quarta-feira, novembro 09, 2011

de vermelho:

China, uma parceira estratégica que preocupa o Brasil

Desde 2009, a China é o parceiro comercial mais importante do Brasil. É o principal destino das exportações brasileiras e o segundo maior importador de produtos para o país. Mas, se essa relação, por um lado, é tão promissora, por outro, ela já desperta algumas preocupações. Uma das principais queixas é que, enquanto a China sabe exatamente o que quer dessa parceria, o Brasil ainda estaria se ajustando passivamente às necessidades do gigante asiático.

terça-feira, novembro 08, 2011

Agenda

 
E ainda vai sobrar...
para uma acção
em Ansião
de "formação"
(e para muito
mais acções)
pois então!


... e vou ter de faltar
às manifestações!

Para registo. Aqui.

Esta declaração, do Miguel Tiago e da Rita, é exemplar. De uma forma de estar na luta política, no plano institucional. Com seriedade e combatividade.


Embora possa parecer, não é lançada contra moinhos de vento.
Há que dar a conhecer estas posições sérias, fundamentadas, mostrando como é preciso que obriguemos a que a política, nesta burguesa e paupérrima democracia representativa, reflicta outra relação de forças.
Tudo depende de nós...

Leituras de fim-de-semana (e não só) - 5 - Marx e o dia de trabalho - 3

(...)

3. De repente, porém, eleva-se a voz do operário(*), que estava emudecida na tempestade e ímpeto do processo de produção: “(…) Eu reivindico, pois, um dia de trabalho de comprimento normal e reivindico-o sem apelo ao teu coração, pois em coisas de dinheiro os sentimentos não contam. Tu podes ser um cidadão exemplar, talvez membro da associação para a abolição dos maus tratos aos animais e, ainda por cima, teres fama de santidade, mas na coisa que face a mim representas não lhe bate qualquer coração no peito. O que aí parece palpitar é o próprio bater do meu coração. Reivindico o dia de trabalho normal, porque reivindico o valor da minha mercadoria, como qualquer outro vendedor.”
(* - … e de todos os trabalhadores)


Leituras de fim-de-semana (e não só) - 4 - Marx e o dia de trabalho - 2

(...)




2. (...) Embora o dia de trabalho não seja uma magnitude fixa, mas fluida, por outro lado ele só pode variar dentro de certas barreiras. A sua barreira mínima é, porém, indeterminável. (…) Pelo contrário, o dia de trabalho possui uma barreira máxima. Não é prolongável acima de certo limite. Esta barreira máxima está duplamente determinada. Por um lado, pela barreira física da força de trabalho. (…) Durante uma parte do dia, a força tem de repousar, dormir; durante uma outra parte, a pessoa tem outras necessidades físicas a satisfazer, alimentar-se, lavar-se, vestir-se, etc. Para além desta barreira puramente física, o prolongamento do dia de trabalho choca com barreiras morais(*). O operário precisa de tempo para a satisfação de necessidades espirituais e sociais, cujo âmbito e número são determinados pelo estado da civilização. A variação do dia de trabalho move-se, portanto, dentro de barreiras físicas e sociais.
(* - que necessidades são ou virão a ser)

Leituras de fim-de-semana (e não só) - 3 - Marx e o dia de trabalho - 1

Tendo-me aparecido obrigações inesperadas, resolvi aproveitar coisas que estou a ler (a estudar!) para deixar três "posts", programados numa montagem para o dia de hoje. Tinha a intenção de aqui trazer estas transcrições, pela enorme oportunidade para reflexão e aprofundamento ideológico, mas antecipo. Deixo-as - para as 10.30, 13.00 e 16.00 (com um ou outro sublinhado e uma ou outra nota à margem que estavam, e continuarão, a ser tomados) - com a única intenção de comunicar e propor à reflexão aprofundada a que Marx nos convoca, e antecedendo-as de parte que está em "post" anterior, que se repete.

A. «(… ) Onde isto aconteceu, o trabalho servil raramente brotou da servidão; inversamente, foi sim a servidão que na maioria dos casos brotou do trabalho servil (...). 


1. (…) logo que os povos – cuja produção se move ainda nas formas inferiores do trabalho escravo, do trabalho servil, etc. – são atraídos a um mercado mundial dominado por um modo de produção capitalista, que desenvolve a venda dos seus produtos para o estrangeiro como interesse prevalecente, aos bárbaros horrores da escravatura, servidão, etc., é enxertado o horror civilizado do trabalho a mais.
(em simultâneo com o desemprego!...)


segunda-feira, novembro 07, 2011

Leituras de fim-de-semana (e não só) - 2

No último Expresso, além de leituras habituais, com os “danos colaterais” conhecidos, “perdi-me” no tema pensar da revista Única. Que era o “prato principal”. Com coisas interessantes e/ou irritantes (a meu critério valorativo, claro).
Não vou deter-me demasiado, mas apenas fazer um comentário à coluna chamada de actualidade – 27 factos que dão que pensar.
É significativo que o que se dá para pensar – e alguns factos dão mesmo que pensar, como a "situação do Banco de Portugal" (pelas informações que faculta) e outras questões esparsas que estão bem tratadas – seja, sobretudo, a abordagem de fundo, o critério editorial, que, numa grande diversidade de temas (27 factos…) e autores, se atola, incapaz de sair da teia do pensamento única, perdão... único.
Tal como uma abelha na chuva.

(Uma abelha na chuva é livro de Carlos de Oliveira, de 1953, e filme de Fernando Lopes, de 1971 – “as personagens de Uma Abelha na Chuva surgem integradas numa teia de circunstâncias regidas pelo supremo valor do dinheiro".).

7 de Novembro de 1917, há 94 anos

"A classe operária não esperava milagres da Comuna. Ela não tem utopias, feitas por decreto popular, para introduzir na situação. Ela sabe que para realizar a sua própria emancipação, e, com ela, essa forma superior de vida para a qual a sociedade actual tende irresistivelmente, dado o seu próprio desenvolvimento económico, terá de passar por longas lutas, por toda uma série de processos históricos que transformarão completamente as circunstâncias e os homens."

K.MARX
A guerra civil em França

Breves - 21 - 7% de taxa de juro e autofagia

Dívida
Itália sob alta pressão, Juro a dez anos rumo aos 7%

Este número lembra qualquer coisa e uma pessoa.
Não era a taxa limite suportável pelo ex-ministro Teixeira dos Santos, que depois foi sendo sucessiva e largamente (a)crescida?
Então é assim: quando um País está em dificuldades (em grande parte criadas do exterior e pela inserção numa política que não controla), a "solidariedade comunitária" (e dos/nos "mercados") traduz-se por estes números. Os peixes grandes comem os peixes pequenos, os médios e entre-si se devoram, vorazes. Autofagia capitalista. 

Leituras de fim-de-semana (e não só...) - 1

Alguns amigos e camaradas, em mais de uma ocasião não escondem a irritação e o cansaço que lhes provoca a comunicação social e dizem não aguentar, mostrando alguma estranheza por se conseguir aguentar tanta infecta “informação”.
Compreendo-os muito bem, mas vou resistindo. Por vezes com surpresas não diria agradáveis mas reveladoras de que, por entre a poeira das palavras, o barulho dos sons (e das luzes), a espuma dos dias, há uns raios do sol da realidade que conseguem infiltrar, erupções do que são as raízes da vida.
Entretanto, e antes de voltar a esta maneira de pegar na questão da (in)formação em luta de classes, um pequeno intróito, que servirá, também e depois, para justificar  intercalações.
Neste caminhar pelo meio de todas estas veredas, umas leituras (voluntárias ou por tarefa) de Marx pelo meio são como que um mergulho em águas profundas, ou um lavar a cabeça por dentro e não só os cabelos…

Por exemplo:

«(… ) Onde isto aconteceu, o trabalho servil raramente brotou da servidão; inversamente, foi sim a servidão que na maioria dos casos brotou do trabalho servil. Aconteceu assimnas províncias romenas. (…) Segundo o Règlement organique – assim se chama aquele código de trabalho servil – cada camponês valáquio deve ao chamado proprietário fundiário, para além de uma massa de pormenorizadas contribuições em géneros: 1. doze dias de trabalho, em geral; 2. um dia de trabalho no campo; 3. Um dia de carregamento de lenha. Summa summarum, 14 dia no ano. (…) Nas palavras secas de autêntica ironia russa, o próprio Règlement explica assim que por 12 dias de trabalho se deve entender o produto de de um trabalho manual de 36 dias; por um dia de trabalho no campo, três dias, e por um dia de carregamento de lenha, igualmente o o triplo, Summa, 42 dias de trabalho servil. Acrescenta-se porém a chamada Jobagie, prestações de serviço devidas so senhor fundiário por necessidades extraordinárias de produção. Na proporção da magnitude da sua população, cada aldeia tem de fornecer anualmente um determinado contingente para a Jobagie. Este trabalho servil suplementar é avaliado em 14 dias para cada camponês valáquio. Assim o trabalho servil prescrito ascende anualmente a 56 dias de trabalho. (…)»

(O Capital, Livro Primeiro, Tomo I, 8º cap., O dia de trabalho,
pp. 270-1)

Assim, com este exemplo se mostra como o trabalho servil se pode ir aproximando, pela regulamentação positiva “bem aplicada”, em servidão.

Cambalacho, intrujões e intrusões

Depois de umas notas nos "dias de agora" (onde coloco algumas coisas que aqui escrevo), apeteceu-me transcrever para aqui:

«(...) E está a apetecer-me fazer um percurso ao contrário…

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Daqui para o “anónimo”.

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E não será a primeira vez…

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Parece-me estar a preparar-se um enorme cambalacho relativamente à discussão do OE12.

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Cambalacho? Segundo o dicionário on-line cambalacho é s.m. Troca. Permutação feita ardilosamente ou para lograr alguém.

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O “valor de troca” (só nominalmente) será um dos dois subsídios, o 13º ou o 14º dos salários da função pública, incluindo pensionistas.

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Sob pressão (ou a batuta/batota) de Cavaco Silva, com um discurso repetitivo baseado num “consenso” que apenas quer dizer acordo entre a actual maioria (PSD e CDS) e a “oposição"… mas esta reduzida ao PS, que “ganharia” o conseguir que, em vez de dois “subsídios”, os funcionários públicos só perderiam um.

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O PSD, em contrapartida, “ganharia” a imagem de estar a fazer um esforço... para consensualizar e, talvez, por uma questão de “justiça” (!), agora aceitaria tirar só um “subsídio” para, mais tarde, o estender a todos os trabalhadores e não só aos ligados à função pública.

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Os trabalhadores que faziam contas (de cabeça) com o corte de dois “subsídios” ficarão muito aliviados se for só um!

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Este é o logro, e os enganados serão os do costume… se se deixarem enganar.

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Mais um pequeno (?!) pormenor: tudo isto está a acontecer no pano de fundo de um massacre informativo sobre a situação na Grécia e com a presença dos gajos da “troika” externa a vasculharem nos nossos papéis e a darem ordens.

domingo, novembro 06, 2011

Breves - 20 - para acabar o domingo musical...

Às vezes, dá-me "uma" de ter pena de (alguns de) "eles"!

Estudaram que se fartaram
(mas só aquilo!, ali... com antolhos).
Meteram-se no carreirinho da carreirinha.
Cheios de prestígio (prestidigitação) "inter-pares" e/ou suce$$o.
Faziam "umas flores", mandavam "umas bocas".
Os "chefes" (ainda que inidentificados...) escolheram-nos.
Eles aceitaram.
(que remédio... era a bem da nação!)
E aí estão "eles". Em missão.
Talvez desejando voltar ao remanso de "mandar bocas" e de ganhar mais
(esperam vir a recuperar, claro!)

No que "eles" estão metidos!
(pronto!
já me passou ...
o quarto de hora de tolerância) 

Vemos, ouvimos e lemos...

transcrevendo um mail:

Crise:
Cada vez mais crianças com fome nas escolas

6 de Novembro, 2011 (Lusa/Sol)

Chegam sem a refeição da manhã, rondam sistematicamente o bar, mas nada compram.
As escolas identificam assim cada vez mais alunos com carências alimentares, aos quais procuram dar resposta, apesar de os seus orçamentos também estarem em crise.
De acordo com a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), as receitas de buffets e papelarias das escolas estão a sofrer uma quebra de 30 por cento.
“Tanto no bar dos alunos, como na papelaria há efectivamente uma quebra. Ainda não quantifiquei, mas é uma redução substancial”, confirmou à agência Lusa o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira.
Os alunos têm cada vez menos dinheiro para gastar na escola e em muitas situações chegam mal alimentados.
O professor dirige uma escola em Cinfães, onde grande parte da mão de obra masculina estava associada à construção civil, agora estagnada.
Mesmo famílias que conseguem manter o emprego, vêem reduzido o rendimento e a escola é o primeiro lugar onde as evidências não podem ser negadas.
“Reflecte-se se na quantidade de suplementos alimentares que estamos a dar aos alunos identificados pelos directores de turma”, conta o docente.
Ao perceber que há alunos mal alimentados, a escola oferece um lanche ao início da manhã e outro a meio da tarde: um pão com queijo ou fiambre e um sumo ou leite.
“Temos vários sinais para poder tomar este tipo de decisões. Um deles tem a ver com a não utilização do cartão (electrónico) por falta de dinheiro”, relata o dirigente, que conta também com o director de turma para perceber se o aluno toma o pequeno-almoço ou se “anda sistematicamente à volta do bar dos alunos e não compra nada”. A situação é facilmente identificada pelos funcionários e analisada com uma assistente social.
A escola, classificada como Território Educativo de Intervenção Prioritária (TEIP), já presta este apoio há vários anos, mas nos últimos tempos teve necessidade de o reforçar.
“Estamos a falar neste momento de um universo de oito a 10 por cento dos alunos da escola”, indica o director do estabelecimento, com 650 estudantes.
Presentemente são 50 a 60 alunos que recebem o suplemento alimentar, mas estão constantemente a ser identificados “mais alunos” nestas circunstâncias.
Manuel Pereira conta receber verbas para estes apoios, mas quando não as tinha, utilizava todos os lucros do bar dos alunos e dos professores para prestar este auxílio.
Nos contactos que faz regularmente com directores de outras escolas, constata situações semelhantes.
Também o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) nota que os alunos já não levam “notas grandes” para a escola.
“As quebras são em tudo, como não hão-de chegar aí também”, questiona Adalmiro Botelho da Fonseca.
“Aquela época em que os alunos levavam muito dinheiro para a escola, que era uma coisa que me incomodava imenso! - de famílias às vezes com dificuldades -, o aluno que queria umas sapatilhas de marca e tinha não sei quantas, isso está a passar”, atesta.
Agora, diz, “é que toda a gente começa a aperceber-se que estamos em crise”.
(Lusa / SOL)

Sofia/Fanhais

Le Portugais - ainda para este domingo

À boleia da Melina, e muito a propósito de um certo governante, ao nível de secretário de Estado, que tanto nos escandalizou (muito justamente!) ao deixar sair boca fora o que pensa sobre a vida e as "zonas de conforto" que seriam a falta de emprego ou os empregos totalmente desadequados à qualificação ou os subsídios de desemprego, e ao "aconselhar" a emigração,
aqui trago o enteado dela, o Joe Dassin, com esta canção, le Portugais, talvez pouco conhecida hoje, mas infelizmente oportunamente lembrada



Avec son marteau piqueur
Il creuse le sillon de la route de demain.
Il y met du coeur,
Le soleil et le gel sont écrits sur ses mains,
Le Portugais dans son ciré tout rouge
Qui ressemble à un épouvantail...
As-tu vu l'étrange laboureur
Des prairies de béton et des champs de rocailles?

Il faut en faire des voyages,
Il faut en faire du chemin.
Ce n'est plus dans son village
Qu'on peut gagner son pain...
Loin de son toit, de sa ville,
À cinq cent milles vers le Nord,
Le soir dans un bidonville
Le Portugais s'endort.

Il est arrivé a la gare d'Austerlitz voilà deux ans déjà...
Il n'a qu'une idée, gagner beaucoup d'argent et retourner là-bas.
Le Portugais dans son ciré tout rouge
Qui ressemble à un épouvantail -
Il ne t'entend pas,
Il est sur le chemin qui mène au Portugal.

Il faut en faire des voyages,
Il faut en faire du chemin.
Ce n'est plus dans son village
Qu'on peut gagner son pain...
Loin de son toit, de sa ville,
À cinq cent milles vers le Nord,
Le soir dans un bidonville
Le Portugais s'endort.

Façamo-lo e façamo-lo saber... com os escassos meios que temos

Na reacção a dois comentários a um "post" em que dava nota de iniciativa em que participara ontem, e em que amigos me diziam como tinham sido as agendas do seu mesmo dia, saltou-me este comentário:

Boa!
E, acho eu, é preciso que saibamos uns dos outros, que tenhamos a confirmação de que somos muitos a lutar contra a "conspiração do silêncio" mesclada com o barulho ensurdecedor e estupidificante.
Muitas, muitas acções, milhões de acções de esclarecimento (a começar pelo esclarecimento dos "esclarecedores") de massas contra as poucas acções mas de brutal massificação do entorpecimento, da anestesia da inevitabilidade, contra as insidiosas campanhas a chegarem aos milhões que somos, a entrarem-nos em casa, a acompanharem-nos nos automóveis, a encherem-nos os olhos (e a cabeça) de areia e poeira.
Hoje, em quantos lugares desta nossa pátria, quantas pequenas acções de luta, de conversa, até mano-a-mano? É a nossa responsabilidade por humanos sermos! Saibamo-lo e façamo-lo saber.

Abraços amigos


Onde quer que a minha viagem me leve, levo comigo a Grécia

Melina Mercouri

Où que me porte mon voyage
la Grèce me blesse

À Pilion parmi les oliviers
la tunique du Centaure
glissant parmi les feuilles
a entouré mon corps
et la mer me suivait pendant que je marchais

Où que me porte mon voyage, la Grèce me blesse

À Santorin en frôlant
Les îles englouties
En écoutant jouer une flûte parmi les pierres ponces
Ma main fut clouée à la crête d'une vague
Par une flèche subitement jaillie
Des confins d'une jeunesse disparue

Où que me porte mon voyage la Grèce me blesse

À Mycènes
j'ai soulevé les grandes pierres
et les trésors des Atrides
j'ai dormi à leurs côtés à l'hôtel de "La Belle Hélène"
ils ne disparurent qu'à l'aube lorsque chanta Cassandre
un coq suspendu à sa gorge noire
Où que me porte mon voyage la Grèce me blesse

À Spetsai, à Poros et à Mykonos
les barcaroles m'ont soulevé le coeur

Où que me porte mon voyage la Grèce me blesse
Que veulent donc ceux qui se croient à Athènes
ou au Pirée
l'un vient de Salamine
et demande à l'autre
s’il "ne viendrait pas de la place Omonia"
"non, je viens de la place Syndagma"
répond-il satisfait
"j'ai rencontré Yannis
et il m'a payé une glace
Pendant ce temps la Grèce voyage
et nous n'en savons rien
nous ne savons pas que tous nous sommes marins sans emploi
et nous ne savons pas combien le port est amer
quand tous les bateaux sont partis
Où que me porte mon voyage la Grèce me blesse

Drôles de gens
ils se croient en Attique
et ne sont nulle part
ils achètent des dragées pour se marier
et il se font photographier
l'homme que j'ai vu aujourd'hui
assis devant un fond de pigeons et de fleurs
laissait la main du vieux photographe
lui lisser les rides creusées
de son visage
par les oiseaux du ciel
Où que me porte mon voyage la Grèce me blesse

Pendant ce temps la Grèce voyage
voyage toujours
et si la mer Egée se fleurit de cadavres
ce sont les corps de ceux qui voulurent rattraper à la nage
le grand navire
Où que me porte mon voyage la Grèce me blesse

Le Pirée s'obscurcit
les bateaux sifflent ils sifflent sans arrêt
mais sur le quai nul cabestan ne bouge
nulle chaîne mouillée n'a scintillé dans l'ultime éclat
du soleil qui décline
Où que me porte mon voyage, la Grèce me blesse

Rideaux de montagnes archipels
granites dénudés
le bateau qui s'avance s'appelle
Agonie...

Georges Seferis (Prémio Nobel da Literatura de 1963),
tradução de Jacques Lacarrière e Egérie Mavraki

sábado, novembro 05, 2011

Uma frente da ofensiva

Hoje, foi a vez de se confrontar a ofensiva contra o poder local. O chamado "livro verde" da reforma da administração local. Como "eles" dizem "uma Reforma de Gestão, uma Reforma de Território e uma Reforma Política".
Foi a nossa vez, de eleitos CDU do norte do distrito de Santarém, de nos reunirmos, debatermos, de ligar a questão ao OE12, no Centro de Trabalho de Torres Novas.
O tal documento "verde" não se trata de proposta para melhorar a gestão de uma "conquista do 25 de Abril", não se trata de, finalmente, se vir cumprir a Constituição (que está em vigor!), com a regionalização descentralizadora e democrática, incluuindo, no ordenamento do território, as regiões. Trata-se de uma reforma política. À revelia da Constituição, contra o poder local.
Tudo embrulhado numa campanha tendenciosa, desinformativa, escondendo os verdadeiros objectivos, propagandeando preconceitos e insistindo, até à exaustão, em "ideias feitas", injectadas pelo aparelho de comunicação social.
Mais uma frente de luta. Dura, difícil. Que só tem sentido e resultados se em contacto, esclarecedor, informativo e formativo com as pessoas, com as populações. com as massas.

No final, houve o anunciado, na convocatória, convívio com castanhas e água-pé. Foi bom! 

Breves - 20 - com senso

Consenso está "na moda"
Quer dizer (dicionário "dixit") conformidade de sentimentos; consentimento; anuência.
Na actual "conjuntura" quer dizer exclusão de quem não anui, de quem não dá consentimento, de quem não se conforma, seja uma minoria nos parlamentos, sejam massas a manifestar-se na rua e em greves. 

Pelo que temos de ser tantos
e a dizê-lo tão alto
que não possa ser ignorado!

O G20 visto do Brasil - a partir de Vermelho

4 de Novembro de 2011

Cúpula do G20 termina e a crise continua,
mais grave

O G20 encerrou nesta sexta-feira (4) a cúpula realizada em Cannes, na França, impondo medidas que não solucionam a crise econômica que os países da Zona do Euro atravessam.
Os líderes das vinte maiores economias do planeta não chegaram a um acordo concreto para dar solução à crise. A razão é mais do que óbvia para os que não nutrem ilusões com os arranjos do imperialismo. Trata-se de uma crise sistêmica, estrutural, e não é uma reunião entre países espoliadores e os emergentes que vai solucioná-la. Sobra retórica vazia na declaração. Os países concordaram em "a adotar políticas para restaurar a confiança", sem estabelecer que políticas são essas. Afirmaram também que manterão as políticas restritivas antipopulares que adotaram.
Apesar de anunciaram a chegada a um consenso e a um compromisso, o G20 promete reforçar os meios financeiros do FMI, mas sem especificar a maneira como se concretizará tal contribuição. É uma tentativa de reforçar organismos supranacionais do capital financeiro internacional.
Segundo o comunicado final, Austrália, Canadá, França, Alemanha, Itália, Coreia, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos reafirmaram que estão comprometidos com a consolidação fiscal e com a redução do déficit de 2013 a níveis de 2010, assim como a estabilizar ou reduzir suas dívidas públicas até 2016.
Os EUA, por sua vez, pretendem implementar um pacote de medidas a curto e longo prazo para "estimular" a recuperação econômica. Mais uma vez, não foram revelados quais são as medidas do pacote que vão proceder a essa mágica.
Os povos que sofrerão de imediato os efeitos dessa cúpula foram o grego e o italiano. Portugal e Espanha, já antes da cúpula, tinham adotado medidas antinacionais e antipopulares no quadro da crise européia.
O presidente francês Nicolás Sarkozy festejou a imposição à Grécia de negar a realização de um referendo sobre o acordo feito no dia 27 de outubro com a zona do euro, para a concessão do resgate econômico a Atenas. A atitude revela mais uma vez o instinto antidemocrático do capitalismo, que arrepiou os cabelos na última segunda-feira (1º/11) ao ouvir a palavra "referendo" ser pronunciada em grego.
Sarkozy também festejou a imposição de "medidas para renovar a confiança", como pedir à Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que fiscalizem a implementação de suas reformas na Itália.
Segundo o G20, Brasil, Austrália, Canadá, China, Alemanha, Coreia do Sul e Indonésia, nações com finanças públicas sob controle, se comprometeram, a estimular "medidas fiscais" que impulsionem o crescimento e a demanda.

O G20 e o Brasil

Sem muito entusiasmo, a presidente Dilma Rousseff declarou após o encontro que a cúpula do G20 teve apenas um "sucesso relativo". O Brasil descartou a possibilidade de uma contribuição para o Fundo Europeu de Estabilização. A presidente Dilma Rousseff reiterou nesta sexta-feira, em entravista coletiva após a cúpula, que o Brasil está disposto a contribuir com recursos para o Fundo Monetário Internacional (FMI), na busca de evitar o agravamento da crise financeira internacional.
“Não tenho a menor intenção de fazer nenhuma contribuição direta para o Fundo de Estabilização Europeu. Faço a contribuição para o FMI porque dinheiro brasileiro de reserva é dinheiro que você protege, foi tirado com suor do nosso povo, então, não pode ser usado de qualquer jeito. Aportamos no FMI pelo fato de que o fundo nos dá garantias”, disse em entrevista coletiva após o encerramento da reunião da Cúpula do G20.
A presidente relatou ainda que as preocupações do encontro do G20 foram a estabilidade global e as consequências sociais da crise econômica. Segundo ela, as nações em desenvolvimento voltaram a pedir a mudança de governança do FMI.
Dilma reiterou também que o Brasil concorda com uma taxação global sobre operações financeiras cujos recursos seriam destinados a investimentos sociais. Segundo ela, esse é um ponto em que não há consenso entre os países que participaram das discussões no G20. “Tem países onde o serviço financeiro é a fonte principal de recursos. Eles são contra”, explicou.



com agências

Breves - 19

Há um fenómeno curioso (e com significado):

Todo o mundo fala de economia,
muitos, que afirmam nada saber de economia, falam (acertadamente) de economia,
alguns, encartados como economistas, peroraram sobre finanças como se esta é que fosse a economia.

Ninguém fala de economia se não falar de necessidades, de recursos, de trabalho!
O dinheiro é um meio/instrumento no meio do funcionamento (ou desfuncionamento) da economia.

Bem visto... embora desactualizado

... mas o que é actual, hoje? O que se passa agorinha mesmo!
in Vermelho
(04.11.11)

sexta-feira, novembro 04, 2011

ex-certos e in-certos a partir um certo comentário

Num comentário deixado num "post" anterior por Fonseca-Statter, que julgo ser o autor (Guilherme da Fonseca-Statter) de uns livros e textos muito interessantes e úteis sobre economia política e sua crítica, sem pruridos de estudar e dar a estudar Marx (que enorme ousadia...), lia-se: 
"a propósito dos «Merkozys» de serviço
e das suas boutades,
vem-me à memória a reflexão de Marx
sobre a mediocridade grotesca de Louis Bonaparte".
Para além do gosto provocado pela visita e pelo comentário, este continha um desafio. Não uma provocação... um desafio que tomei para mim, e cujo foi o de ligar a referência a Luis Bonaparte (e à sua mediocridade grotesca) a este tema mais que actual do tempo de trabalho, do horário de trabalho, do "dia de trabalho", em que o (diria) grotesco ministro da economia do governo português (e o das finanças...) nos quer atolar como uma inevitabilidade e a forma de recuperar uma falácia chamada produtividade. A que seria impossível não reagir, e violentamente, pois toca num aspecto essencial, profundamente ideológico.
No oitavo capítulo - O dia de trabalho - do tomo I do Livro Primeiro de O Capital pode ler-se:
"(...) Há que confessar  que o nosso operário sai do processo de produção de modo diverso do que nele entrou. No mercado, entrou como possuidor da mercadoria «força de trabalho» perante outros possuidores de mercadorias, possuidor de mercadorias perante possuidor de mercadorias. O contrato pelo qual vendeu a sua força de trabalho ao capitalista demonstrava, por assim dizer, preto no branco, que ele dispõe livremente de si próprio. Depois do negócio fechado. descobre-se que ele não era «nenhum agente livre», que o tempo pelo qual é livre de vender a sua força de trabalho é o tempo pelo qual é forçado a vendê-la, que de facto o seu sugador não o larga «enquanto ainda houver um músculo, um tendão, um pingo de sangue para ser explorado». Para «protecção» contra a serpente dos seus tormentos, os operários têm de juntar as suas cabeças e, como classe, impor uma lei de Estado, um impedimento social superpoderoso que os impeça a eles próprios de, por contrato de livre vontade com o capital, se venderem a si próprios e à sua descendência até à escravatura e à morte. Para o lugar do pomposo catálogo dos «inalienáveis direitos humanos» entrou a modesta Magna Charta de um dia de trabalho legalmente limitado, que finalmente «esclarece quando acaba o tempo que o operário vende e quando começa a seu próprio». Quanto mutatus ab illo

Apetece dizer que... "está aqui tudo!", que... "está tudo dito".
Mas nunca está! E, no meio do encantamento ao transcrever este trecho, ainda tive de me forçar a não transcrever as elucidativas notas, para não ultrapassar dimensão razoável para este meio de comunicação. Embora deva incluir uma esclarecendo que a expressão em latim quer dizer "quão mudado está do que era", e é expressão da Eneida de Virgílio. E que não se pode consentir que volte a mudar no sentido contrário, para o tempo sem tempo livre. Se mudança há a fazer, ela é a de que o esclarecimento de quando acaba o tempo em que se vende força de trabalho e quando começa o tempo próprio, livre, se refira aos operários e a todos os trabalhadores!

Uma Magna Charta

Quem deve o quê a quem

Numa paragem por aqui, ganhei a manhã a informar-me, a ler coisas. Também mails amigos (os de promoção, de aliciamento para me endividar, de ofertas mirabolantes... apago-os de imediato). Um mail amigo (obrigado, Vítor) manda-me uma troca de cartas publicadas na revista Stern. Mandou-mas em espanhol, e resolvi traduzi-las (por minha conta e risco) e reproduzi-las:

Há algum tempo, foi publicada , na revista, uma “carta aberta” de um cidadão alemão, WalterWuelleenweber, dirigida a “caros gregos”, com um título e sub-título:

Depois da Alemanha ter tido de salvar os bancos,
agora tem de salvar também a Grécia
Os gregos, que primeiros fizeram alquimias com o euro,
agora, em vez de fazerem economias, fazem greves

Caros gregos,
Desde 1981 pertencemos à mesma família.
Nós, os alemães, contribuímos como ninguém mais para um Fundo comum, com mais de 200 mil milhões de euros, enquanto a Grécia recebeu cerca de 100 mil milhões dessa verba, ou seja a maior parcela per capita de qualquer outro povo da U.E.
Nunca nenhum povo até agora ajudou tanto outro povo e durante tanto tempo.
Vocês são, sinceramente, os amigos mais caros que nós temos.
O caso é que não só se enganam a vocês mesmos, como nos enganam a nós.
No essencial, vocês nunca mostraram ser merecedores do nosso Euro. Desde a sua incorporação como moeda da Grécia, nunca conseguiram, até agora, cumprir os critérios de estabilidade. Dentro da U.E., são o povo que mais gasta em bens de consumo
Vocês descobriram a democracia, por isso devem saber que se governa através da vontade do povo, que é, no fundo, quem tem a responsabilidade. Não digam, por isso, que só os políticos têm a responsabilidade do desastre. Ninguém vos obrigou a durante anos fugir aos impostos, a opor-se a qualquer política coerente para reduzir os gastos públicos e ninguém vos obrigou a eleger os governantes que têm tido e têm.
Os gregos são quem nos mostrou o caminho da Democracia, da Filosofia e dos primeiros conhecimentos da Economia Nacional.
Mas, agora, mostram-nos um caminho errado. E chegaram onde chegaram, não vão mais adiante!!!

Na semana seguinte, Stern publicou uma carta aberta de um grego, dirigida a Wuelleenweber:

Caro Walter,
Chamo-me Georgios Psomás. Sou funcionário público e não “empregado público” como, depreciativamente, como insulto, se referem a nós os meus compatriotas e os teus compatriotas.
O meu salário é de 1.000 euros. Por mês, hem!... não vás pensar que por dia, como te querem fazer crer no teu País. Repara que ganho um número que nem sequer é inferior em 1.000 euros ao teu, que é de vários milhares.
Desde 1981, tens razão, estamos na mesma família. Só que nós vos concedemos, em exclusividade, um montão de privilégios, como serem os principais fornecedores do povo grego de tecnologia, armas, infraestruturas (duas autoestradas e dois aeroportos internacionais), telecomunicações, produtos de consumo, automóveis, etc.. Se me esqueço de alguma coisa, desculpa. Chamo-te a atenção para o facto de sermos, dentro da U.E., os maiores importadores de produtos de consumo que são fabricados nas fábricas alemãs.
A verdade é que não responsabilizamos apenas os nossos políticos pelo desastre da Grécia. Para ele contribuíram muito algumas grandes empresas alemãs, as que pagaram enormes “comissões” aos nossos políticos para terem contratos, para nos venderem de tudo, e uns quantos submarinos fora de uso, que postos no mar, continuam tombados de costas para o ar.
Sei que ainda não dás crédito ao que te escrevo. Tem paciência, espera, lê toda a carta, e se não conseguir convencer-te, autorizo-te a que me expulses da Eurozona, esse lugar de VERDADE, de PROSPERIDADE, da JUSTIÇA e do CORRECTO.
Estimado Walter,
Passou mais de meio século desde que a 2ª Guerra Mundial terminou. QUER DIZER MAIS DE 50 ANOS desde a época em que a Alemanha deveria ter saldado as suas obrigações para com a Grécia.
Estas dívidas, QUE SÓ A ALEMANHA até agora resiste a saldar com a Grécia (Bulgária e Roménia cumpriram, ao pagar as indemnizações estipuladas), e que consistem em:
1. Uma dívida de 80 milhões de marcos alemães por indemnizações, que ficou por pagar da 1ª Guerra Mundial;
2. Dívidas por diferenças de clearing, no período entre-guerras, que ascendem hoje a 593.873.000 dólares EUA.
3. Os empréstimos em obrigações que contraíu o III Reich em nome da Grécia, na ocupação alemã, que ascendem a 3,5 mil milhões de dólares durante todo o período de ocupação.
4. As reparações que deve a Alemanha à Grécia, pelas confiscações, perseguições, execuções e destruições de povoados inteiros, estradas, pontes, linhas férreas, portos, produto do III Reich, e que, segundo o determinado pelos tribunais aliados, ascende a 7,1 mil milhões de dólares, dos quais a Grécia não viu sequer uma nota.
5. As imensuráveis reparações da Alemanha pela morte de 1.125.960 gregos (38,960 executados, 12 mil mortos como dano colateral, 70 mil mortos em combate, 105 mil mortos em campos de concentração na Alemanha, 600 mil mortos de fome, etc., et.).
6. A tremenda e imensurável ofensa moral provocada ao povo grego e aos ideais humanísticos da cultura grega.

Amigo Walter, sei que não te deve agradar nada o que escrevo. Lamento-o.
Mas mais me magoa o que a Alemanha quer fazer comigo e com os meus compatriotas.
Amigo Walter: na Grécia laboram 130 empresas alemãs, entre as quais se incluem todos os colossos da indústria do teu País, as que têm lucros anuais de 6,5 mil milhões de euros. Muito em breve, se as coisas continuarem assim, não poderei comprar mais produtos alemães porque cada vez tenho menos dinheiro. Eu e os meus compatriotas crescemos sempre com privações, vamos aguentar, não tenhas problema. Podemos viver sem BMW, sem Mercedes, sem Opel, sem Skoda. Deixaremos de comprar produtos do Lidl, do Praktiker, da IKEA.
Mas vocês, Walter, como se vão arranjar com os desempregados que esta situação criará, que por ai os vai obrigar a baixar o seu nível de vida, Perder os seus carros de luxo, as suas férias no estrangeiro, as suas excursões sexuais à Tailândia?
Vocês (alemães, suecos, holandeses, e restantes “compatriotas” da Eurozona) pretendem que saíamos da Europa, da Eurozona e não sei mais de onde.
Creio firmemente que devemos fazê-lo, para nos salvarmos de uma União que é um bando de especuladores financeiros, uma equipa em que jogamos se consumirmos os produtos que vocês oferecem: empréstimos, bens industriais, bens de consumo, obras faraónicas, etc.
E, finalmente, Walter, devemos “acertar” um outro ponto importante, já que vocês também disso são devedores da Grécia:
EXIGIMOS QUE NOS DEVOLVAM A CIVILIZAÇÃO QUE NOS ROUBARAM!!!
Queremos de volta à Grécia as imortais obras dos nosos antepassados, que estão guardadas nos museus de Berlim, de Munique, de Paris, de Roma e de Londres.
E EXIJO QUE SEJA AGORA!! Já que posso morrer de fome, quero morrer ao lado das obras dos meus antepassados.

Cordialmente,

Georgios Psomás

Apetece dizer:
toma e vai-te curar! 

A pobreza e a extrema pobreza nos Estados Unidos

Perto de 7% da população dos Estados Unidos, acima de 20 milhões em pouco mais de 300 milhões, vive hoje em “extrema pobreza”, segundo estatísticas do Censo.

Esta conclusão de especialistas baseia-se no critério (estatístico) de estar em “extrema pobreza” quem estiver abaixo de metade do índice oficial de indigência. Os dados mostram que quase metade dos 46,2 milhões que vivem abaixo da linha da pobreza, estão em “extrema pobreza”.

Este é o tema central dos protestos do movimento dos chamados indignados de Ocuppy Wall Street, e as novas estatísticas mostram a dispersão, os extremos entre os ricos e os pobres da nação, enquanto o desemprego se mantém acima de 9%.

A pobreza extrema ocorre mais entre “hispânicos” e “negros”, as duas principais minorias do país. E tambémentre idosos e pobres em idade de trabalhar que caíram na miséria. Resultados do censo de 2009 indicam que, nos EUA, mais de 27% dos "hispânicos" vivem na pobreza, assim como cerca de 23,5 % dos "negros".

As autoridades alertam para o facto dos bairros com taxas de pobreza de pelo menos 40% aumentarem em áreas mais amplas, crescendo duas vezes mais nos subúrbios que nas cidades. Segundo o Censo, zonas metropolitanas do sul do país enfrentam agora alguns dos maiores aumentos de concentração de penúria. O problema afecta 42 estados, e o distrito de Columbia, onde aumentam os mais indigentes entre os pobres desde 2007.

Por outro lado, algumas análises indicam que, nos Estados Unidos, pobreza e fome andam de mãos dadas. Mais de 20% das crianças são necessitadas, com destaque para os “hispânicos”, que ultrapassem 33% (quase um em cada três), indicou recentemente um relatório do Instituto PAN para o Mundo, um movimento religioso contra a fome.

Segundo esse estudo, o problema da insegurança alimentar afectou, em 2009, 15% dos lares estadunidenses, tendo sido os “hispânicos” os que mais enfrentam esta situação, com 27%.

Recolher obrigatório!

Como meio de comunicação que cremos (e queremos!) ser, aqui se transcreve

Almada, 03 nov (Lusa) -- A Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul (CUTMS) considera que a proposta do grupo de trabalho nomeado pelo Governo é "um decretar de recolher obrigatório" para quem vive na Margem Sul e não tem transporte individual.
O documento "Simplificação tarifária e reformulação da rede de transportes da Área Metropolitana de Lisboa (AML)", elaborado por um grupo nomeado pelo Governo para estudar a reestruturação dos transportes, e a que a Lusa teve acesso, sugere, entre outras medidas, a supressão das ligações entre Lisboa e a Trafaria/Porto Brandão e aponta também, no primeiro dos dois cenários expostos, a supressão da ligação fluvial entre Lisboa e o Seixal.
Nesse primeiro cenário, o grupo sugere ainda, no caso das ligações entre Lisboa e Cacilhas, em Almada, e entre Lisboa e o Barreiro, uma antecipação da hora de encerramento do serviço diário e a redução da frequência das carreiras ao fim de semana. A ligação ao Montijo seria mantida apenas nos dias úteis e em períodos de ponta.


"Eles" estão em guerra connosco.
Nós estamos em luta!

quinta-feira, novembro 03, 2011

Reflexões lentas - a escravatura, o tempo e o horário de trabalho

No esclavagismo, uns seres humanos dispõem, a seu (bom ou mau) grado, do tempo de vida de outros seres humanos, seus escravos, para que estes façam o que, e como, e quando, aos primeiros lhes aprouver.
Em capitalismo, uns seres humanos apropriam-se do produto criado pela força de trabalho de outros seres humanos, também livres, durante um período de tempo (horário de trabalho) determinado pela relação de forças entre as duas partes, e mediante uma retribuição que permita aos segundos satisfazer as suas necessidades pessoais e familiares.
Em Portugal, um ministro imaginoso, manipulando números e ignorando a História e o progresso social, pretende aumentar o que chama produtividade fazendo regressar seres humanos livres à condição de escravos.
O que seria a contento (e contentamento) daqueles que tal ministro serve como governante. Como já foi manifestado na inconsciência (voluntária ou não) do regresso social que tal representaria, e desconhecendo (ou fazendo-de-conta que desconhecem) que esse regresso vai depender da aceitação, por parte de seres humanos livres, de passarem à situação de escravos por deixarem de ter tempo livre. Seu tempo de vida sua.

O tal "referendo"

Afinal... parece que Papandreou dá o dito por não dito!

A propósito de tal "tema", o texto "actual" de Ângelo Alves no avante! de hoje, "Referendo" na Grécia - chantagem e coacção, é esclarecedor.


Reproduz-se o parágrafo final:

«(...) Cá pelo burgo, comentadores de política internacional «encartados» pelo sistema deram o mote e as suas palavras traduzem-se na frase: ou o povo grego se submete ou apanha. Só que o tiro pode-lhes sair, a todos, pela culatra. O povo grego pode nem querer apanhar, nem se submeter. A situação é tal, que face a mais do que uma previsível e esmagadora campanha internacional de chantagem ao povo grego, este pode de facto perceber que há um momento em que os de baixo já não querem e os de cima já não podem e que não será um referendo que resolverá a situação.»

Não nos deixamos varrer para debaixo do tapete...

Cada vez é mais evidente a clivagem entre a realidade e a imagem que o poder (na promiscuidade do financeiro, do comunicacional e da política) pretende dar dessa realidade, ela mesma complexa, embrulhada e confusa.
Há um mundo ficcional que se procura impor como subsituto da realidade.
A democracia de faz-de-conta, reduzida à componente representativa, que limita, controla, manobra, impede a democracia participativa, toma por vezes aspectos evidentes, gritantes, apesar das carradas de areia atirada aos olhos. As ondas levantadas pelo anúncio de um referendo na Grécia, a escondida eventualidade de um referendo no Reino Unido sobre a permanência na U.E. ilustram essa clivagem. Com expressões públicas, publicadas, desde a surpresa ao pânico.
Quando em Portugal há um mal estar larvar, mesclado de resignação e desespero, protesto e indignação, quando se sai de uma semana de mobilização e luta, quando se prepara uma greve geral, quando se afirma - e se esconde - uma presença relevante e contundente, a nível parlamentar, de uma esquerda consequente, ainda que minoritária, é significativo que um senhor chamado Sarkosy se permita dizer que "o programa português funcionou porque o governo liderado então pelo senhor Sócrates e a oposição se puseram de acordo", usando esse exemplo, mas também o da Irlanda e da Espanha, para concluir que o consenso multipartidário é decisivo. Que entende ele por consenso? A exclusão, metendo debaixo do tapete, tudo o que e quem não está de acordo?
É absolutamente inaceitável que um presidente francês, desqualificado e em vésperas de perder a escassa representatividade que tem, decrete, para Estados soberanos, como funciona a democracia, apresentando Portugal como o exemplo... por estarem todos de acordo!
Pois não é verdade, e fique-se certo que, por enorme que seja o tapete (ou o manto da fantasia) não cabemos debaixo dele. Até porque lixo são eles, e são eles que o fazem. Tóxico.

quarta-feira, novembro 02, 2011

Que crise é esta?

Cumprida a tarefa!
Gostei mesmo de voltar àquela "casa" do Clube Estefânia.
A sessão correu bem, num excelente (e responsável) ambiente, em que muito falei (demais?) e muito aprendi. A "questão grega" foi abordada de maneira que me fez trazer "trabalho para casa". Falou-se de democracia, da necessidade de reforçar a intervenção, a participação (consciente, informada) das massas... mas com muita atenção(zinha) às eventuais manobras.
E, depois de um jantar de convívio muito agradável, voltei a casa, com a satisfação de ter encontrado velhas amizades e jovens colegas e novos amigos (e amigos novos), que estão a fazer daquele espaço um lugar onde apetece voltar.

Obrigado(s) e até breve.

Agenda - Que crise é esta?

Mais logo, para o fim da tarde, por iniciativa amiga e camarada, serei confrontado com esta questão «Que crise é esta?». Não se trata de ir responder a uma pergunta, de levar a minha muita experiência e o meu escasso saber a um debate que teria a responsabilidade de animar com respostas ou, como é dito na "promoção", de apresentar a minha versão. Não! Será - vou procurar que seja... - o confronto, em aberta conversa de que serei o primeiro a falar (e tentarei encurtar o mais possível a fala), com a (chamada) crise que estamos a viver.
É verdade que, nestes dias, o que se procuram são respostas. E, nalguns casos, já em situação de desespero pesssoal e familiar. Mas não há respostas sem a compreensão de como se chegou a "isto".
No plano internacional, no planeta - que, por vezes confundimos com a Europa, e, pior ainda, com a "Europa" enquanto União Europeia, e, pior ainda, com a "zona euro" e, pior ainda, com o conluio Alemanha-França -, assaltam-nos notícias com o dramatismo de
Crise
Referendo grego provoca
onda de pânico em Bruxelas
Luís Rego em Bruxelas com Lusa
02/11/11 00:05
Merkel e Sarkozy
convocam reunião de emergência,
hoje em Cannes,
com representantes da UE, FMI e Grécia,

enquanto se não entende o significado (político e não só) de mudanças em chefias militares, numa situação e perspectivas que se estimavam irradicadas com "o fim da história" num sistema e pensamento únicos em estabilidade financeira... que afinal está a ser o contrário.
Não nos podemos deixar enredar neste dramatismo, que é areia a juntar às ondas de pó do absorvente quotidiano. Há que insistir no porquê?, por onde viemos?, para onde nos querem levar?, que fazer?, com quem?, como?. Não na busca de resposta rápidas, imediatas, simples(istas), mas na busca de compreensão para intervir. 
Cada um, por si e para si, não vale nada, como parte de um todo é insubstituível!
E, já que acordei grandiloquente, a minha "versão da crise", a tal primeira fala, apenas quererá sublinhar que a Vida é a luta de contrários, que a História é a luta de classes (enquanto for), que os nossos quotidianos são a luta pela sobrevivência e a qualidade de Vida (a que temos direito, pelo que os antes de nós conseguiram), são a ínfima mas insubstituível (e responsável) parcela de intervenção de cada um na Vida e na História.

Até logo, que temos quilómetros para fazer e, talvez..., um filme para ver antes de.   

Ex-certos

ex-certo de:

Nota do Secretariado do Comité Central do PCP

Sobre as conclusões
das recentes cimeiras da União Europeia
Sexta 28 de Outubro de 2011

(...)
Neste quadro, o convite endereçado à banca privada para que se proceda a uma “redução” da dívida grega em cerca 50% do seu valor nominal não significa qualquer reestruturação real da dívida helénica em função dos interesses do povo grego, antes demonstra o completo falhanço dos chamados “programas de ajuste” e das “políticas de austeridade” que até hoje foram conduzidas naquele país. Uma decisão que tem como contrapartida a exigência de inaceitáveis e insustentáveis sacrifícios àquele povo ao longo de muitos anos, a expropriação quase total dos seus mecanismos de decisão soberana, e o assalto pelo capital estrangeiro aos seus principais sectores estratégicos.
(...)

terça-feira, novembro 01, 2011

Breves - 18A

sobre o referendo na Grécia, também há uma reacção portuguesa:

  • o ministro dos negócios estrangeiros, Paulo Portas, "vê com apreensão"!
e nós na expectativa...
e na luta por outro rumo!

Assembleia da PAZ

_____________________________________________
Mesa da Assembleia Geral

XXII ASSEMBLEIA DA PAZ

CONVOCATÓRIA

Nos termos e para os efeitos do disposto no Artigo 17º dos estatutos, convoco a XXII ASSEMBLEIA DA PAZ do CONSELHO PORTUGUÊS PARA A PAZ E COOPERAÇÃO, para o dia 19 de Novembro de 2011, com início dos trabalhos às 14h30, e que tem lugar na Sala de Inverno do Teatro Municipal de São Luiz, à Rua António Maria Cardoso, 38 em Lisboa, com a seguinte:

ORDEM DE TRABALHOS

1. Apreciação e votação do Relatório de Actividades 2009/2011;
1.1 Apreciação e votação do Relatório e das Contas 2009/2011;
2. Eleição dos Corpos Sociais para 2011/2013;
3. Apreciação e votação da Resolução,
do Plano de Acção e do Orçamento para 2011/2013.

Lisboa, 31de Outubro de 2011
Pelo Presidente da Mesa da Assembleia Geral
O Vice-presidente
João Falcão de Campos

Breves - 18

E o referendo grego?

A Alemanha surpreende-se
Bruxelas desconhece
Roma preocupa-se
Paris telefona a Berlim
Londres hesita
Nova Iorque não sabe o que há-de dizer
As agências de "rating" dizem que é uma ameaça
As bolsas caem (como é costume)
... e por aí fora (ou por aqui dentro!)

Dia do bolinho

Na pausa do almoço do dia do bolinho. Tradição que, aqui na aldeia, se mantém. Viva. Ainda bem!
Com as reservas (e muitas eram) quase esgotadas. E nada de €uros! A não ser de chocolate. Motivando alguma mal escondida desilusão em alguns.
Uma foto de 2005 (com a Dina, que, 6 anos passados, acompanhou o irmão, o Zézito).

 
Um comentário de há quatro anos:

Pedro Gonçalves disse...

As bruxas ficam nos livros e de lá não as tiro.
Às abóboras junto broa e carne grelhada.
O resto... enfio no bolso,
e saio a assobiar,
com o saco ao ombro e o passo apressado.
O bolinho não espera.

E a foto deste ano:


O tempo de trabalho, o voto "europeu" de Paulo Portas, a "zona de conforto" dos jovens desempregados, em "dia do bolinho"

Estamos a atravessar um período (histórico) de desnorte.
Não faço ideia, ninguém fará, quanto tempo demorará, mas por vezes é difícil atravessar o tempo que vivemos sem que uma grande angústia nos tome, sem que a indignação e a raiva cresçam em desmedida, sem que os dias sejam de ira. E só a luta, a luta contínua e continuada nos dá força para ultrapassar a angústia, a indignação, a raiva, os dias de ira.
Dies irae é uma expressão consagrada na música e na poesia, por tantos - Mozart e outros que tais, Miguel Torga e outros mais -, muitas vezes retirada do seu contexto literal e trazida para o significado religioso do dia do juizo final.
No fascismo, muitos dias sentimos como "dias de ira", e Miguel Torga os traduziu no seu Dies Irae, cujo começo tinha (e tenho) de cor, como um grito surdo, um berro mordido, sem angústias paradas porque sempre procurando a luta, onde e com quem, com as minhas forças e fraquezas, com "as incertezas dos homens com certezas".

  Dies Irae

Apetece cantar, mas ninguém canta.
Apetece chorar, mas ninguém chora.
Um fantasma levanta
A mão do medo sobre a nossa hora.

Apetece gritar, mas ninguém grita.
Apetece fugir, mas ninguém foge.
Um fantasma limita
Todo o futuro a este dia de hoje.

Apetece morrer, mas ninguém morre.
Apetece matar, mas ninguém mata.
Um fantasma percorre
Os motins onde a alma se arrebata.

Oh! Maldição do tempo em que vivemos,
Sepultura de grades cinzeladas,
Que deixam ver a vida que não temos
E as angústias paradas!

Miguel Torga, Cântico do Homem
Dies Irae - Dias da Ira,
título de um hino do século XIII
escrito por Tomás de Celano.

São outros (e os mesmos...) os fantasmas.
Mostram-se num governante (?!) a falar do desemprego como "área de conforto" e a aconselhar a emigração  como que numa reprimenda a quem se acolhe nessa...´"área de conforto"; num ministro dos negócios estrangeiros a dizer que "Portugal votou europeu" ao votar a abstenção na entrada da Palestina na Unesco, quando os países da Europa (sem aspas) votaram também sim e não, como os interesses nacionais que defendem lhes recomendou; quando se discutem horários de trabalho de maneira que nos remete para tempos de servidão e escravatura pré-capitalistas.

Dies irae

Só a luta!
E a alegria do dia do bolinho!

A ira cresce
mas a esperança multiplica-se.
Até já!