quarta-feira, fevereiro 18, 2015

Cópia (régia) de cópia e mais cópia

o domínio alemão vai sobre rodas:
"Sinto muito pelos gregos. Elegeram um governo que se comporta de maneira bastante irresponsável"
Wolgang Schäuble

há povos que se escondem por trás dos seus "vichys"?  não! os povos são outra coisa!...  quando, acossados,  se lembram que são povo, nem o diabo os pára! os gregos estão imparáveis! nós por cá vamos andando, graças a deus!
escrevi isto só por causa do desenho do Sítio dos Desenhos e das palavras das Palavras são Armas.

-------------------------------
 
com as desculpas devidas
e mais as devidas vénias

terça-feira, fevereiro 17, 2015

Reflexões lentas - negociar e reestruturar

"Ouver" estes fulanecos que nos dirigem (e representam!) causa náuseas. E não só no estomago, em todos os aparelhos circulatórios e/ou encefálicos. É inadmissível o modo como as "instituições" ("europeias", intra-"europeias" - BCE - para(lá da)-U.E., o FMI) tratam a questão da dívida e dos "mercados", agora no caso do Estado-membro Grécia. Chega a espantar tanto despudor. Para mais, sabendo-se que há, entre esses senhorecos (e senhorecas, há que desonrar o género), uns tantos/as que mais podem e que, desde sempre, consideraram que a Grécia (e Portugal e a Irlanda... já não afirmo a Espanha) estavam a mais na moeda única. 
O caso é que, estando lá estes, há que fazer pagar, aos respectivos povos, o facto de lá estarem e, como já eram economicanente atrasados, mais atrasados têm de ficar. Divergentes (como se diz...), à revelia do que se afirmou em promessa. São só contradições e mentiras,mentiras e ludibrios que nascem de não serem suportáveis as contradições próprias do sistema. Quanto muito conseguem adiar-se as roturas. Com as consequências sobre os ombros e o imo dos mais fracos.
Depois de terem esperado que houvesse uma atitude não-negociadora por parte dos eleitos (pelos) gregos, a imposição da extensão da troikulenta ajuda - com algumas  flexibilidades (quais as que viessem a negociar/conceder)... - só merece qualificativos mais duros que chantagem e prepotência.
Tentado por uma certa "moda", dá vontade de dizer "eu sou grego", acrescentando que, se grego fosse, provavelmente não teria votado no Syrisa.
E há que falar seriamente de coias sérias. 
Para quem ainda se quiser informar, e ainda no quadro de "saídas" dentro do sistema de relações de produção, há que lembrar que a dívida num Estado soberano (mesmo que provisoriamente desprezada essa soberania) não é só externa, que a dívida externa não é só pública (e em muitos casos é - ou era - a menor parte da dívida externa). Daqui ser animador começar a ouvir vozes dissonantes do que se pretendia consensual. É animador "ouver" R. Pais Mamede dizer que há que negociar com os credores mas que há, também que estruturar a dívida externa e ver como ela foi sendo transferida de particulares (empresas, como bancos), que a empolaram, para dívida pública, a pagar pelos cidadãos conhecidos por contribuintes; como é ler Stiglitz escrever sobre reestruturação (não foi, decerto, erro de tradução): "Não é a reestruturação da dívida, mas a sua ausência, que é imoral. Não esiste nada particularmente especial sobre os dilemas da Grécia". 
Como se irá ver!
Em Setembro do ano passado, retomando muitos escritos anteriores (alguns por aqui), disse: "Continuando a década anterior, de ilusão e de criação de condições, os anos deste século foram desastrosos economicamente. Há que pôr fim ao desastre! Como? É a pergunta mais próxima da que fazer? Há 20 anos que estou convicto que, estrategicamente, seriamos incómodos na moeda única mas que, uma vez estando nela, essa presença foi aproveitada como peça da armadilha encarregada de nos corrigir de descaminho a que nos levara o 25 de Abril. (...) Faz-se alguma confusão com os verbos renegociar e reestruturar. Há que renegociar a dívida pública, e há que reestruturar a dívida externa, quer numa quer noutra acção (verbalizar é agir) há que ter em particular atenção o controlo da circulação de capitais sob a forma de dinheiro, e desmistificar fórmulas falaciosas de capitalismo controlador, putativo sucessor de um capitalismo regulador cuja evolução recente tem episódios que são reveladores do que tem sido sempre visto (por nós) como inevitável fracasso (sendo uma consensualidade que não se pode pagar uma dívida com uma política que a faz crescer)."    


segunda-feira, fevereiro 16, 2015

Ponto da situação

Necesssário, urgente!:



 da necessidade à POSSIBILIDADE!

domingo, fevereiro 15, 2015

À espera dos bárbaros

Poema de K.Kavafis, nascido em Alexandria 1863-1933
em tradução de Jorge de Sena, a partir de tradução inglesa










































O despertar dos inteligentes

Nalguns fins-de-semana - naqueles em que arranjo tempo para ler o Expresso e os seus colaboradores - sinto-me inferior. Sem complexos. São todos tão inteligentes, são todos (ou quase todos...) tão sabedores e communicativos nas respectivas especialidades, na cultura (artes e letras), na economia, nos negócios, na política, que eu começo por me sentir mesmo inferior. E aprendo sempre. Sem ironia!
É verdade que alguns me irritam logo à primeira leitura, e passo adiante. Há outros que me irritam à segunda leitura... mas só me irrito "à séria" quando entram em áreas que minimamente domino, e em que procuro estar actualizado. E acho muito significativo que vislumbre, na economia, para além da espuma e poeira levantadas pelo povo grego (ao votar contra a austeridade e a manipulação), uma redescoberta de Keynes. Redescoberta a meu ver serôdia,  até porque, logo ao eclodir da crise, cheguei a prever que se iria tentar a via que bebe em Keynes como forma de recuperar dos malefícios evidentes do caminho inspirado, teoricamente, em Hayek e Friedman, o que não foi o caso, insistindo-se e persistindo-se na financeirização, no monetarismo, no "mercado". Por isso, achei curiosa a citação que um desses colaboradores expressos (Henrique Monteiro) foi buscar a Keynes "quando os factos mudam, eu mudo a minha opinião", o que me parece citação muito lisongeira para quem não tem opinião, ou não a tem para além do factual, ou seja, não tem uma leitura da História (que, evidentemente, também tem de se ir confrontando com o fluir histórico... com os  factos mas nunca "lidos" adinamicamente).
Neste espírito e aparente desocupação cheguei à última página da revista, depois de passar pelo caderno Economia (a que voltarei, aqui ou noutros lugares, pois traz informações e opiniões interesantes), e me asssalta a crónica de Pedro Mexia - À espera dos bárbaros. E assalta-me pelo lado do sentimento de inferioridade (cultural) que a primeira leitura dos seus textos me traz, neste caso logo atenuado pela anotação do erro - talvez gralha... - no nome do autor do poema, Kavafis -1863-1933- e não Kafavis, e por, nesse texto, o autor fazer a confissão (na primeira pessoa do plural) de que se começa a perceber muita coisa que há muito, pelas nossas bandas, com a nossa leitura da História, foi antevisto, previsto e prevenido. Só que essa leitura da História é, ainda, tabú, ou foi-lhe passada precipitada certidão de óbito por desastres colaterais.
Será que alguns inteligentes e cultos estão a despertar?

A propósito,
vou deixar, 
em anexo 
o poema À espera dos bárbaros

Para este domingo



A BRIGADA!
saíndo aos seus
... para nunca degenerar!

sábado, fevereiro 14, 2015

Reflexões lentas - A PROCURAR CONHECER O TEMPO (EM) QUE SE VIVE

No léxico “europês” há palavras, frases e expressões que, pelo seu uso e/ou pelo seu desuso, ajudam a entender o que se passa - e se procura fazer passar - melhor que muitos textos de maior ou menor extensão.
Na actual agitação das águas “europeias” (isto é, da União Europeia) que, não estagnadas, têm vindo a apodrecer, apareceu por aqui gente nova a comentar… embora não sejam novidade. Mas o facto é que (Grécia gratias) os meios de comunicação saíram um pouco das “velhas receitas” (e dos habituais “cozinheiros”) e recorreram a comentadores que, não sendo estreias, têm sido relativamente menos utilizados.
O facto é que “syrisas”, “podemos” e outros cidadãos de afirmada e vangloriada apartidarite (“independentes”… embora não se saiba muito bem que seja isso) têm alterado as composições dos painéis, e feito ouvir coisas raras. E muitas delas muito certeiras.
Então na área da economia, ainda que sem rasgos daqueles de rasgar mesmo, diminuiu – por momentos… – a dominância dos discursos e opiniões que, a vários tons e sons, parecem ter palas nos olhos e muros nas palavras pelo que só vêem e só dizem monetarismo, dívida e mercado.
É claro que tal "ar fresco" acontece com as cautelas (e os caldos de galinha) que a prudência aconselha... 
Venho afirmá-lo porque as posições que com mais clareza poderiam apontar para verdadeiras alternativas políticas continuam a ter aposta uma surdina que as torna pouco acessíveis, e até impede que se exercitem e amelhorem na sua fonte privilegiada, no debate que as não exclua.
Vêm estas reflexões a propósito do verdadeiro muro de silêncio  em que esbarrou a proposta de realização de uma Conferência Inter-Governamental (CIG) que o PCP levou, pelo seu Grupo Parlamentar, à Assembleia da República.  Muro de silêncio que beneficiou da reacção triste e apagadora do presidente do GP do PS, à maneira de estucador e atrás de uma questão formal… segundo a qual os deputados na AdaR não teriam de se meter no que é governamental!
Mas… Mas, queiram-no ou não quem pretende ter os cordelinhos do que se mostra ao povinho, a proposta fará o seu caminho e será discutida na AdaR mesmo que se saiba já quem votará contra (hoje e amanhã, após eleições... se não for obrigado a mudar de posição), no rasto do que resulta deste mexer nas águas turvas e revoltas, e em que a palavra negociação arrasta conferências internacionais, para além dos conciliábulos conselheirais (de Estado, de EuroGrupo, e “europeus”).
E importa lembrar que, antes de Maastrich e das CIG que Maastrich trouxe consigo - uma para a União Económica e Monetária e outra para a União Política -, aproveitando um espaço considerado livre de constrangimentos e em globalização (capitalista financeira-federalista), era em conferência inter-governamentais que se discutiam e preparavam os passos a dar na integração europeia. Até elas, essas CIG, serem de cariz suicida, isto é, reúnirem-se enquanto soberanias nacionais para acabarem com as soberanias nacionais.
Por isso mesmo se releva o enorme significado da recuperação da designação Conferências Inter-Governamentais porque ela reafirma propostas que vêm de 2011 e que, como diz o léxico “europês” oficial, «A expressão “Conferência Intergovernamental” (CIG) designa um processo de negociação entre os governos dos Estados-Membros com o objectivo de alterar os Tratados.»

Vai mesmo ter de se falar disto. No local apropriado: na Assembleia da República. Há que ouvir o que vai ser dito, a partir desta exigência de discutir caminhos feitos, por muito avançados que eles pareçam, e porque se torna evidente que têm provocado desastres. Nos povos e que os povos podem impedir os que se aproximam. Perigosamente.   

ao serviço dos u crâneos

ucrachoc





















obrigado, 
Gonçalo.

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

Uma Conferência Inter-Governamental



... retomando propostas no seu 5º ano!
e recuperando formas de negociação 
entre Estados soberanos
que, abrindo caminhos invios, 
 trouxeram a integração europeia 
para esta situação desastrosa.

Borgen...

Fui "agarrado". Só me lembro de igual situação aquando de Gabriela, Cravo e Canela. Embora, nessa altura - há muitas décadas - fosse mais difícil porque era precisa muita "ginástica" nos horários para não se perderem os episódios. Agora, a "ginástica" é outra, embora também de  horários, mas serão horários de sono, de sono roubado para não se perderem os episódios gravados.
Borgen é a minha "telenovela" deste tempo de hoje (e de alguma outra gente que conheço...). Uma série dinamarquesa sobre política. Hoje.
Muito bem feita. Verdadeiramente aliciante, "agarradora", jogando com os ingredientes todos - casos do presente ficcionado, afectos e relações, vida pessoal e familiar em atrito com carreira profissional, as mulheres na política, questão do género, doenças malditas porque carregadas de  fantasmas, tudo num ambiente em que predomina a... política -, como acontece na vida porque política é tudo e está em tudo da vida... E decerto sobretudo na vida dos que o desconhecem, ou não o querem aceitar ou até o rejeitam autisticamente.
Dir-me-ão que poucos são os que vêem a série, que só uns raros - dos que não estão presos às outras telenovelas, aos concursos (de dança, de canto, de "talentos"), à inominável "casa dos segredos" - é que, como eu, qualquer a hora já da madrugada a que cheguem a casa ou se libertem de outras coisas, adiam a ida para a cama dormir para depois de verem a gravação do episódio do dia. Dir-me-ão... e assim será, mas parece-me que vale a pena falar disto.
Aderi à série? Conquistou-me por empatia? Anulou ou diminuiu o meu sentido crítico relativamente à sociedade, à política? 
Não! Bem pelo contrário. Animou esse espírito critico, a partir de uma realidade muito bem ficcionada, aqui e ali simplificada ou redutoramente (a)mostrada, mas sempre preenchida por gente como nós, por humanidade. Tal como a sociedade está politicamente organizada e condicionada. Ali. Na Dinamarca e por outras paragens.
Na série, a política apresenta-se como um jogo. Um jogo jogado num enorme tabuleiro onde se movem as peças. Que são seres humanos que têm a profissão de o jogarem, de serem políticos. Seres humanos num jogo em que, na aparência, só aqueles é que jogam. Mas em que os outros estão lá, passivos, receptores das políticas que, entre si, essas peças activas congeminam e entre-comprometem. Como se a outras peças, invisíveis, só servissem para, de vez em quando, serem chamadas a escolher as peças activas, em que lugar e com que força podem jogar.
À semelhança do parecido jogo de xadrez, ele há reis, ele há raínhas (primeiros-ministros... ou primeiras-ministras), ele há bispos, cavalos e torres (ministros, directores-gerais e outros que tais). São estes que "fazem política". São os profissionais. Como se a política se resumisse "àquilo". Com os peões imóveis e invisíveis (e distraídos, e tendenciosamente informados). 
Se fosse esse o jogo (e é...), a série seria perfeita. Até porque não esconde outras influências no "jogo político", como a do poder económico-financeiro, que determina as jogadas que lhe convéem, como a enorme importância da comunicação social (jornais, rádio, televisão), que entra no jogo de forma a condicionar, por vezes decisivamente, as imagens, os comportamentos, os compromissos.
E este "peão" tele-ouvinte, saboreando o jogo e as jogadas, admirando a qualidade artistica-comunicacional (que admiráveis actores!), sente a necessidade de estar atento às limitações da série, ao menos(ou até des)prezo pelas peças que menos parecem valer que os peões no xadrez, e que são as que têm o poder real da política: as massas, o povo!
Escreveria mais, muito mais..., a partir de Borgen. O que revelará (para minha exclusiva avaliação) o quanto vale a série. 
Para exemplo do que fica por dizer, e talvez o venha a ser..., fica sem comentário (por agora) a importância insinuada, neste jogo - tal como apresentado -, do desaparecimento dos países socialistas europeus, as orfandades que esse desastre (histórico) provocou, a ausência de verdadeiras alternativas de sociedade que deriva do vazio ideológico resultantes de se ter atirado fora o bébé com a água suja do banho. No entanto, sem talvez disso se aperceber, na série pressente-se que o bébé sobrevive. Talvez não pelos reinos da Dinamarca (menos de 6 milhões de europeus, na União Europeia... embora sem €uro), mas há mais de 7 mil milhões de seres humanos (e vivos, hoje). 
E há o tempo  Que, como lembra bem a Birgitte do Borgen, é dimensão fundamental em política. E não pára!         

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Uma notícia (parcial) a ler atentamente

Ucrânia não aceita condições 

da Rússia para cessar-fogo

Maratona negocial em Minsk ainda sem "boas notícias".
Foto: EPA

Negociações prosseguem 

na capital da Bielorrússia.
12-02-2015 8:04


Algumas das condições impostas pela Rússia para o fim da guerra
 na Ucrânia são “inaceitáveis”, mas ainda há esperança de acordo, 
afirma o Presidente ucraniano.

Petro Poroshenko falava aos jornalistas durante uma pausa 
nas negociações que decorrem desde quarta-feira, 
em Minsk, na Bielorrússia.

“Ainda não há boas notícias”, disse o Presidente ucraniano, 
à margem da cimeira com os líderes 
russo, Vladimir Putin, 
o Presidente francês, François Hollande, 
e a chanceler alemã, Angela Merkel.

De acordo com o correspondente da agência Reuters 
na Bielorrússia, as conversações para tentar 
calar as armas no leste da Ucrânia vão prosseguir.

Os líderes dos separatistas do leste da Ucrânia, 
apoiados pela Rússia, recusaram assinar 
um acordo na cimeira de Minsk. (ah!... estiveram lá?!)
“Ainda não há acordo. Os separatistas pró-russos 
não querem assinar. Exigem a retirada 
do exército ucraniano de Debaltseve”, 
avançou um dos participantes (quem?. em nome de quem?)

na cimeira à agência Reuters.

A presença dos líderes rebeldes

das regiões de Donetsk e Luhansk 
era considerada uma esperança para alcançar um cessar-fogo.

A guerra no leste da Ucrânia, entre as forças governamentais 
e os rebeldes pró-russos, provocou a morte

a cerca de 50 pessoas nas últimas 24 horas. 
Mais de cinco mil foram mortas desde o início do conflito.

------------------
em sapo-renascença

quarta-feira, fevereiro 11, 2015

Uma única palavra como comentário: VERGONHA!

Cavaco: 

"Solidariedade" com a Grécia 

representa "milhões de euros

tirados aos portugueses"



terça-feira, fevereiro 10, 2015

A armadilha da dívida externa








Económico


Oficial: Governo quer antecipar 

pagamento de 14 mil milhões ao FMI

MARIANA ADAM








O Governo português já formalizou o pedido para antecipar o pagamento dos empréstimos contraídos junto do Fundo Monetário Internacional (FMI), confirmou fonte oficial das Finanças.
Em carta endereçada por Maria Luís Albuquerque a Bruxelas, o Executivo português solicitou autorização para amortizar, ao longo dos próximos dois anos e meio, o pagamento de 14 mil milhões de euros ao Fundo em várias tranches. Um valor que representa um pouco mais de metade do empréstimo cedido pelo organismo liderado por Christine Lagarde.
O assunto está na agenda da reunião do Eurogrupo agendada para a próxima segunda-feira, onde o pedido português poderá mesmo ser logo aprovado. Ao ‘ok' de Bruxelas seguir-se-á à aprovação em alguns parlamentos nacionais, tal como aconteceu no caso irlandês. Só depois começará a negociação com o FMI, nomeadamente sobre o valor das tranches e taxas de juro.
Com a descida das ‘yields' em mercado secundário, e respectiva baixa nos custos de financiamento do Estado, o reembolso ao FMI tornou-se apetecível, pois Portugal consegue hoje levantar fundos a um custo mais baixo do que o juro associado aos empréstimos do Fundo.
---------------------------------
Então é assim: o "amigo" (cumprindo instruções "amigas") veio em socorro dos "aflitos-porque-ninguém-lhes-emprestava-nada" para pagar as despesas criadas no funcionamento da "economia global" e de interdependência assimétrica. E o "amigo" emprestou quanto e como quis (em parceria troikulenta cheia de "amizade"). A juro compensador (e com fartas despesas pagas pelos "auxiliados") e condições leoninas e anti-sociais. Cumpridas essas condições (os trabalhadores e pensionistas que o digam), verifica-se que os juros "do mercado" são mais baixos que os juros "de amigo", pelo que, feitas as contas, compensaria mudar de emprestador. É possível? Vamos a ver... Depende de tanta coisa, e o processo de autorização de antecipação do pagamento é lento. E é aproveitado para impor mais condições na linha das anteriores. Aliás, não é ousado dizer que o "empréstimo amigo" (e a autorização para antecipar o seu pagamento!) existe como peça de uma armadilha para impor as tais condições. E, de caminho, para ganhar uns juros chorudos e pagar uns volumosos ordenados e deslocações dos "fiscais" da avaliação das condições. Sempre em crescendo.
Até quando? Com tanta coisa a mexer, nada é certo, a raiva cresce e a esperança multiplica-se. Mas cuidado com as initações, perdão, com as ilusões!

segunda-feira, fevereiro 09, 2015

ACORDEMOS!

Enriquecimento não justificado

"O PS e o Bloco de Esquerda vão avançar com projetos que penalizem o enriquecimento não justificado, segundo propostas legislativas que admitem o confisco total de riqueza não justificada por políticos.

Segundo o Diário de Notícias desta segunda-feira, vem aí uma extensa e detalhada agenda legislativa anticorrupção. «O tiro de partida para as novas leis foi dado com declarações de Passos Coelho sobre a prisão de José Sócrates», refere o diário.
O PCP também já avançou com uma iniciativa e agora falta o PSD e o CDS apresentarem as suas ideias. A discussão parlamentar começará dentro de semanas - «mas irá muito além do enriquecimento não justificado», promete a publicação."

...e não há, nesta noticia no sapo,
tratamento (ou "enriquecimento"...) não justificado
de dois partidos políticos
em desfavorecimento de um terceiro?

Esclarecedora viagem por paragens pouco (e mal) frequentadas pela comunicação social




Jorge Cadima

 - Edição Nº2149  -  5-2-2015

Ils sont Abdullah


Aproveitando-se da indignação pelos crimes de Paris, dirigentes políticos mundiais desfilaram de braço dado para TV ver, longe da multidão. Na primeira fila dessa alegada marcha anti-terrorista seguia boa parte dos principais responsáveis pelo terrorismo de Estado nos nossos dias: os criminosos Hollande e Cameron, seguidores de Sarkozy e Blair nas guerras de rapina e destruição no Médio Oriente e África; o carniceiro de Gaza, Netanyahu; e o carniceiro do Donbass, Porochenko. Por razões não totalmente claras, Obama faltou à chamada.



Duas semanas depois, grande parte dos mesmos dirigentes foi em peregrinação à Arábia Saudita, prestar homenagem ao falecido rei Abdullah. Não foram poupados elogios. Obama valorizou «a nossa amizade genuína e calorosa»(International New York Times, 24.1.15). Blair disse que era «um modernizador», «amado pelo seu povo e cuja falta será profundamente sentida» (declaração do seu gabinete, 23.1.15). O International NYT chama-lhe um «reformador saudita» (24.1.15). David Cameron louvou a sua «dedicação à paz» e a directora-geral do FMI declarou que «era um grande dirigente, que introduziu muitas reformas internas e, de forma muito discreta, era uma grande defensor das mulheres» (Channel 4 News, 23.1.15). O Presidente de Israel, Rivlin, disse que «as suas sábias políticas contribuiram muito para a nossa região e a estabilidade do Médio Oriente» (Times of Israel, 23.1.15). A verdade é que a Arábia Saudita é uma férrea ditadura governada por uma casta de multimilionários que devem a sua riqueza, o seu poder e o seu próprio país, às manobras do imperialismo e que sempre retribuiram esses favores. O Reino é um dos mais activos patrocinadores dos bandos terroristas ao serviço do imperialismo, e não apenas os de raiz religiosa. Quando em meados dos anos 80 o Congresso dos EUA proibiu o financiamento da contra-revolução nicaraguense, os sauditas entraram com o dinheiro (NYT, 13.1.87). Não são tolerados partidos nem sindicatos, nem se faz de conta que existe um Parlamento. Não existe qualquer liberdade de expressão. Nos meses finais do reinado «reformador» e «amigo das mulheres», duas mulheres foram levadas a um tribunal anti-terrorista por conduzir um automóvel (NYT, 25.12.14) e um cidadão foi condenado a 1000 chicotadas e 10 anos de prisão por criar um blog para discutir questões religiosas (Human Rights Watch, 10.1.15). O que não impediu que Hollande e Fabius se deslocassem a Riade para prestar tributo ao rei saudita e à «sua visão duma paz justa e duradoira no Médio Oriente» (Libération, 23.1.15) – visão partilhada pela França e bem patente na Síria. Sem pestanejar, Je suis Charlie deu lugar a Je suis Abdullah. O desplante é estonteante, mas não surpreendente. A Arábia Saudita nunca foi alvo das grandes campanhas mediáticas e políticas contra o fundamentalismo islâmico. Porque a verdadeira questão é outra. A Arábia Saudita e o seu «capitalismo avançado» (International NYT, 24.1.15) estão do mesmo lado da barricada que Obama, Hollande, Cameron e o sionismo.


A hipocrisia sem limites dos chefes imperialistas revela algo importante: o racismo e a islamofobia que de forma cada vez mais aberta é promovida na comunicação social é – tal como o anti-semitismo dos anos 30 – apenas uma arma das classes dirigentes para dividir os trabalhadores e povos e para os arregimentar às suas políticas de guerra, exploração e rapina. Os elogios a Abdullah mostram que não há «choque de civilizações» quando se trata de arranjar acordos entre o grande capital e garantir a continuidade dos seus chorudos lucros. Poderão existir choques de interesses. E se algum dia a classe dirigente saudita decidisse seguir outro rumo, então sim ouviríamos falar dos crimes e pecados da sua ditadura e todo o arsenal imperialista – dos mísseis Cruzeiro às agências de notação, dos drones às pseudo-ONG – cairiam sobre a Península. E se, 'pior' ainda, o povo saudita se erguer para varrer a sua corrupta e serventuária classe dirigente, serão ensurdecedoras as campanhas imperialistas sobre o «perigo duma nova ditadura». Foi assim no nosso país, há 40 anos.

domingo, fevereiro 08, 2015

Quando repensar é um uso de que não se pode abusar (balha-me deus...)

"pinsamentos" no sapo:

Passos Coelho diz ser 

abuso usar a Grécia como motivo 

para repensar a União Europeia


.

Coisas da mediatização da política

Anda aí pelas páginas e ondas uma especulação engravatada... ou não. Chegam a ser ridículos os temas que se arranjam para prender a atenção das pessoas, nalguns casos para as distrair de coisas e questões verdadeiramente importantes. Esta das gravatas ou sem-gravatas "à grega" deveria fazer sorrir. 
E lembrar!
Em1974, no dia 25 de Abril, houve quem tivesse tirado a gravata, e não só por uns dias... O que só se notou e mediatizou quando um ministro sem pasta do 1º Governo Provisório -  o Professor Doutor Francisco Pereira de Moura - apareceu sem gravata. Logo ele, o homem discreto e circunspecto, de um prestígio científico à prova de... falta de gravata!
Ainda procurei - sem grandes esforços, confesso... - recortes e fotos da altura em que se especulou com esse "facto", mas só encontrei esta, do 1º de Maio, em que aparecem desengravatados Pereira de Moura, José Tengarrinha, Urbano Tavares Rodrigues e um manifestante na 1ª linha que não identifiquei mas que não me é estranho. Fotografia tanbém curiosa por outras circunstâncias,,,
 

Quem fala em nome de nós?!

do sapo:

Ucrânia: Líderes europeus voltam a encontrar-se em Minsk

Ucrânia: Líderes europeus voltam a encontrar-se em Minsk- fonte:Expresso
"Líderes"?,"europeus"?.... quem fala em nome de nós-europeus?!

Os nós apertados

Na sua mais que saudável labuta de saneamento básico facebookeano, o Samuel veio chamar a atenção para:


Segundo o director-adjunto do "Expresso", como já vimos ali mais atrás, «Os países europeus estão fartos da Grécia».
Segundo Nicolau Santos, um dos melhores colunistas do mesmíssimo jornal, "A Grécia ganhou, nos últimos dias, o respeito dos cidadãos europeus».


O que teria justificado a quantidade habitual (e sempre bem-vinda) de inúmeros comentários, em que inclui um meu que aqui reproduzo e "ajeito"... ou acrescento:

  • Vamos lá a ver...há os países e há os cidadãos, e os países são representados por quem os cidadãos escolhem com a informação que têm... isto dá origem a nós apertados em que se enovelam as "gentes expressas". Olha.. vou aproveitar este comentário! Um abraço
Acrescento:
  • As opiniões do Nicolau Santos (keyneseano, graças a deus... diz ele de si) são, sempre, de útil leitura. Dizem bem algumas das coisas que se gostaria de dizer tão bem, embora fique sempre muita coisa por dizer (pois!). No Expresso de ontem, NS prova que ao FMI e a Passos Coelho falta seriedade retomando o que já escrevera 2ª feira (FMI aprovou 12 vezes. À 13ª descobriu que está tudo mal -: http://expresso.sapo.pt/-fmi-aprovou-12-vezes-a-13-descobriu-que-esta-tudo-mal=f909108#ixzz3R9tVumD1) 
  • Pois é. Falta dizer que não é por acaso que assim acontece mas no cumprimento de uma estratégia de classe, do capitalsimo financeiro transnacional.e que há nós que se vão apertando... como uma determinada leitura da História o fez prever. E prevenir.   

sábado, fevereiro 07, 2015

Reflexões lentas (e publicáveis)

Se há coisa com que francamente embirre (para começar assim o dia e a escrita…) é com aquela “condescendência” ou prevenção que abre uma concordância nos termos de: apesar dele ser quem é, ou não que concorde com as ideias dele mas…, ou não obstante a minha frontal oposição ao que ele pensa, ou embora seja bem conhecido o que nos separa, desta vez…, ou sendo eu PSD (ou PS), como todos sabem, não posso deixar de dizer que…, ou é evidente que não sou de esquerda, e muito menos comunista, mas esta posição, e etc-e-tal… 
Fico piurso com o “elogio” que se segue a essa abertura, a mim ou ao que sou, e com vontade de dizer o que a “boa educação” me não permite como: ... mas... ó sua besta, você tem necessidade dessa prevenção quando o feito ou o dito é de outros do seu “gang” ou não é de comunistas ou do Partido destes?... meta o elogio onde eu estou a pensar! 
Agora foi o conhecido cronista do Expresso Henrique Monteiro que veio dizer, a abrir (http://expresso.sapo.pt/viva-o-pcp-e-o-bloco-e-e-dito-do-coracao=f909541), "Se por acaso alguém muitíssimo distraído ainda não reparou que nada tenho a ver com o PCP e com o BE eu digo que, de facto, não tenho (…)". 
Que fique descansado! Ele e os outros.

É como se dissessem: reafirmamos que os comunistas nunca têm razão, mas quase sempre têm razão e, às vezes, não podemos deixar de lhes dar razão mas sempre reafirmando que nunca têm razão.

Já agora... também não gosto – embora seja um outro “não gostar” – quando, do nosso lado da vida, há um comportamento e dizeres aparentemente simétricos – aparentemente… até porque não há simetrias. Quando o inimigo (de classe) toma posições positivas ou razoáveis, a nosso critério, não há que as combater, enquanto tais, por deles serem as posições, mas sim que as localizar – no tempo e no espaço – e que as valorizar, como reflexos de uma correlação de forças e de uma luta que só pode continuar. Até porque começou muito antes de nós e depois de nós continuará.

sexta-feira, fevereiro 06, 2015

Reflexões lentas

FALA DO FILHO ÚNICO 
AOS SEUS IRMÃOS-TODOS-OS-OUTROS

Nascer filho único todos nascemos, menos os que vierem acompanhados de gémeos. O problema, se problema é e para quem o seja, é crescer filho único. A falta de irmãos condiciona esse crescimento. Não digo mais. Apenas digo que condiciona. Ou melhor: que me condicionou. Meu pai queria que eu viesse a ser o que ele não tinha podido ser, minha mãe protegia-me, maternalmente como mãe daquele/este único filho. Condicionou. E sempre procurei amigos… fraternos.
Terei, por isso, alguma sensibilidade exacerbada relativamente a amizades e fraternidades. Que, a partir de determinada altura, procurei que me (re)condicionassem. Pela reflexão escorada na gama de valores que vieram constituindo as minhas idiossincrasias. E juntei, a esses dois valores reciclados pela experiência – amizade e fraternidade –, um outro que dá pelo nome de camaradagem.
Fortes abanões têm sofrido a desejada pureza desses valores… mas não é disso que venho à fala. Disso me reservo para outras reflexões e conversas. Venho à fala, nestas lentas reflexões, a propósito de corruptelas generalizadas, ou até consensualizadas, desses valores para que, para simplificar, se usam palavras definidoras e que arrastam outras como companheirismo, lealdade, solidariedade. E outras mais que, como diz o Rubem Fonseca, não são para entender (com ajuda do dicionário?...) mas são para sentir.
Vem este relambório reflexivo a propósito do uso e abuso dessas corruptelas. A começar (e talvez a acabar) pela de irmandade. Que logo transporta consigo uma implícita característica de círculo fechado, de comunhão de interesses grupais, de entre-ajudas reservadas aos “irmãos” ou "irmandados".
O que nada teria de negativo se se limitasse, se possível fosse, ao “grupo dos almoços das 5ªs. feiras”, à “irmandade do vinho palhete”, aos "parceiros da sueca" e semelhantes. Já não é assim, ou já assim não será, se o círculo fechado não for transparente e for sectário, se os interesses irmanados for conflitual com o interesse geral, se as entre-ajudas forem clientelares, se, numa frase, as irmandades privilegiarem uns poucos à custa de marginalização ou exclusão de todos os outros.
O papel da mediatização comunicacional é determinante nessa aceitação e consensualização de corruptelas ideológicas e de corrupções materiais e, por isso, na cristalização de relações sociais de exploração, de desigualdade social (com quantos pobres parentes ou semelhantes se faz um rico "irmão"?).

E o filho único, se se sente irmão-de-todos-os-outros, reage contra as irmandades. Vale alguma coisa essa reacção, a fala de anúncio/denúncia? Diria que é a forma mínima (e microscópica, embora insubstituível) de luta contra uma organização da sociedade que se caracteriza pela desumanidade a coberto de falsa utilização de valores humanos e a adopção das suas corruptelas. Por isso, a reflexão e a fala. Contínuas.    

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

coboiada e reengravatanço






















Obrigado, 
Gonçalo!

Correia da Fonseca a merecer "bota de ouro"

publicado em
 - Edição Nº2149  -  5-2-2015

O MAU MOMENTO

A atenção dispensada pelos telespectadores a quem surge no ecrã dos seus televisores a dar notícias, debitar comentários ou participar em polémicas, tendo naturalmente a ver com o que é dito, terá provavelmente mais ainda a ver com quem o diz. Exemplifiquemos com um imaginário confronto entre os eventuais comentários a uma arbitragem desastrada feitos por Cristiano, “o melhor do mundo”, e por Zequinha, o generalizadamente ignorado ponta-de-lança de Os Unidos de Lavapés: é claro que as declarações do primeiro suscitarão intermináveis comentários ao passo que as palavras do segundo, mesmo se sábias e sensatas, só encontrarão indiferenças. Assim, é neste quadro que recentes palavras do senhor Presidente da República perante câmaras e microfones suscitaram entre muitos telespectadores não se dirá que grande emoção, pois na verdade as palavras do senhor PR já não provocam efeitos dessa intensidade se é que alguma vez os produziram, mas decerto alguma estupefação: nunca o senhor professor havia ido tão longe naquele terreno e também, digamos assim, tão a descoberto. É certo que nunca ele revelou enormes dotes para a verbalização de improviso, não se pode ter todos os talentos, mas desta vez dir-se-ia que as coisas se passaram como se nele uma qualquer peça se tivesse soltado e um mecanismo interior tivesse deixado de garantir funções reguladoras. Acontece, é claro: um Presidente da República não é o Papa, que é infalível e ainda assim apenas em matéria de fé. E, neste sem dúvida lamentável episódio, aconteceu. Ali, diante dos olhos e dos ouvidos de muitos milhares de cidadãos portugueses naturalmente atentos: afinal, quem falava não era o Zequinha dos Unidos de Lavapés, era o senhor Presidente de todos os portugueses.

De súbito, a gravação

Em abono da verdade e para melhor entendimento da circunstância, deve dizer-se que o senhor Presidente dava nítidos e acentuados sinais exteriores de irritação: tudo no seu rosto era crispação, todas as suas palavras eram disparadas como balas, salvo seja e com o devido respeito. A questão é que alguém dissera que o senhor PR, nos idos de Julho de 2014, falara do Banco Espirito Santo, então ainda não falecido mas já minada por grave doença, e que as palavras presidenciais haviam sido no sentido de confirmar a boa saúde financeira do enfermo. “-É mentira!”, gritou o senhor Presidente em manifesta crise de indignação. E as câmaras fixaram-lhe a expressão, os microfones gravaram-lhe o grito. Infelizmente, porém, a televisão não se extinguiu ali, como teria sido conveniente, e, pelo contrário, prosseguiu a emissão, as emissões. Ora, nesse prosseguimento ocorreu o mais lamentável que teria sido imaginável: a transmissão da gravação de uma declaração breve, mas clara e totalmente assertiva, de meados de Julho de 2014, em que o senhor Presidente tranquilizava o país inquieto acerca da boa saúde financeira do BES. É certo que se reportava a anteriores declarações do Banco de Portugal, como era de boa prudência e de inevitável lógica, pois bem se sabe que não cabe ao chamado “inquilino de Belém” andar a meter o presidencial nariz nas contas de um banco, mas as tranquilizadoras palavras dirigidas aos portugueses eram suas e, obviamente, sua a responsabilidade por elas. Em suma, não era mentira: Cavaco falara-nos do Banco Espírito Santo, sim, corroborando-lhe a solidez, e a única mentira havida ali seria a afirmação de ser mentira a garantia verbal que prestara. Perante isto, talvez nos cumpra a nós, cidadãos em geral, sermos generosos e esquecermos o mau momento do senhor PR. Porém, com uma dúvida inevitável: a de sabermos se também vão esquecer os que, tendo subscrito o aumento de capital então lançado no mercado porque confiavam na intervenção do senhor professor, perderam grandes ou pequenas fortunas, arruinaram-se ou não, mas de qualquer modo se sentem roubados. Também por efeito da confiança que depositavam talvez não tanto no já então duvidoso BES mas sim na peculiar voz do senhor Presidente da República cuja gravação pudemos agora voltar a ouvir.

Correia da Fonseca

quarta-feira, fevereiro 04, 2015

Política em português... ou o português em política

Hoje, a maioria par(a)lamentar impediu que a Assembleia da República se dirigisse a Sua Excelência o Presidente da República. O que deveria ser feito com todo o respeito inter-institucional, por via de carta em que se colocariam as perguntas que a comissão de inquérito relativa ao processo Espírito Santo entenderia de fazer a Sua Excelência face às declarações e epístolas do dr. Ricardo Salgado a essa comissão parlamentar de inquérito. Perguntas e formulação que teriam de ter, claro, conhecimento e apoio da maioria do plenário.
Segundo a dita maioria, contra a proposta e proposição do resto da AdaR, perguntas a Sexa. só os jornalistas... e parece que já são demais para o embaraçar!

O que também achei curioso (é maneira de dizer...) foi ter ouvido um comentador político, dos que viajam comigo no meu carrrito sem me pedirem boleia, ter comentado - como decorre de seu apóstrofo - em termos laudatórios o facto porque "o Presidente da República não responde perante a Assembleia da República". 
Ora aqui está uma questão em que a semântica se imiscui na política. Qualquer que seja a formulação constitucional ou a ética inter-institucional, é evidente que o PdaR não responde perante a AdaR... mas quer isso dizer que não se lhe pode perguntar nada?, e ele (perdão, Sexa.) não poderia, caso assim o entendesse no seu alto magistério, responder a perguntas que a AdaR lhe fizesse para seu esclarecimento?
Não se jogue, batoteiramente, com as palavras: responder perante não é o mesmo que eventualmente responder a perguntas respeitosamente formuladas. 
Este quiproquó apenas revela o embaraço em que andam as hostes.
      

domingo, fevereiro 01, 2015

Reflexões lentas - Parafraseando Pessoa e Dario Fo

Confesso que me incomoda. Ninguém tem nada com os meus incómodos e, por isso, talvez não os devesse trazer a público. Mas, tendo em conta que o "meu público" é um reduzido número de visitantes, na maior parte amigos que me lêem para me estimular a continuar a reflectir, aqui venho desbafar. Até porque não desabafar pode criar recalcamentos, problemas internos ou intestinos...
Sou um sujeito cordato e respeitador das instituições. Por isso me incomoda vê-las mal preenchidas e maltratadas. Mas temo-las ocupadas por quem se sabe... pelo que, com todo o respeitinho pelas instituições, me sinto no direito de reagir a erros, dislates, crimes, de quem as ocupa.
Não posso aceitar sem protesto cidadão que o PdaR (e mais gente) ache que ele tem um sagrado direito de reserva, mais absoluto que do padre relativamente aos crentes que a ele se confessam, que o do médico relativamente aos doentes que o procuram na busca de cura ou alívio.
Sem entrar em áreas de interpretação legal-constitucional - rabecas que nunca toquei ou tocarei - o PdaR é um cidadão igualzinho aos outros - já lá vai o tempo do Rei-Sol... - investido (pelos outros!) em funções institucionais. Por isso, acho eu que..., correndo na AdaR - onde têm assento representantes eleitos pelo povinho - inquéritos sobre questões da maior importância para a comunidade, tem este orgão institucional todo o direito/dever de se procurar informar junto do Zé da Esquina como o tem junto do PdaR, com o devido respeito (incluindo formalidades de relacionamento inter-institucional tal como só perguntar por escrito e esperar resposta). Assim como eu, Zé da Esquina que sou, tenho o direito de pegar nas palavras do Pessoa e do Dario Fo e de as adaptar a situações que me incomodam.

1. O homem é um mentiroso. Mente tão completamente que chega a dizer que é mentira a mentira que deveras disse.
2. E não se pode interditá-lo?...


Para esta tarde de domingo...

... apeteceu-me voltar aos 17
... ou ficar, durante uns minutos, a ouvir estas vozes da minha vida sem idade,