quinta-feira, março 08, 2007

Dia da mulher!

Curiosamente - e gostosamente - este CD foi-me oferecido no dia do pai do ano passado...

Sabes tu, mulher...

Sabes tu, mulher, porque é que hoje
dia 8 de Março
é o dia internacional da mulher?

Saúdo-te, hoje, mulher, no dia que é o teu.

Saúdo-te com a alegria de quem inclui,
nas suas pequenas-grandes lutas,
a luta contra as discriminações,
a luta contra a desigualdade social entre o homem e a mulher.

Saúdo-te, mulher, porque, neste dia,
te sentes mais diferente e mais igual,
mais diferente porque eu sou homem e tu és mulher,
mais igual porque este dia é um dia de afirmação,
de afirmação de que temos os mesmos direitos.

Mas também te saúdo com tristeza.
Porque sei que, se te perguntasse
porque é que o dia 8 de Março é o dia da mulher?
me olharias espantada e, se me respondesses…,
dirias um sei lá convicto e indiferente.
E não podes imaginar quanto me custa
que, para ti, seja este dia um dia igual
ao de S. Valentim ou outro desses,
outro desses dias em que os pequenos comerciantes
aproveitam para tentar atenuar a crise - a sua, a dos pequenos…

Há 150 anos – porque foi em 8 de Março de 1857 –,
130 mulheres morrem queimadas num incêndio,
morreram num incêndio provocado contra elas,
fechadas numa fábrica em Nova Iorque, impedidas de sair,
apenas(!) por lutarem por uma redução do seu horário de trabalho,
de 16 horas diárias para o máximo de 10 horas,
por quererem salário e horário iguais aos dos homens.

130 mulheres, faz hoje 150 anos, morreram carbonizadas,
por lutarem por direitos seus, de mulheres trabalhadoras.
E foi uma mulher, Clara Zetkin, que nascera em 1857,
que, no dia 8 de Março de 1910, em Copenhague,
ao presidir à 2ª Conferência international das mulheres socialistas,
propôs a criação do dia international das mulheres,
dia de manifestação anual para lutar pelo direito de voto,
pela igualdade entre os sexos, e pelo
socialismo.

Divirtam-se, gozem a liberdade tão duramente conquistada
(porque, antes do 25 de Abril de 1974,
a todos estava vedado festejar o 8 de Março),
sejam felizes, ao menos neste dia em cada ano…,
mas lembrem, num minuto, as operárias de Nova Iorque!
Há 150 anos. Faz hoje!

terça-feira, março 06, 2007

Efemérides - 6 de Março

Em Setembro de 1919, o movimento da classe dos trabalhadores fundou a Confederação Geral do Trabalho, ou CGT. (...) O seu principal objectivo era promover ideias revolucionárias e socialistas, e organizar e desenvolver um movimento dos trabalhadores.[4]
Após algum tempo os membros da FMP sentiram a necessidade de uma vanguarda revolucionária entre os trabalhadores Portugueses. Depois de várias reuniões em várias sedes dos sindicatos, e com a ajuda da Comintern, foi fundado o Partido Comunista Português, ou PCP, como a secção Portuguesa do Internacional Comunista (Comintern), no dia 6 de Março de 1921.
De modo diverso ao que ocorrera na generalidade dos países europeus, o Partido Comunista Português não se formou a partir de uma cisão no Partido Socialista, mas ergueu-se, essencialmente, com militantes saídos das fileiras do sindicalismo revolucionário e do anarco.sindicalismo
Após a Revolução de 28 de Maio de 1926 o partido foi ilegalizado, e foi forçado a operar em segredo. Por coincidência, a revolução aconteceu na véspera do segundo congresso, o que levou à sua suspensão. Em 1927, a sede do Partido foi fechada. O Partido foi depois reorganizado em 1929 por Bento António Gonçalves. Adaptando-o ao seu novo modo de operações clandestinas, evitou assim uma onda de detenções.
Após a ascensão ao poder do regime ditatorial de Salazar, ou Estado Novo, a supressão do partido aumentou. Muitos membros foram presos, torturados e assassinados.

(de Wikipédia)

Mais uma efeméride (mais pessoal... mas não menos importante para mim):
em 1970, no dia 6 de Março, nasceu o meu filho Gonçalo!

segunda-feira, março 05, 2007

Daqui vos vejo

Daqui vos vejo. E observo. E reflicto.
E vou entrar em cena porque tenho saudades de vos ouvir.
Eu sei que uma aparição minha desperta comentários que outras coisas (umas chatas, outras mesmo para ficarem sem comentário) não o fazem. Esta é uma das razões por que volto. De vez em quando.
Pois aqui me têm, Mais maduro, mais caseiro... mas a primavera está a chegar e gosto tanto de dormir sestas entre flores que nascem, entre a natureza que recomeço o seu ciclo... enquanto eu (e os que se julgam meus donos) seguimos a nossa evolução, isto é, vamos caminhando sempre em frente, sem ciclos, sem estações que se repetem. Adiante.

Gostei de aqui vir. De me mostrar.


António Gedeão - Homem

Homem

Inútil definir este animal aflito.
Nem palavras,
nem cinzéis,
nem acordes,
nem pincéis
são gargantas deste grito.
Universo em expansão.
Pincelada de zarcão
desde mais infinito a menos infinito.


No dia 10 de Março, pelas 16 horas, no espaço Som da Tinta, António Gedeão por Manuel Freire.

domingo, março 04, 2007

Um mundo (e uma comunicação) dOPAda

Neste fim de semana (de sábado a domingo à noite), parece que neste País a coisa mais importante que aconteceu (senão a única coisa importante que aconteceu nerte País) foi a morte(?) da OPA da Sonae sobre a TP.
Uma manifestação de 120 a 150 mil pessoas na rua, contra a política social do governo, é como se não tivesse acontecido... Uma vergonha esta "conspiração do silêncio" da parte de alguns dos mais importantes orgãos da comunicação social.
O que aconteceu foi Granadeiro, Belmiro, Ricardo Salgado (isto é, Banco Espírito Santo).
E, ao ver este último na televisão, não me foi possível deixar de pensar que, no tempo de antigamente, os bancos eram os lugares ondes se depositava o nosso dinheiro, e onde se podia, eventualmente, procurar algum crédito vindo do nosso dinheiro e do dinheiro ali depositado por outros. Agora, são produtos e mais produtos com que nos aliciam para, depois, por exemplo, dificultarem a devolução do dinheiro que lá pusemos, com a justificação das letras miudinhas dos contratos, de que não nos falaram e que nós não lemos... até porque, para as lermos, teríamos de mudar as lentes dos óculos.

o euro-turco

Desde dia 1 de janeiro 2007, a Turquia tem uma nova moeda, a "nova lira -turca" (Yeni Turk Lirasi), que substitui a antira lira antiga bastante desvalorizada, tendo-lhe tirado nada menos que 6 zeros. Quando se olha para a nova lira, nota-se logo que se parece estranhamente com a moda de 2 euros. Ao comparar estas 2 moedas, verifica-se que têm exactamente a mesma aparência (uma parte de cobre central rodeado por umaparte de niquel), tendo sensivelmente o mesmo tamanho. A face da moeda, tem como muitos euros, 1 cabeça desenhada (neste caso trata se de Ataturk...).

A unica diferença é que no lugar do 2 dos 2 euros tem um 1 que é semelhante ao 1 das moedas de 1 euro. Esta lira turca é uma imitaçao juridicamente inatacável da moeda de 2 euros.

Ela vale apenas 40 cêntimos (e na Europa não tem qualquer valor, ou seja não vale mesmo nada). Apenas pode servir para, enganosamente, servir para trocos, podendo assim fazer lucros substanciais. Por enquanto, estejamos atentos, verifiquemos bem que as nossas moedas de 2 euros não se tratam de liras turcas, porque já começaram por aí a circular.
mais um dos "benefícios" da moeda única... europeia, e isto antes do alargamento da "Europa" à Turquia!

sábado, março 03, 2007

Manuel Freire e a "Pedra Filosofal" de António Gedeão - 10 de Março no espaço Som da Tinta


Esta imagem pareceu-me mais adequada - aos referidos 40 anos -
que a que ilustra o blog Som-da-Tinta. É a capa de um disco de vinil... e não coube toda no scanner!

Há quase 40 anos foi uma pedrada no charco!

Vamos ouvir e falar disso, e de outras "coisas" do António Gedeão, com o Manuel Freire, no dia 10 de Março, a partir das 16 horas.

Hoje

Hoje, depois de ontem e da enorme manifestação, é dia de assembleia geral do CPPC, Conselho Português da Paz e Cooperação, a que pertenço, e a que tanto queria ir.
Mas uma constipação (resfriado é mais bonito, não é?) fez-me passar uma noite pessimamente dormida e, ao acordar (se é que dormi...) não tive coragem de me ter metido no carro e a caminho de Lisboa.
Vamos lá a ver se isto melhora porque, logo à tarde, gostaria de acompanhar a ida da equipa sénior do JO a Torres Vedras.
Há dias assim. Como não devia haver.

quinta-feira, março 01, 2007

António Gedeão-Manuel Freire, a "pedra filosofal" (e outras!)

Recebemos (é como quem diz...) esta

INFORMAÇÃO-CONVITE
A livrariainicia, no seu espaço,
no dia 10 de Março,
pelas 16 horas,
uma série de iniciativas,a que deu o nome
leitores ao encontro de autores,
em que um grupo de leitores se prepara
para conversar com um autor escolhido,
o que poderá ser animado
por um “leitor especial” desse autor.
Para começar,
o autor será António Gedeão e o "leitor" Manuel Freire
venham sentar-se connosco
sobre uma "pedra filosofal"
(e outras que lhes são comuns)
e conviver
Nós estaremos lá (pois!)

Ex-citação

A constância das eras. O tempo é um absoluto, cujos limites são o «antes» e o «depois». O ritmo desse absoluto é elíptico, embora seduza a ideia da sua forma derramada, fluída. De fluxo, portanto. De algum modo, o tempo é assim, uma sucessão pautada. Atrás os trinta, adiante os quarenta. Uma espécie de impasse. De onde tende a sobrevir uma sensação grave. Que daí, de tal impasse, há duas saídas possíveis apenas, ou pela suspensão ou pela derrapagem. À suspensão chama-se morte. À derrapagem chama-se envelhecimento. Não há escolha. De um ou de outro modo, o tempo matar-nos-á. Segismundo.
Isto foi tirado do Albergue dos danados, onde um tal de (ou do?) Zambujal veio logo, a correr, reagir a comentários já (ex)postos e fazer um seu comentário, que também se (ex)cita:
Para quê complicar, especulando, o que o segismundo tão bem disse?
E não tem, ele, atrás os setenta (que já cá me cantam...), adiante os oitenta (se continuar em derrapagem pois em-velho-sou!).
Não tem... mas parece.
O tal de segismundo sabe muito de "a constância das eras", para a idade....
Aqui fica um abraço respeitoso. Merecido. zambujal

Perdido (e achado) em papéis dispersos - 4

Os papéis (de 1969) andam aqui pela secretária, misturados com os de agora, de agora mesmo. Saltam-me aos olhos e provocam-me. Não resisto!

Estes homens perderam a bússola
andam à deriva
estão náufragos no mar da (sua) iniquidade

(de 1969? pois poderia ter escrito isto hoje!)

O que roi
corroi
e doi

Por dentro, chôro
por fora, riso.
Fundo, a mágoa
nos lábios, o sorriso

Ora o sorriso,
ora o rictus

Que o difícil lutar
de hoje
emprenhe o duro construir
do amanhã

Não espero juizes
nem sentenças
Não procuro réus
nem quesitos
Espero futuro
e nele ser
Procuro luta
e nela estar

Ser,
do futuro,
o seixo do degrau-hoje
da infinda escalada

(Por hoje, chega. Mas há mais, muito mais... isto é uma ameaça)

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Hoje, acordei com esta...

...na cachimónia:
"Como eu me lembro da Teresa Bautista cansada de guerra(s), do Jorge Amado!".
Mas acrescento logo: não será pelo cansaço que me/nos derrotarão.

domingo, fevereiro 25, 2007

Os jovens e Zeca Afonso

No sábado, 23 de Fevereiro, fez 20 anos que morreu Zeca Afonso. Um grupo de jovens pediu o espaço Som da Tinta para promover uma iniciativa que homenageasse o cantor e o homem.
O espaço foi cedido com todo o gosto e, além disso, a Som da Tinta mostrou toda a disponibilidade para colaborar na iniciativa.
Foi uma noite linda, pá!
O facto de Zeca Afonso tanto dizer a jovens e a menos jovens, vinte anos passados sobre a sua morte, revela bem a importância da sua mensagem em poema e música, da sua forma de resistência, que tão actual parece. Tão dos nossos dias!
A livraria Som da Tinta agradeceu, aos jovens promotores e à Vanessa (que bela voz!), ao professor José António e ao João, a excelente noite que a todos proporcionaram, animando aquele espaço que foi criado para iniciativas como aquela.

Quando acabou a noite, dizia-se venham mais 5... noites como esta!

(aproveitado do blog Som-da-Tinta)

Perdido (e achado) em papeis dispersos - 3

Viver miudo
sofrer por pouco
morrer em nada

Perder a guerra da vida-toda
(uma
luta
curta)
nas pequenas batalhas do quotidiano

Por 50$00 uma escaramuça
por 200$oo uma querela
por 500$00 uma guerra:
o meu aumento foi mais baixo que o de fulano,
não está certo!;
Não está certo,
o meu ordenado continua mais pequeno que o de cicrano!

Os homens dividem-se,
dividem-se aos centos de escudos,
calam-se perante quem lhes dá a migalha,
mas chocam-se
e protestam,
e barafustam,
e agridem-se:
a migalha do meu vizinho tem mais miolo que a minha!

(quando eram os centos de escudos que serviam para dividir os homens)

Perdido (e achado) em papéis dispersos - 2

O braço é que faz
e faz as máquinas que fazem
... se o braço as fizer fazer!

A arma mata
A arma liberta
A arma é má ?
A arma é boa ?
A arma é a arma!
O dedo no gatilho é que escolhe

Os sinais que o lápis desenha
os sons que a voz emite
as palavras esmagadas contra o papel
as palavras atiradas aos muros para eles gritarem
o que nos impedem de dizer

(em papeis sem data... mas muito amarelados pelo tempo - que então era de guerra colonial - e pelas décadas que passaram)

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Perdido (e achado) em papés dispersos - 1

Encontrar no momento
a maneira

Porque o que foi ensinou
Porque o que é esmaga
Porque o que será se constrói
na luta aprendida e contra o que nos esmaga.

(também de 1969, não sei de que mês)

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Perdidos (e achados) em papéis dispersos

Encontrar
no momento
a maneira

Viver no lugar
o espaço
Viver na hora
o tempo
Viver aqui e agora
a vida

(maio de 1969)

sábado, fevereiro 17, 2007

O arco íris (ou da velha)

Hoje, descia a "estrada velha" que liga Fátima a Ourém e, numa curva, descubro o arco íris. Ou, se calhar inventei-o para alegrar a tarde.
Começava ali para as Silveiras e subia, subia. Vendo de onde partia, ainda pensei virar ali ao Vale da Perra e ir à procura de onde entrar nele, percorrendo um das suas faixas, escolhendo a côr que mais me aprouvesse.
Desisti. Desisti porque olhei a subida das auto-estradas de cores variadas e vi que ia acabar numa nuvem. E não me apeteceu "andar nas nuvens".

João Lázaro na Som da Tinta

INFORMAÇÃO-CONVITE
Dia 24 de Fevereiro de 2007,
às 16 horas,
em Ourém,
na apresentação do novo livro de
JOÃO LÁZARO
Escrever nas Paredes
JOÃO LÁZARO é psicólogo clínico e director artístico do Te-Ato, Grupo de Teatro de Leiria. Nasceu em Leiria em 1958, dá aulas na EPO-Ourém. Em 2000, publicou Mulheres à Flor da Pele.
ESCREVER NAS PAREDES é uma selecção de algumas crónicas que o autor vem publicando, desde 2002, no Jornal de Leiria:
“Tenho urgência de escrever nas paredes (…) Escrever sem pudor fazendo de cada coisa escrita testemunho assumido de uma atitude ocasional, do pensamento ou emoção pressentida. É por isso que há vezes em que gostaria de ser um bocadinho poeta. Não muito."
apareçam!
Jorlis, Edições e Publicações,Lda
paula.carvalho@movicortes.pt

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Referendo e luta

Muito se fala, muito se escreve, sobre mudança a propósito dos resultados do referendo. De mudanças no que tem sido um certo sentido do voto. Algumas houve que se reflectem nos resultados, e muito me congratulo com isso. mas não falemos, nem escrevamos delas, das mudanças, em termos quase eufóricos e como se fosse algo em que se possa confiar e partir para outra, para outras lutas noutro ambiente social.
É verdade que foi muito importante o que aconteceu, mas também é verdade que serviu de distracção para o que ia continuando a ser, como era e como vai continuar a ser, a luta de sempre, agora com a luta acrescida (e ainda bem!) para que os resultados do referendo tenham tradução no nosso viver em sociedade.
E sabemos todos que há quem estava já, e a estar continua, a tudo fazer - mesmo o ilegítimo, mesmo o ilegal - para o impedir, como o ilustra a questão da ausência de força vinculativa dos resultados. Digam o que disserem, os resultados são, politicamente, mais que vinculativos. São uma exigência para serem levados à prática social.
E há a campanha para sobrevalorizar os "movimentos", que importantes foram, como forma de desvalorizar os partidos, talvez sobretudo a partir de um partido que se traveste de movimento quando é oportun(ist)o, e faz o inverso quando oportun(ist)o lhe parece, assumindo-se como partido.
Em resumo, a luta continua... e continuou durante o aparente hiato de uma outra luta que à luta de sempre se deve juntar.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Significativo não!

O sim ganhou, a abstenção foi muito menor, a vinculação política é muito maior. E exigente.
Em Ourém, como de costume, parece que, quando tem de se exprimir, de se definir como um todo, corre ao contrário da história, como parcela do norte e das regiões autónomas, do mundo rural e mais isolado, em carência de outra informação. O que não é o nosso caso.
Se oscilamos entre os distritos Santarém e de Leiria, o nosso concelho é aquele, dos concelhos dos dois distritos, que teve maior percentagem de nãos a este referendo, ao nível das percentagens de quem vive lá para trás dos montes ou no meio dos oceanos.
E eu que gosto tanto desta terra e de (con)viver com esta gente!

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Sérgio Vilarigues



Já com uma imensa saudade deste camarada que esteve preso no campo de concentração do Tarrafal de 1936 a 1940 (dos 20 aos 25 anos), e que, de 1942 a Abril de 1974, viveu ininterruptamente na clandestinidade!
Uma imensa saudade dos fortuitos encontros ao balcão da Soeiro, convivendo com a sua contagiante alegria de viver, com o seu humor, com o seu exemplo.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

De loucura em loucura, até onde?!

Bush propõe mais de US$700 bilhões para Iraque e militares

Por Caren Bohan e Richard Cowan

WASHINGTON, 5 de fevereiro (Reuters) - O presidente norte-americano George W. Bush propôs na segunda-feira mais de 700 bilhões de dólares para novos gastos das Forças Armadas dos Estados Unidos - a maior parte para a guerra no Iraque -, numa medida que pode prejudicar programas domésticos nas áreas da saúde e de educação.
Bush advertiu que ainda assim, mais recursos podem ser necessários para o Iraque. A declaração foi feita durante a divulgação do Orçamento norte-americano para o ano fiscal de 2008, no valor de 2,9 trilhões de dólares, que deve causar indignação entre os democratas.
Os custos da guerra no Iraque, que já dura quase quatro anos, estão se aproximando da marca de 1 trilhão de dólares. Se o Congresso aprovar a requisição de Bush, os EUA terão gastado 661,9 bilhões de dólares em combates no Iraque, no Afeganistão e em atividades relacionadas, disse o governo.
(…)
Os cortes propostos no Orçamento de Bush estão centrados nos programas de saúde, que são politicamente sensíveis.
Se aprovada, a proposta orçamentária de Bush autorizará o gasto de 716,5 bilhões de dólares em defesa até 30 de setembro de 2008, sendo 235,1 bilhões de dólares para as guerras no Iraque e no Afeganistão. Os gastos com operações diplomáticas elevarão os recursos para 245 bilhões de dólares.
Para o orçamento normal do Pentágono, Bush está pedindo 481 bilhões de dólares, um aumento de mais de 10 por cento. Parte disso será usado para garantir um aumento permanente das Forças Armadas, proposto pelo presidente no fim de 2006.

A minha vizinha (todos temos uma vizinha, real ou imaginária...) costuma dizer que o mundo está louco. Não vou tão longe, mas que Mr. Bush & Cia. não parecem estar no seu perfeito juizo, que sempre foi muito imperfeito..., lá isso é verdade.

A estória conta-se em poucas palavras

A estória (re)conta-se em poucas palavras.
Criei este blog, onde vou deixando coisas, ou que me tocam no momento, ou que me parece oportuno dar a conhecer (de mim) a outros,
Aqui tenho sido visitado por amigos e por alguns que não sei.
Um dia destes, resolvi publicar uns extractos do meu quase-diário sobre as declarações do ministro da economia na China. Uma amiga veio conversar comigo e deixou um comentário. Logo saltou um dos que se dizem anonymous comentando o comentário.
Desde aí, tem sido um ver se te avias…
Ele é a União Soviética e o que ela (não) foi (pelo menos… não foi só, porque muito mais e muito melhor foi do que a grotesca caricatura que fazem dela), ele é o Chavez da Venezuela, ele é o Estaline, ele é o Trotsky e não sei quantos outros milhares ou milhões de assassinatos vermelhos, ele é o Lenine que até, veja-se lá, nos viria vassourar, a nós, ortodoxos e incapazes de dar garantias de que, na sociedade por que lutamos, iria continuar a haver liberdade. Tudo, vendo bem, à boleia das aleivosias do dr. Manuel (de) Pinho.
E foi, insistentemente o tema da liberdade e das liberdades. Com naturais e evidentes desencontros, que são naturais e aceitáveis,mas também encontrões, e sarrafadas e safadezas, exigindo-nos, esses anonymous que podem ser um ou muitos, que aceitemos as suas concepçõezinhas e que lhes garantamos nem se sabe muito bem o quê nem para quê. Talvez para passarem a votar no PCP?!
A minha conselheira espiritual (e não só…) está farta de me ordenar (é mais que conselheira…) que lhes não dê troco. E eu farto de lhe explicar que não é a eles que respondo mas deles me aproveito para combater ideias feitas e fixas e que eles utilizam como arma de arremesso contra os comunistas que eu/nós somos. Portugueses e honrados.
Começo, no entanto, a pensar que ela tem alguma razão, porque não lhe faltam razões…
Não lhes fecho a porta, mas só muito dificilmente lhes darei o tal troco por que eles se pelam.
PS: pareceu-me ouvir um som vindo do post anterior... deve ser eco do blog Som-da-Tinta e de quem por lá se passeia...

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

... mas logo logo

de repente, um cansaço


de repente, uma tristeza por estar assim o mundo
e serem assim algumas gentes


de repente, uma dor funda, cá de dentro


de repente, uma vontade de soltar umas obscenidades


de repente, um apelo à iconoclastia, a - quieto, quieto -
partir tudo com as minhas mãos - quietas, quietas


de repente, uma náusea ao ver papeis e mensagens
que vêm sujar a minha caixa de correio


de repente, uma indiferença perante o que alguns podem dizer
seja do que for

de repente, o desejo de emigrar para Pasárgada,
aqui no meio do amor e dos livros


mas...

de repente, um grito


e logo logo, uma sacudidela em mim e a continuação da vida,


isto é, da luta


da luta por uma vida diferente desta que nos apaga e consome

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Definições...

blog = local onde ando à traulitada (ideológica...) e à sticada (sem bola...) com um (ou uma data) de anonymous que por aí pululam, todos iguais, nenhum diferente

anonymous = forma de esconder identidade, servindo para, escondida numa designação massificante, dizer o que vem à cabeça sem se assumir a responsabilidade de ser sua a cabeça e de ser autor do que diz

heterónimo = forma de afirmar identidade, na sua multiplicidade, nas suas várias e únicas expressões
aquele = é o fulano que tem nome e usa tal heterónimo
todo o mundo e ninguém = são os anonymous
(continua...)

Ainda (e sempre) sobre liberdade

Aos anónimos “guardiões da liberdade”
Vós que, do alto do vosso magistério, e melhor se diria do vosso império, tão atentos estais aos riscos que corre a liberdade, aqui e na Venezuela de Chavez, não estareis confundindo o que não permite confusões?

É que liberdade não é a liberdade de explorar os outros, não é a de fazer circular libertinamente os capitais, não é (só e em exclusivo) a livre empresa e o livre mercado, a liberdade de de tudo fazer mercadoria, abolindo direitos que perturbem essas libertinas liberdades.

Não!
Liberdade é o que Éluard aprendera nos seus bancos de escola e nos ensinava (… Et par le pouvoir d’un mot/je recommence ma vie/je suis naît pour te connaître/pour te nommer:/liberté) e que nós, os que dela estávamos privados, decorávamos, repetíamos, cantando e chorando de emoção (e de esperança de a conseguirmos com a nossa luta, soma de muitas pequenas lutas).

Vós, guardiões dessas vossas “liberdades” e da vossa liberdadezinha privativa, não sabeis o que é a liberdade, a verdadeira, a cidadã, a de homens e mulheres solidários e condicionando a sua liberdade à liberdade de e para todos, dispostos a porem em risco a sua liberdade para ajudarem a que todos sejam livres.

Vós – eu compreendo-vos, tolerante que sou até ao pesar de assim ser – não sabeis o que é a liberdade porque nunca dela estivestes privados, ou porque vos era indiferente que ela não fosse de todos ou porque já nascestes depois dela ter sido precariamente conquistada quando se abriram as portas das prisões que privavam este País nosso de ser livre.

A vós, só vos pediria, se acaso valesse a pena, um pouco de respeito e que, quando argumentásseis (?) com a invocação da União Soviética o não fizessem como papagaios sem cor nem graça, e que, quando apontásseis o dedo libertário e já acusador a Chavez por se atrever a querer para os venezuelanos o que é da Venezuela, tivésseis um pouco de pudor e olhásseis para vós próprios e para o que vos rodeia, sobretudo para os outros que também são gente, para as gentes que todos somos.

domingo, fevereiro 04, 2007

Sobre liberdade

Queria responder, com um comentário, a um senhor de nome anonymous que deixou dois comentários no anterior post... mas não sei que acontece que o "meu" blog não aceita comentários meus. Decerto por inépcia minha... Por isso, aqui deposito a resposta que queria dar a esse senhor.
De liberdade, da luta por ela para mim e para todos, com os limites que a liberdade de todos impõe à liberdade de cada um, posso falar com conhecimento de causa. Cá por coisas...
E não estou nada nervoso, senhor anonymous. O que não aceito é que me ponha questões desse género, com essa pesporrência, como inquiridor ou inquisitor.
É uma das facetas da minha concepção de liberdade.
Decerto diferente da sua... que se deve sentir "em liberdade".
Pois a minha é mais exigente e acho de má qualidade a liberdade em que vivemos, com privilégio absoluto para a liberdade de empresa, de mercado, de explorar... livremente. Livra!
E, a propósito, o que isto tem a ver com o dr. Pinho?

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

O ministro (de) Pinho - extracto de "diário"

O senhor dr. Manuel Pinho foi à China dizer aos investidores chineses que Portugal oferece a vantagem comparativa dos mais baixos salários da chamada Europa.

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O homem é franco, frontal. Pragmático.

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Parece que corresponde a esta esquerda modernaça, do socialismo de fronha humana com benefícios para todos (desde que não sejam trabalhadores) a que faz jus o dr. Pinho, esta coisa salazarenta de serem os salários baixos uma… vantagem comparativa.

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Mas não disse, o dito Pinho, que em Portugal é ministro – e da economia e de um governo “socialista” –, que os ministros portugueses poderiam também ser uma vantagem comparativa para o investimento externo, seja ele amarelo ou de uma outra cor, apesar do dinheiro – diz-se – não ter cor, por terem, eles os ministros, dos ordenados mais baixos de toda a chamada Europa.

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Assim como não disse que a IVA (e outras alcavalas) é inferior ao espanhol,

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e que os bancos em Portugal parecem sanguessugas a sugar o sangue das pequenas e médias empresas (não das grandes, das transnacionais de que fazem parte, ou de que são parte),

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e que a burocracia portuguesa é quase tão perniciosa como os ministros que temos de ouvir dizer coisas daquelas,

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e ainda não disse muitas outras coisas porque o homem, apesar de ministro (e de governo “socialista”) não é mentiroso.

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No entanto, não se ficou por aí o Pinho que é ministro.

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Em resposta às esperadas (não por ele, que ele não espera nada e nada dele se pode esperar) reacções de quem acha que os salários baixos não podem ser argumento ou “arma” na “guerra” da competitividade e do aliciamento ao capital que deambula pelo mundo na procura das melhores localizações e deslocalizações, o se. Pinho não se ficou pelo já dito.

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Em vez de ripostar, contrito, que fora uma lapso de língua, com esta a fugir para a verdade, e que dissera o que não deveria ter dito, pelo menos para evitar a eventual publicação nos jornais que os trabalhadores e sindicalistas e outros portugueses podem (ainda) ler – mesmo que seja esse o seu pensamento e teoria – reagiu disparado e disparatado.

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E com aquele seu ar de não partir um prato e de pedir desculpa por ter metido o dedo no nariz, veio duro, frontal, brutal, etiquetar os sindicatos (e quem a ele está ligado ou liga) de “forças de atraso”.

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Tomem lá que já almoçaram… se o salário chegar.

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Ora esta das “forças de atraso será versão “espinhosa” – ou dos “pinhões” do bolo do “socialismo moderno” – das cavacais “forças de bloqueio”.

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É a “cooperação estratégica”, ou lá o que chamam ao que, no antigamente, se dizia ser a promiscuidade sem vergonha.

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Vão dizer-se socialistas para o raio que os parta!

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E vá lá… que hoje estou com tento na língua,


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e não estou como esse senhor Pinho que foi à China no cargo e encargo de ministro do governo que temos.

Inequivocamente, SIM

Já participei em dezenas de campanhas, políticas ou cívicas, antes e depois do 25 de Abril de 1974. Julgo que em nenhuma senti a incomodidade que esta, para este referendo, me provoca.
Sou, inequivocamente, pelo SIM. Tenho razões, convicções, argumentos para esclarecer a minha posição.
Antes de mais porque, sendo (apaixonadamente) pela vida, apenas aceitando o aborto como acto responsável, recuso que se imponha à consciência de outros o que vai pela nossa, que se criminalize o que é - tantas vezes, para não dizer sempre - uma das mais dolorosas decisões da vida de uma mulher ou de um casal. Pelo que, quem se sente na necessidade de fazer um aborto é - quase sempre, para não dizer sempre - alguém que, na sua consciência, não está a atentar contra uma vida, contra um ser humano, mas a impedir que o venha a ser o que ainda o não é, é - quase sempre, para não dizer sempre, alguém que é pela vida. É alguém que tem necessidade de abortar enquanto tal é possível porque, na sua consciência, não atenta contra uma vida.
Mas a minha incomodidade não está na opção de voto. Inequivocamente, SIM. A incomodidade resulta, antes de mais, de se ter sido decidido desnecessariamente este referendo ao que parece para uns portugueses imporem a outros portugueses o que não se impõe a ninguém, que parece defender o que, afinal, todos defendem, atacar o que todos atacam, e obrigá-los a tomar posições que, sendo do foro mais íntimo de cada um, os divide em bons e maus, em defensores da vida ou, por manipulada informação, faz com que outros sejam insultados, agredidos verbalmente com o anátema de assassinos (já o fui!) e, se calhar, muitas vezes por quem, ao longo da sua vida, fez vários "desmanchos", com talos de couve por exemplo, e - em toda a sua boa fé - considera quem defendo o SIM demoníacos criminosos. Assim, não. Nunca.
Pelo "não" está, com toda a (minha) certeza, muita gente que, pelas suas convicções, entende com toda a legitimidade que deve votar "não", mas o que me agride é a manipulação, a utilização verdadeiramente desumana de argumentos e de falaciosas "verdades" científicas para levar outros a votar o que se quer que se seja votado.
Obrigado a este referendo, como os meus compatriotas, estou - mais uma vez! - "em campanha". Com incomodidade mas com convicção e enorme vontade de ajudar a esclarecer.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Esclarecendo...

Então eu esclareço.
Sei bem que, no antigamente, a ideia de um gato (dos domésticos, ou de companhia, como agora se diz) era a de um animal que comia espinhas e outros restos do peixinho deixado pelos donos. Como a ideia do cão, nosso então considerado inimigo irredutível, era a de roer os ossos procurando encontrar alguma carniça sobrante da refeição humana.
Como tudo mudou...
Agora, há as pet shops, há transnacionais que promovem as suas marcas de comidinha para os animais domésticos (de companhia...), que se vendem nas tais shops e, também em todas as grandes superfícies, embora algumas dessas marcas não desçam aí abaixo e sejam exclusivo das ditas shops, das de requinte das de luxo.
Os que se julgam meus donos adaptaram-se bem e eu não me queixo. Já me aconteceu mostrar-lhes claramente que não me agrada esta marca e que prefiro aquela, e eles aceitarem a reclamação.
Mas também vou aprendendo que se a necessidade aguça o engenho, por exemplo na caça aos ratos e outros pasaricos ou passarocos, a saciedade cansa.
Assim sendo, resolvi começar uma experiência vegetariana. O cheirinho, primeiro, dos legumes em sopa e, depois, umas lambiçocadelas nos restinhos deixados nos pratos no lava loiça aguçaram-me os novos apetites.
Eles, os que se julgam meus donos, perceberam (são uns amores...) e começaram a colocar um pratinho no chão com a... minha dose de sopinha. Vai toda e mio por mais.
Está tudo a correr bem. Embora esteja a pensar que talvez estivesse mais confortável se me pusessem um lugar à mesa. Vou pensar nisso... desde que não me obriguem a usar colher!

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Olá!


Há que tempos que não dou sinais de mim... Saudades?

Não porque vos tenha esquecido, mas tenho andado em fase de recolhimento (e também não me têm tirado fotografias...). Está frio!

Cá vou andando. Bem!

Mas resolvi entrar numa de ioga e de vegetariano (disto falarei noutra altura).

Agora deixo-vos as minhas notícias, e a foto em que me apanharam em retiro espiritual pensando que atrás da almofada da cama do quarto das visitas não me viriam importunar. Afinal...

Saudações fraternas e miaus amigos.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Extractos...

No carro, ia ouvindo rádio.
É nessas alturas que me informo, através dos noticiários de meia em meia hora, e que vou ouvindo, distraidamente, alguma música. Nem sempre, apesar de distraído, a música que gosto de ouvir, pelo que, às vezes, mudo para a Antena 2. Isto quando as viagens são mais longas, não são apenas os percursos Zambujal-Ourém, Ourém-Pinheiro, Pinheiro-Zambujal.
Ontem, lá ia cumprindo os roteiros da rotina e entra-me pelos ouvidos um fado, cantado não sei por quem. Mas bem cantado.
E, de repente, uma inesperada pepita salta do meio da letra daquele fado.
Cantava ela que “por momentos, os teus olhos inquietaram os meus”.
Lembrei-me como, há quase trinta anos no Jamor, uns olhos inquietaram os meus. E continuam, por momentos (muitos), a inquietar os meus.
Fiquei feliz. Por momentos... que era o nome do fado.
Tinha ganho (parte de) o meu dia!

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Notas num papelucho...

... enquanto estava (e participava) numa iniciativa pelo SIM no referendo sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez:

  • a desnecessidade do referendo e a sua inadequação a uma questão como a que se põe
  • a hipocrisia de uns na convocação e de outros na campanha
  • a questão não é, de modo nenhum, "ser por ou ser contra a vida"!
  • sinto-me insultado quando põem em dúvida o meu gosto, o meu respeito pela vida, pela minha e pela dos outros quando outros e não antes de o serem
  • aliás, temos de não cair na ratoeira dessas discussões verdadeiramente terroristas porque atentam contra a vida e o gosto e o respeito pela vida por não se pensar ou ter a crença que é a de alguns/mas que ninguém obrigará, em nenhuma circunstância, a fazer o que não está no seu pensamento, na sua crença, na sua consciência
  • quando uma mulher engravida, nenhuma diz sou mãe!, diz vou ser mãe!?
  • a opção - da mulher e do homem companheiro, este já descrimina(liza)do! - não é entre continuar a ser mãe (e pai) ou deixar de ser mãe (e pai)
  • a opção é entre vou ser mãe (e pai) ou não vou ser mãe (e pai)... porque não posso (podemos) porque não tenho (temos) condições para, porque não quero (queremos!

terça-feira, janeiro 23, 2007

O animal moribundo


Às vezes, um livro é um texto nosso embora escrito por um entreposto escritor que escreveu o que teria sido escrito por nós se escritor fossemos.
Só alguns escritores são capazes de nos fazerem sentir que "isto foi (devia ter sido) escrito por mim", é nosso tal-e-qual.
Philp Roth é um deles.
Este "animal moribundo" sou eu em muitas páginas. Por exemplo, na página 39:


(...) um homem de setenta anos deve ainda estar envolvido no aspecto carnal da comédia humana? Ser susceptível ao que é humanamente excitável? Não é essa a condição outrora simbolizada pelo cachimbo e pela cadeira de baloiço. Talvez ainda seja um tanto afrontoso para as pessoas o facto de não se submeterem ao antigo relógio da vida. Tenho consciência de que não posso contar com o olhar virtuoso de outros adultos. Mas que posso eu fazer quanto ao facto de, tanto quanto me parece, nada, nada ser posto em repouso por muito velho que um homem possa ser?

sábado, janeiro 20, 2007

"Façam favor de ser felizes!" - José Carlos Silva na Som da Tinta

Eis uma boa notícia:
INFORMAÇÃO-CONVITE

Aproveitando a sua estadia em Portugal
e a sua disponibilidade
(gostámos muito de o ter em OURÉM,
mas parece que ele também gostou de cá ter estado…)

JOÃO CARLOS SILVA
vai estar na
no dia 24 de Janeiro, 4ª feira,
a partir das 18.30 horas,
para conversar e conviver,
e apresentar o livro-intimação

apareçam!

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Ih! tanta mulher a excomungar...

Sem comentários!

Truca-truca-se, com a devida vénia ao senhor... Segismundo

Desde o início. Em rigor, a santíssima, madre e casta igreja católica apostólica romana não é apenas pro «não» no referendo do próximo dia onze de Fevereiro. É contra o normativo jurídico que actualmente regula o aborto e que está em vigor. Assim como é contra qualquer método contraceptivo. Porque, dita a doutrina da causa, a vida é um dom divino. Apenas deus a dá, apenas deus a tira. Neste sentido, sem mediação extra-divina, trucatruca-se se e como deus quiser, com as consequências que ele bem entender. É isto que ainda é a civilização para o senhor cardeal patriarca de Lisboa. Segismundo.
(de Albergue dos Danados, onde se alberga o danado Segismundo. G'anda Segismundo!)

Agora... SIM!


quarta-feira, janeiro 17, 2007

Coisas... excertos de uma espécie de diário.

Ontem, pelas 18 horas, na mais implícita que explícita divisão de tarefas, fui "mandado às compras".
Era um circuito curto e chuviscava.
Apesar disso, não escolhi os mais directos caminhos e vi-me no largo da Igreja.
Já tinha escurecido o dia e sou atraído pelo “placard” luminoso ali posto pela "senhora câmara" para informar os passantes do que se vai passar no concelho.
Confirmo, luminosamente, que é o dia 16 de Janeiro de 2007, que são 18 horas e já muitos minutos, que a temperatura é de 11,5º.
Espero mais uns segundos e fico a saber que “vai haver” uma meia maratona de teatro em Pêras Ruivas… nos dias 7 e 8 de Dezembro de 2006 e que “vai haver” uma Feira de Antiguidades”... no dia 23 de Dezembro também ainda de 2006.
Fico pasmado. Debaixo do chapéu que me protege da chuva que está morrinhenta. E pergunto-me: quanto é que estará a custar esta “informação”, a 16 de Janeiro de 2007, do que “vai acontecer” em Dezembro de 2006!
Aquilo não é um "placard" modernaço ali perdido e por mim achado, aquilo é um retrato...

terça-feira, janeiro 16, 2007

Coisas...

Ontem, entre muitas andanças, tive de ir aos correios.
Ia acompanhado de alguma expectativa pois não entrara lá desde que as obras foram feitas e dadas por concluídas.
Ao passar a porta pensei ter-me enganado.
Pensei ter entrado numa livraria, numa nova loja que viera fazer concorrência à que, com sacrifícios mil, vamos mantendo, sobretudo como espaço cultural.
Mas o balcão, ao fundo, e caras que reconheci dos “antigos correios” (antes das obras), confirmaram-me que estava no que já foi um serviço público e ainda se chama “os correios”.
Só que há oferta de livros a quem vá comprar selos, despachar encomendas postais, trocar ou mandar vales também postais, e actividades correlativas.
Entretanto, enquanto se espera, pode escolher-se um livrinho para comprar, como se numa livraria estivesse, num largo leque de opções, pois não se fica, a oferta, por livros relacionados com a actividade postal e de serviço público do passado.
Assim vêm, os correios, juntar-se às grandes e médias superfícies, às estações de serviço e sei lá que mais, e também vender o que parecia, segundo critérios decerto obsoletos, estar reservado a “casas especializadas” chamadas livrarias.
Enquanto comprava selos, ainda perguntei à simpática funcionária se tinha recebido alguma formação para a nova tarefa de vender livros, como responderia a uma jovem que lhe pedisse, eventualmente, que a aconselhasse na compra de um livro para uma colega que fazia anos, ou a um pai em busca de leitura para o filho de 10 anos, mas ela só olhou para mim e sorriu, meio embaraçada.
Sai dos correios mais triste do que entrara.
Isto anda mesmo tudo torto... mas muito liberal!

domingo, janeiro 14, 2007

Confusões (nada inocentes)

Há quem confunda
* - árbitro com arbítrio
* - arbitrar com poder ser arbitrário e atrabiliário
* - autoridade com autoritarismo
* - um apito com uma régua ("menina de 5 olhos") para castigar mal comportados... ou cumprir certas e determinadas determinações bem (re)compensadas
* - poder transitório com poder lixar os outros (há outras formas de dizer isto, mas a "boa educação" recebida com o leitinho materno impede-me de passar à escrita o que, por vezes, sai pela boca fora)

e, já agora, há quem confunda
* - democracia com partidos (muitos, e quase todos partidos em várias facções, facciosos e sensibilidades) e votos sazonais
* - referendos com democracia directa
* - povo com turba (povo conturbado...)
* - estar eleito (e com mandato) com ser eleito (como o era o rei sol e outros que perderam a cabeça, tal como as respectivas consortes que tiveram azar)
* - elite com nata
* - iogurte com leite azedo
* - queijo de cabra curado com queijo de cabra também curado mas cremoso
* - agricultura com falta de cultura
* - uma enxada com um ancinho
* - foices e martelos (em boletins de voto)
* - as cores todas (sem ser daltónico)
* - a Lili Caneças com a Beatriz Costa que, ao que parece, de Caneças (ou dos saloios...) era

E, para não fazer mais confusões, fico-me por aqui, pelo Zambujal que não é perto de Caneças (não haja confusões...).

Pelo SIM, pois então!

Cada missa é um comício(*),
cada confissão é uma pressão.

Cada defesa do NÃO é uma posição
a favor do sim ao aborto clandestino,
à criminalização de quem não tem posses para
“legalizar” – aqui ou lá fora – o que será crime
... mas só para quem não tem posses.

Cada não à descriminalização da IVG, é um sim aos desmanchos,
terminologia popular transformada em apostasia(**) do aborto.

Assim, não...
Assim, SIM!
_________________________________________
(*) – apesar das “recomendações” do sr. Cardeal Patriarca…
(**) – dicionário (à cautela...): “mudança de uma religião para outra; abjuração”.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Comité Central

Sem perder o fio à meada que se ia tecendo à minha volta, isto é, participando mas um pouco passivo, comecei a fazer um sudoku no jornal aberto à minha frente.
Atento, embora de olhos baixos.
De repente, começo a ouvir uma vozes jovens a dizerem o que eu gostaria de ter dito - ou vir a dizer -, levanto os olhos, procuro localizar de onde vinham as vozes, e vejo umas caras bonitas correspondentes às vozes. Que lindo!
Isto vai.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Albergando danados

Com a devida (e sabida não aceite) vénia ao Albergue dos danados:
O Albergue feito pelos seus leitores.
Pessoalmente, estou decidido a contribuir para que os portugueses acabem. Estou convicto que o seu fim é o melhor para nós e para Portugal. Isto não significa que me guarde quieto e murcho. Saiba-se que vou aos treinos, mas não pretendo prole. Vou e é mesmo só para o que é, descompressão da libido. Às vezes também vai à mão. Herdeiros é que não, dispenso. Por isso, vejo com mau olhado que as tributações que sou compelido a pagar - concederam-me eufemisticamente a condição de contribuinte, porém a mim não enganam - sirvam para financiar a saúde ou a educação dos outros e dos filhos dos outros. O valor referente às minhas tributações deveria ser exclusivamente investido no tgv, no novel aeroporto da Ota ou em auto-estradas. Enquanto, portugueses, por cá andarmos, seremos beneficiários de tais equipamentos. Depois, os colonos que eventualmente venham, que tomem conta da paisagem e façam a manutenção das instalações. (Anísio Alma)

à margem (mas não tanto) das "memória de economista"

De vez em quando é preciso fazer uma limpeza aos bolsos das calças, dos blusões, dos casacos, do sobretudo, e deles retirar todos os papelinhos que se vão acumulando (dos das camisas, daqueles bolsos que ficam no lado esquerdo das ditas, sobre o coração, nem vale a pena falar… frequentemente vão para a máquina de lavar e o que de lá sai é uma pastazinha inindentificável).
Depois, faz-se a selecção e a maioria dos papeluchos vai, corajosamente, para o lixo mas também acontece encontrar-se matéria esquecida e reciclável, como este trechozito num guardanapo de papel já quase ilegível:

Em pequeninos viciaram-se no jogo do monopólio que os paizinhos lhes ofereceram.
Quando cresceram ajudaram os paizinhos a acabar com os – dito por eles – monopólios estatais, e a constituírem, reconstituírem ou reforçarem os monopólios privados, para eles e para outros como eles.
Agora, eles e os seus queridos filhinhos, netos queridinhos dos avós, jogam ao jogo da Bolsa e brincam às OPAs.
O vício continua e passa de geração em geração.

Mas a luta também!

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Intervalo

A jovem ucraniana, com formação lá na terra de educadora de infância, e que presta serviço de limpar, lavar, engomar e ofícios correlativos cá por casa e por outros lados que consiga abarcar nas 24 horas dos dias lusos, saiu-se-nos hoje com esta:

Sinhora, sinhor... u bilhetu du autocar aumentou... que disgraça!

Pois!... os "sinhores" não sabiam (não andam de autocarro entre o Zambujal e Ourém e volta...) mas não se admiraram. É assim a vida. E está torta. Muito torta.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Extractos...

... de extractos... com que também componho a minha espécie de "diário", hoje a transcrição da abertura de uma "crónica internacional" de Jorge Cadima, no Avante de 04.01.2007:
Sangue Imperial
O fim de 2006 fica marcado pelo espectáculo mediático da execução de Saddam Hussein. Robert Fisk, no Independent (30.12.06), faz comentários relevantes numa peça com o título “Um ditador criado e depois destruído pela América”: “Quem encorajou Saddam a invadir o Irão em 1980, naquilo que foi o seu maior crime de guerra, do qual resultou a morte um milhão e meio de seres? E quem lhe vendeu as armas químicas com que encharcou o Irão e os Curdos? Fomos nós. Não admira que os Americanos, que controlaram o estranho julgamento de Saddam, tenham proibido qualquer referência a estes factos nas acusações”. Tal como nos filmes, a mafia anglo-saxónica ao serviço do grande capital não hesita em sacrificar os serventuários de ontem quando deixam de servir os seus interesses, até para servir de exemplo. Osama Bem Laden, Gulbuddin Hekmatyar e o General Noriega sabem-no bem. Mas há questões estranhas rodeando esta execução (…).

A crónica segue, com informações, transcrições - como sempre muito bem documentadas - e comentários de Jorge Cadima, que me deixam o pesar (o peso do pesar!...) de não poder fazer chegar trabalhos destes a toda a gente...

Extractos...

... de escritos onde vou guardando comentários meus (e, em princípio, só para mim):

A mensagem da passagem
passou
e mais não merecia,
foi uma mensagem de passagem de ano
de 2006 para 2007 (e parecida será com a de 2007 para 2008)
e foi uma mensagem cavaca.

Mas há quem queira
que a mensagem da passagem
fique,
como um marco político,
com o carimbo da genialidade cavaca.

Que de recados,
que de coerência,
que de sentido de Estado,
que de "exigências"
(em consonância com a “cooperação estratégia”, claro),
dizem eles,
os gajos que dizem coisas…
por todo o lado e onde querem que seja.

Que de fantochada!,
digo eu,
que não mereço "espaços nobres" da comunicação
para dizer coisas!

Extractos...

... de uma espécie de diário em que vou comentando a actualidade:

O novo (?), novíssimo!, conceito de “cooperação estratégica" tem o know-how, o copyright, a marca e o estilo de Cavaco, a chancela cavaca.
Abriu-se um capítulo novo, novíssimo!, na ciência política. O título será, no mínimo: “cooperação estratégica” (à portuguesa ou Sócrates escavacado e/ou Cavaco socrático).

domingo, janeiro 07, 2007

SIM, pelo sim e pelo não...

Não, não tenho andado distraído.
Esta campanha interessa-me muito. Diz-me muito!

Eu sou, sem qualquer margem para dúvidas, pelo SIM.
E quero participar.
Porque não se trata de legalizar o aborto, mas de despenalizar a interrupção voluntária da gravidez.
Que, hoje, se faz em Portugal de forma gravemente polarizadora da discriminação a que as mulheres são sujeitas, e de que este aspecto é um dos mais gritantes, pela sua deshumanidade evidente.
Umas mulheres fazem abortos como se faziam na Idade Média, com talos de couve e sem quaisquer cuidados médico-sanitários.
(Corrijo-me, não fazem abortos mas desmanchos, o que a Igreja aceita como fatalidade e com naturalidade, enquanto que, na grafia de abortos, criminaliza tomando rédeas da campanha.)
Outras mulheres, que senhoras e donas são, fazem-nos, em toda a impunidade, em clínicas privadas, aqui e/ou onde quer que seja, com todos os cuidados que a modernidade lhes faculta – porque de meios dispõem – e, evidentemente, não são penalizadas.
Estou pelo SIM porque sim.
Mas também estou pelo SIM porque a campanha pelo NÃO atinge tal nível de manipulação e hipocrisia que, mesmo que tivesse dúvidas quanto ao SIM, diria SIM para dizer não a este NÃO.

Voltarei, claro, ao tema.

memória de economista - 6

Um jovem casal português (ou esloveno...), na ausência de uma política de habitação nacional, recorre a um desses “produtos” bancário-financeiros. Assim se endivida e começa a pagar (mais)um juro determinado que, depois, fica sujeito às oscilações das taxas de juro sobre-determinadas, a partir de Frankfurt, pelo sexteto (ou será septeto?… esta memória!) de eurobanqueirocratas. Ora estes, ao serviço de quem servem, terão menos em consideração a política de habitação em Portugal (ou na Eslovénia... se houvesse) e o endividamento dos jovens casais portugueses (ou eslovenos…), que o aniversário da esposa (ou da amante) e o shampoo para o banho do cãozinho que anda lá por casa e pelo jardim (que não foram comprados beneficiando de crédito bancário sujeito a alteração de taxas de juro…),

sábado, janeiro 06, 2007

6ª (e última, obviamente) de 6 "sentenças"... discutíveis, claro!

6. Tem de haver, sempre, os que hão de ir à frente, por estarem na primeira linha das lutas, por serem vanguarda, por serem, do leite, a superfície e não a nata que do leite se separou.

memória de economista - 5

Entretanto, entre o tempo da inflação verificada e a actual, da inflação esperada, muito coisa aconteceu pelas economias, que mais em finanças se tornaram, e a crescente e avassaladora invasão dos “produtos” (!) financeiros que são “oferecidos” aos cidadãos/ãs têm tido um efeito perverso, no que às condições e qualidade de vida cidadã respeita.

5ª de 6 "sentenças"... discutíveis, claro!

5. Lutar contra as injustiças, sim!, lutar contra a exploração do homem pelo homem, sim! SEm dúvidas nem hesitações. Mas a luta contra só pode ter resultados se for com os injustiçados, com os explorados.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

4ª de 6 "sentenças"... discutíveis, claro!

4. Tomar o partido dos mais fracos, apenas por serem os mais fracos, pode ser a forma de os levar a aceitar a sua fraqueza, e a não lutarem contra ela, a tornarem-se dependentes dos que por eles tomaram partido.

memória de economista - 4

A inflação esperada, ou seja, o aumento de preços que o INE estima que venha a ser o do ano próximo, passou a ser o instrumento que serve para a fixação de salários, ou dos irrisórios aumentos salariais, e para, dessa forma, se concretizar uma chave da política prosseguida – para não dizer a chave! – que é a contenção salarial.
De onde resultou, com a passagem da inflação verificada à inflação esperada, alteração subrepticiamente introduzida, que, em vez dos aumentos salariais serem para repor poder de compra – além de outras variantes como a do aumento da produtividade e a da repartição do Rendimento Nacional – servirem para compensar, por baixo, o que vai ser a esperada, por baixo, a perda do poder de compra.

memória de economista - 3

A inflação verificada, isto é, o aumento de preços calculado pelo INE relativamente ao ano que passou, era um instrumento para a contratação colectiva e, por essa via, para que se procurasse que, no mínimo, o poder de compra perdido pelos salários, ao longo do ano, fosse recuperado.

3ª de 6 "sentenças"... discutíveis, claro

3. Como dizia Brecht, não se é perseguido por se ter razão...
e acrescentava que, tivessem os perseguidos força, não seriam perseguidos, tivessem razão ou não.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

memória de economista - 2

De quem deu nome ao paradoxo do pão aumentar o preço e ter maior procura não me lembro quem foi... nem vou procurar, mas o que me está a vir à cabeça com teimosa frequência é um tal Gini, que deu o seu nome a um índice que ilustra as dispersões de rendimento e, logo, os níveis de desigualdades.
E envergonha-me ver sempre Portugal como o "mais desigual" da "Europa", ali ao ladinho dos Estados Unidos.
E, pior, ser isso tomado como fatalidade (ou instrumento), e as políticas nada fazerem para o corrigir. Bem pelo contrário! Alegremente e sem vergonha.

Hoje, acordei triste e desaustinado... ature-me quem tiver pachorra

Houve quem dissesse, com ar fatalista e pesar na voz,
... mais um que se vai embora...

Irei, irei... mas não foi - ainda! - desta!

E viva o velho! Aqui para as curvas e na(s) luta(s).

2ª de 6 "sentenças"... discutíveis

2. Por vezes, os mais fracos são-no (ou estão-no) por não terem razão, e os mais fortes são-no (ou estão-no) por a terem.

memória de economista - 1

O amento do preço do pão - e logo em 20% -pode não levar a que se consuma menos pão como as "leis do mercado" determinariam.
Nalguns casos/casas, custar o pão mais 20% pode fazer com que, menos sobrando para o resto, haja que comprar mais pão.
Se a memória (do economista) estivesse fresca, e não está..., até se lembrava do nome que tinha este paradoxo.

1ª de 6 "sentenças"... discutíveis, claro!

1. Nem sempre estar do lado dos mais fracos é uma atitude justa.

domingo, dezembro 31, 2006

Informação

Enquanto espero que "isto" se resolva, o senhor Mounti, o gato!, pode ser vis(i)t(ad)o, provisoriamente, no "blog" foto&legenda.blogspot.com (que, aliás, acho que merece ser visitado...).
Pedindo desculpa pelo incómodo. ele será menor se usarem os "links".
Reitero os desejos de Bom 2007 e muito a gradeço todas as mensagens que me chegaram via SMS.
Sérgio Ribeiro

sábado, dezembro 30, 2006

S.O.S.

Nos outros blogs em que "mexo" coloco imagens sem problemas. Neste, a partir de certa altura, e sem que eu tenha feito (conscientemente...) algo para isso, deixei de conseguir meter fotos. E não tem faltado tempo perdido e tentativas frustradas...
Fazem-me cá uma falta... uma foto do Mounti em su sofá privativo, por exemplo. E muitas outras para ilustrarem estas duas vilegiaturas por S. Pedro do Sul (e Serra da Gralheira) e Piodão (e Serra do Açor), de que tenho notas que gostaria de publicar mas nunca só prosa.
Se alguém me puder ajudar, ficava muito agradecido... bem como o clube de fãs do Mounty.
Bom ANOVO (ano novo, ano ovo, anovo) para todos!

domingo, dezembro 24, 2006

Caros visitantes

Decerto por inépcia minha, não estou a conseguir meter, neste blog, fotos. Como estou a fazer, sem problemas, noutros blogs que "alimento" (Som da Tinta e Foto&Legenda).
Gostaria de ter ilustrado o post anterior, com mais uma foto do "nosso gato", do Mounti. mas não fui capaz apesar de ter empenhado muito tempo nesse esforço. Paciência.
Aproveito para desejar, a todos, Boas Festas, sobretudo um 2007 que seja um passo para um futuro melhor para todos e não esta caminhada carangueja ao serviço de uns poucos que foi 2006.
É assim que penso e é assim que quero transmitir esta mensagem em resposta a tantas que têm sido a grata prova de que não me esqueceram neste dia.
Obrigado!
Sérgio Ribeiro

Entre o gato e a parede

ou
as alegrias de um regresso a casa… e ao gato!

O nosso gato é um senhor. Sobranceiro, indiferente. Quase sempre por fora, pelos campos, não acorrendo a chamados, raramente dado a ternurices. É um gato. E um senhor.
Mas não é assim quando nos afastamos uns dias do seu convívio. Quando fazemos viagens de algum tempo que nos levam para longe da casa. E dele.
Quando assim é, o regresso mostra quanto a nossa falta foi por ele sentida.
Acorre, correndo, lança uns miados meio de boas-vindas, meio de protesto, meio de satisfação, meio (talvez…) de relato do que por cá se passou enquanto estivemos ausentes.
E não nos larga. Ronda-nos. Cerca-nos. Quase parece pedir que nos sentemos ou, melhor, que nos estiquemos num sofá.
Ao sentarmo-nos à secretárias para ver os mails e essas coisas, salta para os nossos colos, alternando os ronronares e amassamentos, os abraços à roda do pescoço da senhora dona com incursões pelo colo masculino para dar umas marradinhas por baixo do queixo, como quem quis “também senti a tua falta…”
E rápida chega a noite. Sem que ele esteja saciado da nossa presença regressada. Primeiro, impede a dona de fazer o seu tricot, porque é impossível manobrar as agulhas com um gato ao colo e reclamando carinhos. Depois, faz umas incursões ao meio dos jornais que estão a ser abertos e vistos pelo dono para se actualizar, como que para insistir na mensagem que ele também lhe é querido. Embora menos… mas paciência.
Depois, acalma-se e acama-se entre nós dois e não, como de hábito, em lugar próprio e exclusivo, faz-se novelo de onde, de vez em quando, estica uma patita para nos tocar, estende o pescoço para um afago no baixo do queixo. Deixa-se dormir como a imagem da bem-aventurança.
Quando resolvemos deitar-nos, deixamo-lo sossegadinho e fazemos todos os preparativos procurando não o perturbar no seu tranquilíssimo sono.
O caso é que, estamos nós ainda nas leituras pré-sono, o nosso gato, sentida a falta de companhia no sofá, vem, pé ante pé, espreguiçando-se, e salta para o que considera o seu lugar, no côncavo do braço da dona, amassando o sovaco.
Terminadas as leituras porque os sonos estão chegando, a dona, com cuidados e ternuras mil (conversam muito os dois, em surdina…) deposita-o aos pés de nós dois, num espaço que se abre entre as nossas pernas.
E ele fica. E assim adormecemos os três.
Mas… Mas, lá para meio da noite, o senhor gato deve lembrar-se das saudades que teve de nós, sobretudo da dona, e sobe, cama acima até se aconchegar no que deve considerar ser o seu lugar, ao lado da dona, todo esticado e volumoso.
Importa dizer, a propósito de aconchego, que a nossa (de nós três) casa é aconchegadinha, pequena, o quarto pequeno e a cama pequena porque maior não caberia no pequeno quarto. Resultado: três na horizontal e em paralelo torna-se difícil. Ela, a dona, chega-se um pouco mais para o centro esquerda da cama para dar espaço ao gato, e ele, o dono, fica, quase espalmado, entre o gato e (ela) e a parede.
Dorme-se mal nas noites de regresso a casa. Perdão, dormem mal os donos que nós somos, dorme regalado o gato nosso que ele é.

24.12.2006

terça-feira, dezembro 12, 2006

"a compatibilidade da concorrência e do serviço universal são totalmente compatíveis", dizem eles...

Esperando benevolência para esta reacção de transcrever o que acabo de ler, e talqualmente, está aqui matéria da maior importância e que pode ajudar a melhor perceber as linhas com que nos estão a coser...
UE: des Etats membres s'inquiètent
d'une libéralisation totale du marché postal

BRUXELLES (AFP) - 11/12/2006 15h52 - Une dizaine d'Etats membres ont exprimé lundi leurs inquiétudes face à la prochaine libéralisation du courrier ordinaire dans l'Union européenne (UE), qui selon la proposition de loi de la Commission européenne, devrait intervenir au 1er janvier 2009.
Lors d'une réunion à Bruxelles, les ministres européens ont discuté pour la première fois lundi de ce projet ultrasensible, présenté le 18 octobre par la Commission.
Tandis que l'Allemagne, la Suède et la Grande-Bretagne --qui ont déjà ouvert leur marché postal-- ont apporté leur soutien complet à la Commission, d'autres Etats, tels que la France, la Pologne ou encore l'Italie ont exigé des "garanties" pour protéger un service universel postal de qualité.
Le service universel suppose que soit assuré à chaque citoyen, où qu'il vive, au moins une distribution et une levée du courrier, cinq jours par semaine.
Les services postaux européens sont déjà partiellement libéralisés en vertu de deux directives datant de 1997 et 2002.
Mais en octobre, la Commission a présenté un projet de directive proposant de peaufiner l'ouverture du secteur postal, avec la libéralisation d'ici à 2009 des lettres de moins de 50 grammes, dernière chasse gardée des monopoles historiques.
C'est la France qui s'est montrée la plus virulente lundi, réaffirmant haut et fort qu'elle souhaitait "un service universel de grande qualité".
"Si nous n'obtenions pas les garanties nécessaires en matière de financement du service universel, la France demandera le maintien d'un service réservé", a d'ailleurs prévenu le ministre français de l'Industrie, François Loos.
Le ministre a ajouté que pour lui, la date de 2009 restait "tout à fait indicative et, en aucun cas, ne pourrait être impérative".
"Les garanties doivent être renforcées", a appuyé le ministre de la Communication italien Paolo Gentiloni, qui estime qu'il "serait inacceptable qu'au nom de la libéralisation de l'Europe, la qualité du service soit moins bonne".
La Pologne pour sa part a demandé que la libéralisation aille "à un rythme qui tienne compte des situations différentes dans les Etats membres". Pour Varsovie, une période de transition est en effet "importante pour les nouveaux Etats membres qui ont disposé de moins de temps pour se préparer à une exposition totale à la concurrence".
Pour Berlin au contraire, cette libéralisation totale est "un pas décisif, qui doit être fait". L'Allemagne, qui présidera l'UE au 1er semestre 2007, a d'ailleurs déjà indiqué qu'elle comptait décrocher un accord politique sur le sujet au mois de juin.
"L'ouverture du marché postal au 1er janvier 2009 ne fait pas l'unanimité, pourtant elle est est réaliste", a estimé la secrétaire d'Etat à l'Economie Dagmar Woehrl, pour qui "la concurrence et la garantie du service universel sont totalement compatibles".

sábado, dezembro 09, 2006

Contra a desmemória

Vejam, por favor, o blog http://som-da-tinta.blogspot.com

Na velha chaminé-lareira

Senti-me bem aqui, à lareira, desfrutando, neste tempo chuvoso e frescote, antigos e saudosos calores... e deixei-me adormecer.

Mas que raio de coisa é esta? Raios e coriscos!

Não se pode dormir descansado nesta casa sem que venham logo estes raios de coisas a que chamam flash?!

Não há p'raí um livro de reclamações?

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Anos inquietos ou a inquietação nos anos 60 e em Coimbra

Nenhuma luta começa no tempo e no lugar em que nós, cada um de nós, começamos a lutar.
Nos anos 60, a luta académica foi muito importante para a denúncia e o desmascaramento do regime, que ainda há quem se recuse a chamar-lhe fascista, por ignorância ou por simpatia – confessada ou inconfessada – pelo fascismo.
Anos inquietos – vozes do movimento estudantil em Coimbra (1961-1974) é um livro de testemunhos da luta na Universidade de Coimbra.
E é muito interessante, e pedagógico…, ler e interpretar esses testemunhos. Por quem por outros tempos, que atravessaram esses, começou a luta, por quem fez essa mesma luta de maneiras muito diferentes noutros lugares, por quem não viveu esses tempos e nesses lugares e sente necessidade de conhecer como foram vividos. Os tempos e os lugares.
É mais um contributo de Manuela Cruzeiro (Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra), com Rui Bebiano, que ouviram e fixaram as “vozes” de Eliana Gersão, Fernando Martinho, Carlos Baptista, Pio de Abreu, Fátima Saraiva, José Cavalheiro, Luís Januário.
Alguns deles (certos estão Manuela Cruzeiro, Fernando Martinho, Carlos Baptista) vão estar no espaço Som da Tinta, no dia 16, a partir das 17 horas, para conversarem e conviverem com quem por lá aparecer.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Uma entrevista com Luandino Vieira, no Actual do Expresso



Entrevista de Cândida Pinto. Que dá gosto ler e saborear.

"(...)

O tempo é importante para si?

Tão importante que acho que sou eterno e portanto sou um preguiçoso nato, ando devagar. Acho que a distância menor entre dois pontos é uma longa curva. Vivo no tempo dessa maneira. Nunca tenho pressa.

(...)"

Nasceu na Lagoa do Furadouro, temos orgulho que seja nosso conterrâneo (isto é, da terra que somos), mas não há dúvida que o que diz e como diz é de africano.

Uma entrevista a não perder. Em que muito se diz em curtas falas. Sem pressas.


A distribuição da riqueza mundial, segundo estudo da ONU

Riqueza mundial, mal distribuida
El estudio midió la riqueza en términos exclusivamente materiales.

Un estudio de la ONU publicado este martes indica que el 2% de los más ricos del mundo poseen más de la mitad de la riqueza mundial.
El estudio, realizado por la Universidad de las Naciones Unidas, se enfoca en la riqueza de los hogares, por lo cual se le considera pionero frente a otros informes, que se enfocaban en las riquezas nacionales o corporativas.
Los contrastes son evidentes. Mientras que el 2% de las personas más ricas tiene más de la mitad de la riqueza, la mitad más pobre de la población adulta del mundo es dueña de apenas un 1%.
Jim Davis, coautor del estudio, aclaró los criterios que se emplearon para su realización: "Utilizamos el término en el sentido de valor neto: el valor de los activos menos pasivos físicos y financieros. En este aspecto, la riqueza representa la propiedad de capital. A pesar de que el capital es sólo una parte de los recursos personales, se considera que tiene un impacto desproporcionado en el bienestar del hogar".
Como componentes de la riqueza, el estudio tuvo en cuenta los activos y pasivos financieros, tierra, edificios y otras propiedades tangibles.
En dónde está la riqueza
La mayor parte de la riqueza está concentrada en Norteamérica, Europa y los países de altos ingresos del área de Asia y el Pacífico - como Australia y Japón -, que en conjunto tienen el 90% de la riqueza global.
LA RIQUEZA DEL MUNDO
Norteamérica- 34%
Europa - 30%
Asia y Pacífico (ricos) - 24%
América Latina y el Caribe - 4%
Asia y Pacífico (otros países) - 3%
China - 3%
África - 1%
India - 1%
Europa del Este es un caso particular debido a que la propiedad privada está en aumento, pero no ha llegado a los niveles tan altos de Europa Occidental. Además, en Europa del Este son pocos los hogares que tienen activos como pensiones privadas y seguros de vida.
En el selecto grupo del 1% de los más ricos, el 37% está en Estados Unidos y el 27% en Japón.
América Latina, a pesar de su tamaño y población, apenas tiene el 4% de la riqueza personal del mundo, mientras que el grupo de países que siguen en la lista, el grupo de naciones ricas de Asía y el Pacífico, la cifra es del 24%.
El estudio incluye algunos que sus autores no esperaban cuando empezaron la labor, como por ejemplo en el tema de la deuda.
Los autores señalaron que "mientras las personas pobres en países pobres están endeudadas, sus deudas son relativamente pequeñas en total. Esta característica es debido a la ausencia de instituciones financieras que permitan a los hogares incurrir en hipotecas y préstamos personales como es en el caso de los países ricos".

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Ontem deram-me uma prenda...

E hoje estou a ouvi-la, como se as décadas tivessem desandado...
As "canções" também são das minhas, embora com algum atraso porque, nesses anos, já andava pelos Breles e Aznavoures, pelo Graça e o coro, e por outras "músicas"..
As legendas são uma maravilha, embora não lhes pertença, não esteja dentro delas. Mas também tive o tempo em que "nada se passava e hoje parece que era o mais importante", e não foi assim tão longe do vosso como não o é dos que hoje vivem como se nada se passasse e só amanhã verão que, afinal, era o mais importante.
Obrigado, Luís!
Até deu para dançar um bocadinho com a Zé...

Sin piel y sin espinas!

Acordei bem disposto. Atravessei a noite nas profundezas do sono e a Zé saltou uma data de horas – aí umas sete ou oito – de uma vez só e, como é reconhecido, por mim…, os seus sonos e sonhares condicionam a minha disposição.
Para ajudar, ao olhar lá para fora, vi sol a brilhar, ou a fazer brilhar de luz as folhas que ontem apenas pingavam e brilhavam de água chovida.
Além disso, hoje é feriado, o que é uma alegria... até para os reformados. E é-o por uma boa razão – acho eu!… Hoje é o dia da independência, ou, para ser mais rigoroso, o da Restauração da dita.
Depois, é que foi o delas…
Para começar o dia, ao fazer a minha primeira e sumária higiene corporal (a do lado de fora do corpo) apanhei com um frasquinho de loción para manos y cuerpo, com manteca de cacao e mais uma quantidade de prosa promocional na língua de nuestros hermanos... salvo sejam. Franzi a testa, e o nariz e tive de o assoar porque, apesar do sol, está frescote. Assoei-o (ou asseei-o, de asseio?) e fi-lo com uns pañuelos 4 capas da marca Cien.
Já a começar a irritar-me, mudei um penso que me está a curar de uma feridita na pele do braço de tanto adesivo lhe porem após injecções e tirares de sangue e apanho com uns pensos “estéril a menos que se abra o rompa el envase” vindos de Distrix Ibérica, S.A. directamente de Barcelona.
Para acabar mal o começo da manhã, ao abrir o frigorífico dei de caras com os ditos de uma embalagem que tenho usado distraidamente de paté de atún em aceite, marca La Piara, e, numa outra prateleira, descubro uma embalagem de filetes de caballa del sur en aceite vegetal, de fácil apertura.
Estou irritadíssimo. Isto é que é uma cabala. Sin piel e sin espinas como despudoradamente informa esta última embalagem.

Viva a Restauração. Estou a pensar ainda hoje mandar um mail ao Zé Abreu para me inscrever no Grupo dos Amigos de Olivença!

(Ah!, e então não é que o sr. Bill Gates, que parece velar e zelar pela nossa língua materna e paterna sublinhando os erros que possamos ter cometido nos computadores que dele são e nos emprestou, deixou passar a maior parte do que escrevi em castelhano e me repreendeu por ter escrito despudoradamente? É mesmo uma cabala!)