições intercalares nos Estados Unidos. O FED (banco central dos Estados Unidos) reagiu, imediatamente e em força, aos resultados. Vai injectar doses cavalares de dinheiro na economia, vai fazer mexer os juros nas estreitas margens de manobra que têm.
              Como se escreve em vermelho-a esquerda bem informada, com a injecção de 600 mil milhões de dólares na economia, "Banco Central dos EUA joga lenha na fogueira da guerra cambial".
              Isto vai aquecer!

              quarta-feira, novembro 03, 2010

              Efeméride

              Antes de acabar o dia:

              Em 3 de Novembro de 1957, a União Soviética lança o Sputnick-2, primeira cápsula espacial a transportar um ser vivo, a cadela Laika.

              A iraniana condenada à morte

              Coloquei, hoje, uma mensagem a propósito da anunciada execução, por enforcamento, de Tarek Aziz. Houve quem me perguntasse porque não digo nada sobre o caso da iraniana. Posso dizer. Não é meu hábito fugir a dizer o que penso e sinto, embora não me considero obrigado a falar sobre tudo.
              1. Sou contra a pena de morte, seja onde e porque razão for!;
              2. Considero bárbara a morte por lapidação, seja onde e porque razão for!;
              3. É-me incompreensível, e indigna-me, qualquer castigo corporal por adultério, seja onde for!;
              4. Não aceito, e condeno, a divulgação de falsas informações na comunicação social, como a de se colocar, em título, lapidação quando há muito se sabe que a execução (a realizar-se) será por enforcamento e, nos textos, assim se escrever, como a de apenas se falar de adultério como causa da condenação e se “esquecer”, ou "adoçar", a causa homicídio!
              .
              Na RTP1 (on-line)
              .
              Lapidação adiada
              (actualizado às 16:41 - 03 Novembro '10)
              Irão mantém Ashtiani viva
              .
              No Correio da Manhã de hoje, numa página interior:

              Iraniana condenada
              Execução pode ser hoje
              Sakineh Ashtiani, a iraniana condenada à morte por adultério e morte do marido, pode ser enforcada hoje, avançou ontem fonte da Comissão Internacional Contra a Lapidação e Execução.
              .
              No Público:

              Apedrejamento!


              Reunião-convivio de militantes do PCP e eleitos da CDU
              Sexta-feira, 05 de Nov. 2010, às 21h30 no C.T de Torres Novas

              A actual situação politica, as lutas em curso, incluindo a greve geral, a manifestação pela paz, as eleições presidenciais e outros assuntos de carácter local, são temas para a conversa, com a participação do camarada Sérgio Ribeiro, membro do Comité Central do PCP

              Nota:
              A reunião será antecedida de convívio, pelas 19h30, para o qual necessitamos de inscrição prévia – telef. 249822050 - 913450752


              A Comissão Concelhia de Torres Novas do PCP

              Um "grand final"! PUM...

              Quis o governo entregar ao dr. como-é-que-ele-se-chama-?-Santos-quê?, agora ministro da Defesa, o discurso de encerramento do debate sobre o OE-2011. Foi uma escolha definidora. Foi a distribuição caceteira de um homem que se compraz na afirmação de uma jactância cheia de coisa nenhuma por tão cheia de si.
              Depois deste discurso, como é que vai para casa quem pactuar com esta intervenção final, identiticadora deste governo, deste orçamento, desta política que tem tal intérprete?
              Este homem, que fala de Marx e de Kant com a sobranceria de um iluminado, que cita Fernando Pessoa como se fosse mais um heterónimo, que afirma que este governo necessita da solidariedade enquanto distribui bordoada à toa, que manifesta a mais completa incompreensão e desrespeito - e até desprezo - por quem pense diferentemente do governo - perdão, dele próprio -, este homem é um caso clínico na especialidade "patologia político-partidária".
              E passou-se à votação.Como anunciada!

              Envolvendo o debate...

              Enquanto na AR continuava (e continua) o debate na generalidade sobre o OE-2011, na maior parte do tempo em "duelo de cuspo", cá fora - e lá para dentro - os juros que se impõem a Portugal (e aos portugueses) subiam. indiferentes a acordos centrões, e sabia-se do aumento de 53,4 milhões de euros nos lucros dos 4 maiores bancos relativamente aos 9 meses de 2009!
              .
              "Quem paga é quem manda?" pergunta Bernardino Soares, referindo-se a frase de Manuela Ferreira Leite, "... mas quem paga é o povo e quem manda são os bancos!"

              A condenação à morte de Tarek Aziz - razões... se razões são

              O anúncio da condenação de Tarek Aziz à morte por enforcamento, por tribunal do Iraque, chocou-me, por razões pessoais que se compreenderão adiante.
              Tarek Aziz foi ministro dos negócios estrangeiros (1983–1991) e vice-primeiro-ministro iraquiano (1979–2003). Em Dezembro de 2002, Aziz designou a inspecção à existência de armas de destruição em massa "uma farsa" e a guerra "inevitável" e protagonizou um episódio muito mediatizado quando, nas vésperas da invasão, no âmbito da sua intensa acção diplomática para a evitar (em que se incluiu uma ida ao Vaticano), recusou responder, na FoxNews, a jornalista israelita. Ao contrário de todos os outros líderes do Iraque, Aziz é (se ainda vivo está...) um cristão católico.
              Apesar de ser considerado um moderado, a sua longuíssima ligação a Saddam Hussein fez com que tivesse fugido durante a invasão de 2003, pelos Estados Unidos e seus aliados, mas rendeu-se às forças dos EUA em 24 de Abril de 2003, estando preso desde essa data.
              Em 11 de Março de 2009, foi condenado pelo Alto Tribunal iraquiano a 15 anos de prisão por participação na autorização da execução de comerciantes de farinha no Iraque em 1992, condenados à pena máxima após julgamento sumário por desrespeito ao tabelamento de preços feito pelo governo de Saddam Hussein, depois de ter sido considerado inocente uma semana antes pela morte de manifestantes xiitas no país, em 1999. Em 26 de Outubro de 2010, esta sentença foi revista e foi condenado à morte pelo mesmo tribunal, por perseguições religiosas no Iraque durante o governo de Saddam Hussein.
              Sendo estes os factos – e acrescentando-se que em 1993, no início do governo Clinton, tinha sido feita uma primeira invasão do Iraque – há razões pessoais que me chocaram, se razões são…
              Entre as duas invasões, em estado de permanente ameaça, a situação do povo iraquiano motivava preocupações nos movimentos da Paz de todo o mundo, e aproveitando a estadia de Tarek Aziz em Bruxelas, uma organização do movimento pela Paz belga convidou-o para uma iniciativa de informação e esclarecimento sobre o Iraque. Tendo desejado fazê-lo no Parlamento Europeu, e estando eu em tarefa de deputado, servi de intermediário, no quadro de uma colaboração que há muito mantenho com os movimentos da Paz.
              Obtida a cedência de um auditório e tendo sido tudo tratado em meu nome, o dia da ida de Tarek Aziz ao Parlamento Europeu foi um momento muito significativo no período em que estive naquela tarefa. Os "serviços de segurança" tomou as precauções devidas a tal visita. Bloqueou entradas, circuitos, elevadores e acessos ao restaurante e ao auditório. Tudo em nome e às ordens do deputado Ribeirô.
              Recebi Tarek Aziz, almocei com ele, presidi à sessão de informação e de debate.
              Foram umas horas de convívio simpático, agradável e muito útil quanto a informação. Fiquei com uma ideia positiva de Tarek Aziz. Ao almoço foi aberto, franco, e pareceu-me sincero e lúcido; na sessão pública foi informativo, cauteloso mas parecendo muito sincero nas preocupações mais fundas que o moviam, na situação do povo iraquiano.
              Serão razões ou não, mas são vivências que fazem com que sinta particular e compreensivelmente esta evidentemente política condenação à morte por enforcamento de Tarek Aziz.

              A explicação do voto a favor!

              "Tudo aquilo de que o País não precisa está neste orçamento!"
              "Este orçamento é péssimo!"
              "Em nome do interesse nacional, em nome do País, vou votar este orçamento."

              Manuela Ferreira Leite "Hegel"
              (não lido ou mal lido)

              Errata?!

              Abri a televisão para acompanhar, em "música de fundo" (!), a discusão sobre o orçamento do Estado.
              Apanhei logo com uma discussão sobre uma errata (de 830 milhões... uma minudência!)
              E aqui vamos, de errata em errata, até à aprovação do erro orçamental!
              Que desGoverno é este?!

              Não haverá nada de comum entre os economistas e os economistas? - 2

              Há economistas e economistas (os “burgueses”, os “marxistas”). Como já escrevi, no debate sobre a realidade, com as formas e os veículos do debate dominados pelos interesses que se servem dos economistas "burgueses", como sempre, mas mais neste momento que vivemos, aqui e agora, só se ouvem esses economistas, e sempre os mesmos de entre esses economistas (e banqueiros, ao fim e ao cabo, também economistas mas “abancados”), ficando para os outros economistas, para os da outra classe, ou nenhum papel… ou o de servirem de adereço para não se dizer que não se vive em democracia. Por isso, escrevi que o debate foi afunilado, canalizado, esgotado, caiu no esgoto.
              E ocorreu-me a pergunta: não haverá uma qualquer área de reserva comum, uma mínima base de entendimento onde os economistas e os economistas se encontrem, identificados como economistas? Não haverá um ponto de cruzamento entre o "muito" de "coisa nenhuma" e o "pouco" de "tudo"?
              Respondi, ontem, que achava que havia... e que ia continuar a escrever sobre o tema. Como o estou a fazer, hoje.
              .
              Acho que nenhum economista, para merecer esse nome, negará que, sem a alteração de rumo da economia, nada nestas situações se poderá resolver (bem pelo contrário) com a simples criação de condições para se mendigarem juros não demasiado altos que possibilitem empréstimos com que se paguem juros de empréstimos anteriores que se tornaram em dívidas insuportáveis.
              O défice do OE em relação ao PIB de 4,6% (mesmo que com contas incríveis) parece o "número mágico" que "acalmará" a besta dos mercados, e que possibilitará que haja condições para continuar como até aqui. Ou seja, a condição (imposta de fora) para que Portugal consiga empréstimos para pagar juros dos empréstimos antes conseguidos. Como é evidente, os novos empréstimos possíveis irão pagar juros, por mais ou menos acessíveis que sejam, para que será necessário arranjar, a seguir, empréstimos para os pagar.
              Podem reduzir-se os já celebres “consumos intermédios” que se venham a descobrir (e há bem por onde…), podem fazer-se os cortes nas despesas públicas que se puderem (até onde os trabalhadores e as populações consentirem), podem inventar-se receitas ditas não-fiscais (ou disso disfarçadas) que, sem mudança de rumo, se manterá a sequência endividamento-juros-endividamento(s)-juros-endividamento(s).
              Sem vocação para acusador, juiz, ou passador de certificados, não me parece que mereça o diploma de economista quem não afirme, com clareza e firmeza, a necessidade urgente de romper este círculo vicioso decorrente da financeirização e da subjugação dos “mercados”.
              E há uma via, uma alternativa: a via, a alternativa do aproveitamento dos nossos recursos naturais e adquiridos, ainda aproveitáveis ou recuperáveis, da valorização do trabalho, dos trabalhadores que são o nosso recurso maior (e que se valorizam na emigração, como parece ser nossa fatalidade cíclica!).
              Pondo Portugal e os portugueses a produzir
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              terça-feira, novembro 02, 2010

              A discussão do OE na AR - último apontamento

              Para acabar, um curioso "fait-divers". Um arremedo de diálogo parlamentar, ou de jogo de ping-pong, protagonizado por dois jovens e esperançosos deputados, um com a gravata laranja do PSD e outro com a camisa rosa aberta do PS, em que o sempre-jovem ministro dos assuntos parlamentares quis dizer a palavra final mas... não o governo tinha esgotado o tempo de palavra(e o PSD não lho quis dar!).
              Às vezes, estes episódios são cómicos. Que iria dizer o Lacão? O que todos perdemos!!!

              A discussão do OE - apenas um apontamento

              Enquanto vou trabalhando noutras coisas (ou nas mesmas?), daquele rectângulo televisivo chegam-me os sons do debate e, de vez em quando, nele espreito as imagens.
              Só um apontamento (parafraseando Jerónimo de Sousa);

              o debate mastigado (mesmo apimentado com troca de quase-insultos
              entre "os do acordo" que o viabilizará) mesmo assim intragável...

              Não haverá nada de comum entre os economistas e os economistas? - 1

              Num blog que aqui deixei (de ex-citações em ex-citações - ele há economistas e economistas, 31.10.2010), defendendo uma das "minhas damas", a dona economia, escrevia, para fecho, que há dois tipos de economistas:
              .
              • há economistas que sabem "muito" de "coisa nenhuma";
              • há economistas que sabem
              "pouco" – o mais de que são capazes… – de “tudo”.
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              Queria eu dizer, "na minha", que há economistas "burgueses" (sem estar a usar o termo depreciativa ou agressivamente), que são os que adoptaram correntes clássicas, neo-clássicas, monetaristas, neo-liberais, keyneseanas, hayekeanas, nas suas formas puras ou em misturas, com o tronco comum de aceitarem como imutável o estádio de relações sociais de produção implantadas e tornadas (pre)dominantes desde o início do século XIX, o modo de produção e formação social-capitalismo; estes economistas, também chamados "vulgares" (aqui talvez já seja mais difícil conseguir que a adjectivação passe sem que seja considerada ofensiva), consideram-se (*) técnicos, que têm de conhecer a sua técnica - e alguns muito bem a conhecem - não tendo nada a ver com... o resto. Para eles, o seu contributo é o de aumentar a riqueza, medida monetariamente, e manter a máquina a funcionar para que haja investimento que crie riqueza e que esta seja, no final dos circuitos - da circulação dos factores - maior, sempre monetariamente medida. Quanto à distribuição ou repartição dessa riqueza, isso não tem nada a ver com eles (para alguns, nem como cidadãos), nem os grupos sociais se dividem pelo seu lugar no processo produtivo a partir da questão-chave da propriedade.

              Também queria eu dizer que há economistas que têm uma ideologia (e uma base teórica) que é a do marxismo-leninismo, de que resulta uma posição global, articulada, em que a economia é uma área do conhecimento e de acção interpenetrada com todas as outras. Para estes, a economia não pode perder o seu lugar de ciência do conhecimento do modo de recolha e transformação dos recursos naturais e adquiridos para satisfação das necessidades das populações, através do trabalho vivo e do trabalho passado, cristalizado em forças produtivas auxiliares da força de trabalho (por muito que pareça o contrário); as relações sociais de produção são historicamente mutáveis, definindo-se a partir da posição dos grupos sociais quanto ao processo produtivo e a propriedade dos meios de produção, com a questão central na criação do valor das coisas (**).
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              No debate sobre a realidade, sendo as formas e os veículos de debate dominados pelos interesses que se servem dos economistas "burgueses", como sempre, mas mais ainda a partir de certa altura da nossa maior contemporaneidade (deste momento que vivemos, aqui e agora), só se ouviram esses economistas, e sempre os mesmos (e os banqueiros, que, ao fim e ao cabo, são economistas evidentemente abancados), ficando para os outros economistas ou nenhum papel, se possível, ou o de servirem de adereço para não se dizer que não se vive em democracia. A discussão foi afunilada, canalizada, esgotada, caiu no esgoto. E continua. Há que puxar o autoclismo!

              E ocorre-me a pergunta: mas não haverá nada, nenhuma reserva comum, nenhuma base de entendimento por mínima que seja, ou, até, algum O.K.Corral que não seja um "duelo de cuspo" (***), onde os outros economistas, os marxistas, também possam disparar as suas armas (pacíficas!) fornecidas pelo que os identifica, ou seja, no terreno ("rua central da cidade") que os identifique, a ambos, como economistas? Não haverá um ponto de cruzamento entre o "muito" de "coisa nenhuma" e o "pouco" de "tudo"?
              Eu acho que há... e vou continuar a escrever sobre isto.
              _____________________________________________

              (*) - ou sou eu que considero que eles assim se consideram ou deveriam considerar...
              (**) - claro que isto não pretende ser uma definição mas tão-só uma pista de compreensaão para as diferenças entre economistas e economistas
              (***) - excelente esta imagem-síntese do Jerónimo de Sousa

              segunda-feira, novembro 01, 2010

              Ah!, as crianças!

              Este dia parece ter sido (per)feito para a miudagem. Não foi só o dia do bolinho. Acabadas as visitas - e algumas dariam motivos para aqui contar coisas muito interessantes... se tivesse engenho e arte -, quase esgotadas as provisões de bolinhos, rebuçados e bolachas, decidi ir dar uma volta e ir à procura de um "tio" para lhe pedir o meu bolinho. O que seria fácil, até porque havia um convite implícito, insinuado e claro (isto da dialéctica...), por parte de uma família amiga.
              No caminho para lá, o carro deu-me os programas habituais, os daquela hora. Um, que ouço de fugida - a uns tantos quilómetros por hora -, em que uns miúdos, com a ajuda de adultos bons profissionais, fazem o seu "Portugal dos Pequeninos".
              Hoje, o tema seria o da crise, e já em andamento, o programa e eu, um miúdo, o Manuel, respondia à pergunta sobre o que era para ele a crise. Respondia o Manuel que não sabia lá muito bem mas que julgava que era coisa assim como o IVA. A entrevistadora, quis saber o que ele achava que era o IVA, e o Manuel, sempre sério e cauteloso, respondeu que não, sabia muito bem mas que lhe parecia que o IVA eram umas lojas onde as coisas se vendiam mais caras e que isso é que era a crise. Então, na sequênia da conversa, a jornalista perguntou ao Manuel se ele achava que alguém tinha culpa do IVA, da crise, dessas coisas... e o Manuel, sempre colocando as seríissimas reservas de não ter certezas, não hesitou: acho que é o Cavaco Silva.
              Entretanto, tinha chegado à casa onde os "tios", o bolinho e um copo de palhete foram os adereços de um tempo de amizade e convívio.

              Ainda Brasil (e Chico Lopes!)

              “Neste segundo turno, a grande conquista foi a militância dos partidos de esquerda ter ido pra rua, fazer a diferença na eleição. Assim como a participação do povo, que diante da tentativa das forças conservadoras de voltar ao poder, encarou a campanha e assegurou a vitória da primeira mulher presidente do Brasil”, acrescentou Chico Lopes (deputado federal do Partido Comunista do Brasil), ao participar, na noite de domingo, das comemorações pela vitória de Dilma, no Comité Estadual do PCdoB no Ceará. (em Vermelho)
              Estes Franciscos Lopes!
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              Já agora (com a "ajuda" - que reconheço e agradeço! - de otempodascerejas), festejemos:

              Dia do Bolinho

              Hoje, 1 de Novembro, é o dia do bolinho. Não o vivi, como criança, no Zambujal, mas já adulto habituei-me a viver este dia como um dia muito especial. Faz parte da minha infância, vivida por mim ou por mim revivida todos os anos pelos miúdos e miúdas que aqui por casa passam a gritar-me "oh! tia, oh! tio... dá bolinho?!".


              E nós, nas vésperas do dia de hoje, recebemos dos vizinhos amigos o "nosso bolinho", feito em casas onde há forno a que se aquecem as tradições que não podem morrer, e encomendámos bolinhos ao padeiro que nos fornece o pão nosso de cada dia, reforçámos essa encomenda com a reserva de "bolinhos", bolachas e rebuçados acrescentados às compras semanais na grande superfície, e esperamos com algum calmo alvoroço a vinda das ranchadas de miudagem.


              E eles já começaram. Vêm em grupos alegres, barulhentos (embora alguns muito contidos), os mais velhos ensinando, os mais atrevidos... atrevendo-se a uma graça, a um dichote. Converso com eles "... de quem és tu?...", "há quantos anos andas ao bolinhos?", "óh! menina, como cresceste!", "eh! rapaz, já com a barba a romper e ao bolinho... é assim mesmo... ensina aos teus irmãos e vizinhos mais pequenos..." "... quantos anos tens?, é a primeira vez que vens ao bolinho?".


              É um dia de sol, colorido, na sequência destes dias de chuva, cinzentos e escuros.


              Com uma única nuvem... que perpassa na logo ultrapassada alegria da tradição... porque aqui, nesta casa, aos bolinhos e aos rebuçados não se junta uma moeda, a moeda que muito esperam e que, para alguns, é o que mais desejariam... mas que - aqui, nesta casa - não se dá. E procura dizer-se, em duas palavras, porquê...


              Assim se (pre)enche um dia importante na vida deles. E na nossa...




              E
              fotografias do dia do bolinho de há 5 anos.
              Como eles e elas cresceram!

              Brasil

              Olho para o que se passa à volta. Revejo o que vi e o que julgo saber.

              Diria, numa outra formulação, querendo dizer o mesmo mas não igual, que Serra (e, sobretudo, quem queria a sua vitória) perdeu, e que o Brasil dos últimos anos continua, na senda da libertação da pobreza e da afirmação como grande país do futuro, com uma voz sua e uma postura não servil!