domingo, dezembro 05, 2010

"Há sete anos que eu...

Sete é um número carismático.







  1. Sete dias tem a semana e a Bíblia fala muito do número.

  2. Sete são as cores do arco-iris, ou da velha.
  3. Houve uma guerra dos sete anos
  4. Foi sete anos anos que de pastor Jacob serviu Labão, mas não foi a ele que serviu, foi a Raquel, filha de Labão, que só a ela por paga pretendia.

  5. Eram sete os anões.

  6. Há as sete maravilhas. Do mundo, de Portugal, de outros lados.

  7. São sete os pecados mortais. E um deles o do orgulho.
(... e mais que sete coisas houve com sete além destas sete...)

Agora, até o candidato a continuar a ser Presidente da República Portuguesa veio afirmar que disse, mais: disse que escreveu há sete anos o que está a acontecer à economia portuguesa hoje!
O homem não se enxerga. Excede-se no auto-elogio desbragado e (mais!) infundamentado, ou até com fundamentos ao contrário, em pino. Não haverá o pecado (mortal ou não, seria o oitavo) do ridículo?
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(ah!... e não previu que viajar pela Ibéria lhe iria causar problemas de regresso, infelizmente -dizem alguns por graça e não por desgraça - resolvidos)

sábado, dezembro 04, 2010

Ainda três mapas e umas legendas

Na exposição sobre Francisco Vieira de Figueiredo, no Museu Municipal de Ourém, tentei fazer um enquadramento temporal sobre o personagem, localizadamente mas, sobretudo, no processo histórico. Para o ilustrar, mostrei uns mapas.
Este, muito antigo, para mostrar como todos os caminhos marítimos iam dar/partiam de Portugal.
Depois este, tirado do livro de Haudrére O Grande Comércio Marítimo do Século XVIII, mostra como, numa primeira fase, a descoberta dos caminhos marítimos "ofereceu" o Atlântico aos portugueses:

Mas os portugueses não souberam guardar a "oferta", nem outras "posições conquistadas" noutras paragens e mares, que homens como Francisco Vieira defenderam valorosamente contra holandeses, ingleses e até espanhóis, além dos compromissos com os locais, mas sem êxito pelo que os mapas mais recentes mostram que todos os caminhos passam ao largo de Portugal:



Mas pode não ser assim. Com o mar que é nosso e com Portugal a Produzir pode ser de outra maneira, mais parecida (mas bem melhor) do que foi. É possível!



Solidariedade urgente

De mais de uma origem recebi a seguinte mensagem, que me apresso a divulgar:

SÊ SOLIDÁRIO!
Devido à greve dos controladores de tráfego aéreo em Espanha, Cavaco e Sócrates não conseguem regressar a Portugal estando retidos do outro lado do Atlântico. Sê solidário! Contribui para criar um grande fundo de greve de apoio à justa causa de "nuestros hermanos"!

À descoberta de Chipre - uma "anomalia" - 1

Na feliz expressão do título da Crónica Internacional de Albano Nunes, no avante! de 5ª feira (ler aqui), há uma «anomalia» cipriota.
E não se trata de 37% do território deste Estado-membro da União Europeia estar ocupado pela Turquia desde 1974, sendo ambos membros da NATO, mas sobretudo por o seu partido comunista (o AKEL) ter vencido as eleições legislativas de 2008, e o seu secretário-geral de então - Demetris Christofias - ter ganho as eleições para a Presidência da República e a chefia do governo, de acordo com a sua organização de Estado.

Vale a pena conhecer melhor este País e, para além da leitura recomendada, mais direi sobre ele com base nas estatísticas e informações a que se tem acesso via UE e PNUD.

Do Zambujal para... o centro do mundo no século XVII

A sessão ontem correu bem. Na minha avaliação.
Sala composta, uma participação muito bem informada do Doutor Rodrigues Baptista, julgo ter conseguido transmitir alguma coisa do muito (e interessante, e interessado) tempo que dediquei à preparação, ainda alguma conversa animada sobre o tema proposto.
O tema proposto era a vida do zambujalense Francisco Vieira de Figueiredo que, aos 12 anos (por 1622), abalou para os Orientes, onde foi comerciante de sucesso e 30 anos capitão-geral, nesse período em que, até 1640, fomos apenas ibéricos e não portugueses. Um homem que teve papel muito importante naquela luta pelo domínio dos mares e do comércio de produtos de luxo, na ascensão do capitalismo e que morreu (envenenado por dominicanos em conluio com interesses holandeses...) aos 57 anos, ao que parece com uma fortuna tal que estaria, hoje, nessas revistas por onde andam Amorins e Belmiros.
Não vou reproduzir o que quis que fosse a minha participação, mas incluo um trecho que antecede o final que já aqui trouxe a outro "post":
(…)
«Fernão Mendes Pinto e Francisco Vieira de Figueiredo, se outros dados históricos de contacto não tivessem, viveram parte das suas vidas em período de ocupação dos Filipes, de Espanha.
Nestes dias lembramos 1640, como muito me lembrei de um certo Conde de Ourém (o 2º, também Conde de Andeiro), ligado a 1383 e sacrificado à afirmação da nossa nacionalidade, e em que, ao fazê-lo, o povo adiou o que teve de ser feito com Miguel de Vasconcelos, do armário para a janela e da janela para a rua.
Mas se assim os (e nos) localizamos – ibéricos mas portugueses, europeus mas portugueses – somos um povo que se formou, que tomou forma correndo mundo e mundos.
Francisco Vieira de Figueiredo nasceu no nosso Zambujal – aldeia de emigração num concelho de emigrantes, num país de descoberta de caminhos para os outros percorrerem e explorarem.
Depois, vêm pedir-nos contas porque nos teríamos distraido, porque não fizemos bem as nossas contas, os "trabalhos de casa" de que nos incumbiram na sua divisão internacional do trabalho, enquanto os “de fora” e uns poucos “cá de dentro” bem aproveitaram as nossas “distracções” e até querem fazer crer que foram eles que descobriram caminhos marítimos e inventaram a pólvora.
Nenhum desespero! Cá nos desenrascaremos, que é o nosso verbo nacional...
Como lá fora o fazemos (e sempre fizemos... que o diga o “nosso” Francisco Vieira)
E com tanta reconhecida…
produtividade.
Mas quando é que aprenderemos as lições da História?
Estudemos os nossos Vascos da Gama, Fernãos Mendes Pinto, Franciscos Vieira de Figueiredo… mas não como indivíduos, como sinais e ilustrações de um todo amassado, histórico, povo.
(…)»

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Vou "deixar a História", não sou nem serei investigador de História, vou regressar à minha normalidade (o que é isso?!).

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Francisco Vieira de Figueiredo no Museu Municipal de Ourém

Nestes últimos dias tenho andado um tanto afastado deste anónimo do séc. xxi. A tarefa de estudar e escrever sobre uma figura nascida aqui na minha aldeia, que emigrou por volta de 1622, com apenas 12 anos (nenhum número é certo!), para a Índia, e que por lá ficou, tendo enorme importância no que por aconteceu pelo Oriente até à sua morte em 1667 (e mesmo depois de assassinado, ao que parece por "envenenamento holandês") - mas disso, falará o Doutor A. R. Baptista -, obrigou-me a, na blogosfera, apenas assegurar os "serviços mínimos"(*).
Arrumados os diapositivos e os papéis (quantas pessoas irão lá estar?, por poucas que sejam este trabalho já me agradou fazer…), resolvi transcrever o que talvez venha a ser o fecho da minha intervenção (faz parte dos "serviços mínimos"...).
Coloquemo-nos no tempo – falámos, aqui, de há 400 anos (Francisco Vieira de Figueiredo), de há 500 anos (Fernão Mendes Pinto), e fui escrevendo o que leio quando estava a passear por há mais de 625 anos, com as desventuras do 2º Conde de Ourém (um tal de Andeiro), depois por um 1º de Dezembro de há 370 anos, como se tivessem sido pequenos saltos e um grande pulo para hoje.
Como é possível angustiarmo-nos nestes nossos escassos anos, ou mesmo décadas, como se eles fossem o princípio e o fim de tudo! E há, entre nós, quem pergunte se estamos falidos. Portugal não vai à falência! Os portugueses de per si, cada um para si, vão-se desenrascando (sempre se desenrascaram) por Franças, Araganças, Américas do norte e Brasis do sul, por Áfricas, Orientes próximos, médios e longínquos.
Enquanto corpo uno, pátrio e mátrio, de vez em quando este todo que somos encontra-se e faz grandes feitos, que são colectivos embora com protagonistas como Francisco Vieira de Figueiredo, temos datas e anos - 1383, 1640, 1910, 1974 - que no-lo lembram, apesar da nossa propensão para o esquecimento.
A memória e a vida de homens como este nascido no Zambujal (e tantos outros, como os que, hoje, aqui não vêem saídas e as procuram algures) ajudam-nos a refrescar a memória colectiva. E a lutar por um futuro melhor que os dias que se vivem.


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(*) - Logo um "specimen" daquela espécie de certas aves rapinantes e anónimas veio dizer que este blog estava para “fechar portas por falta de clientela”. Não deve ter acesso às estatísticas esse passador de certidões de óbito e de declarações de falência. Para tranquilizar quem possa estar inquieto por causa da viabilidade deste espaço não-comercial..., declaro que, tendo começado a ter estatísticas de visitantes e de páginas visitadas a partir de Agosto de 2009 (embora o blog exista desde Agosto de 2005), estas estatísticas revelam que de Agosto de 2009 para Agosto de 2010, as visitas aumentaram 25,0% e as páginas visitadas 23,9, entre Setembros +1,1% e -1,4% (reflexo da viagem à Alexandria), entre Outubros +13,4% e +24,1% e entre Novembros +24,6% e +24,2%. O balanço revela confortável "situação líquida" e a responsabilidade que se sente é grande face à "clientela". Dispensam-se anónimos daqueles, mas não se lhes fecha a porta. Nem a eles...

Reflexões lentas... na/de passagem - 82 (mais coisa, menos coisa)

Um comunista, e o seu Partido, podem dizer, como mais ninguém ou alguma entidade o podem fazer, que em tempos disse - e em vários tempos o fez - o que a realidade não se cansa de comprovar. Nem todos o terão feito ou fazem da mesma maneira, há diferenças entre nós, mas foi por nós previsto e prevenido o que está a acontecer. Há tanto documento...

Assim aconteceu, e acontece, por sermos mais espertos que outros, por estarmos melhor preparados científica e tecnicamente do que aqueles que, agora - como então, como sempre... - fazem figura de grandes sabichões e sobre tudo têm - e tinham - voz na matéria e banca instalada na comunicação social?

Não! Apenas porque temos uma base teórica - está nos estatutos... -, isto é, estamos "armados" de uma interpretação da História e assentamos as nossas análises em conceitos que na realidade se escoram, e conhecemos as fundações e as dinâmicas do funcionamento do capitalismo.

Nada nos surpreende. Embora, às vezes, o tamanho das ignorâncias, a dimensão dos dislates, o despudor das desvergonhas, nos consigam surpreender. É a dialéctica... e, como poetava o Saramago, um dia chegará o dia das surpresas. Deles!

Notícias 2 - A propósito de produtividade e salários

Transcrito de "Sol":
«Em 2002, o gestor recebia 20 mil euros. Em 2007 passou para um milhão e em 2009 para um milhão e meio de euros, o correspondente a um aumento de 1329% no ordenado.
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Já se sabia que Rui Pedro Soares subiu depressa na hierarquia do grupo PT, ao passar em apenas quatro anos de director da TV Cabo de Lisboa a administrador executivo da holding do grupo. A essa ascenção meteórica correspondeu um aumento extraordinário de salário.
Segundo os rendimentos declarados oficialmente, o gestor ganhou em 2002 cerca de 20 mil euros. Um ano depois, quando a sua empresa já se chamava ZON TV Cabo, passou a ganhar três vezes mais, declarando rendimentos de 70 mil euros - valor que se manteve estável até 2005.
Em 2006, no primeiro ano completo de José Sócrates como primeiro-ministro, Rui Pedro Soares passou a ser um dos administradores da holding da PT, a maior empresa de Portugal. Por meio ano como membro da Comissão Executiva da PT SGPS, Rui Pedro declarou rendimentos de 400 mil euros.
Mas nos dois anos fiscais seguintes, os seus ganhos anuais subiram para 1 milhão de euros - ou seja, mais 1329% relativamente a 2003.
Em 2009, no último ano completo como administrador executivo da PT, Rui Pedro Soares declarou oficialmente 1,5 milhões de euros.


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Quantos salários mínimos de 475 euros?
3158, isto é, 263 anos de salários minimos, dois séculos e meio e ainda um troco de 13 anos!

Notícias 1 - Portugal em segundo lugar no topo das desigualdades na União Europeia

Transcrito de Jornal de Notícias
(Ontem) :

«Portugal apresenta o segundo valor mais alto no índice de desigualdade social da União Europeia, indica o livro "Desigualdades Sociais 2010 - Estudos e Indicadores", lançado hoje, quinta-feira, pelo Observatório das Desigualdades.
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O livro indica que a Letónia é o país com mais desigualdade na distribuição de rendimentos, mas logo a seguir vêm, ex-aequo, Portugal, Bulgária e Roménia, refere o estudo apresentado no Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa, em Lisboa.
No que toca às diferenças de rendimento total entre os mais ricos e os mais pobres Portugal está no quarto lugar da lista dos países mais desiguais.
O rendimento dos 20 por cento da população mais ricos é 6,1 vezes superior ao dos 20 por cento mais pobres, concluiu a equipa coordenada pelo investigador Renato Miguel do Carmo.
Usando dados de 2007, os responsáveis pela investigação concluíram também que 18 por cento da população estava em risco de pobreza em 2007, com especial incidência para os jovens até aos 17 anos (23 por cento em risco) e para os idosos com mais de 65 anos (22 por cento).
"A baixa escolaridade, o desemprego, a monoparentalidade, o número elevado de filhos e viver só são fatores que contribuem para elevar a taxa de risco de pobreza", indica-se no livro.
Um dos factores que mais contribui para aumentar este risco de pobreza é o desemprego, que no último trimestre de 2009 afectava mais 504 mil portugueses, contando com os inscritos no Instituto de Emprego e Formação Profissional.
Três quartos deste meio milhão de pessoas só tinham estudado até ao 9º ano de escolaridade.
A maior parte destes desempregados tinha entre 35 e 54 anos. Nesta faixa etária, o desemprego em Dezembro de 2009 aumentou 30,1 por cento face ao que se verificava em Dezembro de 2008.
Os investigadores registaram que o maior aumento de desemprego de 2008 para 2009 se registou entre pessoas que tinham concluído no máximo o ensino secundário, com uma taxa de 34 por cento.
Nas conclusões, a equipa do Observatório das Desigualdades estabelece que "a economia portuguesa depara-se não só com o problema das baixas qualificações da população trabalhadora, mas também com a questão da baixa oferta de emprego de qualificação intermédia".
O Observatório das Desigualdades funciona no âmbito do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), contando com apoio governamental.»
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E o que piorou este ano! E o que ameaça piorar em 2011!
Há que pôr um ponto final nisto e mudar o rumo!

Documentos!


quinta-feira, dezembro 02, 2010

Confiança... em quê?

A votação da proposta do PCP para se corrigir o que se pode considerar um verdadeiro escândalo (cada um deve fazer a sua avaliação) foi, por isso mesmo, um escândalo. E, por isso mesmo, se procura que passe o paquiderme pelo buraco da agulha da informação.
Faça-se um pouco de "histórico". Tomam-se medidas duras, com o coração desfeito, diz-se, atacam-se os salários e o emprego, com pesos na consciência e noites mal dormidas, afirma-se, alto e bom som pedem-se sacrifícios a todos, culpados ou não, por maiores que sejam as disparidades nos sacrifícios, com tristeza na voz e mão no peito... e há uns tantos agentes económicos que, usando espertezas e artes e manhas, passam pela rede, para eles larga, para outros apertada, e eximem-se ao pagamento dos lucros de acordo com as novas regras e o seu espírito (para todos!, disseram e afirmaram como já era tremendamente injusto).
Mais: desses agentes económicos, até há os que têm participação (remanescente, é verdade... mas isso serve de justificação, ou só agrava tudo, dado o processo???) do Estado, pelo que não é cúmplice passivo como o é activamente.
O PCP denuncia a situação, aliás reconhecida, embora em surdina, como expediente, não ética, injusta, etc., propõe a sua correcção institucionalmente... e criou um burburinho enorme nas hostes do partido que apoia o governo, com declarações dramáticas, com ameaças de demissão e o mais que não se sabe.
Resultado: o PS votou com o PSD e o CDS (que surpresa!?), o seu lider de bancada, em evidente desnorte e descontrolo, falou em "confiança nos investidores" como se invocasse bençãos celestiais, houve 1 voto a favor do projecto do PCP (oh! heresia...), 2 abstenções e 3 declarações de voto.
E logo num dia em que os "mercados" deram um rebuçadito que nem foi possível saborear!

Regime de tributação e fugas

Do site do Partido Comunista Português:
Projecto do PCP que impõe tributação
dos mais ricos e poderosos
é votado na quinta-feira
ARTIGOS RELACIONADOS
Regime especial de tributação dos dividendos relativos a 2010
(terça, 30 de Novembro de 2010)

Tributa os dividendos distribuídos por sociedades gestoras de participações sociais
(sexta, 12 de Novembro de 2010)
Declaração de Bernardino Soares sobre a Tributação de dividendos por sociedades gestoras
O PCP entregou hoje (30.11) um aditamento ao Projecto de Lei n.º449, que propõe a tributação dos dividendos distribuídos por sociedades gestoras, precisando ainda mais o regime de tributação a ser feito no ano de 2010, para que não haja nenhuma hipótese de fuga ao pagamento de impostos nas grandes fortunas.
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Continuo à espera!

Estou à espera...

Estou a trabalhar. A preparar umas coisitas para daqui a bocado (Universidade Sénior) e para amanhã (Museu Municipal-Francisco Vieira de Figueiredo, nascido há 400 anos aqui no Zambujal) e acendi a televisão. Para ouvir o debate sobre a proposta do PCP relativa aos impostos sobre os lucros da especulação.
Forte mania... isto não tem cura!

quarta-feira, dezembro 01, 2010

É "desmasiado"!

Quando falei em fechar "isto" para férias até ao dia 23 de Janeiro, não estava a pensar, obviamente, na luta, em férias nesta batalha que não tem tréguas.
Mas... bolas!, tanto desnorte, tanta desorientação, também é "desmais" e há que exigir alguma contensão a quem parece governar.
Já não ligo às contraditórias afirmações, ao diz-se, de manhã, o contrário do que se diz à tarde. Pior: chegou-se ao ponto, se se vir e ouvir e interpretar bem, de perceber que há quem pense uma coisa, diga outra e faça uma diferente das duas, da que se pensa e da que diz!
Mas, pronto..., estão todos sobre brasas, os "de fora" (os... "mercados"!) não ajudam nada e a "quarentena" até às presidenciais impede que se clarifiquem, lá na área deles, algumas situações. No entanto, tanto desnorte é demais!
Três exemplos:
  • não pode ficar sem comentário que, para diminuir as parcerias público-privadas, se forme mais uma entidade "esquisita" (sei lá... uma parceria público-privada, talvez!);
  • deixa-me de facto estupefacto aquela coisa dos carros blindados "do outro mundo" (que, por isso, devem custar um balúrdio que não cabe na minha máquina de calcular) para a segurança da reunião NATO (por isso, o ajuste urgente, logo directo) e a sua entrega depois da reunião e a conta-gotas; como, nessa área dos belicismos, ler que um almirante declara, peremptório "quero uma marinha robusta e pronta", a acompanhar exigências de sei lá o quê e de quanto custo;
  • é inacreditável a fantochada, com folhetim e adiamentos de dois-meses-agora-é-que-vai-ser, da privatização do "nacionalizado" BPN, em que o Estado "meteu" 5 mil milhões e não consegue "recuperar" 180 milhões (e em que a posição do candidato Cavaco não parece lá muito clara...).

E tanta, tanta mais ("desmasiada") coisa!

A propósito do almirante (se calhar é mais que isso, é contra-almirante ou coisa assim..., peço desculpa), quantos cidadãos querem que salário mínimo seja aumentado 25 cêntimos (que não terá nada de robusto, apenas ligeiramente menos miserável!)?, como foi acordado e assinado por quem parece não saber o que são compromissos. Tão faz-de-conta-que preocupados com a credibilidade que parece faltar-lhes lá fora (nos "mercados"...), e nada, mas nadinha..., preocupados com a sua credibilidade junto do seu povo, dos trabalhadores, com quem têm o compromisso de os representar porque deles receberam esse mandato! Até quando julgam poder puxar a corda que enrolaram ao pescoço de quem lhe deu mandato para os representar?

Arre, porra, que é demais!

Os Tubarões

Para matar saudades... Queria que fosse o Djonsinho, mas esse não os tem, aos Tubarões ao vivo (com o Ildo vivo e tão novinhos!), na gravação...

Não se poderia fechar isto?

Já há o precedente das sextas-feiras negras que vem lá dos anos 30.
Quando as coisas estavam complicadas, mas mesmo muito complicadas, faziam-se feriados, sobretudo feriados bancários, não fosse o pessoal lembrar-se de ir aos bancos bus car as suas poupanças que estavam tão bem no pé de meia ou debaixo do colchão e tinham sido desencaminhadas para os banco, onde lhes deram descaminho! E a dimensão do "bangsterismo" não tinha nada a ver a dimensão do actualmente se passa, com a demencial financeirização. Repare-se que nessa altura, os dinheiros tinham cobertura, isto é, havia coisas nos cofres dos Estado relacionadas com o que os Estados emitiam como moeda. Fiduciário, dizia-se, ou seja, merecia confiança.
Bom... mas eu estava a falar de outros assuntos e resvalou-me logo o pé para este teme da moeda e mais isto e mais aquilo.
Voltemos, pois aos feriados, até porque estamos num (da Independência e Restauração nacionais, com o Conde de Andeiro, perdão, com o Miguel de Vasconcelos atirado pela janela). Estava eu a pensar se não seria interessante aproveitar a ideia dos feriados-obrigatórios-e-imprevistos-cá-por-coisas e fazer um mês-de-férias-obrigatórias-e-imprevistas-cá-por-coisas-parecidas?! De qualquer maneira, já conseguiram fazer a economia produtiva tão remanescente, com as terras em pousio, as águas paradas e as indústrias em deslocalização, que se calhar não fazia grande diferença.
Por outro lado, e este é o busilis da ideia, talvez se chegasse mais depressa a 23 de Janeiro, poupando-nos a este espectáculo que estraga o Natal a qualquer Menino Jesus.
Já repararam que Terreiro do Paço e Grand'Place dizem-se e desdizem-se com curtos intervalos, e com ainda mais curtos intervalos, os nossos governantes parecem desgovernados e contradizem-se uns aos outros e a si próprios? Sai um secretário de Estado porque o ministro não foi solidário, demite-se o chefe da espionagem porque, diz ele, com este OE2011, não pode espionar (ou é espiolhar?) em condições, saem directores-gerais porque não sei o quê, cada um com as suas razões ou sem elas.
Neste estado em que estamos, está tudo parado - ou, quando não está, é um total desnorte e desvario -, tudo à espera de 23 de Janeiro.
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Pare-se tudo. Façam-se férias!

1º de Dezembro

Dia efemérico. Que muitos têm aproveitado para semear equívocos e ambiguidades.

Que é o dia da Independência e da Restauração.

Hoje, sem sair daqui do Zambujal e, sobretudo, de este dia 1º de Dezembro, já muito viajei. Séculos. O mais atrás que fui foi até a 1383, ao dia em que o então Conde de Ourém, o mais conhecido por de Andeiro, daqui abalou até Lisboa e, lá, foi morto pelo Mestre de Avis, a caminho de ser D. João I, de certo modo se adiando o que veio a acontecer em 1580, depois recuperado no 1º de Dezembro de 1640.

Por esses tempos andei, e tudo por causa de um certo Francisco Vieira de Figueiredo que aqui nasceu, mesmo neste meu Zambujal, e de quem irei falar depois de amanhã, em tertúlia no Museu Municipal. Para isso, visitei-o, como ao tal Conde de Andeiro, que parece que por aqui se quer esquecer que foi o 2º de Ourém, e ao Fernão Mendes Pinto, aquele que, na minha "conversa", será o Francisco Vieira de Figueiredo do século anterior, do XVI. Sobre tudo isto irei dizer umas coisas, eu que não tenho nada de historiador mas sim de estoriador, com a ajuda/companhia de uns companheiros chamados Gérard Vindt, Marx, Haudrère, Basil Davidson e Charles Boxer, e outros se os apanhar "à mão".

E tudo isto escrevo neste 1º de Dezembro, em que se festeja, quase envergonhadamente, o termos afirmado, em definitivo, a nossa nacionalidade, ibéricos mas portugueses.


Neste dia, 370 anos depois, parece que se impõe, de forma urgente, que afirmemos que somos portugueses, embora europeus - como sempre fomos. Que não há nenhum "europeu" de Bruxelas, de Frankfurt, de Washington, da Bolsa de Lisboa (onde é que é agora?) ou do raio que os parta que possa vir dizer -nos que e quanto devemos baixar salários, que devemos desempregar, que o tempo para o fazer deve ser rápido, que o custo do despedimento deve ser barato, que as regras de concessão de subsídio de desemprego e as do serviço de emprego têm de ser as que eles ditarem.


No dia 1º de Dezembro, apetece-me dizer isto. Em português claro. Que até poderia ser vernáculo ou do mais genuino (e aí ia buscar o Aquilino com o seu No Cavalo de Pau com Sancho Pancho, que muito fala desse tempo filipino que atravessámos).


1º de Dezembro de 2010. 370 anos depois!






Mensagem-desabafo - 3

(conclusão)
Leia quem quiser (e teria muito gosto se fossem muitos a ler, e a comentar).
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Camaradas,
… e há outra coisa que considero da maior importância e não me sai da cabeça:
A vigilância revolucionária!
Na minha maneira de ver as coisas, a "vigilância revolucionária" deve atravessar todas as fases da luta, pelo que vou recuar um pouco para preparar o que desejo seja o final deste “momento” de reflexão e de mensagens incaláveis.
Começo por dizer que a “vigilância revolucionária” deve estar em cada um dos que que deseje fazer da sua vida o tempo e a obra de um pedreiro que procura não falhar a colocação do tijolo que lhe compete na tal enorme construção de uma Humanidade melhor para os que a estejam a viver. Isto é, deve estar, antes de tudo, voltada para dentro de si ou, ao de dentro de cada um sair, não esquecer a cuidadosa atenção ao espelho que reflecte a imagem que cada um de si deve ter…
Depois, no colectivo, há que estar em vigilância revolucionária com os outros. Nunca na postura de juízes daqueles, nunca ostensivamente, mas estar presente… sempre! Até porque, nestes processos tão complicados, pode acontecer que alguns dos que outros caminhos queriam, nova (ou nenhuma) base teórica desejavam, por diferentes formas de organização pugnavam, não se tenham ido embora, se tenham adaptado/alapado aos tempos seguintes e, com ou sem boa fé, estejam procurando levar à prática, por vias ínvias, o que não teve valimento na discussão aberta, no confronto nem sempre agradável, por vezes duro, mas sempre necessário.

Mas isso nem é o que mais me preocupa (embora me preocupe… mas quem sou eu para ter que me preocupar?!). O que mais me preocupa (mas quem sou eu para me preocupar?!...) é a “vigilância revolucionária” depois, aquela que a História em tantos casos já nos ensinou, dolorosamente, que tanta falta pode fazer, a que, pela ausência, deixa esvaziarem-se princípios e valores que são os que defendemos e conseguimos fazer prevalecer na etapa que se venceu, e obriga a recuos históricos ao substituir esses valores e princípios - e práticas coerentes - por pragmatismos ou por outros ditos valores e princípios, coisas como rivalidades e competitividades em vez de solidariedade, produtividades e acumulações espúrias versus satisfação possível das necessidades naturais e emergentes.

Chamei, a estes textos, mensagens-desabafos. Sê-lo-ão. Terão cabimento e/ou utilidade? Sei lá… se calhar, não. Mas esta é a (pouca) sorte do que se escreve com o que se sente a sair pelos dedos (corruptela de “coração ao pé da boca”) e se peca por ser transparente.

Para mim, fazem parte, pelo menos, da minha auto-vigilância. Na luta. Que continua. Contínua.

terça-feira, novembro 30, 2010

Los ejes de mi carreta



.

Yupanqui Atahualpa

Los ejes de mi carreta

Porque no engraso los ejes
me llaman “abandonao”;
si a mí me gusta que suenen
pa´ que los quiero engrasaos.

Es demasiado aburrido
seguir y seguir la huella,
andar y andar los caminos
sin nada que lo entretenga.

No necesito silencio
yo no tengo en quién pensar.
Tenía pero hace tiempo
“áura” ya no tengo más.

Porque no engraso los ejes
me llaman “abandonao”;
si a mí me gusta que suenen
pa´ que los quiero engrasaos.

Los ejes de mi carreta
nunca los voy a engrasar.

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Tenho de "cucar" esta maravilha!...



Mensagem-desabafo - 2

(continuação)
Leia quem quiser (e teria muito gosto se fossem muitos a ler).
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Camaradas,
acabada a primeira mensagem, fiquei muito insatisfeito. Nunca se diz tudo o que se quer, e como se quer, mas às vezes isso é mais evidente, e até dorido, para quem o está a dizer.
As situações na nossa vida nunca se podem resumir (ou "redutir") em meia dúzia de palavras. Muito particularmente as dos afectos e as das opções políticas.
“Assim como muitos abandonaram a nossa luta e os vemos noutro lado da barricada, também alguns vieram de lá até nós, sem que nós lhes tenhamos feito qualquer concessão ideológica, bem pelo contrário. Às vezes, só por momentos ou só numa ou noutra situação.”, escrevi eu. E fiquei a pensar em muitas outras situações.
Há os que estão na luta, nesta que é a nossa. Porque para ela vieram e não a abandonaram. Mas, nestes, há muita maneira de estar.
  • Há os que começaram a luta aos 6 anos, porque com essa idade-criança começaram a trabalhar como operários, e nunca a abandonaram, numa entrega total à luta, formando-se nela como homens, como dirigentes, como exemplo – comunistas com a carne, o sangue, os ossos, como teria dito Lenine – e lembro que um há poucos dias nos deixou, Joaquim Gomes, a quem presto comovida homenagem;
  • há os que chegaram à luta por uma via outra, querendo perceber como são as coisas, a vida, a história, como e porque somos, como tudo se faz e desfaz, entre todos nós, ao longo de séculos e milénios, como intervir, como ser um tijolo na enorme construção da Humanidade – comunistas pela insaciável necessidade de aprender, aprender, aprender sempre (sempre com os outros), ainda como Lenine disse –, e alguns com o mérito duramente conquistado de serem iguais aos outros, deles seus filhos adoptivos, como Álvaro Cunhal.

Uns pela vida e o exemplo, outros pela opção e base teórica, misturando as duas maneiras de a ele chegarmos, somos o Partido.
Mas tantos, e tão válidos muitos, não o são.

Alguns deixaram de o ser porque se cansaram, porque não resistiram, porque mudaram e quiseram que o Partido mudasse com eles, fosse diferente. Com toda a legitimidade o quereriam, com outra (ou nenhuma) base teórica, outro tipo de organização, com toda a legitimidade até quando não o tentassem impor – em nome da democracia… - a todos os que o queriam manter na mesma senda.
Assim se fazem os caminhos da vida, e dos homens e das mulheres.
E da luta! Que continua. Contínua!

(ainda haverá mais uma mensagem-desabafo)

Presidenciais - Francisco Lopes no Sapo


«Eleições presidenciais

Francisco Lopes em Directo (SAPO)
O candidato presidencial Francisco Lopes, apoiado pelo PCP, vai estar esta tarde no SAPO, em directo, para responder às suas perguntas. Francisco Lopes é o oitavo candidato do PCP a eleições presidenciais. »

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O anúncio foi feito batendo naquela tecla (ou cassete!) do "candidato menos conhecido".

E se ainda tiverem de perguntar "quem é aquele desconhecido que está ali a tomar posse de Presidente da República?"
Vamos lutar por isso!

Pablo Neruda por José Barata-Moura

Ia à procura de outra e trouxe esta:

Fiquei a ouvir e a ouvir ... e com ganas de dar essa oportunidade a outros!

segunda-feira, novembro 29, 2010

Hoje, 29.11.2010, de manhã (antes da "descoberta" wireless na RN)

Hoje, acordei estupidamente lúcido. Às vezes, acontece sentir-me assim... Como se, em lugar de ir aquim sacudido num "expresso" da Rodoviária, estivesse na 1ª classe de um avião daqueles enormes, depois de umas hospedeiras hospitaleiras me terem servido um generoso gin tónico.
E como o tempo de lucidez (e não só) não dá para escrever o livro que exacerbe (o Mário Henriques Leiria tentou), saem-me umas "mínimas":
Ele há os bancos... bancos;
ele há os bancos a abarrotar;
ele há os bancos rotos e em bancarrota;
ele há o banco do vaticano;
ele há o banco do Benfica (ai Jesus!...);
ele há o banco do PS (com uns seguros e outros nem por isso...)
e ele há o banco de que, infelizmente, hoje tanto se fala... o alimentar!

Mensagem-desabafo

Leia quem quiser (e teria muito gosto se fossem muitos a ler).
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Camaradas,
regresso (no "expresso") de uma reunião do Comité Central.
Venho, como sempre, de uma reunião em que ouvi, intervim, muito aprendi sobre a situação que vivemos. Com testemunhos sérios, fundamentados nas realidades vividas. Regresso com mais força porque mais conhecedor do que é preciso conhecer. E, ao chegar ao autocarro, apanhei a novidade do "wireless", li alguns comentários vossos a mensagens minhas. Continuo a aprender...
Apenas vos quero dizer isto: todos desejamos o mesmo, todos (contra alguns e o seu poder)lutamos por uma vida melhor para todos, nós, camaradas, fazemo-lo com base numa concepção de vida e do homem que nos distingue, e pela qual lutamos. Pelo socialismo, pelo comunismo. Que, estamos convictos, é o futuro da Humanidade.
A grande questão é Que/como fazer?
Sabemos quem é o inimigo. É uma classe que domina as relações sociais, que explora, que especula, sempre contra os trabalhadores. É isso que nós sabemos, e que, com a nossa fundamentação, com a nossa convicção, temos de fazer chegar a outros, a muitos outros, sobretudo às massas, desinformadas, deformadas pela (des)informação.
Tão importante, tão vital como afirmar as nossas posições, há que aproveitar as razões que outros - que nossos não são - nos dão, nas suas áreas ou nalguns momentos.
Assim como muitos abandonaram a nossa luta e os vemos noutro lado da barricada, também alguns vieram de lá até nós, sem que nós lhes tenhamos feito qualquer concessão ideológica, bem pelo contrário. Às vezes, só por momentos ou só numa ou noutra situação. Se o aproveitámos, e isso os levou a corrigir o seu anti-comunismo... já não é nada mau!
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A luta continua. Contínua!

Descontos de 50% nos saldos em tempo de crise - 2

No seu último Cem por Cento, de que até parece que estou a fazer propaganda…, Nicolau Santos, apoiado numa base de poemas que vai inserindo, enumera, nas colunas centrais, que três são mas só duas e meia preenchidas, Cinco Mitos sobre a crise.
Seriam eles
  1. “a Europa do Norte governa muito melhor que a do Sul”;

  2. “países como Portugal atuaram tardiamente em relação à crise”;

  3. “se a Irlanda recorresse ao fundo europeu de emergência e ao FMI, os mercados iriam acalmar e deixar em paz os outros países”;

  4. “se os países em dificuldades tomassem medidas orçamentais duríssimas para reduzir os seus défices, atingindo assim gravemente o nível de vida e de bem-estar, os mercados entenderiam a mensagem e deixariam de pressionar esses países”;

  5. “é muito melhor que venha o FMI impor as medidas que deveremos adotar em vez de sermos nós a resolver os nossos problemas”.

Naquelas duas colunas e meia, NS demonstra – e de forma muito clara -, que aqueles mitos são… mitos. Mas eu diria que são patranhas, são aldrabices para justificarem, perante a opinião pública, uma actuação, uma ingerência, uma intromissão absolutamente inaceitável nas economias nacionais. Já formatadas numa divisão imperialista do trabalho, com a conivência das instituições democráticas (porque eleitas) dos respectivos países por os ditos eleitos estarem ao serviço dos grupos financeiros transnacionais, os "de fora" e os que têm sedes nos nacionais territórios, nomes comuns – como, no caso português, Belmiro, Amorim, Salgado, Martins –, e batem no peito patrioticamente e recuperam a frase feita “a bem da nação”.
Por isso, se me apraz a desmontagem que NS faz do que chama mitos e termina escrevendo, acutilantemente “Este arrazoado não evitará, com grande probabilidade, que tenhamos de recorrer aos apoios europeus e do FMI. Mas sempre podemos dizer a dezenas de gurus, economistas e analistas que a sua argumentação tem sido completamente desmentida pela realidade e que não nos comem por parvos.” , fico, também, insatisfeito e, até, irritado!


Porque… falta o resto. Falta, a NS – e não espero (tempo de verbo esperança) que o venha a fazer… –, preencher a meia coluna em branco, indo ao fundo da questão.

Não basta demonstrar que essa argumentação é mentirosa, aldrabona, escorada em falsos fundamentos com a aparência de que científicos são Eles são, também, intencional poeira que se atira para os olhos (e ao cérebro) de quem assim é informado/deformado, a par da campanha da falta de alternativa, de inevitabilidades (que, aliás, se imiscui no texto de NS…), de que o capitalismo é o fim da Humanidade. E sê-lo-á se todos nós consentirmos que este seja o rumo a continuar, que levará, ele sim, ao fim da Humanidade, por via da insuportabilidade social, das destruições, das guerras, daquilo que é o angustiante fruto do crescente poderio dos complexos industrial-militares, que, por exemplo, leva a insistir nos escudos anti-mísseis… porque constroi os mísseis, e assim vai adiando a incapacidade do capital-dinheiro se transformar em mais capital-dinheiro.

Descontos de 50% nos saldos em tempo de crise - 1

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Há fraquezas assim. Gosto de ler o Cem por Cento do Nicolau Santos, no Expresso-Economia. O homem “diz coisas”. Também, quase sempre, me irrita muito. Como é que um homem que, lucidamente, escreve “estas coisas”… também escreve aqueloutras coisas”? Cem por Cento, na minha avaliação, oscila entre o muito positivo (sei lá… 90%) e o negativo (sei lá…

-10%). Fiquemo-nos pelos 50%!
Como se sabe, tudo tem explicação. Mas não são explicações que, para aqui e para agora, interessam. Poderia continuar pela generalidade, no abstracto, mas vou ao concreto. Ao último Cem por Cento.

Merkl volta a atacar é uma nota de meia coluna na parte legível da página (um quarto de página é anúncio) que faz uma abordagem que me interessa particularmente. Tanto que, antes de a ler, já escrevera – em catarse – uma “entrevista falhada com a D. Ângela…” que publiquei neste blog. Diz NS, a acabar “… o que Merkl está a fazer não é só impor fortes ajustamentos aos países periféricos. Está a contribuir para que isso seja feito com a maior dor social possível. E isso é imperdoável.”
Final da nota do quarto de coluna abaixo, sobre A fatura da eletricidade: “… a crise exige que sejam renegociados estes compromissos para aliviar o esforço fiscal brutal que está a ser pedido aos cidadãos.” A ser pedido? E ficar-nos-iamos por aí?, pela renegociação de compromissos facturados?
Do outro lado da página, duas notas. Uma, a de baixo, A melhor incubadora do mundo, valoriza essa “novidade”, que também já aqui tratei com o alerta que me parece pertinente e que, evidentemente, não coincide com o entusiasmo que a nota de NS transmite.
A outra nota, a de cima, E por falar em culpados, começa assim: “Anda a fazer caminho a tese de que todos somos responsáveis pela crise. É uma forma de branquear a responsabilidade fundamental que o sistema financeiro norte-americano e a Reserva Federal, durante o consulado de Alan Greenspan, têm nesta desgraça…” e ilustra o que me leva a ficar irritado com os Cem por Cento. A propósito de esta desgraça, no capitalismo não se toca! Nem com uma flor…
Não é o funcionamento do capitalismo que, inevitavelmente (a única inevitabilidade!), nos trouxe a esta desgraça?!, o mais longe que se vai é ao “sistema financeiro norte-americano” e à “Reserva Federal”, e mesmo estas porque tiveram “o consulado de Alan Greenspan… porque, ao que parece, se em vez deste culpado (esta obsessão de culpa individual…), tivesse sido outro a “consular” tudo estaria a correr sobre rodas e não sobre caroços de azeitonas.

Nessa trilha, junta mais uns tantos nomes. Como culpados, que até o serão de muita coisa, mas que não podem substituir-se à “culpa do capitalismo”, do sistema que assim funciona, que assim tem de funcionar. E que, nesse funcionamento, vai tendo os seus agentes, uns com maior outros com menor destreza e inteligência na manipulação das alavancas. Que são as que levem à multiplicação do capital financeiro, pela exploração na sua base real, pela especulação no que cria de falso, de fictício.
Mas, sobre isto voltarei, ao comentar o “miolo” do Cem por Cento na sua última edição, Cinco mitos sobre a crise.

domingo, novembro 28, 2010

Pronto, a Irlanda já está...

... com o juro a 5,8%!

Entretanto, logo a seguir:

Eurogrupo pede "medidas concretas" a Portugal
Económico com Lusa

28/11/10 19:20

... e o Correio da Manhã pôs na 1ª página o que andamos a denunciar há imenso tempo: que os "nossos" bancos" vão emprestar, "generosamente", ao "nosso" governo, comprando títulos que dão 6% com o que lhes é emprestado a 1%. Depois, se vier a haver algum "acidente de percurso" num qualquer banco, o "nosso" governo irá resolver isso com o nosso dinheiro.
Depois, há quem se finja ofendido se a isto se chama roubo!

O desporto, os dirigentes desportivos e outras coisas

Já me foi dito muito amigavelmente, por quem conseguira levar a que folheasse o avante! para que tivesse acesso a outra informação e não aquela que nos formata, que "é luta a mais, são lutas a mais...".
Foi um comentário de boa fé, assim como quem diz (procuro traduzir...) "é verdade que a outra informação, a que nos matraqueia, é tendenciosa, esconde, ou escamoteia, ou disfarça, ou mascara, as lutas sociais, mas vocês também exageram... é só luta, são só lutas..."
É verdade e não é verdade.
É verdade porque quem apanha com o avante! pela despreparada frente (mesmo que acompanhada por amizade do lado exterior e simpatia do lado interior) pode ter o choque de uma dose excessiva de outra informção. E não se curam dores de cabeça com sobredoses de aspirina... até porque têm efeitos colaterais!
E não é verdade por duas razões. A primeira, é que tudo é luta, que as lutas estão sempre a rebentar por todo o lado, que todas têm de ser apresentada; a segunda é que o avante! não é só o repositório das lutas que se fazem pelo País todo (e pelo Mundo), também tem secções e espaços bem interessantes que não se colocaria sob esse etiqueta de... lutas.
A título de exemplo, e pela sua oportunidade refiro a secção Desporto, em que se inserem artigos de opinião, e onde Melo de Carvalho faz verdadeira pedagogia, recomendando a leitura do último artigo - O sofisma da «morte» dos dirigentes desportivos - que se pode ler aqui.
.
A oportunidade resulta do próximo lançamento de um livro sobre Melo de Carvalho, Contributo para a História da Educação Física e do Desporto, da autoria de Eugénio Ruivo, em Portugal no dia 30 de Novembro, na Universidade Lusófona.

Oficial: Acordo da Irlanda com FMI está fechado...


«Oficial: Acordo
da Irlanda com FMI
está fechado»
Económico com Lusa
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... e a que juro?,
sempre foi a 6,7%?,
a gente cá de baixo está bué interessada...

Entrevista falhada com a D. Ângela

A.sec.xxi – Boa tarde, Frau Ângela.
D. Ângela – Hummm…
A.sec.xxi – … desculpe... Vossa Excelência está mal disposta?
D. Ângela – Hummm… Claro que estou. Muito… Você não é português?...
A.sec.xxi – Sou. Mas não percebo… não lhe fiz mal nenhum… só pedi uma entrevista…
D. Ângela – Hummm… estou farta de deitar pérolas a Schweine…
A.sec.xxi – … a quê?
D. Ângela – Hummm… sim!, a porcos! Vocês nem alemão nem inglês sabem falar… ignorantes e não querem ter défices e dívidas soberanas?
A.sec.xxi – Pérolas a porcos?... não percebo…
D. Ângela – Hummm… Claro!... pérolas a PIGS, seu burro!
A.sec.xxi – A senhora está a ofender-me e a ofender-nos. Burra será a senhora e porcos serão os seus compatriotas!
D. Ângela – Hummm… Ingratos! É assim que agradecem o muito que temos feito por vocês… Eu bem não queria que entrassem para o euro, mas cheguei tarde e o Helmuth e o Gerhard já tinham feito a asneira de acabar com o marco e em aceitar essas vossas moedazitas na nossa moeda única… mas só devia ser para poucos!
A.sec.xxi – … vá lá… já disse alguma coisa sobre o que lhe queria perguntar… mas é difícil conversar com a senhora…
D. Ângela – … conversar, conversar… não estou para conversas… isto vai mudar…
A.sec.xxi – Então desconversemos. Vocência, os seus antecessores e lá os seus parceiros fundadores da hoje União Europeia vieram ajudar a contra-revolução com essa coisa da Europa connosco, fizeram de nós a vossa periferia, mandaram para cá fundos que eram de todos para que a nossa economia se ajustasse às vossas conveniências, para abater barcos, para pôr terras em pousio, para acabar com a produção agrícola, para usar por cá os nossos trabalhadores de que por lá gostam tanto, mas exigindo que se revissem conquistas sociais por que muito lutámos, para fechar estaleiros navais, para beneficiarem de subsídios e deslocalizarem, para abrir estradas para os vossos produtos (e turistas) entrarem mais facilmente, sei lá que mais…, impuseram critérios de sacrifício para entrar na moeda única, andam sempre a exigir-nos que PECemos, agora atiram-nos com o FMI à cara e é a senhora que nos quer fora do euro e … espere aí!… não se vá embora…
D. Ângela – Schweine!
A.sec.xxi – Porca é a senhora! Big PIGS… Aufwiedersehen!

Grécia, 5,2%, segue-se a Irlanda com nº de partida de 6,7%...

Lá para o meio-dia de cá, os ministros das Finanças da UE vão reunir para chegar a conclusões sobre o "plano de ajuda" à Irlanda, a que chamam "de resgate".
O facto de ser domingo tem a ver com amanhã ser segunda-feira e "os mercados" (essa esotérica entidade suprema) estarem à espera, para a sua abertura, dessas conclusões para reagirem à taxa de juro que for acordada para o montante a emprestar, que se aproxima do limite dos 100 mil milhões, que andará pelos 80 e tal milhões.
Para a Grécia, o primeiro da série dos PIGS (Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha por uma ordem - Portugal, Irlanda, Grécia, eSpanha - com as porcas conotações que se podem ler, in english), o juro acordado foi de 5,2% (para 110 mil mil milhões), agora a Irlanda começou por não aceitar - e percebe-se porquê - os 6,7% que foram propostos. Com os senhores Junker (do Eurogrupo) e Trichet (do BCE) como "croupiers", com o FMI nas proximidades.


Lá para o meio-dia de cá vão estar eles a discutir as décimas (anteontem, por aqui, discutiram-se as centésimas das derramas e dos IMI...) e, talvez, a quererem dizer, aos dois PIGS que virão a seguir, que quanto mais tarde pior!

Entretanto, eu vou aproveitar para ver se falo sobre isto, e outras coisitas..., com a D. Ângela Merkl, que é sempre um prazer encontrar por aqueles corredores, a mexer os cordeilinhos todos.

Para domingo de manhã - aviso à navegação

Há uma questão que atravessa a blogosfera em geral, e cada blogueiro em particular: a questão dos comentários e do anonimato, sempre posta, pelos anónimos, de maneira falaciosa, avocando direitos (no que são pródigos), e assimilando anónimo a pseudónimo ou heterónimo.
Eu tenho uma opção pessoal: aceito comentários sem restrições, quero que este seja um espaço aberto, e tenho uma posição sobre o anonimato, com um distinção essencial do anónimo relativamente a qualquer identificação... que identifique (mesmo que sem nome próprio, BI ou CC, ou nº de contribuinte).
Pelo meu lado, mesmo quando uso pseudónimos ou heterónimos, digo quem está - eu! - por detrás dessa criação minha. Aceito que haja quem não o queira fazer, mas já me parece de exigir que o próprio não consinta que outros usem abusivamente essa sua identificação, servindo-se dela. Assim, aberta e sem restrições, a identificação perderia identidade. Pode o anónimo fazer isso? Um anónimo é sempre igual a um qualquer outro anónimo.
O anónimo do séc. xxi (que é o Sérgio Ribeiro) denunciará como intolerável abuso de quem quer que seja o uso dessa identificação para fazer blogs ou assinar comentários. Se já alguém a usou antes, prescindo dela ou acrescento-lhe qualquer coisa... como, por exemplo, SR (ou... ao Serviço da República!)
E, para acabar, se falamos de direitos, há um direito que os anónimos (todos iguais uns aos outros porque nada distingue um anónimo de outro anónimo) me dão, e que eu não quero usar, por razões que são minhas e de maneira de estar: fechar-lhes a porta.
Mas aviso (ou ameaço, se quiserem): não abusem!

sábado, novembro 27, 2010

A notícia... e o título

no Expresso de hoje:

1.

No lado esquerdo (de quem lê), a notícia:

«O Presidente da República apelou aos autarcas
para que se esforcem para evitar que a crise atinja as crianças.
Segundo Cavaco Silva,
"a educação deve ser um desígnio nacional
assumido por todos"»
_________________________________________
O "nosso" PR descobre cada coisa! E tem cá uma pontaria nos apelos!
.
.
2.
Do lado direito (de quem lê), o título:
53 mil crianças ameaçadas pela fome
_________________________________________
E porquê a ameaça? E por quem?

mistérios em que ninguém repara...

(...)
o mistério difícil
em que ninguém repara
das rosas cansadas do dia a dia.


José Gomes Ferreira
__________________________________________________
... e não estou (nem estava o Zé Gomes!) a falar de política...

Ainda a cimeira da NATO

A cimeira da NATO passou. E passou por aqui. Houve espectáculo, folclore (no mau sentido do termo, que alguns bons tem), houve manifestações e uma grande manifestação de protesto e esclarecimento, preparada meses a fio, com muito trabalho militante, que não foi possível silenciar apesar de todas as mordaças e armadilhas.

Mas a NATO passou por aqui e aqui se tomaram decisões. Que eram temidas, que foram denunciadas na procura de encontrar as forças para as impedir, e que o espectáculo, o folclore, as manifestações não podem apagar.

O novo conceito estratégico! Sobre o que de muito importante para o nosso futuro - e os seus perigos! - resultou dessa cimeira, importa ler - e reflectir - o que Ângelo Alves escreveu na sua crónica internacional, aqui. Um curto texo de resumo e comentário verdadeiramente esclarecedor.

As "mudanças"

É corrente, recorrente, corriqueira, a fórmula "é preciso mudar alguma coisa para que tudo continue na mesma". Desde Lampedusa - se dele é a fórmula original... - a todas as corruptelas, algumas trazidas pelas traduções.
Com o andar dos anos, a velhice e a obsolescência vão-se impondo e, por mais operações de cosmética, implantes e transplantes, é inexorável (e angustiante) que as mudanças não mudem o que é inexorável.
Assim em cada um de nós, animais que somos, assim naquilo que nós, seres humanos, criamos, na sociedade e suas transformações.
.
As designações, a terminologia, ilustram esses esforços para mudar as fachadas com a convicção ou a intenção de que nada mude no essencial.
No capitalismo, nos anos 90 apareceu a "novidade" dos clusters, com um protagonista-bonzo - M. Porter -, depois, muitas outras coisas foram aparecendo, sendo "moda", desaparecendo, como as designações aliciantes e aliciadoras de criação do próprio emprego e os chamados nichos de empresas. Tudo na mesma "onda".
Nessa "onda", agora é o empreendedorismo e, juntamente mas ainda mais recente, essa grande "descoberta" das incubadoras, que não são aviários mas que parecem querer ser.
Nestas "mudanças", os seus veiculadores se iludem a si próprios (os de boa fé) quando auto-convencidos de estarem, no capitalismo, a viver na estação terminal, definitiva, da organização da sociedade, e enganando todo o mundo. E ninguém!

sexta-feira, novembro 26, 2010

Sobre as falsificações da História (desta que escrevemos nós e outros lêem e lerão)

Sobre o 25 de Novembro (reproduzido de o blogue do castelo, com a devida vénia... e ao autor, claro!)


"E se o Diário de Notícia fosse um jornal sério?"

O “Diário de Notícias” deu hoje à luz um texto com o qual diz querer fazer «um exercício de história contrafactual», que é, só por si, um conceito abstruso — fazer a história do que não aconteceu e talvez pudesse, eventualmente, ter acontecido se… O «exercício» consiste em responder à pergunta «25 de Novembro: E se tivesse sido ao contrário?». Os pressupostos de que parte mostram que não se trata de um «exercício de história contrafactual», mas sim de uma pura e dura «contrafacção histórica».
O autor do texto omite qualquer referência a um golpe de Estado e considera que havia duas facções militares em confronto: uma a que chama «os moderados», outra a que chama «a Esquerda Radical» (com direito a maiúsculas, para dar a ideia de que era uma coisa institucionalizada). Tento imaginar o então major Jaime Neves e mais umas dúzias de bem conhecidos capitães, coronéis e generais no papel de «moderados» e só consigo rir às gargalhadas. O mesmo acontece quando leio na peça do “DN” que «a Esquerda Radical» era afecta ao PCP. Terá o autor do texto alguma ideia, mesmo aproximada, da influência das diversas forças políticas nas Forças Armadas entre o 25 de Abril e o 25 de Novembro? Idêntica pergunta para a taxativa afirmação de que o MRPP era «uma das excepções na extrema-esquerda, ou seja, a extrema-esquerda desalinhada com o PCP». Quererá o autor da contrafacção histórica identificar qual era a extrema-esquerda alinhada com o PCP? Em especial, no contexto do 25 de Novembro. Também seria útil identificar com quem estava o MRPP alinhado. E que é feito, nesta história, do PRP? E da LUAR? E da UDP? Uma contradição insanável do texto é começar por dizer que a «esquerda radical» militar era «afecta ao PCP» (um disparate monumental) para, dois parágrafos a seguir, afirmar que «a chamada “esquerda radical” rodeava no Copcon o respectivo chefe, Otelo Saraiva de Carvalho». O que equivale a dizer que Otelo era afecto ao PCP. Sem comentários. O facto de o único confronto armado ter ocorrido quando os comandos de Jaime Neves cercaram o quartel da Polícia Militar de Mário Tomé não faz agitar nenhum neurónio? É sabido que o PCP não tinha qualquer tipo de controlo sobre as unidades militares que estiveram envolvidas directamente no 25 de Novembro. É, igualmente, sabido que o PCP deu instruções a todas as suas organizações para não se envolverem em iniciativas disparatadas. Apesar disso, o “DN” tem tido, sobre o 25 de Novembro, uma prática de revisionismo histórico com base em relatos fantasiosos mais do que enviesados. Desta vez não se contenta em inventar o 25 de Novembro — vai mais longe e faz um «exercício» de invenção sobre a invenção. Para a contrafacção ser completa, o “DN” não inclui qualquer depoimento de um dirigente do PCP, apesar de o textozinho não ser sobre o 25 de Novembro e sim sobre o que outros dizem que os malandros dos comunistas poderiam fazer, se… Para mim, que sei o que se passou há 35 anos e vivo em 2011, há outros what ifs mais interessantes. Por exemplo: e se o “Diário de Notícias” fosse um jornal sério?

João Alferes Gonçalves
(no site Clube dos Jornalistas)

Intervale - 2

Por esta rua, pela Rua do Sol ao Rato, descia para ir à vida, para entrar na cidade.

Quantas vezes?, quantos dias?, quantos anos?

Enquanto crescia, e as circunstâncias me faziam adulto.

Aqui, nesta esquina com a R. Dinis que leva à igreja de Sta. Isabel, onde me baptizaram, e à Escola Machado Castro , com que andei à pedrada desde o Liceu Pedro Nunes.

Onde, a seguir à esquina, à esquerda, o convento das Trinas, à direita, a mercearia do sr. Secundino, que me aviava das mercas a recado de minha mãe, logo depois a loja do sr. Neves, de roupas e confecções, e a taberna-carvoaria de onde um gato, traiçoeiramente, arranhou o focinho do Tarzan e hoje é - há muitos anos - um restaurante, a acabar a rua na tabacaria-capelista onde eu ia, numa corrida, comprar o jornal, a República do "fal' ó Rocha!" ou um jornal desportivo, A Bola (à 2ª e 5ª) ou o Mundo Desportivo (à 2ª, 4ª e 6ª)

Nesses tempos... nesses tempos em que a Rua do Sol ao Rato tinha dois sentidos para os carros, ou já só apenas dois em um, um a descer (para baixo!... para o Rato), outro a subir (para cima!... para Campo de Ourique).

E as vezes em que o carro não pegava e ali vinha eu, depois de um pequeno empurrão, a descer-pela-rua-abaixo, a aproveitar uma aberta no cruzamento do Largo do Rato com a Pedro Álvares Cabral para continuar pela Rua de S. Bento-sempre-a-descer até encontrar a garagem SOS ali à esquerda?

Ah! como a vida era diferente! Como sempre é diferente de quando foi, e de como será!

As reformas a 50%

Nas vésperas da Greve Geral (que foi grande!) li o título de uma notícia "As reformas a 50% do último salário!". Fui ver do que se tratava.
O "miolo" da notícia dizia que o valor da pensão das gerações mais jovens irá passar de 75% do último ordenado para apenas 50% do último salário. Era uma das conclusões da terceira edição de um estudo "Reformas & Pensões em Portugal", da sociedade gestora Optimize, apresentada nesse dia aos jornalistas.
A notícia, e os números, chamavam a atenção dos portugueses para «a necessidade de, ao longo da sua vida activa, constituírem um complemento reforma sólido e capaz de, nos "anos dourados", complementar a já anunciada perda de rendimentos».
Foi nesse sentido que um administrador da Optimize aconselhava a aposta nos planos poupança-reforma (PPR) como uma solução a ponderar pelas famílias!
.
É isso: desmantela-se a segurança social, na base da solidariedade entre todos nós e connosco mesmos, passo a passo, medida a medida, e aconselham-se os "produtos bancários", nesta demencial corrida em que tudo é negócio e a meta a parede ao fundo do beco.

quinta-feira, novembro 25, 2010

"A quem é que a Judite entregaria as suas poupanças?"

Só os apanhei quase no final do "rendez-vous". Quando o dr. Paulo Portas, com aquele seu ar desembaraçadíssimo, se dirigiu à dra. Judite de Sousa e lhe perguntou, antes da que seria a afectuosa e conivente despedida: "... a Judite lembra-se do que eu lhe perguntei uma outra vez que aqui nos encontrámos?... a quem é que entregaria as suas poupanças: ao prof. Cavaco Silva ou ao Manuel Alegre?...».
Como ia a só a passar, nem ouvi a resposta - nem sei se dada pela perguntada ou pelo perguntador... -, não me interessava!
Não tenho poupanças para aplicar e, se as tivesse, não era a nenhum dos dois citados, ah!, isso não era com certeza.
Se estivessem a falar de votos, ainda daqui lhes diria que o meu está entregue: é ao camarada Francisco Lopes. Com toda a confiança!

Diário (anónimo do sec.xxi) de uma Greve Geral - 4

(conclusão deste pedaço de diário)
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O balanço do dia de Greve Geral. De uma enorme Greve Geral. De um dia de luta.
Eu sei do que fui testemunha e dou testemunho. Foi um dia diferente! Com a luta levada onde tantas vezes ela parece estar ausente, não porque não esteja lá, objectivamente, mas porque, em dias como este, há que tomar posição sobre ela.
E digo, a partir do meu testemunho, pelo que vi e vivi, que foi um grande passo no caminho que está a ser feito. Num caminho de avanços e recuos. Este foi um passo. De enorme importância. Que é preciso firmar para que outros se sigam, travando e invertendo o rumo por que este sistema condenado e desesperado nos quer continuar a conduzir, mantendo a aparência da inevitabilidade.
Daquilo que ouvi, daquilo que junta todas as informações, resultam as versões contraditórias que seria de esperar.
Da informação do grande êxito, com a referência a 3 milhões de portugueses envolvidos na Greve Geral, o que ninguém pode desmentir!, ao quase caricato esconder desse facto com números em que se fala de oscilações entre 5% e 95% (oh! sra. ministra, vossa excelência não tem a noção do ridículo?!), a grandes patrões do privado a dizerem que, neste, não houve mais do que 4% de adesão à greve... com excepção dos sectores em que houve muito mais (nos portos, por exemplo)!!! Que objectividade!
E agora?
Agora há que combater, e com muita força, as posições - mesmo de muitos/as que aderiram e fizeram a greve - de que "isto nunca dá nada"! O que é que se esperava que desse? Estarmos, neste dia seguinte, a ver o governo emendar a mão, a corrigir algumas malfeitorias em que tem abundado, a não avançar com as que estão preparadas para começar o ano?
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A luta não tem horário, nem se faz (só!) em dias de greve.
Mas os dias como o de ontem são muito importantes para os dias seguintes. Para os dias da luta que continua, sempre em condições que dia a dia mudam. E ontem houve coisas que mudaram. Não tenhamos dúvidas.

Rectificação (não minha!... e porquê?)





«Em declarações ao Económico, o Ministério das Finanças informou que não haverá hoje uma reunião com os principais banqueiros.
Fica assim desmarcada a reunião de hoje convocada pelo ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, conforme avançou ontem o www.economico.pt e hoje o "Diário Económico".
A fonte do Ministério das Finanças não revelou, contudo, quando é que Teixeira dos Santos não vai receber os presidentes dos principais bancos - CGD, BCP, BPI e BES, depois de os ter convidado para um encontro no Terreiro do Paço.
A agenda nunca foi conhecida, nem o formato do encontro: poderia ser uma reunião conjunta entre o ministro e os banqueiros ou reuniões individuais. Ainda assim, ao que o Diário Económico apurou em cima da mesa deveria estar a situação política e económica do País. Nomeadamente, a subida dos juros da dívida pública nacional, que estão fixados acima dos 7%.
A reunião ocorreria numa altura em que se fala de remodelação no Governo e em que Teixeira dos Santos é um dos nomes possíveis para sair do Executivo de José Sócrates.»
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Que confusão que por aqui vai!

Diário (anónimo do sec.xxi) de uma Greve Geral - 3

(continuação de diário)

Na manhã, depois de umas horitas de sono, comecei por me tentar informar. Nos sites e blogs que me pareceram adequados (e informativos)!, por contactos directos. O que era de esperar. Grande diversidade de situações mas um computo geral muito positivo.
Fui dar umas voltas. Em Ourém, das duas escolas do preparatório/secundário, uma fechada, na outra 2/3 de adesão e os alunos, em grupos, fora do espaço escolar. Algumas surpresas que me deixaram perplexo (e triste... sem perceber).
Resolvi rumar a Torres Novas. Pelo caminho, a ouvir preocupantes opiniões numa "antena aberta" que é uma amostra de alguns estados de espírito de desespero, desorientação, um perigoso mundo do avesso que vê o inimigo no companheiro, no solidário, no igual. Com uma perigosa carga de violência latente.
Em Torres Novas, na Casa dos Sindicatos me reencontrei com os camaradas. Trocámos informações (tinha lá estado o nosso deputado do distrito, o António Filipe), o Santander fechado e mais duas agências da CGD, e quis voltar a casa abdicando da feijoada que prometia ser excelente pausa no trabalho.
Ao regressar, a boa notícia de não ter... notícias na caixa do correio. O que é anormal, particularmente à quarta-feira. A não ser que seja dia de Greve Geral...
Almoço a dois, trocando impressões. Algumas delas a procurarem ir ao fundo de algumas coisas a partir do vivido até antão no dia. Quase logo (até porque já a tarde avançava) a visita de um jovem casal amigo. Para mais conversa, agora a 4, na busca de aproveitarmos ensinamentos que os dias nos trazem, alguns mais que outros.
Passagem pela aldeia, por casa de um vizinho, velho amigo que da aldeia sempre foi apesar das andanças pelas Franças e Araganças, para dois dedos de conversa e um (ou dois) copitos.
Fim do dia em troca de telefonemas antes de nos sentarmos a apanhar o balanço com os resultados tal como apresentados aos milhões que somos. Através daquele rectângulo com que nos pretendem formatar.

Ministro das Finanças chama...

No dia seguinte à grande Greve Geral...

... o ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, convocou de surpresa os principais banqueiros para uma reunião a realizar hoje no Ministério das Finanças, soube o Diário Económico.

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«Aquela "coisa" passou outra vez dos 7%... qu'é qu'eu hei-de fazer?... vá lá, dêem uma ajudinha interna enquanto se estende a passadeira vermelha para aqueles fulanos (ou será, de novo, uma fulana?) do FMI...»

Diário (anónimo do sec.xxi) de uma Greve Geral - 2

(Reflexões na madrugada)
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Ao voltar a casa, já bastante tarde – ou cedo?! – ainda espreitei para o computador. E confrontei comentários negativos sobre a decisão de participar na Greve Geral não publicando mensagens neste blog.
Tal decisão pode ter sido errada mas não foi leviana. Foi reflectida e, mais…, foi anunciada, explicada e discutida. Natural e informalmente. As razões de quem criticou "pôr o blog a fazer greve" não me parecem pertinentes, para além de serem tardias. Depois de conversadas, até as poderia aceitar, mesmo que com reservas.
Um blog pode, e deve!, ser (in)formativo mas não substitui a chamada comunicação social, e nunca pode pretender equilibrar a campanha ideológica que esta veicula com todos os meios de que dispõe, ou que ao seu dispor são postos pelos que são os donos da “massa”.
Por outro lado, nunca tive quaisquer ilusões de “tratamento limpo” por parte de quem sei ser disso incapaz, e nunca esteve nas minhas intenções “calar-me” na blogosfera (ou onde quer que seja!).
Para terminar, a luta nunca é um velório, é a “festa da vida” e, nestas reflexões, só não aceito, até recuso!, a ideia de que um dia de greve é um dia feriado ou de férias. E procurei dizê-lo. E fazê-lo!

Diário (anónimo do sec.xxi) de uma Greve Geral - 1

Aqui, começou assim. Ainda anteontem. Um pouco depois das 23 horas. A sair da Casa Sindical de Torres Novas:



Um para o Hospital (apenas 1 enfermeira e duas auxiliares em 43 não fizeram greve naquele turno: 93%!), os outros para a Renova-2.




Que se sabia tarefa difícil e que, para algumas interpretações, teria sido inglória. Mas que considero ter sido muito positiva.
À entrada do turno da meia-noite, os carros dos que tinham decidido ir trabalhar, passavam por nós e uns nem paravam. Os que paravam, ouviam-nos e houve de tudo… menos voltarem para trás. Desde os que ouviram hesitaram, mas lá seguiram para o turno, os que disseram que era a primeira vez que não faziam greve mas tinham razões pessoais muito graves para não a fazer, os que afirmaram “estamos convosco (nós é que estávamos com eles…) mas sou temporário… não posso!”, e mais e mais, aos que, quase agastados, nem abriam o vidro do carro na espera que o da frente se despachasse. Argumentou-se (eu só ouvia… feitios!), e de uma coisa estou certo: muitos foram a pensar nos argumentos, e hoje neles estão a pensar se não deveriam ter feito greve,ao saber os resultados da grande Greve Geral em que gostariam de ter participado.

Depois, foi uma corrida ao Entroncamento para ainda ouvir, a quente, o confronto com uma requisição de maquinistas a nosso ver abusiva e que a sra. ministra tinha dito (embora com um sorriso “esquisito”) que não iria haver. E conviver, em alegria e confiança...
Mas, por aqui, a greve começou bem. Por ali e por além também. Porque houve quem a fez!

quarta-feira, novembro 24, 2010

Hoje, 24 de Novembro (Greve Geral - 15)



Hoje, não há blog para ninguém!
Mas não deixe se informar:

terça-feira, novembro 23, 2010

delírios e dislates - 21

Ouvir um ministro (parece que de Estado...) dizer que "há empresas que têm especificidades que são distintas das de outras..." ajuda a perceber o estado a que chegou a nossa governação!

Greve Geral - Ora aqui está!

Uma micro-empresa (das 70 mil, como diz na sua informação) antecipou-se:


Intervale

De que Terra somos?,
de que cidade?,
que cidadãos somos?
De que Mundo somos?,
que Cidade ajudamos a fazer?


Largo do Rato, visto da Rua da Escola Politécnica, em 1939,
ano em que me mudei (em que os meus pais se mudaram!...) para a Rua do Sol ao Rato.

Como chegar a nossa casa? Segue-se a linha do eléctrico, vira-se à esquerda, passa-se em frente da Papelaria Fernandes e da Camisa de Ouro, atravessa-se a Rua de S.Bento (cuidado com os carros eléctricos), logo depois a Avenida Pedro Álvares Cabral (fácil de atravessar... são poucos os carros) e tem-se a Rua do Sol ao Rato para subir até ao número 85 (que hoje é o 27). Decerto lá me encontram, no rés-do-chão direito, porque, com aquela idade, saia pouco de casa!